Higiene Corporal, Saúde e Sexualidade

Disciplina: Ciências
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Higiene do Corpo
Tipo: Metodologias

A puberdade traz novas necessidades de cuidado com o corpo e com a higiene. O professor, ao abordar a saúde do corpo humano, deve ter em mente que os conhecimentos e as informações referentes à higiene pessoal precisam ser trabalhados, porque na adolescência aparecem novos hormônios e funções que produzem odores e secreções (vaginal e peniana).

A falta de higiene pode acentuar cheiros desagradáveis e causar inflamações no pênis pelo acúmulo de bactérias, caso não se faça a higienização no prepúcio, irritação vaginal durante a menstruação, quando a limpeza for insuficiente, e mau cheiro pelo excesso de suor nas axilas, pés e pele.

A partir da puberdade, esses fatores podem interferir não só no aspecto físico como nas relações interpessoais do jovem. A higiene pessoal adequada favorece as ligações afetivo-sociais da idade, fortalecendo a confiança em si e no outro, e uma auto-estima positiva.

A elaboração de uma propaganda por meio da confecção de outdoors pode favorecer a abordagem desse assunto de forma participativa, reflexiva e integrada a outras áreas do conhecimento.

A atividade consiste em escrever em oito tiras de papel os temas abaixo relacionados, dividir a classe em oito grupos e solicitar a cada um deles que sorteie uma tira de papel. Cada tema será tratado por dois grupos.

Temas:

1. Aparência e cuidados com a higiene
Cabelos – Rosto – Olhos – Ouvidos – Nariz – Boca

2. Aparência e cuidados com a higiene
Corpo – Pele – Pés – Axilas

3. Aparência e cuidados com a higiene
Órgãos genitais masculinos

4. Aparência e cuidados com a higiene
Órgãos genitais femininos

Para a pesquisa de conteúdos, coleta de informações e fatos, cada grupo receberá materiais previamente selecionados pelo professor, que podem ser revistas, folhetos, livros didáticos ou paradidáticos.

Após a pesquisa orientada pelo professor, cada grupo desenvolve um outdoor para uma campanha publicitária, cujo objetivo é promover a boa higiene e a boa aparência como um meio de viver com saúde e prazer.

O público-alvo da campanha é constituído pelos colegas de classe. Para confeccionar o outdoor, pode-se utilizar cartolina, canetas coloridas, revistas, tesoura, cola ou desenhos dos próprios alunos. O professor de português poderá participar da atividade, por meio de leitura e escrita de textos publicitários, comparando-os e estabelecendo, com os alunos, suas características.

A propaganda deve enfatizar os seguintes pontos:

  • Por que é importante manter uma boa higiene?
  • O que significa ter uma boa aparência?
  • Cuidados gerais de higiene e o que muda na adolescência.

No fim, é interessante montar uma exposição dos outdoors confeccionados pelos alunos. O professor deve estimular uma discussão sobre o que sentiram no decorrer da atividade e fazer um resumo dos principais pontos que surgirem.

A avaliação dos resultados pode ser feita por meio do próprio conteúdo dos cartazes e do posicionamento da classe em relação aos trabalhos.

Texto original: Vera Lúcia Moreira
Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Regulação da Liberação dos Hormônios Sexuais Masculinos

Disciplina: Biologia
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Sexualidade
Tipo: Materiais didáticos

Objetivo:

  • Relacionar os conceitos apresentados com a temática em estudo e os conhecimentos anteriores.
  • Identificar o funcionamento dos hormônios sexuais masculinos e sua importância.
  • Construir um conceito a partir do objeto, das leituras complementares e outras aprendizagens.
  • Conhecer e aplicar o conhecimento construído em outras situações.
  • Possibilitar novas pesquisas acerca do conteúdo regulação da liberação dos hormônios sexuais masculinos.

Pré-Requisito: Conceito geral sobre hormônios sexuais.

Observações: Para a construção dos mapas conceituais, sugere-se o uso do software livre cmap-tools. O software foi desenvolvido pelo Institute for Human and Machine Cognition (IHMC) da West Flórida University. Esse software trabalha com a construção de mapas conceituais, formando um organograma de idéias com um conjunto de substantivos interrelacionados. Os grandes conceitos aparecem dentro de caixas? que podem ser linkadas com imagens ou outros mapas? enquanto as relações entre eles são feitas por frases e verbos de ligação.

