World Wide Web faz 20 anos e o mundo inteiro está convidado para a festa

World Wide Web faz 20 anos e o mundo inteiro está convidado para a festa

Por José Alves

“Uma idéia vaga, mas altamente interessante”, essa foi a resposta por escrito que Tim Berners–Lee recebeu de seu chefe no CERN (Organização Europeia para a Investigação Nuclear), Mike Sendall, ao apresentar, numa sexta–feira, 13 de março de 1989, o documento “Information Management: A Proposal” (gerenciamento de informação: uma proposta), em que descrevia o seu projeto elaborado em parceria com Robert Cailliau: um conjunto de documentos de hipertexto interligados e acessíveis pela Internet.
Hoje, a “idéia vaga” mantém conectadas 1,5 bilhão de pessoas e hospeda 215 milhões de sites pelo mundo afora, segundo dados da Netcraft em fevereiro de 2009. Vinte anos depois, o papel com a resposta de Sendall a Berners–Lee encontra-se exposto numa vitrine do CERN como se fosse uma certidão de nascimento da World Wide Web. Os inventores da WWW já imaginavam no que a proposta poderia se tornar? “Sim, senão não a teríamos chamado de World Wide Web (rede mundial) antes mesmo de ter qualquer código em funcionamento”, disse Robert Cailliau em entrevista à Folha de São Paulo.

World Wide Web e Internet

É muito importante esclarecer que World Wide Web e Internet não são a mesma coisa, mas complementares. A Internet é um sistema global de comunicação de dados que nasce no auge da Guerra Fria, no final da década de cinquenta, por meio do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, que concebeu a ARPA – Advanced Research Projects Agency, para liderar as pesquisas de ciência e tecnologia aplicáveis às forças armadas. Com o objetivo de desenvolver projetos em conjunto, sem o inconveniente da distância física nem o risco de se perder dados e informações de uma base destruída em caso de combate, foi criada a ARPANET – ARPAnetwork, ampliada nos anos seguintes com novos pontos em todo os Estados Unidos, além de incluir também as universidades.

Já a World Wide Web, responsável direta pela democratização do acesso à Internet, é um dos serviços que o sistema global de comunicação de dados possui, com páginas interligadas, que combinam texto, imagem, áudio e vídeo. Pode-se dizer que a WWW lincou com o mundo uma forma de comunicação que era restrita às universidades e às forças armadas, possível a partir do momento que o CERN abriu a web ao público e renunciou ao pagamento de licenças ou a um patenteamento da invenção de Berners-Lee e Cailliau. Se os pesquisadores tivessem pedido altas taxas de licença de uso, provavelmente a World Wide Web e a Internet não teriam se tornado o sucesso que são hoje.

As ferramentas necessárias para o funcionamento da rede, o protocolo HTTP (HyperText Transfer Protocol), a linguagem HTML (HyperText Markup Language), o primeiro software de servidor HTTP, o primeiro navegador (chamado WorldWideWeb) e as primeiras páginas, ainda rústicas, de textos e links que explicavam o funcionamento da própria WWW foram desenvolvidas por Berners-Lee em 1990.

Em 1993 surgia a versão 1.0 do navegador Mosaic, criado pelo estudante de computação norte-americano Marc Andreessen. O programa inovou por ser totalmente gráfico, tornando a navegação na rede mais amigável e acessível. Em 1994, o Mosaic virou software comercial e foi rebatizado como Netscape Navigator. Anos mais tarde, o Internet Explorer, da Microsoft, tornou-se o principal navegador da rede. Hoje, além dos navegadores desenvolvidos comercialmente, existem aqueles projetados para serem usados gratuitamente, como o Mozilla Firefox.

Na esteira da popularização da web, surgiram os sites que organizavam e tornavam possíveis as consultas às informações disponíveis na rede, como o Yahoo! e o Altavista, mais tarde engolidos pelo Google. Na década de 90, no Brasil, o buscador Cadê? também esteve presente na vida dos internautas.

Web 1.0, 2.0 e as redes sociais dentro da rede

A intenção original dos criadores da web era a interação e a colaboração. A definição dos termos no ambiente virtual ainda não existia, mas a idéia já rondava as cabeças de Berners–Lee e Cailliau. Isso significaria que os usuários passariam a ser produtores e socializadores de conteúdos ao invés de meros receptores de informação. Mais uma vez eles estavam certos. O que se vê hoje é a disseminação de ferramentas que possibilitam a produção, colaboração e troca de experiências no mundo virtual. É o que chamamos de web 2.0,  jargão criado pelo editor norte-americano Tim O’Reilly. Alguns exemplos que fortalecem esse conceito são os blogs, as comunidades virtuais de aprendizagem e a enciclopédia colaborativa wikipédia, entre outros; além das grandes vedetes, principalmente para os jovens, adolescentes e crianças, que são as redes sociais, como o Facebook, Orkut e o Youtube.
Sérgio Amadeu, um dos mais respeitados pesquisadores brasileiros de Comunicação Mediada por Computador e da Teoria da Propriedade dos Bens Imateriais, e diretor de conteúdos da Campus Party Brasil, diz que as redes sociais lideram a web, ou seja, compõem o grupo de sites mais acessados da rede. Amadeu afirma que “esse fenômeno acontece porque uma parte considerável dos internautas não se contentam em somente navegar pelo ciberespaço, querem participar, opinar, criar, recombinar, construir e compartilhar novos conteúdos. Por isso, o Youtube tornou-se o terceiro site mais visitado, ficando atrás apenas dos mecanismos de busca Google e Yahoo!”.

Em relação à proibição ao acesso a essas redes nas escolas e telecentros, o pesquisador diz: “uma das piores coisas que vejo ocorrer em uma escola ou telecentro é a proibição do uso livre pelos jovens. Absurdo! A proibição do uso de redes sociais, por exemplo, não garante o interesse do jovem para algo que seja considerado mais culto ou apropriado. Será disputando a atenção do jovem a partir de inúmeras aplicações inovadoras e sites interessantes é que vamos ampliar a bagagem cultural dos jovens”.

Amadeu termina com um resumo sobre a evolução na relação do internauta com a rede mundial: “A chamada web 1.0 foi a primeira fase do modo gráfico da Internet, onde os sites exploravam timidamente a interatividade e toda a lógica de navegação ainda era baseada na competição e no bloqueio do acesso. Com a web 2.0, a colaboração e a livre distribuição de conteúdos mostrou-se mais eficiente do que simplesmente competir”.

Web 3.0 e o futuro da rede mundial de computadores

Ao prever o que será da WWW, Berners–Lee afirmou que “a web é uma tela em branco, as pessoas estão sempre inventando coisas novas e maravilhosas que não poderíamos imaginar”. É verdade, ter exatidão em relação ao que surgirá é praticamente impossível, mas a tendência, segundo Sérgio Amadeu, é a evolução na forma do internauta interagir com o mundo virtual, a chamada web 3.0, que tende a ser a continuidade dos avanços colaborativos que por sua vez desembocará na Web Semântica. Com ela, os mecanismos de busca e a estruturação dos servicos na rede serão mais rápidos e mais eficientes.

Além disso, possivelmente haverá um crescimento de aplicações para celulares e tecnologias móveis. Outras projeções de Amadeu são a crise no ensino formal, se levarmos em consideração a estrutura em que está baseada a Educação oficial, e a expansão da banda larga, com a conseqüente melhoria das tecnologias de conexão, que apontaria para a web 3D, abrindo assim caminho para o avanço da estética dos games e sua transposição para diversas outras áreas. Quem viver, verá!

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Um prato cheio de aprendizagens


Um prato cheio de aprendizagens

Misturando saberes com procedimentos, e uma boa pitada de sensibilidade, o professor pode transformar a hora de comer em uma oportunidade de desenvolvimento infantil.

Por Damaris Gomes Maranhão
Revista
Avisa Lá

A hora de comer oferece ricas aprendizagens se o educador organizar essa experiência, interagir com a criança e desafiá-la a conhecer o ambiente, os pratos, talheres e copos, o outro e a si mesma. Afinal, cuidar é uma maneira de educar as crianças, especialmente até os três anos de idade. Constitui uma forma de se relacionar com o outro que envolve uma atitude de preocupação com o crescimento e o desenvolvimento humanos em toda sua complexidade.

Em um Centro de Educação Infantil – CEI, as atitudes e os procedimentos que operacionalizam o acolhimento diário dos pais e da criança, as refeições, os cuidados pessoais e a segurança devem ser integrados às brincadeiras e atividades pedagógicas, atendendo às necessidades individuais e coletivas de conforto, proteção, segurança, alimentação e aprendizagens específicas para cada idade.

Quando um professor de Educação Infantil toma para si esta tarefa, ele favorece a construção de vínculos de uma forma saudável. Para a criança pequena é imprescindível que alguém a acolha, conforte, cuide, alimente e entenda as razões de seus protestos ou expressões de contentamento e satisfação.

