Viva os mestres!

Por que é bom ser professor?

Professores de todo o Brasil estiveram reunidos em Cajamar (SP) no 6º Encontro do Programa Crer para Ver, que apóia iniciativas para a melhoria da qualidade da escola pública brasileira. O EducaRede aproveitou a ocasião para perguntar aos educadores sobre as vantagens da profissão. Confira algumas repostas abaixo:

Por Paloma Varón

“A gente pode ampliar possibilidades, transformar vidas. No meu caso, o que me gratifica é a mudança de postura, o fato de os jovens acreditarem que é possível ler e escrever. Assim, eles conseguem romper uma barreira social e passam a acreditar em si.”
Ana Cristina Falcão (Salvador – BA)
“Ser professor está ligado ao projeto de vida das pessoas. Quem trabalha com semeadura tem que estar sempre semeando. E nós semeamos coisas em que acreditamos.”
Djalcir Ferreira (Rio Branco – AC)
“Ser professor é, antes de qualquer coisa, uma atitude profissional. A gente precisa resgatar esse caráter. A nossa profissão tem algumas particularidades: está ligada à nossa vida, aos nossos valores, sonhos e desejos. E necessariamente tem um caráter político e afetivo. Nós podemos socializar a aprendizagem e aprendemos com os alunos. É uma grande troca de experiências. A experiência docente modifica o professor, impõe desafios, nos faz repensar valores e buscar outros olhares.”
Paulo Roberto Silva (Fortaleza – CE)
“Tem um momento em que, quando você está lidando com o aluno, percebe como eles pensam. E tem a possibilidade de intervir, de ajudá-los a refletir sobre o que eles estão pensando, vivendo. Assim, eles podem ampliar o olhar e você pode contribuir para isso. Acho que a condição para ser professor é acreditar na capacidade do aluno.”
Cybele Amado de Oliveira (Palmeiras – BA)
“Em primeiro lugar, você consegue fazer uma integração sócio-cultural com as pessoas. A profissão nos desafia para a formação permanente, crítica e reflexiva e impulsiona a nossa revisão dos princípios profissionais e acionadores da aprendizagem – articulada com o local e o global.”
Armgard Lutz (Ijuí – RS)
“Ninguém na vida conseguiu passar sem um professor. É a semente da vida de cada um. Ser professor é importante porque seu trabalho está sempre em movimento, lidando com a dinâmica da vida, com o mundo. E a nossa possibilidade de aprender sempre, aprender com o aluno. O professor não pode parar de observar a vida, estudar.”
Joelma de Souza Vieira (Rio de Janeiro – RJ)
“A principal vantagem é acompanhar o crescimento diário dos alunos. Uma das coisas que me leva a não desistir nunca da profissão é a possibilidade de se reconstruir como profissional sempre. A gente sempre avalia a prática e busca melhorar constantemente.”
Márcia Farinella (Concórdia – SC)
“No meu caso, que trabalho em escolas públicas da zona rural, ser professor é ter a dor e o privilégio de trabalhar com os excluídos. Como a atividade econômica no campo está esfacelada, tenho o desafio de acompanhar e aconselhar as crianças que passam pelo êxodo para as zonas urbanas.”
Maria Lúcia Prado Costa (Paraguaçu – MG)
Os sites indicados neste texto foram visitados em 11/10/2002

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Um dia depois do outro para ler e escrever

Um dia depois do outro para
ler e escrever

A continuidade é peça fundamental no planejamento das atividades de escrita. Veja neste artigo como uma atividade permanente, a leitura de jornal, pode ser bem aproveitada didaticamente, instigando um grupo de crianças a ler, escrever e a conhecer mais

Por Nanci Ferreira das Neves
Instituto Avisa Lá 

A leitura de jornal pode fazer parte da rotina de um grupo de crianças. Ler a programação especial para o fim de semana é sempre um bom assunto para a sexta-feira. Além disso, conhecer o noticiário e artigos interessantes ou mesmo anúncios que possam dar ganchos para boas conversas, ou um projeto didático. Às vezes, a conversa sobre uma notícia motiva as crianças a continuarem investigando uma questão em pauta, alimentando os projetos do grupo. Foi o que aconteceu em uma das atividades de uma sexta-feira, na Escola Projeto Vida.

O jornal chega na sexta-feira à tarde

Escolhemos um artigo que falava sobre o Sítio Santa Luzia, onde hoje está sediada a Escola Projeto Vida. Era um artigo bastante antigo, de 1981. Tratava de um assunto de grande interesse para o grupo, e contava sobre a última moradora do Sítio Santa Luzia, local onde hoje funciona nossa escola. As crianças ficaram muito curiosas com a parte que dizia que a construção era possivelmente uma casa rural do tempo dos bandeirantes.
– Professora, o que é bandeirantes?
– Tempo dos bandeirantes?
Resolvemos então saber mais sobre os bandeirantes. Para isso, relembramos como poderíamos pesquisar. As crianças disseram que seria nos livros, no computador e escrevendo no caderno. Então, fomos ao computador e fizemos uma busca na Internet. Não conseguimos nada que interessasse ou satisfizesse a curiosidade do grupo. Também acompanhamos as crianças à biblioteca, para pedir à Mônica, a funcionária da biblioteca, uma ajuda na localização de livros sobre o tema.

Segunda-feira, na roda de conversa

Vivian trouxe de casa uma pesquisa realizada com seu pai. Também Luana havia perguntado ao pai, mas ele não teve tempo naquele momento e não falou mais no assunto. Ainda curiosa, Luana insistiu em casa, até que conseguiu a pesquisa que desejava, realizada com o pai. O interessante é que essas iniciativas foram tomadas pelas próprias crianças, motivadas pelo valor que dão a esses estudos. Então, com os livros e com um artigo da Internet, as crianças se dividiram em três subgrupos para pesquisarem. Cada grupo ficou com uma fonte de informação, lápis e papel para anotar o que era importante. As crianças discutiam entre si, tiravam conclusões, algumas liam uma parte ou outra do texto, dentro de suas possibilidades. Muitos grupos nem precisaram recorrer à minha ajuda: – Deixa o João Vitor ver o livro, porque ele sabe ler! – dizia uma das crianças, organizando um pequeno grupo atento à leitura do colega.

Na terça-feira, a pesquisa continua

No dia seguinte, de posse das anotações, cada grupo relatou sua experiência: as crianças contaram como se organizaram para a pesquisa, o que cada um fez, por que não deu certo, como foi ouvir o colega, prestar atenção às suas idéias e, principalmente, sobre a importância de participar e dividir as tarefas. Além disso, expuseram, finalmente, o que conseguiram descobrir sobre a pesquisa acerca dos bandeirantes.

Grupo 1: Pedro, Murilo, Gabriel, Sophia e André Luiz

  • Descobrimos que eles usavam armas de madeira e facão.
  • Usavam as armas para atirar nos bichos (animais), como onça, cobra, aves.
  • Usavam chapéu.

Grupo 2: Vivian, Ana Elisa, Giovanna,Giulia, Milena, Rafaella e Ana Clara

  • Matavam crianças e velhos das aldeias indígenas.
  • Queriam matar os índios, porque os índios queriam matar eles com flechas.
  • Bandeirantes usavam flechas e os índios também.
  • Descobri que na folha da pesquisa estava escrito as palavras São Paulo e Europa.

Grupo 3: Eduardo, João Vitor, Celine, Luana e Felipe

  • Espadas.
  • Tinham barbas e botas.
  • Usavam botas, espadas, chapéu, capa, cinto e tinham cavalos.

Cada grupo mostrou suas anotações enquanto o restante da sala comentava as novidades. Através das pesquisas as crianças tiveram importantes informações sobre os bandeirantes:

Grupo 1BADERATIS / ELSIO SLIOSO SUA FACAN
ELISOSAVANARMADEMADERAELISOUAVANCA
CETEMDEM

Grupo 2

BANDERANTE / SÃO PAULO / EUROPA

Grupo 3

BANDTERTES /  ESPADA / BOTA
CAPA / XAPEU / CAVALO / SITO

Depois da participação de cada grupo, apresentamos os livros que vieram da biblioteca para buscar outras referências da história. A conversa foi longe e não conseguimos sistematizar todas as novas informações nessa roda: marcamos na nossa agenda o compromisso para o dia seguinte.