Autoria: Graziela Fátima Giacomazzo Nicoleit coordenadora; Guilherme Pereira de Souza; Thiago Goulart Rezende – Universidade do Extremo Sul Catarinense/UNESC

Tipo de Atividade: Observação, exploração e análise.

Avaliação da Atividade: A avaliação deve ser processual, portanto o professor deve observar e registrar os avanços e as dúvidas dos alunos durante toda a atividade. Dessa forma, para um feedback da atividade, esses registros serão revistos com os estudantes. É importante, para a realização do estudo, sistematizar as conclusões e as opiniões do grupo. As sínteses poderão ser apresentadas em mapas conceituais construídos em grupo e ou individualmente. Essa representação mostrará a construção lógica conceitual dos estudantes.
Contexto da Atividade: Essa atividade deve acontecer em no mínimo três momentos distintos. O primeiro em sala de aula para a introdução da atividade. O segundo em laboratório de informática para o uso e aplicação do objeto de aprendizagem. O terceiro para a avaliação e a construção do conceito final pelo aluno.

Tempo Previsto para Atividade: Três aulas, de no mínimo 50 minutos cada. Esse tempo pode ser aumentado conforme planejamento do professor que irá trabalhar o objeto.

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Texto Original: Rived

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

O que é sexo?

Disciplina: Biologia
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Biologia geral, ética, população, seres vivos
Tipo: Materiais didáticos

Objetivo:  Conhecer diferentes visões de sexualidade; classificar as diferentes visões de sexualidade; reconhecer que existem diferentes aspectos relacionados a sexualidade.

Pré-Requisito: Não é necessário.

Observações: Uma atividade complementar será sugerida ao professor. Ele pode sugerir um levantamento, dentro do espaço escolar, de representações relacionadas ao tema para enriquecer a discussão.

Autoria: Miguel Thompson, Rodrigo Venturoso, Anna Christina de Azevedo Nascimento, Wellington Moura Maciel, Diogo Pontual, Juliana Rangel, Silvana Nietske, Kleber Sales – SEED/MEC

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Texto Original: Rived

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

O milagre da vida: Sexualidade Humana

Disciplina: Biologia
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Anatomia, biologia geral, ética, fisiologia, população, seres vivos
Tipo: Materiais didáticos

Objetivo:  Conhecer os sistemas genitais feminino e masculino; Conhecer os modos de ação, vantagens e desvantagens dos métodos anticoncepcionais; compreender o controle hormonal da gametogênese e os eventos ovariano e uterino no ciclo menstrual; explicar os eventos associados a concepção, gravidez e parto; compreender as transformações orgânicas e comportamentais do adolescente.- (R.O) julgar comportamentos relacionados à transmissão e a importância da prevenção da AIDS, gonorréia e sífilis. -(R.O) Julgar situações como: gravidez e responsabilidade na adolescência, aborto. -(R.O); Reconhecer que a sexualidade humana tem diferentes expressões.

Pré-Requisito: Julgar o conteúdo de um texto; Conhecer as relações dos seres vivos na biosfera; Compreender que os sistemas fisiológicos nos seres vivos estão integrados; Explicar estrutura e função celular; Interpretar gráficos e tabelas.

Autoria: Miguel Thompson, Rodrigo Venturoso, Anna Christina de Azevedo Nascimento, Wellington Moura Maciel, Diogo Pontual, Juliana Rangel, Silvana Nietske, Kleber Sales – SEED/MEC

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Texto Original: Rived

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

O método da tabelinha

Disciplina: Biologia
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Biologia geral, ética, população
Tipo: Materiais didáticos

Objetivo:
– Exprimir-se oralmente com correção e clareza, usando a terminologia correta.
– Produzir textos adequados para relatar experiências, formular dúvidas ou apresentar conclusões.
– Utilizar as tecnologias básicas de redação e informação, como computadores.
– Formular questões a partir de situações reais e compreender aquelas já enunciadas.
– Elaborar estratégias de enfrentamento das questões.
– Utilizar elementos e conhecimentos científicos e tecnológicos para diagnosticar e equacionar questões sociais e ambientais.
– Conhecer diferentes formas de obter informações (observação, experimento, leitura de texto e imagem, entrevista), selecionando aquelas pertinentes ao tema biológico em estudo.