Quando, ao contrário, um professor questiona se a sua função também está relacionada aos cuidados e se estes não poderiam ser realizados por outra pessoa, como uma babá ou alguém com menos escolaridade, é porque ainda não entendeu o valor dessas ações e o quanto elas ensinam às crianças sobre quem elas são e como constroem sua identidade. A melhor maneira de aprender a cuidar de si mesmo e de outra pessoa é passando pela experiência de ser bem cuidado na primeira infância.

Do mamar ao mastigar

No primeiro ano de vida, o intenso processo de crescimento orgânico e o desenvolvimento psíquico vivenciado pelos bebês estão intrinsecamente relacionados à forma como os pequenos são alimentados. Por isso, é importante uma estreita parceria entre os profissionais da Educação Infantil e a família, por meio de um planejamento compartilhado do esquema alimentar de cada fase da infância.

Os educadores devem contar também com o apoio de profissionais de saúde, com orientações específicas de pediatras e/ou nutricionistas. Alimentar crianças em um ambiente coletivo requer que se integre a rotina alimentar individual com a institucional. É importante compreender e lidar com as diferenças entre a alimentação em casa e na creche e com as reações mais freqüentes no horário da alimentação, como a recusa.

Torna-se necessário atender tanto as necessidades do bebê amamentado exclusivamente ao peito, como as da criança que já come todos os alimentos. A situação não é homogênea. E, para os bebês, representa muitas mudanças e aprendizagens em curto espaço de tempo.
As fases

Até os seis meses, o melhor alimento para os bebês é o leite de suas mães. Ao serem matriculados em um CEI, por volta dos quatro meses, alguns ainda mamam, outros já recebem mamadeira com outro tipo de leite e estão começando a ampliar o cardápio com frutas e legumes em forma de papas. As mães que amamentam precisam de um local adequado para fazê-lo, assim como de educadores bem informados sobre como armazenar, degelar, aquecer e oferecer o leite materno na ausência da mãe.

Faz parte do conhecimento profissional saber qual o cardápio adequado para bebês que estão em aleitamento misto (leite materno e não–materno) e quais atitudes e formas de oferta de papa de frutas ou de legumes para aqueles que iniciaram o processo de desmame.
Após os seis meses, todos os bebês precisam aprender a comer alimentos complementares ao leite, em forma de papas densas. Pouco a pouco, conforme a aquisição do controle sobre os movimentos fonoarticulatórios (boca, dentes, língua, musculatura facial e da orofaringe), a criança poderá ampliar o paladar, lidar com novas texturas, mastigar e deglutir preparações culinárias mais sólidas. Por volta de um ano, as crianças serão capazes de comer os mesmos alimentos preparados para os maiores, embora ainda tenham poucos dentes e precisem de pedaços macios e pequenos.

Seguir as precauções de higiene e segurança no preparo e oferta dos alimentos em ambiente coletivo evita graves riscos à saúde, como intoxicações alimentares que podem ser danosas e mesmo fatais. Prevenir engasgos, aspirações de líquidos regurgitados e saber socorrer os bebês e crianças pequenas que manifestem essas reações significa garantir segurança física e psíquica.

Em torno da mesa

Além de ampliar o cardápio e aprender a dominar os movimentos da mastigação e deglutição de sólidos, na hora de comer as crianças aprendem os rituais que permeiam as refeições: uso de talheres, sentar à mesa, compartilhar o que gosta. As interações e os rituais que envolvem as refeições proporcionam ricas experiências culturais e a aprendizagem de diferentes habilidades tais como: servir-se e alimentar-se sozinha, manejar talheres, fazer escolhas. Estas são práticas que contribuem para o processo de construção da autonomia, socialização e inserção na cultura.

Ao planejar o espaço das refeições, a equipe pode refletir sobre as atitudes e procedimentos específicos para alimentação das crianças de diferentes idades e assim enfocar tanto o cuidar quanto o educar.

As formas de oferecer leite aos bebês variam se forem alimentados ao seio, na mamadeira ou no copo. A atitude e o procedimento em cada caso precisa contemplar a necessidade de atenção individualizada, segurança e interação face a face do adulto com a criança, o que pode ser feito com ela no colo ou no bebê–conforto bem posicionado à frente do educador. O cuidado individualizado não significa “abandonar” as outras crianças do grupo, deixando-as chorar ou sem uma palavra acolhedora enquanto o educador se dedica apenas a uma.

As especificidades do professor de Educação Infantil envolvem diferentes áreas. A Medicina, Fonoaudiologia, Enfermagem e Nutrição, além da Pedagogia e Psicologia, congregam conhecimentos que auxiliam a ação educativa e qualificam as intervenções dos educadores. Só assim a integração entre cuidar e educar será bem fundamentada, ampliando as possibilidades de desenvolvimento e aprendizagem das crianças pequenas.


Algumas orientações

Bebê–conforto – As crianças com mais de seis meses de vida e que ainda não sentam podem comer as papas sentadas em cadeirinhas tipo bebê–conforto, na qual ficam semi–sentadas, na frente e altura do olhar do educador – portanto apoiadas em um lugar alto e seguro.

Cadeirões – As crianças que já sentam sem apoio das mãos, podem ser colocadas em cadeirões, sempre com cinto de segurança, dispostos de forma que o educador possa atender uma dupla ou um trio de bebês ao mesmo tempo.

Cadeiras confortáveis – Crianças que já andam bem podem se sentar em cadeiras confortáveis e adequadas à sua altura, e pouco a pouco aprendem a servir-se das preparações, com ajuda e incentivo do educador. Os cuidados com segurança e higiene não devem significar o cerceamento da criança em suas tentativas de servir-se e alimentar-se sozinha.

Colher própria – Por volta dos sete ou oito meses, quando as crianças já adquiriram o movimento de pinça (oposição entre o polegar e indicador), elas são capazes de pegar alimentos com a mão e gradativamente aprender a manusear a colher. O educador pode oferecer uma colher para o bebê ao mesmo tempo em que o ajuda a alimentar-se com outra, sem tolher suas tentativas de comer com as mãos.

Pratos fundos – Há crianças que querem tocar a comida ou levá-la à boca com as mãos. Portanto, pedacinhos bem pequenos de alimentos no prato favorecem a ação direta. Quem está tentando se alimentar sozinho precisa de pratos mais fundos, que facilitam que a criança possa pegar o alimento, e de material atóxico, inquebráveis, que possam ser lavados sem dificuldade com água quente e detergente neutro.

Ambiente tranqüilo – Um ambiente bem organizado e calmo evita a distração, tão fácil entre os bebês. Refeitórios ruidosos e com muitas crianças devem ser evitados. No entanto, é interessante que haja algum tipo de convivência entre crianças que estão em diferentes estágios do comportamento alimentar, para que possam aprender umas com as outras. Nunca é demais lembrar que um refeitório agradável, com uma mesa bem posta e recipientes bonitos e adequados, é tão importante quanto o conforto, a segurança e a higiene.

Alimentos adequados – Lembrar que o preparo de sucos ou doces com excesso de açúcar e/ou com corantes são inadequados do ponto vista nutricional. Amendoim, bala de goma, pipoca, uvas ou jabuticabas inteiras podem provocar engasgos e devem ser evitados antes do terceiro ano.

Lavar as mãos – Faz parte da aprendizagem o ritual de lavar as mãos antes das refeições, o uso do babador ou guardanapo e o uso de pratinhos para colocar os pedaços de bolo, pão e frutas, evitando que esses alimentos sejam colocados diretamente na mesa.

Hora do aventalAs atividades de culinária para as crianças oferecem ricas experiências de aprendizagem em diferentes âmbitos: relações humanas, autocuidado, primeiras noções sobre transformação dos alimentos e reações à temperatura. Essas atividades também contribuem para o desenvolvimento da linguagem oral e escrita.A elaboração de receitas variadas preparadas pelo educador com a participação dos bebês que já possuem habilidades motoras para sentarem e manipularem os alimentos pode ser uma atividade muito rica quando planejada adequadamente.

Os cuidados exigidos por atendimento coletivo recomendam evitar preparações e técnicas que coloquem em risco a saúde e segurança das crianças. Ambientes limpos, mãos bem lavadas, cabelos protegidos, alimentos de boa origem, prevenção de acidentes pelo contato com materiais perfurantes ou cortantes, produtos químicos e fogão são fundamentais.

Os pais podem participar de forma mais ativa nas atividades de culinária do CEI, preparando uma receita junto com as crianças. Os alimentos trazidos de casa requerem os mesmos cuidados com higiene, verificação de origem e validade dos ingredientes, pois implicam responsabilidade quanto a uma possível intoxicação alimentar no grupo infantil. O mesmo se aplica a doces e bolos de aniversário trazidos de casa. Conversar e estabelecer combinados com os pais favorece a parceria na educação alimentar.

