Expressões do corpo

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Conhecimento do corpo
Tipo: Metodologias

O objetivo dessa atividade é fazer com que os alunos explorem ao máximo o seu potencial expressivo corporal. Para desenvolvê-la, é necessário um aparelho de som, uma sala de aula limpa, fitas ou CDs com músicas instrumentais (sem letra).

Prepare a sala de aula, afastando as carteiras e criando um ambiente acolhedor com uma música de fundo. Converse com os alunos sobre o objetivo da aula e peça-lhes que tirem os sapatos e andem pela sala.

Possibilidades de comandos: ao sinal de uma palma, os alunos devem movimentar-se; duas palmas, devem parar para ouvir a instrução do que fazer.

Instruções:

  • Andar pela sala livremente, sem deixar espaços vazios; nas pontas dos pés; apoiando-se ora na borda interna dos pés, ora na externa; apoiando-se nos calcanhares.
  • Andar normalmente.
  • Explorar as possibilidades de movimentação das articulações: punho, cotovelo, ombro, joelho, tornozelo, coxa, coluna.
  • Explorar as possibilidade de aproximação e distanciamento das articulações, por exemplo: cotovelo e tornozelo; membros.
  • Explorar a movimentação de cabeça, tronco, pernas e braços.
  • Tocar o próprio corpo: quais as partes que conseguimos tocar? Em que partes isso não é possível?
  • Locomover-se de um ponto a outro da sala, sem utilizar passos (saltitando, pulando, girando, fazendo cambalhota); movimentando-se da cintura para baixo (nível baixo); do ombro para baixo (nível médio); do ombro para cima (nível alto).

À medida que os alunos respondem aos estímulos, o professor propõe novos desafios corporais e introduz variáveis com atividades em grupo, por exemplo: criar uma seqüência de movimentos em que as mãos estejam em evidência e apresentá-la aos colegas.

Fontes adicionais de pesquisa:
LABAN, Rudolf. Dança Moderna Educativa. São Paulo: Icone, 1990.
MARQUES, ISABEL A. Ensino de Dança Hoje, Textos e Contextos. São Paulo: Cortez, 1999.

Texto original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier
Edição: Educarede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Ciclos da natureza por música

Disciplina: Biologia
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Ecologia e ciclos biogeoquímicos
Tipo: Músicas

O estudo dos ciclos biogeoquímicos é importante para a formação escolar, pois permite ao aluno compreender as relações ecológicas que se estabelecem na natureza, a interdependência entre os seres vivos e o ambiente e os fenômenos pelos quais as condições climáticas do planeta se mantêm estáveis.

Algumas canções favorecem a aproximação com esse tema, como é o caso de três músicas selecionadas para a atividade: “Quando Eu Olho para o Mar”, de Alceu Valença, “Luz do Sol”, de Caetano Veloso e “Tempo Rei”, de Gilberto Gil.

Antes de apresentar as músicas aos alunos, é importante chamar a atenção deles para o fato de que esses artistas expressam de diferentes formas as suas percepções sobre o caráter cíclico de alguns fenômenos da natureza, como é o caso da água, das estações do ano e da migração dos pássaros e mamíferos.

Para iniciar a atividade, o professor ouve as músicas com os alunos e solicita a eles que registrem a sua compreensão da letra. Em seguida, divide-se a classe em pequenos grupos (trios ou quartetos) e cada um deles recebe uma das letras, para que discutam e interpretem a letra.

Para orientar a discussão nos grupos, o professor pode propor questões específicas para cada música, por exemplo:

