World Wide Web faz 20 anos e o mundo inteiro está convidado para a festa

World Wide Web faz 20 anos e o mundo inteiro está convidado para a festa

Por José Alves

“Uma idéia vaga, mas altamente interessante”, essa foi a resposta por escrito que Tim Berners–Lee recebeu de seu chefe no CERN (Organização Europeia para a Investigação Nuclear), Mike Sendall, ao apresentar, numa sexta–feira, 13 de março de 1989, o documento “Information Management: A Proposal” (gerenciamento de informação: uma proposta), em que descrevia o seu projeto elaborado em parceria com Robert Cailliau: um conjunto de documentos de hipertexto interligados e acessíveis pela Internet.
Hoje, a “idéia vaga” mantém conectadas 1,5 bilhão de pessoas e hospeda 215 milhões de sites pelo mundo afora, segundo dados da Netcraft em fevereiro de 2009. Vinte anos depois, o papel com a resposta de Sendall a Berners–Lee encontra-se exposto numa vitrine do CERN como se fosse uma certidão de nascimento da World Wide Web. Os inventores da WWW já imaginavam no que a proposta poderia se tornar? “Sim, senão não a teríamos chamado de World Wide Web (rede mundial) antes mesmo de ter qualquer código em funcionamento”, disse Robert Cailliau em entrevista à Folha de São Paulo.

World Wide Web e Internet

É muito importante esclarecer que World Wide Web e Internet não são a mesma coisa, mas complementares. A Internet é um sistema global de comunicação de dados que nasce no auge da Guerra Fria, no final da década de cinquenta, por meio do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, que concebeu a ARPA – Advanced Research Projects Agency, para liderar as pesquisas de ciência e tecnologia aplicáveis às forças armadas. Com o objetivo de desenvolver projetos em conjunto, sem o inconveniente da distância física nem o risco de se perder dados e informações de uma base destruída em caso de combate, foi criada a ARPANET – ARPAnetwork, ampliada nos anos seguintes com novos pontos em todo os Estados Unidos, além de incluir também as universidades.

Já a World Wide Web, responsável direta pela democratização do acesso à Internet, é um dos serviços que o sistema global de comunicação de dados possui, com páginas interligadas, que combinam texto, imagem, áudio e vídeo. Pode-se dizer que a WWW lincou com o mundo uma forma de comunicação que era restrita às universidades e às forças armadas, possível a partir do momento que o CERN abriu a web ao público e renunciou ao pagamento de licenças ou a um patenteamento da invenção de Berners-Lee e Cailliau. Se os pesquisadores tivessem pedido altas taxas de licença de uso, provavelmente a World Wide Web e a Internet não teriam se tornado o sucesso que são hoje.

As ferramentas necessárias para o funcionamento da rede, o protocolo HTTP (HyperText Transfer Protocol), a linguagem HTML (HyperText Markup Language), o primeiro software de servidor HTTP, o primeiro navegador (chamado WorldWideWeb) e as primeiras páginas, ainda rústicas, de textos e links que explicavam o funcionamento da própria WWW foram desenvolvidas por Berners-Lee em 1990.

Em 1993 surgia a versão 1.0 do navegador Mosaic, criado pelo estudante de computação norte-americano Marc Andreessen. O programa inovou por ser totalmente gráfico, tornando a navegação na rede mais amigável e acessível. Em 1994, o Mosaic virou software comercial e foi rebatizado como Netscape Navigator. Anos mais tarde, o Internet Explorer, da Microsoft, tornou-se o principal navegador da rede. Hoje, além dos navegadores desenvolvidos comercialmente, existem aqueles projetados para serem usados gratuitamente, como o Mozilla Firefox.

Na esteira da popularização da web, surgiram os sites que organizavam e tornavam possíveis as consultas às informações disponíveis na rede, como o Yahoo! e o Altavista, mais tarde engolidos pelo Google. Na década de 90, no Brasil, o buscador Cadê? também esteve presente na vida dos internautas.

