Uma relação na qual o equilíbrio é tudo

A tecnologia sempre esteve ligada a vínculos. Quais as possibilidades e as preocupações que ela nos apresenta? Leia artigo para refletir a partir da perspectiva da filosofia e da psicologia, desde o uso das palavras até o uso das TIC

Rolando Martiñá*

Desde o princípio dos tempos, a tecnologia esteve ligada a vínculos. Em geral, a vínculos dos seres humanos com o exterior e, em particular, com essa parte tão especial do exterior que são os outros seres humanos. Porque a tecnologia é mais uma das manifestações do impulso básico do homem para ir mais além: de poder mais, de saber mais, de comunicar-se mais, de interferir mais.

Sempre desejamos intensamente experimentar o que J. Piaget chamou de “prazer de causar”, ou seja, de sentir-se potente, influente, necessário, capaz…ativo e não passivo, agente da existência. E a tecnologia – desde a primeira pedra lascada até o raio laser – permite, facilita e amplifica isso. Ela nos dá mais força do que nossos músculos, mais vista do que nossos olhos e mais audição do que nossos ouvidos.

Claro que, como ocorre com todos os recursos de que dispomos, essas imensas possibilidades podem ser usadas – e já foram usadas – para diversos fins: com a mesma pedra lascada se constrói um utensílio ou se fratura um crânio. Um cavalo domesticado serve para aproximar uns aos outros ou para distanciá-los. Uma palavra – recurso tecnológico por excelência da espécie – emociona ou fere, aproxima ou distancia, conecta ou desconecta. Assim foi, assim é e nada nos faz pensar que vai deixar de ser no futuro.

Também é certo que, especialmente desde meados do século passado, o avanço foi tão diversificado e vertiginoso que resulta difícil se adaptar ou conseguir que esses novos e múltiplos recursos sejam usados a nosso favor e não se convertam em uma ameaça para nossa sobrevivência e/ou bem-estar. Sabendo, contudo, que o progresso humano sempre foi paradoxal: o mesmo que ajuda pode prejudicar, e desse prejuízo, frequentemente, pode-se aprender…e assim seguindo. Como disse P. Watzlawick, “para as coisas humanas, não há soluções definitivas”…e devemos estar preparados não só para resolver os nossos problemas, mas também os que surjam de nossas soluções.

Como a maior preocupação nesse tema está relacionada à influencia das TIC na vida dos jovens, devemos começar esclarecendo que, como diziam os antigos gregos, “nada em excesso é bom”. Portanto, não é conveniente que uma pessoa, independentemente da idade, permaneça o tempo todo conectada com um objeto qualquer e não possa se desgrudar dele. Esse exagero na dependência revela condutas de fascinação pelo objeto, mas não só isso: diz muito também do sujeito, do significado do seu vínculo com o objeto e, sobretudo, dos outros vínculos de sua vida. E, em qualquer um dos casos, é necessário lidar com isso.

Contudo, em termos gerais, a imagem de uma criança, em seu Ipad, seu celular ou chat, não me parece “a priori” uma imagem de alienação, de isolamento…estão construindo um mundo próprio, “seu” mundo, a partir de seus interesses e do que deverão viver. Talvez estejam desconectados de nós, mas não entre eles, com as coisas que lhes interessam; estão sim, provavelmente, fugindo de seus pais, como nós, quando pequenos, escapávamos para a rua antes de terminar a lição de casa para jogar bola. Mas, no meu entender, não há razões para supor que os adolescentes de outras épocas (ver Aristóteles, séc. IV aC) ou Santo Agostinho (séc. IV dC, por exemplo) tinham um desejo incontrolável de se comunicar com os adultos, seguir seus ensinamentos ou cumprir suas normas, ao contrário dos jovens atuais. A diferença é que estes dispõem de mais recursos.

Se tivesse que me basear em minha experiência pessoal, não tenho dúvidas: amo a tecnologia e as possibilidades que ela oferece. A tecnologia modificou a minha vida pessoal e profissional (a qual ultimamente inclui, por exemplo, a psicoterapia on line por meio do Skype) e, sobretudo, enriqueceu minhas possibilidades de contato, comunicação e ajuda mútua com pessoas queridas que estão distantes. Sem mencionar a participação ativa em comunidades virtuais como esta que nos acolhe, com tudo o que isso implica.

Na realidade, não creio que – salvo os excessos mencionados – as TIC atentem contra os vínculos interpessoais “per se”, ainda que sim exijam adaptações a novas formas, ritmos e códigos. Em vez disso, pode-se suspeitar que, em muitos casos, os vínculos interpessoais da geração dos meus avôs – começando pelo parceiro e pelos familiares no geral – não eram muito mais transparentes, sinceros e respeitosos em relação à autonomia do que os atuais. Mas sabendo das dificuldades que o tema costuma gerar, não quero deixar de me referir a dois aspectos mencionados habitualmente: os riscos do individualismo e o risco do consumismo.