Participe do Fórum Educação Infantil

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

SBPC Jovem


Experiência de impacto

Alunos e professores mostram na SBPC Jovem que, apesar das dificuldades financeiras, é possível tornar o ensino de Ciência mais interessante e produtivo

Por Cida Capo de Rosa

Imagine a cena: durante a feira de Ciência da 11ª SBPC Jovem, alunos de uma escola estadual de Recife foram apresentados a um senhor que queria tirar fotos ao lado deles. Atendendo ao pedido, todos se ajeitaram e foram fotografados. Quando o homem partiu, o professor Paulo Faltay disse baixinho à turma que aquele era Keith Campbell, responsável pela clonagem da ovelha Dolly.

“Vocês podem imaginar o impacto disso para aqueles estudantes?”, pergunta Faltay – professor do curso de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco e assessor especial do Espaço Ciência de Pernambuco -, que naquele momento tinha revelado a identidade do cientista para os jovens.

Para Paulo Faltay, que atuou diretamente na organização do evento vinculado à 55ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o episódio é um exemplo da importância da SBPC Jovem no intercâmbio de estudantes e professores com outros estudantes e professores e, principalmente, com cientistas.

“É fator primordial para o resgate de uma escola pública de qualidade. Afinal, a educação voltada para a popularização da ciência é fundamental para a democratização dos conhecimentos como um todo. E este ensino, sempre vinculado ao cotidiano das crianças, deveria ser introduzido já nas primeiras etapas da educação infantil”, analisa.

O SBPC Jovem é realizado desde 1993. Acontece junto com a Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que existe desde 1948 e é ponto alto das atividades da mais importante e abrangente associação científica brasileira. A reunião júnior é a realização do desejo de alguns cientistas que enxergavam a necessidade de diminuir a distância entre a ciência e a escola, além de atrair a sociedade em geral que não estava envolvida diretamente com a pesquisa científica.

“É uma oportunidade para troca de conhecimentos, de proporcionar ao jovem o direito de saber fazer ciência e também um momento de reflexão sobre a educação básica brasileira”, avalia Thereza Maria Paes Barreto, diretora do Colégio de Aplicação da UFPE e vice-coordenadora do evento em Recife.

O evento, paralelo à 55ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), foi realizado de 13 a 18 de julho na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), reuniu 126 escolas públicas e particulares de todo o país. Cerca de 80 trabalhos avaliados e aprovados por uma comissão das duas instituições foram expostos para os mais de 25 mil visitantes interessados em conhecer iniciativas de universidades, centros de pesquisa e escolas brasileiras. A 55ª Reunião, destinada à divulgação científica para cientistas e universitários, teve mais de 11 mil participantes inscritos e apresentação de 4.120 trabalhos científicos.

Estréia com lixão

Para os alunos da 3ª série do ensino fundamental da Escola Municipal André de Melo, de Recife, as visitas ao lixão de Muribeca, na vizinha Jaboatão dos Guararapes (Grande Recife), foram mais que lições sobre o lixo e a incipiente cultura da reciclagem no Brasil. Essas atividades práticas do projeto Lixo: reduzir, reaproveitar e reciclar, realizadas desde o ano passado, permitiram a primeira participação num encontro da importância da SBPC Jovem.

“Foi maravilhoso para nossos professores e alunos compartilharem com pessoas de todo o país o que descobriram visitando aterros sanitários e empresas de limpeza urbana. Essa experiência, que está sendo disseminada em nossa comunidade, será aprofundada e ampliada a todas as séries, para que a médio e longo prazo possamos influir nesta séria questão social”, avisa a dirigente Maria Elizabeth Santos. Segundo ela, toda a equipe escolar está entusiasmada e já busca meios para cobrir os gastos que terão para participar das próximas edições da SBPC Jovem, que a cada ano tem sede em um Estado brasileiro diferente.

Cardápio de projetos

Ao contrário da André de Melo, a Escola Estadual Dona Idalina Macedo Sodré, de São Caetano, São Paulo, esteve pela sétima vez consecutiva na SBPC Jovem. Este ano, a escola, que participou também da 55ª Reunião do SBPC, exibiu oito dos principais projetos trabalhados desde 1993 no Centro Educacional para o desenvolvimento de projetos (CEDP).

As experiências mostradas estudam questões que vão da problemática das drogas ao desperdício e poluição da água, de estudos práticos em laboratório sobre plantas carnívoras, clonagem, análise do teor de vitamina C de algumas frutas e o uso medicinal e alimentício da planta dente-de-leão, além de alternativas para estimular o interesse dos alunos pelo estudo de língua portuguesa e literatura.

Mas é a oficina “Novas Tecnologias Aplicadas ao Ensino Público” a que merece destaque. “Mais do que mostrar a forma como utilizamos as ferramentas tecnológicas – a informática, por exemplo -, contamos a história de como esta escola pública há dez anos contornou a falta de recursos e equipamentos, buscou apoio de universidades, firmou parcerias com a iniciativa privada e uniu alunos, pais e professores em torno do objetivo comum de melhorar a qualidade do ensino”, explica Eduardo Maldonado, professor de Ciências e Matemática que coordena o CEDP em parceria com os alunos.

Quando o centro foi criado eram trabalhados apenas quatro projetos orientados pela Escola do Futuro da Universidade de São Paulo. Hoje são desenvolvidos mais de 20, sendo a maioria em parceria com o poder público municipal e voltados para a comunidade. Essa experiência tornou a escola conhecida e respeitada inclusive pela rede privada. Motivou inúmeros convites para simpósios e congressos em todo o Brasil e também em países do Oriente Médio, Europa e Estados Unidos.

Em 2002, o Idalina foi premiado com o projeto Energia Solar, desenvolvido pelos alunos do primeiro ano do ensino médio. Há dois anos, durante a nona SBPC, em Salvador, conquistou o prêmio Jovem Cientista na categoria criatividade pelo conjunto do trabalho apresentado. Em 1999, em Porto Alegre, a escola bateu seu recorde e teve 13 projetos apresentados. Na ocasião, em cerimônia oficial, seus representantes receberam a chave da cidade das mãos do secretário estadual de Educação do Rio Grande do Sul.

Os sites indicados neste texto foram visitados em 08/08/2003

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Quem fracassa com o fracasso escolar?

Quem fracassa com o fracasso escolar?

Uma pergunta incômoda, um debate indispensável

Por Mabel Del Giúdice
Tradução: Carla Jimenez

A problemática do fracasso escolar constitui um tema controverso. Quem fracassa? A criança, a família ou a escola? O fracasso acontece em função das dificuldades para aprender? Quais são os alcances do fracasso escolar? Este artigo se propõe a começar uma reflexão sobre um tema que abrange diferentes fatores e agentes. Um convite ao debate sobre aspectos que podem ser transformados ao se trabalhar em conjunto.
A questão do fracasso escolar é um assunto de interesse para os diferentes agentes sociais, tais como autoridades governamentais, especialistas em educação, profissionais em cargo de direção, docentes e pais. O assunto pode ser abordado a partir de diferentes perspectivas, que estão relacionadas ao caráter essencial da escola, à história das reformas educacionais, aos modelos de ensino, às práticas escolares e ao rendimento individual da criança, fonte de preocupação da família.
A complexidade do tema nos obriga a fazer um recorte no conteúdo deste artigo. Nos propomos a rever alguns aspectos referentes às práticas docentes e às consequências para a família quando um de seus membros apresenta “dificuldades para aprender”. Qual é o alcance do fracasso escolar? Sabemos que o fracasso escolar é difícil de ser definido e compreendido por se tratar de um fenômeno que não é natural, mas resultado das condições de interação entre a proposta de ensino, a assimilação do aprendizado por parte dos alunos, os modelos de ensino e de avaliação, além do contexto escolar e familiar.

Conceitualmente, o fracasso escolar é entendido como um desajuste produzido em algum ponto do sistema educativo, seja na formação do docente, na exigência dos conteúdos, na fragmentação curricular ou, ainda, nas possibilidades oferecidas aos alunos para o aprendizado. O rendimento individual de uma criança em sua condição de aluno mobiliza na família diferentes sentimentos vinculados ao desempenho escolar do filho:

 

  • “Ele(a) faz a lição de casa sozinho(a), trabalha de modo independente e tem boas notas.” Essa atuação escolar é vivenciada com satisfação por parte da família.
  •  “A criança tem um rendimento médio, ou seja, não se destaca particularmente em nenhuma área, mas mantém um ritmo adequado para o aprendizado.” Esse perfil é aceito, em geral, de forma positiva por parte da família, à exceção dos pais exigentes que não se conformam com qualificações medianas.
  •  “A criança apresenta dificuldades para aprender” e requer acompanhamento familiar ou até ajuda profissional.

