Verde que te quero ver diversificar

Verde que te quero ver
Diversificar

Veja como é possível substituir os desenhos simplificados
e empobrecidos por uma diversidade de encher os olhos

Renata Cristina de Campos Honora
Revista avisa lá

Comecei a trabalhar na Escola Municipal de Educação Infantil Maria José Dupré (São Paulo) em agosto de 2002. Como professora recém-chegada, precisava conhecer melhor as crianças e o que elas sabiam, por isso planejei momentos para que elas desenhassem utilizando os recursos que conheciam. Ao analisar os resultados, chamou-me a atenção, em especial, a produção do 3º estágio F, um grupo de 35 crianças com 6 anos de idade. Observei que a maioria fazia casinhas e árvores estereotipadas.

Diante de uma produção tão empobrecida, procurei pelos trabalhos anteriores e constatei que elas estavam habituadas a pintar desenhos “prontos”, mimeografados, ou a fazer desenhos livres. Havia, pois, a necessidade de elas explorarem e desenvolverem o universo gráfico. Então planejei ações até o final do ano letivo com vistas a alguma aprendizagem na área. Uni essa necessidade ao interesse das crianças em observar, manusear e colecionar sementes de árvores que crescem ao lado do muro da escola. Daí surgiram momentos para despertar a sensibilidade delas com relação à importância da preservação do meio ambiente, para a vida do planeta e a de todos nós, para ampliar e enriquecer as possibilidades de registros através do desenho.

Um percurso de trabalho

O projeto durou três meses, e seu desenvolvimento previu diferentes etapas destinadas:

:: Rodas de conversa
No decorrer do projeto, as rodas de conversa estiveram presentes para que as crianças pudessem expor suas idéias e refletir sobre as questões abordadas, juntamente com seus colegas de classe, a fim de que trocassem experiências a partir de suas vivências.

:: Apreciação e pesquisa
Realizamos apreciações de figuras de árvores, arbustos e folhagens coletadas em livros, jornais, revistas, folhetos e vídeos pelas crianças e por mim. As crianças puderam conhecer diferentes tipos de árvores, formas, tamanhos, volumes, cores. Ampliamos as pesquisas com os livros disponíveis na escola e outros levados por mim.

:: Observação e registro
As observações foram constantes: ao explorar o espaço interno da escola, as crianças puderam observar as árvores existentes próximas ao muro, as que viam através da janela da sala de aula e as copas das árvores das casas vizinhas. Surgiu daí a necessidade de conhecê-las de perto, fora do espaço escolar. Então, visitamos os arredores da escola e as crianças fizeram registros gráficos de tudo o que puderam perceber. Em seguida, na aula, fizemos apreciações dos registros, reflexões e observações referentes aos mesmos.

Nas aulas seguintes, propus uma série de produções de desenhos de observação de folhas, sementes, galhos, árvores, desenhos rupestres da Serra da Capivara, estudada no vídeo que exibi. Aproveitei a oportunidade para apresentar a diversidade de materiais de desenho e, assim, as crianças experimentaram carvão, barro, canetas fina/grossa, lápis de cor, giz, caneta para transparência e até os recursos do software Paint Brush.

:: Ampliação do repertório de formas
Para ampliar ainda mais o repertório de formas orgânicas, sugeri que as crianças recolhessem e trouxessem de suas casas e das proximidades folhas, sementes, galhos apanhados do chão, para que posteriormente, em sala de aula, fizessem observações e registrassem graficamente texturas, tamanhos, volumes, cores, luminosidade, linhas de contorno e internas das folhas e cascas de sementes. As crianças estavam tão envolvidas no projeto que trouxeram tudo em grande quantidade. As observações, descobertas e registros gráficos foram ricos e serviram como referencial em suas observações e avanços na percepção de diversas possibilidades de desenhar árvores.

:: Ampliação de conhecimentos
A observação das árvores do bairro e próximas da escola despertou um novo “olhar” para aquelas que sempre estiveram ali e nunca haviam sido percebidas pelas crianças. Esse trabalho de observação fez com que elas começassem a valorizar e compreender a importância e necessidade de preservação. As crianças construíram conceitos, foram em busca de mais informações, espontaneamente, e demonstraram grande interesse em aprender sobre o meio ambiente. Em suas falas percebi a conscientização da necessidade de proteger a natureza e a possibilidade de plantarmos nossos próprios alimentos, já que todas moram em casas e muitas têm espaço para plantar.

:: Troca de conhecimentos sobre desenho
As produções melhoraram sensivelmente. Em sala de aula, eu criava oportunidades para que todos pudessem apreciar os desenhos dos amigos e trocassem informações sobre seus processos. Os desenhos traziam uma enorme riqueza e variedade de formas:

As árvores têm formas diferentes, algumas faço mais finas e outras mais grossas – disse Natasha.
No meu desenho eu usei esta forma de linha que, quando, chega na folha fica curva – observou Gislaine.
Agora estou desenhando com mais vontade, eu desenho o tronco e os galhos vêm logo e depois já faço as folhas – disse Erick, consciente de seu processo de produção.
Quando eu desenho esta folha, tenho que fazer bastante linha dentro dela – acrescentou Fernanda, dando sua dica.
O cacto do vídeo da Serra da Capivara é bem fácil de desenhar, porque é um pouco redondo em cima e reto embaixo, e também tem uns risquinhos – lembrou Carlos.
– Estes desenhos parecem até com uma fotografia – observou Regivan.

Percebi que as crianças estavam vivenciando de forma consciente o processo do fazer gráfico. A linguagem gráfica vinha se enriquecendo a cada dia e a cada oportunidade oferecida.

Pouco tempo, muitos resultados

Apesar do pouco tempo que restava para terminar o ano, conseguimos, ainda assim, produzir muitas coisas como forma de sistematização de nossas pesquisas: montamos um livro com o resultado das pesquisas em casa e na escola, sobre a diversidade da flora e a relação com o meio ambiente. Os textos informativos foram produzidos coletivamente e as receitas de tintas naturais foram escritas pelas próprias crianças, segundo suas hipóteses de escrita no momento. Organizamos uma oficina de criação de pincéis e tintas com elementos da natureza, com a participação de todas as crianças, pais e outras pessoas da comunidade.

Cultivamos algumas sementes escolhidas pelas crianças e acompanhamos seu crescimento. Produzimos jogos de memória, confeccionados com os desenhos de observação das crianças a partir dos desenhos rupestres da Serra da Capivara e impressos em gravura. Fizemos o jogo-da-velha, com o tabuleiro em tecido e as peças com sementes, e um jogo de percurso com informações sobre as plantas. Essas etapas foram valiosas para o sucesso do projeto, pois despertaram grande empenho e envolvimento das crianças e famílias. Percebi nesses três meses a ampliação do universo gráfico das crianças e a transformação de seus desenhos, mais ricos em detalhes.

Clique aqui para ver as produções ricas em detalhes das crianças.

MaisBibliografia
A vida das plantas, as flores e as árvores
Enciclopédia Visual
Editora Ática

O livro das tintas
Ruth Rocha
Editora Melhoramentos

A Criação da Pintura
Editora Melhoramentos

Trilhas da Capivara
Fundação do Homem Americano, localizada no Piauí
dentro do Parque Nacional da Serra da Capivara
Tel.: (86) 3582-2085

Árvores Brasileiras – Vol. 1
Instituto Plantarum

Vídeos
Pantanal – Programa Expedições
Edições Del Prado
Tel.: (21) 2244-2492

Serra da Capivara
Vídeo produzido pela Fundação do Homem Americano
Tel.: (86) 3582-2085

Participe do Fórum Educação Infantil

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Tudo o que você precisa saber sobre Twitter

O que é Twitter? Para que serve? Por que todo mundo só fala nele? Como fazer parte da tuitosfera? Essas dúvidas que muita gente tem, mas não sabia para quem perguntar, agora já podem ser respondidas. Elas estão no primeiro guia online sobre a ferramenta. “Tudo o que você precisa saber sobre Twitter (você já aprendeu em uma mesa de bar)” foi lançado pela Talk Interactive nesta segunda-feira (10/08) por meio do Twitter, é claro. O conteúdo ficará disponível na Internet sob licença Creative Commons, permitindo que qualquer pessoa leia, repasse e ajude a atualizar o livro colaborativamente.

