Gracias a la Vida

Gracias a la Vida

Disciplina:

Língua Espanhola

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: O Pretérito Perfecto Compuesto e o Pretérito Indefinido
Tipo: Músicas

O contraste entre o uso dos pretéritos Indefinido e Perfecto Compuesto é uma das dificuldades que os alunos encontram ao estudarem a Língua Espanhola. Isto se deve principalmente ao fato de que, em português, não distinguimos entre um pretérito que se relaciona ao presente e outro pretérito que consideramos como completamente acabado.

Em espanhol existe essa diferenciação semântica. Nesse idioma, se usa o Pretérito Perfecto Compuesto para indicar um fato passado que se relaciona ao momento presente; esse pretérito vem acompanhado de expressões temporais que indicam essa proximidade, como hoy, esta tarde, esta mañana, últimamente, entre outros.

O Pretérito Indefinido expressa um passado realmente acabado, sem nenhuma relação com o momento presente, e vem acompanhado de expressões temporais como ayer, anoche, la semana pasada, el mes pasado, hace mucho tiempo etc.

Para complementar e aprofundar essa diferenciação, o professor pode propor aos alunos a análise do uso desses tempos verbais na canção “Gracias a la Vida”, de Violeta Parra.

O uso de música torna a aula mais diversificada e lúdica. A música é importante porque, ao cantarmos, nos força a juntar as palavras e a impor um ritmo. Desse modo, é possível trabalhar também a fonética da Língua Espanhola.

Para preparar o material a ser utilizado em sala de aula, o professor retira da letra original da música todos os verbos que estão no pretérito. No dia da atividade, entrega uma folha a cada aluno com os espaços em branco.

Para auxiliar o trabalho, o professor coloca na lousa todos os verbos que estão faltando. Em pares ou em grupos, os alunos debatem sobre as possíveis respostas e completam a canção utilizando os pretéritos Perfecto Compuesto e Indefinido, a partir do que já aprenderam.

Em seguida, cada par ou grupo lê as suas respostas e a classe decide se o texto tem ou não sentido e por quê. O mais importante, nesse momento, é que o texto final tenha sentido, mesmo que esteja diferente da canção original.

Depois, ouvindo a canção, os alunos completam novamente a letra. Se possível, o professor pode entregar-lhes outra folha para esse novo preenchimento. Quando terminarem, conferem-se as respostas procurando refletir sobre o uso desses pretéritos na canção.

Após a discussão, o professor pede aos alunos que escrevam duas estrofes para a música, seguindo o mesmo modelo, ou seja, procurando manter o número de sílabas tônicas (cinco) e de versos, como se essas estrofes fizessem parte da canção.

Para finalizar, os alunos escrevem uma pequena redação expressando a sua opinião sobre a canção.

Observação: a ordem das estrofes dessa música pode sofrer algumas alterações, conforme o intérprete. A versão apresentada aqui é cantada por Mercedes Sosa. Por isso, é bom que o professor verifique antes se há correspondência entre a letra que se encontra no link e a versão que irá trabalhar em aula.

Se considerar necessário, o professor pode propor aos alunos o seguinte questionário:

I. En la canción, ¿cuál es la diferencia entre el uso del Pretérito Perfecto Compuesto y del Indefinido?

II. ¿Vamos a analizar la construcción de la canción (estrofas, versos…)?

III. Ahora tu turno. Vas a reconstruir dos estrofas de la canción a partir de lo que te parece importante, así como lo ha hecho Violeta Parra. Deberás seguir el mismo modelo, o sea, deberás mantener el mismo número de versos en las dos estrofas y mantener, en cada verso, el número de sílabas tónicas para que las estrofas sigan con el mismo ritmo.

IV. Por último, escribe una pequeña redacción expresando tu opinión sobre la canción.

Referência:
CD 30 Años, de Mercedes Sosa. Polygram.

