Xadrez na Escola


Cadernos, livros e xadrez

Professores de escolas públicas utilizam as técnicas do xadrez com sucesso
entre alunos das mais variadas faixas etárias

Por Rosane Storto

Hora da aula de Educação Física na Escola Municipal de Ensino Fundamental “Francisco Mendes Filho – Chico Mendes”, em Itaquera, São Paulo. Os alunos trocam os shorts e camisetas por fantasias verde-e-amarelas com figuras na cabeça e vão para a quadra. Ao invés da tradicional aula de Educação Física, participam de uma animada e diferente partida de xadrez.

Chamado de Xadrez Humano Ecológico, o projeto foi idealizado e executado pela professora de Educação Física Silvia Cristina de Mello, no ano 2000. Cada peça do jogo de xadrez, como rei, rainha, bispo, cavalo e peões, são substituídos por personagens que têm uma história em comum com o meio ambiente. Por exemplo, a figura do rei é representada por Chico Mendes, a da rainha, pela Mãe Natureza, a do bispo da rainha, pela Educadora, e o bispo do rei, por São Francisco de Assis.

A experiência da Escola Chico Mendes inova ao transformar os alunos em peças do jogo, mas o xadrez de mesa já está presente em muitas escolas e deve se espalhar ainda mais pelo Brasil. Em julho do ano passado, os ministérios da Educação e dos Esportes começaram a trabalhar na implantação de um projeto-piloto de Xadrez nas Escolas em cinco capitais brasileiras. Coordenado pelo enxadrista e campeão brasileiro Jaime Sunye, o projeto já atinge quatro capitais: Recife, Teresina, Rio Branco e Campo Grande.

Estados e municípios do país já possuem experiências bem-sucedidas com o jogo na escola antes mesmo do projeto federal. O Paraná acumula mais de 23 anos de uso de uma metodologia aplicada em 800 escolas estaduais, que foi coordenado por Sunye e serviu de exemplo para o projeto nacional.

De acordo com Sunye, o MEC tem como proposta priorizar a retirada das crianças da rua. “O projeto acontece no contra-turno, ou seja, fora do horário escolar, fazendo com que as crianças continuem na escola mesmo depois das aulas. Queremos ocupar o tempo ócio das crianças, levando-as para a escola para praticar uma atividade mais atrativa e esportiva”, observa.

Em 2003, o projeto foi aplicado em fase experimental em 200 escolas de cinco capitais, mas, a partir deste ano, a idéia é expandi-lo a 4.000 escolas. “Queremos, com esse projeto, acabar com o estereótipo de que o xadrez é para pessoas superinteligentes e sensibilizar os professores dos benefícios que o esporte oferece”, explica Sunye.

Assim como os municípios paranaenses, cidades como Pacatuba, no Ceará, São Sebastião do Paraíso, em Minas Gerais, além de São Paulo, também já têm projetos que envolvem o esporte em escolas municipais. Cada uma dessas cidades desenvolveu sua própria metodologia de trabalho, misturando reis, peões e bispos aos cadernos e livros, num aprendizado diferenciado e bem divertido.

Tem gente na jogada

Na escola municipal de São Paulo, a professora Silvia Cristina de Mello explica que o Xadrez Humano Ecológico é jogado de duas formas: a tradicional ou a planejada. Na primeira, os jogadores são divididos em equipes e planejam as jogadas em conjunto. Segundo Silvia, já aconteceu de uma jogada levar mais de uma hora para ser concluída. Já as jogadas planejadas são mais rápidas, e as estratégias são retiradas de livros sobre o jogo.

“O Xadrez Humano Ecológico é como o tradicional, com a diferença de que cada peça tem um símbolo, um personagem e no final os dois adversários ganham, com o aprendizado sobre a ecologia e seus personagens”, explica Silvia.

A idéia de criar o jogo era aproveitar melhor o tempo da aula de Educação Física em dias de chuva. “Quando chovia, ficávamos sem atividades, por isso resolvi começar um trabalho com o xadrez. Iniciamos com o tradicional, com o tabuleiro e as peças e depois começamos a trabalhar os temas transversais utilizando o xadrez. Os alunos gostaram tanto que resolvi criar o xadrez ecológico com peças feitas de garrafas PET, e em seguida o jogo humano”, conta a professora.