Web 1.0, 2.0 e as redes sociais dentro da rede

A intenção original dos criadores da web era a interação e a colaboração. A definição dos termos no ambiente virtual ainda não existia, mas a idéia já rondava as cabeças de Berners–Lee e Cailliau. Isso significaria que os usuários passariam a ser produtores e socializadores de conteúdos ao invés de meros receptores de informação. Mais uma vez eles estavam certos. O que se vê hoje é a disseminação de ferramentas que possibilitam a produção, colaboração e troca de experiências no mundo virtual. É o que chamamos de web 2.0,  jargão criado pelo editor norte-americano Tim O’Reilly. Alguns exemplos que fortalecem esse conceito são os blogs, as comunidades virtuais de aprendizagem e a enciclopédia colaborativa wikipédia, entre outros; além das grandes vedetes, principalmente para os jovens, adolescentes e crianças, que são as redes sociais, como o Facebook, Orkut e o Youtube.
Sérgio Amadeu, um dos mais respeitados pesquisadores brasileiros de Comunicação Mediada por Computador e da Teoria da Propriedade dos Bens Imateriais, e diretor de conteúdos da Campus Party Brasil, diz que as redes sociais lideram a web, ou seja, compõem o grupo de sites mais acessados da rede. Amadeu afirma que “esse fenômeno acontece porque uma parte considerável dos internautas não se contentam em somente navegar pelo ciberespaço, querem participar, opinar, criar, recombinar, construir e compartilhar novos conteúdos. Por isso, o Youtube tornou-se o terceiro site mais visitado, ficando atrás apenas dos mecanismos de busca Google e Yahoo!”.

Em relação à proibição ao acesso a essas redes nas escolas e telecentros, o pesquisador diz: “uma das piores coisas que vejo ocorrer em uma escola ou telecentro é a proibição do uso livre pelos jovens. Absurdo! A proibição do uso de redes sociais, por exemplo, não garante o interesse do jovem para algo que seja considerado mais culto ou apropriado. Será disputando a atenção do jovem a partir de inúmeras aplicações inovadoras e sites interessantes é que vamos ampliar a bagagem cultural dos jovens”.

Amadeu termina com um resumo sobre a evolução na relação do internauta com a rede mundial: “A chamada web 1.0 foi a primeira fase do modo gráfico da Internet, onde os sites exploravam timidamente a interatividade e toda a lógica de navegação ainda era baseada na competição e no bloqueio do acesso. Com a web 2.0, a colaboração e a livre distribuição de conteúdos mostrou-se mais eficiente do que simplesmente competir”.

Web 3.0 e o futuro da rede mundial de computadores

Ao prever o que será da WWW, Berners–Lee afirmou que “a web é uma tela em branco, as pessoas estão sempre inventando coisas novas e maravilhosas que não poderíamos imaginar”. É verdade, ter exatidão em relação ao que surgirá é praticamente impossível, mas a tendência, segundo Sérgio Amadeu, é a evolução na forma do internauta interagir com o mundo virtual, a chamada web 3.0, que tende a ser a continuidade dos avanços colaborativos que por sua vez desembocará na Web Semântica. Com ela, os mecanismos de busca e a estruturação dos servicos na rede serão mais rápidos e mais eficientes.

Além disso, possivelmente haverá um crescimento de aplicações para celulares e tecnologias móveis. Outras projeções de Amadeu são a crise no ensino formal, se levarmos em consideração a estrutura em que está baseada a Educação oficial, e a expansão da banda larga, com a conseqüente melhoria das tecnologias de conexão, que apontaria para a web 3D, abrindo assim caminho para o avanço da estética dos games e sua transposição para diversas outras áreas. Quem viver, verá!

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Uso Responsável da Internet

Cartilha dá orientações sobre uso responsável da Internet

Lançada pela operadora de telecomunicações GVT, publicação apresenta dicas úteis para os pais acompanharem a navegação de crianças e jovens pela web

Dicas práticas para pais e filhos

Bate-papo: Evite surpresas desagradáveis

Nunca forneça informações pessoais

Evite publicar fotos e imagens com dados pessoais

Marque encontro em lugares públicos e seguros

Ir ao encontro acompanhado por um parente

Avise outras pessoas sobre o encontro

Cuidados em sites de relacionamento (Ex: orkut)

Evite participar de comunidades que:

Permitam a terceiros localizar seu endereço

Deixem claro o local onde você trabalha ou estuda

Informem lugares que você costuma freqüentar

Evidenciem sua situação financeira

Evite também:

Colocar fotos excessivamente sensuais

Colocar fotos em que apareça a entrada da sua casa

Colocar fotos de outras pessoas sem consentimento

Combinar passeios por mensagens

Em computadores públicos não use o recurso “lembrar minha senha”

Tratar de assuntos pessoais ou falar de terceiros

Fique atento aos sinais de “Bullying”

Seu filho demonstra falta de vontade de ir à escola

Sente-se mal perto da hora de sair de casa

Pede para trocar de escola

Pede sempre para ser levado à escola

Muda freqüentemente o trajeto entre a casa e a escola

Apresenta baixo rendimento escolar

Volta da escola, repetidamente, com roupas e materiais rasgados

Chega muitas vezes em casa com machucados sem explicação convincente

Parece angustiado, ansioso e deprimido

Tem pesadelos constantes com pedidos de “socorro” ou “me deixa”