Texto original: Luiza Martins da Silva e Tatiana Francini Girão Barroso
Edição: Equipe EducaRede

Os sites indicados neste texto foram visitados em 31/10/2002

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

 

“Clandestino”, de Manu Chao

“Clandestino”, de Manu Chao

Disciplina:

Língua Espanhola

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Imigração ilegal, discriminação do Terceiro Mundo
Tipo: Músicas

Problemas de ordem política e econômica, como as guerras e o desemprego, geram em muitas regiões uma saída maciça de pessoas que vêem como alternativa e única esperança a imigração, ainda que de modo ilegal. Espanha, França, Itália, Alemanha e Reino Unido são exemplos de países que “recebem” milhares de “clandestinos” todos os anos. Na América, os casos mais típicos são os imigrantes cubanos e mexicanos que tentam morar nos Estados Unidos. Nos últimos tempos, as políticas de controle das fronteiras têm se tornado mais rígidas.

Para discutir essas questões, propomos a canção “Clandestino”, de Manu Chao, que trata justamente do problema da clandestinidade à qual essas pessoas estão submetidas em virtude das restrições impostas. A atividade alia o desenvolvimento da habilidade de compreensão auditiva à de expressão oral.

Preparação da atividade

  1. O professor deve escrever cada verso da canção em um cartão (papel, cartolina ou outro material). Como a primeira parte da atividade será realizada em pelo menos dois grupos, são necessários dois jogos completos da canção.
  2. O professor prepara uma folha com a canção completa.

Atividade em sala de aula:

Parte I

  • O professor divide a classe em dois grupos e distribui os cartões.
  • Cada integrante lê o verso que recebeu.
  • Antes da audição da canção, o professor explica aos alunos que cada um deverá identificar o verso recebido ao ouvi-lo. Para tanto, deverá colocar em cima da mesa ou no chão o respectivo cartão com o verso de acordo com a ordem de escuta.
  • O professor coloca a canção pela primeira vez para que todos a escutem. Cada grupo deverá ordenar os versos de acordo com o que ouviram. Se necessário, uma segunda audição poderá ser realizada.
  • Depois da audição, cada grupo deverá ler a canção segundo a ordem em que a escutou. Ao final, se houver necessidade, podem ser feitos comentários sobre as diferenças entre os grupos.
  • Para comprovar a ordem correta, os alunos escutam a música uma segunda (ou terceira) vez e fazem as correções necessárias.

Parte II

  • O professor distribui uma folha com a canção completa.
  • Os alunos lêem em voz alta o texto completo.
  • O professor, a partir de algumas perguntas iniciais, propõe uma discussão sobre o tema geral da canção, especificamente o problema da imigração e da discriminação do Terceiro Mundo. Aqui, algumas sugestões de perguntas para esse trabalho inicial que poderá ser complementado pelo próprio professor.

Para finalizar, o professor poderá distribuir um fragmento de um texto do escritor espanhol Max Aub, que trata de forma irônica o modo de organização dos homens dentro de um campo de concentração no sul da França, trazendo à tona questões como fronteiras, liberdade, vistos, passaportes, carteiras de identidade, certidões de nascimento, enfim, a burocracia da identificação.

O professor deve esclarecer que se trata de um corvo-narrador, daí a referência explícita a “huevos” e a incompreensão em relação à organização humana. Os alunos deverão lê-lo e tentar estabelecer relações com a canção e a discussão realizada anteriormente.

Texto original: Luiza Martins da Silva e Tatiana Francini Girão Barroso
Edição: Equipe EducaRede

Os sites indicados neste texto foram visitados em 24/10/2003

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Leia na minha camisa “Baby, I love you”

Leia na minha camisa “Baby, I love you”

Disciplina:

Língua Inglesa

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Tradução, MPB, cultura brasileira e cultura anglo-americana
Tipo: Músicas

Onde encontrar: Lojas de disco, discotecas de centros culturais

Escutar e apreciar Música Popular Brasileira pode ser uma boa maneira de aprender e ensinar Inglês. O Tropicalismo, no fim dos anos 60, foi um movimento que voltou o olhar do brasileiro para as coisas da terra e flagrou ao mesmo tempo a imponente presença da cultura anglo-americana no seu dia-a-dia. Tropicália, título da música e do disco que inaugura o movimento, representa com perspicácia os contrastes que o país então exibia.