Com esse projeto, a professora de Educação Física trabalha em conjunto com outras disciplinas curriculares. Por exemplo, para trabalhar com os peões, os alunos pesquisam sobre a vida dos personagens escolhidos, entrando algumas vezes em História. As pesquisas na Internet algumas vezes trazem resultados em inglês.

Segundo ela, muitos pais colaboraram na confecção dos tabuleiros e até mesmo das primeiras fantasias. Hoje, as fantasias usadas pelas crianças foram doadas pelo Sesc, após uma apresentação da escola no local.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Reciclagem ainda é pouco

Reciclar é preciso;
só reciclar não é preciso

A abordagem do problema do lixo nas escolas deve ir muito além da preocupação com a destinação final dos materias, o enfoque está na importância do consumo consciente

Por Flávia Celidônio*

Falar em reciclagem de lixo virou moda nas escolas. Quase sempre há um “projeto” sobre o tema, no qual se arrecadam latinhas de alumínio com o objetivo de vendê-las ou trocá-las por materiais úteis, envolvendo competições entre as classes. Mas as conseqüências que tal atividade pode trazer, como estimular o aumento do consumo, estão sendo consideradas?

Em outros casos, até bem intencionados, coloca-se recipientes coloridos para cada tipo de resíduo e pede-se a todos que colaborem. Só que muitas vezes ninguém pensa no principal: para onde vão esses materiais recicláveis? Não é raro flagrar caminhões de coleta da prefeitura despejando o conteúdo dos diversos latões num emaranhado só.

Segundo resultados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico do IBGE apenas 6,4% das cidades brasileiras reaproveitam os resíduos e a coleta seletiva é realizada oficialmente por 8,2% delas.

Que o lixo tem se tornado um problema ambiental cada vez mais grave, conseqüência do crescimento populacional, não é novidade. Por ser basicamente sólido, ocupa espaço e demora para se decompor. Contém componentes químicos que, além de interferir negativamente no equilíbrio do ecossistema, provocam sérios problemas de saúde. Agora, o ponto pouco conhecido é que a questão do lixo vai além da reciclagem. “É preciso entender a importância de se produzir menos resíduo”, alerta a educadora ambiental Minka Bojadsen, diretora da organização não-governamental Instituto 5 Elementos.

Consumo consciente

Talvez a ênfase esteja no primeiro “R” do trio “Reduzir, Reutilizar e Reciclar”. Trata-se da prática do consumo consciente, ou seja, uma análise criteriosa a ser feita no ato da compra. A teoria é simples: consumindo menos, produz-se menos lixo. Difícil mesmo é a aplicar no dia-a-dia.

Hoje já existem entidades que elevam o ato de consumir à categoria de ação de cidadania, à medida que o indivíduo considera o impacto da sua aquisição – e do uso que faz de produtos e serviços – sobre a sociedade e o meio ambiente.

Produtos recicláveis

Alumínio: latas de bebidas e embalagens em geral

Metal: latas de alimentos

Papel: caixas, cartazes, folhas de caderno, embalagem longa vida, jornais, revistas, papel de fax

Plástico: garrafas de refrigerantes, frascos de amaciantes, baldes, copos descartáveis, potes para iogurte, embalagens de massa e biscoito, copos de água mineral

Vidro: garrafas de bebidas, frascos de cosméticos, potes de conservas

Uma delas é o Instituto Akatu, organização não governamental, criada em 15 de março de 2001 (Dia Mundial do Consumidor). Um levantamento realizado por ela mostrou que a própria juventude acha que compra demais. Cerca de 50% dos entrevistados disseram que pessoas da sua idade consomem excessivamente.

Délcio Rodrigues, coordenador geral do Akatu, revelou que o Instituto está organizando uma campanha com as escolas interessadas no tema, pois já percebeu que há muita gente empenhada em não só discutir o lixo, mas também em produzi-lo em menor quantidade. “Unir estes dois assuntos em um projeto pedagógico é colaborar para a formação de uma sociedade mais consciente, que preserva a natureza com hábitos mais saudáveis”, sugere.