Observações: Como é um assunto polêmico, é interessante que o professor mantenha neutralidade ou pelo menos, não tente influenciar os estudantes.

Autoria: Miguel Thompson, Rodrigo Venturoso, Anna Christina de Azevedo Nascimento, Wellington Moura Maciel, Diogo Pontual, Juliana Rangel, Silvana Nietske, Kleber Sales – SEED/MEC

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Texto Original: Rived

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

O caso do rebanho de Jacó

Disciplina: Biologia
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Biodiversidade, evolução, genética, população, probabilidade, saúde, seres vivos, sexualidade
Tipo: Materiais didáticos

Objetivo:  Reconhecer que indivíduos que apresentam um mesmo fenótipo podem apresentar genótipos diferentes. Elaborar suposições sobre o fenômeno estudado.

Pré-Requisito: Não há.

Observações: Dentre as idéias iniciais, caso o professor encontre um predomínio de palavras como DNA, gene, cromossomo, material genético, ele deve realizar a atividade 4 para organizar tais idéias. Nesse caso, a atividade 2 será realizada em outro momento. Caso o predomínio seja de expressões como gametas, dominante, recessivo, heterozigoto, homozigoto, o professor pode prosseguir com a atividade 2.

Autoria: Miguel Thompson, Rodrigo Venturoso, Anna Christina de Azevedo Nascimento, Wellington Moura Maciel, Diogo Pontual, Juliana Rangel, Silvana Nietske, Danilson de Carvalho – SEED/MEC

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Texto Original: Rived

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Genética – As idéias de Mendel

Disciplina: Biologia
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Estatística, genética, probabilidade, saúde, sexualidade
Tipo: Materiais didáticos

Objetivo:  Relacionar os conceitos de célula, gene, alelos, DNA e cromossomo; reconhecer que indivíduos que apresentam um mesmo fenótipo podem apresentar genótipos diferentes; elaborar suposições sobre os fenômenos estudados; elaborar esquemas para resumir os experimentos de Mendel; interpretar textos sobre célula, cromossomos, DNA, etc; compreender algumas das idéias apresentadas por Mendel, principalmente a segregação dos fatores; conhecer os experimentos que permitiram Mendel chegar as idéias de segregação dos fatores; propor hipóteses sobre herança aplicando as idéias de Mendel; testar hipóteses sobre herança; relacionar os conceitos modernos da Genética com as idéias de Mendel.

Pré-Requisito: O aluno deve ter trabalhado os tópicos de Citologia e a reprodução (principalmente a de angiospermas).

Autoria: Miguel Thompson, Rodrigo Venturoso, Anna Christina de Azevedo Nascimento, Wellington Moura Maciel, Diogo Pontual, Juliana Rangel, Silvana Nietske, Danilson de Carvalho – RIVED/SEED/MEC

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Texto Original: Rived

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Eu não pensei nisso não…

Disciplina: Biologia
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Biologia geral, ética, seres vivos, sexualidade
Tipo: Materiais didáticos

Objetivo:  Dissociar o conceito de sexo ao de cópula. Reconhecer a existência de estereótipos e desvinculá-los dos preconceitos.

Pré-Requisito: Não é necessário pré-requisito.

Autoria: Miguel Thompson, Rodrigo Venturoso, Anna Christina de Azevedo Nascimento, Wellington Moura Maciel, Diogo Pontual, Juliana Rangel, Silvana Nietske, Kleber Sales – SEED/MEC

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Texto Original: Rived

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Sexualidade: qual a sua dúvida?


Sexualidade: qual a sua dúvida?

Professores e estudantes fazem perguntas sobre o assunto ao médico Jairo Bouer,
durante chat no EducaRede

 

Na época do Carnaval, o tema “sexualidade” ganha destaque na mídia. Na escola, a festa pode ser um mote para tratar de questões como mudanças no corpo, DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis), gravidez precoce, Aids e alterações no comportamento.  Mas não se engane: as dúvidas dos alunos rondam a sala de aula o ano todo. No entanto, muitos professores têm dúvidas sobre como agir diante dessas questões e trabalhar o tema em aula.

Em bate-papo realizado no EducaRede, professores e alunos entrevistaram o médico Jairo Bouer, especialista em sexualidade. Educadores perguntaram ao médico, conhecido entre os jovens, a respeito de atividades para as aulas e atitudes que podem adotar diante de situações inusitadas. Os estudantes também tiraram dúvidas. E, diferentemente do que acontece em aula, expuseram abertamente suas perguntas. Confira os melhores momentos desta conversa.

