Expressões do corpo

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Conhecimento do corpo
Tipo: Metodologias

O objetivo dessa atividade é fazer com que os alunos explorem ao máximo o seu potencial expressivo corporal. Para desenvolvê-la, é necessário um aparelho de som, uma sala de aula limpa, fitas ou CDs com músicas instrumentais (sem letra).

Prepare a sala de aula, afastando as carteiras e criando um ambiente acolhedor com uma música de fundo. Converse com os alunos sobre o objetivo da aula e peça-lhes que tirem os sapatos e andem pela sala.

Possibilidades de comandos: ao sinal de uma palma, os alunos devem movimentar-se; duas palmas, devem parar para ouvir a instrução do que fazer.

Instruções:

  • Andar pela sala livremente, sem deixar espaços vazios; nas pontas dos pés; apoiando-se ora na borda interna dos pés, ora na externa; apoiando-se nos calcanhares.
  • Andar normalmente.
  • Explorar as possibilidades de movimentação das articulações: punho, cotovelo, ombro, joelho, tornozelo, coxa, coluna.
  • Explorar as possibilidade de aproximação e distanciamento das articulações, por exemplo: cotovelo e tornozelo; membros.
  • Explorar a movimentação de cabeça, tronco, pernas e braços.
  • Tocar o próprio corpo: quais as partes que conseguimos tocar? Em que partes isso não é possível?
  • Locomover-se de um ponto a outro da sala, sem utilizar passos (saltitando, pulando, girando, fazendo cambalhota); movimentando-se da cintura para baixo (nível baixo); do ombro para baixo (nível médio); do ombro para cima (nível alto).

À medida que os alunos respondem aos estímulos, o professor propõe novos desafios corporais e introduz variáveis com atividades em grupo, por exemplo: criar uma seqüência de movimentos em que as mãos estejam em evidência e apresentá-la aos colegas.

Fontes adicionais de pesquisa:
LABAN, Rudolf. Dança Moderna Educativa. São Paulo: Icone, 1990.
MARQUES, ISABEL A. Ensino de Dança Hoje, Textos e Contextos. São Paulo: Cortez, 1999.

Texto original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier
Edição: Educarede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Ciclos da natureza por música

Disciplina: Biologia
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Ecologia e ciclos biogeoquímicos
Tipo: Músicas

O estudo dos ciclos biogeoquímicos é importante para a formação escolar, pois permite ao aluno compreender as relações ecológicas que se estabelecem na natureza, a interdependência entre os seres vivos e o ambiente e os fenômenos pelos quais as condições climáticas do planeta se mantêm estáveis.

Algumas canções favorecem a aproximação com esse tema, como é o caso de três músicas selecionadas para a atividade: “Quando Eu Olho para o Mar”, de Alceu Valença, “Luz do Sol”, de Caetano Veloso e “Tempo Rei”, de Gilberto Gil.

Antes de apresentar as músicas aos alunos, é importante chamar a atenção deles para o fato de que esses artistas expressam de diferentes formas as suas percepções sobre o caráter cíclico de alguns fenômenos da natureza, como é o caso da água, das estações do ano e da migração dos pássaros e mamíferos.

Para iniciar a atividade, o professor ouve as músicas com os alunos e solicita a eles que registrem a sua compreensão da letra. Em seguida, divide-se a classe em pequenos grupos (trios ou quartetos) e cada um deles recebe uma das letras, para que discutam e interpretem a letra.

