Uso ético e legal dentro e fora da sala de aula

O uso ético e legal da tecnologia dentro e fora da sala de aula

Cabe à escola orientar sobre os valores que devem reger o uso pelos alunos de internet, e-mail, blogs, comunidades, celulares e câmeras, sobre as leis vigentes e sua aplicação também na vida virtual

Por: Patrícia Peck e Cristina Sleiman

Que limites devem ser ensinados aos jovensda sociedade digital? Como educar para ouso ético e legal da tecnologia, dentro oufora da sala de aula? O desafio atual dosprofessores, dos pais e dos estabelecimen-tos de ensino é conseguir delimitar claramente quais são os valores que devem reger o uso pelos alunos de internet, e-mail, blogs, comunidades, celulares e câmeras. Isso envolve o uso da imagem de um colegaou professor no orkut, o plágio de trabalhos escolares, a infração de direitos autorais deterceiros e a pirataria, entre outros riscos aque crianças e adolescentes estão expostosao se relacionar com o mundo digital, seja durante um bate-papo em uma sala de chat, que pode levar a uma situação de assédio sexual, seja ao fazer o cadastro em um site usando dados falsos ou falsa identidade parase fazer passar por outra pessoa e obter algum tipo de vantagem ou conteúdo ilícito.

Assim como aprendemos quando éramos pequenos que não devíamos deixar a portade casa aberta, falar com estranhos, pegar carona com qualquer um, a educação atualpassa a retratar com novos exemplos essas mesmas questões, de modo atualizado e condizente com a realidade. Ou seja, é precisoensinar: “Meu filho, não deixe seu computa-dor aberto, não responda a e-mails de estra-nhos, não pegue carona na comunidade er-rada, pois ‘diga-me com quem navegas que eu te direi quem és’”.

Os incidentes que vêm ocorrendo nas escolas ou que envolvem os jovens e a internet demonstram que há um completo desconhecimento sobre as leis vigentes e sua aplicação também na vida virtual. Falta uma noção mais clara de conseqüência: uma vez que a internet funciona em tempo real e tem alcance global, algo que seria um simples comentário de brincadeira em um e-mail pode tornar-se um crime de difamação gravíssimo, com possibilidade de indenizaçãopor danos morais.

Cabe à nova escola orientar os educandos sobre essas situações, a postura que devem tomar, o que precisam evitar, o que é ético, o que é legal, e alertá-los de que tais situações podem ter repercussão até mesmo para os pais ou responsáveis legais. O objetivo desse procedimento é proporcionar situações que desenvolvam as competências e habilidades necessárias para esta nova era.

Não adianta colocar o computador na sala de aula e não ensinar a usá-lo de maneira segura, com certos limites à liberdade de expressão. Ao fornecer uma senha de login para um aluno acessar a rede de ensino, por exemplo, seja da escola, seja de outro lugar, é preciso orientar no sentido de que aquilo é uma “identidade digital”, que deve ser guardada com sigilo e não pode ser emprestada para outras pessoas. Se houver uso indevido dessa senha, o primeiro suspeito será o aluno, pois ela é uma evidência de autoria. Em relação aos pais, é um perigo dar um celular com câmera de presente para uma criança de dez anos e não ensiná-la que deve respeitar as demais pessoas e as leis, ou que não pode fotografar qualquer um e usar as imagens na internet como quiser. Ou, ainda, que a criança não deve se deixar fotografar por qualquer um ou em situações que possam ser vexatórias ou que a exponham.

O professor e a escola devem dar o exemplo, que começa com o uso adequado de ferramentas como blogs e de imagem dos alunos e com a proteção de direitos autorais de conteúdos escolares, para evitar que oincentivo ao uso da internet como fonte depesquisa torne-se um estímulo à cópia de trabalhos de terceiros como se fossem seus. O mesmo se aplica à pirataria de músicas, vídeos, softwares, games, o que é crime não apenas na legislação brasileira, mas tambémem diversos outros países. Deve-se ter um cuidado especial com o que se utiliza como material didático em sala de aula e também auxiliar no seu uso em tarefas de casa, trabalhos em grupo e outras atividades.

É preciso abordar esses novos conceitos, mostrar que existem benefícios e igualmente perigos na internet. Contudo, há formas de evitá-los e é preciso, antes de tudo, conhecê-los. Na era da informação, é justamente ela que está mal trabalhada no âmbito educacional para a prevenção de riscos eletrônicos, tanto para a escola quanto para os professores, os pais e os alunos.

Freqüentemente os professores também são vítimas da tecnologia. No orkut, existem comunidades que foram criadas por alunos apenas para fazer comentários muitas vezes – quando não na maioria das vezes – depreciativos sobre seus professores, incluindo montagem de fotos. Como trabalhar essa questão na sala de aula? E com os pais? A princípio, deve-se integrar a realidade desses alunos para que eles se tornem cidadãos virtuais “digitalmente corretos”. Além disso, é essencial atualizar o contrato de matrícula e ensino, incluindo essas novas questões, criar um código de conduta do alunoque também se refira a condutas eletrônicas, com previsão de suspensão mesmo quando a infração for virtual.

A aplicação das boas práticas do direito digital, que é o ramo do direito que cuida dessas questões, depende de se estruturar adequadamente a documentação, já prevendo, por exemplo, nos contratos de trabalhodos profissionais da instituição, cláusula desegurança da informação. Também devem ser criadas cartilhas para pais e alunos, orientando sobre o que é certo e errado no usodas ferramentas tecnológicas. Torna-se essencial preparar o terreno para evitar responsabilidade legal, seja ela civil, criminal ou administrativa.

É importante que o professor valorize a pesquisa de casos práticos a fim de possibilitar o conhecimento e o entendimento da nossa legislação. Ao trabalhar com uma notícia, como, por exemplo, a de que uma menina foi presa por criar uma comunidade virtual que fazia apologia a um fato criminoso, ou seja, instigava os participantes a praticar algum crime, o professor pode destacar qual foi a conduta praticada considerada ilícita – no caso, instigar um crime –, qual o artigo do Código Penal ou da legislação específica que determina que tal ato é crime e mostrar quais as conseqüências, como a punição prevista na lei. No Brasil, pouco se ensina sobre as leis; em geral, as pessoas somente aprendem sobre elas depois que já foram envolvidas emalguma situação, como vítimas ou acusados.

A formação do indivíduo deve visar à ampliação dos horizontes e ao estímulo à criatividade, mas tudo isso dentro de limites éticos e legais. Por esse motivo, ter noção das conseqüências dos atos é fundamental no processo educacional. Até porque, por mais analógico que seja o pai, se ofilho for menor de idade e cometer, por exemplo, um crime de racismo na internet, por e-mail, em um blog ou comunidade, os pais responderão por esse ato criminal e civilmente.

Há uma falsa sensação de segurança que nos torna mais ingênuos na internet. Não é porque o filho está no quarto, dentro de casa, usando o computador, que não está exposto a riscos. E quem deve ensinar isso? Uma boa parcela da responsabilidade cabe à escola e ao professor, até mesmo porque hoje é também no ambiente educacional que o aluno tem contato com o uso da tecnologia. Entre os principais assuntos que devem ser abordados em sala de aula, estão:

  • liberdade de expressão;
  • privacidade;
  • proteção do direito de imagem;
  • direito autoral;
  • identidade digital;
  • crimes eletrônicos;
  • assédio eletrônico;
  • responsabilidade na internet.

É preciso que a instituição crie regras, normas de conduta, com o uso de políticas online e termos de uso, entre outros recursos, em relação à utilização de ferramentascomo blogs, e-mails e espaço virtual de aprendizagem. A lei gera responsabilidade não apenas por ação, mas também por omissão e negligência, e é nesse ponto que se ressalta a atuação da escola e do professor.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Sobra emprego para técnicos

Sobra emprego para técnicos


Governo e iniciativa privada investem em cursos profissionais para atenuar uma lacuna de
décadas e preencher vagas ociosas

Por Leandro Quintanilha

Fotos: Robson Regato
Revista A Rede 

A formação de nível técnico é mais rápida e, no caso do ensino privado, custa menos do que um curso superior em faculdade paga — destino da imensa maioria dos estudantes brasileiros, sem condições de freqüentar boas escolas de segundo grau e, por isso, excluídos das concorridas universidades públicas. Para esses jovens, de família de baixa renda, o curso técnico antecipa a entrada no mercado de trabalho, acelera a ascensão social. No Brasil de hoje, o ensino técnico se tornou ainda mais atrativo. Em algumas áreas, sobram vagas de empregos, empresas se vêem obrigadas a buscar profissionais no exterior e os salários são mais altos do que os de bacharéis. “Há cerca de 200 mil postos de trabalho no país não ocupados por falta de mão-de-obra qualificada”, estima Eliezer Pacheco, secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (MEC) e ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). “As grandes empresas assumem a qualificação do empregado, outras chegam a ‘importar’ funcionários de outros países. As médias e menores ficam, muitas vezes, sem alternativa”, revela Pacheco.

 

A área da Tecnologia da Informação (TI) é uma das mais prejudicadas. De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Social (Senai), os gargalos mais graves são os das sub-áreas de programação de softwares e infra-estrutura de redes. “Apenas entre as empresas conveniadas à entidade, há 33 mil postos não preenchidos”, afirma o diretor-executivo da Brasscom, Sergio Sgobbi. “E estamos falando de vagas para prestação de serviços já contratados”, alerta.