O que explica, no que diz respeito às crianças, as respostas acima?
O espaço escolar é o primeiro ambiente institucional do qual a criança participa sistematicamente e encontra pares com características similares e também diferentes das suas, tanto como criança quanto como aluno. As observações dos pares ou dos docentes dirigidas a uma criança fazem com que ela se perceba num espaço diferente do que foi designado pelos membros da sua família. Em outras palavras, as situações aqui assinaladas também repercutem na criança em particular, em seus sentimentos individuais.

As colocações “bom aluno”, “sempre é o último a terminar”, “demora muito”, “é muito rápido”, “trabalha bem, mas se distrai demais”, expressas pelo docente ou pelos colegas de uma criança, ecoam no seu íntimo, construindo sua identidade. São qualidades atribuídas por pessoas próximas que podem afirmar ou desestabilizar sua autoimagem. Os sentimentos despertados na criança por essas observações podem, em algumas ocasiões, gerar insegurança no momento de resolver situações escolares. Por isso, é importante criar um espaço de diálogo para conversar sobre o que acontece com a criança quando ela ouve o que se fala a seu respeito – não apenas as qualidades menos agradáveis, mas também aquelas em que ela é altamente valorizada.

O diálogo permite avaliar uma mesma situação sob outra perspectiva, favorecendo a construção de critérios particulares para conhecer a si mesmo e para reconhecer quando a criança pode realizar atividades individuais e quando há necessidade de pedir ajuda. A questão é quando pedir ajuda, e se essa necessidade diz respeito somente à criança ou está vinculada à proposta escolar ou à situação familiar/socioambiental. A seguir tentaremos expor algumas reflexões:

  • As dificuldades individuais seriam aquelas que demandam um tratamento especial para superá-las.
    Explicam-se pelo fato de a criança apreender alguns conceitos escolares que, ao serem aplicados na resolução de uma atividade escolar, produzem um resultado pouco satisfatório. Ou, ainda, quando ela carrega questões afetivas que repercutem em suas relações. Nesse caso, recorrer à orientação de profissionais externos ao âmbito escolar constitui uma boa solução para abordar a situação.
  • As dificuldades impostas por uma escola ou por uma situação socioambiental constituem barreiras para o aprendizado. Seria necessário revisar o método de ensino da escola e verificar se a avaliação está vinculada à forma como se ensina.

 

A forma de ensinar tem diferentes modelos que se expressam nos modos de transmitir informações e organizar as propostas didáticas:

 

  • Uma posição possível é a tradicional, centrada na reprodução de conteúdos, onde se valoriza a repetição e a memória. A avaliação das lições diárias é realizada com correções do tipo “incompleto”, “bom”, “mau”, sem explicações por parte do docente sobre o que é necessário rever para melhorar. Esse modelo se sustenta na concepção passiva do aluno, considerado como aquele que recebe informação, assimila e reproduz.
  • Outra posição se baseia na reflexão e participação ativa do aluno na construção de noções. Trata-se de propor atividades que permitam reconhecer o que o aluno já aprendeu e apresentar situações para que ele evolua. As correções ressaltam o processo individual: “Você pensou bastante e conseguiu avançar”, “Você conseguiu voltar a pensar no problema”. A ideia é que a criança reconheça do que é capaz e paulatinamente tome consciência de novas noções para ir adiante.

As dificuldades se apresentam quando o docente propõe um modelo de ensino mas faz a avaliação a partir de outro conceito. Ou, ainda, quando não existe na escola um consenso sobre como se deve ensinar, o que se espera dos alunos em classe e, finalmente, como e o que especificamente deve ser avaliado. Há docentes que não mantêm o mesmo conceito de ensino no momento da avaliação, e isso produz uma mudança nas regras implícitas da aula, gerando o fracasso dos alunos como resultado. Outra situação diz respeito às mudanças de critério que se observam na instituição de um modo geral. Se o corpo docente não mantém uma mesma modalidade de ensino, as valorações sobre a atuação dos alunos são distintas. Essas quebras na coerência institucional também levam ao fracasso escolar.
Os pais podem detectar essas posições distintas entre os docentes e solicitar entrevistas com eles e/ou com os profissionais de direção. A entrevista com o professor ou com os diretores pode gerar possíveis reflexões por parte dos educadores sobre suas práticas, de forma que eles assumam que podem cometer erros e apresentem outras alternativas para superar a tensão produzida. Mas também encontramos outros que preferem atribuir o problema à criança ou à sua família, sem se envolver na situação. Isso gera um mal–estar para os pais, e muitas vezes essa tensão entre os adultos prejudica o avanço do aprendizado da criança.

Como resolver essa situação?

O diálogo volta a se apresentar como a ferramenta essencial para produzir mudanças. É preciso que os pais se aproximem da escola, marquem uma entrevista com o docente para conhecer os aspectos valorizados por ele, e assim definam acordos de acompanhamento em casa e na escola. A ideia é saber de que modo um docente entende que a família deva acompanhar a escolaridade do filho e comprometer-se com ações que serão realizadas tanto em casa como na escola.

A finalidade desses encontros não é discutir as linhas de ensino ou de aprendizagem, mas encontrar alternativas de ações que favoreçam a criança, seja por meio de lições extras em casa com apoio dos pais ou professor particular, seja com abordagens individuais. Quando não existe uma dificuldade específica para o aprendizado, as orientações e o acompanhamento dos pais para que seus filhos superem obstáculos de entendimento das matérias são suficientes para que eles obtenham bons resultados na escola.
O foco central é estabelecer acordos para o que a criança precisa como pessoa, em função da sua idade e do seu grupo de colegas, e entender o que ela pode fazer sozinha e o que requer um certo acompanhamento escolar ou familiar. É importante que nenhuma parte se posicione como dona da razão. É necessário refletir sobre o que se está fazendo para que a criança/aluno aprofunde o seu aprendizado.

Como os adultos podem contribuir para que a criança obtenha mais êxito na escola?

Novamente, a resposta é o diálogo, a explicação verbal sobre o que acontece e o que será realizado em casa e na escola. Os pais vão explicar as diretrizes definidas/estabelecidas com a escola e discutir os acordos e desacordos referentes às valorações do docente. Mas deverão proteger as crianças da divergência de opiniões entre os adultos, para não prejudicá-las.
Ao dar as razões e explicações sobre as decisões tomadas, os pais estimulam um desenvolvimento moral mais maduro na criança, além de contribuir para conscientizá-la sobre os aspectos comprometidos na situação e os compromissos assumidos para superar os obstáculos inerentes.
É importante lembrar que toda situação de mudança gera ansiedade e insegurança. É preciso que os pais ajudem o filho a compreender o contexto e acompanhem os reflexos no emocional da criança. Estabelecer antecipadamente as metas que precisam ser alcançadas, fazer o planejamento para que elas sejam concretizadas e realizar pequenas tarefas individuais vão devolver a segurança necessária à criança.

As atividades também podem ser dirigidas com modelos que a criança poderá repetir, revelando o que ela pode fazer sozinha e o que requer a colaboração de um adulto. Em alguns momentos será preciso ouvir a criança dizer em voz alta o que sabe para avaliar se ela absorve os procedimentos propostos pelo adulto. A expectativa é de que a criança vá, paulatinamente, autorregulando sua conduta e obtendo melhores resultados na aprendizagem. Em suma, a proposta é dialogar para encontrar os acordos e também os desacordos. Frente a estes últimos, construir pontes que permitam superar as diferenças, cuidando sempre da criança–aluno.

 

 

* Mabel Del Giúdice é graduada em Psicopedagogia, Mestre em Psicologia Educacional, diretora do Departamento de Psicologia e Ciências Pedagógicas da Universidad Caece. Docente (UBA e Universidad Caece). Supervisora das equipes de Psicopedagogia do Centro Claudina Thevenet.

E-mail para contato: Mdelgiudicecaece.edu.ar

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Professor


Dicas para educar com a televisão

 É competência das escolas?


Como no caso dos videogames, é necessário ter em conta que pais e docentes são os agentes educadores mais próximos das crianças e adolescentes, e é preciso assumir essa responsabilidade.


Conhecer a televisão

Assistir televisão não implica sempre fazê-lo diante do aparelho de TV. Hoje, é cada vez mais simples assistir a séries, programas ou filmes na Internet. Em um futuro não muito distante, vamos fazê-lo pelo celular, e já é possível baixar programas para vê-los nos consoles portáteis tipo PSP. O importante não é tanto a mídia, mas sim o conteúdo. Uma das vantagens dessas novas formas de assistir televisão (ou algumas coisas antigas, como o aluguel de vídeos) é que elas permitem fazer uma seleção do que veremos. Se as escolas dispõem de serviços de Internet, é importante educar sobre esses tipos de conteúdo.

 Pode ser aproveitado como material educativo?

 

Intercâmbio de experiência

Compartilhe suas experiências educativas relacionadas às novas tecnologias e conheça as iniciativas de outras escolas na página do Gerações Interativas.

Dica: a página está em espanhol, mas os internautas brasileiros podem escrever em português.