Para orientar a discussão nos grupos, o professor pode propor questões específicas para cada música, por exemplo:

  • Quando Eu Olho para o Mar
    > Qual o sentido da frase: “Quando eu olho para o mar, dentro do mar vejo um rio…”?
    > Que transformações físicas ocorrem com a água, ao longo do percurso estabelecido na letra dessa música?
    >A água presente nas lágrimas é a mesma presente nas nuvens e no mar?
  • Luz do Sol
    > Como vocês interpretam a frase: “Luz do Sol, que a planta traga e traduz em verde novo…”?
    > De que forma a interferência humana é retratada nessa letra?
    > Que relações o autor estabelece entre o continente, os rios e o mar?
  • Tempo Rei
    > Como vocês interpretam a frase: “Transformai as velhas formas de viver”?
    > De que forma o relevo pode ser transformado?
    > A que escala de tempo o autor está se referindo, quando trata das possíveis transformações da vida e de paisagens, como o Corcovado e o Pão de Açúcar (pontos turísticos da cidade do Rio de Janeiro)?A seguir, cada grupo elabora dois cartazes. O primeiro deve conter as principais idéias apresentadas na música analisada. O segundo precisa apresentar um esquema representando o ciclo ou os ciclos tratados na música. Essa representação deve ser feita na forma de esquema, com setas e desenhos.Os cartazes podem ser expostos e, a partir da exposição, cada aluno registra informações para escrever um pequeno texto que enfoque o papel do tempo, da água e das plantas nos ciclos da natureza retratados nas músicas.

Referências:
“Quando Eu Olho para o Mar” – CD Cinco Sentidos, de Alceu Valença. Ariola, 1981.
“Luz do Sol” – CD Caetano Veloso. Polygram, 1986.
“Tempo Rei” – CD Unplugged, de Gilberto Gil. Warner Music, 1994.

Texto original: Paulo Roberto da Cunha
Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Sonorização de filme

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Sonorização de imagens
Tipo: Filme

Na escola, o ensino de música deve possibilitar ao aluno o desenvolvimento de sua expressividade pelo som. Essa proposta de atividade tem como objetivo associar sons a imagens.

Trabalhe em uma primeira aula com o levantamento de sons possíveis para a sonorização de um filme. Esses sons podem ser criados com a voz, o corpo, o uso de objetos cotidianos e com instrumentos musicais.

Na aula seguinte, assista a um trecho de 20 minutos do filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin, sem nenhum volume. Volte ao início da transmissão e peça que os alunos criem sons para cada momento do filme. É provável que ocorra uma grande poluição sonora no início do trabalho. Aproveite esse fato para conversar com o grupo sobre a importância e a necessidade de silêncio em alguns trechos.

Divida os alunos em grupos (de quatro ou cinco membros) e peça que cada um sonorize uma parte do filme, criando uma trilha sonora para todo o filme.

Essa atividade poderá necessitar de algumas aulas, mesmo que os grupos trabalhem concomitantemente. Quando todos terminarem, assistam ao filme sem nenhuma interrupção, com cada grupo sonorizando sua parte.

Finalize o trabalho comparando a versão criada pelos alunos com a versão do filme.

Texto original: Lelê Ancona
Edição: Equipe EducaRede

Os sites indicados neste texto foram visitados em 04/03/2002

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Paisagem sonora

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Música, paisagem sonora
Tipo: Músicas

O conceito de “Paisagem sonora” tornou-se conhecido para os educadores em música a partir do trabalho produzido pelo professor canadense Murray Schaffer. Em seus estudos, ele trabalha com a percepção de sons de diversos ambientes e utiliza estratégias para sensibilizar o ouvido de seus alunos, como fazer um passeio por um bosque de olhos vendados.

Povos e culturas diversos apresentam paisagens sonoras diferentes. A paisagem sonora na qual vivemos nos traz o sentimento de pertencimento, de fazer parte daquele ambiente. Alguns músicos da contemporaneidade inspiram-se nessas diferentes paisagens, criando em suas composições sons que não são produzidos por instrumentos musicais, como Hermeto Pascoal e John Cage, entre outros.

Para que as crianças sejam estimuladas a perceber e identificar sons nos diversos ambientes em que vivem e de entender melhor o conceito de paisagem sonora, uma atividade que pode ser proposta é um passeio pela escola. Nesse passeio, as crianças registram em gravadores os sons do pátio, da diretoria, da rua, da sala de aula, da cantina, da aula de Educação Física, do recreio, da sala dos professores, da entrada, da saída, enfim, os sons que compõem a paisagem sonora da escola.

