Vagas abertas para o Programa “Rede PEB de Coordenadores Pedagógicos”

Projeto Escola Brasil disponibiliza vagas para o Programa “Rede PEB de Coordenadores Pedagógicos”

Educadores de Recife e municípios próximos podem participar de formação gratuita via comunidade virtual de aprendizagem

Coordenadores pedagógicos, supervisores e formadores de coordenadores que atuem com a formação de professores alfabetizadores das séries iniciais da rede municipal e estadual de Recife e municípios próximos estão convidados para participarem do Programa Rede PEB de Coordenadores Pedagógicos de Alfabetização, uma ação vinculada ao Projeto Escola Brasil, do Grupo Santander Brasil.

O Rede PEB oferece vagas para uma formação continuada de Coordenadores Pedagógicos responsáveis pela orientação de professores alfabetizadores. A formação, gratuita, visa orientar os educadores a montar um plano de ação que contemple as múltiplas tarefas de um coordenador pedagógico, com ênfase na sua função de formador dos professores. O formato do curso é semipresencial, via comunidade virtual de aprendizagem e dois encontros presenciais. A atividade será realizada entre os meses de Outubro e Dezembro de 2010. Os participantes são certificados pelo Projeto Escola Brasil. Clique aqui para acessar o formulário de inscrição.

Entre os objetivos que serviram de base para a formação do Programa Rede PEB, estão: o apoio técnico, via internet, a projetos de formação continuada de professores que atuam com crianças de 6 a 10 anos em leitura e escrita; promoção do uso das novas tecnologias da informação e da comunicação (TIC) para produção, divulgação e compartilhamento de conhecimento pedagógico; e a colaboração para que os Coordenadores Pedagógicos conheçam o que está disponível na internet e para que saibam dispor desses conteúdos com responsabilidade e autonomia.

Para chegar a estes objetivos, as atividades virtuais foram divididas em quatro módulos temáticos:

Módulo 1: O trabalho do coordenador no processo de alfabetização
Módulo 2: Ambiente alfabetizador e letramento
Módulo 3: O papel do recurso multimídia na alfabetização
Módulo 4: Avaliação e o cotidiano escolar


___________________________________

Serviço


Programa Rede PEB de Coordenadores Pedagógicos de Alfabetização


O que é:
Formação semipresencial para profissionais da educação das redes municipal e estadual de Recife e de municípios próximos.
Como participar:
Preencha o formulário
Valor: Gratuito
Duração: Outubro a Dezembro de 2010
Número de vagas: 11


(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)


Por trás das câmeras


Por trás das câmeras


Projeto de produção de vídeo estimula nos alunos a criação e a análise crítica
dos meios de comunicação

Jaciara de Sá e Rosane Storto

 

Uma câmera de vídeo para 24 alunos. Pode parecer pouco, mas foi o suficiente para que alunos de 3ª e 4ª séries da Escola Básica Municipal Vitor Miguel de Souza, de Florianópolis (SC), produzissem “Toda Criança Merece”, um documentário de 40 minutos sobre os direitos das crianças e dos adolescentes. A produção foi resultado do projeto “Cidadania, Infância e a Estética do Olhar”, desenvolvido em 2004 e 2005 pela professora Ana Lúcia Machado.

Tudo começou quando os estudantes assistiram ao filme “Mágico de Óz” para participar de uma pesquisa de doutorado, da Universidade Estadual de Santa Catarina. Interessados, pediram para a professora realizar um trabalho sobre cinema na escola. Ana Lúcia aceitou o desafio e elaborou o projeto que, em 2005, foi um dos vencedores do Prêmio Professores do Brasil, parceria entre o Ministério da Educação e as Fundações Bunge e Orsa.

O uso do audiovisual como recurso didático é comum nas escolas, mas geralmente se restringe a sessões de vídeo e discussão sobre determinado tema abordado no filme. É o que mostra, por exemplo, uma enquete que o EducaRede publicou para saber como os recursos audiovisuais são utilizados. O resultado mostra que 46% dos internautas que votaram “costumam assistir a filmes em aula”. Por isso, a novidade de projetos como o da professora Ana Lúcia é colocar os alunos no papel de produtores.

Por trás das câmeras, as crianças desmistificam os meios de comunicação

E qual a importância de produzir vídeo nas aulas? Para o professor Adílson Odair Citelli, professor da Faculdade de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP), a criança precisa entender quais são as lógicas produtivas da TV, do videogame e/ou do cinema para poder desmistificá-los. “Ela vai aprender que para produzir vídeo tem uma porção de coisas a fazer antes de chegar lá. Inclusive tem palavras que precisam ser escritas, tem roteiro, argumento, diálogo. Ninguém vai produzir uma telenovela só com imagem, nem filme. É, inclusive, uma maneira de trabalhar e reconfigurar o signo verbal, de requalificá-lo, de revalorizá-lo”, explica Citelli.

Participando do processo de produção, a criança também passa a compreender que o mundo contemporâneo é repleto de signos audiovisuais e verbais que se misturam, o que Citelli define como “hibridização de linguagens”. Essa compreensão permite a análise crítica dos meios de comunicação, mas também a possibilidade de constituir sentidos. “Na hora em que ela vai descobrindo diferentes tipos de signos, que pode fazer diferentes composições com esses tipos, isso dá uma liberdade criativa, dá uma liberdade de percepção das coisas, dá liberdade para a produção de coisas, descobertas”, completa Citelli.

Gravando

Antes de produzirem o vídeo, os alunos da escola de Florianópolis fizeram pesquisa sobre cinema e assistiram aos filmes “O Gordo e o Magro”, “Tempos Modernos”, “Central do Brasil” e “Expresso Polar”. Foi então que surgiu a idéia de tratar sobre os direitos das crianças e dos adolescentes. “No filme Central do Brasil, por exemplo, perceberam a questão da banalização da pobreza”, explica a professora Ana Lúcia.

Os estudantes receberam cópias do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e começaram a analisá-lo nas tarefas de casa, a partir dos filmes assistidos e de notícias publicadas em jornais locais. “Eles tinham de ler os artigos do ECA abordados nas reportagens e nos filmes e trazer as dúvidas e observações para discutirmos na sala de aula”, conta a professora.

Alunos saem pela cidade para capturar imagens

Após a análise do ECA, as crianças começaram a produzir o filme. Os alunos foram divididos em grupos e cada um ficou responsável pela produção: roteiro, filmagem, edição etc. Com a câmera em mãos, começaram a gravar pontos turísticos e o bairro onde moram, pensando sempre na temática do filme. Também trabalharam como atores.

O roteiro foi dividido em temas: “Criança e Cultura”, “Criança e Cidadania”, “Criança e Escola” e “Criança e Brincadeira”. “Foi bem interessante porque, criando e produzindo, os alunos aprenderam a conhecer melhor a mídia, como as imagens são produzidas, o porquê da escolha dessas imagens, e hoje são mais críticos em relação ao assunto”, explica a professora.

O documentário “Toda Criança Merece” já foi exibido na Feira do Livro de Florianópolis, no auditório da Universidade Estadual de Santa Catarina, na Feira Cultural da EBM Vitor Miguel de Souza e também em uma escola na Itália, cujo nome a professora não se recorda. Ana Lúcia conta que o resultado foi tão positivo que as crianças estavam dispostas a produzir outro filme.

Para desenvolver o trabalho, Ana Lúcia foi atrás de livros sobre o assunto e de apoio para a parte de edição. Ela começou pesquisando uma bibliografia sobre o tema “Cinema e Educação”, com o auxílio da doutoranda Mônica Fantin, da Universidade Estadual de Santa Catarina. Elas encontraram no livro “Cinema, Uma Janela Mágica”, de Marialva Monteiro e Bete Dulara, muitas informações que auxiliaram no desenvolvimento do projeto.

Posteriormente, como não tinham muitas possibilidades tecnológicas para editar o material gravado, o grupo contou com o apoio de um voluntário. João Cláudio de Bernardo auxiliou os alunos a digitalizar as imagens gravadas em câmera analógica e, então, fazer a edição em um computador.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Inclusão social online

Inclusão social online
Usando recursos da web 2.0, ação desenvolvida em escola da Rede Social Minha Terra encontra vagas de emprego e ajuda a recuperar autoestima de pais e alunos

Por Vanessa Rodrigues

 

Se você for ao Google e procurar “informações sobre Santo Amaro em São Paulo” vai encontrar nos primeiros resultados um mapa de localização em inglês e um link para o Wikipédia dando conta de que este distrito da zona sul da capital paulistana “é, em boa parte, composto por loteamentos de alto padrão”. Com base nisso,  é perfeitamente possível chegar à conclusão de que este é um bairro de classe média alta, onde as pessoas vivem com conforto e sem grandes sobressaltos financeiros.