Descobria-se o Brasil profundo e um outro que dialogava com o mundo. Acolhiam-se a “Bossa e a palhoça”, “a Bahia e iá-iá”, “Iracema e Ipanema”, “a Banda e Carmen Miranda”, Roberto Carlos e João Gilberto, os Beatles, Rolling Stones, Dylan, The Doors, Dadá (tanto o movimento de vanguarda quanto a famosa companheira do cangaceiro Corisco)…

Nesse caldeirão de cultura em que o país se achava imerso, compôs-se a música “Baby”, que Maria Bethânia encomendara ao irmão Caetano Veloso. A intérprete brasileira queria que a canção fizesse referência a uma frase que corria impressa nas camisetas: “I love you”.

Segundo o compositor baiano, Bethânia “dizia mesmo que a canção tinha que terminar dizendo: ‘Leia na minha camisa, baby, I love you’. Era um modo de comentar, com amor e humor, a presença de expressões inglesas nas canções ouvidas – e nas roupas usadas – pelas pessoas comuns”. (Veloso, 1997: 273)

Tal como sugerido, o professor apresenta a história da canção que o país inteiro conheceu pela voz de Gal Costa. Em seguida, coloca a música para uma primeira escuta e apreensão do conteúdo da letra. E após discutir com o grupo o seu sentido, o professor pode propor a seguinte tarefa: verter a canção para o inglês.

O professor deve antecipar aos alunos que depois da árdua atividade, eles poderão contrastar seus resultados com a versão inglesa gravada em 1970 pela banda, também tropicalista, Os Mutantes.

Procedimento:

Divide-se a classe em cinco grupos para que cada um deles traduza uma das cinco estrofes da canção. Para isso são necessários dicionários bilíngües (português-inglês e inglês-português) e monolíngües (inglês-inglês e português-português).
O professor deverá orientar os alunos quanto ao uso adequado dos dicionários. Espera-se que os tradutores-aprendizes não se limitem às acepções neles contidas. Não devem desprezar os próprios conhecimentos lingüísticos e culturais.

Ao concluírem suas respectivas versões, o professor deverá tocar a versão inglesa gravada pela banda paulista Os Mutantes.

Ao comparar as soluções apresentadas pelos alunos com aquelas elaboradas pelo grupo tropicalista, o professor poderá discutir os problemas de tradução que a canção apresentou em trechos complicados de rimas, referências culturais e expressões idiomáticas. Para isso, sugerimos algumas questões:

  • Por que a banda traduziu alguns trechos da canção livremente? Seria possível proceder da mesma forma com um documento ou texto técnico?
  • A versão das rimas “piscina / margarina / carolina / gasolina” por “new land / swimming pool and /your friend / my hand” é, na verdade, uma transcriação (termo cunhado pelos poetas e tradutores Augusto e Haroldo de Campos, que significa tradução + criação). Se a tradução fosse feita ao pé da letra (swimming pool / margerine / caroline / gasoline), quebraria a rima e o jogo nonsense que o compositor criou entre as quatro palavras. Utilize outros exemplos de transcriação na música dos Mutantes.
  • Na versão de “Ouvir aquela canção do Roberto” por “And hear the new sound of my Bossa Nova”, Os Mutantes fazem uma adaptação que se dirige a um público estrangeiro. De fato, a banda, numa turnê em Paris, foi convidada por uma produtora inglesa a gravar um álbum de músicas brasileiras em inglês, que seria lançado na Inglaterra e na França. Presume-se, com isso, que um ouvinte inglês ou francês teria mais chances de conhecer a Bossa Nova do que o cantor brasileiro Roberto [Carlos].Encontre outra situação na canção em que a banda procede do mesmo modo, isto é, fazendo adaptações ao público a que se dirige. Clique aqui para ver a resposta .

    Observação: O professor deve chamar a atenção dos alunos para possíveis equívocos que possam surgir desta atividade, isto porque eles podem presumir que Roberto Carlos tenha feito parte da Bossa Nossa, o que não é verdade.

