Tropa de Elite

Disciplina: Matemática, Língua Portuguesa/Literatura, Geografia, História, Ciências
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Corrupção, drogas, violência, juventude
Tipo: Filme

A proposta a seguir é um desafio. Não no sentido de competição, evidentemente, mas de incitamento e provocação. O objetivo é estimular o professor a exercitar uma prática, infelizmente, nada comum nas escolas: a pesquisa de opinião. É também uma provocação, na medida em que se tira das mãos do professor o controle sobre o processo e o resultado da pesquisa, que é repassado aos alunos e às alunas. Ou seja, embora sua presença seja absolutamente fundamental em cada um dos momentos da pesquisa, não é o professor, sozinho, quem deve decidir os rumos que ela vai tomar.

Clique aqui e saiba por que trabalhar o filme

O que se espera desse trabalho pedagógico é que você, professor, não seja um “transmissor de conteúdos”, mas sim um mediador das relações que se estabelecerão a partir da atividade a ser realizada. Por quê? Por uma razão muito simples: a dimensão do tema proposto. Embora as ciências biológicas e jurídicas, por exemplo, há muito tempo tenham se posicionado em relação ao uso das drogas e, portanto, tenham muito a dizer a esse respeito, os negócios com produtos ilícitos aumentaram de tal forma –  uma vez que muitos jovens entraram no jogo – que se esperam outras abordagens sobre o assunto.

Quer dizer: se tem oferta crescente é porque há procura crescente. Seja por mera curiosidade, seja por necessidade de se sentir respeitado pelos amigos, seja por dependência química de tais produtos, o fato é que o tema das drogas não pode ser ignorado. Ao contrário, precisa ser encarado pela escola como um todo e, particularmente, por você, que todos os dias tem, bem à sua frente, adolescentes e jovens atentos não somente em saber o que você pensa sobre as coisas em geral, mas, sobretudo, como se comporta perante aquelas que, como as drogas, atingem tantas pessoas.

Sendo assim, ao que parece, restam duas opções. Ou o professor se apresenta com um discurso elaborado à base do pode-não-pode, do certo ou errado, do deve ou não deve, e, decididamente, contribui para que a conversa se encerre aí, mantendo uma perspectiva puramente moralizante; ou é suficientemente corajoso para levar para a sala um tema que, por envolver a todos, se constitui num problema social. Neste caso, certamente, você estará colaborando para que os alunos possam manifestar o que sentem e pensam sobre o assunto e, com base nisso e no que você tem a dizer, decidam o que querem para si mesmos e para os outros.

Propomos, então, que você, convencido pelas razões que justificam a segunda opção, adote os seguintes procedimentos, que duram cerca de um mês ou oito horas-aula:

1. Assista ao filme junto com seus alunos.

2. Em sala de aula, peça que cada um dos grupos discuta um aspecto abordado pelo filme. Exemplos:

  • drama vivido pelo Capitão Nascimento: estressado pela guerra diária do BOPE e profundamente humano com a morte de um garoto do morro e com o nascimento do filho;
  • características pessoais de Neto e Matias, candidatos à substituição de Nascimento no comando da Tropa de Elite;
  • significado do lema da Tropa: “faca na caveira e nada na carteira”.

3. Na aula seguinte, prepare a turma para uma pesquisa de opinião. Esta é, seguramente, uma das formas mais interessantes dos nossos alunos produzirem conhecimentos. Com base no levantamento e na discussão dos aspectos do filme, proponha a escolha de um deles para ser o objeto da pesquisa. Após a definição do tema, é preciso seguir alguns passos:

  • cada aluno ou cada grupo de alunos deve elaborar 5 perguntas e 3 alternativas de respostas sobre o tema;
  • oriente-os para que as questões sejam extremamente objetivas, isto é, tanto perguntas quanto respostas não podem dar margens a interpretações diferentes do que o pesquisador quer saber. Em geral, eles participam ativamente desse momento, buscando as palavras mais adequadas que deverão constar do questionário; exemplo:

Você é a favor da descriminalização da droga?
a) Sim
b) Não
c) Não sei

  • promova um debate para que cada um ou cada grupo possa apresentar as questões elaboradas, justificando-as e submetendo-as à apreciação dos colegas; se for o caso, encaminhe um processo de votação para escolher as 5 questões mais bem formuladas para serem posteriormente aplicadas;
  • decida com a turma o universo da pesquisa, isto é, quantas pessoas serão convidadas a responder as perguntas elaboradas pelos alunos; convém lembrá-los que nem sempre a pessoa abordada está disposta, tem interesse ou aceita ser entrevistada – atitude que deve ser inteiramente respeitada pelo entrevistador;
  • prepare com eles o cabeçalho da folha de pesquisa; a ficha deve conter somente:

Título (Pesquisa sobre….)
Local e data de sua realização
Idade e sexo do entrevistado ou entrevistada
Nome do pesquisador
Cinco perguntas com as respectivas alternativas;

  • solicite que um deles digite a folha de pesquisa e combine com a turma a distribuição das cópias da ficha padrão para cada aluno;
  • oriente-os para que sejam respeitosos e corteses com os entrevistados.

4. Não é preciso mais do que uma semana para que os alunos dêem conta dessa tarefa que, acreditem, será muito prazerosa para eles e para você também.

Diga a eles que, após terem feito individualmente as pesquisas, devem também tabular os dados. Para tanto é necessário, primeiro, que anotem o número total de entrevistados. Depois, para cada uma das 5 perguntas

  • quantos responderam alternativa A
  • quantos responderam alternativa B
  • quantos responderam alternativa C

Com esses dados, e aplicando a regrinha de três, é possível transformar em gráfico os resultados da pesquisa.

Tanto a coleta quanto a tabulação dos dados são atividades que podem ser (aliás, convém que sejam) realizadas fora do horário das aulas. Para a tabulação dos dados e apresentação em gráfico da pesquisa, oriente-os para que, caso seja necessário, busquem apoio de outros professores, de familiares e de amigos.

5. No seu próximo encontro com a turma, sugira que formem grupos de 5 alunos e, a partir dos gráficos elaborados individualmente, seja feito um outro, agora do grupo, para ser apresentado a todos os colegas. Após as apresentações, é sua vez de, junto com eles, preparar o resultado final da pesquisa.

6. Serão necessários ainda, pelo menos, dois encontros para finalizar essa proposta de produção de conhecimentos. Primeiro, para discutir o processo da pesquisa, é muito importante que você dê espaço para que os alunos contem como tudo aconteceu, o que sentiram e pensaram ao prepararem e realizarem a pesquisa, as abordagens e reações dos entrevistados, as dificuldades encontradas, as situações engraçadas que vivenciaram etc.

Depois, com o resultado final da pesquisa devidamente tabulado, é hora de provocá-los para que, individualmente e em grupos, tentem interpretar as respostas. Peça a eles que produzam pequenos textos opinativos sobre o tema da pesquisa, comparando e citando os percentuais obtidos.

Depois dessa empreitada, que sem dúvida alguma será muito gratificante para você, é  importante que você se esforce em tornar públicos os resultados da pesquisa. Importantíssimo para os seus alunos, que terão o trabalho reconhecido e; claro, para você, que ousou coordenar uma atividade cujos resultados são socialmente tão significativos.

Que o maior número de pessoas tenha acesso a essa verdadeira produção de conhecimentos não somente é desejável, mas fundamental para que a sociedade tenha uma oportunidade real de saber mais sobre si mesma. Veja algumas sugestões.

Referência

Tropa de Elite, de José Padilha. Brasil, 2007, 118 minutos

Conta o dia-a-dia de policiais do BOPE – (Batalhão de Operações Policiais Especiais). Querendo deixar a corporação, o capitão do batalhão tenta encontrar um substituto para seu posto. Ao mesmo tempo, dois amigos de infância se tornam policiais e se destacam pelo modo honesto e honrado de realizar suas funções, não se conformando com a corrupção na qual estão envolvidos tanto os seus iguais quanto os seus superiores. A classificação do filme é 16 anos.