 

:: Sexualidade na escola

Mariana: Sou professora do Ensino Fundamental I (alunos de 1ª a 4ª séries) e gostaria de saber como posso trabalhar o tema sexualidade com crianças dessa faixa etária?

Jairo Bouer, colunista da Folha de S. Paulo e apresentador de programas de TV sobre sexualidade
Foto: Divulgação

Jairo Bouer: É importante trabalhar dentro do universo de experiências e percepções dessa faixa de idade. Para isso, você pode começar pesquisando o que eles sabem sobre o assunto. Começar com tratando do corpo e suas mudanças é sempre uma boa idéia.

Jarbas: Estamos na sala de Informática da nossa escola. Os alunos ficaram muito interessados em poder conversar com você. Queria que você sugerisse tipos de atividades como esta para tratar do assunto na escola.
Jairo: Discussão de filmes que abordam a questão da sexualidade, pesquisa coletiva na Internet sobre assuntos relevantes, peças de teatro, discussão de materiais em jornais e em revistas… Tudo isso pode colaborar para a discussão ficar mais bacana e mais interessante.

Marta: Qual a disciplina curricular mais adequada para abordar o tema sexualidade. Só Ciências? Por que não nas aulas de Português ou História, por exemplo?
Jairo: Não existe disciplina ideal e sim disciplina em que o professor está disposto a aprender e discutir o assunto.

Jarbas: É interessante envolver a comunidade local (pais, agentes de saúde etc.) nas atividades escolares. Mas como fazer isso para falar de sexo?
Jairo Bouer: É verdade. Você pode começar apresentando dados e estatísticas que comprovem o quanto falar de sexo com essa galerinha é importante.

:: Sem medo de tratar o tema

Renata: O que fazer com as crianças que ficam se masturbando na sala de aula?
Jairo: É preciso explicar que a masturbação é uma forma de buscar o prazer e que deve ser feita quando a pessoa está sozinha, em situação de privacidade. Não se pode permitir que a criança se masturbe numa situação inapropriada, como na sala de aula. E esse limite tem que ficar claro.

Mariana: Tenho um aluno de oito anos que apresenta comportamentos delicados. O que fazer para a classe respeitá-lo do jeito que ele é?
Jairo: Discutir as diferenças em sala de aula, sem colocar o aluno no foco das discussões é um começo. Até porque nem todo garoto com atitudes mais delicadas será homossexual. Se acontecer alguma situação extrema, um terapeuta pode ser convidado para conversar com a classe. Violência e agressividade devem ser punidas.

Priscila: Acho que minha professora tem vergonha de falar sobre sexo com a gente. Que dica você poderia me dar para que ela possa falar mais sobre esse assunto com a turma? Muitos alunos têm dúvidas.
Jairo: Elaborem uma lista com os assuntos que querem discutir e façam a proposta para a professora. Se ela se mostrar resistente, sempre existe a possibilidade de vocês montarem um grupo de estudos e checarem na Internet ou na biblioteca algumas dúvidas.

Zuleika: Gosto muito do seu programa. Gostaria de saber como é usar a mídia para falar de um assunto “médico”?
Jairo: A mídia é um importante e poderoso recurso para se trabalhar a informação. Prevenção, saúde, qualidade de vida são exemplos de temas que, quando bem trabalhados na mídia, podem causar um grande impacto positivo no comportamento das pessoas. É isso que a gente tenta fazer.

:: Dúvidas freqüentes

Carol: Tenho 13 anos e gostaria de saber sobre a sexualidade de meninas da minha faixa etária…
Jairo: As garotas hoje em dia começam as suas mudanças corporais, inclusive a menstruação, mais cedo do que em décadas passadas. O início da vida sexual também é mais precoce: hoje, em torno de 15,5 anos para vocês meninas… Mas isso não é regra. É importante estar bem informada, saber prevenir, negociar o uso da camisinha e ter responsabilidade sobre o que você está fazendo.

Cris: Você disse que a menstruação está vindo mais cedo agora do que antigamente. O que tem causado essa mudança?
Jairo: Provavelmente, a melhora do padrão nutricional da população e o fato de que as garotas estão atingindo um peso corporal maior mais cedo. Especialistas acham que a maior quantidade de estímulos em geral também poderiam ter um efeito nessa antecipação.