  • Quando Eu Olho para o Mar
    > Qual o sentido da frase: “Quando eu olho para o mar, dentro do mar vejo um rio…”?
    > Que transformações físicas ocorrem com a água, ao longo do percurso estabelecido na letra dessa música?
    >A água presente nas lágrimas é a mesma presente nas nuvens e no mar?
  • Luz do Sol
    > Como vocês interpretam a frase: “Luz do Sol, que a planta traga e traduz em verde novo…”?
    > De que forma a interferência humana é retratada nessa letra?
    > Que relações o autor estabelece entre o continente, os rios e o mar?
  • Tempo Rei
    > Como vocês interpretam a frase: “Transformai as velhas formas de viver”?
    > De que forma o relevo pode ser transformado?
    > A que escala de tempo o autor está se referindo, quando trata das possíveis transformações da vida e de paisagens, como o Corcovado e o Pão de Açúcar (pontos turísticos da cidade do Rio de Janeiro)?A seguir, cada grupo elabora dois cartazes. O primeiro deve conter as principais idéias apresentadas na música analisada. O segundo precisa apresentar um esquema representando o ciclo ou os ciclos tratados na música. Essa representação deve ser feita na forma de esquema, com setas e desenhos.Os cartazes podem ser expostos e, a partir da exposição, cada aluno registra informações para escrever um pequeno texto que enfoque o papel do tempo, da água e das plantas nos ciclos da natureza retratados nas músicas.

Referências:
“Quando Eu Olho para o Mar” – CD Cinco Sentidos, de Alceu Valença. Ariola, 1981.
“Luz do Sol” – CD Caetano Veloso. Polygram, 1986.
“Tempo Rei” – CD Unplugged, de Gilberto Gil. Warner Music, 1994.

Texto original: Paulo Roberto da Cunha
Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Sonorização de filme

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Sonorização de imagens
Tipo: Filme

Na escola, o ensino de música deve possibilitar ao aluno o desenvolvimento de sua expressividade pelo som. Essa proposta de atividade tem como objetivo associar sons a imagens.

Trabalhe em uma primeira aula com o levantamento de sons possíveis para a sonorização de um filme. Esses sons podem ser criados com a voz, o corpo, o uso de objetos cotidianos e com instrumentos musicais.

Na aula seguinte, assista a um trecho de 20 minutos do filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin, sem nenhum volume. Volte ao início da transmissão e peça que os alunos criem sons para cada momento do filme. É provável que ocorra uma grande poluição sonora no início do trabalho. Aproveite esse fato para conversar com o grupo sobre a importância e a necessidade de silêncio em alguns trechos.

Divida os alunos em grupos (de quatro ou cinco membros) e peça que cada um sonorize uma parte do filme, criando uma trilha sonora para todo o filme.

Essa atividade poderá necessitar de algumas aulas, mesmo que os grupos trabalhem concomitantemente. Quando todos terminarem, assistam ao filme sem nenhuma interrupção, com cada grupo sonorizando sua parte.

Finalize o trabalho comparando a versão criada pelos alunos com a versão do filme.

Texto original: Lelê Ancona
Edição: Equipe EducaRede

Os sites indicados neste texto foram visitados em 04/03/2002

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Paisagem sonora

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Música, paisagem sonora
Tipo: Músicas

O conceito de “Paisagem sonora” tornou-se conhecido para os educadores em música a partir do trabalho produzido pelo professor canadense Murray Schaffer. Em seus estudos, ele trabalha com a percepção de sons de diversos ambientes e utiliza estratégias para sensibilizar o ouvido de seus alunos, como fazer um passeio por um bosque de olhos vendados.

Povos e culturas diversos apresentam paisagens sonoras diferentes. A paisagem sonora na qual vivemos nos traz o sentimento de pertencimento, de fazer parte daquele ambiente. Alguns músicos da contemporaneidade inspiram-se nessas diferentes paisagens, criando em suas composições sons que não são produzidos por instrumentos musicais, como Hermeto Pascoal e John Cage, entre outros.

Para que as crianças sejam estimuladas a perceber e identificar sons nos diversos ambientes em que vivem e de entender melhor o conceito de paisagem sonora, uma atividade que pode ser proposta é um passeio pela escola. Nesse passeio, as crianças registram em gravadores os sons do pátio, da diretoria, da rua, da sala de aula, da cantina, da aula de Educação Física, do recreio, da sala dos professores, da entrada, da saída, enfim, os sons que compõem a paisagem sonora da escola.