De volta à classe, todos ouvem as fitas, tentando descobrir a localização de cada som e suas principais características – se são altos ou baixos (volume), graves ou agudos, longos ou curtos (duração). Para ampliar o foco da discussão, pode-se conversar com os alunos e pedir-lhes que descubram outras paisagens sonoras diferentes da escola: a rua em diferentes horários, a casa, o shopping, um ginásio de esportes, a igreja etc.

Na aula seguinte, o professor propõe uma nova audição do material recolhido para reorganizá-lo, estimulando as crianças a perceberem pelos sons os locais de onde foram gravados. Depois, pode-se construir um roteiro como se fosse um percurso pela escola e produzir com o grupo uma nova gravação, seguindo o roteiro. Essa gravação deve corresponder a um passeio sonoro pela escola. Esse trabalho pode ser realizado em grupos, com cada um cuidando de uma parte do passeio.

Para finalizar a atividade, toda a classe ouve o “Passeio sonoro pela escola”, avalia os sons que descobriram nesse percurso e como esse trabalho interferiu na percepção de outros sons fora da escola.

Referência:

SCHAFER, Murray. O ouvido pensante. São Paulo: Unesp, 1991.

Texto original: Maria Terezinha Teles Guerra
Consultoria pedagógica: Anamélia Bueno Buoro
Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

O hipnotizador dançarino

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Jogos de expressão
Tipo: Metodologias

O objetivo dessa atividade é aumentar, no aluno, a percepção e a consciência do corpo como instrumento de comunicação e expressão; buscar transmitir sentimentos por meio da dança espontânea, além de desenvolver a sensibilidade para perceber e interpretar sentimentos.

Durante os trabalhos, evite utilizar as danças marcadas por conjuntos da moda; os comportamentos “definidos” como típicos – do macho, da menininha, do idoso, da loura etc. –, e os gestos repetitivos e pouco criativos dos astros cômicos.

Procedimento

As pessoas devem formar trios. Com um gravador ou CD player, você vai garantir que músicas de ritmos diferentes estejam disponíveis.
Em cada trio haverá um participante que será o “hipnotizador”.
Ao ritmo da música, o “hipnotizador” de cada trio irá movimentar-se, “desprendendo” os braços do corpo para acompanhar a música.
Os dois outros membros do trio olham para uma das palmas da mão do “hipnotizador” e vão seguindo/acompanhando os seus movimentos, sem perderem o foco.
Embalado por trechos de músicas diferentes que você irá tocando, o “hipnotizador” conduz seus dois companheiros pelo espaço de trabalho, dançando e levando seus “hipnotizados” à dança.
Depois de um tempo, peça que o “hipnotizador” troque de lugar com um dos hipnotizados, até que todos tenham passado pelas duas experiências, de condutor e conduzido.
Para finalizar o jogo, e ao som de uma música mais agitada como, por exemplo, Brasileirinho, de Valdir Azevedo, peça a cada participante que pense em dois hipnotizados imaginários, levando-os a dançar.

Ao final da atividade, peça aos alunos que se sentem no chão formando uma roda e converse com eles sobre as duas experiências: de condutor e conduzido, por exemplo.

Nota: Esse jogo foi criado pelo teórico e dramaturgo Augusto Boal.

Fonte:
A Arte é de Todos: Artes da Representação, publicação elaborada pelo CENPEC.

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Diálogo entre sons e gestos

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: A gestualidade do corpo, o ritmo da música no espaço, a expressão plástica
Tipo: Metodologias

O ensino de Arte na escola abrange as linguagens visual, musical, corporal e cênica. Essa proposta de atividade, que procura desenvolver nos alunos a percepção do diálogo entre linguagens artísticas por meio de exercício prático, trabalha três dessas quatros linguagens, permitindo aos alunos estabelecerem relações entre as composições gráfica, sonora e corporal.