Lia Aparecida de Azevedo: A liberdade sexual, junto com a desestrutura familiar, podem ter influenciado o aumento de GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes)?
Jairo: Em parte, a maior liberdade sexual junto com a diminuição de preconceitos e a existência de uma maior flexibilidade dos modelos de relacionamento e família possibilita para as pessoas viverem desejos e experiências sem tanto medo ou cobrança.

Miriam: É homossexualidade ou homossexualismo? Qual a diferença?
Jairo: Os especialistas preferem homossexualidade, que se refere a uma situação, e não homossexualismo, que poderia denotar distúrbio ou doença.

Marcos Faveri: Por que quando as mulheres têm sua primeira relação sexual, sua ?cabeça? muda? E o corpo também?
Jairo: O corpo não muda por causa da relação, mas a cabeça sim. Principalmente porque a primeira transa é vista quase como uma passagem para a vida adulta.

João Carlos: Tenho que ir ao médico com freqüência como as mulheres? Por que elas vão tanto ao ginecologista? Como saber se o ginecologista é bom pra atender minha namorada?
Jairo: As mulheres devem ir ao ginecologista pelo menos uma vez por ano. O critério de indicação é pessoal e tem a ver com as referências que se recebem do médico e da empatia que surge entre o médico e o paciente. O garoto não precisa ser consultado com a mesma freqüência, mas é bom visitar um médico sempre que houver dúvida.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Sexo na mídia

Sexualidade na idade MÍDIA

Como os meios de comunicação influenciam na informação
e formação da juventude

Por Gabriela Goulart, Nanan Catalão e Rilton Pimentel, de Brasília

Trinta minutos, três brasileiros, três situações. O primeiro lê jornais e revistas durante dez minutos. O segundo assiste à TV, também durante dez minutos. E o terceiro, no mesmo período, escuta programas de rádio e navega na Internet.

Os resultados, de forte impacto: somente o tema sexualidade foi abordado 4.414.500 vezes. Em apenas quatro segundos, um site de busca na Internet apontou três milhões de links a partir da palavra “sexo”, 294 mil a partir da palavra “pornô” e 140 mil a partir da palavra “erótico”. As músicas tocadas na rádio mencionaram expressões como “rala a xeca”, “este pinto não é mole, é safado” e “me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém”. E a TV, então, escancarou. Em uma propaganda de carro, um garoto comenta com o pai, em tom malicioso, sobre o “air bag” da vizinha; em outra, a gota de cerveja desce redonda pelo corpo da loura e uns desenhos animados pulam de bunda em bunda em uma praia brasileira em alto clima de verão e sensualidade. Um pouco depois, começa o final da novela mais polêmica dos últimos tempos. Para ganhar dinheiro, uma jovem personagem é estimulada pela mãe a pedir para uma amiga roubar camisinhas usadas do lixo do banheiro de um rico advogado para fazer inseminação artificial. Tem o filho, faz o exame de DNA e ganha direito de pensão na Justiça. Termina feliz, com um bebê no colo e à procura de um outro “amor bem-sucedido”.

No entanto, ainda nestes trinta minutos, a mesma mídia do apelo e da banalização do sexo mostra sua outra face: também informa, até educa. Um dos jornais lidos traz caderno especial sobre sexualidade na adolescência, abordando o tema de forma clara, equilibrada e responsável. Na TV, em um dos canais abertos, um programa de debates mostra as últimas estatísticas do HIV e abre espaço para discussão com especialistas. E, no intervalo do esperado último capítulo da novela, a maior emissora do Brasil exibe vinheta do Ministério da Saúde: não vacile, use camisinha.

A contradição é evidente. De um lado, o sexo banalizado, a mulher objeto, o prazer imediato, o sensacionalismo e a superexposição do corpo. De outro, o sexo natural, bonito, que pode ser associado à prevenção, ao amor e ao carinho. Para o jornalista e antropólogo Geraldinho Vieira, que tem se destacado em vários países por seu trabalho pioneiro em jornalismo social na área da infância e adolescência, a mídia tende a setorizar-se diante desta contradição. “Há a mídia de entretenimento, que dá espaço à apelação e aos reality shows e, por outro lado, há a jornalística que tem procurado trabalhar o tema de forma cada vez mais responsável”, afirma. A jornalista Patu Antunes, da ANDI (Agência de Notícias dos Direitos da Infância), concorda. A agência faz análises de todas as matérias publicadas sobre crianças e adolescentes por 48 jornais e dez revistas de maior tiragem no Brasil.