Na escola

A educadora Minka Bojadsen faz questão de alertar que, ao contrário do que muita gente acha, implantar a coleta seletiva de lixo na escola não é tarefa simples. “Um projeto eficaz deve envolver toda a comunidade escolar. Não apenas os alunos, mas também funcionários, professores e pais”, explica a educadora. A estratégia é dar exemplos concretos. Promover uma sessão de leitura de jornais para conhecer as atualidades sobre o tema, visitar um aterro sanitário ou mesmo “apreciar” imagens dos bueiros entupidos nas ruas são bastante impactantes para sensibilizar adultos e crianças. “A ação tem que ser conseqüência da compreensão”, ensina.

A coordenadora de Educação Ambiental do Ministério da Educação, Lucila Pinsard Vianna, concorda. Ela acredita que a manutenção das atividades envolvendo o lixo ainda é um desafio porque o projeto deve ser fruto de uma reflexão da escola e de toda a comunidade. “Nada pode ser imposto. A professora que tem a idéia de trabalhar o tema não pode ser uma militante solitária. Quando todo corpo docente refletir e estiver consciente de que preservar o meio ambiente não é uma utopia, o projeto pode ser criado e mantido com mais facilidade”, sugere.

Percebendo as dificuldades das escolas em introduzir o tema no projeto pedagógico, o MEC lançou os Parâmetros Curriculares em Ação para Meio Ambiente. O objetivo é estimular o professor a pensar em conjunto com os seus colegas e encontrar caminhos para envolver os alunos e a comunidade. Por meio de propostas de atividades, o material mostra que as diversas disciplinas podem ajudar no entendimento do tema ambiental.

O MEC também desenvolve ações práticas como realização de oficinas com especialistas na área para discutir e avaliar o panorama da Educação Ambiental no Ensino Fundamental no Brasil, enfocando a capacitação de professores. Está previsto ainda um seminário nacional cujo objetivo é possibilitar a troca de experiências de professores, educadores e demais profissionais que desenvolvem projetos em Educação Ambiental no ensino formal.

A seção O Assunto É, do EducaRede, traz uma vasta discussão sobre o problema do lixo com sugestões de como abordá-lo na escola. É possível ainda consultar bibliografia especializada no tema e enviar dúvidas e colaborações.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Quantos planetas são necessários para sustentar seus hábitos?

Quantos planetas são necessários para sustentar seus hábitos?

 

Para celebrar o Dia Internacional do Meio Ambiente, o EducaRede selecionou um teste que mede o impacto das ações das pessoas para o planeta e jogos na web relacionados ao tema
Por José Alves

 

Um dia para conscientizar a população do mundo todo sobre as mazelas cometidas contra a natureza. A necessidade da reflexão sobre um tema vital para o planeta motivou a ONU (Organização das Nações Unidas) a instituir o dia 05 de junho como o Dia Mundial do Meio Ambiente, durante a Conferência de Estocolmo para o Ambiente Humano, ocorrida na Suécia entre os dias 05 e 16 de junho de 1972. Desse encontro nasceu um documento com 26 princípios e um plano de ações que deveriam orientar as atitudes humanas, as atividades econômicas e as políticas, de forma a garantir a proteção ambiental. Por meio do decreto 86.028, de 27 de maio de 1981, o governo brasileiro também instituiu no território nacional a Semana Nacional do Meio Ambiente, realizada anualmente na primeira semana de junho.

 

Em 1992, foi realizada a Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, conhecida como Rio-92, para analisar os motivos pelos quais a declaração de Estocolmo não teve o efeito de proteção ambiental que se esperava. Uma conclusão de consenso entre os representantes de mais de 170 países presentes ao evento foi a necessidade de rever o conceito de progresso e de desenvolvimento. A partir do encontro disseminou-se a noção de desenvolvimento sustentável, definida como os processos que permitem à sociedade humana atender suas necessidades de alimentação, habitação, saúde, educação, etc. sem prejudicar a integridade e o funcionamento do ambiente.

 

Divirta-se enquanto aprende

Com o intuito de provocar uma reflexão sobre o meio ambiente de forma lúdica, a equipe do Portal EducaRede selecionou sites que abordam o tema por meio de jogos educativos e um teste para medir o quanto nossos hábitos cotidianos interferem na preservação do planeta. Confira:

 

Jogo Casa Eficiente

O jogo disponível no site da ONG WWF foi criado para conscientizar as pessoas do impacto do desperdício de energia nas mudanças climáticas. O desafio de quem visita a Casa Eficiente é encontrar maneiras de economizar energia e diminuir os danos ao meio ambiente. Cada mudança de hábito garante mais pontos ao jogador. Vence o jogo quem diminuir ao máximo o nível de desperdício na casa.