As projeções de vídeo em salas de aula são uma constante, tanto como complemento para a explicação de alguns temas quanto para o estímulo ao debate a partir de filmes exibidos para o grupo. É importante saber que existem programas de TV à la carte, onde é possível encontrar vídeos úteis para qualquer tipo de matéria. Além do mais, existem projetos que ajudam as crianças a criar sua própria televisão na Internet: no site

www.teleclip.tv, elas podem gerar conteúdo para explicar ao grupo sua visão para todo tipo de questões, como meio ambiente, ciência etc.

 Os meios audiovisuais como recurso para aprender a utilizar os meios audiovisuais

Existe uma variedade de vídeos explicativos e educativos para aprender a usar a televisão e outros tantos para educar sobre as novas tecnologias. No canal YouTube podemos encontrar vários exemplos. A partir daqui, convidamos todos ao Canal YouTube de Gerações Interativas.

 

Fazer televisão também é aprender

É cada vez mais simples fazer vídeos caseiros, já que com uma webcam ou um celular, por exemplo, podem ser realizadas pequenas gravações. Uma boa atividade é utilizar esses recursos para desenvolver o uso crítico da televisão e selecionar os conteúdos. Ou seja, por que veríamos conteúdos que nós mesmos não gravaríamos?

Fonte: Gerações Interativas
Tradução: Carla Jimenez

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Pareceristas da primeira fase do Concurso EducaRede

Relação de pareceristas da primeira
fase do Concurso EducaRede

Alice Davanço Quadrado

Educadora há mais de quarenta anos, foi diretora de escola, supervisora regional da rede municipal, assistente de pesquisas da Fundação Carlos Chagas e coordenadora de projetos do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária), onde ainda atua. Também é parecerista dos Prêmios Itaú-Unicef e Prefeito Criança.

 

Zilá Aparecida Peigo de Moura e Silva
Doutora em Educação pela USP, é professora universitária e consultora do Senac. Desenvolve pesquisas a respeito de formação de professores e experiências na área de Educação, com ênfase em Avaliação da Aprendizagem com uso das TICs.

 

Carola Carbajal Arregui

Doutora em Serviço Social pela PUC/SP, é pesquisadora do Instituto de Estudos Especiais daquela instituição, assessora em Tecnologias de Educação no Cenpec e integrante do Comitê Técnico-Acadêmico sobre Tecnologias Educacionais da Educação Básica no MEC em 2007.

 

Marcia Padilha

Foi uma das responsáveis pela concepção do Programa EducaRede no Brasil, atuando como coordenadora do Programa por quatro anos. Mestre em História, trabalha como formadora de jovens e de educadores. É editora e autora de materiais educacionais. Desde 2000, dedica-se a projetos de uso educativo da Internet e de outras mídias, à elaboração de cursos a distância e à colaboração de ONGs como Midiativa e Rede Livre.

 

Rita dos Santos de Carvalho Picinini
Graduação em Matemática pela Universidade Estadual Paulista – Júlio de Mesquita Filho. Especialização em Tecnologia Educacional pela PUC/SP, atuando principalmente nos seguintes temas: softwares educacionais, capacitação de professores, criança, sala de aula e informática.

 

Maria Izabel de Araujo Leão
Jornalista, com especialização em Gestão de Processos Comunicacionais pela ECA/USP, mestranda em Educomunicação na ECA/USP. É repórter do “Jornal da USP”, tutora do curso Mídias na Educação do MEC e coordena, junto ao Núcleo de Comunicação e Educação NCE-ECA/USP, a página Pais & Mestres do “Jornal da Tarde”.

 

Zilda Kessel
Educadora, especialista em Museologia com mestrado em Ciência da Informação e Comunicação pela ECA/USP. Coordenou a área de Educação do Itaú Cultural e atuou como formadora do Museu da Pessoa e do Portal EducaRede. É professora universitária, atuando na área de formação de professores e Educação a Distância, além de consultora de escolas e organizações em projetos de memória, cidadania e inclusão digital.

 

Rosemary Soffner

Douranda na Faculdade de Educação da USP, mestre em Psicologia da Educação pela PUC/SP, diretora pedagógica da Re-criar Assessoria e Desenvolvimento de Tecnologia Educacional, coordenadora do curso de Pedagogia da Faculdade Sumaré.

 

Louiza Matakas
Pedagoga, pós-graduada em Informática Educativa pela Universidad de Chile e em Comunicação e Educação, pela Universidad Diego Portales (Chile). Colaboradora do EducaRede, atua em projetos desenvolvidos em Comunidades Virtuais formadas por alunos e professores da rede pública de ensino e em formações para professores.

 

Cleide Santos Muñoz

Educadora, pedagoga, pós-graduada em EAD (Faculdade Senac/RJ) e Tecnologias Educacionais (PUC/SP), é gestora da CV Território Escola, professora e coordenadora de Informática do Colégio I. L. Peretz.

 

Isabel Mendes

Doutora em Ciências pela UNICAMP, com pesquisa em Ensino de Ciências, História da Ciência e Educação a Distância. Mestre em Geociências Aplicadas à Educação, com pesquisa em Ensino de História da Ciência e elaboração de recursos multimídias para Internet. Colaboradora no Grupo de Ensino de Ciências e Tecnologia da Escola do Futuro da USP e Designer Instrucional da Universidade de Guarulhos. Atua como consultora em projetos educacionais nas áreas de Tecnologia Educacional e EaD.

 

Mary Grace Martins
Pedagoga, especialista em Design Instrucional para Educação on-line, mestranda em Educação na USP, é docente na Uniban (Didática, Metodologia e Prática de Ensino), gestora de Comunidades Virtuais do EducaRede. Consultora e formadora em projetos de educação on-line. Responsável pelo blog da Vivência Pedagógica.

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Novas formas de pensar o currículo escolar

Novas formas de pensar o currículo escolar

II Seminário Web Currículo, em São Paulo, discutiu as possibilidades que as tecnologias digitais oferecem para inovar os modos de ensinar e aprender. O EducaRede participou do evento, com ações presenciais e on line

Por Adriana Vieira e José Alves

 

Redes sociais, mobilidade e Web 2.0 na educação foram alguns dos temas de destaque do II Seminário Web Currículo. O evento reuniu, nos dias 7 e 8 de junho, na PUC de São Paulo, especialistas brasileiros e estrangeiros para refletir sobre a integração das tecnologias digitais ao currículo escolar.

“As redes sociais subvertem as escolas”, afirmou Simão Pedro Marinho, professor da PUC de Minas Gerais, que participou da mesa-redonda “Redes Sociais e Educação”. Segundo Marinho, a escola – mesmo a tradicional – sempre foi um lugar de rede social, porém uma rede centralizada, na qual um único nó (o professor) irradia informação para os demais (os alunos). “Não tem sentido incorporar as redes virtuais na escola para reproduzir as mesmas práticas. Só faz sentido se a rede não tiver um centro, na qual todos sejam iguais. A escola fará a rede descentralizada? Está pronta para subversão?”, provocou o professor da PUC-MG.

“Mobilidade e Educação” foi tema de duas mesas-redondas e de relatos de práticas no seminário. A professora de Comunicação e Semiótica da PUC-SP Lúcia Santaella utilizou o termo “aprendizagem ubíqua” para designar os modos de aprender por meio dos dispositivos móveis. Ou seja, a informação e as possibilidades de aprendizagem estão por toda parte. “Inaugurou-se uma modalidade de aprendizagem que prescinde a fórmula ensino e aprendizagem. Um novo modelo de aprendizagem sem ensino”. Porém, ela concluiu que essa nova modalidade de aprendizagem não significa a substituição da educação formal. “A educação formal nunca foi tão necessária, mas de uma forma diferente”, disse.

A professora da Faculdade de Educação da PUC-SP Maria Elizabeth de Almeida, uma das organizadoras do seminário, enfatizou a importância de integrar as velhas e as novas tecnologias ao currículo escolar. “Não é excluir as tecnologias convencionais, até mesmo o laboratório de informática,  mas ressignificá-las. Temos como exemplo as revistas impressas que continuam a existir, mas utilizam elementos da Internet”, explicou a professora na mesa-redonda de abertura do evento. Ela também ressaltou que as políticas de formação de professores têm que emergir de um diagnóstico – das questões dos professores e da escola – para então surgirem o conteúdo, as metodologias e as tecnologias.

As possibilidades oferecidas pela Web 2.0, como a colaboração e o papel da criação e autoria, também foram discutidas no evento. Para a professora da PUC-SP Maria da Graça Moreira da Silva, a escola deve explorar o meio digital “não só como espaço de navegação pelo conteúdo já posto, mas a idéia da Web 2.0, o papel da autoria, da nossa presença virtual”.