Assista a trechos do filme

Texto Original: Donizete Soares

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Como trabalhar com teatro

Disciplina: Arte – Educação Artística, Língua Portuguesa/Literatura
Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto:
Tipo: Metodologias

Essa atividade está sendo proposta para os professores que desejam trabalhar com o gênero literário teatro, especialmente com os livros da coleção “Literatura em Minha Casa”, do Programa Nacional Biblioteca da Escola, distribuídos pelo Ministério da Educação.

Esse acervo, destinado a alunos de 4a e 5a séries do Ensino Fundamental de todo o Brasil, compõe-se de cinco conjuntos de livros (cada um em um gênero literário — novela, conto, poesia, teatro, clássico), sendo que cada um deles reúne seis títulos.

A oportunidade de trabalhar com peças teatrais, além de aguçar a criatividade, o interesse e o espírito crítico dos alunos, pode trazer bons resultados com relação à leitura, à expressão oral, à integração da classe e apreensão dos conteúdos veiculados nos textos.

As peças que compõem a coleção já foram encenadas muitas vezes, mas temos certeza que sua leitura e posterior montagem na escola, pelos alunos, mostrarão facetas ainda despercebidas desses textos.

Para um bom trabalho, é necessário introduzir as noções do que é teatro, como se monta uma peça, o papel do diretor, dos atores, do cenário, do figurino, da sonoplastia.

Para facilitar o entendimento sobre teatro, consulte e apresente, quando necessário, o Pequeno Glossário do Teatro.

Ator/atriz: aquele(a) que representa uma personagem.
Cenário: conjunto de materiais e efeitos de luz, som, formas, que servem para criar um ambiente propício para a peça teatral.
Cenógrafo(a): aquele(a) que cria o cenário.
Coreógrafo(a): aquele(a) que cria a seqüência de movimentos, passos e gestos das personagens.
Diretor(a): responsável artístico pela peça teatral, é aquele(a) que integra e orienta os diversos profissionais. (…)
Dramaturgo: escritor que compõe peças teatrais. Figurinista: responsável pelas roupas e acessórios utilizados na peça teatral.
Iluminador(a): aquele(a) que concebe e planeja a colocação das luzes em uma peça teatral.
Maquiador(a): responsável pela pintura do rosto ou do corpo dos atores e atrizes.
Mímica ou pantomima: peça em que o(a) ator(atriz) se manifesta por gestos, expressões corporais ou do rosto, sem utilizar a palavra.
Peça: texto e/ou representação teatral.
Personagem: o papel representado pelo ator ou pela atriz.
Platéia: espaço destinado aos espectadores.
Rotunda: pano de fundo, de flanela, feltro etc.
Saltimbanco: artista popular que se exibe em circos, feiras, ruas, percorrendo diversas cidades.
Sonoplasta: aquele(a) que compõe e faz funcionar os ruídos e sons de um espetáculo teatral.
Teatro: palco onde se representam peças; coleção das obras dramáticas de um(a) autor(a), de uma época ou de um país.
Teatro de bonecos: aquele em que se fazem representar marionetes ou fantoches.
Titeriteiro: aquele que movimenta o fantoche ou a marionete.
Trupe: grupo de artistas.”

O autor da peça nos indica o roteiro. Esse roteiro proporcionará uma base a ser interpretada, bem como os personagens que são apresentados.

Ao estudar a peça e preparar sua apresentação, cada um dos envolvidos vai realizando sua recriação. Por exemplo, como será determinada fala: alegre, triste, melancólica, serena, raivosa; e o cenário será figurativo?

É necessário que o texto teatral seja lido dramatizado. Esclareça o que isto significa e faça um exercício com a classe toda, com a leitura dramatizada de um trecho de um dos livros escolhido aleatoriamente.

Diga a seus alunos que leiam em casa a peça que eles receberam com a coleção do PNBE ou outro texto teatral que você selecionou, e marque um dia para realizar a atividade.

Reúna os alunos em pequenos grupos e proponha que pesquisem e discutam o texto: quem é o autor, em que época foi escrito, quando foi editado e por quem, quem são os personagens principais, que problemas enfrentam, como se desenvolve o enredo, que temas abordam, entre outras questões.