 

Durante as décadas de 70 e 80, o Brasil passou por sucessivos períodos de recessão, sem grandes investimentos em infra-estrutura e, conseqüentemente, sem projetos de vulto que demandassem mão-de-obra qualificada. Assim, o país chegou ao século 21 despreparado. O economista Roger Agnelli, diretor-presidente da Vale, chamou atenção para o tamanho do problema em um artigo recente na Folha de S. Paulo: “O Brasil corre o risco de se ver obrigado a reduzir os grandes investimentos programados para os próximos anos por falta de mão-de-obra qualificada. Entre os maiores gargalos que as empresas brasileiras enfrentam, esse é o déficit que mais me preocupa”.

 

Os acadêmicos reforçam o alerta. “Hoje, até pequenas empresas precisam de ao menos um profissional de TI”, afirma o professor Alexssandro Augusto Reginato, coordenador dos cursos técnicos de informática da Escola Senai Suíço-Brasileira, em São Paulo. “Agora, até o pipoqueiro tem maquininha de cartão de crédito”, diz. “A escassez de técnicos provoca distorções no mercado de trabalho”, esclarece Almério Melquíades de Araújo, coordenador do ensino técnico do Centro Paula Souza, instituição do governo do estado de São Paulo que administra 141 Escolas Técnicas (Etecs) e 47 Faculdades de Tecnologia (Fatecs) em 122 cidades paulistas. “Hoje, muitas empresas acabam contratando um engenheiro para a vaga de um técnico em edificações. O mesmo acontece na área de TI. Em casos assim, sempre alguém vai arcar com o prejuízo: ou a empresa ou o funcionário”, avalia Araújo.

 

Bom começo

Na prática, em geral, um bom estagiário de TI sempre é admitido, após o período de aprendizado. Segundo Reginato, do Senai, um estagiário de TI ganha R$ 1 mil, em média. Um técnico formado pode receber até R$ 4 mil já no começo da carreira. Essa é a expectativa do jovem Jordan Santos Pereira, de 16 anos, aluno do segundo ano do curso técnico em Informática na Escola Técnica do Estado de São Paulo (Etesp), que pertence à rede do Paula Souza. Jordan faz estágio na Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap). Ele foi o primeiro colocado em um concurso realizado pela fundação para selecionar estagiários para todos os órgãos público do estado de São Paulo. “Quero ser programador. Pelo que já conheço do mercado, sei que posso ter uma carreira muito rentável”, acredita.

 

Jordan não está superestimando o futuro. O técnico em Redes de Comunicação Bruno Sant´Anna é um bom indicador disso. Aos 22 anos, é gerente de vendas de soluções para servidores IBM. Ele atribui a carreira rápida à qualificação técnica recebida no Senai, muito próxima da realidade do mercado. “Não me imagino desempregado”, diz. O técnico Flávio Réscia Dias, também com 22, confirma. Depois de sete meses em um cargo operacional na Telium Networks, ele hoje coordena os encontros operacinais de quatro cidades: São Paulo, Campinas, Campos e Porto Alegre. “Antes da minha entrada na empresa, há dois anos, havia preferência por profissionais com nível superior”, diz. Agora, conta, não há mais essa distinção.

 

Em resposta ao cenário de alta demanda, o ensino técnico iniciou um período de forte expansão no país. Em maio, o ministro da Educação, Fernando Haddad, anunciou alterações nas regras de repartição das verbas do Sistema S — integrado, entre outras entidades, por Sesc, Senai e Sebrae. Com a mudança, o sistema passaria a formar cerca de 1,5 milhão de técnicos por ano. O governo federal pretende criar o Fundo Nacional de Formação Técnica e Profissional (Funtep), que receberia os recursos destinados ao Sistema S antes de serem destinados às instituições. Esse seria um meio de induzir as entidades a aplicar o dinheiro na oferta de cursos profissionalizantes gratuitos para estudantes oriundos de escolas públicas ou com bolsa integral em estabelecimentos particulares. Atualmente, os recursos do sistema somam R$ 8 bilhões por ano e saem de um encargo de 2,5% de toda folha salarial das empresas.

 

Ao mesmo tempo, deve aumentar a oferta do ensino técnico público na rede pública federal. Pelas projeções, até o final de 2009 vão passar de 200 para 354 as instituições que oferecem o técnico. A área da informática é uma das poucas contempladas em quase todas as unidades, nas cinco regiões do país. O governo também informa que todos os Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets) serão transformados, até o final do ano, em Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (Ifets). As mudanças atingirão até as Escolas Técnicas Federais (ETFs), as Escolas Agrotécnicas Federais (EAFs) e escolas técnicas vinculadas às universidades federais. “Todas as unidades funcionarão como uma espécie de campus de um mesmo grande instituto, o que vai garantir um novo status à rede federal”, adianta Eliezer Pacheco, do MEC. “Em cada uma, os diferentes níveis de ensino (médio, técnico, superior e pós) vão compartilhar professores, equipamentos e laboratórios”, acrescenta.

 

Em São Paulo, a oferta também dispara. No Centro Paula Souza, a maior rede estadual de ensino profissional do país, o plano de expansão do atual governo promete cem mil novas vagas até o final 2012. As Etecs hoje atendem cerca de 118 mil estudantes — 30 mil no ensino médio e mais de 87 mil no técnico, que oferece 86 habilitações. Uma pesquisa realizada com egressos revela que 77% dos formados em Etecs estão empregados depois de um ano da formação.

 

Para ampliar ainda mais o acesso à formação, uma alternativa eficaz é a educação a distância. O MEC tem o Programa Escola Técnica Aberta do Brasil (e-Tec), cuja missão é “articular instituições públicas federais, estaduais e municipais para a disseminação de cursos a distância e criação de pólos regionais de formação técnico-profissional”. De acordo com o secretário Pacheco, o ministério acaba de receber uma doação de R$ 10 milhões do Banco do Brasil para investimento em formação profissional, como aquisição de laboratórios móveis para o e-Tec, por exemplo.

Cada escola técnica associada ao programa pode implementar um sistema de ensino virtual a ser complementado com as atividades presenciais nos pólos regionais, equipados com infra-estrutura tecnológica, bibliotecas e salas de estudo. Além dos equipamentos, o MEC arca também com a elaboração de conteúdos e a gestão dos cursos. Atualmente, o e-Tec tem 198 núcleos em todas as regiões do país.

 

Outra iniciativa de ensino técnico à distância é o TelecursoTec, curso técnico pela televisão, nos moldes do telecurso tradicional. Realizado por meio de parceira entre o Paula Souza e a Fundação Roberto Marinho, oferece três cursos na área de gestão: Administração Empresarial, Gestão de Pequenas Empresas, Secretariado e Assessoria. Cada curso é de 800 horas, tem provas presenciais e concede diploma de técnico reconhecido pelo MEC, igual ao diploma dos cursos presenciais.

 

Para participar, o aluno deve ter concluído o ensino Médio ou estar cursando a 2ª série desse ciclo. Precisa adquirir os livros (R$ 192,00 – livros mais taxas das provas), se quiser acompanhar os programas pela TV — na Rede Globo (5h25), na TV Cultura (6h15 e 12h45) e no Canal Futura (18 h). Ou pode estudar pelos DVDs (R$ 300,00 – livros, DVDs e taxas das provas).

 

Em geral, os currículos dos cursos técnicos são definidos a partir de necessidades pontuais, dos diversos segmentos do setor produtivo, das regiões, e até dos Arranjos Produtivos Locais (APLs), que são as cadeias formadas pelas diferentes empresas que compõem uma atividade econômica. No âmbito do MEC, realiza-se uma bateria de audiências públicas, com representantes das comunidades, de sindicatos patronais e do poder público local.

 

No Paula Souza, muitos cursos começam com um projeto-piloto, para atender uma demanda de empresa, e depois se tornam abertos à população. Araújo explica: “Podemos, por exemplo, montar um curso de bioenergia para capacitar os trabalhadores de uma usina de açúcar e álcool. Os conteúdos desse curso são definidos em conjunto, entre os técnicos de empresas do setor e especialistas do Paula Souza. O curso pode começar dentro da empresa, com uma única turma. Depois, passa a ser oferecido ao público em geral, como uma das nossas modalidades”.

 

Nessas parcerias, as empresa entram com laboratórios, expertise, treinamento. Mas existem também iniciativas capitaneadas totalmente pelas empresas. A Vale está oferecendo, por contra própria, formação técnica a 3 mil de seus funcionários. “Países como a China e a Índia, com os quais disputamos investimentos, formam milhares de novos engenheiros todos os anos”, relata o presidente da Vale, em seu artigo.

 

A Brasscom também está investindo. A entidade reúne as maiores empresas de TI, nacionais e multinacionais, bem como centros de pesquisa e universidades, representando, segundo informa, 70% do Produto Interno bruto (PIB) brasileiro. A Brasscom espera atingir US$ 5 bilhões em exportações de serviços de TI e capacitar 100 mil novos profissionais na área, até 2011. A entidade tem dois programas importantes para atingir esse objetivo, o ForSoft e o Englisoft. O primeiro, cujo nome é uma sigla para Formação de Recursos Humanos em Software, é um projeto-piloto de um modelo de recrutamento e formação a distância e mão-de-obra em nível técnico em TI — mais especificamente, em programação. O projeto é aplicável em escala nacional, em parceria com empresas interessadas, além dos governos federal, estaduais e municipais.

 

Criado no final de 2006, com 27 turmas em 16 cidades, o projeto acompanha o desempenho dos formandos no início de sua carreira profissional, em estágios supervisionados nas empresas participantes (“madrinhas”). Parte do trabalho é analisar as experiências das empresas e alunos envolvidos, para o aprimoramento do programa. A Brasscom informa que o ForSoft recebeu recursos do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) para contratação de professores, suporte, logística, confecção de materiais e gravação das aulas em DVD. O ForSoft já capacita técnicos em quatro linguagens: Dot Net, Cobol, Java e Progress.