  • Poderíamos verter “Não sei, comigo vai tudo azul” por “I know, with me everything is blue”, em vez de “with me everything is fine”, tal como fizeram Os Mutantes? Justifique sua resposta. Clique aqui para ver a resposta. Referência:
    Versão original da canção em Tropicália ou Panis et circencis. Philips (1968)
    Versão inglesa em Mutantes Tecniclor. Universal (1999)
    Para a versão brasileira também sugerimos a gravação de Gal Costa acústico. MTV/BMG (1997)

    Para aprofundar:
    VELOSO, Caetano. Verdade Tropical. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.
    CALADO, Carlos. “Uma Raridade dos Mutantes” e “Making of – Tecnicolor” neste site (textos 1 e 2 respectivamente)

    Texto original: Lilian Escorel
    Edição: Equipe EducaRede

    Os sites indicados neste texto foram visitados em 23/04/2003

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Canções e tempos verbais

Canções e tempos verbais

Disciplina:

Língua Inglesa

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Verbos
Tipo: Músicas

Fazer uso dos tempos verbais não é fácil e requer a aplicação de várias atividades para que os alunos consigam aprender as estruturas das diferentes formas de oração.

O emprego dos verbos no passado irregular, por exemplo, exige dos alunos um trabalho adicional de memorização que pode ficar desanimador se for feito apenas por meio de exaustivos exercícios.

Assim, após a aplicação de alguns exercícios, é importante intercalar com uma atividade com música, que pode despertar um maior interesse em aprender os verbos e seus diferentes tempos verbais.

Depois de conhecer as músicas preferidas dos alunos, o professor seleciona uma canção que contenha em sua letra verbos que contemplem o seu objetivo de trabalhar determinado tempo verbal. Letras de músicas com tradução geralmente podem ser obtidas sem grandes dificuldades pela Internet, por meio dos mecanismos de busca (Alta Vista, por exemplo).

Um exemplo é a música “Love by Grace”, de Laura Fabian, que permite trabalhar o passado regular e irregular retirando-se as formas verbais wanted, came, stole, sent, said, brought, laid, was e forgot.

O professor retira os verbos da letra da música escolhida (todos ou alguns, dependendo da quantidade), deixando as lacunas, e a entrega aos alunos para que eles, ouvindo a música repetidas vezes, tentem preenchê-la. Essa atividade pode ser trabalhada individualmente, em duplas ou em grupos, ficando a critério do professor definir a forma ideal para seus alunos.

Se os alunos demonstrarem dificuldade, o professor pode dar dicas para facilitar a atividade, por exemplo:

  • Inclusão da tradução da letra (sem omissão dos verbos).
  • Lista dos verbos retirados, dispostos em uma ordem diferente daquela apresentada na música.
  • Lista com uma quantidade maior de verbos, além dos que foram retirados.
  • Lista com os verbos retirados, conjugados no presente (ou no infinitivo), para que os alunos façam a mudança para o tempo verbal utilizado na música.Depois de preenchidas e conferidas as lacunas, os alunos podem cantar a música, exercitando a pronúncia.Observação: Um trabalho semelhante pode ser feito com os alunos das séries iniciais, omitindo-se outras palavras das letras das músicas (substantivos ou adjetivos), de acordo com o que o professor pretende trabalhar.

    Texto original: Zelinda Campos Cardoso
    Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Quem canta, os males espanta

Quem canta, os males espanta

Disciplina:

Língua Inglesa

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Vocabulário, estruturas lingüísticas, cultura
Tipo: Músicas

Um dos modos mais prazerosos de aprender uma língua é ouvindo e cantando música. Lembremos que, quando bebês, parte do que aprendemos da língua materna contou com a colaboração das cantigas de ninar; quando crianças, das cantigas populares que entoávamos em roda.

Exercícios com música no ensino de língua estrangeira estimulam e aperfeiçoam a audição e a produção oral do aluno. Propõem a prática espontânea (cantar uma música) de algo que nos é estranho (língua estrangeira).

E por falar nisso, que tal ouvir e repetir a letra Save the Childrende Marvin Gaye? A música integra o disco What’s going on, gravado em 1971 e chama a atenção para o temeroso futuro das crianças num mundo em que a percepção do artista está “destinada a morrer”. O contexto é a guerra do Vietnam em 1969.

O trabalho com a música pode ser feito em três etapas.