O risco do individualismo

Ao se referir ao tema do individual e do coletivo, costuma-se produzir algumas confusões. Por exemplo: se falamos de associações de indivíduos que escolhem estar juntos para levar adiante objetivos comuns, isso nunca ocorreu mais que agora em toda a história da humanidade. No real e/ou virtual. Trata-se de parceiros ou de ONGs. Se nos referimos, ao contrário, a pessoas que nasciam no seio de coletivos preexistentes sumamente estruturados e estáveis no tempo (tribos, famílias, clãs, grêmios, vizinhanças) e ali permaneciam indefectivelmente durante toda sua vida, essa situação durou milhares de anos e mudou radicalmente há só um ou dois séculos.

A humanidade avançou do menos autônomo ao mais autônomo; do mais indiferenciado ao menos indiferenciado; do mais fechado ao mais aberto. Ainda que sempre se mantenha algum grau de tensão entre ambas as forças. E há a tentação de regressar ao seguro, quando os riscos de avançar parecem muito grandes. E esta parece ser muitas vezes, e  para muitas pessoas, a situação atual. De qualquer modo, o processo de individuação, no desenvolvimento da espécie e em cada pessoa, parece inexorável. Nenhuma espécie viva oferece – deveríamos dizer que afortunadamente – o grau de diferenciação e identificação dos membros como a humana. E é preciso lidar com os problemas que isso apresenta, mas sempre lembrando que primeiro se inventou o automóvel e depois as regras de trânsito.

O risco do consumismo

Em relação ao consumo, poderíamos ir pela mesma direção: desde que o primeiro carnívoro pintou sua caverna até as galerias de arte ou os shoppings atuais, sempre interessa aos seres humanos produzir novidades e intercambiar objetos para a sobrevivência. Objetos de expressão, de diversão, de ornamentação, de sedução; vestimentas, jóias, artesanato, detalhes característicos que também estiveram historicamente ligados ao processo de individuação mencionado antes. Desde as feiras medievais até os mercados globais da atualidade, a diferença é de grau e não de princípio. Uma vez satisfeitos em relação a alimentação e abrigo, desejamos outras coisas. E, por outra parte, se as pessoas só produzissem, vendessem e comprassem o estritamente necessário para sobreviver, milhões de pessoas (três vezes mais do que há cem anos!) ficariam totalmente sem trabalho.  Parece-me, então, que aqui também, mais que ansiar supostos paraísos, é preciso ir resolvendo os problemas à medida que a evolução os faz aparecer.

De fato, a oferta hoje é mais ampla, variada e sedutora do que nunca e isso requer – sobretudo no caso de crianças e adolescentes – uma intervenção adulta que previna e/ou limite a tendência ao excesso que também nos acompanha desde sempre. Intervenção que será, em minha opinião, mais efetiva, na medida que contenha menos advertências apocalípticas e mais apelações ao equilíbrio e à racionalidade.

“Nada em excesso” deveria ser um lema inalterável para as crianças e na educação delas. Também deveria ser o princípio de que, ao se gastar mais do que se produz, tarde ou certo, irá a falência. A vida está cheia de oportunidades e ameaças e, se passamos o tempo todo se queixando das segundas, não aproveitamos as primeiras. Sempre se baseando na profunda convicção – comprovada uma e outra vez na tarefa clínica – de que, embora às vezes pareçam entrar por um ouvido e sair por outro, os exemplos e as advertências saudáveis dos pais – se são feitos com amor e inteligência – sempre deixam sua marca na mente e coração dos filhos.


“El mito de la adicción a Internet”, Manuel Ángel Méndez, El País, Espanha, 27/05/2010

*Rolando Martiñá, pai de dois filhos e avô de quatro netos, é Professor Normal Nacional, Graduado em Psicologia clínica e educacional. Realizou estudos de pós-graduação em Orientação Familiar, convênio Fundación Aigle- Instituto Ackerman de Nueva York. É membro do Programa Nacional de Convivência Escolar (Ministério da Educação da Argentina). Conselheiro familiar e de instituições educativas. Autor de Escuela hoy: hacia una Cultura del Cuidado, Geema, 1997; Escuela y Familia: una alianza necesaria, Troquel, 2003; Cuidar y Educar, Bonum, 2006 e La comunicación con los padres, Troquel, 2007. E-mail de contato: rmartina@fibertel.com.ar