No entanto, se você pedir à professora Patricia Lopes a localização da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Professora Isabel Vieira Ferreira, onde trabalha, ela dirá: “Na região de Santo Amaro, periferia da zona sul de São Paulo”.  No bairro que ela conhece e onde moram os alunos de sua escola, a maioria dos pais estão desempregados, segundo ela “vivendo de programas sociais do governo”. Com nível de escolaridade que muitas vezes não passa do Ensino Médio incompleto, aqueles que ainda conseguem manter um ofício relativamente regular desempenham funções como auxiliar de serviços gerais, profissionais de limpeza ou camelôs.

Foi com esses dados que a escola se deparou quando resolveu participar da Rede Social Minha Terra, em 2009. Tocada por estas informações e sentindo na pele os impactos dessa realidade, a comunidade escolar do “Isabel Vieira Ferreira” resolveu trabalhar com a pauta Cidade e Trabalho, buscando mudanças concretas e palpáveis em sua realidade.

Com isso em mente, venceram de uma só vez as primeiras etapas propostas pelo Minha Terra: identificar um problema ou situação relacionada à sua escola ou comunidade e propor uma atividade de intervenção. A escolha da pauta já levava em conta os resultados esperados. A ideia era desenvolver uma ação que favorecesse uma reviravolta na vida dos alunos: conseguir trabalho para os pais desempregados e para os estudantes já em idade de buscar o primeiro emprego.

Eles traçaram e executaram um plano que envolveu vários atores, especialmente empresas da região, que poderiam ajudá-los na empreitada. E foi assim que depois de registrar seu problema em forma de reportagem na Galeria de Imagens do Minha Terra, o projeto Comunidade Escolar e Trabalho, da equipe “DNA – Descobertas e Novas Atitudes”, começou a ser implementado, inicialmente com dez alunos monitores (responsáveis pela gestão do projeto) e terminando com sete estudantes, todos da 8ª série: Daiane Ferreira da Silva, Kaliane Santos Oliveira, Karina Paiva da Silva, Naiara Rosa Teixeira, Samuel Monteiro Ramalho, Samuel Campos de Moura, Thiago Costa dos Santos.

Primeiro, foram ao “Clube Mamãe – Associação de Assistência à Criança Santamarense”, que desenvolve atividades extracurriculares, entrevistaram a coordenadora e publicaram no mural da escola todos os cursos profissionalizantes oferecidos pela instituição.

“A Coordenadora informou que muitos alunos da escola realizavam cursos no local e que naquele momento formaríamos uma parceria para divulgar e socializar o desenvolvimento deles”, conta Patrícia, que completa: “Ela também informou que muitos se tornam empregados do Centro”.

E eles não pararam por aí. Foram mais além nas pesquisas, encontrando sites de colocação profissional e estimulando muitos estudantes em idade adequada a fazerem seus cadastros e ainda darem apoio aos interessados na elaboração de seus currículos. Para coroar, fizeram parceria com um tradicional supermercado da região, divulgando vagas disponíveis por meio de um perfil no twitter.

“Resido no bairro desde 1978, quando tinha um ano, o supermercado já estava lá! Minha mãe fazia compras nele e na época eram oferecidos brindes para os clientes assíduos. Até hoje ela tem os pratos que ganhou ao se tornar freguesa”, conta a professora Patrícia. Agora, o supermercado também oferece trabalho a quem precisa.

Aos pais, foram disponibilizadas vagas de açougueiro, repositor, operador de caixa, auxiliar de limpeza, estoquista e manobrista. Mesmo sem os números exatos, Patrícia diz que é possível afirmar que muitos deles puderam voltar ao mercado e recuperar a dignidade que só o trabalho parece conferir a um ser humano adulto.

Para 2010, já conseguiram o compromisso de uma empresa de informática  para ministrar cursos e palestras sobre como fazer currículos e se comportar nas entrevistas de emprego.

Liderança e motivação

A Rede Social Minha Terra propõe

uma série de tarefas e desafios:

• identificar um problema ou situação relacionada à sua escola ou comunidade;
• registrar esse problema em forma de reportagem usando ferramentas e recursos da Web 2.0;
• planejar uma intervenção com vistas a resolvê-lo;
• executar este plano;
• e, finalmente, registrar os resultados em forma de nova reportagem e publicá-lo no ambiente virtual do Minha Terra.

A idéia principal do Minha Terra é transformar a escola numa espécie de “Agência de notícias”, onde os alunos atuem como pequenos repórteres – investigando, pesquisando, produzindo informação e publicando-a na internet.

A Rede Social Minha Terra já começou suas atividades em 2010. Saiba mais.

 

No entanto, nada disso seria possível sem a liderança de uma professora como Patrícia Lopes. Ainda que os alunos tenham sido os grandes protagonistas desta missão, foi ela quem os apoiou na elaboração e realização das ações (com total respaldo da diretora da escola, Benedita Antônia de Andrade, ela faz questão de destacar). Do alto de seus 33 anos, Patrícia já tem ampla experiência na área de educação e informática.

“Escolhi ser professora aos seis anos de idade, no meu primeiro dia de aula na pré escola. Encantei-me com a profissão à primeira vista, vendo a atenção da professora, os cuidados com os materiais, as lições, a vontade de ensinar. Comecei a lecionar aos 15 e concomitantemente fazia cursos de informática. Com isso, fui convidada a dar aulas de informática na escola onde estudava e comecei a fazer uma ponte entre as duas modalidades. Ingressei na Prefeitura de São Paulo e fui designada POIE (Professora Orientadora de Informática Educativa). Sou POIE há oito anos.”

Patrícia tem desenvolvido muitos projetos que ajudam professores e alunos a refletir sobre os temas abordados, utilizando a tecnologia como principal recurso.  Ela começou a atuar no Minha Terra no ano passado, em 2009, mas já havia tido contato em 2007 com o Projeto Memórias em Rede. A filha Gabriela, de 14 anos, sempre comenta sua motivação em participar do Minha Terra e de como em  sua própria casa ela conversa pelo twitter com os alunos monitores sobre as ações a serem realizadas.

Web 2.0 na educação

Sim, porque os alunos da EMEF Professora Isabel Vieira Ferreira utilizaram todos os recursos da web 2.0 oferecidos e estimulados pela equipe gestora do Minha Terra: o Mapa Interativo para a localização e apresentação da equipe; o blog como ambiente de interação diária entre os grupos; o chat como espaço de esclarecimentos e socialização das ações; o Voki para criar o avatar de cada repórter. No Youtube foram publicados os desafios “Pelo celular” e as entrevistas, criando um link direto no Canal Youtube Minha Terra. Na Arquivoteca, foram publicados os registros e, na Galeria, as imagens.

“Já o Twitter foi nosso norteador, utilizado em todas as ações”, conta Patricia. “Inclusive, eu ministrei uma aula de Twitter para POIEs iniciantes na DRESA – Diretoria Regional de Santo Amaro e fiz um manual explicativo sobre como utilizar o microblog, distribuindo a todos os participantes. O manual também foi entregue e socializado em uma das reuniões em DOT- CONAE”.

Para Patricia Lopes, sua experiência na EMEF Professora Isabel Vieira Ferreira tem sido gratificante e está trazendo resultados concretos baseados em pesquisas, reflexões e ações. Ela diz que os alunos monitores foram brilhantes e chama a atenção para a efetividade das intervenções, principalmente para o fato de que propiciaram a melhoria da autoestima dos envolvidos. Serviu também de parâmetro para aquelas pessoas que já não viam possibilidades em suas áreas de trabalho ou que buscavam seu primeiro emprego.

Outros impactos percebidos foram: maior interação entre os alunos monitores e alunos de todos os períodos; desenvolvimento do processo de ensino aprendizagem mais satisfatório; envolvimento de toda a unidade escolar; interação e parcerias com a comunidade escolar e maior cuidado com o Patrimônio Público. “Ampliei meu campo social e de parcerias por meio de muitos trabalhos coletivos”, diz Patrícia Lopes. E conclui: “Pretendo utilizar as pesquisas, vivências, ações e resultados para o meu futuro mestrado, aprendendo e contribuindo ainda mais para o uso de novas tecnologias como recurso no desenvolvimento da Educação Pública”.