  • Apresente uma breve biografia do músico Marvin Gaye, explore o contexto histórico do disco e da faixa selecionada e discuta com o grupo.
  • Sugira perguntas: Como entendem a visão do intérprete? Ela é otimista ou pessimista? Por quê? Acham que a situação relatada na música ainda tem eco atualmente? Concordam com o ponto de vista adotado? Como vêem o futuro das crianças hoje?
  • Feita esta contextualização, passe à audição propriamente dita, primeiramente para que os alunos apreciem a música sem o acompanhamento da letra.
    Em seguida, distribua a letra da música com lacunas para que os alunos tentem preenchê-las na segunda audição. A terceira escuta permitirá aos alunos conferir as lacunas preenchidas e completar aquelas que eles não conseguiram preencher. Apresente a resposta correta dos espaços em branco para que os alunos possam observar possíveis enganos. Por fim, convide a todos para cantar e se deleitar com a música aprendida.

Esta proposta é uma possibilidade de trabalho em sala de aula; portanto, o professor pode realçar outros aspectos da letra de Marvin Gaye (palavras, expressões etc.).

Neste caso, optamos por omitir as contrações (“wanna, won’t, can’t, who’s etc.) e as estruturas verbais contidas na música: imperativo (“Save the children”; “Let live everybody” etc.), futuro (“There’ll come a time”; “Flowers won’t grow” etc.), presente (“Who really cares?” etc.).

Na letra, o que vai sublinhado é o que deve aparecer em lacuna para os alunos.

Para que os alunos percebam a dinâmica da atividade e o objetivo pretendido, é importante, ao final das audições, dedicar um tempo para comentar a letra e os aspectos lingüísticos sublinhados (gramática, expressões, vocabulário).

Se o professor adotar o modelo proposto, vale comentar as diferenças entre os tempos verbais destacados e o uso das contrações, pertinente à linguagem oral e musical, embora inadequado ao registro escrito e formal. Neste caso, as contrações devem ser eliminadas (“want to” no lugar de “wanna”, “will not” no lugar de “won’t”, “can not” no lugar de “can’t”, “who is” no lugar de “who’s” etc.). Também é importante chamar a atenção para a construção “Who really cares?”,  porque o pronome interrogativo “who” é conjugado na terceira pessoa do singular e não pede auxiliar.

Com o percurso proposto, o professor perceberá que o trabalho com música em sala de aula educa o ouvido do aprendiz de línguas. Incentiva-o a transcrever as letras das músicas que escuta, a repeti-las e cantá-las. De uma audição passiva, o aluno passa a uma audição ativa, assimilando estruturas, aprendendo um pouco de história e cultura e tornando a vida mais leve, porque “quem canta, os males espanta”. Seja em que língua for.

Referência:
GAYE, Marvin. What’s going on. Tamla, 1971.

Texto Original: Lilian Escorel

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Osesp dá curso para professores

Música, maestro!

 A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo oferece cursos de formação continuada para professores, com o objetivo de estimular o ensino da disciplina nas escolas

Por Rosane Storto

Num país como o Brasil, onde coexistem tantas sonoridades e uma grande diversidade de ritmos e melodias, a disciplina Educação Musical deixou de ser obrigatória no currículo da rede pública de ensino. Ela foi incorporada às aulas de Artes. Mas, em São Paulo, por exemplo, apenas 15% dos professores da área desenvolvem trabalhos de educação musical em sala de aula. Os dados são de uma pesquisa realizada pela Coordenação de Programas Educacionais da  Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (CPE – Osesp).

Com base nesse levantamento, a Osesp criou em 2001 o Programa Formação de Professores, com cursos de formação continuada em Educação Musical, que parecem contribuir para mudar essa realidade em algumas escolas.

O projeto foi implantado inicialmente em parceria com as Diretorias de Ensino Norte 1 e Centro, da Secretaria de Estado da Educação. Segundo a coordenadora do programa, Susana Ester Krüger, a experiência permitiu identificar necessidades e interesses dos professores. A partir deste curso-piloto, a coordenação pôde preparar uma estrutura capaz de atender profissionais que atuam em diferentes níveis de ensino.

Além do curso, a CPE-Osesp irá promover, em setembro, o I Seminário Osesp de Educação Musical/III Encontro ABEM – Região Sudeste. Este evento têm como objetivo divulgar e aperfeiçoar o ensino de música nas escolas.