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Parangolés na nova escola

Parangolés na nova escola

Especialistas discutem a Educação e o papel do professor em tempos de cibercultura


Por Leandro Quintanilha e Verônica Couto

Revista A Rede

A renovação da escola passa pelo casamento da Pedagogia com a Teoria da Comunicação

O apresentador do telejornal da noite, o político fazendo discurso no comício, o professor dando aula. Todos têm algo em comum: o modelo de comunicação em que um fala e muitos escutam. E é esse modelo, ou paradigma, há décadas utilizado pela sociedade para transmitir informação, que promete estar chegando ao fim, segundo os educadores presentes ao III Congresso Ibero-Americano EducaRede: Educação, Internet e Oportunidades, promovido pela Fundação Telefônica, no final de maio. No seu lugar, o que se espera são novas formas de produzir conhecimento em conjunto com os alunos, baseadas na dialógica ou na interatividade, surgidas a partir do uso de interfaces digitais – computadores conectados à Internet, comunidades virtuais, games, blogs, flogs e videoblogs, fóruns, sites colaborativos.

“Não é uma mudança pequena. Na internet, nos fóruns, a pessoa está atuando, respondendo, presente em pensamento; diferente daquele aluno que pode estar fisicamente na sala, mas pensando em outra coisa. O ambiente do silêncio é substituído pelo do diálogo, pela comunicação intensa”, afirmou Vani Moreira Kenski, diretora do Site Educacional, empresa incubada no Cietec/Ipen, da USP. Os grandes inspiradores dessa “nova escola” são autores como Paulo Freire ou Pierre Lévy.

E por que, agora, a escola poderia mudar? Porque só agora, diz Marco Silva, professor da Uerj e da Unesa-Rio, a tecnologia tornou disponíveis as interfaces para quebrar o paradigma da comunicação, e oferecer a professores e alunos a perspectiva da autoria dos conteúdos. “A cultura do on-line, a cibercultura, vai desenvolvendo uma postura nova — fazer Skype, Orkut, Messenger, postar suas coisas, colocar seus interesses. Cria-se uma comunidade internacional de colaboração.” Essa demanda, na opinião de Marco e de Vani, colocou sob pressão a pedagogia da transmissão, em que um fala, o outro escuta. “Esses teóricos importantes da Educação sempre nos chamaram a atenção para esse problema, mas não desenvolveram uma teoria da Comunicação para dar suporte a suas propostas. Com a cibercultura, temos uma convocatória prática. É preciso fazer o casamento da Pedagogia com a teoria da Comunicação”, diz Marco.

Por isso, o professor da UERJ destaca que a inclusão digital do professor deve ir além do e-mail e da declaração do IR. “Se ele aprender a lidar com blogs, chats, fóruns, trazê-los para a sala de aula, vai potencializar sua prática docente.” E esse processo de inclusão requer, diz ele, incentivos de ordem salarial, de infra-estrutura e de capacitação que incluam oficinas práticas.

No novo modelo, há um papel fundamental reservado ao professor: “criar a ambiência para que o conhecimento se construa”, afirma Marco. “A contribuição mais importante da escola para a formação do cidadão é o exercício da participação. Por que a cidadania é tão precária na nossa sociedade? As pessoas são fechadas nos seus consumos, porque não aprenderam, na escola, a participar. E é lá que se aprende, não há outras instâncias. Estamos num momento bastante favorável à revitalização da escola.”

Nesse processo de renovação, em que o ambiente do silêncio é substituído pelo diálogo, Vani adverte que é também preciso “disciplina e compromisso”. “Faltam valores na Educação, mais importantes do que o conteúdo. No começo de uma aula, sempre tento criar um código de ética com os alunos. Escola aberta é acesso à informação, onde ela estiver. Mas são necessários valores, regras, compromissos. Como em qualquer comunidade.” Essa formação de valores, explica a educadora, envolve, inclusive, “a análise crítica do que os jovens vivenciam na Internet”. Para a diretora da Fundación para el Desarrollo de los Estudos Cognitivos da Argentina, María Irma Marabotto, que participou da reforma da Educação pública argentina em 1995, o professor deve desenvolver uma mediação equilibrada entre a tecnologia e a didática. “Com a hiperinformação, vivemos hoje uma profunda crise de significado.”

A ênfase no reconhecimento de saberes não-formais e na participação dos alunos é a base do que o professor Marco chama de Pedagogia do Parangolé. Os parangolés são capas labirínticas, em camadas, criadas, na década de 60, pelo artista plástico Hélio Oiticica. A idéia era questionar o quadro estático, o suporte tradicional – e o modelo da apresentação. “O parangolé não é para você contemplar. É para você completar”, declarava Oiticica. “Esse é o princípio da Pedagogia do Parangolé”, resume Marco.