De volta à classe, todos ouvem as fitas, tentando descobrir a localização de cada som e suas principais características – se são altos ou baixos (volume), graves ou agudos, longos ou curtos (duração). Para ampliar o foco da discussão, pode-se conversar com os alunos e pedir-lhes que descubram outras paisagens sonoras diferentes da escola: a rua em diferentes horários, a casa, o shopping, um ginásio de esportes, a igreja etc.

Na aula seguinte, o professor propõe uma nova audição do material recolhido para reorganizá-lo, estimulando as crianças a perceberem pelos sons os locais de onde foram gravados. Depois, pode-se construir um roteiro como se fosse um percurso pela escola e produzir com o grupo uma nova gravação, seguindo o roteiro. Essa gravação deve corresponder a um passeio sonoro pela escola. Esse trabalho pode ser realizado em grupos, com cada um cuidando de uma parte do passeio.

Para finalizar a atividade, toda a classe ouve o “Passeio sonoro pela escola”, avalia os sons que descobriram nesse percurso e como esse trabalho interferiu na percepção de outros sons fora da escola.

Referência:

SCHAFER, Murray. O ouvido pensante. São Paulo: Unesp, 1991.

Texto original: Maria Terezinha Teles Guerra
Consultoria pedagógica: Anamélia Bueno Buoro
Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

O hipnotizador dançarino

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Jogos de expressão
Tipo: Metodologias

O objetivo dessa atividade é aumentar, no aluno, a percepção e a consciência do corpo como instrumento de comunicação e expressão; buscar transmitir sentimentos por meio da dança espontânea, além de desenvolver a sensibilidade para perceber e interpretar sentimentos.

Durante os trabalhos, evite utilizar as danças marcadas por conjuntos da moda; os comportamentos “definidos” como típicos – do macho, da menininha, do idoso, da loura etc. –, e os gestos repetitivos e pouco criativos dos astros cômicos.

Procedimento

As pessoas devem formar trios. Com um gravador ou CD player, você vai garantir que músicas de ritmos diferentes estejam disponíveis.
Em cada trio haverá um participante que será o “hipnotizador”.
Ao ritmo da música, o “hipnotizador” de cada trio irá movimentar-se, “desprendendo” os braços do corpo para acompanhar a música.
Os dois outros membros do trio olham para uma das palmas da mão do “hipnotizador” e vão seguindo/acompanhando os seus movimentos, sem perderem o foco.
Embalado por trechos de músicas diferentes que você irá tocando, o “hipnotizador” conduz seus dois companheiros pelo espaço de trabalho, dançando e levando seus “hipnotizados” à dança.
Depois de um tempo, peça que o “hipnotizador” troque de lugar com um dos hipnotizados, até que todos tenham passado pelas duas experiências, de condutor e conduzido.
Para finalizar o jogo, e ao som de uma música mais agitada como, por exemplo, Brasileirinho, de Valdir Azevedo, peça a cada participante que pense em dois hipnotizados imaginários, levando-os a dançar.

Ao final da atividade, peça aos alunos que se sentem no chão formando uma roda e converse com eles sobre as duas experiências: de condutor e conduzido, por exemplo.

Nota: Esse jogo foi criado pelo teórico e dramaturgo Augusto Boal.

Fonte:
A Arte é de Todos: Artes da Representação, publicação elaborada pelo CENPEC.

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Diálogo entre sons e gestos

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: A gestualidade do corpo, o ritmo da música no espaço, a expressão plástica
Tipo: Metodologias

O ensino de Arte na escola abrange as linguagens visual, musical, corporal e cênica. Essa proposta de atividade, que procura desenvolver nos alunos a percepção do diálogo entre linguagens artísticas por meio de exercício prático, trabalha três dessas quatros linguagens, permitindo aos alunos estabelecerem relações entre as composições gráfica, sonora e corporal.

Primeira aula – As linguagens artísticas

Converse com os alunos sobre as diversas linguagens que eles conhecem: a da música, a visual, a da dança, a do teatro, a verbal. Todas elas, freqüentemente, estabelecem uma comunicação entre si, como o diálogo que a linguagem verbal cria com a linguagem musical quando os artistas compõem a letra e a música de uma canção, unindo música e letra na construção de um significado único.