O seminário foi finalizado com a palestra “O papel das mídias na inovação em educação”, com o jornalista Paulo Markum, que criticou os projetos de um computador por aluno na escola, pois, segundo ele, “só interessa a governos para fazer média com empresas de computadores” (do Twitter @educaredebrasil). O jornalista ainda apontou o grande desafio que as novas tecnologias colocam à escola: “levar o professor a abrir mão do poder” (do Twitter @Elizampieri).

Rede Social Minha Terra, do Programa EducaRede, no Web Currículo

 

O Programa EducaRede compartilhou a experiência pedagógica vivenciada na Rede Social Minha Terra com os participantes do II Seminário Web Currículo em duas apresentações distintas. Priscila Gonsales, coordenadora executiva do Programa EducaRede no Brasil, esteve à frente do painel “Minha Terra: web 2.0 + sustentabilidade”, com relatos das práticas educacionais presentes na rede social que já envolve cerca de 9.000 estudantes e professores de diferentes localidades brasileiras e sulamericanas. Gonsales demonstrou para um público formado por especialistas em educação e tecnologia, além de estudantes universitários, como o Minha Terra pode promover a educação para o desenvolvimento sustentável do planeta.

Já Claudemir Viana, gestor do Minha Terra, realizou a oficina presencial “Publicação na web 2.0”. O especialista apresentou para os inscritos na capacitação, educadores e representantes de diretorias de ensino, as bases conceituais da comunidade virtual de aprendizagem, como o estímulo à prática da cidadania, autonomia e construção colaborativa de conhecimento entre educadores e alunos. Na oficina, houve também a demonstração das ferramentas tecnológicas presentes no ambiente virtual.

Web Currículo no Portal EducaRede

O Web Currículo contou com o Programa EducaRede como um dos seus parceiros. Por esse motivo, como parte das ações on line que antecederam o evento, o Portal ofereceu suas salas de bate-papo, desde abril, para representantes do seminário conversarem com internautas sobre os mais variados temas relacionados à educação e tecnologia. Entre eles, o projeto Um Computador Por Aluno (UCA), o uso das tecnologias para o ensino de línguas estrangeiras e Games na educação.

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Veja também:

Apresentações dos palestrantes e convidados no blog do Web Currículo

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Irmãos: entre os ciúmes e o amor mais profundo

Irmãos: entre os ciúmes e o amor mais profundo

É possível resolver a equação entre atenção especial e incondicionalidade quando se tem mais de um filho? O Prof. Rolando Martiñá propõe neste artigo algumas ideias para melhor administrar as relações entre os irmãos e com os pais.


Por Rolando Martiñá*
Tradução: Lilian Escorel

 

Ser pai e mãe é um trabalho árduo, que se realiza aprendendo. Como o trabalho do carpinteiro que deve, ao mesmo tempo, construir um móvel e as ferramentas a serem usadas na construção.

Além disso, as coisas se complicam em progressão geométrica: criar um filho já é problemático e requer desenvolver habilidades inéditas, como, por exemplo, ir trabalhar sem ter dormido ou amamentar às 4h da manhã.

Dois filhos não são dois problemas, mas quatro ou oito. E se são de idades diferentes, um entrando no ensino fundamental e o outro aprendendo a andar, os problemas são incontáveis, porque a trama de relações torna-se muito complexa e a de necessidades se diversifica. Passa a ser, então, cada vez mais difícil para os pais responder, ao menos de modo razoável, à dupla demanda de todos os filhos, seja qual for a idade: atenção especial e incondicionalidade. O que implica, entre outras coisas, estarem sempre disponíveis e tomarem decisões justas. Ou seja: hoje em dia, as crianças descobrem muito cedo que os Reis Magos são os pais, e, do mesmo modo, continuam esperando que os pais sejam “reis” e “magos”.

Seria fácil abordar esta descrição crua apelando a frases feitas, do tipo “amar é dar tudo sem esperar nada em troca” e coisas do gênero, mas a verdade é que formar e sustentar uma família são um desafio muito grande, que, com frequência, põe as pessoas no limite de suas possibilidades. No entanto, as pessoas continuam se unindo, se amando e procriando, motivo pelo qual devemos pensar que, apesar das dificuldades, essa missão tem algo de profundamente pleno e gratificante. Isto posto, não é demais oferecer alguma ajuda aos que estão empenhados na tarefa ou projetam estar.

Quando nasce um filho, a vida dos pais muda para sempre. No mínimo, alteram-se o cronograma (tempo) e o mapa (espaço). Em geral, modificam-se os mecanismos de equilíbrio entre frustração e gratificação, o que costuma aumentar o estresse. Se mais filhos nascem, este é ainda maior. Junte-se a isso a crescente questão de administrar a relação entre os irmãos.

Quando nasce um segundo filho, então, além do já aprendido com o primeiro, deve-se aprender a lidar com os sentimentos e condutas que o nascimento do segundo, em alguma medida, desperta no primogênito. O famoso Dr. Escardó, líder da pediatria argentina, dizia justamente que a criança que ganha um irmão experimenta sensações semelhantes às de um adulto, quando, em uma relação, é substituído por outra pessoa. Ser parcialmente excluído, sem ter desejado, do foco de atenção – e das atenções – das pessoas mais importantes em sua vida constitui uma ferida na autoestima difícil de metabolizar. E é preciso uma atitude muito inteligente dos pais para manter as coisas dentro de vias aceitáveis.

A que nos referimos com “inteligente”? Certamente, não apenas à abundância de informação e/ou vocabulário, refinamento das ideias ou nível de instrução, coisas que de qualquer modo exercem alguma influência. Falamos, antes, de inteligência emocional. A capacidade de se conectar com os próprios sentimentos e com os alheios e encontrar recursos para administrar os diferentes tipos de vínculo entre eles.

Se há um sentimento paradigmático entre os seres humanos este é o ciúme. Desde a mais remota história bíblica de Caim e Abel, passando pela medieval e shakespeareana Otello, inúmeros exemplos demonstram sua presença contínua. Incluindo aí a experiência pessoal de cada um de nós, que, em idades diferentes e por motivos diferentes, não deixamos, com certeza, de experimentá-lo alguma vez na vida.

É uma emoção dolorosa, que parte da suposição de que um dos filhos foi privado injustamente, a favor do outro, de uma parte de afeto que lhe corresponde. Real ou imaginária, esta suposição, na verdade, baseia-se em uma discordância, em certa medida inevitável, entre o desejo de toda criança de receber o máximo de atenção dos pais e a intenção destes de atender de modo diferenciado às diferentes necessidades dos filhos.

Com efeito, todo filho, de um ponto de vista egocêntrico, parte do pressuposto de que os pais devem ser, entre outras coisas, juízes infalíveis em relação a ele e a seus irmãos. E que, portanto, devem distribuir entre eles, sempre de maneira inequivocamente igualitária, seu tempo, sua atenção, sua ajuda e seus bens. Mas, como dedicar o mesmo tempo a um bebê recém-nascido e a um estudante no ensino fundamental, relativamente autossuficiente? Ou a um filho saudável e a um doente?  Como estas posturas são, com frequência, muito difíceis de conciliar, os pais geralmente cumprem o papel de mediadores da rivalidade entre os filhos. E este é um dos maiores desafios da vida familiar.

Com os ciúmes e a rivalidade acontece o mesmo que com a chuva: não se pode evitar que ocorra. No entanto, podemos tomar precauções e medidas, evitando nos ensopar e pegar, eventualmente, uma pneumonia.

Vejamos:

  • É negativo os pais darem ordens do tipo “não briguem”, pois estas implicam uma mensagem paradoxal, impossível de se cumprir e que só acrescentará uma dose de frustração e culpa à difícil situação. Deveria dar-se por certo que esses sentimentos existem, fazem parte da natureza humana, mais sutil, flexível e complexa que qualquer outra. Não se conhece nenhum caso de ser humano que, em qualquer época ou lugar, tenha se sentido satisfeito por ter sido privado de algo de valor para ele… A não ser que fosse para obter em troca algo de maior valor. Fique claro que não nos referimos apenas a valores materiais.
  • É bom os pais transmitirem gradualmente aos filhos que não são “reis” nem “magos”, fazem o melhor que podem e certamente irão se equivocar alguma vez. Quando isso ocorrer, pedirão as devidas desculpas. Mas devem notar que são os maiores responsáveis por tudo o que ali ocorra. Sob esse aspecto, são os principais encarregados de distribuir os bens, as sanções e as recompensas, bem como organizar a vida em comum. Embora sempre seja de esperar, mesmo no melhor dos casos, certa tensão entre duas alternativas vinculadas à ideia de justiça: “dar a todos o mesmo ou dar a cada um o que necessita”.
  • É importante estabelecer o princípio de que quem tem maior responsabilidade deve ter maior poder. Se alguém tem muito poder e pouca responsabilidade, abusa dos outros. Se tem muita responsabilidade e pouco poder, abusa de si mesmo… Em nenhum dos casos, pode-se prever um bom futuro. A autêntica relação de autoridade baseia-se no equilíbrio entre ambas as atribuições. Em uma fórmula: P (poder) + R (responsabilidade) = A (autoridade).
  • A complicada trama das relações interpessoais está tecida com fios diversos, alguns deles, aliás, em contradição com outros. Por isso, é bom aceitar que nem sempre é possível colaborar e que, às vezes, estabelecem-se relações de competição, o que costuma ser, em especial na infância, a maneira de pôr em jogo as competências correspondentes…
    Não se trata, pois, de negar essa tendência, mas de poder enquadrá-la para que não se torne violenta e destrutiva. Mostrando que também é possível (e desejável) competir em um aspecto e colaborar em outro, como, por exemplo, dois tenistas que competem para ganhar o jogo, mas colaboram para comportar-se de modo a garantir o espetáculo, preservando assim – e isto é importante – a essência do próprio jogo.
    De qualquer modo, “quando o sangue sobe à cabeça”, os adultos devem intervir o mais rápido possível e deter o círculo vicioso de violência. Em seguida, devem ajudar a pensar sobre o assunto e obter as aprendizagens necessárias, evitando a repetição dos fatos. Nenhuma criança, ou grande parte delas, é capaz de entabular um diálogo razoável no meio de um chilique.
  • Costuma-se fazer confusão em torno do conceito de incondicionalidade. No caso dos adultos responsáveis, sejam pais ou docentes, a incondicionalidade passa pela disponibilidade permanente, mas não necessariamente por responder sempre de maneira ótima a qualquer tipo de demanda. A mensagem seria: “estivemos, estamos e estaremos; podem contar conosco para proteger, alentar e ajudar do modo que nos for possível”. Escutaremos e compreenderemos qualquer sentimento ou pensamento que queiram dividir conosco, mas, ao mesmo tempo, não permitiremos qualquer comportamento que surja deles. Em especial, se ele puser em perigo a integridade do outro ou da própria vida em comum.
  • Isto nos leva a outra confusão habitual acerca dos limites. Poderia parecer que passamos, em poucas décadas, de pais que determinavam até o futuro do trabalho dos filhos a pais incapazes de dizer “não” aos caprichos mais insólitos (ou, ao contrário, “sim” às pretensões mais absurdas)… A pergunta seria: “Em que devemos pôr limite e em que não?”. E a resposta que nos parece mais sensata é: devemos limitar os desejos e impulsos e não limitar, mas antes estimular, os talentos e as potencialidades. O que, indiretamente, acaba sendo um bom antídoto contra os ciúmes e outros resíduos tóxicos, que germinam melhor quanto mais frouxa for a autoestima.

     

Finalmente, caso necessário, um esclarecimento: estas palavras dirigem-se à imensa maioria de pais que amam seus filhos e tentam fazer o melhor para eles. O fato de não mencionar em cada passo a palavra “amor” não significa que ignoramos esse componente, mas que o tomamos por certo em nossos leitores, porque, de outro modo, não poderiam ser pais. Mas, como disse o grande Bruno Bettelheim, que sabia muito destas coisas, “só o amor não basta”. Muitas das coisas que transtornam a vida familiar ocorrem apesar e até, às vezes, como consequência das “melhores intenções”. Parece, pois, necessário pensar. Esperamos que estas palavras contribuam nessa direção.

Compartilhando Histórias de irmãos

A Comunidade Virtual Entre Pais, um projeto EducaRede Iberoamericano, quer convidá-lo a mostrar seu mundo a partir de um acontecimento que mostre o que significa criar filhos, construir a noção de “irmãos”, de “família”.  Uma história que, embora possa parecer mínima, torna-se máxima na hora de compartilhar com outros pais a universal tarefa de criar filhos.

Gostaríamos de compartilhar relatos breves de um fatos curiosos, contados a título de ilustração, exemplo ou entretenimento. Seriam histórias que mostrem uma forma de ver o mundo e também convites para compartilhar, trocar experiências e conclusões sobre a vida. Esse tipo de história é chamado de anedota.

Plutarco dizia que “Às vezes, uma brincadeira, uma anedota, um momento insignificante retratam melhor um homem ilustre do que as maiores proezas ou as batalhas mais sangrentas”.

Para compartilhar sua anedota, entre aqui.

 

 

* Rolando Martiñá, pai de dois filhos e avô de quatro netos, é Professor Normal Nacional, Graduado em Psicologia clínica e educacional. Pós-graduado em Orientação Familiar, convênio Fundação Aigle- Instituto Ackerman de Nova York. Membro do Programa Nacional de Convivência Escolar, Ministério da Educação da Argentina. Conselheiro familiar e de instituições educativas. Autor de Escuela hoy: hacia una Cultura del Cuidado, Geema, 1997; Escuela y Familia: una alianza necesaria, Troquel, 2003; Cuidar y Educar, Bonum, 2006 e La comunicación con los padres, Troquel, 2007. E-mail de contato: rmartina@fibertel.com.ar

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

 

 

 

Gente quer carinho e atenção

Roda de gente que ouve gente

 

Demonstrando ser raridade, a descrição acima foi usada por um participante, para definir as oficinas sobre inclusão desenvolvidas pela jornalista Claudia Werneck; projeto receberá o Prêmio Empreendedor Social Ashoka-McKinsey 2002 no dia 19 de novembro

Por Beatriz Levischi

De blusa azul, calça preta, bota de salto alto (e fino), óculos de oncinha e medalhão com detalhes dourados balançando no peito, a jornalista e diretora-executiva da ONG Escola de Gente, Claudia Werneck, chega ao Espaço Criança Esperança, localizado no Jardim Ângela, em São Paulo, para comandar mais uma oficina sobre inclusão, dedicada a jovens – portadores e não-portadores de deficiências.

Sentados em círculo, adolescentes entre 14 e 18 anos começam a debater o significado da tal palavra, instigados por Claudia: “Inclusão é diferente de exclusão? Vocês já se sentiram excluídos na escola, por causa de nota, por exemplo?” A jornalista explica em seguida que “exclusão” não funciona apenas para os que estão fora da escola, mas também para os que estão dentro dela e não percebem.

A certa altura da discussão, Claudia questiona a presença de uma intérprete de Libras (linguagem de sinais) na oficina, uma vez que não havia surdos na sala: “Faz sentido?”. Faz. Segundo manda o protocolo, todo ambiente público deve ter uma intérprete da Língua Brasileira de Sinais. “E estamos aprendendo com ela”, justifica um dos participantes.

A pergunta que dá seqüência ao trabalho põe a molecada para pensar: “Vocês são gente?”. As respostas aparecem das formas mais variadas: “Em que sentido?”, “Às vezes não..”, “Quem é gente não vive com violência.” Aproveitando o (mau) hábito do ser humano de classificar pessoas, Claudia provoca: “Assassino é gente?”. Um “Não” ressoa em uníssono. “Quer dizer que vira ventilador?”, sorri faceira. Silêncio.

Para Claudia, falar sobre o assunto envolve uma questão de foro íntimo, por isso há tantos tabus. Uma vez convencidos que ninguém ali era ventilador, chegava a hora de olhar um para o outro e descobrir qual a única coisa que, ao ser tirada, faz com que não sejam mais gente. Mil chutes. Nenhum acerto. Gabarito: a diferença. “Cada um de nós é infinitamente diferente e totalmente único, não é privilégio das pessoas com deficiência. A gente chega misturado, embaralhado, desarrumado; não tem dias predeterminados para cada tipo de pessoa nascer. Essa é a manifestação da humanidade sobre a face da Terra. Cada um, além de ser diferente, está diferente a cada dia. O mundo é inspirado na diversidade. Quanto mais pessoas diferentes vierem, melhor; cada uma delas é um desafio”, empolga-se Claudia.


:: Falta convivência

Quem cabe no seu TODOS? em números
  • 1.215 adolescentes capacitados
  • 60% dos participantes nunca conviveram com jovens com deficiência
  • 87 oficinas realizadas
  • 48 ONGs parceiras

A oficina ocorrida na capital paulista integra um levantamento inédito no Brasil, conduzido por Claudia Werneck, que avaliou o quanto o jovem comum pensa no jovem com algum tipo de deficiência (mental, motora, auditiva, visual e física). A resposta é: muito pouco. Motivo: a falta de convivência, principalmente na escola. O estudo faz parte do projeto “Quem cabe no seu TODOS?”, que começou a ser desenvolvido em agosto de 2001 e tem como parceiros financiadores a ONG Save the Children Suécia, Fundação Banco do Brasil e WVA Editora.

As Oficinas Inclusivas foram uma das cinco vencedoras do Prêmio Empreendedor Social Ashoka-McKinsey 2002, na categoria Idéia Inovadora em Mobilização de Recursos, a ser entregue dia 19 de novembro, em São Paulo. Concorreram a este prêmio 220 organizações do Terceiro Setor.