O professor Fernando Moraes Fonseca Júnior, coordenador do Laboratório de Tecnologias na Educação da Fundação Vanzolini e responsável técnico do EducaRede Brasil, acredita que a forma mais produtiva de trabalhar as interfaces digitais em sala é a organização por projetos, que estruturam, de alguma forma, a construção do conhecimento. “Com a Internet, abre-se uma porta pela qual entra grande quantidade de luz; sem óculos adequados, ficamos cegos.”

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Fundação Telefônica promove debates com fins educativos na Campus Party

Fundação Telefônica promove debates com fins educativos na Campus Party

Com o objetivo de promover reflexões sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação na educação, o Programa EducaRede, da Fundação Telefônica, promoverá e participará de debates sobre o tema durante a Campus Party 2010. O evento acontece entre 25 e 31 de janeiro, no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo.

No dia 28, quinta-feira, às 20h, promove mesa-redonda sobre Redes Sociais e Educação, na área de blogs , com presença do secretário de Educação do Município de São Paulo, Alexandre Schneider; do diretor de Políticas Públicas do Google Brasil, Ivo Correa; e da coordenadora da rede social educativa Minha Terra, do Programa EducaRede, Sonia Bertocchi.

Na seqüência, será realizado um TwitEncontro de Educadores que utilizam redes sociais em suas práticas educacionais, a exemplo do que acontece no próprio EducaRede. O TwitEncontro  será auto-organizado pelos participantes, sejam eles presenciais ou virtuais e terá a participação do secretário Schneider, ativo usuário do twitter.

Outro tema em debate será Gerações Interativas – Uso Responsável das Telas Digitais, que acontece dia 27, quarta-feira, às 20h, na área de blogs. Um dos debatedores será Rodrigo Nejm, diretor da SaferNet Brasil, associação que opera a Central Nacional de Denúncia de Crimes na Internet contra os Direitos Humanos. Também participarão o professor de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP, Rogério da Costa; o coordenador do Núcleo de Novas Mídias da Fundação Padre Anchieta, Ricardo Mucci; e a coordenadora executiva do EducaRede, Mila Gonçalves.

Já no dia 26, às 14h, o EducaRede estará na área de blogs, no Painel 2 do evento,  denominado “Grande rede, pequenos produtores”, através do depoimento de um jovem que começou a blogar na escola pública e agora faz parte da blogsfera.

EducaRede em parceria com o Programa Nas Ondas do Rádio

Cento e cinquenta alunos provenientes de seis escolas públicas da rede municipal de ensino de São Paulo farão cobertura jornalística para o programa Nas Ondas do Rádio, com o apoio da Fundação Telefônica. Cinco desses estudantes ficarão acampados para garantir a cobertura completa do evento e parte do material produzido por eles será replicada no Portal EducaRede.
Promover inovação nas ferramentas educacionais por meio do estímulo à inclusão digital e ao uso das novas tecnologias como recurso pedagógico, sobretudo nas escolas públicas, é a premissa do Programa EducaRede. O grande desafio do programa, implementado no Brasil há sete anos, é estar sempre à frente das novidades relacionadas à tecnologia, contribuindo para que possam ser aplicadas à educação e chegar aos educadores de maneira acessível e estimulante.

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Um futuro para a internet

Em palestra na Universidade Federal de Pernambuco, o filósofo Pierre Lévy afirma que a mídia digital caminha para uma “esfera semântica” por volta de 2015

Por Adriana Vieira

Imagine uma internet em que todo o conhecimento esteja organizado por conceitos. Além dos endereços das páginas da Web, haja localizadores semânticos uniformes dos conteúdos, independentemente do idioma. Segundo Pierre Lévy, é para esse sentido que caminha o futuro da mídia digital: “A inteligência coletiva será mais poderosa do que é agora”, afirmou o filósofo, durante palestra que proferiu no 3º Seminário Hipertextos e Tecnologias na Educação no último dia 2, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife.

Com o tema “Do hipertexto opaco ao transparente”, Lévy iniciou sua apresentação de cerca de uma hora e meia, ao ar livre, na Concha Acústica da UFPE, abordando o seu conceito mais conhecido, o de “inteligência coletiva”. Para tanto, explicou detalhadamente o que chama de “ciclo de gerenciamento do conhecimento pessoal”, processo no qual as pessoas constroem seus conhecimentos a partir do enorme fluxo de informação. Entre as etapas desse ciclo estão: a definição de interesses e prioridades (“se não souber o que quer aprender, não vai a lugar nenhum”); a conexão com fontes valiosas; a categorização das informações; a síntese e compartilhamento/comunicação do conhecimento.