Primeira aula – As linguagens artísticas

Converse com os alunos sobre as diversas linguagens que eles conhecem: a da música, a visual, a da dança, a do teatro, a verbal. Todas elas, freqüentemente, estabelecem uma comunicação entre si, como o diálogo que a linguagem verbal cria com a linguagem musical quando os artistas compõem a letra e a música de uma canção, unindo música e letra na construção de um significado único.

Descubra com eles outras formas de diálogos entre linguagens. Reflita sobre as variadas maneiras de “tradução” que existem entre línguas e entre linguagens. É possível traduzir uma música para uma dança? E para uma pintura? Como? Será que fica parecido, dá para reconhecer ou se torna outra coisa? E o contrário, há possibilidade de se “escrever” uma dança? E desenhá-la?

Ao final dessa discussão, proponha aos alunos a audição de vários trechos musicais: música clássica, rock, forró, tradicionais, modernas, de várias regiões. Depois de ouvirem os trechos selecionados, peça para que descrevam verbalmente como perceberam as músicas e suas diferenças.

Agora, em uma nova audição, peça a eles que marquem com palmas os diferentes ritmos de cada música. A seguir, escolha com os alunos uma das músicas para ser trabalhada pela classe.

Procedimento

Divida a turma em grupos. Cada um deles escolhe um trecho da música para realizar um diálogo de linguagens e, com a música selecionada, eles criam com o corpo movimentos simultâneos, alternados, seqüenciais.

Proponha a criação de uma seqüência de gestos para o trecho da música de tal maneira que ambos possam ser percebidos como se tivessem sido feitos um para o outro. Sugira que eles explorem bastante os movimentos usando todo o espaço da sala no nível do chão e nos planos alto e médio. É importante orientar os alunos para que movimentem todo o corpo. Lembre-os de que cada parte do corpo poderá acompanhar os ritmos propostos em diferentes momentos da música: cabeça, braços, quadril, maxilar, olhos etc. Peça para o grupo registrar na memória a seqüência de movimentos de cada trecho da música porque elas serão retomadas na aula seguinte.

Segunda aula

Retome verbalmente os trabalhos da aula anterior e, em seguida, proponha aos grupos que se apresentem. Uma boa forma de fazer isso é pedir que os alunos fiquem sentados no chão em círculo, enquanto se levantam apenas aqueles que estão se apresentando.

Finalizada a apresentação, pergunte a eles como fariam para mostrar esses movimentos num desenho ou numa pintura. Proponha que desenhem e pintem em uma folha de papel e a partir da memória visual a própria seqüência de movimentos corporais criados. Esse registro deve reproduzir estes movimentos, buscando obter no desenho a mesma qualidade do gesto.

Terceira aula

Realizados todos os registros, o professor faz uma apresentação dos desenhos associados aos movimentos e sons. Pode-se fazer um painel contendo os registros visuais. Neste caso, escolha com os alunos o local em que será possível expô-lo.

Conclua o trabalho comentando as imagens desse painel e, com os alunos, resgate os trechos de música e gesto que correspondem aos desenhos realizados. Faça uma avaliação final a partir das seguintes perguntas:

Quais desenhos expressam melhor os gestos? Por quê?
Quais desenhos expressam melhor a música? Por quê?
É possível descobrir qual o trecho da música que inspirou os desenhos?
É possível descobrir quais gestos estão relacionados com os desenhos?
Se eu fizer os gestos sem ouvir a música, consigo saber como é essa música?
Se eu fizer os gestos, consigo descobrir com qual desenho ele se parece?

Você poderá ampliar esse trabalho ao fazer uma leitura das obras A dança e A música, de Henri Matisse, e relacioná-las com as experiências que seus alunos tiveram ao transpor a música para o gesto e para o registro gráfico. Outro artista que poderá ser trabalhado em sala de aula é Kandinsky, que faz uma série de quadros inspirados em músicas.