 

Ao navegar pela casa, você também vai encontrar dicas de como utilizar melhor os aparelhos eletrônicos para gastar menos energia e informações sobre o impacto de pequenos gestos no clima do planeta.
Quiz – Que marcas você quer deixar no planeta?

O teste, também disponível no site da WWF, é parte do projeto Pegada Ecológica e, por meio de perguntas sobre hábitos cotidianos, mede o impacto do estilo de vida das pessoas no planeta. Clique na imagem para fazer o teste:

LivroClip –  Ler é Preciso
O site LivroClip apresenta o jogo Ler é Preciso, comperguntas e respostas baseadas no livro Inventário do que podia ser bem melhor e será, do Instituto Ecofuturo. Conheça:

Para fazer o download do game, clique aqui

 

Jogos: Controle da erosão e manejo dos resíduos

No site do Centro Nacional de Pesquisas de Suínos e Aves é possível aprender com os jogos do controle da erosão e do manejo dos resíduos. Neles, o jogador deve encontrar erros nas figuras apresentadas e consertá-los com um clique no mouse. Após consertar cada erro, um texto sobre o problema e a sua solução aparece abaixo da figura.

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Preservando a água doce

Gotas de consciência

Escolas estão contribuindo para que, no futuro, a humanidade não crie guerras pelo controle da água doce, como hoje existem conflitos pelo domínio do petróleo

 

Melanie Torres*

 

 

Toda vez que você abre a torneira, nem imagina que aquela água, que hoje flui com tanta facilidade, pode, no futuro, se tornar o principal motivo de conflitos ? e até de guerras ? entre as nações do mundo. Isso porque, em 25 anos, 1/3 da população da Terra ficará sem esse recurso essencial à vida, caso não sejam tomadas atitudes urgentes, passando por decisões políticas e governamentais e também pela educação e conscientização das novas gerações.

 

Enquanto a população mundial, de 6 bilhões de pessoas, cresce em ritmo acelerado (1,5% ao ano), a quantidade de água tem permanecido constante nos últimos 500 milhões de anos. O planeta Terra tem 71% de sua superfície constituída por água, porém, desse montante, somente 2,5% são de água doce e apenas 0,75% pode ser considerado aproveitável (os 1,75% está em calotas e geleiras polares). Em algumas regiões, como no Oriente Médio, já são constantes as desavenças que a escassez de água vem proporcionando.

 

Não é à toa que a Unesco (Fundo das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) elegeu 2003 como o Ano Internacional da Água Doce para o seu Programa de Escolas Associadas (PEA), iniciativa que reúne mais de 7 mil escolas em todo o mundo e está comemorando 50 anos de existência.  No Brasil, participam do grupo cerca de 250 escolas das redes pública e privada. Segundo a coordenadora regional do PEA no Rio de Janeiro, Aurora Borges, a Unesco sugere um tema anualmente, de acordo com as questões prioritárias que estão sendo discutidas em âmbito internacional. A proposta atual tem por objetivo promover a discussão e o desenvolvimento de atividades práticas em prol da preservação da água.
 

Embora tenham um tema comum, as escolas integrantes da Rede PEA têm total liberdade para criar seus próprios projetos e metodologias. Uma das integrantes brasileiras, a Escola Estadual Profª Maria Dulce Mendes, em São Vicente, litoral de São Paulo, está trabalhando a água como um desdobramento de um projeto bem amplo. Batizado de ?Viva a Ecooperação? . envolve alunos do Ensino Fundamental e Médio e tem por objetivo desenvolver atividades a partir de valores pessoais (saúde e higiene; aprender a ser), sociais (desenvolvimento humano e qualidade de vida; o conviver) e ambientais (preservação; conhecer para preservar).

 

De acordo com a coordenadora pedagógica da escola, Denise Toss, a primeira ação dos estudantes é a elaboração e a realização de um questionário ecológico para diagnosticar hábitos e atitudes dos alunos e da comunidade local com relação ao tema água doce: uso, oferta de água potável, saneamento básico e visão do futuro. Em seguida, é feito um mapeamento das áreas que serão estudadas: rios, córregos, mangues, bacias hidrográficas e parques da região. ?Também queremos sensibilizar os alunos para a importância da coleta seletiva. Vamos dar continuidade ao desenvolvimento da nossa horta orgânica e tentar implantar o processo de horta hidropônica (hortaliças desenvolvidas na água)?, conta Denise.