“Perde”, repetidas vezes, seus pertences e dinheiro

Beatriz Rizek e José Alves

Uma das maiores, se não a maior preocupação dos pais em tempos mais do que modernos, é com a utilização da Internet. De fato, à primeira vista – ou à primeira navegada – tudo parece uma terra-de-ninguém: digita-se uma única palavra em buscadores automáticos e, em segundos, surge uma infinidade de endereços. Por onde começar? Quais deles são seguros? Como agir no caso de conteúdo impróprio ou ofensivo?

Com o objetivo de responder a estas e a outras perguntas que envolvem o uso da rede, criou-se a Cartilha para uso responsável da Internet, um manual básico de instruções sobre computadores, softwares, ferramentas de comunicação, recursos de compartilhamento de arquivos e muitas dicas a respeito de comportamento e relacionamento no ciberespaço.

Para início de conversa, recomenda-se que o computador fique instalado em local que permita a circulação de pessoas, seja em casa, seja na escola. Manter um computador no quarto do filho pode ser um convite ao acesso a sites e portais impróprios; portanto, que tal deixar o micro na sala, como se fosse um eletrodoméstico, uma agenda pronta para ser acessada por todos da casa?

A próxima dica é incentivar pais e filhos a navegarem juntos, para fazer uma  pesquisa, para se comunicar na web; não importa, o que deve ser evitado é o isolamento da criança e do jovem. Em outros tempos, os pais pediam para ver os cadernos dos filhos; hoje, eles – pais – têm inúmeras chances de serem parceiros de sua aprendizagem, desde que se organizem para isso.

Computador na sala, parceria estabelecida, vamos navegar com responsabilidade: há programas antivírus instalados? Os softwares operacionais (proprietários)  são originais e estão devidamente registrados para atualização e suporte online? O uso responsável também passa pelo consumo consciente do cidadão, que opta por softwares livres se não quiser pagar por eles, mas jamais utiliza programas pirateados, até porque podem causar danos à máquina.

Provavelmente, antes de iniciar o trabalho escolar ou a pesquisa doméstica, o primeiro programa que o jovem internauta abrirá será o de comunicação instantânea… muita calma nessa hora! Oriente-o para que esteja atento às informações pessoais que ele deseja que os outros vejam, preservando dados como nome completo, endereço, telefones e escola onde estuda, por exemplo. Outra dica fundamental é o bom e velho ditado “nunca fale com estranhos”, o que significa só autorizar, em sua lista de amigos virtuais, as pessoas conhecidas, evitando que hackers ou indivíduos mal-intencionados possam rastrear a máquina ou contaminá-la com vírus.

Para os sites de relacionamento valem os mesmos cuidados, porém, a atenção deve ser redobrada: antes de se inscrever em uma ou mais comunidades virtuais, converse com seu filho sobre o motivo de seu interesse em integrá-la(s). Esta é uma ótima oportunidade para você conhecer suas idéias e  ideais  e estar ao seu lado para esclarecer conceitos que eventualmente não estejam suficientemente claros para ele. Infelizmente, os sites de relacionamento acabam por reunir, em comunidades virtuais, pessoas que defendem o preconceito e a intolerância à diversidade humana, incitando terceiros a aderirem à(s) causa(s), por mais duvidosas que elas possam parecer. Esta forma de comunicação e organização é chamada de Bullying – expressão que significa toda e qualquer forma de agressão, afronta, desrespeito e ofensa a uma pessoa, a um grupo ou a uma instituição, tanto no mundo virtual como no real.

Contudo, a Cartilha também orienta quanto ao bom uso da Internet, fornecendo dicas sobre instituições públicas e privadas que apóiam causas sociais  visando à melhoria da qualidade de vida de todos os seres que habitam o planeta. Além disso, há indicações de sites para quem deseja realizar trabalho voluntário ou doações.

Paralelamente, o documento alerta para a importância da denúncia, por parte do internauta, de sites com conteúdo criminoso, ofensivo e que violem os direitos humanos, como pedofilia e pornografia infantil online. Da mesma forma, fornece dicas sobre direitos autorais e condições de compartilhamento e reprodução de conteúdo multimídia (textos, sons e imagens).