Na quarta-feira, todos já sabem bastante

De volta à roda, as crianças retomaram os aspectos mais importantes sobre tudo o que haviam aprendido sobre os bandeirantes e suas casas rurais e, para organizar as novas informações, as crianças produziram coletivamente um texto sobre o assunto:

– Nossa, esta folha estava toda branquinha e agora esta toda escrita e a Nanci vai ter que pegar outra folha! – disse André, animado com aquela visibilidade das leituras e pesquisas de todos.

Felipe, que havia faltado na terça-feira e estava, portanto, desatualizado, participou fazendo perguntas interessantes não só sobre o assunto, mas também sobre a escrita:

– Nossa! Tem muitas vezes a palavra “pedras preciosas”.

Eduardo também notava a ocorrência de palavras repetidas: ele mesmo havia lido duas vezes a palavra São Paulo, muito próxima uma da outra. A observação dos dois levantou a necessidade de fazer uma revisão do texto.

No dia seguinte, com o texto fixado num lugar bem visível para todos, iniciamos o processo de revisão, pois ficou evidente, na postura do Eduardo, o quanto é importante também ver o texto e não apenas ouvir. As crianças apontaram, basicamente, as palavras repetidas, a estrutura de alguns parágrafos e, principalmente, exigiram que acrescêssemos ou corrigíssemos algumas informações. Comparando a primeira e a segunda versão podemos observar os avanços que as crianças conseguiram no texto que produziram coletivamente.

Os Bandeirantes
Os bandeirantes são homens que usavam armas, facão, espingardas e espadas. Eles entravam na mata e cortavam as árvores com facão para cortar o espaço para não atrapalhar e também para descobrir ouro e pedras preciosas.Eles obrigavam os índios a trabalhar para eles e ganhavam dinheiro e pedras preciosas. Os índios tinham arco e flecha.

Eles andavam muito e, às vezes, dormiam na rede. Eles tinham medo da chuva e dos trovões, porque os animais atacavam e também eles tinham medo de pegar doenças de mosquitos ou aranha ou de marimbondo.

Os bandeirantes é que abriram mais espaço para São Paulo.

Texto coletivo do G5 Chiclete

Os bandeirantes eram homens que usavam armas, facão, espingardas e espadas. Eles entravam na mata e cortavam as árvores para procurar ouro e pedras preciosas.Os bandeirantes punham os índios escravos para trabalhar ajudando a entrar na mata, pois eles sabiam muito da mata e a achar pedras preciosas e ouro. Os índios tinham arco e flecha. Os bandeirantes andavam muito e as vezes
dormiam na rede.

Eles tinham medo da chuva e dos trovões porque os animais atacavam e também eles tinham medo de pegar doenças de mosquitos, aranha ou marimbondos.

Os bandeirantes é que abriram mais espaço
para São Paulo.

Texto coletivo do G5 Chiclete

Na quinta e na sexta, começa tudo de novo

Na quinta-feira o texto foi exposto no painel, ao lado do artigo, para ampliar aos conhecimentos de outros leitores curiosos como eles. E na sexta, novamente, dia de ver o jornal, a programação para o fim de semana, notícias, artigos, tirinhas e tantas outras perguntas que as crianças, curiosas, sempre trazem para a roda, alimentando o dia-a-dia de quem gosta de aprender.

Casas BandeiristasAo descrever as casas bandeiristas, Theodoro Sampaio destaca: “As paredes de taipa, branqueadas com tabatinga, espessas e pouco elevadas, com gelosias, dão às edificações esse aspecto maciço e abarracado que uns poucos e malfeitos ornamentos em nada atenuam.

(…) O interior é amplo, pouco iluminado e de aspecto monacal. O mobiliamento escasso e feio, feito de cedro e couro lavrado, ou de jacarandá, exibe peças de valor, mas sem elegância. A rede mais ou menos guarnecida de rendas e lavores bizarros é a peça principal das varandas, onde substitui o sofá e onde as damas fazem sua sesta, ou recebem as visitas de maior intimidade. Bancos de pau, pequenos e baixos tamboretes com algumas cadeiras completam a mobília da sala de jantar. Os costumes paulistas eram singelos, quase ingênuos.”

Bandeirantes já pisaram o chão da escolaEntrevistas com moradores antigos e pessoal da escola, acesso a documentos de tombamento da casa, visitas às ruas do bairro ampliaram o conhecimento das crianças acerca do espaço que freqüentavam diariamente. As crianças descobriram que a escola fora um sítio chamado Santa Luzia, onde morava uma velhinha. Havia uma cascatinha aonde as pessoas vinham pegar água. Nanci, uma funcionária da escola, quando era pequena vinha brincar com uma amiga que morava em frente ao sítio e tomava água nessa cascatinha. A leitura do artigo do jornal ensejou também uma busca por mais informações a respeito do prédio da escola. O artigo de Renée P
reira, do Jornal O Estado de São Paulo – 4/12/1998, resgatado pelas crianças, contava que: “A poucos quilômetros do centro, um cenário bucólico esconde parte da memória da cidade. Uma construção de pelo menos 200 anos desafia a ação do tempo e dá um ar ‘interiorano’ à elegante rua Sóror Angélica, no Jardim São Bento. O imóvel, conhecido como Sítio Santa Luzia, foi tombado em 1982.

A casa tem paredes de taipa de pilão, com 70 centímetros de espessura, janelas de madeira, pintadas de verde, e a cobertura com duas águas de telha colonial. O imóvel ainda conserva o madeiramento – terças, o pau da cumeeira e caibros – original. No processo de tombamento, os técnicos do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado Condephaat) avaliaram as características e a situação geográfica do imóvel e chegaram à conclusão de que a casa pode ser do tempo dos bandeirantes.

Segundo o relatório do Condephaat, a região norte de São Paulo, situada à margem direita do rio Tietê, possivelmente, foi habitada por colonizadores portugueses. No local teria existido uma fazenda, cujas terras estendiam-se de um lado até a estrada de Jundiaí e de outro até a várzea do Tietê – que hoje abrange os bairros do Mandaqui e a serra da Cantareira. No século 18, a fazenda possuía um patrimônio vasto, com 47 casas, 176 moradores e 300 cabeças de gado. A existência de outras fazendas, ao redor da propriedade, serviu para demonstrar que a região possui muitas benfeitorias do século 17. O Sítio Santa Luzia fica próximo à área dessa fazenda, cujo nome seria Santana ou Tietê, e também do Sítio Morrinhos. Todas essas edificações são exemplos de moradas seiscentistas.

Proprietários

A Vila Esther, nome que foi dado ao sítio, foi vendida, em 1891, por Joaquim Eugênio de Lima, a Victor Nothman Junior. A propriedade passou, em 1911, para as mãos do comendador Leôncio do Amaral Gurgel, que a perdeu por hipoteca para a baronesa Maria Angélica de Souza Queiroz Barros, em 1916.

Francisco Martins Teixeira comprou a Vila Esther em 1917. Naquela época, o sítio tinha 710,7 mil metros quadrados. Com a morte do dono, o imóvel ficou com a viúva, Maria Augusta Lima Teixeira.

O sítio ficou conhecido como a ‘chácara da biquinha’, referência a uma fonte de água. Hoje, o Sítio Santa Luzia abriga o Projeto Vida, uma escola de Educação Infantil.”