 

A escola pretende documentar com fotografias todas as atividades para enviar um relatório à coordenação da Rede PEA-Unesco no final do ano letivo. Também há a intenção de criar um jornal para divulgar as etapas desse trabalho. O pontapé inicial já foi dado. No Dia Mundial da Água (21 de março), os alunos realizaram uma panfletagem no bairro para sensibilizar a comunidade na questão da preservação da água.

 

 

Envolvendo a comunidade

 

Água na pauta mundial

A água é um dos pontos mais debatidos desde a realização da Cúpula de Johanesburgo (África do Sul), em 2002, quando foram criaradas as Metas do Milênio. Trata-se de uma proposta de reduzir pela metade a falta de acesso à água potável  (hoje, 1,4 bilhão de pessoas) e a um sistema básico de saneamento (2,3 bilhões) até o ano 2015. Em março de 2003, o 3o Fórum Mundial da Água, no Japão, e o Fórum Social das Águas, em Cotia, (SP) discutiram várias ações que podem decidir o futuro da água.

Igualmente engajados no tema anual da Unesco, os pequenos alunos da Escola Municipal de Educação Infantil e Especial Frei Orlando, no Rio de Janeiro, já assistiram a um vídeo sobre a água doce do planeta, no qual cachoeiras, rios, lagos e nascentes foram mostrados. Inspirados no que viram, as crianças fizeram desenhos que ficaram expostos nas paredes dos corredores da escola. ?Faremos uma eleição para escolher o desenho que vai ilustrar o nosso panfleto?, revela a coordenadora pedagógica Janice Reis Carvalho. ?Reunimos algumas dicas de preservação do meio ambiente para sensibilizar a comunidade vizinha, como por exemplo, evitar o desperdício de água, diminuir a produção de lixo, e da importância de plantar uma árvore.?

 

A realização do projeto ?Educação Ambiental para o Homem Integral?  levou o Centro de Educação Integral da Criança e do Adolescente Nossa Senhora dos Prazeres (CAIC), em Lajes (SC), a ser indicado para representar a Rede PEA Brasil como escola rural. O trabalho, desenvolvido com alunos de Educação Infantil, Ensino Fundamental, Supletivo e até Terceira Idade, tem foco na adoção do riacho vizinho da escola, visando proteger suas nascentes e replantar a mata nativa em suas margens. Além disso, lançaram uma campanha local para a questão do lixo. ?Pretendemos sensibilizar a comunidade para que o riacho deixe de ser um depósito de detritos?, comenta a diretora Vera Marcia Fiqueiredo Morais. No futuro, articulando parcerias com outras escolas e órgãos públicos, o CAIC quer transformar o local numa área de lazer e turismo.

 

 

Direto da fonte

 

Talvez por abrigar a nascente límpida do poluído Rio Tamanduateí, o município de Mauá (Grande São Paulo), seja um exemplo raro de engajamento da comunidade em temas ambientais.  Há cinco anos, a cidade realiza a tradicional Expoágua, evento que reúne trabalhos sobre meio ambiente desenvolvidos por alunos da rede pública de ensino de Mauá e que recebe visitantes assíduos de várias cidades vizinhas. De acordo com o assessor técnico da Sama (Saneamento Básico do Município de Mauá), Sérgio Neves, a idéia começou a ser formulada em 1997, quando os professores da rede pública procuraram o órgão para ter acesso a informações mais detalhadas sobre o tratamento de água oferecido. A demanda foi tanta que a Sama resolveu realizar cursos e seminários específico para escolas ? alguns deles ministrados por professores da Universidade de São Paulo (USP). Assim, cientes da importância de preservação da água, alunos e professores criaram grupos de estudos dentro das escolas para as questões ambientais.

 

A 5ª edição da Expoágua reuniu, em 2002, cerca de 3,5 mil alunos e professores no saguão do Teatro Municipal de Mauá para conhecer os trabalhos dos estudantes de 33 escolas, muitas integrantes da Rede PEA-Unesco.  A Escola Municipal Cora Coralina foi um dos destaques da exposição por desenvolver uma atividade que une educação ambiental e desenvolvimento humano. Tendo como base o estudo do rio Tamanduateí, os estudantes coletam água em sua nascente e em dois pontos intermediários, depois, o material é levado para análise para verificar se há coliformes fecais e resíduos químicos. Os alunos também observam a vegetação, o volume de lixo e a ocupação humana do local.