Por fim, a Cartilha destaca a importância da elaboração de textos em sala de aula, por meio do incentivo à criação de blogs e páginas pessoais – desde que tomados os cuidados descritos. Para incentivar a produção textual disponibiliza glossário, endereços de sites, blogs, portais e softwares educacionais e ensina como realizar pesquisas em buscadores, utilizando três formatos: aberta, associada e avançada.

Você poderá ter acesso à  versão completa da Cartilha de uso responsável da Internet no endereço: http://www.gvt.com.br/midiaportal/pdf/educandogvt/cartilha.pdf

Crianças e jovens podem conhecê-la acessando a versão em HQ  ou assistindo ao vídeo.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Um mundo a explorar

Um mundo a explorar

 

Second Life e WEB 2.0 na Educação – O potencial revolucionário das novas tecnologias dá uma ampla visão dos novos caminhas da EaD, das ferramentas disponíveis aos professores na web 2.0 e das possibilidades dentro do ambiente 3D do Second Life

Rafael Argemon

 

O mundo está em constante evolução e uma das ferramentas que mais afetou nosso planeta nos últimos anos foi a Internet, que caminha a passos largos em direção ao papel de grande influenciadora de diversos aspectos de nossa sociedade, causando mudanças drásticas em uma quantidade cada vez maior de relações, funções, conhecimento, entre outros fatores de nossas vidas.

Mas nesse ambiente virtual que afeta a nós e ao mundo em que vivemos com mudanças definitivas em sistemas de serviços, relações pessoais, economia e tantas outras coisas, como fica a educação? O professor de hoje é um dinossauro em vias de extinção?

EaD
EaD clássica EaD online
• Correio tradicional e-learning
• Rádio Online learning
• Televisão Virtual learning
• Satélite Network learning
• CD e DVD Web-based learning
Site útil: Secretaria de Educação à Distância
Ferramenta: Blackboard
Cursos de EaD: SENAC-SP, PUC-SP, FGV-SP

O assunto web e educação é o grande mote do livro Second Life e WEB 2.0 na Educação – O potencial revolucionário das novas tecnologias, da editora Novatec, escrito pelos professores Carlos Valente e João Mattar, que têm ampla experiência nesse campo ainda tão aberto a “explorações”.

Com a utilização de várias ilustrações, uma bibliografia selecionada e comentada, além, claro, de muitos links, o livro traça um panorama geral da Educação a Distância (EaD) e revela o potencial pedagógico das ferramentas disponíveis na Web 2.0 e particularmente do Second Life, um tipo de “jogo” em que as pessoas entram em um ambiente virtual 3D e “vivenciam” diversos tipos de experiências, entre elas as pedagógicas.

Tudo começa com uma explicação extensa sobre o que é, como se desenvolveu e quais os caminhos que a EaD está seguindo, com experiências realizadas no Brasil e no exterior. Dado o panorama, os autores passam a apontar as mudanças sofridas pela Internet – a grande base para ferramentas em EaD, educação semipresencial e até presencial.

Web 2.0
Artigos sobre Web 2.0
O que é Web 2.0: padrões de design e modelos de negócios para a nova geração de software de Tim O’Reilly
Redes: uma estrutura alternativa de organização de Francisco Whitaker
Efeito Katilce: como o Youtube, o Second Life e outros recursos da Web 2.0 vão mudar o setor da educação de Maurício Garcia
Ferramentas úteis: Caderno Virtual, Wikipedia, WetPaint, Youtube, Flash Meeting, Mapas Mentais, Google Apps for Education

É nessa segunda parte que Valente e Mattar passam a mostrar e a sugerir vários tipos de ferramentas livres para uso na Internet e que podem ser utilizadas com muito sucesso no campo da educação, mas que ainda são pouco exploradas no País. Aliás, dito isso, o Second Life se mostra ainda menos explorado por educadores brasileiros. Tanto que os próprios autores mostram exemplos de universidades estrangeiras – e algumas brasileiras – que ainda têm muito a evoluir.

O ambiente virtual 3D mais popular do momento é apresentado em detalhes, com o mapeamento de muitas dessas experiências educacionais realizadas no Second Life, local em que a criatividade e a interatividade caminham a pleno vapor em busca do que pode vir a ser a educação do futuro, mas que ninguém, nem mesmo os autores, ainda sabem no que vai dar, mas que certamente passa por mudanças drásticas a que o educador de hoje deve estar bem atento.

Second Life
Vídeos sobre o potencial pedagógico do Second Life
Education in Second Life: explore the possibilities
Educational uses of Second Life
Experiências brasileiras no Second Life
Ilha Vestibular Brasil

No blog do professor João Mattar (De Mattar) há mais informações sobre o livro e sobre o assunto.