 

O programa EngliSoft, que também tem suporte do governo federal, prepara os profissionais para o nível de proficiência em inglês dentro dos parâmetros do mercado de TI. Para a Brasscom, a carência de profissionais de TI com domínio da língua inglesa é hoje um grande obstáculo para a venda de serviços ao exterior. Com o apoio da Finan
iadora de Estudos e Projetos do governo federal (Finep), a Brasscom criou um certificado de proficiência em três níveis, aberto a qualquer profissional que queira se submeter ao teste. O exame, focado em TI, é realizado por meio de provas online em locais controlados, com correção individual de redações e uma entrevista oral.

 

A entidade espera que o mercado assimile gradativamente o certificado como referência de qualificação profissional. Para tanto, afirma estar disposta a estabelecer parcerias com entidades de ensino de idiomas e governos, a fim de oferecer à rede pública de ensino profissionalizante todo o material de preparo hoje disponível para os testes.

 

Língua inglesa

O inglês é mesmo uma deficiência importante. A IBM Brasil oferece regularmente vagas para técnicos em feiras de recrutamento e em seu portal na internet, para trabalhos de help desk, manutenção e operação. “O déficit maior é o de profissionais que conheçam mainframe, Cobol e SAP e tenham inglês fluente”, informa a gerente de parecerias educacionais da IBM, Sirlene Toledo. No Catálogo Nacional de Cursos Técnicos do MEC, o inglês não consta como disciplina indicada em nenhum dos oito cursos da área de TI. Segundo a diretora de regulação e supervisão de educação profissionalizante do MEC, Andréa de Faria Barros Andrade, o motivo é que o idioma estrangeiro já é uma atribuição do ensino médio, que, por sua vez, é um pré-requisito para o técnico.

 

 

Profissionalização livre

Distribuídos por todo o país, os Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs) são unidades de ensino profissionalizante livre. Ou seja, ministram uma formação que não tem nível técnico, mas também prepara para o exercício de uma profissão. Vinculados ao Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), os CVTs oferecem capacitações tecnológicas de curta duração e funcionam nas estruturas das escolas públicas. Os cursos são definidos de acordo com a vocação econômica das regiões. “Hoje existem 300 centros. Até o final do ano, serão inaugurados outros 150 e até 2010, serão 1 mil”, diz o secretário de inclusão social do MCT, Joe Valle.

Para ser um técnico

O curso técnico capacita o aluno com conhecimentos teóricos e práticos em uma das diversas atividades do setor produtivo. Um dos principais objetivos é possibilitar o acesso mais rápido ao trabalho. Ou seja, o aluno recebe uma qualificação profissional e está apto a atuar no mercado antes de ingressar em um curso superior. O curso técnico também serve para requalificar ou reinserir no mercado de trabalho profissionais que precisam de atualização.

Para obter o diploma de técnico, é necessário ter o certificado de conclusão do ensino Médio. O técnico pode ser cursado de forma integrada, concomitante ou subseqüente ao Médio. Na forma integrada, com uma única matrícula, o aluno freqüenta um curso que reúne conteúdos do ensino Médio e competências da educação profissional. Na forma concomitante, o aluno faz os dois cursos em paralelo — não precisa necessariamente ser na mesma instituição. Na forma subseqüente, faz o curso técnico depois de ter concluído o Médio.

Fonte: Ministério da Educação (MEC)

O que estudar?

Antes de fazer sua opção, conheça os oito cursos técnicos de TI do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos e as recomendações do MEC, que servem como parâmetros para um bom curso.

Técnico em Informática

> Atribuições do profissional: Desenvolve programas de computador, seguindo as especificações e paradigmas da lógica de programação e das linguagens de programação. Utiliza ambientes de desenvolvimentos de sistemas, sistemas operacionais e banco de dados. Realiza testes de software, mantendo registro que possibilitem análises e refinamento dos resultados. Executa manutenção de programas de computadores implantados.

> Currículo mínimo sugerido: Lógica e linguagens de programação; sistemas operacionais; hardware; interpretação de especificações de sistemas computa­cionais; banco de dados.

> Possíveis empregadores: Instituições públicas, privadas e do terceiro setor que demandem sistemas compu­tacionais, especialmente envolvendo programação de computadores.

> Infra-estrutura recomendada: Biblioteca com acervo específico e atualizado; laboratório de informática com programas específicos.

 
Técnico em Informática para internet

> Atribuições: Desenvolve programas de computador para internet, seguindo as especificações e paradigmas da lógica de programação e das linguagens de programação. Utiliza ferramentas de desenvolvimento de sistemas, para construir soluções que auxiliam o processo de criação de interfaces e aplicativos empregados no comércio e marketing eletrônicos. Desenvolve e realiza a manutenção de sítios e portais na internet e na intranet.

> Currículo: Lógica e linguagens de programação; interface homem-máquina; protocolos de comunicação; sistemas operacionais; hardware; banco de dados; interpretação de especificação de sistemas computa­cionais e redes de computadores.

> Empregadores: Instituições públicas, privadas e do terceiro setor que demandem programação de computadores para internet.

> Infra-estrutura: Biblioteca com acervo específico e atualizado; laboratório de informática com programas específicos.

 
Técnico em Manutenção e Suporte em Informática

> Atribuições: Realiza manutenção preventiva e corretiva de equipamentos de informática, identificando os principais componentes de um computador e suas funcionalidades. Identifica as arquiteturas de rede e analisa meios físicos, dispositivos e padrões de comunicação. Avalia a necessidade de substituição ou mesmo atualização tecnológica dos componentes de redes. Instala, configura e desinstala programas e softwares básicos, utilitários e aplicativos. Realiza procedimentos de backup e recuperação de dados.

> Currículo: Arquitetura de computadores; sistemas operacionais; infra-estrutura de infor­mática; redes de computadores; aplicativos comerciais.

> Empregadores: Instituições públicas, privadas e do terceiro setor que demandem suporte e manutenção de informática ou na prestação autônoma de serviços.

> Infra-estrutura: Biblioteca com acervo específico e atualizado; laboratórios de arquitetura de computadores, informática com programas específicos.

 
Técnico em Programação de Jogos Digitais

> Atribuições: Compõe equipes multidis­ciplinares na construção dos jogos digitais. Utiliza técnicas e softwares especializados de tratamento de imagens e sons. Desenvolvem recursos, ambientes, objetos e modelos a serem utilizados nos jogos digitais. Imple­mentam recursos que possibilitem a intera­tividade dos jogadores com o software. Integra os diversos recursos na construção do jogo.

> Currículo: Computação gráfica; linguagem de programação; softwares para tratamento de som, imagem e efeitos especiais; técnicas de encapsu­lamento e distribuição.

> Empregadores: Instituições públicas, privadas e do terceiro setor que demandem programação de jogos digitais.

> Infra-estrutura: Biblioteca com acervo específico e atualizado; laboratórios de computação gráfica, informática com programas específicos.

 
Técnico em Redes de Computadores

> Atribuições: Instala e configura dispositivos de comunicação digital e softwares em equipamentos de rede. Executa diagnóstico e corrige falhas em redes de computadores. Prepara, instala e mantém cabeamentos de redes. Configura acessos de usuários em redes de computadores. Configura serviços de rede, tais como firewall, servidores web, correio eletrônico, servidores de notícias. Implementa recursos de segurança em redes de computadores.

> Currículo: Sistemas operacionais; protocolos de comunicação; equipamentos e arquitetura de redes; dispositivos de comunicação de dados; segurança de redes

> Empregadores: Instituições públicas, privadas e do terceiro setor que demandem redes de computadores ou na prestação autônoma de serviços.

> Infra-estrutura: Biblioteca com acervo específico e atualizado; laboratórios de redes, informática com programas específicos.

 
Técnico em Sistemas de Computação

> Atribuições: Participa da elaboração de projetos, realiza instalação, operação e manutenção de sistemas de telefonia fixa e móvel, atuando na prestação de serviços, assistência técnica, elaboração e treinamento de documentação técnica de sistemas de comutação.

> Currículo: Eletricidade e eletrônica; sistemas modulados; comunicações digitais; sistemas telefônicos fixos e móveis.

> Empregadores: Empresas de telefonia fixa e móvel, empresas de radiodifusão, indústrias de telecomunicações, agências reguladoras e provedores de internet, laboratórios de desenvolvimento e pesquisa.

> Infra-estrutura: Biblioteca com acervo específico e atualizado; laboratórios de antenas, eletricidade e eletrônica, informática com programas específicos, sistemas ópticos, telecomunicações, telefonia.

 
Técnico em Sistemas de Transmissão

> Atribuições: Atua no dimensionamento, instalação, operação e manutenção de equipamentos de telecomunicações e telemática, sobretudo nos meios de transmissão, sejam eles por fibras ópticas, cabos metálicos ou via rádio. Pode ainda atuar na prestação de serviços, assistência técnica, treinamento e elaboração de documentação técnica de sistemas de transmissão.

> Currículo: Eletricidade e eletrônica; sistemas modulados; protocolos de comunicação; redes de comunicação; comunicações digitais e meios de transmissão.

> Empregadores: Empresas de telefonia fixa e móvel, empresas de radiodifusão, indústrias de telecomunicações, agências reguladoras e provedores de internet, laboratórios de desenvolvimento e pesquisa.

> Infra-estrutura: Biblioteca com acervo específico e atualizado; laboratórios de antenas, eletricidade e eletrônica, informática com programas específicos, redes de comunicação, sistemas ópticos, telecomunicações.