Texto original: Lelê Ancona
Consultoria pedagógica: Anamélia Bueno Buoro
Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Curta-metragem “Adão ou Somos Todos Filhos da Terra”

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto:
Tipo: Materiais didáticos

Link para o curta: http://portacurtas.org.br/filme/?name=adao_ou_somos_todos_filhos_da_terra

Morador da favela de Cantagalo no Rio de janeiro, Adão Xalebaradã é compositor de mais de 500 músicas e nunca foi gravado no Brasil.

Conheça as sugestões de aplicabilidade pedagógica

Texto Original: Porta-Curtas

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Osesp dá curso para professores

Música, maestro!

 A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo oferece cursos de formação continuada para professores, com o objetivo de estimular o ensino da disciplina nas escolas

Por Rosane Storto

Num país como o Brasil, onde coexistem tantas sonoridades e uma grande diversidade de ritmos e melodias, a disciplina Educação Musical deixou de ser obrigatória no currículo da rede pública de ensino. Ela foi incorporada às aulas de Artes. Mas, em São Paulo, por exemplo, apenas 15% dos professores da área desenvolvem trabalhos de educação musical em sala de aula. Os dados são de uma pesquisa realizada pela Coordenação de Programas Educacionais da  Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (CPE – Osesp).

Com base nesse levantamento, a Osesp criou em 2001 o Programa Formação de Professores, com cursos de formação continuada em Educação Musical, que parecem contribuir para mudar essa realidade em algumas escolas.

O projeto foi implantado inicialmente em parceria com as Diretorias de Ensino Norte 1 e Centro, da Secretaria de Estado da Educação. Segundo a coordenadora do programa, Susana Ester Krüger, a experiência permitiu identificar necessidades e interesses dos professores. A partir deste curso-piloto, a coordenação pôde preparar uma estrutura capaz de atender profissionais que atuam em diferentes níveis de ensino.

Além do curso, a CPE-Osesp irá promover, em setembro, o I Seminário Osesp de Educação Musical/III Encontro ABEM – Região Sudeste. Este evento têm como objetivo divulgar e aperfeiçoar o ensino de música nas escolas.

Pesquisa

Realizada em 149 escolas públicas das duas Diretorias de Ensino da rede estadual, a pesquisa da CPE – Osesp teve como objetivo investigar a atual situação da educação musical em escolas estaduais na cidade de São Paulo. Mostrou que apenas 33% dos professores participavam de cursos de educação musical e que a grande maioria utilizava a música para trabalhar outra disciplina.

A pesquisa mostrou também que a maioria dos educadores que trabalha com música em sala de aula não tem formação musical. “São professores de Artes ou outras disciplinas e de 1ª a 4ª séries”, afirma Susana. O curso da CPE-Osesp é voltado exatamente a esses professores que querem utilizar a música, mas não têm nenhuma ou têm pouca formação. “É um curso de capacitação musical para professores, com o objetivo levar a música da Orquestra às salas de aulas, em um rico intercâmbio com as canções que as crianças escutam no seu dia-a-dia”, explica.

Os cursos, desenvolvidos por especialistas em Educação Musical, têm oito módulos, que abordam temas como os processos de ensino e de aprendizagem musical nos diferentes aspectos, tais como execução, apreciação e composição.

Os temas trabalhados são muitos: relações entre cultura, mídia e adolescência; parâmetros que facilitam a realização de atividades vocais e de grupos instrumentais; os tópicos teórico-práticos para a educação musical em sala de aula; abordagens críticas sobre a interdisciplinaridade da música com outras artes; recursos para o planejamento do ensino e avaliação musicais; e elaboração de material didático.

De acordo com Susana, os cursos são rigorosamente avaliados pelos participantes e pelos docentes. Desde o primeiro curso, em 2001, o número de participantes dobrou: de 30 professores duplicou para 60 em 2003. “Tivemos de fazer uma reestruturação, dividindo as turmas: professores da Primeira Infância e Educação Infantil; professores do Ensino Fundamental; e professores de Arte.”