Descubra com eles outras formas de diálogos entre linguagens. Reflita sobre as variadas maneiras de “tradução” que existem entre línguas e entre linguagens. É possível traduzir uma música para uma dança? E para uma pintura? Como? Será que fica parecido, dá para reconhecer ou se torna outra coisa? E o contrário, há possibilidade de se “escrever” uma dança? E desenhá-la?

Ao final dessa discussão, proponha aos alunos a audição de vários trechos musicais: música clássica, rock, forró, tradicionais, modernas, de várias regiões. Depois de ouvirem os trechos selecionados, peça para que descrevam verbalmente como perceberam as músicas e suas diferenças.

Agora, em uma nova audição, peça a eles que marquem com palmas os diferentes ritmos de cada música. A seguir, escolha com os alunos uma das músicas para ser trabalhada pela classe.

Procedimento

Divida a turma em grupos. Cada um deles escolhe um trecho da música para realizar um diálogo de linguagens e, com a música selecionada, eles criam com o corpo movimentos simultâneos, alternados, seqüenciais.

Proponha a criação de uma seqüência de gestos para o trecho da música de tal maneira que ambos possam ser percebidos como se tivessem sido feitos um para o outro. Sugira que eles explorem bastante os movimentos usando todo o espaço da sala no nível do chão e nos planos alto e médio. É importante orientar os alunos para que movimentem todo o corpo. Lembre-os de que cada parte do corpo poderá acompanhar os ritmos propostos em diferentes momentos da música: cabeça, braços, quadril, maxilar, olhos etc. Peça para o grupo registrar na memória a seqüência de movimentos de cada trecho da música porque elas serão retomadas na aula seguinte.

Segunda aula

Retome verbalmente os trabalhos da aula anterior e, em seguida, proponha aos grupos que se apresentem. Uma boa forma de fazer isso é pedir que os alunos fiquem sentados no chão em círculo, enquanto se levantam apenas aqueles que estão se apresentando.

Finalizada a apresentação, pergunte a eles como fariam para mostrar esses movimentos num desenho ou numa pintura. Proponha que desenhem e pintem em uma folha de papel e a partir da memória visual a própria seqüência de movimentos corporais criados. Esse registro deve reproduzir estes movimentos, buscando obter no desenho a mesma qualidade do gesto.

Terceira aula

Realizados todos os registros, o professor faz uma apresentação dos desenhos associados aos movimentos e sons. Pode-se fazer um painel contendo os registros visuais. Neste caso, escolha com os alunos o local em que será possível expô-lo.

Conclua o trabalho comentando as imagens desse painel e, com os alunos, resgate os trechos de música e gesto que correspondem aos desenhos realizados. Faça uma avaliação final a partir das seguintes perguntas:

Quais desenhos expressam melhor os gestos? Por quê?
Quais desenhos expressam melhor a música? Por quê?
É possível descobrir qual o trecho da música que inspirou os desenhos?
É possível descobrir quais gestos estão relacionados com os desenhos?
Se eu fizer os gestos sem ouvir a música, consigo saber como é essa música?
Se eu fizer os gestos, consigo descobrir com qual desenho ele se parece?

Você poderá ampliar esse trabalho ao fazer uma leitura das obras A dança e A música, de Henri Matisse, e relacioná-las com as experiências que seus alunos tiveram ao transpor a música para o gesto e para o registro gráfico. Outro artista que poderá ser trabalhado em sala de aula é Kandinsky, que faz uma série de quadros inspirados em músicas.

Texto original: Lelê Ancona
Consultoria pedagógica: Anamélia Bueno Buoro
Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Curta-metragem “Adão ou Somos Todos Filhos da Terra”

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto:
Tipo: Materiais didáticos

Link para o curta: http://portacurtas.org.br/filme/?name=adao_ou_somos_todos_filhos_da_terra

Morador da favela de Cantagalo no Rio de janeiro, Adão Xalebaradã é compositor de mais de 500 músicas e nunca foi gravado no Brasil.