 

Por que vai faltar água?

O volume de água em circulação depende do ciclo hidrológico:  precipitação (chuvas), escoamento (rios) e fluxo de águas subterrâneas. A quantidade de água doce gerada é hoje basicamente a mesma de 1950 e deve se manter em 2050. As mudanças climáticas serão responsáveis por 20% do aumento da falta d?água, segundo a ONU. Nas cidades sem serviço de saneamento básico e rede de esgoto, os detritos são lançados nos rios e no mar, além dos dejetos industriais. Atualmente, estima-se que haja 120 mil km³ de água contaminada no mundo – quantidade maior do que o total das dez maiores baciais hidrográficas do planeta.

Segundo o coordenador pedagógico e professor de Geografia, Antonio Coelho de Souza Nascimento, o objetivo desse projeto que envolve estudos em ambientes externos à escola é sobretudo construir valores de trabalho cooperativo. ?Nós, professores, entendemos que fazer os alunos perceberem na prática as questões ambientais e sociais é mais importante que decorar textos e copiar frases do quadro?, avalia. E avisa: ?Não é uma simples excursão. O passeio, a visita, pode ser agradável sem perder o aspecto pedagógico?.

 

Perto do rio Tamanduateí existe uma ocupação irregular na forma de favela. ?A partir daí, incentivamos os alunos a pensarem a respeito dos problemas ambientais do rio e da população que vive ali e em que condições, ou seja, entra o aspecto social, cultural e econômico?, acrescenta o professor Antonio. Ele enfatiza que o projeto permite que os alunos valorizem os aspectos ambientais e sociais do meio em que vivem, construindo uma atitude responsável.

 

*Melanie Torres é jornalista, colaboradora do EducaRede

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Olhar jovem na Rio+10

Com lenço e documento

Conheça a adolescente que vai representar os jovens brasileiros na conferência mundial sobre meio ambiente em Joanesburgo, a Rio + 10

Por Beatriz Levischi

 

Se você acha que não tem nada para aprender com uma adolescente de 15 anos, está lendo a matéria certa. Sua opinião em relação ao jovem brasileiro vai mudar assim que você conhecer a paulistana Isis de Lima Soares. Graças a ela, o Brasil está levando ao maior evento ambiental do planeta um grupo de representantes da juventude do país – o pedido foi feito diretamente ao presidente Fernando Henrique Cardoso durante um evento preparatório para a Conferência Mundial – Rio+10, que começa dia 26 de agosto, em Joanesburgo, África do Sul.

Extrovertida, politizada e extremamente simpática, Isis mostra uma articulação difícil de se ver… em adultos. Logo no início da entrevista já foi roubando a cena e perguntando o que a repórter fazia da vida, como era o EducaRede e outras mil coisas.

Mãe psicopedagoga e pai filósofo são os “culpados” pela militância que começou cedo. Aos oito anos, ela e mais nove crianças iniciaram o projeto “Cala-boa já Morreu – Porque nós também temos o que dizer”, sob a coordenação da educadora Gracia Lopes, sua mãe. Em formato de programa de rádio, transmitido por uma emissora comunitária do bairro do Butantã, as crianças tratavam de temas do cotidiano, atuando como locutores e produtores, atendendo os ouvintes e ainda cuidando da parte técnica.

Mas nem todos os créditos devem ser atribuídos à família na opinião de Isis. “É claro que ela tem uma grande importância, senão, não teria feito contato com todas as pessoas que conheço hoje. Mas foi justamente por meio desses contatos que tive acesso a outros tipos de pensamentos. Fora o fato de que sempre procuro ler as coisas. É um processo”, explica de forma bem didática.

Encontro com o presidente

Cala-boca não morreu

O projeto “Cala-boa já Morreu – Porque nós também temos o que dizer” começou em 1995. Hoje reúne em torno de 20 crianças e jovens, de sete a 16 anos, tem sede própria e está prestes a se tornar uma organização não governamental.

Há a previsão de que oficinas de rádio, jornal, TV e Internet aconteçam no espaço e que outros jovens possam participar e levar a idéia para suas escolas.