Segundo Lévy, a inteligência coletiva emerge da interação, mas também desse processo de aprendizagem individual; a base é pessoal. As pessoas estão trabalhando para uma memória comum, porém em diferentes linguagens, com metadados com distintas semânticas. “ É como se numa biblioteca nós tivéssemos 10 mil sistemas diferentes de catalogação e todos incompatíveis. Essa é a bagunça da internet. Essa é a situação da internet atualmente.”

Como então alcançar um gerenciamento do conhecimento social efetivo? O filósofo explicou as fases do desenvolvimento do mundo digital, iniciado com a invenção do computador nos anos 50, passando pela popularização da internet na década de 80 e pela criação da Web nos anos 90. Essa evolução, segundo ele, caminha para o que chama de “esfera semântica”, por volta de 2015.

Nessa “esfera semântica”, o hipertexto opaco da Web – opaco porque o endereçador dos conteúdos hoje é a URL (Uniform Resource Locator) e não explicita o significado dos dados – daria lugar a um novo código, desta vez transparente, um sistema simbólico totalmente computacional, mais poderoso até do que uma linguagem natural.

Parece impossível? Lévy vai mais longe: “vamos criar uma mente global. O cérebro global já existe. Isto é uma coisa material. O que não temos é um sistema de símbolos unificados. Vai ser muito mais poderoso do que a linguagem natural. Como uma matemática que descreva operações semânticas, operações da mente. O objetivo é aumentar essa inteligência coletiva humana pelo uso da mídia digital. Pelo uso cuidadoso e bem pensado da mídia digital” (citação extraída do blog do Professor Eli Lopes).

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Para saber mais:

IEML (Information Economy Meta Lenguage) – Projeto desenvolvido por Pierre Lévy na Universidade de Ottawa, no Canadá

Entrevista com Pierre Lévy, 01/09/2009, no G1 – o filósofo fala sobre o seu projeto IEML

Pierre Lévy (Wikpedia) – lista das obras em português e francês

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

O celular integrado às atividades do Minha Terra

O celular integrado às atividades do Minha Terra

Claudemir Edson Viana*
Sônia Bertocchi**

As razões indicadas em “Pelo Celular…lá na escola!” e “Por que celular na educação?” serviram de fundamento para a decisão de incluir o aparelho nas atividades propostas pela comunidade virtual de aprendizagem Minha Terra 2009 – aprender a inovar, do Portal Educarede. Como um dos desafios apresentados por esta comunidade aos seus participantes, foi lançado, em agosto de 2009, o “Pelo Celular – planejando a intervenção”. O pedido era que as equipes de reportagens (alunos do Ensino Fundamental ou do Ensino Médio) produzissem um registro de até um minuto em audiovisual, utilizando a câmera do celular. Nesse audiovisual a equipe anunciaria o projeto de intervenção na realidade social que havia sido objeto de sua primeira reportagem, então já publicada num espaço específico da comunidade virtual (a galeria temática).

Para tanto, a equipe necessitaria passar por alguns procedimentos preparatórios fundamentais, como a preparação de um roteiro básico, a organização do cenário, da iluminação e do ensaio dos envolvidos na atuação. Essa necessidade demonstra o quanto a atividade não se resume apenas ao uso do equipamento e de seus recursos: o planejamento e a criação prévia da equipe são etapas fundamentais para o melhor proveito das ideias e do equipamento.

Neste desafio, compunham a trajetória não só o uso do aparelho de celular, mas também procedimentos posteriores, como o ato de baixar a gravação num determinado computador, fazer ou não a edição do material gravado, proceder com a publicação do produto final no YouTube e, finalmente, “colar a publicação” no Canal Minha Terra no YouTube (cujo acesso direto se dá pelo link disponibilizado na home desta comunidade) no grupo temático específico identificado com o título deste desafio.

“Lo que realmente es importante de la comunicación móvil no es tanto la movilidad, sino la conectividad permanente, estés donde estés, se haga donde se haga.
Esto nos permite estar constantemente relacionados
con los amigos, la familia y el trabajo.”

Manuel Castells em entrevista à BBC Mundo.

 

Além disso, o grupo ainda teria que comunicar a todos os demais participantes sobre a publicação e convidá-los para assistir à sua produção, fazendo uso dos demais canais e ferramentas de interação apresentados no Minha Terra, como o blog da comunidade e o uso do Twitter pessoal, ou mesmo institucional, criado pelos alunos (Twitter do grupo de repórteres ou Twitter da escola, por exemplo).