Com 46 capítulos, o livro é dividido em três categorias: Tudo o que você precisa saber; Negócios, jornalismo e política; Uso avançado do Twitter. Trata-se de um manual prático com orientações sobre como encontrar pessoas, o que é seguir e ser seguido e como o serviço pode ser utilizado de forma simples e eficiente. “O Twitter está crescendo muito no Brasil. Cada vez mais, novos usuários entram nesta rede, aumentando sua relevância. Mas as dúvidas sobre o Twitter ainda são muitas. Por isso tivemos a idéia de produzir um manual prático. O material vai ajudar muita gente”, diz Luiz Alberto Ferla (@ferla), CEO (Chief Executive Officer) da Talk Interactive.

Segundo Ferla, o conteúdo tem ainda importantes dicas para quem deseja utilizar a ferramenta para fins corporativos e até para ações em campanhas políticas. “O livro vai do básico ao avançado, abrangendo todos os níveis de conhecimento a respeito da ferramenta”. A idéia do livro surgiu e foi desenvolvida dentro da Talk a partir das dúvidas que muitas pessoas têm em entender essa ferramenta e também sobre a dificuldade de muitos tuiteiros em definir o serviço.

“É difícil explicar o que é o Twitter para alguém com noções básicas de uso da Web. Você pode, por aproximação, dizer que é uma mistura de blog e MSN ou pode ser específico e falar que é uma ferramenta para micro-blogagem baseada em uma estrutura assimétrica de contatos, no compartilhamento de links e na possibilidade de busca em tempo real, mas dificilmente isso convencerá o seu interlocutor a usar o serviço”, diz Juliano Spyer (@jasper), redator da obra e integrante do time da Talk.

Prefácio colaborativo

Com mais de 200 mil seguidores no Twitter, ninguém melhor do que Marcelo Tas para prefaciar um livro sobre a ferramenta. Mas a condição para aceitar o convite foi a de que os internautas também participassem da discussão para melhor definir o que é o serviço. Dessa colaboração nasceram pérolas como:

• O Twitter é para o mundo o que a praça é para uma cidadezinha. @_Jeyson

• O Twitter é como pátio de hospício, cada um falando “sozinho”, eventualmente alguém responde. @saintbr

• Não consegui explicar até hoje para o meu chefe. @joycemescolotte

• O Twitter é uma maquininha de cutucar corações e mentes na velocidade da luz. Em 140 toques ou menos, a imaginação é o limite. @marcelotas

Baixe o livro “Tudo o que você precisa saber sobre Twitter (você já aprendeu em uma mesa de bar)”

Dados do livro

Título: Tudo o que você precisa saber sobre o Twitter (você já aprendeu em uma mesa de bar)
Criação: Talk Interactive
Páginas: 110
Licença: Creative Commons
Classificação: Twitter, redes sociais, Web, comunicação, tecnologia.

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(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Roda de conversa: a atual política nacional para o Ensino Médio


Roda de conversa: a atual política nacional para o Ensino Médio

A Ação Educativa promove no próximo dia 03/09, às 14h00, uma “roda de conversa” que irá reunir cerca de 20 pessoas convidadas, representantes de organizações da sociedade civil, universidades, escolas públicas e órgãos do governo para construir um debate aprofundado sobre a atual política nacional para o Ensino Médio, com ênfase em duas iniciativas especialmente relevantes na conjuntura atual: a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 277/08 e o Programa Ensino Médio Inovador, de iniciativa do MEC.

A atividade será transmitida ao vivo pela Internet e o público poderá participar enviando emails com perguntas e considerações sobre o tema. O link estará no site da Ação Educativa.

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Serviço:

Roda de Conversa: A atual Política Nacional para o Ensino Médio

Data: 03 de setembro de 2009

Horário: 14h00 às 18h00

Participação do público: Link para a “Roda de Conversa”, transmitida ao vivo pela Internet, estará disponível no site da Ação Educativa no dia do evento. Será possível enviar emails com perguntas e considerações sobre o tema.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Prova Brasil na Escola

 Prova Brasil na Escola

Nova publicação ajuda professores e equipe a entenderem e trabalharem a Prova Brasil

Até 20 de novembro, as escolas públicas urbanas do País participarão da Prova Brasil: um conjunto de testes que avaliam a competência leitora e a competência matemática de alunos das 4ª e das 8ª séries do Ensino Fundamental. Esta iniciativa do Governo Federal tem por finalidade indicar para cada escola a média geral e os percentuais de estudantes por nível de aprendizagem. Cinco milhões de alunos devem responder à Prova Brasil.

Para informar, esclarecer e orientar professores interessados em compreender como a Prova Brasil pode ser aliada do trabalho na escola, o Cenpec, em parceria com a Fundação Tide Setúbal, lança a publicação “Prova Brasil na Escola”.

“A questão aqui enfrentada é: uma vez que as avaliações externas vieram para ficar, melhor entender o que são de fato, o que avaliam e, principalmente, como tirar partido delas, isto é, vantagens para o trabalho em sala de aula”. O Cenpec, coordenador executivo do Programa EducaRede no Brasil, espera contribuir e apoiar o trabalho de professores e técnicos das escolas e abrir caminho para que outros educadores possam ampliar as reflexões aqui iniciadas.

Veja no material:

  • O que pensam os professores sobre a Prova Brasil.
  • Quais são as metas de desempenho a serem atingidas pelos estudantes de acordo com o Movimento Todos Pela Educação.
  • Como interpretar os resultados de Língua Portuguesa da sua escola.
  • Como interpretar os resultados de Matemática da sua escola.
  • Idéias para trabalhar com a Prova Brasil na escola e para além dos muros da escola.

Em breve, o Ministério da Educação deve imprimir e distribuir a publicação, que também será divulgada por parceiros como Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), Revista Nova Escola e Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.

A primeira edição da Prova Brasil, em 2005, foi aplicada em 5.387 municípios de todas as unidades da federação. Mais de 3 milhões de alunos, distribuídos em cerca de 40 mil escolas públicas urbanas, foram avaliados. Além dos testes, os alunos respondem a um questionário com informações sobre seu contexto social e capital cultural.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Por trás das câmeras


Por trás das câmeras


Projeto de produção de vídeo estimula nos alunos a criação e a análise crítica
dos meios de comunicação

Jaciara de Sá e Rosane Storto

 

Uma câmera de vídeo para 24 alunos. Pode parecer pouco, mas foi o suficiente para que alunos de 3ª e 4ª séries da Escola Básica Municipal Vitor Miguel de Souza, de Florianópolis (SC), produzissem “Toda Criança Merece”, um documentário de 40 minutos sobre os direitos das crianças e dos adolescentes. A produção foi resultado do projeto “Cidadania, Infância e a Estética do Olhar”, desenvolvido em 2004 e 2005 pela professora Ana Lúcia Machado.

Tudo começou quando os estudantes assistiram ao filme “Mágico de Óz” para participar de uma pesquisa de doutorado, da Universidade Estadual de Santa Catarina. Interessados, pediram para a professora realizar um trabalho sobre cinema na escola. Ana Lúcia aceitou o desafio e elaborou o projeto que, em 2005, foi um dos vencedores do Prêmio Professores do Brasil, parceria entre o Ministério da Educação e as Fundações Bunge e Orsa.