Quem quiser contribuir para transformar a futura ONG em um centro de formação de protagonistas juvenis, pode entrar em contato com a Ísis. “Queremos juntar uma galera que pense diferente”, anima-se a jovem.

O programa é transmitido pela Rádio Comunitária Guadalupe (91,5), aos domingos, das 16h às 18h. Os interessados podem agendar uma visita ao estúdio e fazer o programa junto com a turma.

A primeira entrevista que fez sobre meio ambiente, com Samuel Barreto (coordenador do núcleo União Pró-Tietê, da ONG S.O.S. Mata Atlântica) para o programa “Cala a Boca”, rendeu uma amizade duradoura. O ambientalista acabou virando freqüentador assíduo do estúdio das crianças e foi quem colocou Isis cara a cara com o presidente Fernando Henrique. “Barreto é de certa forma o responsável por eu estar fazendo todas essas coisas até agora; foi o meu primeiro contato na área ambiental”.

Depois de Barreto, veio Mário Mantovani (diretor da S.O.S Mata Atlântica), que indicou Ísis para participar do painel “Diálogo de Gerações”, realizado no Rio de Janeiro, em 23 de junho, durante o Seminário Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável: de Estocolmo a Joanesburgo. “O Mário sempre me incentivou e me colocou nos lugares”, orgulha-se.

O referido painel, que reunia também as gerações de Estocolmo e da ECO 92, foi encerrado pela adolescente em tom crítico, por causa da ausência dos companheiros de mesa, devido ao atraso do evento: “O nome desse encontro não é ‘diálogo de gerações’? Cadê as outras gerações? Onde estão as pessoas que nós ouvimos tão pacientemente?” – apontando a ausência de alguns ativistas. Logo após o evento, haveria um jantar com presidente Fernando Henrique Cardoso e Isis estava entre os convidados. A garota logo percebeu a oportunidade de abordar a importância dada aos jovens nos eventos ditos oficiais.

Durante a cerimônia, foi convidada por Fábio Feldmann, coordenador do grupo brasileiro para a Rio + 10, a dizer algumas palavras ao presidente. A mocinha não teve dúvida. Reivindicou a necessidade de o país enviar representantes jovens na delegação brasileira de Joanesburgo, sob o argumento de que não há como discutir desenvolvimento sustentável sem a participação dos maiores interessados no assunto: o futuro do país.

“A questão da ausência de jovens já tinha me incomodado, mas a idéia da reivindicação surgiu na hora”, conta. De imediato, o presidente confirmou a idade Ísis ao evento mundial e prometeu estudar a possibilidade de convidar outros jovens. No dia seguinte, ela oficializou o pedido para a imprensa, o presidente da Jordânia, o primeiro ministro da Suécia e o presidente da África do Sul.

De malas prontas

Às vésperas da viagem, Ísis confessa que não sabe direito como vai se desenrolar o evento, mas mostra que está por dentro da pauta. “O assunto principal a ser discutido é a avaliação do que aconteceu na ECO 92 e o fato de o Brasil ter conseguido terminar a agenda 21, nesse último ano”, explica. A sua proposta para o grupo de jovens é mais modesta, mas não menos importante: “apresentarei modelos de ações juvenis realizadas em São Paulo e uma reflexão sobre a forma como a educação ambiental ainda é trabalhada em muitas escolas, sem integração com a comunidade”.

Na sua opinião, a questão ambiental mais importante para o país é a exploração da Mata Atlântica, ou melhor, dos 7,3% que restaram da floresta mais rica em biodiversidade do mundo. Para ela, o desenvolvimento sustentável está na pauta dos assuntos que merecem mais cuidado atualmente: “O uso racional da água, a utilização de fontes alternativas de energia e a questão agrícola, trabalhada de maneira irregular, devem ser pensados com prioridade”.

Quando o assunto é mundo, temas como alimentos trangênicos, a exploração de recursos naturais para uso médico/farmacêutico e o aquecimento global do planeta são a “bola da vez”. “Estados Unidos, que não assinou o protocolo de Kyoto, e China são os países que têm maior participação e interesse nas decisões”, enfatiza Isis.

Bonito discurso. Mas não é tão simples assim ser engajada. “Na escola, os colegas são desinteressados, a direção não é aberta ao diálogo e os professores têm dificuldade em aceitar que a gente aprende também um monte de coisas fora da sala de aula”, lamenta.