Combine com os grupos leitura em voz alta com bastante entonação de alguns trechos dos textos escolhidos. Outra possibilidade é organizar com os alunos um festival de teatro na escola. Durante uma semana, ou quinze dias, dependendo de combinar com professores de outras áreas esse trabalho conjunto, da disponibilidade de tempo e local, todos encenarão a peça para os seus familiares, amigos e colegas de outras classes.

Essa montagem tem de ser “profissional”, com direção, atores, cenário, sonoplastia, figurino, entradas, confirmação de presença etc. Afinal, os alunos vão virar “artistas” no festival. Uma possibilidade de encaminhar esse trabalho pode ser:

Cada grupo, sob sua supervisão, fará a leitura dramática de um texto. No caso do conjunto Literatura em minha casa – “O fantástico mistério de Feiurinha”, “Eu chovo, tu choves, ele chove…”, “Hoje tem espetáculo: No país dos prequetés”, “O macaco malandro”, “Pluft, o fantasminha” e “Bazar do Folclore” (escolher um conto popular desse livro e os alunos transformam-no em peça).

Em seguida, deverão decidir quem fará o quê na peça. Ressalte que não só os atores são importantes, pois a montagem é um processo coletivo e o sucesso depende da equipe.

Dê início aos ensaios. Fique atento para que essa atividade seja realmente levada a sério. Marque a data das apresentações.

Cada grupo deverá fazer os convites para a peça, ilustrando-os com motivos ligados ao tema da encenação. Para tal, oriente-os sobre as informações que deverão constar no convite. Também deverão confeccionar cartazes para serem espalhados na escola, criando um clima de pré-estréia, envolvendo todo mundo.

Marque um último ensaio para cada grupo. Este ensaio deve ser feito com a presença de público (outra classe, por exemplo), que poderá opinar sobre aspectos que podem ser melhorados. Finalmente, é importante fazer um ensaio geral, o último antes da estréia. Depois das apresentações, como conclusão e parte da avaliação, pode-se propor que cada aluno faça uma crítica da peça, dizendo o que achou, se gostou, quais os pontos fortes e fracos.

Se você julgar necessário, apresente um esquema com os itens que eles devem tratar e leia com eles alguns recortes de jornal ou revistas com críticas que possam ser utilizadas como referência. Bom trabalho.

Sugestão de leitura:
VASCONCELOS, Luiz Paulo. Dicionário de Teatro.

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

El ramo azul

El ramo azul

Disciplina:

Língua Espanhola

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Interpretação de texto, acentuação
Tipo: Texto

Em Língua Espanhola, geralmente os alunos apresentam certa dificuldade no estudo das regras de acentuação. O aprendizado dessas regras se torna mais fácil quando eles percebem que a ausência ou presença do acento serve somente para determinar a sílaba tônica da palavra, diferentemente do que ocorre com a Língua Portuguesa.

O contraste entre o uso do acento em espanhol e português pode ser um facilitador, porém o objetivo, nesse caso, é a acentuação na Língua Espanhola.

Pode-se comparar o uso do acento nos dois idiomas a partir de uma explicação rápida sobre as diferenças de utilização e de exemplos básicos: na Língua Portuguesa, além de marcar a sílaba tônica, o acento também serve para indicar se as vogais “e” ou “o” são abertas ou fechadas (avô, avó). Na Língua Espanhola, não existe “e” ou “o” abertos, não sendo necessário, portanto, o acento circunflexo.

Essa diferenciação serve para estimular uma reflexão sobre as regras de acentuação e para auxiliar os alunos em seu uso, permitindo a eles entender o porquê de sua existência, ao invés de somente memorizá-las.

Para revisar as regras de acentuação nas classes de nível intermediário, pode-se realizar uma atividade a partir do texto “El Ramo Azul“, de Octavio Paz.

Etapas:

1. A atividade inicia-se com um exercício de acentuação do texto. O professor entrega aos alunos a versão do conto sem nenhum acento e pede a eles que, em pares ou individualmente, o leiam e acentuem. Em seguida faz a correção da acentuação, aproveitando para revisar as regras.