 
Técnico em Telecomunicações

> Atribuições: Participa da elaboração de projetos de telecomunicação. Atua na instalação, operação e manutenção de sistemas de telecomunicações e de telemática. Supervisiona os procedimentos adotados nos serviços de comunicações atendendo a regulamentação específica.

> Currículo: Eletricidade: eletrônica; protocolos de comunicação; redes de comunicação; comunicações analógicas; comunicações digitais.; meios de transmissão; sistemas telefônicos fixos e móveis.

> Empregadores: Empresas de telefonia fixa e móvel, empresas de radiodifusão, indústrias de telecomunicações, agências reguladoras e provedores de internet, empresas de prestação de serviços e assistência técnica.

> Infra-estrutura: Biblioteca com acervo específico e atualizado; laboratórios de antenas, eletricidade e eletrônica, informática com programas específicos, redes de comunicação, sistemas ópticos, telecomunicações, telefonia.

Links:

Ministério da Educação
Cadastro Nacional de Cursos Técnicos – MEC
Ministério da Ciência e Tecnologia
Centros Vocacionais Tecnológicos – MCT
BRQ
Vale
Brasscom
Senai
Centro Paula Souza

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Repercussão entre os participantes

Participantes parabenizam o Congresso
O III Congresso Ibero-Americano termina deixando nos participantes a sensação de “quero mais”. Foram conferências, relatos de experiências, mesas-redondas, painéis e oficinas pelas quais passaram mais de 1,5 mil educadores. Higino Vieira foi um deles: ?Participar desse Congresso serve para nosso aprimoramento e nos ajuda a desenvolver um telecentro?.

Para o professor da rede pública e representante da Ong “Centro Espírita O Consolador”, em Maceió, participar do III Congresso teve um gostinho especial. Em 2005, a Ong que ele representa foi contemplada com o Prêmio Itaú Unicef, categoria regional, pelo desenvolvimento do Projeto Criança Integrada. O Prêmio é coordenado pelo Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária), que também coordena o EducaRede no Brasil. Higino faz um balanço do Congresso: ?De tudo que ouvi nesses dois dias, o que chamou muito a minha atenção foi ouvir falar da valorização da cultura, das oportunidades de se comunicar no mundo virtual e, o mais importante, sobre a inclusão digital, tão prometida nesse país?.
(Júnior Alves)

Leia os comentários dos professores da rede pública do Estado de São Paulo que participam do projeto Coisas Boas Para Minha Terra e estiveram no III Congresso Ibero-Americano EducaRede:
“Fiquei perplexa pela imensidão do III Congresso com relação à organização, qualidade das exposições, pelos palestrantes tão eficientes, comprometidos com a Educação, dispostos a nos dar suporte e pelo tratamento dedicado aos professores, pois em poucas ocasiões nos dão tratamento tão especial que valorizam o nosso trabalho e propiciam que nossa auto-estima seja resgatada de forma satisfatória, afinal somos pessoas que também precisam de reconhecimento. Obrigada a todos os envolvidos por colaborarem para a realização desse maravilhoso e inesquecível evento.”
Aparecida de Almeida Silva ? E.E. Profª Maria Elena Colonia (Mauá)

“Foi ótimo! Recebemos uma quantidade enorme de informações, mas valeu a pena. Se eu conseguir aplicar 10% de tudo o que eu ouvi por lá, me sentirei realizada, porque sei que vou deixar multiplicadores para que nossas aulas, no futuro, sejam bem mais dinâmicas. Até eu entrar no projeto Coisas Boas da Minha Terra eu tinha o maior medo de ligar um computador, não navegava pela rede, o que muitas vezes me deixava mal, por me achar desatualizada. Mas o EducaRede apareceu do nada e me fez perder o medo e também correr atrás daquilo que eu queria aprender. Hoje posso lhes garantir que sou a maior entusiasta do uso da Internet em minha escola. Parabéns ao pessoal do EducaRede, mais uma vez valeu. Obrigada pelo trabalho de vocês.”
Regina Braga ? E.E. Canuto do Val (São Paulo)

“Foi uma experiência de um valor inestimável, que com certeza vai contribuir muito para melhorar minhas práticas pedagógicas em sala de aula. Os avanços das novas tecnologias e o perfil dos alunos nesta fase contemporânea têm despertado minha atenção. É por isso que estou buscando novos caminhos e experiências que possam me ajudar a contribuir com uma Educação de qualidade.”
Orminda Noronha Brito ? E.E. Ver. Valter da Silva Costa (Itaquaquecetuba)

“Parabéns a toda equipe que participou direta e indiretamente da organização do Congresso. O tema foi muito bem abordado, a tarefa de lançar propostas em ações que são capazes de provocar reflexões sobre a prática do uso de redes de comunicação e da multimídia só nos faz refletir que precisamos nos ‘plugar’ e não nos ‘deletar’.”
Maria de L. de M. Pezzuol ? E.E.Ver. Narciso Yague Guimarães (Mogi das Cruzes)

Professores trabalham o tema com os alunos


Eleições na escola

Textos disponíveis no portal ajudam a
preparar atividades sobre o assunto

Aí vêm elas mais uma vez. Para saber se os professores pretendiam levar o tema novamente para a sala de aula, o EducaRede lançou uma enquete durante duas semanas. O resultado trouxe 80% dos votos para a opção “sim”. Diante do placar arrasador, o Portal selecionou textos para serem trabalhados em aula.

Nas últimas eleições, ocorridas em 2002, foi publicada uma série de reportagens sobre voto consciente e pesquisa eleitoral que continuam sendo úteis para o trabalho do professor no atual pleito, dando dicas e aprofundando as discussões, ajudando-o nas atividades em sala de aula.

Destaque também para o tema Cidadania na seção O Assunto É e relato de projetos pedagógicos na seção Internet & Cia (ver quadro ao lado). Para este ano, foi reativado o Fórum sobre Eleições, com o objetivo de promover a troca de experiência sobre como a escola pode incentivar a participação dos jovens nos debates.

Alguns professores internautas destacaram a importäncia do tema para a formação do espírito crítico dos alunos. Sugeriram a abordagem do assunto em sala de aula de forma lúdica, para provocar interesse e facilitar a compreensão:

POR QUE ABORDAR AS ELEIÇÕES?

É o assunto do momento

?Os próprios alunos levantaram o tema durante uma discussão para a escolha da pauta de entrevistas do jornal que preparávamos. A curiosidade foi maior. Várias perguntas foram surgindo e ficou decidido que eles entrevistariam candidatos, para saber o que estavam oferecendo, e cidadãos, para descobrir o que esperavam?.


Profª Wendy Lucia Satiko Shinomya Ravagnani
Escola Estadual ?21 de Abril? ? Lins (SP)

A escola tem de orientar

?Vimos que precisávamos aproveitar o momento (…). Muitos jovens já votam e as informações dadas pela mídia não são suficientes e, muitas vezes, são deturpadas. Reunimos textos para discussão e tentaremos fazer um debate com os candidatos a vereador do bairro. Temos de orientar?.

Prof. Jerônimo Ramos Maia
Colégio Estadual José Augusto Tourinho Dantas – Salvador (BA)

Os alunos votam

?Muitos jovens já podem votar. Mas falam que não vão porque não entendem nada. Temos de explicar e mostrar a importância do voto, mesmo sendo facultativo. Afinal, eles mesmos serão beneficiários do bom ou mau governo que terão pela frente“.

Prof. Renato Santos
Escola Estadual Deputado Maurício Goulart – Guarulhos (SP)

O aluno também é cidadão

?Todo período eleitoral eu faço isso. Não tem jeito, é questão de cidadania. Toda vez que eu discuto o tema, sempre incentivo os alunos a levarem o assunto para os pais. Também peço para que façam os exercícios com eles (…) Temos de fazê-los curtir, trabalhando de forma lúdica… Fazê-los entender que estão participando de um processo?.

Prof. José Aparecido da Silva
Escola Estadual Hélios Heber Lino – São Paulo (SP)


(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Pesquisa “Bullying no Ambiente Escolar”: raio-x da violência escolar

Pesquisa “Bullying no Ambiente Escolar” apresenta raio-x das agressões entre estudantes brasileiros

Dados do estudo foram coletados em 2009 pela Plan Brasil, e contou com a participação de 5.168 alunos das cinco regiões do país, além de pais/responsáveis, professores e gestores de escolas

O bullying é uma prática cada vez mais comum entre crianças, jovens e adolescentes em ambiente escolar. O termo surge a partir da palavra “bully”, de origem inglesa, que significa “valentão”, e se caracteriza por atos repetitivos – superior a três vezes durante o ano letivo – de agressão contra alguém, seja ela de natureza física, verbal, social ou financeira.

Com o objetivo de conhecer as situações de bullying em escolas brasileiras, a Plan Brasil, organização não-governamental voltada para a defesa dos direitos da infância, iniciou, em 2009, a pesquisa Bullying no Ambiente Escolar, um levantamento de dados inédito que permitiu conhecer as situações de maus tratos nas relações entre estudantes dentro da escola, nas cinco regiões do país. Participaram da pesquisa 5.168 alunos, além de pais/responsáveis, professores e gestores de escolas. O estudo foi concluído em 2010.

Os resultados do estudo servirão de insumos para ações da campanha “Aprender sem Medo”, com objetivo de estimular a promoção de políticas mais eficientes na prevenção de crimes e na justiça criminal no mundo inteiro.

O que retratam os números da pesquisa

Atos violentos entre estudantes é mais comum do que se imagina. A cada dez estudantes que preencheram um questionário elaborado pela Plan, sete responderam já ter presenciado cenas de agressões entre colegas. O bullying – agressão a uma mesma pessoa superior a três vezes durante o ano letivo – foi praticado e sofrido por 10% do total de alunos pesquisados. O estudo mostra ainda que a prática é mais comum nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do país e que a incidência maior está entre os adolescentes na faixa de 11 a 15 anos de idade, alocados na 6ª série do Ensino Fundamental.