O uso do audiovisual como recurso didático é comum nas escolas, mas geralmente se restringe a sessões de vídeo e discussão sobre determinado tema abordado no filme. É o que mostra, por exemplo, uma enquete que o EducaRede publicou para saber como os recursos audiovisuais são utilizados. O resultado mostra que 46% dos internautas que votaram “costumam assistir a filmes em aula”. Por isso, a novidade de projetos como o da professora Ana Lúcia é colocar os alunos no papel de produtores.

Por trás das câmeras, as crianças desmistificam os meios de comunicação

E qual a importância de produzir vídeo nas aulas? Para o professor Adílson Odair Citelli, professor da Faculdade de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP), a criança precisa entender quais são as lógicas produtivas da TV, do videogame e/ou do cinema para poder desmistificá-los. “Ela vai aprender que para produzir vídeo tem uma porção de coisas a fazer antes de chegar lá. Inclusive tem palavras que precisam ser escritas, tem roteiro, argumento, diálogo. Ninguém vai produzir uma telenovela só com imagem, nem filme. É, inclusive, uma maneira de trabalhar e reconfigurar o signo verbal, de requalificá-lo, de revalorizá-lo”, explica Citelli.

Participando do processo de produção, a criança também passa a compreender que o mundo contemporâneo é repleto de signos audiovisuais e verbais que se misturam, o que Citelli define como “hibridização de linguagens”. Essa compreensão permite a análise crítica dos meios de comunicação, mas também a possibilidade de constituir sentidos. “Na hora em que ela vai descobrindo diferentes tipos de signos, que pode fazer diferentes composições com esses tipos, isso dá uma liberdade criativa, dá uma liberdade de percepção das coisas, dá liberdade para a produção de coisas, descobertas”, completa Citelli.

Gravando

Antes de produzirem o vídeo, os alunos da escola de Florianópolis fizeram pesquisa sobre cinema e assistiram aos filmes “O Gordo e o Magro”, “Tempos Modernos”, “Central do Brasil” e “Expresso Polar”. Foi então que surgiu a idéia de tratar sobre os direitos das crianças e dos adolescentes. “No filme Central do Brasil, por exemplo, perceberam a questão da banalização da pobreza”, explica a professora Ana Lúcia.

Os estudantes receberam cópias do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e começaram a analisá-lo nas tarefas de casa, a partir dos filmes assistidos e de notícias publicadas em jornais locais. “Eles tinham de ler os artigos do ECA abordados nas reportagens e nos filmes e trazer as dúvidas e observações para discutirmos na sala de aula”, conta a professora.

Alunos saem pela cidade para capturar imagens

Após a análise do ECA, as crianças começaram a produzir o filme. Os alunos foram divididos em grupos e cada um ficou responsável pela produção: roteiro, filmagem, edição etc. Com a câmera em mãos, começaram a gravar pontos turísticos e o bairro onde moram, pensando sempre na temática do filme. Também trabalharam como atores.

O roteiro foi dividido em temas: “Criança e Cultura”, “Criança e Cidadania”, “Criança e Escola” e “Criança e Brincadeira”. “Foi bem interessante porque, criando e produzindo, os alunos aprenderam a conhecer melhor a mídia, como as imagens são produzidas, o porquê da escolha dessas imagens, e hoje são mais críticos em relação ao assunto”, explica a professora.

O documentário “Toda Criança Merece” já foi exibido na Feira do Livro de Florianópolis, no auditório da Universidade Estadual de Santa Catarina, na Feira Cultural da EBM Vitor Miguel de Souza e também em uma escola na Itália, cujo nome a professora não se recorda. Ana Lúcia conta que o resultado foi tão positivo que as crianças estavam dispostas a produzir outro filme.

Para desenvolver o trabalho, Ana Lúcia foi atrás de livros sobre o assunto e de apoio para a parte de edição. Ela começou pesquisando uma bibliografia sobre o tema “Cinema e Educação”, com o auxílio da doutoranda Mônica Fantin, da Universidade Estadual de Santa Catarina. Elas encontraram no livro “Cinema, Uma Janela Mágica”, de Marialva Monteiro e Bete Dulara, muitas informações que auxiliaram no desenvolvimento do projeto.

Posteriormente, como não tinham muitas possibilidades tecnológicas para editar o material gravado, o grupo contou com o apoio de um voluntário. João Cláudio de Bernardo auxiliou os alunos a digitalizar as imagens gravadas em câmera analógica e, então, fazer a edição em um computador.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Oficinas contam a história do povo

Oficinas de literatura contam a história do povo

De várias partes do País, alunos e professores da rede pública realizam oficinas literárias virtuais dentro do EducaRede. Só no Ceará, são 128 escolas mobilizadas para revelar a história do Estado.


Por João Luiz Marcondes e Verônica Couto
Revista
A Rede

Quem se cadastrar no EducaRede gratuito e aberto a qualquer interessado poderá acompanhar todos os procedimentos, textos e comentários de 170 oficinas literárias online, atualmente em curso dentro do Portal. Mesmo para quem não tem cadastro, também estão no ar 69 livros virtuais, publicados pelas equipes das oficinas já encerradas. Neste acervo, encontra-se, por exemplo, o Gente que Luta, relato emocionamente dos alunos, alguns na faixa dos 60 anos, do Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (Cieja) de Itaquera, na zona leste de São Paulo. Ou a história das Pedras que Falam, com as lendas que cercam os monólitos de Quixadá, no sertão do Ceará, produzido numa escola pública da cidade.

O EducaRede é um portal educacional, desenvolvido pela Fundação Telefônica para apoiar atividades de professores e alunos, principalmente na rede pública. E a Oficina de Criação literária é uma das suas ferramentas, disponível desde 2002 para qualquer um que queira produzir textos de forma colaborativa. Este ano, foi colocada a serviço do projeto História do Ceará em Rede, uma parceria da Fundação com o governo do Estado, por meio da Secretaria de Educação. São 128 escolas cearenses (numa rede com aproximadamente mil estabelecimentos), mobilizadas na pesquisa e na produção de textos online, até dezembro.

?As oficinas foram anunciadas nos órgãos regionais de Educação, e houve grande mobilização das comunidades e incremento no processo de inclusão digital?, comenta Sílvia Silton, técnica da Secretaria de Educação (CE). Na escola municipal Francisco José de Brito, no Crato, no vale do Cariri, a professora Eleuza Braga escolheu o próprio Francisco José de Brito como tema. Foi político influente até os anos 80 e a primeira diretora do colégio, descobriram os alunos, foi sua mulher, Iara. Segundo a professora, o impacto da oficina sobre os 19 estudantes da sua turma foi fenomenal. ?Além de resgatarem a história local, eles melhoraram a qualidade do texto e aprenderam a fazer uso da opinião?, destaca.

:: Por conta própria

Apesar do sucesso, o projeto não precisou de grandes investimentos. O governo do Ceará desembolsou cerca de R$ 4 mil, para as viagens dos multiplicadores (25 professores foram à Fortaleza conhecer as metodologias da Fundação Telefônica). No Juazeiro do Norte, os alunos escreveram sobre o Padre Cícero Romão Batista, o Padim Ciço. Em Barbalha, sul do Estado, sobre as festividades de Santo Antônio, famosas na região. E na homepage do EducaRede, foi destacado o livro Icó, mais de trezentos anos um precioso registro da memória do lugar. ?O projeto possibilitou a inclusão digital de alunos e educadores e o uso pedagógico das tecnologias, um poderoso suporte no trabalho da publicação de um livro virtual?, constata o professor Caubi de Mesquita Bezerra, de uma escola de Sobral, em seu relatório final sobre sua oficina.