Assim, dava-se a efetiva utilização das características próprias do uso do celular, como a mobilidade, e também a convergência e integração de diferentes mídias, linguagens e suportes técnicos, ao se propor em seguida a utilização do YouTube, do blog e do Twitter. E, o mais importante, tudo isso acontecia em razão e a favor do desenvolvimento do projeto de intervenção social da equipe que, por sua vez, trazia uma proposta pedagógica de trabalho.

Foram vários os exemplos de trabalhos cuja criatividade e capacidade de realização demonstraram domínio sobre o uso destes recursos diferenciados do celular de forma articulada aos demais recursos da Web 2.0 propostos pelo Minha Terra. Em alguns casos a riqueza no trabalho de equipes de reportagem com os elementos de construção da mensagem como roteiro, cenário, iluminação, som, edição, causou surpresa, demonstrando o quanto os jovens têm ou desenvolvem facilmente múltiplas habilidades no uso de diferentes plataformas e tecnologias.

Em novembro foi lançado o segundo desafio, desta vez intitulado “Pelo Celular – minuto intervenção”, no qual as equipes participantes teriam que registrar algum momento da execução do seu projeto de intervenção para, posteriormente, proceder com sua publicação e sua publicização nos mesmos moldes do que fora proposto o primeiro desafio.

Com esta inserção do celular nas atividades do Minha Terra, a principal intenção foi provocar entre os jovens e, sobretudo, entre os educadores a percepção de como o celular e seus recursos podem ser inseridos de forma articulada às demais ações de um projeto pedagógico, no qual quem ganha é o próprio projeto e as pessoas envolvidas. Assim, espera-se que outras situações de ensino, fora das propostas do Minha Terra, aconteçam como um desdobramento desta comunidade, o que, aliás, constata-se já estar acontecendo, a exemplo do uso do Twitter.

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* Bacharel e licenciado em História (USP-1992), especialista em Educomunicação(USP-2003), Mestre e Doutor em Ciências da Comunicação pela ECA/USP (2000-2005) e gestor da comunidade virtual Minha Terra desde 2007 do Portal EducaRede.

** Bacharel e Licenciada em Letras (FFCLSanto André — 1973), Máster em Gestão e Produção de e-Learning pela Universidade Carlos III de Madri, gestora de Comunidades Virtuais de Aprendizagem do Portal EducaRede Brasil.

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Fundação Telefônica credencia REDECA no Portal do Software Público

Fundação Telefônica credencia REDECA no Portal do Software Público durante a Campus Party 2010

O REDECA – sistema de informação desenvolvido pela Fundação Telefônica para fortalecer o Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente – será credenciado no Portal do Software Público Brasileiro. A cerimônia que sela a parceria entre a Fundação e a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, acontece no dia 26, terça-feira, às 16h, no estande da Telefônica na Campus Party 2010.

O REDECA – uma referência ao ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) – foi desenvolvido pela instituição, dentro de seu projeto de Redes de Atenção à Criança e ao Adolescente, em conjunto com oito municípios paulistas. A finalidade do software é integrar informações sobre cada criança atendida, num só registro, em que se podem observar dados sobre saúde, educação, assistência social e outros temas relativos a seu desenvolvimento. Com isto, é possível identificar a trajetória e as necessidades dos beneficiados individualmente e analisar as demandas coletivas para a definição de políticas de atendimento.

Segundo o diretor-presidente da Fundação Telefônica, Sérgio Mindlin, a inserção do REDECA no Portal do Software Público Brasileiro propiciará a milhares de municípios brasileiros conhecer a ferramenta e decidir sobre sua utilização. O programa, construído em plataforma de software livre, foi produzido de forma coletiva para contemplar os diversos formatos, necessidades e perfis das organizações governamentais e não-governamentais ligadas ao atendimento das crianças e adolescentes. “Nosso objetivo é facilitar o acesso das cidades a essa ferramenta e acreditamos que o Portal possa ser um grande mediador”, diz Mindlin.

O REDECA já está disponível, gratuitamente, para implantação em qualquer cidade brasileira, por meio do portal Pró-Menino, na seção Redes de Atenção a Crianças e Adolescentes. Nesse espaço, também estão disponíveis materiais de apoio para implantação e utilização do sistema: Manual Técnico de Instalação do Software, Manual do Usuário e Manual de Gestão da Rede.

A Fundação também vai mostrar como o REDECA funciona durante a Campus Party. A apresentação será na área dos Direitos Humanos, no dia 29, sexta-feira, às 14h, seguida de uma oficina técnica às 16h. A Campus Party acontece entre 25 e 31 de janeiro, no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo.