“Ou a imprensa erotiza e pressiona o adolescente para que baseie a sua vida sexual nos modelos da publicidade que excita, ou defende um discurso professoral de que os jovens devem adotar um estilo de vida saudável, cuidadoso e responsável”, defende Patu. Para Vieira, é preciso encontrar um meio termo. “A mídia não deve ser excessivamente erótica, nem excessivamente neurótica. Deve falar de sexo com a mesma naturalidade que fala da boca ou da orelha, apenas atenta para não banalizar. O problema do tom professoral é que ele sacraliza o sexo. Pode-se gerar uma frustração enorme em um adolescente, que fica cheio de expectativas antes da primeira transa e, depois, descobre que o sexo é uma coisa natural, quase como um espirro”, afirma.

Do “sexo na mídia” à “mídia do sexo”
Assim como um bate-papo com o amigo confidente, a mídia é a terceira fonte de informação esclarecedora sobre sexualidade (46% das citações), conforme mostra a pesquisa “A Voz dos Adolescentes”, lançada no início de agosto pelo Unicef e pela empresa de pesquisa Fator OM. Os 5.280 jovens entrevistados em todo o Brasil creditam à família (54%) o primeiro lugar e à escola o segundo.

Na história da mídia brasileira, a abordagem direta – e não velada – da sexualidade ainda está em seus primeiros passos. Nos anos 80, época em que a censura ainda era uma política oficial e que a Aids começava a repercutir, a sexóloga e atual prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, tinha que brigar pelo direito de dizer “pênis” ou “vagina” em um programa voltado às donas de casa. Depois de vinte anos, a mídia já aparece como uma das principais referências sobre o assunto.

Hoje a excessiva banalização assusta. “A mídia atira para todos os lados. A mesma emissora que transmite o Criança Esperança veicula uma novela em que uma ninfeta seduz um quarentão e diz que teve sua primeira transa aos 12”, explica Luís Martins, professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília e especialista em jornalismo cívico. A radialista Mara Régia, uma das primeiras no Brasil a oferecer orientação sexual nas rádios, acrescenta: “Para vender uma sandália havaiana, em vez de abordar a qualidade do produto, mostra-se a bunda de uma mulher”. Já o jornalista Geraldinho Vieira relativiza. Para ele, a sensualidade faz parte de nossa cultura, sendo por isso saudável brincar ou trabalhar a questão de forma lúdica. “O grande problema é exagerar na brincadeira”, explica.

Bastidores – desafios, metas e experiências

Quais seriam as causas da vulgarização do sexo? É o público que demanda esse padrão, ou são os produtores que, guiados por questões mercadológicas, optam pela linha do sensacionalismo e do supérfluo?

“A mídia descobriu que o sexo é um assunto que vende”, diz a psicóloga Rosely Sayão, conhecida dos leitores de revistas e suplementos juvenis por responder às dúvidas dos adolescentes sobre sexo há mais de dez anos.

“Há produtores que sempre acham que as massas querem exagero. Mas há bons exemplos, como o programa Malhação, que no começo era só corpo, mas não dava audiência. Hoje a academia virou uma escola onde há sensualidade, paixão, namoro, sexo, mas com um enfoque mais responsável. Quando estas coisas são tratadas de forma tranqüila, com conteúdo, a audiência aumenta”, defende Vieira.

A MTV há tempos busca um formato adequado ao público jovem, procurando mostrar que a televisão pode ser séria e divertida ao mesmo tempo. Com três programas que abordam o assunto – “Peep MTV” (que substituiu o “Erótica” e responde às dúvidas da audiência), “Meninas Veneno” (que discute o tema sob ponto de vista feminino) e “Fica Comigo” (que busca aproximar os jovens e mostrar como acontecem seus relacionamentos afetivos), a MTV desmistifica o sexo e exporta a sua fórmula para TVs de outros países. “Não há assunto mais natural e corriqueiro, presente em todas as mesas de bar e banheiros femininos. No que diz respeito a sexo, o tamanho do problema não é documento”, brinca Zico Góes, diretor de programação da emissora.

 

 

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)