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Um futuro para a internet

Em palestra na Universidade Federal de Pernambuco, o filósofo Pierre Lévy afirma que a mídia digital caminha para uma “esfera semântica” por volta de 2015

Por Adriana Vieira

Imagine uma internet em que todo o conhecimento esteja organizado por conceitos. Além dos endereços das páginas da Web, haja localizadores semânticos uniformes dos conteúdos, independentemente do idioma. Segundo Pierre Lévy, é para esse sentido que caminha o futuro da mídia digital: “A inteligência coletiva será mais poderosa do que é agora”, afirmou o filósofo, durante palestra que proferiu no 3º Seminário Hipertextos e Tecnologias na Educação no último dia 2, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife.

Com o tema “Do hipertexto opaco ao transparente”, Lévy iniciou sua apresentação de cerca de uma hora e meia, ao ar livre, na Concha Acústica da UFPE, abordando o seu conceito mais conhecido, o de “inteligência coletiva”. Para tanto, explicou detalhadamente o que chama de “ciclo de gerenciamento do conhecimento pessoal”, processo no qual as pessoas constroem seus conhecimentos a partir do enorme fluxo de informação. Entre as etapas desse ciclo estão: a definição de interesses e prioridades (“se não souber o que quer aprender, não vai a lugar nenhum”); a conexão com fontes valiosas; a categorização das informações; a síntese e compartilhamento/comunicação do conhecimento.

Segundo Lévy, a inteligência coletiva emerge da interação, mas também desse processo de aprendizagem individual; a base é pessoal. As pessoas estão trabalhando para uma memória comum, porém em diferentes linguagens, com metadados com distintas semânticas. “ É como se numa biblioteca nós tivéssemos 10 mil sistemas diferentes de catalogação e todos incompatíveis. Essa é a bagunça da internet. Essa é a situação da internet atualmente.”

Como então alcançar um gerenciamento do conhecimento social efetivo? O filósofo explicou as fases do desenvolvimento do mundo digital, iniciado com a invenção do computador nos anos 50, passando pela popularização da internet na década de 80 e pela criação da Web nos anos 90. Essa evolução, segundo ele, caminha para o que chama de “esfera semântica”, por volta de 2015.

Nessa “esfera semântica”, o hipertexto opaco da Web – opaco porque o endereçador dos conteúdos hoje é a URL (Uniform Resource Locator) e não explicita o significado dos dados – daria lugar a um novo código, desta vez transparente, um sistema simbólico totalmente computacional, mais poderoso até do que uma linguagem natural.

Parece impossível? Lévy vai mais longe: “vamos criar uma mente global. O cérebro global já existe. Isto é uma coisa material. O que não temos é um sistema de símbolos unificados. Vai ser muito mais poderoso do que a linguagem natural. Como uma matemática que descreva operações semânticas, operações da mente. O objetivo é aumentar essa inteligência coletiva humana pelo uso da mídia digital. Pelo uso cuidadoso e bem pensado da mídia digital” (citação extraída do blog do Professor Eli Lopes).

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Para saber mais:

IEML (Information Economy Meta Lenguage) – Projeto desenvolvido por Pierre Lévy na Universidade de Ottawa, no Canadá

Entrevista com Pierre Lévy, 01/09/2009, no G1 – o filósofo fala sobre o seu projeto IEML

Pierre Lévy (Wikpedia) – lista das obras em português e francês

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

TV Web encerra temporada destacando as gerações interativas

TV Web Educar na Cultura Digital destaca as gerações interativas

Quinto e último programa deste ano traz os convidados Sidnei Oliveira e Ivelise Fortim para um bate-papo sobre os desafios de
educar crianças e jovens da era digital


Iniciada em setembro deste ano, a série de programas “Educar na Cultura Digital” na TV Web Moderna

 chega ao fim da temporada 2010 na próxima quarta-feira, 01 de dezembro, destacando o tema “Gerações Interativas: onde está o desafio ao educá-las?”.

O quinto programa mantém a linha dos quatro anteriores e aborda temas discutidos no Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital. A transmissão online ao vivo acontece a partir das 16h, e canais para interação (veja no box abaixo como interagir) estarão abertos para que os participantes do Grupo e os interessados pelo tema possam enviar comentários e perguntas. A mediadora pedagógica do Grupo de Estudos Mílada Gonçalves conduzirá o bate-papo com os convidados Ivelise Fortim e Sidnei Oliveira.