 

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

 

Uso Responsável da Internet

Cartilha dá orientações sobre uso responsável da Internet

Lançada pela operadora de telecomunicações GVT, publicação apresenta dicas úteis para os pais acompanharem a navegação de crianças e jovens pela web

Dicas práticas para pais e filhos

Bate-papo: Evite surpresas desagradáveis

Nunca forneça informações pessoais

Evite publicar fotos e imagens com dados pessoais

Marque encontro em lugares públicos e seguros

Ir ao encontro acompanhado por um parente

Avise outras pessoas sobre o encontro

Cuidados em sites de relacionamento (Ex: orkut)

Evite participar de comunidades que:

Permitam a terceiros localizar seu endereço

Deixem claro o local onde você trabalha ou estuda

Informem lugares que você costuma freqüentar

Evidenciem sua situação financeira

Evite também:

Colocar fotos excessivamente sensuais

Colocar fotos em que apareça a entrada da sua casa

Colocar fotos de outras pessoas sem consentimento

Combinar passeios por mensagens

Em computadores públicos não use o recurso “lembrar minha senha”

Tratar de assuntos pessoais ou falar de terceiros

Fique atento aos sinais de “Bullying”

Seu filho demonstra falta de vontade de ir à escola

Sente-se mal perto da hora de sair de casa

Pede para trocar de escola

Pede sempre para ser levado à escola

Muda freqüentemente o trajeto entre a casa e a escola

Apresenta baixo rendimento escolar

Volta da escola, repetidamente, com roupas e materiais rasgados

Chega muitas vezes em casa com machucados sem explicação convincente

Parece angustiado, ansioso e deprimido

Tem pesadelos constantes com pedidos de “socorro” ou “me deixa”

“Perde”, repetidas vezes, seus pertences e dinheiro

Beatriz Rizek e José Alves

Uma das maiores, se não a maior preocupação dos pais em tempos mais do que modernos, é com a utilização da Internet. De fato, à primeira vista – ou à primeira navegada – tudo parece uma terra-de-ninguém: digita-se uma única palavra em buscadores automáticos e, em segundos, surge uma infinidade de endereços. Por onde começar? Quais deles são seguros? Como agir no caso de conteúdo impróprio ou ofensivo?

Com o objetivo de responder a estas e a outras perguntas que envolvem o uso da rede, criou-se a Cartilha para uso responsável da Internet, um manual básico de instruções sobre computadores, softwares, ferramentas de comunicação, recursos de compartilhamento de arquivos e muitas dicas a respeito de comportamento e relacionamento no ciberespaço.

Para início de conversa, recomenda-se que o computador fique instalado em local que permita a circulação de pessoas, seja em casa, seja na escola. Manter um computador no quarto do filho pode ser um convite ao acesso a sites e portais impróprios; portanto, que tal deixar o micro na sala, como se fosse um eletrodoméstico, uma agenda pronta para ser acessada por todos da casa?

A próxima dica é incentivar pais e filhos a navegarem juntos, para fazer uma  pesquisa, para se comunicar na web; não importa, o que deve ser evitado é o isolamento da criança e do jovem. Em outros tempos, os pais pediam para ver os cadernos dos filhos; hoje, eles – pais – têm inúmeras chances de serem parceiros de sua aprendizagem, desde que se organizem para isso.

Computador na sala, parceria estabelecida, vamos navegar com responsabilidade: há programas antivírus instalados? Os softwares operacionais (proprietários)  são originais e estão devidamente registrados para atualização e suporte online? O uso responsável também passa pelo consumo consciente do cidadão, que opta por softwares livres se não quiser pagar por eles, mas jamais utiliza programas pirateados, até porque podem causar danos à máquina.

Provavelmente, antes de iniciar o trabalho escolar ou a pesquisa doméstica, o primeiro programa que o jovem internauta abrirá será o de comunicação instantânea… muita calma nessa hora! Oriente-o para que esteja atento às informações pessoais que ele deseja que os outros vejam, preservando dados como nome completo, endereço, telefones e escola onde estuda, por exemplo. Outra dica fundamental é o bom e velho ditado “nunca fale com estranhos”, o que significa só autorizar, em sua lista de amigos virtuais, as pessoas conhecidas, evitando que hackers ou indivíduos mal-intencionados possam rastrear a máquina ou contaminá-la com vírus.

Para os sites de relacionamento valem os mesmos cuidados, porém, a atenção deve ser redobrada: antes de se inscrever em uma ou mais comunidades virtuais, converse com seu filho sobre o motivo de seu interesse em integrá-la(s). Esta é uma ótima oportunidade para você conhecer suas idéias e  ideais  e estar ao seu lado para esclarecer conceitos que eventualmente não estejam suficientemente claros para ele. Infelizmente, os sites de relacionamento acabam por reunir, em comunidades virtuais, pessoas que defendem o preconceito e a intolerância à diversidade humana, incitando terceiros a aderirem à(s) causa(s), por mais duvidosas que elas possam parecer. Esta forma de comunicação e organização é chamada de Bullying – expressão que significa toda e qualquer forma de agressão, afronta, desrespeito e ofensa a uma pessoa, a um grupo ou a uma instituição, tanto no mundo virtual como no real.

Contudo, a Cartilha também orienta quanto ao bom uso da Internet, fornecendo dicas sobre instituições públicas e privadas que apóiam causas sociais  visando à melhoria da qualidade de vida de todos os seres que habitam o planeta. Além disso, há indicações de sites para quem deseja realizar trabalho voluntário ou doações.

Paralelamente, o documento alerta para a importância da denúncia, por parte do internauta, de sites com conteúdo criminoso, ofensivo e que violem os direitos humanos, como pedofilia e pornografia infantil online. Da mesma forma, fornece dicas sobre direitos autorais e condições de compartilhamento e reprodução de conteúdo multimídia (textos, sons e imagens).

Por fim, a Cartilha destaca a importância da elaboração de textos em sala de aula, por meio do incentivo à criação de blogs e páginas pessoais – desde que tomados os cuidados descritos. Para incentivar a produção textual disponibiliza glossário, endereços de sites, blogs, portais e softwares educacionais e ensina como realizar pesquisas em buscadores, utilizando três formatos: aberta, associada e avançada.

Você poderá ter acesso à  versão completa da Cartilha de uso responsável da Internet no endereço: http://www.gvt.com.br/midiaportal/pdf/educandogvt/cartilha.pdf

Crianças e jovens podem conhecê-la acessando a versão em HQ  ou assistindo ao vídeo.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Por que celular na educação?

Por que celular na educação?


Claudemir Edson Viana*
Sônia Bertocchi**

O acelerado desenvolvimento tecnológico que se tem verificado recentemente nas potencialidades dos celulares  (WiFi, 3G e 3GS), aliado às suas potencialidades originais já  reconhecidas como recursos técnicos para a aprendizagem – portabilidade, interatividade, sensibilidade ao contexto, conectividade e individualidade -,  sinaliza condições mais que favoráveis para que educadores se dediquem urgentemente ao estudo e desenvolvimento de propostas pedagógicas que incluam aplicações desses equipamentos na escola.

Essas propostas poderiam incluir desde atividades simples de caráter comportamentalista até atividades de natureza construtivista, passando pela aprendizagem em situação e pelo ensino colaborativo apoiado em computador, baseado na psicologia sociocultural de Vygotsky.

Com a massificação do celular, seria de se esperar que o m-learning (mobile learning)  se tornasse um elemento importante na aprendizagem formal dos nossos alunos, uma vez que uma aprendizagem já acontece de maneira não formal, não sistematizada,  nem orientada pelos professores. A perspectiva seria que essa aprendizagem, por conta das características do celular, pudesse acontecer, cada vez mais, em ambientes interativos de forte colaboração em rede, e não necessariamente dentro da sala de aula.

Algumas possíveis aplicações de celular no processo de ensino-aprendizagem é o que o pesquisador do Laboratório de Inteligência Coletiva da PUC, dr. Rogério da Costa, citou recentemente no encontro Interdidática: “O aluno pode trocar mensagens (SMS), consultar o dicionário, criar e consultar glossários, resolver questionários, ouvir as aulas em vídeo e áudio (podcasts) e fazer fotografias”.

Ele acredita que essa forma de inteligência coletiva oferece resultados mais concretos e proveitosos do que os mecanismos de busca convencionais, por exemplo. No entanto, é bom entender que estes possíveis usos só terão sentido educativo se houver uma intencionalidade pedagógica, isto é, se estas ações forem realizadas pelos jovens em razão de um projeto pedagógico proposto pelos seus educadores e de forma articulada a ele.

“Lo más interesante de cualquier transformación tecnológica no es lo que los ingenieros dicen que va a pasar, sino lo que la gente hace con ella. Somos nosotros los que estamos cambiando, no las tecnologías las que nos hacen cambiar.”Manuel Castells em entrevista à BBC Mundo.

Afinal, a tecnologia sempre está a serviço da humanidade, e num contexto educativo não poderia ser de outra forma, se não, novamente, estaríamos incorporando o uso dos recursos de tecnologias novas na educação, como o celular, apenas para parecer moderninho, ou seja, apenas pela tecnologia em si (como fim e não meio), até mesmo com metodologias de ensino absolutamente tradicionais e incoerentes com as características naturais decorrentes desses recursos tecnologócios, o que seria um anacronismo total.