Conheça as sugestões de aplicabilidade pedagógica

Texto Original: Porta-Curtas

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Leia na minha camisa “Baby, I love you”

Leia na minha camisa “Baby, I love you”

Disciplina:

Língua Inglesa

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Tradução, MPB, cultura brasileira e cultura anglo-americana
Tipo: Músicas

Onde encontrar: Lojas de disco, discotecas de centros culturais

Escutar e apreciar Música Popular Brasileira pode ser uma boa maneira de aprender e ensinar Inglês. O Tropicalismo, no fim dos anos 60, foi um movimento que voltou o olhar do brasileiro para as coisas da terra e flagrou ao mesmo tempo a imponente presença da cultura anglo-americana no seu dia-a-dia. Tropicália, título da música e do disco que inaugura o movimento, representa com perspicácia os contrastes que o país então exibia.

Descobria-se o Brasil profundo e um outro que dialogava com o mundo. Acolhiam-se a “Bossa e a palhoça”, “a Bahia e iá-iá”, “Iracema e Ipanema”, “a Banda e Carmen Miranda”, Roberto Carlos e João Gilberto, os Beatles, Rolling Stones, Dylan, The Doors, Dadá (tanto o movimento de vanguarda quanto a famosa companheira do cangaceiro Corisco)…

Nesse caldeirão de cultura em que o país se achava imerso, compôs-se a música “Baby”, que Maria Bethânia encomendara ao irmão Caetano Veloso. A intérprete brasileira queria que a canção fizesse referência a uma frase que corria impressa nas camisetas: “I love you”.

Segundo o compositor baiano, Bethânia “dizia mesmo que a canção tinha que terminar dizendo: ‘Leia na minha camisa, baby, I love you’. Era um modo de comentar, com amor e humor, a presença de expressões inglesas nas canções ouvidas – e nas roupas usadas – pelas pessoas comuns”. (Veloso, 1997: 273)

Tal como sugerido, o professor apresenta a história da canção que o país inteiro conheceu pela voz de Gal Costa. Em seguida, coloca a música para uma primeira escuta e apreensão do conteúdo da letra. E após discutir com o grupo o seu sentido, o professor pode propor a seguinte tarefa: verter a canção para o inglês.

O professor deve antecipar aos alunos que depois da árdua atividade, eles poderão contrastar seus resultados com a versão inglesa gravada em 1970 pela banda, também tropicalista, Os Mutantes.

Procedimento:

Divide-se a classe em cinco grupos para que cada um deles traduza uma das cinco estrofes da canção. Para isso são necessários dicionários bilíngües (português-inglês e inglês-português) e monolíngües (inglês-inglês e português-português).
O professor deverá orientar os alunos quanto ao uso adequado dos dicionários. Espera-se que os tradutores-aprendizes não se limitem às acepções neles contidas. Não devem desprezar os próprios conhecimentos lingüísticos e culturais.

Ao concluírem suas respectivas versões, o professor deverá tocar a versão inglesa gravada pela banda paulista Os Mutantes.

Ao comparar as soluções apresentadas pelos alunos com aquelas elaboradas pelo grupo tropicalista, o professor poderá discutir os problemas de tradução que a canção apresentou em trechos complicados de rimas, referências culturais e expressões idiomáticas. Para isso, sugerimos algumas questões:

  • Por que a banda traduziu alguns trechos da canção livremente? Seria possível proceder da mesma forma com um documento ou texto técnico?
  • A versão das rimas “piscina / margarina / carolina / gasolina” por “new land / swimming pool and /your friend / my hand” é, na verdade, uma transcriação (termo cunhado pelos poetas e tradutores Augusto e Haroldo de Campos, que significa tradução + criação). Se a tradução fosse feita ao pé da letra (swimming pool / margerine / caroline / gasoline), quebraria a rima e o jogo nonsense que o compositor criou entre as quatro palavras. Utilize outros exemplos de transcriação na música dos Mutantes.
  • Na versão de “Ouvir aquela canção do Roberto” por “And hear the new sound of my Bossa Nova”, Os Mutantes fazem uma adaptação que se dirige a um público estrangeiro. De fato, a banda, numa turnê em Paris, foi convidada por uma produtora inglesa a gravar um álbum de músicas brasileiras em inglês, que seria lançado na Inglaterra e na França. Presume-se, com isso, que um ouvinte inglês ou francês teria mais chances de conhecer a Bossa Nova do que o cantor brasileiro Roberto [Carlos].Encontre outra situação na canção em que a banda procede do mesmo modo, isto é, fazendo adaptações ao público a que se dirige. Clique aqui para ver a resposta .