Segundo Sérgio Mindlin, diretor-presidente da Fundação Telefônica, quando as oficinas virtuais surgiram, eram abertas apenas pela equipe do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), organização não-governamental que responde pela gestão do Portal EducaRede. As três primeiras experiências foram conduzidas pelo escritor Jorge Marinho. A pedido de um professor do Ceará, contudo, a ferramenta do site recebeu adaptações, no início do ano passado, para que qualquer pessoa pudesse iniciar oficinas autônomas com seus alunos ou colaboradores.

A coordenadora de Educação e Tecnologia do Cenpec, Márcia Padilha, explica que há muitos ganhos pedagógicos no registro compartilhado do andamento da oficina, permitido pela Internet. As correções, os comentários, a evolução dos textos, os exercícios de motivação, os relatórios finais de avaliação, tudo fica no Portal para consulta aberta. A metodologia sugere uma duração de cerca de seis semanas para o trabalho e turmas com 30 participantes, em média. O Portal oferece modelos prontos para capa, créditos, e organização dos textos em livros virtuais.

:: Resgate do laboratório

A ferramenta propõe um aprendizado integrado dos recursos do computador e da Língua Portuguesa. No Ceará, além do professor de Português, as oficinas contam com um professor de História. Mas não ocorrem de maneira uniforme em todas as experiências. De acordo com Airton Dantas, colaborador do Cenpec, há casos em que a escola só tem um micro, ou o laboratório de informática está distante, e os mediadores inventam metodologias próprias. Os relatórios, diz ele, apontam dificuldades causadas, muitas vezes, por restrições de acesso aos equipamentos. Numa mesma oficina, um aluno escreve muito, outro, muito pouco. ?É evidente que alguns conseguiram maneiras de se conectar, num telecentro, numa lan house, e outros, não?, diz Airton.

O Cieja de Itaquera, por exemplo, já tinha um laboratório de informática, mas subutilizado, segundo o professor de História Jorge Medrado, que coordenou a publicação de dois livros no Portal do EducaRede. Na oficina, conta ele, uma das causas de desistência foi, exatamente, o medo do computador. Dos 27 inscritos, 14 concluíram o segundo livro. Por isso, a escola criou um ?itinerário de informática?, iniciação ao computador e à Internet para todas as turmas. A mudança já foi efeito da oficina virtual, que recorre no laboratório apenas uma vez por semana. Parte dos exercícios é feita em sala de aula, e, quando os textos estão mais avançados, são inseridos na ferramenta do Portal.

O primeiro livro do Cieja de Itaquera Gente que Luta, conta as histórias de seus oito autores e como conseguiram retomar os estudos. O segundo, Heróis da Resistência, com oficineiros de 17 a 61 anos, tem o mesmo tema ? mas eles escrevem sobre a vida de outros alunos. A turma atual se dedica à história do bairro. Na primeira fase de motivação, Jorge trabalhou com a biografia da ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, que se alfabetizou aos 15 anos. Um estímulo para a auto-estima dos alunos, fortalecida, ainda, pela repercussão da publicação online do livro. ?Recebi e-mail de uma professora de Rosário do Sul (RS), que imprimiu o livro e motivou os seus alunos para um novo trabalho.

Os sites indicados neste texto foram visitados em 25/09/2005

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Mil e Uma Noites: uma aventura de faz de conta

Reflexões do Professor

Mil e Uma Noites: uma aventura de faz-de-conta

“Quando era professora, desenvolvi um projeto que procurava integrar o estudo sobre diferentes povos e o faz-de-conta da criança. Hoje, distanciada dessa experiência, aproveito este espaço para avaliar e refletir a respeito da relação lúdica que as crianças estabelecem com o conhecimento, procurando mostrar, por meio de minha experiência, como é possível alimentar suas brincadeiras e ao mesmo apresentar a elas uma outra cultura”

Adriana Klisys – Foi professora do grupo de 5 anos da escola Logos. Hoje é formadora do Avisa Lá.

Por Adriana Klisys
Formadora do Instituto Avisa Lá

Penso que o aspecto lúdico de que tanto falamos não está presente somente nas brincadeiras, mas no jeito de a criança pensar e representar o que conhece. Por isso, foi um interessante desafio, como professora, conciliar a pesquisa sobre diferentes culturas e o faz-de-conta. Lecionava para crianças de 5 anos, para lá de especiais, e muito interessadas em conhecer o mundo. Ainda guardo na lembrança momentos significativos do trabalho com esse grupo. Durante o desenvolvimento do projeto denominado As Mil e Uma Noites, as crianças transitavam ora pela realidade, ora pela fantasia, nas brincadeiras simbólicas alimentadas pelas informações e inspirações vindas do conhecimento sobre diferentes povos árabes. O casamento do estudo com o jogo resultou em uma parceria que deu certo.

Da literatura à realidade de um povo
Iniciamos o estudo sobre a cultura árabe com a leitura das Mil e Uma Noites. Eu lia ou contava quase que diariamente as histórias deste fabuloso legado cultural, que vem encantando diversas gerações e povoando a imaginação de muitos leitores. Interrompia a história, contada em capítulos, sempre numa parte interessante para dar continuidade no dia seguinte. Em geral, essas histórias eram esperadas com grande entusiasmo pelas crianças, que desejavam saber como se desenrolava a trama. Aliás, o objetivo principal das histórias de Sherazade era manter o suspense para que ao dar continuidade à narrativa, ela pudesse salvar assim sua própria vida.

No início deste estudo, as crianças tinham a idéia de que os países árabes, mesmo na atualidade, eram repletos de palácios e oásis, tais como a referência que tinham do filme sobre Aladim. Para explorar mais o assunto, intercalamos as histórias de Sherazade com informações sobre lugares e povos árabes, cenários e personagens de boa parte das narrativas das Mil e Uma Noites. Íamos coletando informações a respeito do mundo árabe, que congrega no total 22 países, por meio de livros, revistas de turismo, entrevistas com pessoas de origem árabe, filmes, músicas, obras de arte e da própria literatura.

Qual não foi o espanto do grupo ao realizar uma entrevista com um imigrante libanês e saber que nos países árabes existe até McDonald’s. Desse modo, as crianças descobriram que o mundo imaginário da literatura tem sólidas raízes na cultura que o gerou e, por mais fantástico que seja, está impregnado da história do lugar de origem: hábitos, paisagens, perfumes, essências, sabores etc.

Conhecer o diferente para respeitá-lo

Creio que o estudo de outra cultura é sempre muito intrigante para crianças de 5 anos, que estão numa fase em que as interações estão em primeiro plano. Conhecer diferentes pessoas e seus jeitos de viver é importante para quem está tratando de entender o mundo em que vive. Além do que, um trabalho desse tipo permite à criança perceber que diferentes costumes e valores têm sua razão de ser em determinados contextos históricos e sociais. Dessa forma, podem ampliar sua visão sobre o mundo e aprender a respeitar tais diferenças.

Em diversas situações podemos ver como as crianças num primeiro momento estranham o diferente, mas percebem a existência de outros valores e costumes. Esse é um primeiro passo para entender a lógica do que é estranho a elas, como é o caso da polêmica gerada pela conversa que tivemos após vermos uma fotografia de beduínos fazendo suas refeições. A primeira reação foi de estranhamento:

– Que nojo! Comendo com as mãos! Fica tudo lambuzado! – dizia uma criança.