É, portanto, necessário aos educadores uma abertura inicial para estas questões e suas possibilidades, a fim de que possam vislumbrar paulatinamente o que em sua prática pedagógica seria possível aplicar com os recursos da telefonia móvel e o que em sua prática deveria mudar para conseguirem incorporar e explorar da melhor maneira estes recursos. Este processo do educador é necessário e leva certo tempo, inclusive de experimentações, já que na formação do educador, nem de longe, tratou-se de forma adequada e atualizada o uso de recursos das tecnologias de informação e comunicação em suas práticas pedagógicas.

Então, é preciso considerar este tempo do educador, e também oportunizar formações continuadas que apresentem estas novas situações de ensino-aprendizagem, as novas formas de ser e fazer dos jovens para que os profissionais da educação comecem a atuar de maneira articulada com o contexto social em que seus alunos vivem.

Esta modalidade de ensino, o m-learning, implica em modalidades de educação que utilizam os dispositivos móveis, como o celular, aplicados na educação. Cresce o número de exemplos deste uso pelo mundo. Recentemente, nos Estados Unidos, alunos de diferentes escolas da cidade de Austin, Chicago e Boston têm aulas de biologia, matemática, química, ciências e estatística com seus celulares. São atividades intituladas de “simulações participativas”, em que estudantes recebem um conteúdo do professor via celular e passam a interagir com ele, enviando em seguida suas intervenções aos colegas. Saiba mais sobre este tipo de “simulação participativa” (In: veja.abril.com.br).

_____________________________________

* Bacharel e licenciado em História (USP-1992), especialista em Educomunicação(USP-2003), Mestre e Doutor em Ciências da Comunicação pela ECA/USP (2000-2005) e gestor da comunidade virtual Minha Terra desde 2007 do Portal EducaRede.

** Bacharel e Licenciada em Letras (FFCLSanto André — 1973), Máster em Gestão e Produção de e-Learning pela Universidade Carlos III de Madri, gestora de Comunidades Virtuais de Aprendizagem do Portal EducaRede Brasil.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Idéias do filósofo do ciberespaço

Idéias do filósofo do cyberespaço

Quais são os desafios de se trabalhar em rede? O que constitui uma comunidade virtual? Qual o papel do professor no ciberespaço? Estas são algumas questões abordadas por Pierre Lévy, principal filósofo da cultura virtual contemporânea, durante um encontro realizado em agosto. Além da gravação, o EducaRede passa a disponibilizar aos internautas a transcrição desta conversa, que teve como ponto de partida os Portais Rede Social São Paulo e o próprio EducaRede. Rogério da Costa, professor da PUC-SP, que já trabalhou com Pierre Lévy, mediou o encontro, uma iniciativa da Fundação Vanzolini e do Laboratório de Inteligência Coletiva (Linc).

Rogério da Costa:  O tom deste encontro é a cooperação e a ação humana. Ou seja, como é que se estabelece, de fato, a sinergia entre pessoas; sinergia que pode acontecer, e que esperamos que ocorra, tanto no portal EducaRede quanto no portal Rede Social São Paulo. Bom, vamos dar inicio então ao nosso processo. Com a palavra, Pierre Lévy.

Pierre Lévy:  Em primeiro lugar, gostaria de enfatizar muito firmemente que alguns de vocês têm trabalhado nestes projetos há vários meses e anos, e eu só tive conhecimento deles há uma hora. Então, vocês sabem melhor sobre eles do que eu. A inteligência coletiva está do lado de vocês. Isso é muito importante.

Vou tentar lhes dar algum tipo de retorno sobre eles que, espero, possa ajudá-los. Vocês são educadores que há muitos anos trabalham com a Educação presencial. Acho que essa é uma questão perfeitamente legítima, mas será que é somente um problema relacionado aos professores e à sua experiência pessoal e ao fato de eles não serem tão fluentes em novas tecnologias e de seus alunos usarem melhor essas novas ferramentas? Creio que um fator muito importante são as regras institucionais nas escolas e a cultura geral que prevalece na Educação em geral, na Educação tradicional, não somente presencial ou on–line. Por exemplo, tento organizar os meus alunos em grupos de trabalho para melhorar alguns artigos na Wikipédia. Ou seja, para ajudá–los a trabalhar corporativamente, e acrescentar e melhorar uma memória global do conhecimento, porque esta é a forma como nós iremos trabalhar na sociedade, em empresas, na administração e assim por diante. Então eu queria treiná–los neste tipo de inteligência coletiva, mas não foi possível. Não porque eu não fosse fluente na nova tecnologia; não foi possível porque há regras na nossa universidade que impõem limites, por exemplo, ao proibir que se dêem notas coletivas para os alunos. Como se vê, a forma como algumas instituições trabalham, às vezes, se constitui num obstáculo para a nova maneira de aprender coletivamente e usar essas redes sociais e on–line.

Não tenho certeza de que se deva opor a Educação presencial à on-line, porque nós podemos trabalhar com as mesmas regras fazendo algo no computador que será colocado on–line por exemplo, ou nós podemos ajudar uns aos outros a resolver problemas que nós estamos enfrentando on–line, presencialmente.

Comunidades virtuais

Platéia:  Como criar uma comunidade?
Pierre Lévy: Este é um problema de liderança, um problema político. Como criar um movimento social? Você não cria um movimento social ao criar um portal, o objetivo precisa ser muito atraente. Você precisa de líderes e um sentido compartilhado do que é importante, pois se trata de uma criação cultural, uma criação social. Como nós vivemos hoje na era cibernética, é claro que o suporte técnico dessas novas comunidades está on–line. É a rede, é o espaço cibernético é o ciberespaço; mas o coração, a essência das comunidades sociais, são os objetivos comuns, e isso não muda. Você não constrói uma comunidade como você constrói uma casa, um tijolo sobre o outro, ela precisa crescer.

Uma das diferenças mais importantes entre as comunidades atuais ou do futuro e as comunidades do passado é a forma da memória; porque não há nenhuma comunidade sem identidade, é claro. E não há identidade, uma identidade coletiva, sem uma memória coletiva.Hoje, acho que uma comunidade precisa organizar–se em torno de uma memória comum, e uma das funções principais de cada membro de uma comunidade da Era Cibernética é participar para ajudar o crescimento de uma memória comum e preencher com a fonte de memória. Dou e retiro algo desta memória comum, e nós todos estamos fazendo isso. De certa forma, todos estamos cultivando este valor comum. A comunidade é o círculo, e no centro há a memória comum, o conhecimento comum e cada um de nós está cultivando o que é comum a nós. Você dá e você retira. E quanto mais você dá, e quanto mais as pessoas dão, melhor é a qualidade do conhecimento que você retira de volta. Então essa é a nova regra, digamos.

Na sua apresentação você não falou tanto sobre conhecimento e o que se chama no mundo das empresas de “administração do conhecimento”, mas eu acho que “administração do conhecimento” não deve ser somente privilégio das empresas high tech. Há um corpo de metodologias, instrumentos e experiências que pode ser utilizado também pelos movimentos sociais e pelo setor público e pelo terceiro setor e assim por diante. (E, por falar nisso, aos poucos isto está se tornando uma disciplina acadêmica, muito recente ainda, por isso não está num estágio de muita complexidade).

Talvez eu esteja errado, mas vocês deveriam tentar ir nesta direção e compreender o que é “administração do conhecimento”. Basicamente, “administração do conhecimento” é ajudar as pessoas a pertencer à mesma comunidade e encontrar as informações de que elas necessitam no momento em que elas necessitam, quando a ação exige esta informação ou este conhecimento.  Encontrar as informações, encontrar o conhecimento ou encontrar as pessoas que sabem, ou encontrar as pessoas que têm o know-how. Então, obter visibilidade sobre quem sabe o quê, onde está o conhecimento, não somente em que site, mas onde estão as pessoas que sabem. Com quem eu deveria entrar em contato. Daí há a necessidade de que a comunidade se engaje na tarefa de definir qual é o seu conhecimento essencial, qual é o conhecimento importante para o funcionamento da comunidade. Com muita freqüência, este conhecimento não está nos papéis oficiais ou em manuais: ele vem da prática, de especialistas que têm experiência. Então é importante discutir com estes especialistas e ajudá-los. No vocabulário da “administração do conhecimento” isso se chama explicitação. Explicitar o conhecimento, ou seja, colocar este conhecimento num formato que pode ser usado pelos outros. Podem ser histórias, listas, tabelas, bancos de dados, depende. Mas colocar numa forma pública. E chamar a atenção de todos que tudo que é importante para o objetivo da comunidade ou para o objetivo da rede deve ser colocado numa forma pública e disponibilizado para toda a comunidade.