F I C H A  T É C N I C A

Realização: Escola Projeto Vida – Unidade Jd. São Bento.
Endereço: Rua Sóror Angélica, 364 – CEP: 02452-060
Tel.: (11) 6236-1459 / (11) 6236-8345
E-mail: projvida@nutecnet.com.br
Site: www.projetovida.com.br
Coordenadora Pedagógica: Débora Rana
E-mail: deborarana@projetovida.com.br
Educadora: Nancy Ferreira das Neves
Apoio de pesquisa: Mônica Aparecida de Souza
P A R A  S A B E R  M A I S 
Biblioteca Monteiro Lobato. Rua Waldemar Martins, 148 – Casa Verde. CEP: 02535-000. São Paulo – SP.
Agendar visita com Mônica ou Marceli no telefone: (11) 6236-1425.

Casa dos Bandeirantes. Praça Monteiro Lobato, s/n. Butantã. CEP: 05506-030. São Paulo – SP.
Agendar visita com Fernando no telefone: (11) 3031-0920.

Casas Bandeiristas. Julio Roberto Katinsky – IGEOG – USP

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Sala de informática boa é sala de informática aberta

Sala de informática boa é sala
de informática aberta

Secretária de Estado da Educação de São Paulo admite que as salas não funcionam e anuncia medidas

José Alves

A grande maioria dos cinco milhões de alunos da rede estadual de São Paulo não tem acesso aos computadores da escola. O motivo: falta de manutenção. A informação é da própria secretária de Estado, Maria Helena Guimarães de Castro, para quem o principal desafio hoje, neste assunto, é garantir o funcionamento dos equipamentos que já existem, uma vez que 80% das escolas de São Paulo possuem sala de informática com computadores conectados à Internet em banda larga.

Segundo Maria Helena, a Associação de Pais e Mestres (APM) de cada escola recebe uma verba para diversos gastos, entre eles, a manutenção dos computadores e da rede elétrica. O valor vai passar de R$ 5,40 por aluno para R$ 9,60, pagos em três parcelas ao ano. Mas as escolas não conseguem estabelecer contratos de manutenção principalmente as que estão na periferia, diz a secretária.

No vídeo acima, a secretária explica que a pasta abriu licitação para firmar um contrato terceirizado dos serviços de manutenção das máquinas, conectividade e disponibilização de uma pessoa que permaneça na sala de informática em tempo integral. A terceirização deve atingir 500 escolas de Ensino Médio na cidade de São Paulo e Grande São Paulo em caráter experimental – a rede pública tem mais de 6 mil escolas.

“Ao mesmo tempo, nós estamos testando este modelo com um outro em que nós transferimos um recurso específico para a escola fazer um contrato de manutenção. Mas as escolas estão tendo dificuldade. Muitas já tem contratos feitos por elas mesmas e que não tem funcionado. Estamos buscando alternativas: demos mais autonomia para a escola, com mais recursos para terem um contrato direto da APM com uma empresa e estamos em processo de licitação para a secretaria contratar uma empresa especializada para cuidar de 500 escolas simultaneamente.”

Um estudo de parceria com a Secretaria de Gestão para a implementação nas escolas da infra-estrutura e manutenção realizada nos Telecentros também deve ser feito, além de possíveis alianças com o poder público municipal das cidades do interior paulista.

As informações foram fornecidas pela secretária no evento de lançamento do Instituto para o Desenvolvimento e a Inovação Educativa – Idie, em 5 de março. O instituto é fruto de um convênio entre a Fundação Telefônica e a Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) e pretende atuar na assessoria, apoio técnico, capacitação e outras intervenções e projetos voltados à temática de novas tecnologias na Educação.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Quantos planetas são necessários para sustentar seus hábitos?

Quantos planetas são necessários para sustentar seus hábitos?

 

Para celebrar o Dia Internacional do Meio Ambiente, o EducaRede selecionou um teste que mede o impacto das ações das pessoas para o planeta e jogos na web relacionados ao tema
Por José Alves

 

Um dia para conscientizar a população do mundo todo sobre as mazelas cometidas contra a natureza. A necessidade da reflexão sobre um tema vital para o planeta motivou a ONU (Organização das Nações Unidas) a instituir o dia 05 de junho como o Dia Mundial do Meio Ambiente, durante a Conferência de Estocolmo para o Ambiente Humano, ocorrida na Suécia entre os dias 05 e 16 de junho de 1972. Desse encontro nasceu um documento com 26 princípios e um plano de ações que deveriam orientar as atitudes humanas, as atividades econômicas e as políticas, de forma a garantir a proteção ambiental. Por meio do decreto 86.028, de 27 de maio de 1981, o governo brasileiro também instituiu no território nacional a Semana Nacional do Meio Ambiente, realizada anualmente na primeira semana de junho.

 

Em 1992, foi realizada a Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, conhecida como Rio-92, para analisar os motivos pelos quais a declaração de Estocolmo não teve o efeito de proteção ambiental que se esperava. Uma conclusão de consenso entre os representantes de mais de 170 países presentes ao evento foi a necessidade de rever o conceito de progresso e de desenvolvimento. A partir do encontro disseminou-se a noção de desenvolvimento sustentável, definida como os processos que permitem à sociedade humana atender suas necessidades de alimentação, habitação, saúde, educação, etc. sem prejudicar a integridade e o funcionamento do ambiente.

 

Divirta-se enquanto aprende

Com o intuito de provocar uma reflexão sobre o meio ambiente de forma lúdica, a equipe do Portal EducaRede selecionou sites que abordam o tema por meio de jogos educativos e um teste para medir o quanto nossos hábitos cotidianos interferem na preservação do planeta. Confira:

 

Jogo Casa Eficiente

O jogo disponível no site da ONG WWF foi criado para conscientizar as pessoas do impacto do desperdício de energia nas mudanças climáticas. O desafio de quem visita a Casa Eficiente é encontrar maneiras de economizar energia e diminuir os danos ao meio ambiente. Cada mudança de hábito garante mais pontos ao jogador. Vence o jogo quem diminuir ao máximo o nível de desperdício na casa.

 

Ao navegar pela casa, você também vai encontrar dicas de como utilizar melhor os aparelhos eletrônicos para gastar menos energia e informações sobre o impacto de pequenos gestos no clima do planeta.
Quiz – Que marcas você quer deixar no planeta?

O teste, também disponível no site da WWF, é parte do projeto Pegada Ecológica e, por meio de perguntas sobre hábitos cotidianos, mede o impacto do estilo de vida das pessoas no planeta. Clique na imagem para fazer o teste:

LivroClip –  Ler é Preciso
O site LivroClip apresenta o jogo Ler é Preciso, comperguntas e respostas baseadas no livro Inventário do que podia ser bem melhor e será, do Instituto Ecofuturo. Conheça:

Para fazer o download do game, clique aqui

 

Jogos: Controle da erosão e manejo dos resíduos

No site do Centro Nacional de Pesquisas de Suínos e Aves é possível aprender com os jogos do controle da erosão e do manejo dos resíduos. Neles, o jogador deve encontrar erros nas figuras apresentadas e consertá-los com um clique no mouse. Após consertar cada erro, um texto sobre o problema e a sua solução aparece abaixo da figura.

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Preservando a água doce

Gotas de consciência

Escolas estão contribuindo para que, no futuro, a humanidade não crie guerras pelo controle da água doce, como hoje existem conflitos pelo domínio do petróleo

 

Melanie Torres*

 

 

Toda vez que você abre a torneira, nem imagina que aquela água, que hoje flui com tanta facilidade, pode, no futuro, se tornar o principal motivo de conflitos ? e até de guerras ? entre as nações do mundo. Isso porque, em 25 anos, 1/3 da população da Terra ficará sem esse recurso essencial à vida, caso não sejam tomadas atitudes urgentes, passando por decisões políticas e governamentais e também pela educação e conscientização das novas gerações.

 

Enquanto a população mundial, de 6 bilhões de pessoas, cresce em ritmo acelerado (1,5% ao ano), a quantidade de água tem permanecido constante nos últimos 500 milhões de anos. O planeta Terra tem 71% de sua superfície constituída por água, porém, desse montante, somente 2,5% são de água doce e apenas 0,75% pode ser considerado aproveitável (os 1,75% está em calotas e geleiras polares). Em algumas regiões, como no Oriente Médio, já são constantes as desavenças que a escassez de água vem proporcionando.