Nove estados: Pernambuco, Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Amazonas, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Paraná já sediaram as oficinas e os resultados serão divulgados em livro a ser lançado no início de 2002. O objetivo do “Quem cabe no seu TODOS?” é capacitar adolescentes e jovens brasileiros para se tornarem multiplicadores do conceito e da prática de sociedade inclusiva – a sociedade para TODOS, segundo a resolução 45/91, da ONU, assinada em dezembro de 1990. De caráter itinerante, a iniciativa conta com a parceria de ONGs brasileiras que desenvolvem programas de educação para e pela mídia junto a adolescentes. Nas dinâmicas de grupo, os adolescentes têm a oportunidade de refletir sobre o conceito de inclusão, aprendendo a utilizá-lo em suas atividades. Um total de 15% desses adolescentes têm algum tipo de deficiência (física, sensorial, motora e mental). Todos são estimulados a refletir e a discutir o conceito de inclusão a partir de jogos e situações que valorizam a diversidade do grupo, visando a prática da inclusão.

“O conceito de sociedade inclusiva, entretanto, não se refere às reservas de mercado que têm o objetivo de garantir a presença de minorias nas universidades, nos trabalhos, em representações políticas no Congresso. A inclusão propõe uma nova ética que deverá permear todas as relações entre seres humanos”, diz Claudia Werneck.

Os sites indicados neste texto foram visitados em 14/11/2002

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)


Votei. E agora?

Votei. E agora?


Por mais de vinte anos (1964-1985), a ditadura militar seqüestrou do cidadão brasileiro o direito ao voto. Os representantes não eram escolhidos pela imensa maioria de representados – a população –, mas por uma cúpula militar que comandava o destino do País. Restabelecido o direito, o cidadão brasileiro, ainda hoje, imagina que sua participação no processo democrático está somente no ato de votar. Mas é muito mais do que isso. Participar da vida pública significa fiscalização, cobrança e memória. Avaliar o que o administrador público realizou para votar ou não na mesma pessoa é uma ação cidadã.

Por José Alves

Todo e qualquer ser humano, desde a mais tenra idade, guia a própria vida pelas decisões que toma, conscientemente ou não. Um bebê, por exemplo, “escolhe” chorar para demonstrar a fome que sente. A vida segue, as pessoas crescem e as necessidades continuam, ultrapassam os muros da casa (vida privada) e chegam à esfera pública. A primeira experiência eleitoral, nesse contexto, se dá na escola, nas eleições de representantes de classe, por exemplo. Nesse momento, já é possível perceber que nossas escolhas influenciarão outras pessoas, de forma positiva ou negativa. Se um candidato sem comprometimento for votado como representante simplesmente por ser amigo do aluno eleitor e seu trabalho não contemplar as necessidades da turma, toda a sala estará prejudicada. Vale a pena votar novamente na mesma pessoa?

Dezesseis anos após o nascimento, os muros da escola tornam-se pequenos e o cidadão brasileiro agora tem condições legais de influenciar nos rumos da sua cidade, Estado e País. De que forma? Novamente pelo voto.

Mas como saber se o candidato em que votamos merece nosso crédito? Lembrar que nesse momento da vida não é possível chorar depois é importante, afinal serão quatro anos de mandato. Por isso, antes de votar, é essencial avaliar o passado do pretendente ao cargo, a qualidade de suas propostas e seu compromisso com a comunidade. Lembrar que honestidade não é proposta de governo, é o mínimo que se espera e que devemos cobrar de qualquer um, seja político ou não, é importante. Pensar na melhor decisão para a coletividade na hora de votar é cidadania.

As responsabilidades do prefeito, de vereadores e cidadãos

Por meio das eleições municipais, no próximo dia 5 de outubro, prefeitos e vereadores de todas as cidades do País serão eleitos pelo povo para assumirem os respectivos cargos a partir de 1º de janeiro de 2009. Nos municípios com mais de 200 mil habitantes haverá segundo turno para prefeito caso algum candidato não obtenha mais da metade dos votos válidos.

O prefeito é eleito pelo sistema majoritário (vence quem tiver mais votos). Os vereadores são eleitos pelo sistema proporcional; as vagas da Câmara são preenchidas proporcionalmente ao número de votos obtidos pelos partidos ou coligações (composição entre diferentes partidos).

Mas qual é o papel do prefeito na administração da vida pública da cidade? O poder executivo municipal é exercido pelo prefeito, responsável pela administração do município. Isso inclui a realização de obras e a prestação de serviços públicos, tais como saúde, educação, abastecimento de água, limpeza das ruas, entre outros. O prefeito deve prestar contas de seu trabalho à Câmara de Vereadores e aos cidadãos. É necessário ressaltar que nenhuma obra é presente do administrador. Toda e qualquer ação é feita com o dinheiro público, do povo, que chega à prefeitura por meio de impostos, da mesma forma que transparência na prestação de contas desse dinheiro não é bondade, é obrigação. Afinal, todos devemos cuidar do nosso dinheiro, não é mesmo?

Os vereadores, por sua vez, representam os cidadãos e formulam as leis do município, que devem ser cumpridas por todos, inclusive pelas empresas e pela própria prefeitura. É papel do vereador fiscalizar a atuação do prefeito, do vice-prefeito e dos secretários municipais, e os atos de toda a administração municipal. Também é dever do vereador exigir melhorias para o município nas áreas de saúde, educação, transportes etc.

Chorar depois do voto, como foi dito antes, não é possível. Que tal uma postura mais ativa? É primordial trocar as lágrimas e a lamentação pelo exercício da cidadania. Isso significa fiscalizar os administradores públicos. Mas o que podemos cobrar?

Da prefeitura, a realização de obras, consertos em bens públicos e serviços de saneamento, limpeza, educação, transporte, saúde, abastecimento, assistência social e incentivo à geração de emprego e renda, além de condições de lazer (praças, parques…) e de cultura (realização de eventos culturais, por exemplo). Qualquer cidadão que tenha votado ou não no candidato eleito deve exigir esses direitos diretamente dos órgãos da prefeitura, como secretarias, ouvidorias, entidades de fiscalização, postos de saúde e escolas, ou do próprio prefeito, conforme o caso.

Para acompanhar o trabalho dos vereadores, os cidadãos podem assistir às sessões da Câmara Municipal. Devem exigir que os vereadores fiscalizem todas as ações da prefeitura – e que denunciem o que precisar ser denunciado. Se necessário, a Câmara Municipal pode criar comissões parlamentares de inquérito para apurar irregularidades, fazer vistorias e inspecionar os órgãos municipais, e ainda convocar as autoridades do município para depor e prestar esclarecimentos sobre determinado fato.

Tanto para o prefeito como para os vereadores, outra forma de exercer a fiscalização popular é entrar pessoalmente em contato, enviar carta, telefonar ou encaminhar e-mail. Informe-se na prefeitura sobre as reuniões de conselhos que tratam de educação, saúde, orçamento, juventude e outros temas, e participe, nem que seja só como ouvinte. Compareça às reuniões da Câmara de Vereadores e acompanhe os projetos em debate e votação. Apresente sugestões aos vereadores. Você sabia que qualquer cidadão pode apresentar projetos de lei se reunir assinaturas de 5% dos eleitores do município? Exercer cidadania é se apropriar de direitos e deveres; o nosso compromisso não termina ao apertar a tecla verde na urna eletrônica.

Pesquisas eleitorais: como são feitas?

Em entrevista ao site Infonet, Kerma Toscano, gerente regional do Ibope, explicou que a pesquisa é feita por amostragem, composta pelas variáveis sexo, grau de instrução e setor de dependência econômica “de acordo com critérios estatísticos e baseada em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o universo a ser analisado dentro da realidade”. As entrevistas são feitas de modo geral nos domicílios, escolhendo grupos específicos, que tenham um determinado perfil. Também existe a pesquisa de boca de urna, feita no dia da votação e nas seções com quem já votou.

O tamanho da amostra, ou seja, a quantidade de pessoas entrevistadas, não é o mais importante para a pesquisa, mas sim a representatividade dela. Por exemplo, se o município pesquisado tiver 60% de homens e 40% de mulheres, a amostra deverá obedecer a essa proporção. Quanto mais homogêneo for o grupo a ser consultado, menor a margem de erro da pesquisa, que varia bastante em função da distribuição geográfica do eleitorado. Em resumo, a margem de erro depende da mostra e da quantidade de variáveis utilizadas.

Todos estamos acostumados com as pesquisas eleitorais em época de pleito. Elas são um recorte momentâneo, temporal, dos índices de votação dos candidatos aos cargos públicos. Há, inclusive, uma polêmica, nem tão nova assim, quanto à influência das pesquisas no voto das pessoas. Mas você sabe como elas são feitas? De que forma os institutos chegam aos números que a população toma conhecimento?  

Fontes: O Guia do Eleitor Cidadão, publicação conjunta do Senado Federal e do Tribunal Superior Eleitoral
Ibope
Site Infonet

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)