    Observação: O professor deve chamar a atenção dos alunos para possíveis equívocos que possam surgir desta atividade, isto porque eles podem presumir que Roberto Carlos tenha feito parte da Bossa Nossa, o que não é verdade.

  • Poderíamos verter “Não sei, comigo vai tudo azul” por “I know, with me everything is blue”, em vez de “with me everything is fine”, tal como fizeram Os Mutantes? Justifique sua resposta. Clique aqui para ver a resposta. Referência:
    Versão original da canção em Tropicália ou Panis et circencis. Philips (1968)
    Versão inglesa em Mutantes Tecniclor. Universal (1999)
    Para a versão brasileira também sugerimos a gravação de Gal Costa acústico. MTV/BMG (1997)

    Para aprofundar:
    VELOSO, Caetano. Verdade Tropical. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.
    CALADO, Carlos. “Uma Raridade dos Mutantes” e “Making of – Tecnicolor” neste site (textos 1 e 2 respectivamente)

    Texto original: Lilian Escorel
    Edição: Equipe EducaRede

    Os sites indicados neste texto foram visitados em 23/04/2003

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Canções e tempos verbais

Canções e tempos verbais

Disciplina:

Língua Inglesa

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Verbos
Tipo: Músicas

Fazer uso dos tempos verbais não é fácil e requer a aplicação de várias atividades para que os alunos consigam aprender as estruturas das diferentes formas de oração.

O emprego dos verbos no passado irregular, por exemplo, exige dos alunos um trabalho adicional de memorização que pode ficar desanimador se for feito apenas por meio de exaustivos exercícios.

Assim, após a aplicação de alguns exercícios, é importante intercalar com uma atividade com música, que pode despertar um maior interesse em aprender os verbos e seus diferentes tempos verbais.

Depois de conhecer as músicas preferidas dos alunos, o professor seleciona uma canção que contenha em sua letra verbos que contemplem o seu objetivo de trabalhar determinado tempo verbal. Letras de músicas com tradução geralmente podem ser obtidas sem grandes dificuldades pela Internet, por meio dos mecanismos de busca (Alta Vista, por exemplo).

Um exemplo é a música “Love by Grace”, de Laura Fabian, que permite trabalhar o passado regular e irregular retirando-se as formas verbais wanted, came, stole, sent, said, brought, laid, was e forgot.

O professor retira os verbos da letra da música escolhida (todos ou alguns, dependendo da quantidade), deixando as lacunas, e a entrega aos alunos para que eles, ouvindo a música repetidas vezes, tentem preenchê-la. Essa atividade pode ser trabalhada individualmente, em duplas ou em grupos, ficando a critério do professor definir a forma ideal para seus alunos.

Se os alunos demonstrarem dificuldade, o professor pode dar dicas para facilitar a atividade, por exemplo:

  • Inclusão da tradução da letra (sem omissão dos verbos).
  • Lista dos verbos retirados, dispostos em uma ordem diferente daquela apresentada na música.
  • Lista com uma quantidade maior de verbos, além dos que foram retirados.
  • Lista com os verbos retirados, conjugados no presente (ou no infinitivo), para que os alunos façam a mudança para o tempo verbal utilizado na música.Depois de preenchidas e conferidas as lacunas, os alunos podem cantar a música, exercitando a pronúncia.Observação: Um trabalho semelhante pode ser feito com os alunos das séries iniciais, omitindo-se outras palavras das letras das músicas (substantivos ou adjetivos), de acordo com o que o professor pretende trabalhar.