Assim fica difícil ter amigos, não?! “Meus verdadeiros amigos são os do ‘Cala-boca’. Trata-se de um projeto de amigos, que também nos faz aprender muito. E não rola competição. Eles estão envolvidos com essas questões da mesma forma. Há outros integrantes que se destacam, além de mim”, explica.

Presente do país

Por tudo isso, Ísis prefere ser alguém que não se destaca em classe: “Eles sabem o que eu faço porque preciso explicar as faltas e porque levo pessoas para dar palestras, mas, em geral, procuro ficar na minha”. A coisa muda de figura no curso de dança de salão, em que é monitora. Trata-se de uma paixão cultivada há seis anos e que, segundo ela, ainda ajuda a emagrecer.

A estudante também participou do Projeto Jovens da Floresta, da ONG Saúde e Alegria, que montou uma agência de notícias ambientais feita por jovens no evento Amazônia br, em São Paulo. (ver link abaixo)

Quando questionada sobre quem admira, a menina não titubeia: “Minha mãe. O jeito como ela trabalha, como lida com as coisas, como sabe ouvir e dar oportunidade às pessoas é admirável. Ela é muito aberta ao diálogo. Nós dividimos os mesmos ideais”, sorri.

Na pergunta oposta, a dúvida toma conta: “Para quem eu daria um zero!? Ai meu Deus!… Eu nunca pensei nisso… Tem as pessoas que eu não gosto… Que pergunta difícil. Já sei. Não ‘tiro o chapéu’ para quem não percebe que quando se utiliza os recursos naturais de forma egoísta e irresponsável, está contribuindo com o seu desaparecimento em cinco ou 10 anos. Não pensam nos filhos, nos netos, na sociedade como um todo; só em ter”, desabafa.

Se você chegou até aqui, preste atenção no recado da mocinha: “Legal você se interessar e ter vontade de mudar as coisas com as quais não concorda. Não se esqueça de que somos agentes transformadores da nossa sociedade; temos que fazer algo com a mentalidade de ‘presente do país’, e não o ‘futuro’. Se você tem imaginação, junte-se a um grupo de pessoas. A luta é difícil, mas estou aberta para quem quiser trocar uma idéia.”

Os sites indicados indicados neste texto foram visitados em 13/08/2002

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Meio ambiente em debate

Meio ambiente em debate

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Meio ambiente e trabalho
Tipo: Filme

No Brasil, a questão ambiental se relaciona estreitamente com o tema trabalho e organização dos trabalhadores.

O filme “Amazônia em Chamas”, de John Frankenheimer, trata do conflito instalado na região Amazônica, onde seringueiros lutam pela preservação de seu trabalho e do meio ambiente em confronto com os interesses econômicos de empresas multinacionais. O filme mostra ainda a trajetória da organização dos seringueiros, seu sindicato e a liderança de Chico Mendes.

Desse modo, é interessante trabalhar esse filme com alunos do Ensino Fundamental. Após a sessão, o professor destaca para os alunos o papel desempenhado pelos três “atores” principais: os seringueiros, os representantes da empresa multinacional e as autoridades do Estado/sociedade.

O professor, então, divide a classe em três grupos e propõe um júri-simulado, revezando o réu entre os três “atores”. Os grupos deverão produzir argumentos escritos para julgar os réus (acusação e defesa) em cada momento.

Ao final, o professor e os alunos organizam um painel com os argumentos de acusação e de defesa. Para dar continuidade, os alunos coletam notícias de jornal que se aproximam da discussão provocada pelo filme. Com esse material, organizam o mural “Meio ambiente em debate”.

Referência:
Amazônia em Chamas, de John Frankenheimer.
EUA, 1994, 128 minutos.
O filme retrata a vida do seringueiro Chico Mendes, assassinado em dezembro de 1988. Desde sua infância, Chico foi testemunha das brutalidades cometidas contra seringueiros e, ainda jovem, decidiu dedicar-se à luta em favor de justiça para o povo de sua região. Acreditando no diálogo e em soluções sem violência, transformou-se em uma figura de importância nacional, um herói local e um peso ainda maior para seus inimigos. Até que uma emboscada marcou o fim de sua vida.

Texto original: Regina Inês Villas-Boas Estima
Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
04/03/2002