Psicóloga e mestre em Ciências Sociais pela PUC-SP, Ivelise pesquisa há mais de 10 anos a tecnologia nas relações humanas. Agora, para a tese de doutorado que pretende desenvolver, foca o tema “Uso Patológico da Internet”. Junto ao consultor Sidnei Oliveira, especialista em “Conflitos de Gerações” e “Geração Y”, discutirá alguns pontos-chave para a educação das gerações interativas, como “o que os jovens destas gerações, sempre conectados e acompanhados de seus apetrechos digitais, buscam aprender?” e “que contexto social produz essas gerações?”.

A mediadora Mílada Gonçalves destaca que, embora novos arranjos sociais tragam novas realidades e isso implique outro contexto de estrutura familiar, de consumo infantil e mesmo outro contexto tecnológico, “as crianças continuam sendo crianças”. Como conduzir a formação delas, portanto, continua a ser questão primordial.

A importância de refletir sobre a formação envolve também discussões sobre como potencializar as capacidades e competências que estão relacionadas de forma intrínseca aos hábitos – grande parte deles digitais – dos representantes das gerações interativas. E envolve ainda pensar sobre como administrar conflitos de características das denominadas gerações Y,  X,  Z, que já convivem em ambientes corporativos. Com este assunto, o convidado do programa Sidnei Oliveira está bastante familiarizado. Não raramente é chamado em empresas para indicar formas de se superar o “gap” entre as diferentes gerações. Sim, o que se percebe é que lidar com as gerações interativas não é desafio somente para educadores.

 

 


Vamos interagir?

Desde o seu lançamento, o programa TV Web Educar na Cultura Digital preza pela interação real com o público, o qual tem respondido com bastante participação aos canais abertos para conversa “direta” com os convidados durante a transmissão.

Nesta quarta-feira, mais uma vez teremos o chat, que pode ser acessado na mesma página do vídeo (que fica à direita e ao alto da caixa de vídeo), e a hashtag #ECDigital_TV, a qual deve ser utilizada no Twitter pelos que quiserem participar do programa. As perguntas podem também ser direcionadas para os perfis

@educultdigital e @educaredebrasil.

Todos os programas têm a gravação disponibilizada posteriormente, mas é imensa a troca de informação que ocorre nesses espaços virtuais enquanto o bate-papo entre a mediadora e os convidados acontece, como pôde ser visto nas edições anteriores da TV Web.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

TV Web Educar na Cultura Digital: uso das Redes Sociais na escola

TV Web Educar na Cultura Digital discute redes sociais na escola

O conceito de redes sociais surgiu bem antes da web 2.0, mas foi nesta segunda geração da World Wide Web que a internet se tornou terreno fértil e propício para o surgimento das redes sociais virtuais, que apresentam, entre as suas principais características, a colaboração e a interação. Para discutir o impacto e as possibilidades dessas redes na educação, o 4º programa da TV Web Educar na Cultura Digital recebe, nesta quarta-feira, 10/11, às 16h, os convidados Tiago Dória e Claudemir Viana.

Como interagir durante o programa

Ao longo da transmissão do programa da TV Web Educar na Cultura Digital, os convidados responderão a perguntas feitas no chat da TV Web e também no Twitter por meio da hashtag #ECDigital_TV ou pela interação com os perfis @educultdigital e @educaredebrasil.

Para participar, basta acessar, na quarta-feira (10/11), o site do Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital, a partir das 15h50, e clicar na imagem da TV que estará na home. Para assistir aos três programas anteriores da TV Web, clique aqui.

Jornalista e pesquisador de mídias sociais, Dória edita um blog pessoal sobre cultura, web, tecnologia e mídia. Já Viana é gestor da Rede Social Minha Terra – que integra o portal Educarede -, educomunicador e pesquisador, há 15 anos, da relação criança, mídias e educação.

Ao longo de uma hora, eles vão conversar com uma das mediadoras pedagógicas do Grupo de Estudos Online, Sônia Bertocchi. Os internautas poderão acompanhar tudo ao vivo, assim como participar enviando perguntas e comentários sobre o tema “Redes sociais na escola: sim ou não?” via chat ou Twitter (confira ao lado como interagir durante o programa).

O programa vai destacar o proeminente papel das redes sociais na discussão sobre “como educar na cultura digital” e também abordar as questões que estão diretamente relacionadas ao uso das redes como espaços para atividades pedagógicas na escola. O preparo dos educadores para lidar com a dinâmica das redes está entre essas questões.