Em relação a gênero, a pesquisa mostra que é maior o número de vitimas do sexo masculino: mais de 34,5% dos meninos pesquisados sofreram maus tratos ao menos uma vez no ano letivo de 2009, sendo 12,5% vitimas de bullying. Apesar das altas frequências de práticas violentas, os alunos do sexo masculino pesquisados tendem a minimizar a gravidade dessas ocorrências, alegando que foram brincadeiras de mau gosto ou que não dão importância aos fatos porque os colegas não merecem essa consideração.

Já as meninas que sofreram maus tratos ao menos uma vez durante o ano de 2009 (23,9% da amostra de meninas pesquisada) ou tornaram-se vítimas de bullying (7,6% dessa mesma amostra) apresentam outro padrão de resposta às agressões sofridas, manifestando sentimentos de tristeza, mágoa e aborrecimento.

Agressões também acontecem além dos muros da escola: Ciberbullying

Quanto ao bullying no ambiente virtual – conhecido como Ciberbullying – os dados revelam que 16,8% dos pesquisados são vítimas, 17,7% são praticantes e apenas 3,5% são vítimas e praticantes ao mesmo tempo. Independentemente da idade das vítimas, o envio de e-mails maldosos é o tipo de agressão mais frequente, sendo praticado com maior frequência pelos alunos pesquisados do sexo masculino. Entre as meninas pesquisadas, o uso de ferramentas e de sites de relacionamento são as formas mais utilizadas. Tanto no ambiente virtual como no ambiente escolar, as vítimas tendem a não reagir aos atos sofridos e apresentam sentimentos de desconforto, apatia, irritabilidade e tristeza.

Quais fatores motivam a prática do Bullying?

Os estudantes tiveram dificuldades para indicar os motivos das agressões. No entanto, tendem a considerar que os agressores buscam obter popularidade junto aos colegas, que necessitam ser aceitos pelo grupo e se sentirem poderosos em relação aos demais, tendo esse “status” reconhecido na medida em que seus atos são observados e, de certa forma, consentidos pela omissão e falta de reação dos atores envolvidos. Nos discursos dos alunos também se observa a ênfase em outra característica do perfil dos agressores, que é a ausência de medo da punição.

Já as vítimas são sempre descritas como pessoas que apresentam alguma diferença em relação aos demais colegas, como um traço físico marcante, algum tipo de necessidade especial, o uso de vestimentas consideradas diferentes, a posse de objetos ou o consumo de bens indicativos de status sócioeconômico superior ao dos demais alunos. Elas são vistas como pessoas tímidas, inseguras e passivas, o que faz com que os agressores as considerem merecedoras das agressões, dado seu comportamento frágil e inibido.

As consequências do Bullying

O que pode acontecer com as vítimas das agressões? Segundo a pesquisa, a perda do entusiasmo, seguida pela perda da concentração e, por fim, o medo de frequentar a escola. Os dados mostram um maior impacto desse tipo de violência justamente no processo de aprendizagem e no desenvolvimento escolar das vítimas. Tal conclusão vai ao encontro dos discursos dos professores e equipe técnica das escolas, captados na etapa qualitativa do estudo.

E em relação aos agressores, quais são as consequências do Bullying? Um dos dados mais relevantes da pesquisa é que o agressor também tem seu desenvolvimento escolar e aprendizagem afetados negativamente pela prática da violência. Perda de concentração é um dos fatores que apareceram nas respostas. A prática dos maus tratos é, portanto, negativa para a vida escolar das vítimas e dos agressores, atingindo os dois grupos da mesma forma.

As escolas estão preparadas para lidar com situações violentas?

O estudo demonstra que há despreparo da maioria das escolas pesquisadas para reduzir ou eliminar a ocorrência de situações de violência escolar, de acordo com os professores pesquisados. Isso se deve à escassez de recursos materiais e humanos, bem como à falta de capacitação dos professores e equipes técnicas das escolas.

Como professores e equipes técnicas tendem a achar que as causas da violência entre alunos são exteriores à escola – localizadas na família ou na sociedade em geral – são poucas as ações institucionais com foco no combate à violência entre os alunos relatadas pelos docentes. De acordo com os discursos dos professores, as ações mais comuns tomadas pelas escolas são pontuais e direcionadas especificamente aos agressores.

Em regra, o que as escolas fazem é punir os agressores com suspensões e advertências e/ou chamar os pais dos agressores para conversas com os educadores e equipe técnica escolar.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

O fenômeno bullying

O fenômeno bullying

 

A seguir, apresentamos uma resenha do capítulo sobre bullying do livro La comunicación con los padres (A comunicação com os pais, em português), do professor argentino Rolando Martiñá, especialista em orientação familiar. Ao final do texto, é possível acessar o capítulo inteiro em formato PDF. Sugerimos também o vídeo Palavras que machucam, que ilustra bem a problemática.

“Não quero ir pra escola…” pode ser a primeira manifestação de que uma criança está com algum problema. Em ocasiões acompanhadas de sinais, tais como dores imprecisas, mal-estares diversos ou dificuldades de sair da cama, a frase, no entanto, costuma aludir a um tipo de coisa que não tem a ver com a próxima prova de Matemática ou com as exigências da professora de Geografia e, sim, com algo que para as crianças e os jovens costuma ser vivencialmente mais importante: a relação com os pares.
Na realidade, muitas vezes o sinal de reticências seria completado – se a criança tivesse coragem – pela explicação “porque estão tornando a minha vida impossível ali”.

O fenômeno da violência escolar (bullying, em inglês), também chamado de intimidação, assédio, ameaça ou provocação, está se convertendo em um tema urgente da realidade escolar no mundo todo e se refere, especificamente, aos maus-tratos físicos ou verbais sistemáticos por parte de um ou mais alunos a outro aluno.

Como uma das maiores dificuldades no tratamento deste problema é o segredo que geralmente o cerca, propomos dar luz ao tema, comentá-lo, discuti-lo e, na medida do possível, avançar na tomada de consciênia e na elaboração de estratégias para enfrentá-lo no âmbito familiar e escolar.

Para acessar o capítulo inteiro sobre bullying, do livro La comunicación con los padres, clique aqui.

 

Veja também:
Texto da professora Cleo Fante, autora do livro Bullying Escolar

 

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

 

 

 

Jovens cientistas reúnem-se em premiação

52º Concurso Cientistas de Amanhã


Jovens cientistas reúnem-se em premiação

Quando Elilde de Sousa Almeida, 17 anos, aluna do C.E.E.M. Inácio Koury Gabriel Neto, em Castanhal (PA), enviou o seu projeto “Fenômenos Químicos e Físicos Alterando o Fenótipo do Organismo” para o 52º Concurso Cientistas de Amanhã, mal poderia imaginar para onde o seu trabalho poderia levá-la.

A estudante e outros nove finalistas do concurso promovido pelo IBECC/UNESCO – Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura, e que acontece anualmente desde 1957, foram convidados a apresentar os respectivos projetos na 61ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), ocorrida em Manaus (AM) entre os dias 12 e 17 de julho. O evento recebeu um público total de 13 mil pessoas.

“Visitar Manaus e os seus pontos turísticos foi muito bom. Além disso, conhecer outros alunos, orientadores e coordenadores foi um ponto inesquecível do concurso. É uma forma de incentivar os estudantes a fazerem belos trabalhos de iniciação científica”, diz Elilde. Dos dez trabalhos apresentados em Manaus, cinco foram premiados por instituições e ganharam viagens com objetivo cultural e científico. Outros cinco receberam menção honrosa.

Há mais de meio século, o concurso mantém o espírito de revelar talentos científicos do Ensino Fundamental e Médio brasileiro. Pesquisadores reúnem-se com professores e estudantes para encontrar, por meio do evento, uma oportunidade de diálogo e de convivência. O site do Cientistas de Amanhã disponibiliza um histórico que explica a trajetória do concurso nestas cinco décadas de existência.

Veja a lista completa dos finalistas do 52º Concurso Cientistas de Amanhã, em 2009:

Premiados

Prêmio Cientista de Amanhã
Elilde de Sousa Almeida
Castanhal-Pará
Trabalho: Fenômenos químicos e físicos alterando o fenótipo do organismo
Escola: C. E. E. M. Inácio Koury Gabriel Neto
Orientadora: Maridalva Costa Nascimento

Prêmio do Ministério da Educação – MEC
Diego Satoshi Ishiy
São José dos Campos – SP
Trabalho: Balão de estudos atmosféricos III – Elaborado em conjunto com Guilherme Flora Grespan
Escola: Clube de Ciências Quark
Orientador: Marcelo M. Fares Saba

Prêmio da Sociedade Científica de Estudos da Arte – CESA
Rafaelli Cristina Amaral
Campo Mourão – PR
Trabalho: A ideologia capitalista que permeia a propaganda erótica – Elaborado em conjunto com Giordana Urize Paiva
Escola: Colégio Vicentino Santa Cruz
Orientadora: Maria Natália Marques Fabro

Prêmio da Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ
Ana Cláudia Breitkreitz Fernandes
Mamborê – PR
Trabalho: Distribuição de Araucaria angustifolia (Bert.) Kuntze, Cedrela fissilis Vell. e Melia azedarach L. na vegetação riparia em um afluente da bacia hidrográfica do rio Gavião – Mamborê/PR
Escola: Colégio Estadual João XXIII – Ensino Médio
Orientador: Mauro Parolin