 

Não é à toa que a Unesco (Fundo das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) elegeu 2003 como o Ano Internacional da Água Doce para o seu Programa de Escolas Associadas (PEA), iniciativa que reúne mais de 7 mil escolas em todo o mundo e está comemorando 50 anos de existência.  No Brasil, participam do grupo cerca de 250 escolas das redes pública e privada. Segundo a coordenadora regional do PEA no Rio de Janeiro, Aurora Borges, a Unesco sugere um tema anualmente, de acordo com as questões prioritárias que estão sendo discutidas em âmbito internacional. A proposta atual tem por objetivo promover a discussão e o desenvolvimento de atividades práticas em prol da preservação da água.
 

Embora tenham um tema comum, as escolas integrantes da Rede PEA têm total liberdade para criar seus próprios projetos e metodologias. Uma das integrantes brasileiras, a Escola Estadual Profª Maria Dulce Mendes, em São Vicente, litoral de São Paulo, está trabalhando a água como um desdobramento de um projeto bem amplo. Batizado de ?Viva a Ecooperação? . envolve alunos do Ensino Fundamental e Médio e tem por objetivo desenvolver atividades a partir de valores pessoais (saúde e higiene; aprender a ser), sociais (desenvolvimento humano e qualidade de vida; o conviver) e ambientais (preservação; conhecer para preservar).

 

De acordo com a coordenadora pedagógica da escola, Denise Toss, a primeira ação dos estudantes é a elaboração e a realização de um questionário ecológico para diagnosticar hábitos e atitudes dos alunos e da comunidade local com relação ao tema água doce: uso, oferta de água potável, saneamento básico e visão do futuro. Em seguida, é feito um mapeamento das áreas que serão estudadas: rios, córregos, mangues, bacias hidrográficas e parques da região. ?Também queremos sensibilizar os alunos para a importância da coleta seletiva. Vamos dar continuidade ao desenvolvimento da nossa horta orgânica e tentar implantar o processo de horta hidropônica (hortaliças desenvolvidas na água)?, conta Denise.

 

A escola pretende documentar com fotografias todas as atividades para enviar um relatório à coordenação da Rede PEA-Unesco no final do ano letivo. Também há a intenção de criar um jornal para divulgar as etapas desse trabalho. O pontapé inicial já foi dado. No Dia Mundial da Água (21 de março), os alunos realizaram uma panfletagem no bairro para sensibilizar a comunidade na questão da preservação da água.

 

 

Envolvendo a comunidade

 

Água na pauta mundial

A água é um dos pontos mais debatidos desde a realização da Cúpula de Johanesburgo (África do Sul), em 2002, quando foram criaradas as Metas do Milênio. Trata-se de uma proposta de reduzir pela metade a falta de acesso à água potável  (hoje, 1,4 bilhão de pessoas) e a um sistema básico de saneamento (2,3 bilhões) até o ano 2015. Em março de 2003, o 3o Fórum Mundial da Água, no Japão, e o Fórum Social das Águas, em Cotia, (SP) discutiram várias ações que podem decidir o futuro da água.

Igualmente engajados no tema anual da Unesco, os pequenos alunos da Escola Municipal de Educação Infantil e Especial Frei Orlando, no Rio de Janeiro, já assistiram a um vídeo sobre a água doce do planeta, no qual cachoeiras, rios, lagos e nascentes foram mostrados. Inspirados no que viram, as crianças fizeram desenhos que ficaram expostos nas paredes dos corredores da escola. ?Faremos uma eleição para escolher o desenho que vai ilustrar o nosso panfleto?, revela a coordenadora pedagógica Janice Reis Carvalho. ?Reunimos algumas dicas de preservação do meio ambiente para sensibilizar a comunidade vizinha, como por exemplo, evitar o desperdício de água, diminuir a produção de lixo, e da importância de plantar uma árvore.?

 

A realização do projeto ?Educação Ambiental para o Homem Integral?  levou o Centro de Educação Integral da Criança e do Adolescente Nossa Senhora dos Prazeres (CAIC), em Lajes (SC), a ser indicado para representar a Rede PEA Brasil como escola rural. O trabalho, desenvolvido com alunos de Educação Infantil, Ensino Fundamental, Supletivo e até Terceira Idade, tem foco na adoção do riacho vizinho da escola, visando proteger suas nascentes e replantar a mata nativa em suas margens. Além disso, lançaram uma campanha local para a questão do lixo. ?Pretendemos sensibilizar a comunidade para que o riacho deixe de ser um depósito de detritos?, comenta a diretora Vera Marcia Fiqueiredo Morais. No futuro, articulando parcerias com outras escolas e órgãos públicos, o CAIC quer transformar o local numa área de lazer e turismo.

 

 

Direto da fonte

 

Talvez por abrigar a nascente límpida do poluído Rio Tamanduateí, o município de Mauá (Grande São Paulo), seja um exemplo raro de engajamento da comunidade em temas ambientais.  Há cinco anos, a cidade realiza a tradicional Expoágua, evento que reúne trabalhos sobre meio ambiente desenvolvidos por alunos da rede pública de ensino de Mauá e que recebe visitantes assíduos de várias cidades vizinhas. De acordo com o assessor técnico da Sama (Saneamento Básico do Município de Mauá), Sérgio Neves, a idéia começou a ser formulada em 1997, quando os professores da rede pública procuraram o órgão para ter acesso a informações mais detalhadas sobre o tratamento de água oferecido. A demanda foi tanta que a Sama resolveu realizar cursos e seminários específico para escolas ? alguns deles ministrados por professores da Universidade de São Paulo (USP). Assim, cientes da importância de preservação da água, alunos e professores criaram grupos de estudos dentro das escolas para as questões ambientais.

 

A 5ª edição da Expoágua reuniu, em 2002, cerca de 3,5 mil alunos e professores no saguão do Teatro Municipal de Mauá para conhecer os trabalhos dos estudantes de 33 escolas, muitas integrantes da Rede PEA-Unesco.  A Escola Municipal Cora Coralina foi um dos destaques da exposição por desenvolver uma atividade que une educação ambiental e desenvolvimento humano. Tendo como base o estudo do rio Tamanduateí, os estudantes coletam água em sua nascente e em dois pontos intermediários, depois, o material é levado para análise para verificar se há coliformes fecais e resíduos químicos. Os alunos também observam a vegetação, o volume de lixo e a ocupação humana do local.

 

Por que vai faltar água?

O volume de água em circulação depende do ciclo hidrológico:  precipitação (chuvas), escoamento (rios) e fluxo de águas subterrâneas. A quantidade de água doce gerada é hoje basicamente a mesma de 1950 e deve se manter em 2050. As mudanças climáticas serão responsáveis por 20% do aumento da falta d?água, segundo a ONU. Nas cidades sem serviço de saneamento básico e rede de esgoto, os detritos são lançados nos rios e no mar, além dos dejetos industriais. Atualmente, estima-se que haja 120 mil km³ de água contaminada no mundo – quantidade maior do que o total das dez maiores baciais hidrográficas do planeta.

Segundo o coordenador pedagógico e professor de Geografia, Antonio Coelho de Souza Nascimento, o objetivo desse projeto que envolve estudos em ambientes externos à escola é sobretudo construir valores de trabalho cooperativo. ?Nós, professores, entendemos que fazer os alunos perceberem na prática as questões ambientais e sociais é mais importante que decorar textos e copiar frases do quadro?, avalia. E avisa: ?Não é uma simples excursão. O passeio, a visita, pode ser agradável sem perder o aspecto pedagógico?.

 

Perto do rio Tamanduateí existe uma ocupação irregular na forma de favela. ?A partir daí, incentivamos os alunos a pensarem a respeito dos problemas ambientais do rio e da população que vive ali e em que condições, ou seja, entra o aspecto social, cultural e econômico?, acrescenta o professor Antonio. Ele enfatiza que o projeto permite que os alunos valorizem os aspectos ambientais e sociais do meio em que vivem, construindo uma atitude responsável.