Paralelamente aos cursos, acontece também o Ensaio Geral Aberto, que tem como objetivo fazer com que os professores participantes levem seus alunos aos concertos ou ensaios abertos da Osesp, na Sala São Paulo. Os ensaios recebem crianças de sete a dez anos, pré-adolescentes e adolescentes e atingiram, em 2002, mais de cinco mil alunos de 50 escolas.

Susana diz que a procura pelos ensaios é tão grande que, para este ano, já não há mais vagas e a lista de espera é extensa. As crianças adoram o programa e muitas fazem desenhos após assistir às apresentações, mostrando suas impressões acerca do que viram e ouviram.

Cadê os instrumentos?

Participar do curso da Osesp é uma experiência única, de acordo com os professores da rede estadual de ensino Luís Carlos Tozetto e Mariza Aparecida Naim Elaur. Professores de Artes do curso de 2001, eles já estão aplicando os conhecimentos obtidos em sala de aula e afirmam ter conseguido excelentes resultados nos últimos anos.

Para Tozetto, da EE João Sirineu, na Brasilândia (zona Norte de São Paulo), o curso mostrou que é possível trabalhar com música em sala de aula sem instrumentos musicais. “Foi muito bom participar do curso que proporciona um crescimento tanto profissional quanto pessoal. Hoje capacito professores de 1ª a 4ª séries para fazer o trabalho também, graças ao incentivo da Osesp”, afirma.

Tozetto conta que aprendeu a trabalhar com seus alunos e a aproximá-los a música erudita. “Sempre levo a disciplina para as aulas. No início, as crianças reclamavam um pouco do estilo musical, mas aprenderam a apreciar a música erudita”, afirma. Seus alunos foram levados ao ensaio aberto e ficaram fascinados com a apresentação. Segundo ele, a escola irá novamente neste ano, pois muitos pedem para voltar.

A professora Mariza Aparecida Naim Elaur chegou ao curso por meio de outro professor da escola onde leciona, a EE Professor Antonio Firmino, na Mooca (zona Leste de SP). Professora de Artes com habilitação em Música, Mariza já desenvolvia atividades musicais com seus alunos, que foram intensificadas após ingressar no curso da Osesp. “O curso é maravilhoso, os instrutores são excelentes e nos ensinam a aproveitar o potencial do aluno, a trabalhar a música erudita de forma diferenciada”, observa.

Segundo Mariza, o curso possibilita que os professores aprendam como envolver seus alunos nas atividades em sala de aula. A escola onde Mariza leciona recebeu músicos da Osesp em 2002 e os alunos, segundo ela, ficaram fascinados com o trabalho desses músicos e conversaram muito com eles sobre a música erudita. No final de 2003, a professora levará alguns alunos para participar de um ensaio aberto da orquestra.

Desenvolvido pela Coordenadoria de Programas Educacionais (CPE-Osesp), o curso é aberto também às escolas particulares. Neste caso, a diferença fica no valor a ser pago pelo professor. Os educadores da rede pública pagam uma taxa mínima, de manutenção do curso. “Inicialmente, não cobrávamos nada dos professores da rede pública, mas temos um custo alto, por isso cobramos uma pequena taxa que cobre os custos de uma apostila e parte do ingresso para um concerto da Osesp”, observa Susana.

Maiores informações sobre os Cursos de Formação Continuada em Educação Musical para Professores e sobre o I Seminário Osesp de Educação Musical podem ser obtidas na CPE-Osesp pelo telefone (11) 3351-8229, pelo e-mail ass.cpe@osesp.art.br  e no site da Osesp: www.osesp.art.br.

Os sites indicados neste texto foram visitados em 21/08/2003

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)


 

A música em sala de aula

A música em sala de aula

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Urbanização, cidades
Tipo: Metodologias

A riqueza do cancioneiro popular brasileiro possibilita ao professor e alunos analisarem a nossa realidade de modo cada vez mais interessante, vivo e crítico. Isso porque a música pode ser eficiente quando o objetivo é sensibilizar os alunos para a discussão de temas importantes, que ajudam a formular conceitos e estimulam a curiosidade.