A proposta desta edição da TV Web é debater como essas redes, já intensamente presentes no cotidiano dos jovens, podem ser trabalhadas e o porquê de esse uso ainda ser polêmico em algumas instituições. Em pauta, assuntos como o coworking/atividades pedagógicas colaborativas, a coexistência de redes sociais e dos blogs na escola, o dilema de até que ponto filtrar as redes, as experiências dos convidados em planejamento de atividades realizadas nas redes sociais, entre outros.

Os internautas podem sugerir, desde já, outros assuntos que queiram ver em discussão no programa. Basta usar a hashtag #ECDigital_TV no Twitter e fazer a sugestão. Os assuntos mais citados entram para a pauta.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Segundo programa da TV web foca a essência da cultura digital

Segundo programa da TV Web foca a essência da cultura digital

Após a estreia com ativa participação dos internautas que acompanhavam a transmissão streaming ao vivo, o programa Educar na Cultura Digital volta à TV Web na próxima quarta-feira, dia 06/10, às 16h. Desta vez, o tema a ser discutido é “Cultura Digital: O que é? Como surgiu?”

Nesta segunda edição do programa, uma realização do Grupo de Estudos Online Educar na Cultura Digital, a proposta é explorar os conceitos e a abrangência da cultura digital. Os convidados a falar sobre o assunto são o jornalista Rodrigo Savazoni, membro da coordenação-executiva do Fórum da Cultura Digital Brasileira, e a historiadora Camila Duprat, superintendente do Instituto Sergio Motta.

Ao longo de uma hora, Savazoni e Duprat conversarão com Priscila Gonsales, mediadora pedagógica do Grupo de Estudos Online, e responderão a perguntas enviadas durante o programa pelos internautas que estiverem no chat e no Twitter, acompanhando os perfis @educaredebrasil e @educultdigital.

Na cultura digital, o cidadão é, ao mesmo tempo, produtor e receptor de conteúdos, o que altera a concepção de comunicação unilateral. Além disso, o compartilhamento é considerado ponto-chave para a ampliação do conhecimento e da democratização cultural. Porém, esse compartilhamento esbarra ainda em questões de direitos autorais e levanta amplas discussões.

No território da arte digital, pelo qual Camila Duprat caminha há alguns anos – após exercer os cargos de diretora do Museu de Arte Moderna SP (90/92) e diretora da Divisão de Artes Plásticas do Centro Cultural São Paulo (1993/2000), foi coordenadora de produção do Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia (2001/2004) – os debates também são muitos. O Instituto Sérgio Motta, por exemplo, é um centro de pesquisas e debates que busca efetivar ações que unem tecnologias de telecomunicação aos setores cultural e social de forma inovadora.

Todos esses assuntos, de extrema relevância para a educação inserida na cultura digital, estarão em debate neste programa, o segundo de uma série que segue até dezembro. O primeiro programa Educar na Cultura Digital está disponível na web e pode ser acessado gratuitamente na home do hotsite do Grupo de Estudos. No vídeo, as mediadoras do Grupo de Estudos Online – Priscila Gonsales, Mílada Gonçalves e Sônia Bertocchi – explicam a metodologia, os espaços temáticos e os espaços de interação, as atividades e demais recursos do ambiente.

O Grupo de Estudos

Atualmente o Grupo já conta com mais de 1500 participantes de todas as regiões do Brasil. Em um ambiente subdividido em cinco temas (O Mundo Digital, Geração Interativa, Aprendizagem na Cultura Digital, Inovação Pedagógica e Avaliação em TIC), os participantes podem colaborar em discussões nos fóruns e criar seus próprios tópicos.

Não é exigido dos participantes nenhuma experiência pedagógica prévia em ambientes virtuais. A ideia é que profissionais em diversos níveis de apropriação da cultura digital interajam, troquem informações, experiências e consigam levar à prática do dia a dia o que aprendem no Grupo. As inscrições são gratuitas.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Novas formas de pensar o currículo escolar

Novas formas de pensar o currículo escolar

II Seminário Web Currículo, em São Paulo, discutiu as possibilidades que as tecnologias digitais oferecem para inovar os modos de ensinar e aprender. O EducaRede participou do evento, com ações presenciais e on line

Por Adriana Vieira e José Alves

 

Redes sociais, mobilidade e Web 2.0 na educação foram alguns dos temas de destaque do II Seminário Web Currículo. O evento reuniu, nos dias 7 e 8 de junho, na PUC de São Paulo, especialistas brasileiros e estrangeiros para refletir sobre a integração das tecnologias digitais ao currículo escolar.