E a questão da estruturação desta memória comum, deste conhecimento comum, é muito importante, mas não é tão fácil de ser resolvida. Esta estruturação é chamada, no vocabulário da “administração do conhecimento”, de ontologias. Ela pode ter, por exemplo, a forma de uma taxonomia, de rede complexa, a forma de um círculo, etc. Mas ela precisa ter uma estrutura definida para ajudar as pessoas a se orientarem no conhecimento. Se pensarmos nas habilidades dos educadores, elas têm mais relação com a “administração do conhecimento” e com ajudar os outros – os aprendizes – do que com as funções on-line. Trata-se de algo muito mais complexo do que fazer algo funcionar on-line. Infelizmente não estamos indo na direção de uma sociedade menos complexa, mas sim na direção de uma sociedade mais complexa. Vamos ser claros, a tarefa do educador vai se tornar mais complexa. Não se trata só de “como entrar no Orkut?”, mas de como fazer a arquitetura do conhecimento para ajudar a todos a contribuir e a se orientar.

Foi uma surpresa para mim ouvir as três apresentações. Houve uma grande ênfase na comunicação, nas redes sociais e assim por diante. E muito pouca ênfase na memória, no conhecimento, na estruturação e assim por diante. O que não significa que isso tenha de ser organizado de uma forma tão rígida. Isso precisa ser vivo.  Mas quando eu falo sobre a arquitetura do conhecimento, estou pensando mais sobre um tipo de código genético. Cada comunidade pode ser vista como uma espécie de conhecimento, algo vivo, algo que tem a sua própria identidade. Todos somos membros, todos os membros das comunidades são as células desse organismo vivo. Mas eles compartilham o mesmo código genético, a mesma organização do conhecimento, a mesma ontologia. Estas são algumas das idéias que vieram à minha mente enquanto eu estava ouvindo as apresentações.

Sérgio Mindlin:  Na sua visão, como o nível de sofisticação das ferramentas utilizadas influem na dinâmica dos ambientes colaborativos?

Pierre Lévy:  É uma pergunta muito difícil responder, porque o nível de sofisticação não é algo absoluto, ele depende dos objetivos da comunidade, do ambiente, do conteúdo. Não sei responder uma questão tão geral. É preciso que haja uma adequação entre a interface, entre o poder do software e do hardware, a extensão da rede, o objetivo da aplicação. Então é mais uma questão de harmonia, de adequação, de equilíbrio do que, digamos, do máximo de sofisticação. É um equilíbrio qualitativo.

Bruno Aires:  Uma vez que o portal Rede Social esteja estabilizado, uma forma de dar impulso para quebrar com a inércia não seria encontrar atrações para os jovens que são entusiastas da Internet? Quais seriam estas atrações sociais? Que ações sociais falam mais ao jovem internauta numa faixa etária entre 18 e 28 anos?

Pierre Lévy:  Vocês sabem disso melhor do que eu, porque eu não sou um jovem usuário. Mas a gente sabe que compartilhar músicas, arquivos, ou tocar, ou jogar on-line, isso atrai os jovens. Isso a gente sabe.

Escolas que não usam Internet

Maria do Carmo Brant de Carvalho:  Pierre, como você sabe, o EducaRede tem feito um enorme esforço para conquistar professores e conquistar a presença, o uso, enfim, dos conteúdos e especialmente das comunidades virtuais, para o aprendizado maior das crianças e adolescentes. Cinco anos atrás, quando o EducaRede apareceu, ele era o único portal, ou quase o único portal de Educação no Brasil. Para a rede pública, especialmente, era o único. Hoje, cinco anos depois, as secretarias estaduais de Educação e outros grupos mantêm portais disponíveis também para rede pública escolar. Então, gostaria de lhe perguntar duas coisas. Primeiro: como criar um ambiente colaborativo interportais, interprogramas entre os portais que hoje são oferecidos via Internet para as escolas públicas? Como fazer para não caminharmos isoladamente uns dos outros, como acontece hoje? E uma outra questão: o Governo Federal iniciou um programa recentemente que pretende distribuir um computador para cada criança na escola pública. Algumas escolas já receberam esses computadores. Ao mesmo tempo,  aparece na mídia uma reação muito grande contra a Internet, que ela faz mal para a criança, que não é o melhor instrumento educacional para elas, o uso de tecnologias para crianças e adolescentes, que isso, ao invés de ajudar na aprendizagem, complica. Esta reação se disseminou de tal forma que as escolas públicas que já possuem seu computador, quer dizer, os municípios aos quais elas pertencem estão avaliando se é melhor ensinar com computador ou sem computador, entendendo que a Internet não é boa. E com isso, então lhe pergunto: Qual é a importância de toda essa tecnologia para crianças e adolescentes?

Pierre Lévy:  Em primeiro lugar, eu sou a favor dos computadores nas escolas, a favor do acesso livre à Internet, e acesso em alta velocidade. Primeiro, porque é uma fonte extraordinária de conhecimento, é um instrumento extraordinário de comunicação e colaboração; e, finalmente, porque em nossa sociedade os adultos utilizam as ferramentas da Internet no trabalho, o que torna completamente absurdo privar as crianças do equipamento básico que dá suporte a toda tecnologia intelectual de nossa época.

Quanto aos que a criticam, sabemos que eles a querem para si próprios e não para os outros: “A Internet é boa para mim porque eu sou educado, eu tenho razões suficientes e um espírito crítico para usar este instrumento tão poderoso, mas não para os outros, porque os outros são ignorantes e eles vão usar isso para o mal”.Mas você não pode aprender como usar este instrumento tão poderoso para o bem se você não tiver este instrumento nas suas mãos. É claro que serão cometidos erros; é claro que há coisas falsas na Internet; e é claro que há pornografia, crime e tudo mais, como há na sociedade. Mas por causa disso nossas crianças não devem se socializar? Claro que não. Há um lado escuro do ser humano, da mente humana, que pode ser encontrado em todos os lugares, não somente na Internet, mas em todos os lugares.

Para sua primeira questão, isto está ligado ao que você disse: não repetir o que já está sendo feito, o que já foi feito. Para nós, é muito difícil compreender que uma vez que algo já está na rede, está em toda parte. Porque uma instituição já fez isso, nós precisamos fazer a mesma coisa: não! Está na rede, então já está em toda parte. Então, obviamente, todas as instituições que têm os mesmos objetivos precisam colaborar umas com as outras e eliminar tudo o que for uma duplicação da mesma informação.  Isso é só redundância. É claro que é útil acrescentar novas informações se for uma nova informação, mas duas vezes a mesma informação?! Não estamos mais na época das bibliotecas. Na biblioteca de uma escola você precisa ter os mesmos livros que na biblioteca de uma outra escola, mas na Internet você não precisa disso. Mas é claro que essa idéia de pequenas acumulações de memória precisa ser realizada em todos os lugares. É um hábito que está entranhado na nossa cultura há séculos. Só há 15 anos que, subitamente, a memória se tornou global. É global de um ponto de vista técnico, porque há línguas diferentes, diferentes pontos de vista, diferentes tipos de organização de conhecimento. Mas esta multiplicidade não é mais uma multiplicidade local, é uma multiplicidade semântica. Ou, em outras palavras, é uma multiplicidade afetiva, porque nós temos diferentes objetivos, desejos, diferentes interesses, então a nossa memória pode ser organizada de formas diferentes. São diferentes espécies de conhecimento, mas todas essas espécies estão no mesmo ecossistema. Precisamos, então, aprender a viver neste mundo muito estranho em que a memória, quando ela está em algum lugar, ela está em todos os lugares.

Wikipédia

Platéia: Pierre, em vez de apenas promover a capacitação de pessoas para estar on-line, quais estratégias para promover a cultura de rede existem, quais você conhece e em que lugar?. Outra pergunta da platéia: Você pode dar um exemplo de comunidade colaborativa bem-sucedida?

Pierre Lévy: 
Certamente. O mais óbvio exemplo é a Wikipédia. Milhões de pessoas estão atualmente construindo a maior enciclopédia que já foi feita e ela é muitíssimo bem-sucedida. Hoje na Wikipédia, que foi feita em somente alguns anos, você tem mais informação que em qualquer enciclopédia impressa. Ela é muito precisa, muito atualizada, multilíngüe. E aqui a gente volta à questão da cultura e da animação. Há regras muito estritas e rígidas na Wikipédia. A maneira como você escreve um artigo é muito bem definida, e o que é um artigo bom e um artigo ruim pode ser acessado muito rigorosamente, porque você tem os critérios. É preciso ter referências, fatos precisos e datas e assim por diante. O manual para os participantes desta comunidade é muito bem feito e muito preciso. Além disso, há muitas pessoas que estão revisando continuamente a validade das informações que estão ali. E há somente 15 pessoas remuneradas; todos os outros são voluntários, do mundo todo. Então este é um exemplo. Ele é muito bem conhecido, está em todos os jornais.