Pesquisa

Realizada em 149 escolas públicas das duas Diretorias de Ensino da rede estadual, a pesquisa da CPE – Osesp teve como objetivo investigar a atual situação da educação musical em escolas estaduais na cidade de São Paulo. Mostrou que apenas 33% dos professores participavam de cursos de educação musical e que a grande maioria utilizava a música para trabalhar outra disciplina.

A pesquisa mostrou também que a maioria dos educadores que trabalha com música em sala de aula não tem formação musical. “São professores de Artes ou outras disciplinas e de 1ª a 4ª séries”, afirma Susana. O curso da CPE-Osesp é voltado exatamente a esses professores que querem utilizar a música, mas não têm nenhuma ou têm pouca formação. “É um curso de capacitação musical para professores, com o objetivo levar a música da Orquestra às salas de aulas, em um rico intercâmbio com as canções que as crianças escutam no seu dia-a-dia”, explica.

Os cursos, desenvolvidos por especialistas em Educação Musical, têm oito módulos, que abordam temas como os processos de ensino e de aprendizagem musical nos diferentes aspectos, tais como execução, apreciação e composição.

Os temas trabalhados são muitos: relações entre cultura, mídia e adolescência; parâmetros que facilitam a realização de atividades vocais e de grupos instrumentais; os tópicos teórico-práticos para a educação musical em sala de aula; abordagens críticas sobre a interdisciplinaridade da música com outras artes; recursos para o planejamento do ensino e avaliação musicais; e elaboração de material didático.

De acordo com Susana, os cursos são rigorosamente avaliados pelos participantes e pelos docentes. Desde o primeiro curso, em 2001, o número de participantes dobrou: de 30 professores duplicou para 60 em 2003. “Tivemos de fazer uma reestruturação, dividindo as turmas: professores da Primeira Infância e Educação Infantil; professores do Ensino Fundamental; e professores de Arte.”

Paralelamente aos cursos, acontece também o Ensaio Geral Aberto, que tem como objetivo fazer com que os professores participantes levem seus alunos aos concertos ou ensaios abertos da Osesp, na Sala São Paulo. Os ensaios recebem crianças de sete a dez anos, pré-adolescentes e adolescentes e atingiram, em 2002, mais de cinco mil alunos de 50 escolas.

Susana diz que a procura pelos ensaios é tão grande que, para este ano, já não há mais vagas e a lista de espera é extensa. As crianças adoram o programa e muitas fazem desenhos após assistir às apresentações, mostrando suas impressões acerca do que viram e ouviram.

Cadê os instrumentos?

Participar do curso da Osesp é uma experiência única, de acordo com os professores da rede estadual de ensino Luís Carlos Tozetto e Mariza Aparecida Naim Elaur. Professores de Artes do curso de 2001, eles já estão aplicando os conhecimentos obtidos em sala de aula e afirmam ter conseguido excelentes resultados nos últimos anos.

Para Tozetto, da EE João Sirineu, na Brasilândia (zona Norte de São Paulo), o curso mostrou que é possível trabalhar com música em sala de aula sem instrumentos musicais. “Foi muito bom participar do curso que proporciona um crescimento tanto profissional quanto pessoal. Hoje capacito professores de 1ª a 4ª séries para fazer o trabalho também, graças ao incentivo da Osesp”, afirma.

Tozetto conta que aprendeu a trabalhar com seus alunos e a aproximá-los a música erudita. “Sempre levo a disciplina para as aulas. No início, as crianças reclamavam um pouco do estilo musical, mas aprenderam a apreciar a música erudita”, afirma. Seus alunos foram levados ao ensaio aberto e ficaram fascinados com a apresentação. Segundo ele, a escola irá novamente neste ano, pois muitos pedem para voltar.

A professora Mariza Aparecida Naim Elaur chegou ao curso por meio de outro professor da escola onde leciona, a EE Professor Antonio Firmino, na Mooca (zona Leste de SP). Professora de Artes com habilitação em Música, Mariza já desenvolvia atividades musicais com seus alunos, que foram intensificadas após ingressar no curso da Osesp. “O curso é maravilhoso, os instrutores são excelentes e nos ensinam a aproveitar o potencial do aluno, a trabalhar a música erudita de forma diferenciada”, observa.