“As redes sociais subvertem as escolas”, afirmou Simão Pedro Marinho, professor da PUC de Minas Gerais, que participou da mesa-redonda “Redes Sociais e Educação”. Segundo Marinho, a escola – mesmo a tradicional – sempre foi um lugar de rede social, porém uma rede centralizada, na qual um único nó (o professor) irradia informação para os demais (os alunos). “Não tem sentido incorporar as redes virtuais na escola para reproduzir as mesmas práticas. Só faz sentido se a rede não tiver um centro, na qual todos sejam iguais. A escola fará a rede descentralizada? Está pronta para subversão?”, provocou o professor da PUC-MG.

“Mobilidade e Educação” foi tema de duas mesas-redondas e de relatos de práticas no seminário. A professora de Comunicação e Semiótica da PUC-SP Lúcia Santaella utilizou o termo “aprendizagem ubíqua” para designar os modos de aprender por meio dos dispositivos móveis. Ou seja, a informação e as possibilidades de aprendizagem estão por toda parte. “Inaugurou-se uma modalidade de aprendizagem que prescinde a fórmula ensino e aprendizagem. Um novo modelo de aprendizagem sem ensino”. Porém, ela concluiu que essa nova modalidade de aprendizagem não significa a substituição da educação formal. “A educação formal nunca foi tão necessária, mas de uma forma diferente”, disse.

A professora da Faculdade de Educação da PUC-SP Maria Elizabeth de Almeida, uma das organizadoras do seminário, enfatizou a importância de integrar as velhas e as novas tecnologias ao currículo escolar. “Não é excluir as tecnologias convencionais, até mesmo o laboratório de informática,  mas ressignificá-las. Temos como exemplo as revistas impressas que continuam a existir, mas utilizam elementos da Internet”, explicou a professora na mesa-redonda de abertura do evento. Ela também ressaltou que as políticas de formação de professores têm que emergir de um diagnóstico – das questões dos professores e da escola – para então surgirem o conteúdo, as metodologias e as tecnologias.

As possibilidades oferecidas pela Web 2.0, como a colaboração e o papel da criação e autoria, também foram discutidas no evento. Para a professora da PUC-SP Maria da Graça Moreira da Silva, a escola deve explorar o meio digital “não só como espaço de navegação pelo conteúdo já posto, mas a idéia da Web 2.0, o papel da autoria, da nossa presença virtual”.

O seminário foi finalizado com a palestra “O papel das mídias na inovação em educação”, com o jornalista Paulo Markum, que criticou os projetos de um computador por aluno na escola, pois, segundo ele, “só interessa a governos para fazer média com empresas de computadores” (do Twitter @educaredebrasil). O jornalista ainda apontou o grande desafio que as novas tecnologias colocam à escola: “levar o professor a abrir mão do poder” (do Twitter @Elizampieri).

Rede Social Minha Terra, do Programa EducaRede, no Web Currículo

 

O Programa EducaRede compartilhou a experiência pedagógica vivenciada na Rede Social Minha Terra com os participantes do II Seminário Web Currículo em duas apresentações distintas. Priscila Gonsales, coordenadora executiva do Programa EducaRede no Brasil, esteve à frente do painel “Minha Terra: web 2.0 + sustentabilidade”, com relatos das práticas educacionais presentes na rede social que já envolve cerca de 9.000 estudantes e professores de diferentes localidades brasileiras e sulamericanas. Gonsales demonstrou para um público formado por especialistas em educação e tecnologia, além de estudantes universitários, como o Minha Terra pode promover a educação para o desenvolvimento sustentável do planeta.

Já Claudemir Viana, gestor do Minha Terra, realizou a oficina presencial “Publicação na web 2.0”. O especialista apresentou para os inscritos na capacitação, educadores e representantes de diretorias de ensino, as bases conceituais da comunidade virtual de aprendizagem, como o estímulo à prática da cidadania, autonomia e construção colaborativa de conhecimento entre educadores e alunos. Na oficina, houve também a demonstração das ferramentas tecnológicas presentes no ambiente virtual.

Web Currículo no Portal EducaRede

O Web Currículo contou com o Programa EducaRede como um dos seus parceiros. Por esse motivo, como parte das ações on line que antecederam o evento, o Portal ofereceu suas salas de bate-papo, desde abril, para representantes do seminário conversarem com internautas sobre os mais variados temas relacionados à educação e tecnologia. Entre eles, o projeto Um Computador Por Aluno (UCA), o uso das tecnologias para o ensino de línguas estrangeiras e Games na educação.

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Veja também:

Apresentações dos palestrantes e convidados no blog do Web Currículo

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)