Sempre na perspectiva de encontrar contrapontos com nossa cultura, perguntei se comiam algum alimento com as mãos. Como resposta, várias possibilidades: sanduíches, brigadeiro, salgadinhos, pão, frutas etc. Conversamos então sobre a adequação de comer alguns alimentos sem os talheres, aliás grande parte dos pratos árabes dispensa talheres. Quando viram um prato de sopa na fotografia, brincaram:

– Que nojento! Já pensou tomar sopa com as mãos, assim ó – dizia uma outra criança, imitando com gestos.

– Vocês acham que eles tomam sopa dessa forma? – perguntei.

– Não né! – responderam todas.

– É só pegar como os japoneses e tomar assim, fazendo o gesto de levar o prato até a boca.

Quando li para o grupo que os beduínos usavam apenas a mão direita para comer, porque limpavam suas necessidades com a esquerda, riram muito. Pontuei que era uma preocupação com a higiene em um lugar onde havia escassez de água.
Nesses momentos muitos comentavam:

–  Eu que não queria morar num deserto!

Até então acontecia o contrário, todos manifestavam seu desejo de conhecer e até morar no deserto, mas, quando as dificuldades apareciam claramente, mudavam de opinião.

Reconhecendo regularidades nos fenômenos sociais
Foi interessante também discutir as formas que os beduínos encontram para limpar as mãos: esfregá-las na areia ou então apanhar um punhado de areia e esfregar nas mãos. As crianças ficaram conjecturando, ainda, como faziam para escovar os dentes. Será que iriam desperdiçar água? Ou colocariam também areia na boca para a higiene? Interessante relação: se usam a areia para as mãos, por que não substituir a pasta de dente pela areia? Disse que achava estranha essa possibilidade, e elas também concordaram que esfregar as mãos na areia era uma coisa e encher a boca de areia, como imaginaram, outra bem diferente.

No entanto, tivemos a informação de que no sertão brasileiro, até pouco tempo atrás, tinha-se o costume de esfregar um punhado de areia para “ariar” os dentes. Tirado o exagero de encher a boca de areia, as hipóteses das crianças tinham uma certa lógica, que eu mesma nem havia imaginado.

É curioso ver como o grupo foi percebendo que um modo de vida diferente do seu implica em outras relações com o meio. Ao ler uma legenda de fotografia que falava a respeito do costume dos beduínos de soltar o turbante e acender um incenso após a refeição, para perfumar suas barbas e cabelos, logo comentaram:

– É pra ficar cheiroso né! Também não tem chuveiro lá no deserto.

Novas suposições apareceram:

– Se não tem banheiro… Ih! Como eles fazem cocô? Na areia! – comentou uma criança, rindo.

As crianças realizavam inúmeras conexões com o que estavam aprendendo em diferentes situações. Podiam inferir ou deduzir coisas a partir de alguns referenciais que já tinham, como no caso de uma situação na qual uma criança do grupo, olhando para as bandeiras do mapa-múndi de nossa sala, reconheceu que uma delas deveria ser dos árabes, pois tinha um sabre e escrita diferente (referia-se à bandeira da Arábia Saudita). Nesses estudos, o mais importante não é acumular informações, mas sim estabelecer conexões, saber fazer relações a partir do que passam a conhecer.

O faz-de-conta enriquecido pelo estudo
Com tanta motivação, as crianças sugeriram que fizéssemos uma cabana como a dos beduínos no parque, para comermos um lanche. Assim fizemos um “lanche árabe” nas areias do pátio, com direito a tenda, tapete e muitas guloseimas dessa cultura. Entretanto, deixamos de lado a idéia de limpar as mãos com areia, pois não fazia sentido, já que tínhamos torneiras.

Na perspectiva de enriquecer o faz-de-conta, fomos transformando nossa classe em um ambiente lúdico, onde as crianças podiam brincar e as descobertas do trabalho passaram a fazer parte do dia-a-dia. A possibilidade de fazer e usar turbantes, ter tapetes “mágicos”, construir palácio, tendas, maquetes de deserto, fazer dromedário de sucata com uma estrutura para montar, confeccionar sabres etc., envolveu e motivou as crianças.

Foi positivo intercalar situações nas quais elas obtinham novas informações, refletiam sobre o que estavam aprendendo, faziam diferentes atividades, tais como: preparar receitas típicas, conhecer locais impregnados da cultura árabe, assistir a trechos selecionados de filmes sobre o tema, confeccionar materiais para a sala ficar parecida com um ambiente árabe.

O estudo ganhava corpo à medida que as crianças podiam brincar com o que aprendiam, ao mesmo tempo em que a própria brincadeira era enriquecida pelas novas informações que obtinham nos estudos. Impressionante, por exemplo, como a brincadeira com o dromedário, que já estava em nossa classe, ganhou vida depois que assistimos a um trecho do filme Lawrence da Arábia, que mostrava uma cena de tempestade de areia onde um dos personagens afunda em areia movediça.

As crianças perceberam que era fundamental ter um dromedário no deserto, depois que viram a cena na qual um beduíno, ao soltar-se da corda presa a seu dromedário, “afogou-se” em areia movediça. Já havíamos lido que os camelos eram especialistas nas trilhas do deserto, que tinham várias pálpebras à prova de qualquer tempestade de areia e que eram treinados para puxar os beduínos para fora, quando estes caíam em areia movediça.

Mas só com as imagens do filme tal informação se tornou significativa. Repetiam em suas brincadeiras situações de perigo, nas quais uma criança se jogava no chão, simulando estar em areia movediça, enquanto se agarrava à corda presa ao dromedário. Divertiram-se muito nesses momentos.

A ampliação das fontes de pesquisa
É importante ressaltar que aproveitávamos essas situações mais lúdicas para efetuar as pesquisas de imagem e texto, como é o caso da confecção dos sabres. O grupo foi até a biblioteca da escola investigar como eram essas armas, como eram decoradas, para depois fazer as suas próprias, segundo modelos pesquisados, usando tinta prateada e dourada, tal como manda o figurino! Assim, tínhamos sempre um motivo real para pesquisar.

Em uma outra ocasião, o grupo pôde entrevistar o pai de uma das crianças, que era descendente de libanês. Para tanto, elaboraram um roteiro de entrevista bastante alimentado por todos os conhecimentos adquiridos nas várias etapas do projeto. Apareceram questões muito interessantes como:

1. Tem cidade e deserto no Líbano?
2. Como escovar os dentes no deserto se lá não tem água?
3. Faz muito calor no Líbano? Tem areia movediça? Você já pisou numa?
4. Tem time de futebol no Líbano? Qual o esporte preferido dos libaneses?
5. Jogam futebol, basquete ou volei?
6. Como se vestem?
7. Como são as festas de aniversário? Tem brigadeiro?
8. Como é o dia das mães e das crianças? Tem dia dos velhos?
9. Tem McDonald’s?
10. Como é a festa de casamento?
11. Como vocês comem? Vocês usam faca, colher ou garfo? O que comem?
12. Do que as crianças brincam no Líbano? As crianças têm brinquedos como dinossauro, power rangers, barbie?
13. Tem escola no Líbano? E uniforme?
14. Como dormem? Tem cama?
15. No Líbano tem palácio?
16. Tem calendário? O número é igual ao nosso?
17. Como comemora o ano-novo?
18. Tem piquenique?
19. Como são os restaurantes no Líbano?
20. Você conhece a história das Mil e Uma Noites?
21. Você já subiu num dromedário?
22. Você usa sabre?
23. O que você acha do Brasil? Você prefere morar no Brasil ou no Líbano?
24. Os árabes desenham?
25. Você pode contar até dez em árabe?
26. Como se fala tchau em árabe?
27. Os árabes tomam banho?
28. Como fala bom dia em árabe?
29. Os árabes rezam? Onde?
30. Como se escreve “Grupo 5” em árabe?