Rogério da Costa: Pierre, você poderia falar algo sobre as diferenças e semelhanças que você vê entre a Wikipedia e os softwares livres? Há também uma série de regras para os softwares livres…

Pierre Lévy: Ambos são baseados na espontaneidade de muitas pessoas, portanto a maneira de integrar a multiplicidade de espontaneidades é ter regras. Não tem mistério. Mas é baseado numa relação par a par. Em ambos os casos, tanto na Wikipédia como no software livre. Mas você precisa tomar cuidado com o par a par. Todo mundo reconhece que algumas pessoas são mais especialistas do que outras. No mundo do desenvolvimento do software livre ou na Wikipédia, quem escreve um artigo sobre um assunto, escreve porque é um bom especialista neste assunto. E se alguém usa um software, é porque tem muita capacidade e elegância na codificação deste software. Então há   um gosto, uma apreciação das capacidades intelectuais dos outros, não é somente uma anarquia. Há autonomia, há espontaneidade e disciplina. É necessário um equilíbrio entre elas.

Platéia: Você acha que as universidades estão sendo capazes de acompanhar as novas formas de produção de conhecimento e de gestão da inteligência coletiva? Você veria novas formas e lugares de produção do conhecimento socialmente legitimado? Por exemplo, é possível comparar os avanços de uma comunidade de desenvolvimento de software, a própria Wikipédia, com os avanços da produção acadêmica coletiva? Ou seja, a universidade vai perder o seu lugar de excelência?

Pierre Lévy: A Internet foi construída pelos acadêmicos e muitos artigos na Wikipédia são escritos pelos acadêmicos e a gestão do conhecimento é ensinada nas universidades. Existem laboratórios de inteligência coletiva que são parte das instituições acadêmicas, por isso não acho que as universidades estão mais ou menos avançadas na construção desta nova civilização. Os construtores da civilização não são as instituições, na realidade. Há redes transversais de pessoas que compartilham alguns valores comuns e que estão, desculpe dizer isso, promovendo excelência na inteligência coletiva. Isso pode ser encontrado nas ONG’s, nas universidades, nas empresas, na administração pública. Não se trata de jogar uma instituição contra a outra: “Ah, não gosto das empresas, eles trabalham por dinheiro!”; ou “Eu não gosto das universidades, elas não estão no mundo real”, ou coisas assim. Precisamos cultivar uma visão muito aberta para visualizar a relação entre as pessoas e a colaboração.

O resultado você confere abaixo:

Então, é claro, tenho de fazer uma distinção entre habilidades dos professores individuais e a cultura geral, o trabalho de uma instituição. Não podemos separar o que nós somos como indivíduos e o que é a cultura coletiva de uma instituição, porque uma instituição é feita de pessoas. Então todas estas coisas estão interligadas; mas a evolução cultural é lenta.

Mesmo se pensarmos que toda esta nova cultura emergiu muito rapidamente, ela não emergiu rapidamente, ela levou pelo menos 30 anos: da primeira comunidade on–line, que se desenvolveu nos anos 80, e agora, 30 anos depois, estamos vendo os primeiros florescimentos desta cultura da colaboração on–line, das comunidades on–line. Então levou mais do que uma geração. Quem tem hoje 15 anos, quando for um educador, será um membro completamente integrado a esta nova cultura. Embora desejemos criar uma nova cultura, uma nova comunidade, não podemos decidir nada sobre isso, pois ela cresce espontânea e autonomamente. Podemos vislumbrar algo, oferecer instrumentos, encorajar, mas nós não podemos construir isso de fora para dentro, ela precisa crescer de dentro para fora.

E vendo seus os slides (a apresentação do EducaRede), fiquei muito feliz porque você estava dizendo exatamente o que eu dizia 15 anos atrás sobre o novo papel do educador: ajudar os outros a aprender colaborativamente, não somente ensinar e transmitir conhecimento.Eu dizia isso há 15 anos e agora isso se transformou num lugar–comum. O que você disse deve ser repetido sempre. E o trabalho é ótimo, mas demora. Quinze anos atrás quando estava dizendo isso, eu estava muito sozinho, eu me sentia só. Hoje eu sinto que não estou só, mas demora.

Platéia:  Isso acontece em outros países? Como podemos superar essa dificuldade?

Pierre Lévy: Acontece em outros países, sim. O crescimento das comunidades on–line e o crescimento de jovens nestas comunidades são um fenômeno global e o Brasil participa integralmente deste fenômeno. Não é um fenômeno brasileiro, é um fenômeno global e o Brasil é parte desta cultura global emergente. Isso precisa ser muito bem compreendido. Mas a emergência dessas redes sociais muito vibrantes é o resultado de um tipo de processo “darwiniano”.

Há muitas redes sociais emergindo em todos os locais. A maioria das quais não é bem–sucedida, apenas uma minoria consegue expandir–se. Então não é porque há algumas redes on–line muito bem-sucedidas, auto–organizadas, com pessoas interagindo o tempo todo, que ao se criar uma rede social ela também vá funcionar assim. Isso não é verdade. O que podemos fazer é estudar por que ela funciona aqui e não funciona lá. Mas cada rede social é quase como um fenômeno vivo.

Especialmente se nós tivermos objetivos sociais ou objetivos educacionais, o papel dos animadores e dos líderes e das pessoas que proporcionam regras e normas é muito, muito importante. Essas pessoas podem emergir das comunidades espontaneamente – e nós precisamos encorajá–las – ou podem ser pagos por instituições. Mas o seu papel é importantíssimo. Não acredito que haja uma pura espontaneidade quando se fala em atingir tarefas sociais complexas ou em aprendizagem em ambientes escolares. Ela precisa ser organizada. Porque todas as redes que funcionam bem geralmente são movidas pelo divertimento, pelo entretenimento, somente. Há um elemento de diversão, de entretenimento na aprendizagem, mas no ambiente escolar, nem tanto. Para resolver problemas complexos e, às vezes, muito tristes, voltados para a proteção dos jovens e dos adolescentes, elas não podem ser completamente espontâneas.

Platéia: O que esperar de um portal?

Pierre Lévy: Acho que você já sabe a reposta. O portal é só um meio, um instrumento técnico. É claro que há muito mais no que você quer fazer do que só dar um suporte para a ação. A tarefa real é feita pelas pessoas, o portal é só um instrumento técnico.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Uso ético e legal dentro e fora da sala de aula

O uso ético e legal da tecnologia dentro e fora da sala de aula

Cabe à escola orientar sobre os valores que devem reger o uso pelos alunos de internet, e-mail, blogs, comunidades, celulares e câmeras, sobre as leis vigentes e sua aplicação também na vida virtual

Por: Patrícia Peck e Cristina Sleiman

Que limites devem ser ensinados aos jovensda sociedade digital? Como educar para ouso ético e legal da tecnologia, dentro oufora da sala de aula? O desafio atual dosprofessores, dos pais e dos estabelecimen-tos de ensino é conseguir delimitar claramente quais são os valores que devem reger o uso pelos alunos de internet, e-mail, blogs, comunidades, celulares e câmeras. Isso envolve o uso da imagem de um colegaou professor no orkut, o plágio de trabalhos escolares, a infração de direitos autorais deterceiros e a pirataria, entre outros riscos aque crianças e adolescentes estão expostosao se relacionar com o mundo digital, seja durante um bate-papo em uma sala de chat, que pode levar a uma situação de assédio sexual, seja ao fazer o cadastro em um site usando dados falsos ou falsa identidade parase fazer passar por outra pessoa e obter algum tipo de vantagem ou conteúdo ilícito.

Assim como aprendemos quando éramos pequenos que não devíamos deixar a portade casa aberta, falar com estranhos, pegar carona com qualquer um, a educação atualpassa a retratar com novos exemplos essas mesmas questões, de modo atualizado e condizente com a realidade. Ou seja, é precisoensinar: “Meu filho, não deixe seu computa-dor aberto, não responda a e-mails de estra-nhos, não pegue carona na comunidade er-rada, pois ‘diga-me com quem navegas que eu te direi quem és’”.

Os incidentes que vêm ocorrendo nas escolas ou que envolvem os jovens e a internet demonstram que há um completo desconhecimento sobre as leis vigentes e sua aplicação também na vida virtual. Falta uma noção mais clara de conseqüência: uma vez que a internet funciona em tempo real e tem alcance global, algo que seria um simples comentário de brincadeira em um e-mail pode tornar-se um crime de difamação gravíssimo, com possibilidade de indenizaçãopor danos morais.