 

*Melanie Torres é jornalista, colaboradora do EducaRede

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Internet: a rede que envolve tudo

Internet é um conjunto de redes de comunicação e informação, atualmente disponíveis em quase todo o planeta, que permite a seus usuários encontrar todo tipo de conhecimento, comunicação e diversão, além de realizar compras, fazer consultas etc.

O nascimento da Internet aconteceu na década de 1960 com a finalidade de manter as comunicações institucionais e políticas nos Estados Unidos em caso de uma possível guerra. Porém, a experiência foi tão frutífera que, desde a primeira demonstração pública, em 1972, a ferramenta foi se aperfeiçoando até alcançar aquilo que hoje conhecemos como Internet.

Atualmente, crianças e “não tão crianças” utilizam essa ferramenta diariamente, para trabalhar, aprender, se comunicar ou se divertir. Existem mais de 24 bilhões de páginas na web no mundo todo, e diariamente são realizadas mais de 200 milhões de buscas na Internet. Frente a tudo isso, é fundamental conhecer as ferramentas e serviços existentes na rede para orientar a navegação de crianças e adolescentes.

 

Hábitos de Consumo da Geração Interativa

Tempo

Cada vez mais, as crianças dedicam parte do seu tempo livre a navegar na rede, em busca de entretenimento.

Companhia

Embora muitas crianças acessem a Internet na companhia de adultos, a maioria navega sozinha.

Localização

É cada vez maior o número de crianças com computador no seu quarto ou no de algum irmão.

Conteúdos

A grande maioria das crianças que acessam a Internet buscam diversão e entretenimento. Os mais solicitados: videogames e páginas que permitem manter ou aumentar sua rede social, como salas de bate–papo, messenger, comunidades virtuais etc.

Multitarefa

A Internet permite interagir com outras telas. Ao mesmo tempo em que se acessa a web, pode-se assistir televisão, usar o celular, jogar videogames ou até fazer as lições de casa.

Percepção do meio

As crianças pensam que sabem mais do que todos em casa sobre a Internet. Ninguém ensinou a elas como usá-la, por isso se consideram os experts da família. A grande maioria das crianças que usam a web são conscientes de que se trata de algo muito útil. No entanto, nem todos a consideram imprescindível. Alguns chegam a vê-la como um capricho.

 

Oportunidades

Limitando-nos somente ao âmbito educativo, a Internet permite instruir-se de maneira divertida. Além do mais, facilita a participação dos pais e dos filhos em atividades conjuntas. A contínua atitude de busca que deve manter a criança frente à Internet pode favorecer sua curiosidade pelo conhecimento e seu desenvolvimento intelectual.

Por último, ela permite que a criança elabore seus próprios conteúdos: criar um blog, participar de uma rede social adequada à sua idade, manter um site na web etc., o que fomenta sua criatividade e sua responsabilidade.

 

Riscos

Os riscos podem ser reunidos em três níveis: a exposição a conteúdos nocivos, a excessiva carga horária dedicada e a possibilidade de contatar pessoas potencialmente perigosas para sua integridade física ou psíquica. A Internet põe ao alcance das crianças, com grande facilidade, páginas cujos conteúdos são inadequados, inclusive para adultos – muitas delas, no limite da legalidade.

O poder de atração da ferramenta faz com que muitas crianças usem seu tempo livre para se conectar à Internet, em detrimento de outras opções como dormir, se relacionar com seus familiares e amigos ou participar de outras atividades destinadas ao ócio (escutar música, ler um bom livro, praticar algum esporte etc.).

A facilidade e a gratuidade de muitas páginas destinadas à comunicação dos internautas pode impedir a comunicação direta e cara a cara entre as pessoas, ao mesmo tempo em que facilita o contato com desconhecidos. E isso pode ser perigoso.

 

Alguns conselhos

Intercâmbio de experiência

Compartilhe suas experiências educativas relacionadas às novas tecnologias e conheça as iniciativas de outras famílias na página do Gerações Interativas.

Dica: a página está em espanhol, mas os internautas brasileiros podem escrever em português.

Conheça o meio

Seja o primeiro navegante: acesse a rede e descubra todas as suas possibilidades.

Seja você a referência

Eles usarão a Internet da mesma forma que você.

Uso conjunto

Navegue com seus filhos: mostre a eles suas muitas utilidades. Partilhe com eles a seleção de conteúdos. Se alguma coisa chamar sua atenção ou surpreendê-los, a melhor atitude é que vocês analisem juntos.

Mais vale prevenir

Advirta seus filhos sobre as armadilhas mais comuns na Internet: eles nunca devem fornecer dados pessoais ou familiares, responder mensagens de origem desconhecida, combinar encontros com pessoas que conheceram na Internet etc.

Cada coisa no seu lugar

Coloque o computador em um lugar da casa a que todos tenham acesso. Se estiver no quarto do filho, você não vai poder acompanhar o uso.

Utilize a ajuda tecnológica

Use algumas ferramentas técnicas para assegurar a melhor qualidade possível aos conteúdos acessados em sua casa, aos aplicativos e ao tempo dedicado à navegação (filtros de conteúdo, bloqueio de aplicativos, software de controle de tempo). Todos vão agradecer.

Seja um “cibersentinela”

Se você encontrar conteúdo ilegal, denuncie em alguma das páginas destinadas a isso.

Internet é um meio, não é um fim

Não há sentido em se conectar sem saber para quê: uma navegação sem rumo costuma provocar muitos naufrágios.

 

O que você pode fazer para que sua casa seja um lugar tecnologicamente responsável?

Em quase todos os momentos do dia interagimos com uma tela digital em nossa casa e em nossa vida. Vemos televisão, falamos ao telefone, enviamos SMS, abrimos emails, acessamos à Internet para buscar informação… é uma grande oportunidade que facilita nossas vidas tanto no âmbito do trabalho como nos momentos de descanso, na comunicação etc.

Já nos acostumamos com as telas digitais como parte de nossa vida, mas em algumas ocasiões ainda não nos damos conta da importância de fazer uso responsável delas. Temos consciência de desligar a luz quando saímos de casa, por exemplo, entretanto, nem sempre desligamos a televisão quando saímos da sala de estar para preparar algo para comer. Conseguimos entender que a partir de uma determinada hora não devemos ligar para o telefone fixo de uma casa para não interromper o descanso alheio, mas não pensamos o mesmo se a chamada for para um telefone celular. Assim, nos ocorre a pergunta “que exemplo de lar queremos dar à sociedade do futuro, às nossas crianças e aos adolescentes de hoje?”.

Desde já fazemos a primeira proposta: criar um espaço para guardar os celulares desligados. Ao chegar em casa, assim como temos um lugar para colocar as chaves, por que não dispor de um espaço onde os membros da família possam deixar os celulares desligados? Assim desfrutaremos de um momento do dia sem interrupções. Qual a sua proposta? Ajude-nos a criar um lar tecnológico para todos por meio da discussão sobre o tema. Deixe aqui seu comentário.

Fonte: Gerações Interativas
Tradução: Carla Jimenez

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(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Na “festa” da Cultura Digital, educação ganha voz

Na “festa” da Cultura Digital, educação ganha voz


Grupo de Estudos promoveu encontro presencial, que extrapolou a sua própria rede

Giulliana Bianconi

 

Há mais coisas em comum entre o Fórum da Cultura Digital e o Grupo de Estudos Online Educar na Cultura Digital além do nome que apresentam. O que pôde ser visto – e sentido – durante os três dias da segunda edição do Fórum, na Cinemateca, em São Paulo, foi um ambiente de intenso compartilhamento e até de euforia entre os participantes.

Entusiasmo que talvez se justifique por estar mais evidente, a cada edição do Fórum, que a máxima defendida pelos mais engajados na cultura digital parece irrefutável: esta é a cultura “real”, e não somente à qual se tem acesso “de vez em quando”.