Muitas das novas informações serviram imediatamente para ampliar o faz-de-conta que ficava, a cada dia, mais complexo.

Finalizando
Em projetos desse tipo há um casamento entre uma situação mais formal, oferecida pelo estudo, e uma situação informal, que a brincadeira e o pensamento imaginativo oferecem. Penso que é isso que torna a construção de conhecimento tão prazerosa e instigante para as crianças e seus professores. As crianças durante este estudo estiveram exercitando o que sabiam sobre ficção e realidade e ao mesmo tempo aproveitaram ao máximo brincando do que queriam.

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Bibliografia

• As Mil e Uma Noites. Ed. Brasiliense. Tel.: (11) 6198-1488.
• Histórias das Mil e Uma Noites. Ruth Rocha. FTD.Tel.: (11) 3253-5011.
• O Homem que Calculava.
Malbatahan.
• Abdulla. Coleção Todo o Mundo, vol. 4. Cristina Von. Ed. Callis.Tel.: (11) 3842-2066.
• Povos do Passado – Os Árabes. Mokhatas Moktefi e Véronique Ageorges. Ed.Augustus.Tel.: (11) 5561-5306.
• Revista Geográfica Universal: no 183, 246, 249. Ed. Abril.Tel.: (11) 3037-2000.
• Revista Terra: no 3, 4, 9. Ed. Peixes. Tel.: (11) 3049-3149.
• Os sete pilares da sabedoria.T.E Lawrence. Ed. Record.Tel.: (11) 3331-6760.
• Uma História dos Povos Árabes. Albert Hourani. Ed. Companhia das Letras.Tel.: (11) 3167-0801.
• Coleção Contos do Deserto. FTD.Tel.: (11) 3611-3055.

Filmes (trechos previamente selecionados)
• Balão Branco
• Simbad, o Marujo
• O céu que nos protege
• Lawrence da Arábia
• O Homem que Sabia Demais (cenas de restaurante marroquino)
• O Paciente Inglês
• Gabeh

Contatos na cidade de São Paulo
• Liga Cultural Árabe. Praça Getúlio Vargas,130 1o andar. Guarulhos. São Paulo.
Tel.: (11) 209-4122.
• Centro Cultural Sírio. R.Augusta, 1053.Tel.: (11) 259-4880.
• Junta Islâmica.Tel.: (11) 414-3564.
• Centro de Estudos Árabes – Fac. de Filosofia, Letras e Ciências Humanas –
USP,Av. Prof. Luciano Gualberto, 403.Tel.: (11) 3091-4299.
• Consulado do Líbano – Av. Paulista, 688, 16o andar.Tel.: (11) 288-2399.
• Consulado da República Árabe-Síria – Av. Paulista, 326.Tel.: (11) 285-5578.
• Consulado do Marrocos.Tel.: (11) 256-2146.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Inclusão social online

Inclusão social online
Usando recursos da web 2.0, ação desenvolvida em escola da Rede Social Minha Terra encontra vagas de emprego e ajuda a recuperar autoestima de pais e alunos

Por Vanessa Rodrigues

 

Se você for ao Google e procurar “informações sobre Santo Amaro em São Paulo” vai encontrar nos primeiros resultados um mapa de localização em inglês e um link para o Wikipédia dando conta de que este distrito da zona sul da capital paulistana “é, em boa parte, composto por loteamentos de alto padrão”. Com base nisso,  é perfeitamente possível chegar à conclusão de que este é um bairro de classe média alta, onde as pessoas vivem com conforto e sem grandes sobressaltos financeiros.

No entanto, se você pedir à professora Patricia Lopes a localização da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Professora Isabel Vieira Ferreira, onde trabalha, ela dirá: “Na região de Santo Amaro, periferia da zona sul de São Paulo”.  No bairro que ela conhece e onde moram os alunos de sua escola, a maioria dos pais estão desempregados, segundo ela “vivendo de programas sociais do governo”. Com nível de escolaridade que muitas vezes não passa do Ensino Médio incompleto, aqueles que ainda conseguem manter um ofício relativamente regular desempenham funções como auxiliar de serviços gerais, profissionais de limpeza ou camelôs.

Foi com esses dados que a escola se deparou quando resolveu participar da Rede Social Minha Terra, em 2009. Tocada por estas informações e sentindo na pele os impactos dessa realidade, a comunidade escolar do “Isabel Vieira Ferreira” resolveu trabalhar com a pauta Cidade e Trabalho, buscando mudanças concretas e palpáveis em sua realidade.

Com isso em mente, venceram de uma só vez as primeiras etapas propostas pelo Minha Terra: identificar um problema ou situação relacionada à sua escola ou comunidade e propor uma atividade de intervenção. A escolha da pauta já levava em conta os resultados esperados. A ideia era desenvolver uma ação que favorecesse uma reviravolta na vida dos alunos: conseguir trabalho para os pais desempregados e para os estudantes já em idade de buscar o primeiro emprego.

Eles traçaram e executaram um plano que envolveu vários atores, especialmente empresas da região, que poderiam ajudá-los na empreitada. E foi assim que depois de registrar seu problema em forma de reportagem na Galeria de Imagens do Minha Terra, o projeto Comunidade Escolar e Trabalho, da equipe “DNA – Descobertas e Novas Atitudes”, começou a ser implementado, inicialmente com dez alunos monitores (responsáveis pela gestão do projeto) e terminando com sete estudantes, todos da 8ª série: Daiane Ferreira da Silva, Kaliane Santos Oliveira, Karina Paiva da Silva, Naiara Rosa Teixeira, Samuel Monteiro Ramalho, Samuel Campos de Moura, Thiago Costa dos Santos.

Primeiro, foram ao “Clube Mamãe – Associação de Assistência à Criança Santamarense”, que desenvolve atividades extracurriculares, entrevistaram a coordenadora e publicaram no mural da escola todos os cursos profissionalizantes oferecidos pela instituição.

“A Coordenadora informou que muitos alunos da escola realizavam cursos no local e que naquele momento formaríamos uma parceria para divulgar e socializar o desenvolvimento deles”, conta Patrícia, que completa: “Ela também informou que muitos se tornam empregados do Centro”.

E eles não pararam por aí. Foram mais além nas pesquisas, encontrando sites de colocação profissional e estimulando muitos estudantes em idade adequada a fazerem seus cadastros e ainda darem apoio aos interessados na elaboração de seus currículos. Para coroar, fizeram parceria com um tradicional supermercado da região, divulgando vagas disponíveis por meio de um perfil no twitter.

“Resido no bairro desde 1978, quando tinha um ano, o supermercado já estava lá! Minha mãe fazia compras nele e na época eram oferecidos brindes para os clientes assíduos. Até hoje ela tem os pratos que ganhou ao se tornar freguesa”, conta a professora Patrícia. Agora, o supermercado também oferece trabalho a quem precisa.

Aos pais, foram disponibilizadas vagas de açougueiro, repositor, operador de caixa, auxiliar de limpeza, estoquista e manobrista. Mesmo sem os números exatos, Patrícia diz que é possível afirmar que muitos deles puderam voltar ao mercado e recuperar a dignidade que só o trabalho parece conferir a um ser humano adulto.

Para 2010, já conseguiram o compromisso de uma empresa de informática  para ministrar cursos e palestras sobre como fazer currículos e se comportar nas entrevistas de emprego.

Liderança e motivação

A Rede Social Minha Terra propõe

uma série de tarefas e desafios:

• identificar um problema ou situação relacionada à sua escola ou comunidade;
• registrar esse problema em forma de reportagem usando ferramentas e recursos da Web 2.0;
• planejar uma intervenção com vistas a resolvê-lo;
• executar este plano;
• e, finalmente, registrar os resultados em forma de nova reportagem e publicá-lo no ambiente virtual do Minha Terra.