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Tudo o que você precisa saber sobre Twitter

O que é Twitter? Para que serve? Por que todo mundo só fala nele? Como fazer parte da tuitosfera? Essas dúvidas que muita gente tem, mas não sabia para quem perguntar, agora já podem ser respondidas. Elas estão no primeiro guia online sobre a ferramenta. “Tudo o que você precisa saber sobre Twitter (você já aprendeu em uma mesa de bar)” foi lançado pela Talk Interactive nesta segunda-feira (10/08) por meio do Twitter, é claro. O conteúdo ficará disponível na Internet sob licença Creative Commons, permitindo que qualquer pessoa leia, repasse e ajude a atualizar o livro colaborativamente.

Com 46 capítulos, o livro é dividido em três categorias: Tudo o que você precisa saber; Negócios, jornalismo e política; Uso avançado do Twitter. Trata-se de um manual prático com orientações sobre como encontrar pessoas, o que é seguir e ser seguido e como o serviço pode ser utilizado de forma simples e eficiente. “O Twitter está crescendo muito no Brasil. Cada vez mais, novos usuários entram nesta rede, aumentando sua relevância. Mas as dúvidas sobre o Twitter ainda são muitas. Por isso tivemos a idéia de produzir um manual prático. O material vai ajudar muita gente”, diz Luiz Alberto Ferla (@ferla), CEO (Chief Executive Officer) da Talk Interactive.

Segundo Ferla, o conteúdo tem ainda importantes dicas para quem deseja utilizar a ferramenta para fins corporativos e até para ações em campanhas políticas. “O livro vai do básico ao avançado, abrangendo todos os níveis de conhecimento a respeito da ferramenta”. A idéia do livro surgiu e foi desenvolvida dentro da Talk a partir das dúvidas que muitas pessoas têm em entender essa ferramenta e também sobre a dificuldade de muitos tuiteiros em definir o serviço.

“É difícil explicar o que é o Twitter para alguém com noções básicas de uso da Web. Você pode, por aproximação, dizer que é uma mistura de blog e MSN ou pode ser específico e falar que é uma ferramenta para micro-blogagem baseada em uma estrutura assimétrica de contatos, no compartilhamento de links e na possibilidade de busca em tempo real, mas dificilmente isso convencerá o seu interlocutor a usar o serviço”, diz Juliano Spyer (@jasper), redator da obra e integrante do time da Talk.

Prefácio colaborativo

Com mais de 200 mil seguidores no Twitter, ninguém melhor do que Marcelo Tas para prefaciar um livro sobre a ferramenta. Mas a condição para aceitar o convite foi a de que os internautas também participassem da discussão para melhor definir o que é o serviço. Dessa colaboração nasceram pérolas como:

• O Twitter é para o mundo o que a praça é para uma cidadezinha. @_Jeyson

• O Twitter é como pátio de hospício, cada um falando “sozinho”, eventualmente alguém responde. @saintbr

• Não consegui explicar até hoje para o meu chefe. @joycemescolotte

• O Twitter é uma maquininha de cutucar corações e mentes na velocidade da luz. Em 140 toques ou menos, a imaginação é o limite. @marcelotas

Baixe o livro “Tudo o que você precisa saber sobre Twitter (você já aprendeu em uma mesa de bar)”

Dados do livro

Título: Tudo o que você precisa saber sobre o Twitter (você já aprendeu em uma mesa de bar)
Criação: Talk Interactive
Páginas: 110
Licença: Creative Commons
Classificação: Twitter, redes sociais, Web, comunicação, tecnologia.

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(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Novidades do Portal Global EducaRede

Novidades do Portal Global EducaRede

Mudanças no Portal Global EducaRede, lançado em 26 de novembro, no V Congresso Internacional EducaRede, em Madri, começam a ser implantadas de forma paulatina

 

O processo de migração já começou a ser percebido desde o lançamento, quando alguns conteúdos do portal local de cada país somente puderam ser encontrados no novo Portal Global. Este processo deve tomar alguns meses, mas a expectativa é que até o meio do ano que vem, tudo esteja concluído. Assim, o usuário terá acesso a uma infinidade de recursos: comunidades virtuais, blogs, wikis, fóruns, notícias e projetos dos oito países iberoamericanos onde o EducaRede atua (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México, Peru e Venezuela).
Sempre lembrando que, no caso do Brasil, a URL não muda: o acesso ao Portal Global EducaRede continuará sendo o mesmo: (www.educarede.org.br).