Segundo Mariza, o curso possibilita que os professores aprendam como envolver seus alunos nas atividades em sala de aula. A escola onde Mariza leciona recebeu músicos da Osesp em 2002 e os alunos, segundo ela, ficaram fascinados com o trabalho desses músicos e conversaram muito com eles sobre a música erudita. No final de 2003, a professora levará alguns alunos para participar de um ensaio aberto da orquestra.

Desenvolvido pela Coordenadoria de Programas Educacionais (CPE-Osesp), o curso é aberto também às escolas particulares. Neste caso, a diferença fica no valor a ser pago pelo professor. Os educadores da rede pública pagam uma taxa mínima, de manutenção do curso. “Inicialmente, não cobrávamos nada dos professores da rede pública, mas temos um custo alto, por isso cobramos uma pequena taxa que cobre os custos de uma apostila e parte do ingresso para um concerto da Osesp”, observa Susana.

Maiores informações sobre os Cursos de Formação Continuada em Educação Musical para Professores e sobre o I Seminário Osesp de Educação Musical podem ser obtidas na CPE-Osesp pelo telefone (11) 3351-8229, pelo e-mail ass.cpe@osesp.art.br  e no site da Osesp: www.osesp.art.br.

Os sites indicados neste texto foram visitados em 21/08/2003

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)


 

A música em sala de aula

A música em sala de aula

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Urbanização, cidades
Tipo: Metodologias

A riqueza do cancioneiro popular brasileiro possibilita ao professor e alunos analisarem a nossa realidade de modo cada vez mais interessante, vivo e crítico. Isso porque a música pode ser eficiente quando o objetivo é sensibilizar os alunos para a discussão de temas importantes, que ajudam a formular conceitos e estimulam a curiosidade.

Delimitado o tema a ser tratado em sala de aula, é interessante que o professor procure músicas que possam agradar aos alunos e trazer conteúdos que contribuam para a análise crítica do mundo, do país e do local em que vivem.

Para se trabalhar, por exemplo, com o tema urbanização/cidades, um caminho possível nessa perspectiva de trabalho é recorrer a duas conhecidas músicas: Sampa, de Caetano Veloso, e A Cidade, de Chico Science e Nação Zumbi.

Procedimento:

  • A classe ouve a música, acompanhando a letra.
  • Professor e alunos analisam e interpretam a letra.
  • Todos ouvem pela segunda vez a música, se possível cantando juntos.
  • Em seguida, o professor pode formular a seguinte questão: “Que imagens traduziriam visualmente o assunto tratado nessa música?”Depois disso, o professor propõe aos alunos a localização de fotos, slides, gravuras, cartões postais que tenham alguma relação com essas músicas. Se houver condição, é interessante que eles fotografem o bairro e/ou a cidade.

    No dia marcado para a apresentação do material coletado ou produzido, os alunos podem elaborar painéis, cartazes, ou projetar as imagens pesquisadas ao som da música escolhida. Os alunos também podem acrescentar ao material breves comentários sobre a importância do trabalho por eles realizado.

    Referências:

    ALVES, Alfredo et alii. Como fazer um audiovisual. Petrópolis: Vozes/IBASE, 1987 (Coleção Fazer).

    GIACOMANTONIO, Marcelo. O ensino através dos audiovisuais. São Paulo: Summus, Edusp, 1981.

    Texto original: Regina Inês Villas-Boas Estima
    Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
20/03/2003

Geografia e Música

Geografia e Música

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: O espaço geográfico na música brasileira
Tipo: Metodologias

 

Uma boa atividade a ser proposta aos alunos que estão chegando ao Ensino Médio é identificar nas letras de músicas brasileiras que eles já conhecem alguns aspectos da composição do espaço geográfico freqüentemente encontrados nesses textos. Deverá ser uma seqüência didática curta que crie um ambiente propício à discussão teórica relacionada à composição do espaço geográfico.

A proposta pode ser desenvolvida em três ou quatro aulas, dependendo do número de alunos em classe, e é necessário que o educador encontre uma música para que os alunos ouçam e discutam o conteúdo da letra. Na primeira aula, o professor deve propor uma atividade que visa a identificar os conhecimentos prévios dos alunos a partir da seguinte questão: Do que é composto o espaço geográfico?