Prêmio Contribuição à Sustentabilidade Socioambiental
Fábio Soares dos Santos
Belo Horizonte – MG
Trabalho: Aspectos ecológicos da propagação de Polygonum L. (polygonaceae) ocorrentes nas margens do reservatório da Pampulha – Belo Horizonte, MG, Brasil
Escola: Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG)
Orientadora: Andréa Rodrigues Marques Guimarães

Menções Honrosas

Clara Maria Rangel de Freitas Moreira
Paraibuna – SP
Trabalho: Patrimônio histórico e cultural do Bairro Remedinho dos Prazeres, Paraibuna, SP
Escola: Instituto H&H Fauser
Orientadora: Milena Antunes Mendes de Camargo

Felipe Augusto Vitoriano
São João Del Rey – MG
Trabalho: Dispositivo eletrônico com sensor de umidade para acionamento de sistemas de irrigação
Escola: Escola de Educação Básica e Profissional Dona Sinhá Neves
Orientador: Waldir Alves Pereira Junior

Queren Correia de Carvalho
Mauá – SP
Trabalho: Seleção genética e caracterização histopatológica de modelo murino para distrofia muscular congênita
Escola: EE Maria Expedita Silva
Orientadora: Mariz Vainzof

Schaika Barg Pinto
São Paulo – SP
Trabalho: Os nazistas na América Latina: o refúgio dos nazistas após o término da II Guerra Mundial
Escola: Colégio I. L. Peretz
Orientadora: Denise Hasbani

Wellington Gabriel Barboza de Oliveira
Campo Mourão – Paraná
Trabalho: Avaliação da atividade do extrato bruto seco de Stryphnodendron adstringens (Mart.) Coville no combate ao microrganismo Pseudomonas aeruginosa. Elaborado em conjunto com: Nabila Romara Derr, Tailon Henrique Ribeiro e Caio Luiz de Queiroz Srutkoske
Escola: Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Campus Campo Mourão
Orientadores: José Hilton Bernardino de Araujo (orientador), Bruna da Graça Martins, Diogo Moreira Gonçalves (co-orientadores)

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Grupo de Estudos Online vislumbra crescimento em 2011

Grupo de Estudos Online comemora início bem-sucedido e vislumbra crescimento em 2011

 

Por Giulliana Bianconi

 

 

Continuidade. Esta é a palavra-chave para o Grupo de Estudos Online Educar na Cultura Digital em 2011, o qual já passou, nos seus primeiros quatro meses de atividade, pelos desafios de ser “aprovado” pelo público com o qual busca conversar e estabelecer uma dinâmica um tanto inovadora.

Desde agosto, educadores e profissionais diretamente relacionados à educação se fazem presentes com entusiasmo na plataforma de discussões online, e muitos demonstram forte comprometimento, participando dos fóruns, realizando as atividades propostas e compartilhando informações e inquietações. Tão relevante quanto a disposição dos participantes foi a adaptação deles ao ambiente da plataforma Moodle em que o Grupo de Estudos Online foi construído.

Este ambiente foi pensado pelas Fundações Telefônica e Santillana para se afastar de um modelo de “curso a distância” e se aproximar de uma proposta na qual a hierarquia é dispensada, assim como a linearidade dos temas propostos para a discussão. É um modelo que busca inovação, pois o que importa, no Grupo de Estudos, é a vontade dos participantes de entender e explorar a cultura digital, independentemente do quanto saibam sobre esta cultura ou do quanto ela já seja contemplada nos processos educativos dos quais esses profissionais, de alguma forma, participam.

Para o diretor-presidente da Fundação Telefônica, Sérgio Mindlin, a estratégia de parceria com Santillana para a criação do Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital se mostrou acertada, dentre outros pontos, porque possibilitou uma mobilização mais ampla de professores e públicos de relacionamento de ambas as fundações, envolvidas com a educação. “O Grupo de Estudos é uma ampliação da nossa atuação, e isso é possível graças a todo o aprendizado acumulado, bem como à consolidação dos conhecimentos do Programa EducaRede“, disse Mindlin.

Esta “expertise” da Fundação Telefônica em educação, aliás, é apontada por Mindlin como um aspecto que se soma ao potencial de crescimento do Grupo de Estudos Online. O diretor-presidente observa ainda que a comunidade educativa que pode participar desse debate é muito ampla, o que também favorece o crescimento do Grupo.

Em 2011, novas ações serão comunicadas aos participantes. O ambiente de discussão online passará, nos meses de janeiro e fevereiro, por uma reestruturação: ganhará novos conteúdos e atividades.

Números e dinâmicas

No início deste mês de dezembro, quando as inscrições para o Grupo de Estudos Online foram fechadas devido à reestruturação desse espaço virtual, 2.325 participantes já estavam registrados e todos os estados brasileiros já tinham os seus “representantes no ambiente”. Embora São Paulo seja dominante na composição do Grupo, Estados como Bahia, Ceará, Minas Gerais e Rio de Janeiro se fazem presentes com um número expressivo de inscritos.

Ao longo desses quatro meses de atividades, iniciados com um debate na Bienal do Livro que contou com a presença dos convidados Léa Fagundes, Rodrigo Nejm e André Lemos, os participantes do Grupo de Estudos discutiram cinco temas: “O Mundo Digital”, “Gerações Interativas”, “Aprendizagem na Cultura Digital”, “Inovação Pedagógica” e “Avaliação em TICs”. Apenas no primeiro destes,  “O Mundo Digital”, foram mais de 14 mil visualizações e comentários, ao longo de 4 meses.

Os temas foram desdobrados e, por vezes, tratados nas redes sociais, nos perfis e comunidades do Grupo de Estudos, o qual se faz presente no Twitter, Facebook, Orkut e YouTube. Também puderam ser discutidos, de forma dinâmica e interativa, nos programas da TV Web Educar na Cultura Digital – foram cinco edições ao longo do ano – que prezaram pela participação dos internautas. Em todos os programas, foram abertos chats durante a transmissão ao vivo, e os perfis do Grupo de Estudos e do EducaRede Brasil no Twitter mediaram perguntas e comentários recebidos nesta rede.

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

José Manuel Moran

“Precisamos aprender o que conservar e o que mudar” diante das tecnologias


Em seu texto “As mudanças perto de nós”, o senhor afirma que: “A humanidade sempre aprendeu a conviver com inovações, mas atualmente a sucessão delas é alucinante e a quantidade de implicações, freqüentemente desconhecida”. Em Educação, já podemos listar algumas dessas implicações?

 

O professor aposentado pela Escola de Comunicações e Artes da USP, e diretor da Faculdade Sumaré, José Manuel Moran, conversou com os internautas do Portal EducaRede na última terça-feira (06/11). A sala de chat ficou cheia neste animado bate-papo, em que foram abordados diversos assuntos, principalmente ligados à tecnologia, área em que Moran pesquisa. A capacitação e motivação dos professores para lidarem com as inovações tecnológicas, o Ensino a Distância, a mediação e o uso dos blogs como ferramenta pedagógica estão entre os temas. Confira abaixo trechos do encontro virtual:


Renata

Moran Estamos um pouco perdidos, porque não basta mudar por mudar. Precisamos aprender o que conservar e o que mudar. Educar é sempre um processo humano, de relação entre pessoas, hoje mais mediado por tecnologias. Isso não é simples, porque implica repensar a forma de organizar o processo a que estávamos acostumados.

Profª Lu LinneuConcordo com você que a inovação incomoda aos que não querem mudar suas práticas. Mas como motivá-los a participar e se envolver em projetos novos?

Moran Envolver os outros tecnologicamente é um processo longo, que demora no mínimo dois anos até a apropriação pedagógica. O importante é mostrar resultados e fazer a iniciação tecnológica com grande afetividade e carinho. Alguns professores só falam das tecnologias em si, mas temos que falar também dos encontros, da aprendizagem humana com tecnologias.

Tiago EmmanuelComo é possível utilizar a tecnologia para melhorar a qualidade do ensino nas escolas públicas? Percebe-se uma grande defasagem dos professores em relação aos alunos quando o assunto é o acesso à informática.

Moran – Acesso e capacitação contínua é o caminho. Começam a ser implantados projetos mais consistentes dos governos (nos três níveis) para que as escolas públicas estejam conectadas, tenham mais computadores em rede, façam cursos de formação de professores, além do projeto de um computador popular para cada aluno.

Josiene VilelaComo mudar a metodologia enraizada na prática docente? E como vencer a resistência dos professores?

Moran A metodologia focada em conteúdo e no professor está dentro do DNA da escola e de todos nós, porque é o caminho que conhecemos até agora. A mudança se dá por experiências de grupos e pelo apoio de gestores inovadores. Precisamos juntar-nos aos professores inovadores e aos gestores inovadores.

Miguel Podemos falar em ganhos qualitativos com a utilização das novas tecnologias, principalmente na Educação Fundamental?

Moran Até agora conseguimos ganhos parciais no uso das tecnologias, porque também sua utilização foi parcial. O ganho fundamental se dá quando avançamos na integração do humano, do emocional e do ético, junto com o tecnológico. Essa integração tem sido deficiente, mas creio que estamos caminhando para situações melhores.

Nice Fale um pouco sobre as relações de ensino e aprendizagem que essa nova tecnologia (computador e Internet) está criando em sala de aula?

Moran – O computador e a Internet podem ser utilizados em contextos diferentes, isto é, podem reforçar o ensino convencional ou servir de apoio para situações mais ricas, focadas em aprendizagem significativa, colaborativa e baseada em pesquisa e projetos. Acredito que estamos caminhando para esta nova dimensão, mas não é fácil, muitos ainda não reconhecem a importância de trazer estas tecnologias para dentro da escola.