Cabe à nova escola orientar os educandos sobre essas situações, a postura que devem tomar, o que precisam evitar, o que é ético, o que é legal, e alertá-los de que tais situações podem ter repercussão até mesmo para os pais ou responsáveis legais. O objetivo desse procedimento é proporcionar situações que desenvolvam as competências e habilidades necessárias para esta nova era.

Não adianta colocar o computador na sala de aula e não ensinar a usá-lo de maneira segura, com certos limites à liberdade de expressão. Ao fornecer uma senha de login para um aluno acessar a rede de ensino, por exemplo, seja da escola, seja de outro lugar, é preciso orientar no sentido de que aquilo é uma “identidade digital”, que deve ser guardada com sigilo e não pode ser emprestada para outras pessoas. Se houver uso indevido dessa senha, o primeiro suspeito será o aluno, pois ela é uma evidência de autoria. Em relação aos pais, é um perigo dar um celular com câmera de presente para uma criança de dez anos e não ensiná-la que deve respeitar as demais pessoas e as leis, ou que não pode fotografar qualquer um e usar as imagens na internet como quiser. Ou, ainda, que a criança não deve se deixar fotografar por qualquer um ou em situações que possam ser vexatórias ou que a exponham.

O professor e a escola devem dar o exemplo, que começa com o uso adequado de ferramentas como blogs e de imagem dos alunos e com a proteção de direitos autorais de conteúdos escolares, para evitar que oincentivo ao uso da internet como fonte depesquisa torne-se um estímulo à cópia de trabalhos de terceiros como se fossem seus. O mesmo se aplica à pirataria de músicas, vídeos, softwares, games, o que é crime não apenas na legislação brasileira, mas tambémem diversos outros países. Deve-se ter um cuidado especial com o que se utiliza como material didático em sala de aula e também auxiliar no seu uso em tarefas de casa, trabalhos em grupo e outras atividades.

É preciso abordar esses novos conceitos, mostrar que existem benefícios e igualmente perigos na internet. Contudo, há formas de evitá-los e é preciso, antes de tudo, conhecê-los. Na era da informação, é justamente ela que está mal trabalhada no âmbito educacional para a prevenção de riscos eletrônicos, tanto para a escola quanto para os professores, os pais e os alunos.

Freqüentemente os professores também são vítimas da tecnologia. No orkut, existem comunidades que foram criadas por alunos apenas para fazer comentários muitas vezes – quando não na maioria das vezes – depreciativos sobre seus professores, incluindo montagem de fotos. Como trabalhar essa questão na sala de aula? E com os pais? A princípio, deve-se integrar a realidade desses alunos para que eles se tornem cidadãos virtuais “digitalmente corretos”. Além disso, é essencial atualizar o contrato de matrícula e ensino, incluindo essas novas questões, criar um código de conduta do alunoque também se refira a condutas eletrônicas, com previsão de suspensão mesmo quando a infração for virtual.

A aplicação das boas práticas do direito digital, que é o ramo do direito que cuida dessas questões, depende de se estruturar adequadamente a documentação, já prevendo, por exemplo, nos contratos de trabalhodos profissionais da instituição, cláusula desegurança da informação. Também devem ser criadas cartilhas para pais e alunos, orientando sobre o que é certo e errado no usodas ferramentas tecnológicas. Torna-se essencial preparar o terreno para evitar responsabilidade legal, seja ela civil, criminal ou administrativa.

É importante que o professor valorize a pesquisa de casos práticos a fim de possibilitar o conhecimento e o entendimento da nossa legislação. Ao trabalhar com uma notícia, como, por exemplo, a de que uma menina foi presa por criar uma comunidade virtual que fazia apologia a um fato criminoso, ou seja, instigava os participantes a praticar algum crime, o professor pode destacar qual foi a conduta praticada considerada ilícita – no caso, instigar um crime –, qual o artigo do Código Penal ou da legislação específica que determina que tal ato é crime e mostrar quais as conseqüências, como a punição prevista na lei. No Brasil, pouco se ensina sobre as leis; em geral, as pessoas somente aprendem sobre elas depois que já foram envolvidas emalguma situação, como vítimas ou acusados.

A formação do indivíduo deve visar à ampliação dos horizontes e ao estímulo à criatividade, mas tudo isso dentro de limites éticos e legais. Por esse motivo, ter noção das conseqüências dos atos é fundamental no processo educacional. Até porque, por mais analógico que seja o pai, se ofilho for menor de idade e cometer, por exemplo, um crime de racismo na internet, por e-mail, em um blog ou comunidade, os pais responderão por esse ato criminal e civilmente.

Há uma falsa sensação de segurança que nos torna mais ingênuos na internet. Não é porque o filho está no quarto, dentro de casa, usando o computador, que não está exposto a riscos. E quem deve ensinar isso? Uma boa parcela da responsabilidade cabe à escola e ao professor, até mesmo porque hoje é também no ambiente educacional que o aluno tem contato com o uso da tecnologia. Entre os principais assuntos que devem ser abordados em sala de aula, estão:

  • liberdade de expressão;
  • privacidade;
  • proteção do direito de imagem;
  • direito autoral;
  • identidade digital;
  • crimes eletrônicos;
  • assédio eletrônico;
  • responsabilidade na internet.

É preciso que a instituição crie regras, normas de conduta, com o uso de políticas online e termos de uso, entre outros recursos, em relação à utilização de ferramentascomo blogs, e-mails e espaço virtual de aprendizagem. A lei gera responsabilidade não apenas por ação, mas também por omissão e negligência, e é nesse ponto que se ressalta a atuação da escola e do professor.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Pesquisa avalia hábitos das crianças em relação ao uso das TIC

Pesquisa destaca computadores e celulares como prediletos do público infantil

Indicadores revelam que a escola é o principal local onde as crianças adquirem habilidades no uso do computador, mas alertam que o acesso à internet no ambiente de ensino ainda é restrito

Por José Alves

 

De que forma as crianças brasileiras de 5 a 9 anos estão se apropriando e utilizando as TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação)? É fato que os representantes dessa faixa etária adotaram as telas digitais como companheiras inseparáveis e demonstram enorme capacidade intuitiva de interagir com computadores e celulares, diferentemente dos adultos, que constantemente recorrem aos manuais de instrução dos aparelhos para manuseá-los.

Avaliar a posse e o uso das tecnologias por esse público específico foi o mote para a realização da 1ª Pesquisa sobre Uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação por Crianças no Brasil — TIC Crianças, conduzida pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br), núcleo vinculado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). O estudo foi apresentado ao público no último dia 7/10, em São Paulo. Confira a íntegra do estudo.

O que dizem as crianças: computador, internet e celular

Os indicadores da pesquisa apontam a escola como local propício à incorporação de conhecimento em tempos de cultura digital. As habilidades para uso do computador originam-se principalmente nas instituições educacionais. A maior parte das crianças mencionou ter aprendido a utilizar a tecnologia no local de ensino, porém, o acesso à internet ainda é restrito: somente 14% citaram a escola como o lugar onde utiliza o ambiente virtual com mais frequência. Alexandre Barbosa, gerente do CETIC.br, analisa: “A escola é o principal local para aquisição das habilidades do computador e da internet; entretanto, o uso da internet nesse local ainda é relativamente baixo. Além de ensinar informática para as crianças, é preciso fazer com que professores e coordenadores pedagógicos incorporem o uso das TIC nos processos pedagógicos”.

Na internet, as atividades lúdicas foram as mais citadas pelas crianças. Segundo as entrevistas, 97% das crianças utilizam a rede para jogar. Entre as demais atividades investigadas, 55% das crianças disseram que usam a internet para brincar em sites que têm desenhos como aqueles que estão acostumadas a assistir na TV. Cerca de 30% das crianças afirmaram participar de alguma rede social. Quando os computadores não estão conectados à web, as crianças utilizam o equipamento, principalmente, para desenhar (80%), escrever textos (64%) e ouvir música (64%).

O telefone móvel assume papel de protagonista na vida das crianças. O uso do celular supera o uso do computador e é uma das tecnologias mais presentes no cotidiano das crianças de 5 a 9 anos: 65% já usaram um aparelho e 14% possuem um. O telefone móvel é usado principalmente para o jogo (88%), seguido pelo uso do aparelho como ferramenta de comunicação: 64% declararam ter ligado para alguém. Ouvir música (60%) também é uma atividade importante para as crianças que usam o celular.