A criação e o desenvolvimento da nova plataforma foi um processo que tomou aproximadamente dois anos, envolvendo estudos, testes e debates entre todos os países envolvidos.
O Portal Global EducaRede tem por base as seguintes diretrizes:

• Ser um bem público, mantendo a gratuidade de todos os serviços oferecidos;
• Priorizar ações e projetos com foco na inovação educativa, ou seja, a desejável contribuição das TIC para o processo de ensino e de aprendizagem;
• Tornar-se rede das redes, divulgando e disseminando boas iniciativas de outras instituições na área de educação e TIC;
• Desenvolver ações e projetos de orientação à pratica pedagógica, de forma a oferecer orientações ao cotidiano de professores, alunos e pais.
Mande suas dúvidas, sugestões ou comentários para o Fale Com EducaRede.

 

Sobre o EducaRede

 

O EducaRede é o principal programa de responsabilidade social do Grupo Telefônica na área de educação, presente em oito países em que a Fundação Telefônica atua – Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México, Peru e Venezuela. À semelhança do Brasil, cada um dos países desenvolve uma série de ações e projetos que visam contribuir para a melhoria da qualidade da educação por meio do uso das Tecnologias de Informação e Comunicação.

Criar e oferecer um portal educativo totalmente gratuito é fundamental para o Programa EducaRede existir nos vários países. Isso porque cada país disponibiliza conteúdos e desenvolve propostas pedagógicas em seus respectivos portais.

Com a unificação dos portais, será possível compartilhar experiências de forma muito mais próxima com os usuários de todos os países e encontrar muito mais conteúdos, ferramentas e serviços, acessíveis ao internauta de forma personalizada, segundo o próprio interesse.

O Portal Global EducaRede é um projeto surgido do nosso mais firme compromisso com a inovação e que, graças a uma profunda renovação tecnológica, vai nos converter em um portal muito mais moderno, no qual será possível encontrar mais vantagens e serviçosMarian Juste, gerente do EducaRede Espanha (na foto acima, primeira da esq. para dir.).
Todos os países já realizam projetos diretamente com professores, alunos, pais e comunidade escolar. Alguns, como o Brasil, também acumulam até mesmo experiências de intercâmbio. Propiciar a integração de todas essas iniciativas é um grande avanço e quem ganha com isso são os próprios usuáriosSergio Mindlin, diretor presidente da Fundação Telefônica no Brasil.

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Fundação Telefônica apresenta novidades na Campus Party 2010

Software de acessibilidade, tradutor automático de Twitter e desafio digital: novidades da Fundação Telefônica na Campus Party 2010

 

A Fundação Telefônica apresentará, durante a Campus Party 2010, novos aplicativos para uso pedagógico. Um dos destaques será um software que permite a leitura de sites adaptados para deficientes visuais. Esse dispositivo, desenvolvido em parceria com a área de Pesquisa & Desenvolvimento da Telefônica, poderá ser usado por escolas que queiram promover a inclusão digital desse público.

Outra novidade fica por conta do tradutor automático de línguas para o Twitter, que facilitará a comunicação de internautas dos mais diversos países. Ele poderá ser testado no estande da Telefônica durante o evento e depois estará disponível para download no Portal EducaRede.

Desafio digital

Durante a Campus Party 2010 será promovido um desafio digital, criado especialmente para o evento, com informações sobre os oito países onde o EducaRede está presente e sobre o programa em si. Por meio de uma tela touch-screen, o usuário terá a oportunidade de utilizar ferramentas da web 2.0, como Wikipedia e YouTube, para procurar as respostas às questões propostas. A ferramenta terá capacidade para edição e poderá ser utilizada nas salas de aula, por exemplo, para a criação de outros desafios com fins pedagógicos.

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Tecnologia e educação

 

Tecnologia e educação
dominam debates


Dois eventos de grande porte nas últimas semanas reuniram educadores
em torno de reflexões e discussões sobre o tema

Dois grandes eventos nacionais abordando a inter-relação educação e tecnologia foram destaque nas últimas semanas. O primeiro, o E-Gov Fórum III, ocorreu de 27 a 30 de maio, em Brasília, e teve como objetivo discutir a universalização do acesso à informática e à Internet com a participação de representantes de órgãos governamentais, da sociedade civil e da iniciativa privada.

 

Nos dias 13 e 14 de junho, o Instituto Ayrton Senna e a Microsoft organizaram em São Paulo o Congresso de Educação e Tecnologia para o Desenvolvimento Humano, que reuniu especialistas internacionais, como Pierre Levy e Philippe Perrenoud.

 

Confira:

:: Momento é de desafios ,da enviada especial, Mílada Tonarelli.

:: Balanço do E-Gov Forum III, do Portal Setor 3, parceiro do EducaRede

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)