Vinni Meu nome é Vinicius. Sou aluno–monitor da escola Linneu Prestes. Quero saber do senhor quais tecnologias o aluno tem que ter para estar no mundo globalizado?

Moran As tecnologias que precisamos são todas, as simples e as mais sofisticadas. As melhores são as possíveis no momento. Podendo escolher, vale a pena utilizar as que sensibilizam o aluno, como a Internet, o celular, o podcast (programas digitais sonoros), os blogs e tantas outras.

Ana Estou fazendo minha monografia na área de tecnologia. Diante de tantas inovações, qual o maior desafio enfrentado hoje pelos professores?

Moran – O maior desafio é entrar em sintonia com os alunos, sensibilizá-los, atraí-los, torná-los parceiros, despertar neles o desejo de aprender. Feito isso, é facil utilizar as tecnologias e qualquer técnica.

Domingos O senhor acredita na Educação brasileira da forma como vem sendo realizada na escola pública, com as séries cada vez mais reduzidas e os professores ensinado pouco e os alunos nada estudando?

Moran Eu acredito que a Educação tende a melhorar na medida em que todos estamos mais conscientes da sua importância para mudar o país, mas isso não se faz num passe de mágica; é preciso muito esforço integrado e várias décadas.

Kelly A utilização das TICs nas escolas públicas poderão se tornar uma breve e prazerosa realidade. Qual sua opinião a respeito?

Moran Vejo com esperança o avanço da escola pública na integração das tecnologias. No próximo ano, 300 escolas estarão totalmente conectadas com os computadores populares na sala de aula; em 2009 esse número será muito maior.

Evanildo É sabido que as modernas tecnologias se tornaram ferramentas indispensáveis à Educação em todo o mundo. O senhor acredita que nós já estamos acompanhando as mudanças exigidas pelas modernas tecnologias?

Moran Estamos muito aquém do que precisamos. O Brasil é muito desigual e contraditório. Há grupos extremamente avançados tecnologicamente e outros muitos excluídos. Tendemos a melhorar, mas depende de cada um de nós.

Ana Maria Gosto muito da utilização de multimídias. Porém, um dos problemas é justamente o uso da sala de informática. Um projeto que trabalhe Matemática, por exemplo, requer várias horas com muitas turmas diferentes e variados programas. A escola pública ainda não é capaz de oferecer a nós, docentes, uma infra-estrutura para isso. Como melhorar as condições do uso dos equipamentos como política educacional, e não somente para dizer que há uma sala de informática nas escolas?

Moran Concordo com a dificuldade da utilização do laboratório. Caminhamos para a escola conectada (salas de aula conectadas, ambientes de redes sem fio) e não só o laboratório. Isso trará grandes mudanças para as possibilidades de flexibilização dos processos de ensino e aprendizagem.

Cláudia Os alunos que temos hoje dentro da sala de aula se encaixam no perfil dos alunos co-pesquisadores, ativos no processo do seu próprio aprendizado, citados em seus textos? A transição dos nossos alunos para aqueles dos textos será rápida?

Moran – O aluno chega motivado à escola quando pequeno e, com o passar do tempo, se desmotiva. Por que será? O que oferecemos é o que ele espera e da forma que ele precisa? Há um divórcio profundo nas propostas de ensino com as formas usuais de aprender, e se não quebrarmos esse fosso, a desmotivação será cada vez maior.

Marcos AurélioComo será a escola do futuro? Qual será a real participação do professor nesta nova escola?

Moran A escola do futuro será um conjunto de espaços e tempos, mais flexíveis nas propostas, mas sempre com a mediação de professores humanistas, confiáveis e competentes. O que faz uma boa escola são os bons profissionais, professores competentes e motivados. As tecnologias permitem que a informação seja acessada pelo aluno de qualquer lugar, mas a aprendizagem contextualizada, ao menos no começo, depende da mediação dos professores.

Fernanda Eu moro em Jales e estou cursando Pedagogia na modalidade a distância pela UFSCar. Estou estudando vários textos seus e experimentando suas idéias na prática. É realmente inovador e motivador. Também sou professora de Matemática no Ensino Fundamental. Como eu poderia, sem muitos recursos, transformar minhas aulas em aulas-pesquisa. No Ensino Fundamental isto é possível?

Moran Obrigado por colocar em prática algumas das idéias dos textos. Em qualquer situação é possível focar a pesquisa, o desenvolvimento de atividades, de projetos. O material pode ser diferente, ou a forma. Mesmo sem acesso à Internet é possível focar essa aprendizagem ativa e colaborativa.

Fábio Em seu texto “A Educação que desejamos”, aparece o conceito “aulas-pesquisa”. O senhor poderia falar um pouco sobre esse conceito?

Moran São aulas em que o fundamental não é o professor passar a informação, mas organizar situações em que os alunos, individualmente ou em pequenos grupos, busquem a informação (com a mediação do professor) e a contextualizem, a reelaborem, a comuniquem para todos, e a apliquem à sua realidade. Por isso o papel do professor é importante, não tanto como falante, mas como mediador.

Solange/Mogi Mirim Sou ATP no Núcleo de Informática e desenvolvo, em conjunto com meu grupo, uma proposta de Rádio Web no curso de Especialização de Tecnologia em Educação, pela PUC–Rio, para escolas de tempo integral, como recurso de interação do currículo comum e oficinas. Nosso trabalho tem como embasamento idéias para desenvolvimento de habilidades e competências dos alunos. Gostaria de conhecer o seu ponto a esse respeito, já que o senhor foi um de nossos motivadores.

Moran Fico feliz com a proposta de Rádio Web. Os alunos gostam de falar, de integrar música e voz, além de divulgar isso para todos. O rádio, nas suas várias modalidades, é barato e permite a integração de conteúdos e a motivação dos alunos. Continuem avançando no projeto.

Santos Quando falamos em produzir conhecimento coletivamente, percebo que existe o silêncio virtual. As postagens em ambientes virtuais de aprendizagem/interação por meio de debates pelos fóruns ou listas de discussão por e-mail, são mínimas. Como instigar o aluno para uma participação mais ativa?

Moran Há silêncios preocupantes e silêncios estimulantes. Existem pessoas que observam, meditam, mas nem sempre contribuem tanto quanto outras. Elas aprendem bastante, mesmo com interação pequena. Concordo com o seu receio pela falta de exposição de muitos em ambientes virtuais, além da falta de cultura da escrita em muitos professores e alunos. A escrita deixa um registro permanente e muitos não gostam de se expor. A cultura se cria com a prática, com o incentivo e com temáticas interessantes para o aluno. Nós escrevemos mais facilmente sobre temas que conhecemos bem, como, por exemplo, futebol, não é verdade?

Prof. PedroO senhor tem um blog, o Educação Inovadora, que se apresenta como uma ferramenta para dialogar sobre as grandes mudanças que estão acontecendo na Educação em todos os seus níveis. Qual sua opinião sobre o uso de blogs como ferramenta pedagógica?

Moran O blog é uma página mais dinâmica, porque as pessoas podem opinar sobre os assuntos postados. É fácil de escrever, atualizar, ilustrar e comentar. Parece-me um recurso muito rico para a aprendizagem. Eu combino uma página mais fixa com textos prontos e o blog, com uma possibilidade maior de interação.

Julieta Gouveia Estou aprendendo agora sobre as novas TICs. Quais as principais ferramentas para uma aprendizagem tecnológica?

Moran Sucesso em sua aprendizagem tecnológica! As ferramentas são as possíveis na sua situação. Vídeo, cd, softwares interessantes, saber pesquisar na Internet, organizar um ambiente de grupos na Internet, criar um blog, fazer um programa de rádio e daí por adiante, até dominar um ambiente de aprendizagem como o Moodle, por exemplo. Caminhe do simples ao complexo, no seu ritmo e de acordo com suas possibilidades.

MarceloO senhor acha que as ferramentas chat,
em>Msn, e Orkut podem ser utilizadas como forma de ensino nos laboratórios de informática?

Moran Qualquer recurso de comunicação ou página de relacionamento tem suas vantagens e desvantagens. Os programas de comunicação online, como o msn, são úteis para trabalho em grupo, para orientação dos alunos, para tirar dúvidas, mas muitos os utilizam para entretenimento e bate–papo dispersivo. Dependem de como são utilizados. O Orkut também tem sua utilidade, embora as pessoas o vejam mais como um site de relacionamento do que de aprendizagem. Pode ser um espaço inicial de colaboração, mas há muitos outros (páginas de grupo) que se adaptam melhor para o ensino e aprendizagem.

Domingos Como o senhor vê a avalanche de universidades virtuais?

Moran Realmente há uma explosão de universidades virtuais, de cursos a distância, principalmente por teleconferência (satélite e tele-aula). Se, além das aulas, existem atividades, leituras e mediação interessantes, valem a pena. A questão é se temos mediadores (tutores) bem capacitados e remunerados para essa mediação (aqui vejo um problema mal resolvido em muitas destas universidades).

Marcos Maurício Um renomado professor da Educação da USP dizia que as ciências cognitivas eram um emaranhado de disciplinas como Ciência da Computação, Neurolingüística e Semiologia, e que se transformaram em verborréia. O senhor acha que com o surgimento das novas tecnologias na escola as ciências cognitivas voltam a ter importância nas atuais questões sobre Educação?

Moran Educar é ajudar a compreender, a conhecer. As áreas de conhecimento são especializações diante de um conhecimento cada vez mais complexo. Ninguém conhece tudo, mas é importante que tenhamos instrumentos para o conhecimento autônomo, em rede e humilde. Sabemos um pouco, não sabemos muito. A Educação é fundamentalmente a organização de processos cada vez mais ricos de conhecimento. Se não for dessa forma, estaremos nos enganando.