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Geração Interativa na Ibero–América

Geração Interativa na Ibero–América

Comportamento de crianças e jovens da América Latina diante das “telas digitais” é relatado em publicação que o EducaRede lançou em parceria com a Universidade de Navarra

Lançado no dia 09/03, o livro Geração Interativa na Iberoamérica: Crianças e Adolescentes Diante das Telas Digitais, fruto de um estudo pioneiro feito pela Universidade de Navarra, na Espanha, em parceria com a Fundação Telefônica, por meio do EducaRede, identificou as características que configuram a geração interativa no Brasil e em outros seis países da América Latina.
Realizado com crianças e jovens, com idades entre 6 a 18 anos, o trabalho teve como objetivo três metas principais: conhecer o uso e a valoração das diversas telas – televisão, internet, videogames e telefones celulares – entre estudantes da Argentina, do Brasil, do Chile, da Colômbia, da Venezuela, do México e do Peru; transferir e repassar esse conhecimento a todas as pessoas que cercam as crianças e jovens, como pais, educadores e agentes sociais,entre outros; e, por último, promover ações de caráter prático – formativas, legislativas e empresariais – que representem esse verdadeiro compromisso.
Para apresentar o estudo e abordar o tema de forma mais ampla, o EducaRede organizou uma mesa redonda mediada por Maria do Carmo Brant, diretora do Cenpec e representante do EducaRede, da qual participarão a professora e pesquisadora Charo Sádaba Chalezquer, da Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra, Espanha, e o professor Dr. Rogério da Costa, do Linc – Laboratório de Inteligência Coletiva, Brasil.
Assista aos principais trechos da apresentação feita pela professora Charo Sádaba, ouça o podcast com o professor Dr. Rogério da Costa sobre uma das características mais relevantes dos jovens diante da tela dos computadores, faça o download do livro gratuitamente e confira a repercussão do estudo na mídia virtual.

Terra Uol Educação W News
Revista Crescer IDGNow A Tribuna on line
Veja.com Correio Brazilense Yahoo Notícias
Portal Blá Portal E-Educador Site Guia Digital
Portal Cosmo Portal Dourados Informa Portal da Escola Estadual Raul Pilla
Blog Bevi Portal do Jornal Visão Portal ClubeOnLine
Portal VSP Blog do JJ Public. e Marketing Portal do Jornal Destak
Portal da Editora Abril Movimento Todos pela Educação Jornal Agora
G1 Cenpec Home do msn/hotmail
Portal Newstin Portal Revista Época

Sites visitados em 18/03/2009

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Uma viagem virtual à Terra do Sol Nascente

Uma viagem virtual à Terra do Sol Nascente

Marcela Trentin Grande, 12 anos, aluna da EMEF General Othelo Franco, em São Paulo, e participante do projeto Nossa Escola tem História, relata a experiência que teve a partir da utilização do e-mail, atividade proposta por sua professora para o projeto

Por José Alves

Manhã de sexta-feira. A distância entre Brasil e Japão continua a mesma, cerca de 18.000 km, o oceano que separa países tão distantes ainda é o Pacífico. A primeira aula de Marcela Grande, no Brasil, era de informática. A professora Silvia Regina de Oliveira chega com um novo trabalho, diz que é para o projeto Nossa Escola tem História, do Portal EducaRede. “Eu tinha que descobrir pessoas que não moram em São Paulo ou que vieram de outra cidade para morar aqui em algum momento da vida”, conta Marcela. “Depois que essa pessoa fosse encontrada, minha missão era conseguir informações básicas sobre sua vida: para onde foi, como foi, como é o lugar onde mora, data de nascimento etc. Pensei em uma amiga da minha mãe que mora no Paraná, mas eu ainda não estava feliz. Foi quando eu lembrei de outra amiga dela que mora no Japão”.

O contato a que Marcela se refere é Andréa Suzuki, 36 anos. Brasileira, casou-se e foi para o Japão para juntar dinheiro. Agora, divorciada, pretende voltar com os filhos ao seu país no final do ano. Essas e muitas outras informações foram passadas durante a troca de e-mails entre Andréa e Marcela. As fotografias que Andréa enviou para Marcela conhecer o Japão mostraram à estudante um país que une tradição e modernidade. Construções arrojadas misturam-se à outras com arquitetura milenar, além de ruas muito arborizadas. A população? Todos com rostos muito parecidos, olhinhos fechados e tons de pele similares. A diferença está na produção individual de cada um dos “parecidos”; muitas cores fortes nas roupas e nos cortes de cabelo pra lá de modernos. Os japoneses mais jovens gostam de acessórios. Muitos brincos, piercings, bolsas, óculos e tudo mais que possa enfeitar os habitantes da “Terra do Sol Nascente”. Segundo Marcela, “foi muito bom para ela, e principalmente para a sua mãe, rever a amiga distante por fotografia, além dos filhos crescidos”. A estudante da 6º série também descobriu o olhar que a “amiga virtual” tem do país em que vive: “Andréa considera o Japão um país muito organizado, com uma boa educação para as crianças e possibilidade constante de emprego, além da facilidade em conseguir comprar produtos que não conseguia no Brasil”. Veja o trabalho escolar da estudante a partir da seleção de algumas fotografias.

Uma troca de e-mails parece algo muito corriqueiro nos dias de hoje, levando em consideração o crescente aumento de computadores nas escolas e residências brasileiras. Parece, mas não é. Nas estatísticas, Marcela Grande faz parte das famílias que possuem computador em casa, mas segundo ela relata, “antes eu só passava e-mail para o meu pai. Eu não tenho impressora em casa e mandava meus trabalhos para ele imprimir. A partir do projeto eu percebi uma nova possibilidade de uso do e-mail. Hoje eu entro em contato com as pessoas, não importa se longe ou perto de mim”. Perguntada se agora o processo de comunicação em ambiente virtual é irreversível, Marcela responde: “a gente sempre quer mais, quer bola pra frente. Eu quero falar com outras pessoas também, usar o e-mail como forma de me comunicar com as pessoas, não somente para enviar ou receber arquivos. Agora, sempre que quer entrar em contato com sua amiga, minha mãe pede que eu envie um e-mail para o Japão”.

 

Memórias e afetividade

E como um projeto com o tema memórias, escopo do Nossa Escola tem História, impacta a estudante? Segundo a própria aluna, “é ótimo porque eu já lembrava da amiga de minha mãe desde quando ela ainda morava no Brasil. O trabalho me aproximou bastante dela, já que eu não me comunicava com ninguém que morasse fora do país. O contato com minhas primas e familiares por e-mail também aumentou”.

Para Silvia Regina de Oliveira, POIE – professor orientador de informática educativa – há 2 anos, “o projeto tem um grande valor porque trouxe a possibilidade de conhecermos as diferentes realidades dos alunos. Para a turma da Marcela, de 6º série, eu procurei encaixar o Nossa Escola tem História com o tema do projeto interdisciplinar da escola, sobre a cidade de São Paulo. Eu uni memórias com São Paulo. Eles tinham que procurar alguém que morou ou que veio morar aqui”. A partir disso, muitas descobertas. A professora Silvia lembra de outros trabalhos que mostravam para ela detalhes sobre a vida de alguns estudantes. “Alguns não têm pai, por exemplo, e os alunos guardam um objeto que traz a lembrança do pai à tona. O projeto trouxe para mim a percepção da afetividade que existe nas pessoas, afetividade essa ligada à memória das situações vividas na história de cada indivíduo”.

 

Valor na formação escolar

Marcela Grande acredita que a Internet tem um grande valor na sua formação escolar, principalmente no que se refere à pesquisa de temas propostos em sala de aula, ” o professor chega na escola e pede para a turma pesquisar um tema. Eu uso os buscadores – Google, Cadê – e monto o trabalho com as informações que encontrei, em seguida passo para o word e mando o arquivo por e-mail para o meu pai imprimir”.

Além da pesquisa escolar, a estudante usa a Internet para jogar e pesquisar paisagens para colocar como papel de parede em seu computador. A professora Silvia, orgulhosa de sua aluna, diz: “a Marcela me surpreendeu porque foi além do que eu pedi, caminhou para adiante. Quando eu pensei na proposta, imaginava que só aparecessem pessoas que vieram da Europa e que morassem aqui, já que somos um país que recebeu muitos imigrantes. Ela, por conta própria, foi atrás de alguém que está muito distante. A Internet possibilita às pessoas caminharem para longe”. É verdade, professora, a Marcela, como exemplo, atravessou o planeta em um clique no mouse.

 

Projeto Nossa Escola tem História

Realizado pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, em parceria com o Museu da Pessoa e o EducaRede, o projeto atende a 168 escolas no município e foca no desenvolvimento e realização do tema memória, envolvendo a pesquisa, comunicação e publicação na Internet. As publicações são feitas na comunidade virtual que o projeto tem dentro do Portal EducaRede.

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)