Na seqüência, o professor organiza com os alunos pequenos grupos com um relator que anotará as conclusões do grupo para depois compartilhá-las com a classe.

O professor propõe então a reflexão sobre o espaço geográfico a partir da música escolhida por ele. Após ouvirem a música, é importante relacionar a letra, analisando-a e, se possível, a melodia, em relação ao espaço geográfico. Ao final, propõe-se aos alunos que os grupos escolham uma música, para eles representativa, que os ajude a entender o espaço geográfico.

Na aula seguinte, os alunos apresentam as músicas selecionadas e comentam ou justificam a escolha. Vale observar que, dependendo do número de alunos em classe, é possível que esta atividade continue na terceira aula. À medida que os alunos vão apresentando seu trabalho, é interessante que o professor organize na lousa ou em papel pardo um quadro com nomes, autores, temas e comentários das músicas que os grupos trouxeram.

Para finalizar a atividade, o professor retoma o quadro com os temas e comentários e, a partir desse momento, possivelmente o professor terá um ambiente mais propício para iniciar uma discussão teórica sobre a composição do espaço geográfico.

Texto Original: Laércio Furquim Jr.

Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
22/01/2004

Dia de índio

Dia de índio

Disciplina:

História

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Encontro dos portugueses com indígenas brasileiros
Tipo: Músicas

A proposta a seguir funciona como sensibilização para começar o estudo sobre a chegada dos portugueses ao Brasil.

Essa sensibilização é importante, pois permite o contato com o que ainda resta das sociedades indígenas, além de favorecer o diálogo com outras fontes – textos, gravuras e produções européias da época – que trazem pontos de vista diversos sobre os fatos históricos.

A atividade pode ser desenvolvida com a 5ª ou 6ª série, de acordo com o planejamento do professor. A ênfase nos indígenas tem por objetivo instigar os alunos a refletirem a respeito do que podemos chamar de uma “outra visão” da História.

A maioria dos textos que conhecemos traz a versão ocidental do confronto e não há registros oficiais feitos por grupos indígenas. Portanto, é papel do professor de História organizar e apresentar fontes diversas, possibilitando aos alunos terem acesso a essas diferenças culturais, para que, aos poucos, possam construir um conhecimento que tenha mais de um ponto de vista como referência.

A proposta é convidar os alunos para um “dia de índio”, tentando tirar o rótulo dessa expressão, que se tornou sinônimo de coisa chata; por isso é recomendável sair da sala de aula. O espaço para desenvolvimento da atividade pode ser o pátio, a quadra, ou aquele terreno quase gramado que ninguém usa e, se possível, à sombra de uma árvore.

Os alunos devem sentar-se em círculo (lembrar que muitas tribos, de várias épocas e origens, passavam seus conhecimentos em roda) e ter em mãos folhas de papel sulfite ou o próprio caderno, além de material de desenho.

O professor coloca a música “Araruna”, interpretada por Marlui Miranda, uma primeira vez para que os alunos ouçam e duas vezes para registrarem (em palavras ou desenho) o que cada um sentiu. A canção lembra uma cantiga de ninar e é provável que os alunos também sintam isso. É importante depois o professor ler a tradução da música.

Ao finalizar a escuta e a anotação das impressões, o professor socializa a produção dos alunos para todo o grupo.

Para desenvolver o tema, pode-se iniciar um debate com o seguinte questionamento: “Nós, ocidentalizados, tivemos essa reação ao ouvir uma canção indígena. O que será que os grupos nativos sentiram, ao tomarem contato com os portugueses?”.

Essa atividade é uma introdução ao tema. O professor deve planejar o aprofundamento da questão pensando nos objetivos que deseja alcançar, que conteúdos vai trabalhar e como vai desenvolver as atividades para isso. É bom também fazer um cronograma, de modo a equilibrar os tempos disponíveis para cada item do curso.

Referências:
CD Ihu – Todos os Sons, de Marlui Miranda (com participação de Gilberto Gil). Produzido por Pau Brasil – Som Imagem e Editora Ltda., em 1995.

Texto original: Maria Walburga dos Santos
Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
27/11/2002