Ângela O senhor concorda que a partir das novas tecnologias conseguimos atrair, sensibilizar e tornar nossos alunos parceiros?

Moran Concordo que a boa utilização das tecnologias nos aproxima dos alunos, mas junto com elas precisamos mostrar que somos pessoas interessantes, abertas e confiáveis. Sem dúvida os alunos estão bem atentos a todas essas possibilidades que as tecnologias nos oferecem.

Marly Entendo que a primeira grande barreira a se transpor é o professor se enxergar novamente como aluno, o que considero algo mais complicado. O professor se tornar aluno de seus alunos.

Moran Quanto mais aprendemos e estamos abertos como alunos, mais facilmente encontraremos formas de ensinar e de orientar os nossos. Quando mais aprendemos, mais podemos contribuir para a aprendizagem de todos.

Grace Estamos caminhando cada vez mais para um mundo virtual. Como essa experiência pode ser positiva tratando-se do Ensino Fundamental?

Moran O mundo virtual é uma extensão do nosso mundo físico, e se integra o tempo todo. Nós estamos agora conectados virtualmente e estamos aprendendo. O Ensino Fundamental precisa dosar o presencial, o contato físico e as atividades virtuais. O aluno pode estar fisicamente na sala de aula e muitas vezes conectado, em grupo e individualmente, pesquisando. Ainda nos falta o acesso fácil a essa realidade conectada. Mas o Ensino Fundamental também integrará a presença física e os ambientes virtuais.

Kelly Percebo em seus textos a forte preocupação em equilibrar o advento das TICs com os valores morais e éticos, porém, vivemos numa sociedade bastante competitiva e individualista. Como nós, educadores, conseguiremos alcançar tal objetivo?

Moran Não é fácil conciliar colaboração e competição, mas é nosso desafio. Podemos ser bons competidores e colaboradores, dependendo do momento, da situação, do contexto. A formação precisa incluir cada vez mais a dimensão colaboradora, o aprender juntos, a troca. Mas a competência pessoal e a capacidade de lidar com conflitos, com as contradições pessoais e sociais também serão cobradas. Temos de encontrar um caminho positivo, de esperança, mesmo diante de um contexto social bastante difícil e violento. Sermos educadores com esperanças e não catastrofistas.

Sabine Como o senhor vê o e-learning coorporativo atual? Como será o futuro desta área na sua opinião? 

Moran Acredito que estamos passando de uma primeira fase, com um e–learning focado em conteúdos prontos para outro focado em competências e colaboração. Há cursos que são instrumentais e basta acessá-los com atenção e há outros em que a mediação é mais necessária, para a aquisição das competências desejadas. As corporações precisam de muita inovação pedagógica também. Há muita mesmice.

Agradeço a todos pelas perguntas tão ricas e variadas. Desculpem-me ter que respondê-las de forma às vezes simplista, pelo tempo e poucas linhas de cada resposta. Vejo em vocês pessoas comprometidas e que estão aprendendo a mudar. Contem comigo no que precisarem e procurarei continuar atualizando a discussão com textos, experiências e incentivo. Obrigado pelo apoio de vocês e continuem avançando, ajudando uns aos outros. Grande abraço para cada um de vocês e até breve.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Uma viagem virtual à Terra do Sol Nascente

Uma viagem virtual à Terra do Sol Nascente

Marcela Trentin Grande, 12 anos, aluna da EMEF General Othelo Franco, em São Paulo, e participante do projeto Nossa Escola tem História, relata a experiência que teve a partir da utilização do e-mail, atividade proposta por sua professora para o projeto

Por José Alves

Manhã de sexta-feira. A distância entre Brasil e Japão continua a mesma, cerca de 18.000 km, o oceano que separa países tão distantes ainda é o Pacífico. A primeira aula de Marcela Grande, no Brasil, era de informática. A professora Silvia Regina de Oliveira chega com um novo trabalho, diz que é para o projeto Nossa Escola tem História, do Portal EducaRede. “Eu tinha que descobrir pessoas que não moram em São Paulo ou que vieram de outra cidade para morar aqui em algum momento da vida”, conta Marcela. “Depois que essa pessoa fosse encontrada, minha missão era conseguir informações básicas sobre sua vida: para onde foi, como foi, como é o lugar onde mora, data de nascimento etc. Pensei em uma amiga da minha mãe que mora no Paraná, mas eu ainda não estava feliz. Foi quando eu lembrei de outra amiga dela que mora no Japão”.

O contato a que Marcela se refere é Andréa Suzuki, 36 anos. Brasileira, casou-se e foi para o Japão para juntar dinheiro. Agora, divorciada, pretende voltar com os filhos ao seu país no final do ano. Essas e muitas outras informações foram passadas durante a troca de e-mails entre Andréa e Marcela. As fotografias que Andréa enviou para Marcela conhecer o Japão mostraram à estudante um país que une tradição e modernidade. Construções arrojadas misturam-se à outras com arquitetura milenar, além de ruas muito arborizadas. A população? Todos com rostos muito parecidos, olhinhos fechados e tons de pele similares. A diferença está na produção individual de cada um dos “parecidos”; muitas cores fortes nas roupas e nos cortes de cabelo pra lá de modernos. Os japoneses mais jovens gostam de acessórios. Muitos brincos, piercings, bolsas, óculos e tudo mais que possa enfeitar os habitantes da “Terra do Sol Nascente”. Segundo Marcela, “foi muito bom para ela, e principalmente para a sua mãe, rever a amiga distante por fotografia, além dos filhos crescidos”. A estudante da 6º série também descobriu o olhar que a “amiga virtual” tem do país em que vive: “Andréa considera o Japão um país muito organizado, com uma boa educação para as crianças e possibilidade constante de emprego, além da facilidade em conseguir comprar produtos que não conseguia no Brasil”. Veja o trabalho escolar da estudante a partir da seleção de algumas fotografias.

Uma troca de e-mails parece algo muito corriqueiro nos dias de hoje, levando em consideração o crescente aumento de computadores nas escolas e residências brasileiras. Parece, mas não é. Nas estatísticas, Marcela Grande faz parte das famílias que possuem computador em casa, mas segundo ela relata, “antes eu só passava e-mail para o meu pai. Eu não tenho impressora em casa e mandava meus trabalhos para ele imprimir. A partir do projeto eu percebi uma nova possibilidade de uso do e-mail. Hoje eu entro em contato com as pessoas, não importa se longe ou perto de mim”. Perguntada se agora o processo de comunicação em ambiente virtual é irreversível, Marcela responde: “a gente sempre quer mais, quer bola pra frente. Eu quero falar com outras pessoas também, usar o e-mail como forma de me comunicar com as pessoas, não somente para enviar ou receber arquivos. Agora, sempre que quer entrar em contato com sua amiga, minha mãe pede que eu envie um e-mail para o Japão”.

 

Memórias e afetividade

E como um projeto com o tema memórias, escopo do Nossa Escola tem História, impacta a estudante? Segundo a própria aluna, “é ótimo porque eu já lembrava da amiga de minha mãe desde quando ela ainda morava no Brasil. O trabalho me aproximou bastante dela, já que eu não me comunicava com ninguém que morasse fora do país. O contato com minhas primas e familiares por e-mail também aumentou”.

Para Silvia Regina de Oliveira, POIE – professor orientador de informática educativa – há 2 anos, “o projeto tem um grande valor porque trouxe a possibilidade de conhecermos as diferentes realidades dos alunos. Para a turma da Marcela, de 6º série, eu procurei encaixar o Nossa Escola tem História com o tema do projeto interdisciplinar da escola, sobre a cidade de São Paulo. Eu uni memórias com São Paulo. Eles tinham que procurar alguém que morou ou que veio morar aqui”. A partir disso, muitas descobertas. A professora Silvia lembra de outros trabalhos que mostravam para ela detalhes sobre a vida de alguns estudantes. “Alguns não têm pai, por exemplo, e os alunos guardam um objeto que traz a lembrança do pai à tona. O projeto trouxe para mim a percepção da afetividade que existe nas pessoas, afetividade essa ligada à memória das situações vividas na história de cada indivíduo”.

 

Valor na formação escolar

Marcela Grande acredita que a Internet tem um grande valor na sua formação escolar, principalmente no que se refere à pesquisa de temas propostos em sala de aula, ” o professor chega na escola e pede para a turma pesquisar um tema. Eu uso os buscadores – Google, Cadê – e monto o trabalho com as informações que encontrei, em seguida passo para o word e mando o arquivo por e-mail para o meu pai imprimir”.

Além da pesquisa escolar, a estudante usa a Internet para jogar e pesquisar paisagens para colocar como papel de parede em seu computador. A professora Silvia, orgulhosa de sua aluna, diz: “a Marcela me surpreendeu porque foi além do que eu pedi, caminhou para adiante. Quando eu pensei na proposta, imaginava que só aparecessem pessoas que vieram da Europa e que morassem aqui, já que somos um país que recebeu muitos imigrantes. Ela, por conta própria, foi atrás de alguém que está muito distante. A Internet possibilita às pessoas caminharem para longe”. É verdade, professora, a Marcela, como exemplo, atravessou o planeta em um clique no mouse.

 

Projeto Nossa Escola tem História

Realizado pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, em parceria com o Museu da Pessoa e o EducaRede, o projeto atende a 168 escolas no município e foca no desenvolvimento e realização do tema memória, envolvendo a pesquisa, comunicação e publicação na Internet. As publicações são feitas na comunidade virtual que o projeto tem dentro do Portal EducaRede.

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)