E esta cultura é horizontalizada, ampla, agregadora. No Fórum, assim como acontece no Grupo, o que menos importava era “quem sabia mais”, quem era “doutor” ou “mestre”. A disposição dos participantes em discutir experiências e a pré-disposição para aprender, ouvir e interagir fez do evento um daqueles encontros em que é difícil alguém não “sair ganhando”. E não por acaso, no meio dessa atmosfera, aconteceu o primeiro encontro presencial do Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital.

Participante do Grupo, a professora e mestre em Engenharia de Mídias para a Educação Débora Sebriam esteve na conversa. Explicou por que gostou da proposta do Educar na Cultura Digital “de cara”. “O Grupo nasceu e me inscrevi logo após o lançamento. Gostei muito do formato, que não privilegia ‘receita de bolo’, mas abre a chance para o diálogo e a experimentação entre pessoas com preocupações, anseios e curiosidades comuns”.

“Receitas” também foram dispensadas do encontro presencial. Como bem foi destacado em texto do blog Recursos Educacionais Abertos , “em vez de algumas pessoas, definidas previamente, apresentarem suas experiências e responderem a perguntas, como estava previsto, o encontro floresceu como uma roda de conversa horizontal em que as cerca de 40 pessoas presentes puderam se apresentar e discutir os temas que surgiam”.

Com o tema “educação na cultura digital” , problemas foram apontados, dificuldades discutidas, mas uma visão otimista predominou. Tanto os integrantes do Grupo de Estudos quanto os das outras redes educativas presentes – REA, Mocambos, Puraqué – tinham boas experiências para compartilhar. Mais que isso: tinham expectativas de avanço e transformação graças ao que já vivenciaram nas redes em que atuam. O professor José Carlos Antônio, mediador do Grupo de Estudos, destacou: “Antes, os educadores não tinham acesso à cultura digital, não a vivenciavam em suas práticas. Hoje começam a vislumbrar possibilidades”.

Buscando o melhor caminho

Como em todo novo processo, os erros fazem parte. Foi o que mostrou Jader Gama, do Puraqué, ao falar sobre um dos projetos desenvolvidos por esta rede no Pará. Ele contou que os professores, inicialmente, foram excluídos de um projeto que tinha como objetivo a metarecicalgem, mas logo em seguida essa decisão foi repensada, os professores inseridos e os resultados ampliados. Houve, de fato, uma inclusão da comunidade escolar.

Esta resistência inicial dos professores pode ser compreendida em análise feita posteriormente por Débora Sebriam: “Nós sabemos que o ambiente escolar é regido por um sistema ‘truncado’, onde a grande maravilha é o professor estar presente e dar a sua ‘aulinha’”. Em seguida, ela mesma questionou: “Mas e onde fica o diálogo e a troca neste sistema? Como é possível reciclar ideias, compartilhar experiências em um ambiente onde não existe espaço pra isso?”. Débora diz que “o Grupo [Educar na Cultura Digital] tem suprido este anseio dos educadores que o procuraram”. A experiência do Puraqué é também um exemplo para reforçar que, quando o diálogo e a “cultura das trocas” são estabelecidos, os ganhos tendem a aparecer.

Evento cresceu, essência permaneceu

O tema educação não foi contemplado na programação oficial do I Fórum da Cultura Digital mas esteve presente nesta segunda edição. E ocupou diferentes horários da programação oficial.

Antes mesmo do encontro presencial do Grupo de Estudos, a mediadora pedagógica do ambiente Mílada Gonçalves apresentou a proposta deste Grupo à plateia. Além disso, diversos outros profissionais renomados – intelectuais, ativistas, artistas, pesquisadores, gestores também estiveram circulando pelos corredores e salões da Cinemateca nos três dias de evento. Mesmo com mais “corpo”, o Fórum manteve a sua essência.

“Trocar uma ideia” com Gilberto Gil, por exemplo, era uma possibilidade para qualquer um dos outros participantes. Além do senso de liberdade, que resultou em diversas entrevistas do próprio Gil e de outros artistas e intelectuais para blogs, sites e coletivos virtuais, esse formato é propício à inclusão. Se não a digital, a cultural. E a proposta do Fórum é essa: que uma coisa leve a outra. E vice-versa.
(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Interagindo, a gente se entende

Interagindo, a gente se entende

O especialista Marco Silva esclarece dúvidas dos professores, dando uma amostra da sua participação no III Congresso Ibero-Americano EducaRede

As perguntas sobre o uso da Internet na escola não são poucas. Mas geralmente são comuns entre os professores que, na cibercultura, são estimulados a rever posturas e teorias que ainda dominam suas práticas. Para responder algumas dessas dúvidas, o EducaRede convidou o professor Marco Silva, subdiretor do departamento de Educação a Distância da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, para um bate-papo com internautas do Portal.

O organizador dos livros “Educação online” e “Avaliação da aprendizagem em Educação online” participará do III Congresso Ibero-Americano EducaRede, que será realizado nos dias 29 e 30 de maio, em São Paulo (SP). Mas, antes disso, Marco Silva interagiu com os internautas durante uma longa

conversa.
Confira trechos da interação.

Mudança de paradigmas

Adriana: Quais os desafios que a Internet traz para o professor?
Marco Silva: O desafio da Internet para o professor é a interatividade, algo diferente da transmissão própria da cultura da mídia de massa onde se encontra sua própria docência tradicionalmente cristalizada. Estamos todos acostumados com a tela da TV que transmite. Na Internet, o paradigma comunicacional é a interatividade. Os professores não estão acostumados a isso. Precisam de formação para tal.

Elessandra: Mesmo não tendo o apoio da direção e coordenação escolar, nós professores somos capazes de fazer a nossa sala de aula interativa?
Marco:
Claro que o apoio da direção e dos colegas professores é valiosíssimo. Entretanto, não podemos depender deles. Temos que começar o trabalho em nossa sala de aula, negociando o processo com os aprendizes, já realizando aí a interatividade.

Valéria Cristina Basílio: Às vezes fico inquieta ao discutir com colegas sobre o uso da Internet nas pesquisas dos alunos. Alguns argumentam que é pura cópia, por outro lado acredito que seja uma forma de enriquecimento cultural muito válida. Como você vê essa questão?
Marco: 
Cópia por cópia já se faz tradicionalmente em Educação. A escola é a primeira a legitimar a cópia com sua pedagogia da repetição. O que tem sido grande parte da docência se não o incentivo à repetição daquilo que o professor transmitiu? O problema começa aqui. A escola não incentiva a criação, mas sim a repetição.

Adriana: Os conteúdos na Internet não são lineares como estamos acostumados na escola. Isso pode gerar insegurança no professor?
Marco: Sim, pode. Contudo, temos que encarar esse desafio desenvolvendo práticas sustentadas em lógicas hipertextuais. É preciso sair da segurança das receitas prontas. É preciso ensinar a buscar informações de qualidade nesta grande confusão de dados que é o ciberespaço. Não há como exercitar isso sem se molhar na chuva.

Alex Sandro C. Sant’Ana: O que seria o “novo espectador”, termo que você cita em seu livro “A sala de aula interativa“, no contexto do cotidiano escolar?
Marco:
Resgato aqui um trecho que publiquei em outro espaço. “Ele é menos passivo perante a mensagem mais aberta à sua intervenção. Ele aprendeu com o controle remoto da TV, com o joystick do videogame e agora aprende com o mouse. Assim ele migra da tela estática da TV para a tela do computador conectado à Internet. Ele é mais consciente das tentativas de programá-lo e é mais capaz de esquivar-se delas. Ele evita acompanhar argumentos lineares que não permitem a sua interferência. E lida facilmente com o hipertexto, com o digital; dele depende o gesto instaurador que cria e alimenta a sua experiência comunicacional: dialogar, interferir, modificar, produzir, partilhar. O jovem da geração digital lembra a criança que vai ao teatro infantil: quer subir no palco e interferir na cena. Essa atitude menos passiva diante da mensagem é sua exigência de uma nova sala de aula.”