Delimitado o tema a ser tratado em sala de aula, é interessante que o professor procure músicas que possam agradar aos alunos e trazer conteúdos que contribuam para a análise crítica do mundo, do país e do local em que vivem.

Para se trabalhar, por exemplo, com o tema urbanização/cidades, um caminho possível nessa perspectiva de trabalho é recorrer a duas conhecidas músicas: Sampa, de Caetano Veloso, e A Cidade, de Chico Science e Nação Zumbi.

Procedimento:

  • A classe ouve a música, acompanhando a letra.
  • Professor e alunos analisam e interpretam a letra.
  • Todos ouvem pela segunda vez a música, se possível cantando juntos.
  • Em seguida, o professor pode formular a seguinte questão: “Que imagens traduziriam visualmente o assunto tratado nessa música?”Depois disso, o professor propõe aos alunos a localização de fotos, slides, gravuras, cartões postais que tenham alguma relação com essas músicas. Se houver condição, é interessante que eles fotografem o bairro e/ou a cidade.

    No dia marcado para a apresentação do material coletado ou produzido, os alunos podem elaborar painéis, cartazes, ou projetar as imagens pesquisadas ao som da música escolhida. Os alunos também podem acrescentar ao material breves comentários sobre a importância do trabalho por eles realizado.

    Referências:

    ALVES, Alfredo et alii. Como fazer um audiovisual. Petrópolis: Vozes/IBASE, 1987 (Coleção Fazer).

    GIACOMANTONIO, Marcelo. O ensino através dos audiovisuais. São Paulo: Summus, Edusp, 1981.

    Texto original: Regina Inês Villas-Boas Estima
    Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
20/03/2003

Geografia e Música

Geografia e Música

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: O espaço geográfico na música brasileira
Tipo: Metodologias

 

Uma boa atividade a ser proposta aos alunos que estão chegando ao Ensino Médio é identificar nas letras de músicas brasileiras que eles já conhecem alguns aspectos da composição do espaço geográfico freqüentemente encontrados nesses textos. Deverá ser uma seqüência didática curta que crie um ambiente propício à discussão teórica relacionada à composição do espaço geográfico.

A proposta pode ser desenvolvida em três ou quatro aulas, dependendo do número de alunos em classe, e é necessário que o educador encontre uma música para que os alunos ouçam e discutam o conteúdo da letra. Na primeira aula, o professor deve propor uma atividade que visa a identificar os conhecimentos prévios dos alunos a partir da seguinte questão: Do que é composto o espaço geográfico?

Na seqüência, o professor organiza com os alunos pequenos grupos com um relator que anotará as conclusões do grupo para depois compartilhá-las com a classe.

O professor propõe então a reflexão sobre o espaço geográfico a partir da música escolhida por ele. Após ouvirem a música, é importante relacionar a letra, analisando-a e, se possível, a melodia, em relação ao espaço geográfico. Ao final, propõe-se aos alunos que os grupos escolham uma música, para eles representativa, que os ajude a entender o espaço geográfico.

Na aula seguinte, os alunos apresentam as músicas selecionadas e comentam ou justificam a escolha. Vale observar que, dependendo do número de alunos em classe, é possível que esta atividade continue na terceira aula. À medida que os alunos vão apresentando seu trabalho, é interessante que o professor organize na lousa ou em papel pardo um quadro com nomes, autores, temas e comentários das músicas que os grupos trouxeram.

Para finalizar a atividade, o professor retoma o quadro com os temas e comentários e, a partir desse momento, possivelmente o professor terá um ambiente mais propício para iniciar uma discussão teórica sobre a composição do espaço geográfico.

Texto Original: Laércio Furquim Jr.

Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
22/01/2004