2. Feita a correção, pede-se aos alunos que releiam o texto e expressem livremente suas impressões, opiniões e interpretação inicial. Em seguida, o professor aprofunda a discussão mediante um roteiro de leitura que contemple os aspectos lingüísticos e interpretativos do texto, que deve ser distribuído aos alunos após a discussão inicial.

Roteiro de leitura:

1. Aspectos lingüísticos

  • ¿Cómo se tratan los personajes del texto — de manera formal o informal? ¿Por qué?
  • ¿En qué tiempo verbal está narrado este cuento? Ejemplifique.
  • Ahora que usted ya ha identificado en que tiempo verbal está narrado el cuento, encuentre, en este mismo tiempo verbal, algún verbo que sea irregular (acuérdese que la irregularidad, si existe, ocurre en la raíz del verbo).2. Compreensão e interpretação do texto
  • ¿Qué tiene que ver el título con el cuento?
  • Lea con atención: “(…) Me sentía libre, seguro entre los labios que en este momento me pronunciaban con tanta felicidad. La noche era un jardín de ojos (…)”. ¿Qué te parece esto de ‘labios que lo pronuncian, sentirse seguro y libre…’? Relea también las líneas anteriores para que le ayude. ¿Qué significa “La noche era un jardín de ojos”? Además, qué significado tienen los ojos (que se relacionan con el acto de ‘mirar las cosas’) y cuál su importancia en el texto, según su interpretación? ¿Por qué el color azul?3. Em seguida, os alunos podem ler o poema “Hermandad“, do mesmo autor, e discutir as possíveis relações entre os dois textos.4. Em casa, os alunos devem fazer uma redação individual, na qual coloquem a sua interpretação do texto, enriquecida pela reflexão e pelo debate realizados em classe: Redacte sus impresiones del texto, cómo lo interpreta, si le gusta o no le gusta, que le parece… ¡pero escríbalo con ganas de escribirlo!Além dos aspectos trabalhados, o professor pode também aproveitar o conto “El ramo azul” para abordar outros três tópicos — a forma de tratamento utilizada no texto, o vocabulário utilizado por Octavio Paz e o pretérito indefinido.

    Se quiser complementar a atividade, o professor pede aos alunos que leiam o trecho inicial de “Los Sueños”, de Sigmund Freud, também completando a acentuação (clique para obter “Los Sueños” acentuado ou “Los Sueños” sem acento ). Feita a correção, pode-se propor ainda uma discussão sobre sonhos, crença, descrença, superstições etc.

    Referências:
    FREUD, Sigmund. Los Sueños. Madrid: Alianza Cien, 1995.
    GONZÁLEZ HERMOSO, A. et alli. Gramática de español lengua extranjera. Madrid: Edelsa, 1997.
    MATTE BON, Francisco. Gramática comunicativa del español: de la lengua a la idea. Madrid: Edelsa, 1999. Tomo I.
    PAZ, Octavio. “El ramo azul”. In: Arenas movedizas: la hija de Rappaccini. Madrid: Alianza Cien, 1994.

    Octavio Paz (1914-1998)
    Escritor mexicano, é um dos grandes poetas de língua espanhola. Além de poemas, escreveu ensaios e realizou traduções. Foi professor, conferencista, diplomata e jornalista. Promoveu a cultura do México por meio de intensa atividade: fundou revistas e grupos artísticos. Recebeu vários prêmios literários, entre os quais destaca-se o Prêmio Nobel de Literatura (1990).

    Texto original: Luiza Martins da Silva e Tatiana Francini Girão Barroso
    Edição: Equipe EducaRede

    Os sites indicados neste texto foram visitados em 23/05/2002

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Orientação para produção de textos I (5a a 8a série)

Orientação para produção de textos I
(5a a 8a série)

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Produção de textos
Tipo: Metodologias

Ao propor atividades de produção de textos – orais ou escritos – é fundamental o professor apresentar todas as características do contexto de produção:

  • quem são os leitores do texto;
  • qual a finalidade do texto;
  • onde vai circular – na escola, nas mídias impressa, eletrônica, radiofônica ou televisiva, em outros meios sociais como clubes, igreja etc.;
  • em que portador será tornado público – livro, revista, panfleto, sites e páginas da Internet, jornal, almanaque;
  • em que gênero será organizado – conto de ficção científica, conto popular, conto maravilhoso, conto literário, crônica, notícia, artigo de opinião, reportagem, anúncio, propaganda, tese, verbete, monografia, carta comercial, carta pessoal, bilhete, romance etc.;
  • de que posição social o autor do texto falará – como aluno, representante de classe ou do colégio, sindicalista, filho, irmão, adolescente, leitor de um determinado jornal ou revista.Os alunos precisam saber que o texto terá maiores possibilidades de atingir sua finalidade se estiver adequado aos elementos do contexto de produção. Isto é, se o produtor adequar a linguagem e o tipo de informação que considerar relevantes e necessárias para a compreensão do assunto às possibilidades de compreensão que seu interlocutor possui, às características do gênero, do portador e do meio onde o texto circulará.Mesmo que o assunto seja idêntico, não se escreve do mesmo modo para uma criança de 10 anos, para leitores de uma revista de rock, ou para o público que freqüenta a igreja de uma determinada religião, por exemplo.Da mesma forma, escrever para uma revista não é a mesma coisa que escrever para um jornal – ainda que a seção seja equivalente –, ou para um panfleto ou folder, ou ainda para um livro ou almanaque.

    E, finalmente, é muito diferente falar sobre um determinado assunto quando se está na posição de filho, pai, professor, aluno, colega, especialista ou estudioso de um determinado assunto.

    Assim, saber escrever bem é, fundamentalmente, saber adequar o texto às características do contexto de produção.

    Então, quando o professor pedir para seu aluno produzir um determinado texto (oral ou escrito), é preciso contextualizar melhor o pedido e não simplesmente indicar um tema, como comumente se faz. Por exemplo, ao invés de dizer – “Escreva um texto sobre os avanços da ciência no que se refere à clonagem” –, é preciso apresentar todos os elementos do contexto de produção:

    “Escreva, como jornalista da área de ciências (posição social), uma reportagem (gênero), para a revista Ciência Hoje (portador e esfera de circulação), sobre os avanços da ciência, no que se refere à clonagem (assunto).

    Texto original: Kátia Lomba Bräkling
    Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Educarede)

Antes del fin, de Ernesto Sábato

Antes del fin, de Ernesto Sábato

Disciplina:

Língua Espanhola

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Interpretação de texto, uso de tempos verbais (passado, presente e futuro), autobiografia.
Tipo: Texto

Antes del fin é, assumidamente, uma obra de despedida do escritor argentino Ernesto Sábato. Nela, o autor reflete sobre sua vida, suas crenças e decepções em relação às transformações ocorridas no século XX.

Ernesto Sábato nasceu em Rojas, uma província de Buenos Aires, em 1911. Fez doutorado em Física e cursos de filosofia na Universidad de la Plata. Trabalhou no Laboratório Curie, na França, e abandonou definitivamente a Ciência em 1945 para dedicar-se, principalmente, à literatura.

Em relação a esta proposta de trabalho, primeiramente convide os alunos a conhecerem o autor e o livro a partir de um trecho inicial – o poema que abre o primeiro capítulo e uma pequena introdução, posterior ao poema – para, com isso, instigá-los à leitura e ao conhecimento. Em seguida, já que podemos considerar o livro como uma autobiografia do autor, motive os alunos a escreverem sua própria biografia tomando como exemplo esse trecho inicial, utilizando os tempos do passado, do presente e do futuro, refletindo sobre suas angústias, idéias, desejos e sobre as possibilidades de realização.

Etapas de trabalho:

  1. Entregue uma cópia do texto aos alunos para que eles façam uma leitura silenciosa. A seguir, faça uma leitura em voz alta com a participação de todos os alunos.
  2. Após a leitura, proponha um debate sobre os aspectos importantes do texto. Clique aqui para ver algumas sugestões.
  3. Solicite aos alunos que elaborem, em casa, uma autobiografia tendo por base o texto lido, tratando dos mesmos temas – ou outros – e pedindo-lhes que reflitam sobre sua própria história e existência (passado, presente e especulações sobre seu futuro).