Blog, Orkut e aprendizagem

Rita de Cássia S. Barbosa: Como buscar para a vida real alunos que freqüentam casas de jogos virtuais e que já estão alienados?
Marco:
Traga os jogos virtuais para dentro da sala de aula.

Bia: Como controlar o uso indevido de sites (sem conteúdo, explícitos etc.) focalizando o aprendizado?
Marco: 
Discuta com seus alunos a diversidade de informação própria da Internet e juntamente com eles selecione informações pertinentes aos projetos de aprendizagem. Crie contratos negociados e gerenciados pelo próprio grupo. Não desestimule a turma frente à enxurrada de informações. Aproveite essa enxurrada com possibilidade democrática de formação da cidadania na sociedade da informação.

Soltex: Como podemos incentivar os alunos a buscarem informações, pois muitos deles só querem a Internet para sites impróprios e banais? Agora, entre eles, a moda é o Orkut. Como tirar proveito disso?
Marco:Crie projetos com questões que interessem aos alunos articuladamente com a proposta pedagógica. Os alunos terão interesse em buscar informações de interesse coletivo. Faça gincanas, jogos. Aproveite os espaços de que eles gostam, como o Orkut, e crie situações de aprendizagem a partir desses ambientes online, já conhecidos por eles. Estimule a construção de blogs e fotologs sobre temas instigantes e contextualizados com as questões de interesse dos jovens. Proponha projetos em que os jovens são os protagonistas.

Lúcia Lazarini: É necessário estipular um tempo, por dia, para as crianças utilizarem a Internet? Você acha que a Internet pode ser prejudicial ao relacionamento, à criação de relações verdadeiras entre os jovens?
Marco: A Internet deve ser livre para todos. Os pais precisam estar por perto. Há site perigosos. Há conteúdos nocivos. Todavia, há o mesmo na rua, na esquina, enfim na vida presencial.

Martaelen: Gostaria de saber se você acha que os blogs, vlogs, flogs são de fato um espaço pedagógico a ser aproveitado ou apenas modismos.
Marco: São interfaces que emergem na cibercultura. São valiosos espaços de encontro, de sociabilidade. Podem ser utilizados didaticamente pelo professor que esteja formado para tal. O desafio é a formação do professor. Ou ainda sua inclusão digital.

Laboratórios de Informática

Erika Calou: Como trabalhar com inclusão digital se nossas escolas são carentes de computadores?
Marco:
Neste caso, é preciso fazer parcerias e projetos com outros professores dividindo a turma em pequenos grupos. Para isso a escola precisa incluir em seu projeto pedagógico o uso do laboratório articuladamente com a docência. Ao mesmo tempo, é preciso romper com o tempo rígido das aulas de 50′. E também criar parcerias e trabalhos coletivos, projetos, dividindo as turmas e as atividades… Tudo isso sem esquecer de cavar políticas públicas para abastecimento da escola com mais computadores conectados em banda larga.

Robledo: Sou orientador tecnológico e o apoio o professor no laboratório. Como conquistar o professor e fazer funcionar essa parceria?
Marco:
Procure sensibilizar os professores da escola para o computador e para a cibercultura. Sem isso será impossível. Trata-se de grande mudança paradigmática em relação à cultura da TV e da máquina de escrever.

Robledo: Como devem ser as políticas de uso dos laboratórios das escolas?
Marco: 
As escolas devem decidir isso juntamente com professores e alunos, democraticamente, estimulando todos a encontrarem agendas e finalidades para o uso.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Fundação Telefônica promove debates com fins educativos na Campus Party

Fundação Telefônica promove debates com fins educativos na Campus Party

Com o objetivo de promover reflexões sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação na educação, o Programa EducaRede, da Fundação Telefônica, promoverá e participará de debates sobre o tema durante a Campus Party 2010. O evento acontece entre 25 e 31 de janeiro, no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo.

No dia 28, quinta-feira, às 20h, promove mesa-redonda sobre Redes Sociais e Educação, na área de blogs , com presença do secretário de Educação do Município de São Paulo, Alexandre Schneider; do diretor de Políticas Públicas do Google Brasil, Ivo Correa; e da coordenadora da rede social educativa Minha Terra, do Programa EducaRede, Sonia Bertocchi.

Na seqüência, será realizado um TwitEncontro de Educadores que utilizam redes sociais em suas práticas educacionais, a exemplo do que acontece no próprio EducaRede. O TwitEncontro  será auto-organizado pelos participantes, sejam eles presenciais ou virtuais e terá a participação do secretário Schneider, ativo usuário do twitter.

Outro tema em debate será Gerações Interativas – Uso Responsável das Telas Digitais, que acontece dia 27, quarta-feira, às 20h, na área de blogs. Um dos debatedores será Rodrigo Nejm, diretor da SaferNet Brasil, associação que opera a Central Nacional de Denúncia de Crimes na Internet contra os Direitos Humanos. Também participarão o professor de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP, Rogério da Costa; o coordenador do Núcleo de Novas Mídias da Fundação Padre Anchieta, Ricardo Mucci; e a coordenadora executiva do EducaRede, Mila Gonçalves.

Já no dia 26, às 14h, o EducaRede estará na área de blogs, no Painel 2 do evento,  denominado “Grande rede, pequenos produtores”, através do depoimento de um jovem que começou a blogar na escola pública e agora faz parte da blogsfera.

EducaRede em parceria com o Programa Nas Ondas do Rádio

Cento e cinquenta alunos provenientes de seis escolas públicas da rede municipal de ensino de São Paulo farão cobertura jornalística para o programa Nas Ondas do Rádio, com o apoio da Fundação Telefônica. Cinco desses estudantes ficarão acampados para garantir a cobertura completa do evento e parte do material produzido por eles será replicada no Portal EducaRede.
Promover inovação nas ferramentas educacionais por meio do estímulo à inclusão digital e ao uso das novas tecnologias como recurso pedagógico, sobretudo nas escolas públicas, é a premissa do Programa EducaRede. O grande desafio do programa, implementado no Brasil há sete anos, é estar sempre à frente das novidades relacionadas à tecnologia, contribuindo para que possam ser aplicadas à educação e chegar aos educadores de maneira acessível e estimulante.

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Violência na escola

A escola é o espaço em que crianças e jovens aprendem não apenas um conjunto de conteúdos curriculares, mas também pautas de sociabilidade e comportamento cidadão. Professores devem promover o enriquecimento coletivo a partir da integração das diferenças entre os alunos.  (Tradução de Airton Dantas).  

O fenômeno da violência na escola tornou-se um tema preocupante na Argentina nas últimas décadas. O episódio ocorrido na cidade de Carmen de Patagones [sul da província de Buenos Aires, a 950 km da capital], em 2004, quando um aluno disparou indiscriminadamente contra seus companheiros, causando três mortos e cinco feridos, deu à violência na escola enorme repercussão nacional. Episódios posteriores, como o do garoto da cidade de Corrientes, que matou o colega com uma arma branca, em 2007, ou os recentes episódios trágicos ocorridos nas províncias de Misiones e Buenos Aires, recolocam o problema na pauta dos meios de comunicação.

Esse tipo de situação traumática, em que vidas são perdidas de maneira tão insólita e dilacerante, freqüentemente responde a uma situação de constante violência cotidiana. Essa violência, resultante de uma série de atitudes, condutas e situações produzidas diariamente na escola, tais como a discriminação, a marginalização, o autoritarismo etc., constitui a base do problema da violência escolar.

Não raras vezes, esse cotidiano de convivência violento, por não desencadear episódios traumáticos de agressão, é tolerado ou não é considerado problema importante, o que dificulta a possibilidade de uma convivência frutífera no âmbito escolar e estimula os jovens a incorporar determinadas condutas de violência como parte normal da vida cotidiana.