    Texto original: Zelinda Campos Cardoso
    Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Quem canta, os males espanta

Quem canta, os males espanta

Disciplina:

Língua Inglesa

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Vocabulário, estruturas lingüísticas, cultura
Tipo: Músicas

Um dos modos mais prazerosos de aprender uma língua é ouvindo e cantando música. Lembremos que, quando bebês, parte do que aprendemos da língua materna contou com a colaboração das cantigas de ninar; quando crianças, das cantigas populares que entoávamos em roda.

Exercícios com música no ensino de língua estrangeira estimulam e aperfeiçoam a audição e a produção oral do aluno. Propõem a prática espontânea (cantar uma música) de algo que nos é estranho (língua estrangeira).

E por falar nisso, que tal ouvir e repetir a letra Save the Childrende Marvin Gaye? A música integra o disco What’s going on, gravado em 1971 e chama a atenção para o temeroso futuro das crianças num mundo em que a percepção do artista está “destinada a morrer”. O contexto é a guerra do Vietnam em 1969.

O trabalho com a música pode ser feito em três etapas.

  • Apresente uma breve biografia do músico Marvin Gaye, explore o contexto histórico do disco e da faixa selecionada e discuta com o grupo.
  • Sugira perguntas: Como entendem a visão do intérprete? Ela é otimista ou pessimista? Por quê? Acham que a situação relatada na música ainda tem eco atualmente? Concordam com o ponto de vista adotado? Como vêem o futuro das crianças hoje?
  • Feita esta contextualização, passe à audição propriamente dita, primeiramente para que os alunos apreciem a música sem o acompanhamento da letra.
    Em seguida, distribua a letra da música com lacunas para que os alunos tentem preenchê-las na segunda audição. A terceira escuta permitirá aos alunos conferir as lacunas preenchidas e completar aquelas que eles não conseguiram preencher. Apresente a resposta correta dos espaços em branco para que os alunos possam observar possíveis enganos. Por fim, convide a todos para cantar e se deleitar com a música aprendida.

Esta proposta é uma possibilidade de trabalho em sala de aula; portanto, o professor pode realçar outros aspectos da letra de Marvin Gaye (palavras, expressões etc.).

Neste caso, optamos por omitir as contrações (“wanna, won’t, can’t, who’s etc.) e as estruturas verbais contidas na música: imperativo (“Save the children”; “Let live everybody” etc.), futuro (“There’ll come a time”; “Flowers won’t grow” etc.), presente (“Who really cares?” etc.).

Na letra, o que vai sublinhado é o que deve aparecer em lacuna para os alunos.

Para que os alunos percebam a dinâmica da atividade e o objetivo pretendido, é importante, ao final das audições, dedicar um tempo para comentar a letra e os aspectos lingüísticos sublinhados (gramática, expressões, vocabulário).

Se o professor adotar o modelo proposto, vale comentar as diferenças entre os tempos verbais destacados e o uso das contrações, pertinente à linguagem oral e musical, embora inadequado ao registro escrito e formal. Neste caso, as contrações devem ser eliminadas (“want to” no lugar de “wanna”, “will not” no lugar de “won’t”, “can not” no lugar de “can’t”, “who is” no lugar de “who’s” etc.). Também é importante chamar a atenção para a construção “Who really cares?”,  porque o pronome interrogativo “who” é conjugado na terceira pessoa do singular e não pede auxiliar.

Com o percurso proposto, o professor perceberá que o trabalho com música em sala de aula educa o ouvido do aprendiz de línguas. Incentiva-o a transcrever as letras das músicas que escuta, a repeti-las e cantá-las. De uma audição passiva, o aluno passa a uma audição ativa, assimilando estruturas, aprendendo um pouco de história e cultura e tornando a vida mais leve, porque “quem canta, os males espanta”. Seja em que língua for.

Referência:
GAYE, Marvin. What’s going on. Tamla, 1971.

Texto Original: Lilian Escorel

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)