A idéia principal do Minha Terra é transformar a escola numa espécie de “Agência de notícias”, onde os alunos atuem como pequenos repórteres – investigando, pesquisando, produzindo informação e publicando-a na internet.

A Rede Social Minha Terra já começou suas atividades em 2010. Saiba mais.

 

No entanto, nada disso seria possível sem a liderança de uma professora como Patrícia Lopes. Ainda que os alunos tenham sido os grandes protagonistas desta missão, foi ela quem os apoiou na elaboração e realização das ações (com total respaldo da diretora da escola, Benedita Antônia de Andrade, ela faz questão de destacar). Do alto de seus 33 anos, Patrícia já tem ampla experiência na área de educação e informática.

“Escolhi ser professora aos seis anos de idade, no meu primeiro dia de aula na pré escola. Encantei-me com a profissão à primeira vista, vendo a atenção da professora, os cuidados com os materiais, as lições, a vontade de ensinar. Comecei a lecionar aos 15 e concomitantemente fazia cursos de informática. Com isso, fui convidada a dar aulas de informática na escola onde estudava e comecei a fazer uma ponte entre as duas modalidades. Ingressei na Prefeitura de São Paulo e fui designada POIE (Professora Orientadora de Informática Educativa). Sou POIE há oito anos.”

Patrícia tem desenvolvido muitos projetos que ajudam professores e alunos a refletir sobre os temas abordados, utilizando a tecnologia como principal recurso.  Ela começou a atuar no Minha Terra no ano passado, em 2009, mas já havia tido contato em 2007 com o Projeto Memórias em Rede. A filha Gabriela, de 14 anos, sempre comenta sua motivação em participar do Minha Terra e de como em  sua própria casa ela conversa pelo twitter com os alunos monitores sobre as ações a serem realizadas.

Web 2.0 na educação

Sim, porque os alunos da EMEF Professora Isabel Vieira Ferreira utilizaram todos os recursos da web 2.0 oferecidos e estimulados pela equipe gestora do Minha Terra: o Mapa Interativo para a localização e apresentação da equipe; o blog como ambiente de interação diária entre os grupos; o chat como espaço de esclarecimentos e socialização das ações; o Voki para criar o avatar de cada repórter. No Youtube foram publicados os desafios “Pelo celular” e as entrevistas, criando um link direto no Canal Youtube Minha Terra. Na Arquivoteca, foram publicados os registros e, na Galeria, as imagens.

“Já o Twitter foi nosso norteador, utilizado em todas as ações”, conta Patricia. “Inclusive, eu ministrei uma aula de Twitter para POIEs iniciantes na DRESA – Diretoria Regional de Santo Amaro e fiz um manual explicativo sobre como utilizar o microblog, distribuindo a todos os participantes. O manual também foi entregue e socializado em uma das reuniões em DOT- CONAE”.

Para Patricia Lopes, sua experiência na EMEF Professora Isabel Vieira Ferreira tem sido gratificante e está trazendo resultados concretos baseados em pesquisas, reflexões e ações. Ela diz que os alunos monitores foram brilhantes e chama a atenção para a efetividade das intervenções, principalmente para o fato de que propiciaram a melhoria da autoestima dos envolvidos. Serviu também de parâmetro para aquelas pessoas que já não viam possibilidades em suas áreas de trabalho ou que buscavam seu primeiro emprego.

Outros impactos percebidos foram: maior interação entre os alunos monitores e alunos de todos os períodos; desenvolvimento do processo de ensino aprendizagem mais satisfatório; envolvimento de toda a unidade escolar; interação e parcerias com a comunidade escolar e maior cuidado com o Patrimônio Público. “Ampliei meu campo social e de parcerias por meio de muitos trabalhos coletivos”, diz Patrícia Lopes. E conclui: “Pretendo utilizar as pesquisas, vivências, ações e resultados para o meu futuro mestrado, aprendendo e contribuindo ainda mais para o uso de novas tecnologias como recurso no desenvolvimento da Educação Pública”.

 

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

 

Fórum reúne educadores em SP

Rumo à cidade educadora

São Paulo realiza, pela primeira vez, uma edição temática do Fórum Mundial de Educação, e o EducaRede participa com oficinas e bate-papos com conferencistas

Por Jô Azevedo

 

Duas mil crianças vestidas de branco e túnicas coloridas fizeram a apoteose da abertura do Fórum Mundial de Educação de São Paulo, na noite de 1º de abril, no Pólo Cultural Grande Otelo (Sambódromo), na Zona Norte da capital paulista. Organizadas em coreografia da bailarina Márika Gidali, do Ballet Stagium, ao som de Strauss, Egberto Gismonti, Gonzaguinha e Elis Regina, elas realizaram evoluções, construindo na pista uma “cidade” de papel pardo, representando São Paulo, suas atividades, seus edifícios, símbolos e habitantes.

Em seguida, agruparam-se em cirandas coloridas, portando dobraduras de papel no formato de pássaros. Numa alusão ao tema do próprio fórum – Educação Cidadã para uma Cidade Educadora -, saíram da pista num imenso bloco, movimentando as asas dos enormes origamis, perseguidas por um colorido dragão chinês de pano. Na platéia, oito mil pessoas, entre professores, educadores, alunos e demais inscritos no evento acompanharam a movimentação das crianças e também os discursos de abertura.

Movimento de indignação

O educador Bernard Charlot, representante do Comitê Internacional do Fórum Mundial de Educação, abriu o evento relembrando o percurso do FME: “Seu caminho foi uma aventura e hoje, ele é um movimento mundial, iniciado por conta da indignação. Em pleno início do século 21, milhões de pessoas no mundo inteiro ainda não têm acesso à educação. Também pelo pouco que se valoriza a educação. Apesar dos discursos políticos, em muitos lugares do mundo, se paga ao docente muito menos do que a um policial”.

Neste ano, fóruns temáticos regionais foram realizados em países como Argentina e Colômbia, mas Charlot destacou que entre todos, o de São Paulo é o mais importante: “O tema Cidade Educadora é mais que pertinente, pois a maior parte dos seres humanos hoje vive nas cidades e São Paulo é a maior da América Latina, uma das três maiores cidades do mundo”. Pelo Comitê Organizador do FME, o pesquisador Pablo Gentile enfatizou a ligação do FME com o movimento do Fórum Social Mundial, cuja edição deste ano em Mumbai, na Índia, amplificou ainda mais a rede de forças populares e movimentos sociais, em contraposição às políticas neoliberais da última década do século 19. Representando a Coordenadoria de Educação da Unesco, Maria José Feres trouxe o apoio daquele órgão multilateral ao evento, ressaltando o fato de que o acesso universal à educação propugnado pelo FME, é também uma bandeira de luta histórica da organização à qual pertence.

Transformando São Paulo

A prefeita Marta Suplicy recebeu de Alicia Cabezudo, diretora da Rede Latino-americana de Cidades Educadoras,a documentação de Cidade Educadora, recordando os 450 anos de São Paulo e a realização do Fórum Mundial de Cultura, programado para junho deste ano. “São Paulo quer ultrapassar o espaço da sala de aula como lugar da Educação. Isso exige o esforço de uma cidade inteira”, começou. Segundo a prefeita, educação é prioridade absoluta na cidade: “Estamos transformando São Paulo numa cidade educadora”.