Discriminação e preconceitos como formas de violência

O Projeto para a prevenção da violência na escola de ensino médio, amplo estudo realizado em escolas de toda a Argentina (exceto as da província de Neuquén) por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Gino Germani, da Universidade de Buenos Aires, indica que mais da metade dos alunos de escolas de ensino médio rejeita declaradamente os colegas orientais, não importando se emigraram recentemente ao país ou se são cidadãos argentinos nativos, filhos de pais orientais que emigraram para a Argentina há algum tempo. Igualmente, mais da metade dos alunos rejeita os judeus.

Estas porcentagens alarmantes de atitudes xenófobas e anti-semitas são ainda mais altas quando se pergunta aos adolescentes sobre a presença de preconceitos machistas. Cerca de 75% concorda que “as mulheres que sofrem violência por parte do marido ou companheiro fizeram por merecer”, ou “o homem que parece ser mais agressivo é mais atraente”.

Esses preconceitos trazem consigo enorme carga de violência porque conduzem à rejeição de uma pessoa a partir de características que nada têm a ver com o comportamento, com as condutas ou com a forma de ser dessa pessoa. Ser rejeitado por traços físicos ou por crenças religiosas e culturais gera rancor e ressentimento. Freqüentemente, os adolescentes discriminados respondem a essa violência gratuita com outras formas de violência, que geram, por sua vez, mais rejeição, criando-se assim um clima de convivência escolar que reproduz padrões de intolerância e conflito ancorados em preconceitos característicos de nossa sociedade.

A escola tem um importante papel simbólico como o espaço em que crianças e jovens aprendem não apenas um conjunto de conteúdos curriculares, mas também pautas de sociabilidade e comportamento cidadão. Frases populares como “não lhe ensinaram nada na escola?” revelam esse lugar. É por isso que se nesse mesmo lugar reproduzem-se no tempo condutas e atitudes ligadas à intolerância e à discriminação, é muito difícil formar cidadãos que respeitem as diferenças e possam, em vez de rejeitá-las e condená-las a priori, nutrir-se delas para se desenvolver como pessoas mais plenas.

Se a escola reproduz a xenofobia, o anti-semitismo, o machismo etc., da sociedade atual, os alunos do futuro também chegarão à escola carregados desses preconceitos, por terem saído da escola sem condições de refletir sobre seus próprios preconceitos. Se, como sociedade, quisermos mudar isso, é a escola o lugar em que os adolescentes podem ser providos de elementos conceituais que lhes ofereçam a capacidade para superar as crenças ligadas à intolerância e à discriminação, promovendo estruturas que lhes permitam aprender a tolerar a incerteza e a construir a própria identidade, respeitando as diferenças.

Violência na sociedade e violência na escola

Quando os alunos discriminam um colega por ele ser judeu, coreano ou chinês; ou quando recorrem à violência para solucionar um conflito pessoal, nada mais fazem do que levar para a escola comportamentos da sociedade. A xenofobia, por exemplo, está amplamente espalhada em nossa sociedade. Na Argentina, há palavras depreciativas para os cidadãos de todos os países limítrofes: as pessoas da Bolívia não são bolivianas, são “bolitas”, os paraguaios são “paraguas” etc. Podemos notar como essa característica da nossa sociedade repercute no clima social escolar ao observar uma forma particular de violência escolar: a rejeição e a discriminação dos diferentes.

A rejeição é a única forma de maltrato mencionada abertamente por seus protagonistas: enquanto a maioria das outras ofensas e condutas violentas não são geralmente reconhecidas por parte dos adolescentes que as praticam, rejeitar os diferentes é, em contrapartida, amplamente aceito, como se fosse algo legítimo ou compreensível, o que se vincula fortemente com as altas porcentagens de alunos que expressam não aceitar colegas de outras origens, religiões ou nacionalidades.

Quando esse tipo de violência, como a discriminação por nacionalidade ou religião, é incorporado como traço característico do clima social escolar, os alunos são empurrados a reconhecer acriticamente que a violência faz parte das relações de todos os dias entre as pessoas, e a violência passa a ser vista na própria escola como algo natural. Essa naturalidade da violência é de fato observada em proporções alarmantes entre os adolescentes da escola de ensino médio, já que 75% dos alunos concordam com frases que naturalizam a violência, como “a violência faz parte da natureza humana” ou “as brigas entre jovens nos fins de semana são inevitáveis”. Naturalizar a violência na escola dificulta demais a possibilidade de trabalhar em favor de outros modos de vinculação social que permitam a integração e ofereçam ferramentas para a resolução não-violenta de conflitos.

A exposição precoce e contínua à violência no meio familiar também é um fator importante na socialização das crianças e dos jovens quanto à adoção de modalidades violentas. Pode-se supor que os alunos que afirmam viver em um meio familiar no qual as brigas e discussões são freqüentes, podem ser eles mesmos atores de manifestações de violência na escola.

O Projeto para a prevenção da violência na escola de ensino médio encontrou, de fato, diferenças notáveis nos perfis das manifestações de violência de acordo com o ambiente familiar. Em todos os casos, os perfis mais altos quanto a vítimas e protagonistas de violência revelam porcentagens mais altas em ambientes familiares marcados por muitos conflitos. Como exemplo, podemos destacar que aqueles que vivem em ambientes familiares desfavoráveis protagonizam 24 % mais atos de violência escolar do que aqueles que vivem em ambientes favoráveis.

Por conta desse mecanismo de arrasto de condutas violentas da vida social dos alunos para o clima social da escola, é necessário que as instituições educativas façam um esforço consistente para lutar contra os preconceitos que levam os alunos a internalizar a violência como algo natural, contra a qual nada se pode fazer já que faz parte da vida social.

Violência e atitudes autoritárias

A percepção de práticas autoritárias por parte dos docentes é um elemento que contribui para a criação de condutas violentas nos alunos.

Diferentes estudos demonstram que quanto maior o nível de autoritarismo dos professores e da equipe escolar, maior também são o número e a gravidade dos episódios de violência entre os próprios alunos. Isso não quer dizer que o autoritarismo produz de modo direto (no sentido de causa–efeito) as situações de violência na escola, mas sim que ele cria obstáculos ou interrompe os canais de comunicação e de mediação que fazem com que os conflitos não se expressem de forma violenta. O autoritarismo por parte dos docentes implica ausência da função socializadora da escola no que se refere à tolerância dos diferentes e à defesa dos seus direitos, criando um clima social propício às manifestações de violência.

As condutas autoritárias dos docentes promovem duplamente a violência escolar. Em primeiro lugar, quando os alunos observam que os professores impõem sua autoridade baseando-se em um conjunto de regras e atitudes percebidas como arbitrárias, atitudes que não deixam espaço para que os alunos possam expressar as razões que os levam a considerá-las desse modo; freqüentemente, por não contarem com outros canais de expressão, respondem violentamente, como forma de resistência a determinadas normas e práticas escolares. Em segundo lugar, quando os alunos recebem cotidianamente sinais autoritários por parte dos docentes, é comum que eles próprios reproduzam esta atitude na resolução de seus próprios conflitos.

Desse modo, em vez de se promover o enriquecimento coletivo a partir da integração das diferenças entre os alunos, estas diferenças podem conduzir a situações de violência quando os jovens resolvem suas diferenças reproduzindo condutas autoritárias observadas nos professores.

A resolução autoritária de um conflito por parte do docente, ao ignorar a solução coletiva que, pelo intercâmbio e pela explicação, inclui o aluno ao oferecer-lhe participação no resultado dessa resolução e o torna parte dela, fomenta as resoluções individuais dos conflitos cotidianos e dificulta a aprendizagem da integração não violenta das diferenças.

As condutas e atitudes autoritárias dos docentes, tanto no ensino curricular como no tratamento das questões de conduta, promovem o desenvolvimento de atitudes individualistas nos alunos, cerceando o crescimento dos espaços de atividade e reflexão coletivos, espaços que, além de facilitar o processo de ensino e aprendizagem, facilitam também a integração dos alunos entre si ao promover um clima social de intercâmbio e de participação que, por sua vez, ajuda desenvolver a atividade curricular em sala de aula.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)