O ministro da Educação, Tarso Genro, que acolheu a primeira edição do FME, quando ainda prefeito de Porto Alegre, também participou da abertura oficial. “No percurso do Fórum Social Mundial e do Fórum Mundial de Educação, muitas cidades se articularam em rede, preocupadas em encontrar um caminho de solidariedade, igualdade e justiça e contra a ótica predatória da globalização financeira. Todos devemos nos dar a mão para exigir pão, mel e igualdade e este é um momento dessa construção”, disse. No sábado, dia 3, às 9 horas, o ministro participa da conferência O Papel do Ensino Superior na Perspectiva de uma Educação Cidadã, no Auditório Maria Lacerda de Moura, no Centro de Convenções do Anhembi.

O Fórum Mundial de Educação São Paulo (FME-SP) vai reunir educadores de várias partes do mundo para discutir o tema “Educação Cidadã para uma Cidade Educadora”. O evento acontece na capital paulista, de 1 a 4 de abril.

O FME-SP terá como sede o Palácio de Convenções do Anhembi, no entanto, algumas atividades vão ocorrer em locais próximos, como Estádio da Portuguesa e UniSantana. A expectativa da organização é receber um público de 60 mil pessoas.

Entre os palestrantes confirmados, estão personalidades como o assessor da presidência Frei Betto, o teólogo Leonardo Boff, o sociólogo Emir Sader, os educadores franceses Bernard Charlot e Louis Weber, o colombiano Ramón Moncada, a espanhola Pilar Figueras (presidente da AICE), a argentina Alicia Cabezudo (diretora da Rede Latino-americana de Cidades Educadoras), secretários de Educação, professores de universidades brasileiras e estrangeiras.

Para saber mais informações sobre o FME-SP, acesse: http://www.forummundialeducacao.org/.

 

Os sites indicados neste texto foram visitados em 23/01/2004

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

 

 

Vencedores do Concurso inovam no uso pedagógico da Internet

Vencedores do Concurso EducaRede
inovam no uso pedagógico da Internet

Depois de apresentarem projetos desenvolvidos na escola, professores participam da fase internacional, elaborando com vencedores de outros países um projeto colaborativo

da Redação

Antonia Lucélia dos Santos Mariano (CE), Alair Betti Della Coletta (SP), Gládis Leal dos Santos (SC) e Ingrid Broch (RS). De norte a sul do país, estas professoras são exemplo de profissionais que inovam no uso pedagógico da Internet. E, por isso, venceram o Concurso Internacional EducaRede: Internet e Inovação Pedagógica, promovido pela Fundação Telefônica.

Na tarde desta terça (25/9), Antonia, Alair, Gládis e Ingrid foram premiadas por mostrar como a Internet pode contribuir com a Educação de crianças e jovens. Seus projetos desenvolveram a colaboração, a produção, a comunicação e a pesquisa via Web, entre outras habilidades, cada vez mais necessárias na atual sociedade. Um trabalho virtual com os pés enraizados na escola, na cidade, na cultura, no prazer de descobertas que deu a alunos e professores, juntos, a chance de experimentarem novas possibilidades pedagógicas.

O caminho percorrido pela “Estrada da Fé”, nome do projeto desenvolvido pela professora Antonia, a leva agora à Madri, para participar da fase internacional do Concurso e do IV Congresso EducaRede na Espanha. Com ela, vão as outras três ganhadoras que deixam o país já com um novo desafio: desenvolver um projeto colaborativo com os ganhadores do Concurso EducaRede da Argentina, Chile, Colômbia e Espanha. O sorteio das duplas de trabalho entre os países foi realizado na cerimônia de premiação, em São Paulo, que “conectou” os participantes dos eventos por meio de videoconferência. Antonia fará parceria com um professor do Chile, assim como Alair. O parceiro de Gládis é da Colômbia, e de Ingrid da Argentina.

 “Às vezes a gente se sente tão desacreditada… Hoje vemos que estamos no caminho certo”, comemora a professora Ingrid, de Porto Alegre. Também do sul do país, Gládis Leal deixou Joinville com o pé engessado para ir ao evento. “Fiquei muito feliz por ter encontrado pessoas com quem me relaciono há muito tempo, mas só pela Internet. Receber essa premiação foi tudo! São tantos trabalhos, de todo o país…”  Da pequena cidade de Torrinha (SP), a professora Alair dedicou o prêmio aos alunos e professores da Escola Estadual Lázaro Franco de Moraes, pelo empenho em enfrentar com ela as dificuldades de se trabalhar no “interior, com pouca infra-estrutura tecnológica”. A professora Antonia também lembrou dos desafios, mas principalmente da falta de apoio e de reconhecimento de seu trabalho. “Eu dedico esse prêmio a Padre Cícero e aos romeiros de todo o país”, já que o projeto desenvolvido por ela faz uma reflexão sobre os romeiros de Juazeiro do Norte (CE).

Mas não foram só as quatro professoras que comemoraram nesta terça-feira. No total, 12 educadores foram premiados, dos vinte projetos finalistas. Um deles foi Paloma Fernandez, de São Paulo, levou mais de quarenta alunos para a torcida. As propostas concorreram em quatro categorias: Uso do EducaRede (Ensinos Fundamental 2 e Médio) e Uso da Internet (Ensinos Fundamental 2 e Médio). Os educadores que ficaram em segundo lugar receberam um computador e os que ficaram em terceiro, um iPod. A classificação geral foi a seguinte:

Uso do EducaRede – Ensino Fundamental 2

1  
Antonia L. dos Santos Mariano
Oficina de Criação do Livro Eletrônico – “A Estrada da Fé”  Juazeiro do Norte (CE)
2
Marli L. D. Fiorentin
Vidas Secas: da Ficção à Realidade Nova Bassano (RS)
3
Paloma M.Fernandez
Monitoria Voluntária em Informática Educativa São Paulo (SP)

Uso do EducaRede – Ensino Médio

1
Alair Betti Della Coletta         
Torrinha – Pérola da Serra                  Torrinha (SP)
2
Marcia Adriana da Silva
Lixo, o que podemos fazer? Guaíra (SP)
3
Rubenita Sales da Silva
Escola Egídia: 70 anos e muita estória pra contar                  Morada Nova (CE)

Uso da Internet – Ensino Fundamental 2

1
Gládis Leal dos
Santos           
Blog Palavra Aberta – intercâmbio de idéias no ciberespaço Joinville (SC)
2
Maria Lucia Carneiro Pinto
Almanaque Indígena do Brasil – Hoje! Porto Alegre (RS)
3
Fernando José de Lima
Uso da Internet como aliada nas aulas de Português e Inglês Cananéia (SP)

Uso da Internet – Ensino Médio

1
Ingrid Kuchenbecker         Broch
Drama Club Webwriters            Porto Alegre (RS)
2
Cleber Silva de Menezes
Estudo Exploratório sobre o Uso de Ambientes Virtuais Colaborativos de Aprendizagem no Ensino Básico de Física Nova Iguaçu (RJ)
3
Maria Ap. Marconcine
Projeto Criação de Blogs Imperatriz (MA)

“O Concurso Internacional EducaRede é um levantamento de boas práticas do uso pedagógico da Internet, que valoriza a iniciativa dos professores e mostra a importância da Internet como um recurso de inclusão social”, reforça Sérgio Mindlin, diretor-presidente da Fundação Telefônica. “E ser inovador tem seu preço. Significa incomodar aqueles que não querem ser incomodados”, completa o professor aposentado  José Manuel Moran, da Escola de Comunicações e Artes (USP). Ele cumprimentou os finalistas por serem exemplos de profissionais que têm coragem de inovar. “Só vale a pena ser professor se você gosta de aprender. Para ensinar não precisa de grandes tecnologias, mas ter essa atitude aberta. Quem me ensinou a lidar com a tecnologia foram meus alunos e meus filhos”, disse Moran, finalizando: “O que me mantém vivo é aprender”.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)