Biblografia:
SÁBATO, Ernesto. Antes del fin. Barcelona: Seix Barral, 1999.

Texto original: Luiza Martins da Silva e Tatiana Francini Girão Barroso
Edição: Equipe EducaRede

Os sites indicados neste texto foram visitados em 24/10/2003

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Analisando estratégias de dizer

Analisando estratégias de dizer

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Estratégias e recursos expressivos e os efeitos de sentido produzidos.
Tipo: Metodologias

A atividade apresentada a seguir tem por objetivo discutir com os alunos estratégias e recursos expressivos utilizados pelo autor no processo de construção do texto e os efeitos de sentido decorrentes de sua utilização.

Para tornar isso mais claro na prática, leia este texto e, depois, responda às questões apresentadas.

  1. O texto que você leu discute uma questão bastante interessante da Língua Portuguesa. Qual é ela?
  2. Qual é a posição do autor sobre a questão fundamental que aborda? Justifique sua resposta.
  3. O autor do texto, ao escrevê-lo, utilizou uma estratégia curiosa para convencer o leitor da opinião que possui sobre a escrita em Português. Qual foi? Explique.
  4. Você considera que esta estratégia foi adequada para que o texto pudesse convencer o leitor? Justifique sua resposta.
  5. Considerando a identidade do produtor do texto, que relação você vê entre a estratégia utilizada no texto e sua atividade profissional? Justifique.

Após os alunos terem respondido individualmente às questões apresentadas é interessante que o professor crie um clima propício à discussão a respeito das respostas formuladas pelos estudantes. Esse procedimento poderá ser bastante rico para o aprendizado porque pode levar o aluno à argumentação.

Texto Original: Kátia Lomba Bräkling

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Afinal, o que vem a ser “ambiente alfabetizador”?

Afinal, o que vem a ser “ambiente alfabetizador”?

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Organização da prática de alfabetização
Tipo: Metodologias

Houve um tempo em que se afirmava que, para a aprendizagem da leitura e da escrita, era fundamental um “ambiente alfabetizador” efetivo. Por isso, compreendia-se que as paredes das salas de aula deveriam estar repletas de cartazes com textos e palavras escritas, que nos objetos da sala deveriam ser anexadas grandes etiquetas de identificação.

Inicialmente, os escritos expostos nas paredes costumavam ser famílias silábicas diferenciadas, cartazes de dupla entrada com vogais e consoantes que se combinavam e formavam as sílabas, palavras-chave das lições da cartilha.

Posteriormente, a eles foram acrescentados rótulos, letras de cantigas populares conhecidas dos alunos, crachás com os nomes dos alunos, listas dos alunos presentes.

Afirmava-se que a “leitura incidental” dos escritos fixados nas paredes faria com que os alunos, pela exposição constante, aprendessem a ler e a escrever.

Se isso fosse verdade, nas grandes metrópoles não haveria analfabetos, dada a quantidade de textos verbais impressos aos quais os sujeitos estão expostos diariamente.

Qual seria, então, o equívoco dessa concepção?

A questão fundamental está centrada no seguinte fato: não é a simples exposição ao escrito que faz com que se compreenda o sistema de escrita, mas a participação em práticas de leitura e escrita, nas quais se pode observar um leitor e escritor proficiente lendo e escrevendo, a quem se pode perguntar sobre as práticas de linguagem, e que pode informar sobre a escrita e o escrito.

Assim, um ambiente alfabetizador não pode ser compreendido apenas como um lugar com muitos escritos expostos, mas um lugar onde se pratica a leitura e a escrita, onde se podem fazer perguntas a respeito do funcionamento, da organização, das funções e tudo mais que as crianças queiram saber sobre esse sistema.

O educador, por meio de propostas pedagógicas, ajuda seus alunos a encontrarem respostas para suas dúvidas, a praticar e a pensar sobre a escrita. A exposição só faz sentido se puder informar sobre a escrita e seus usos sociais efetivos.

Um ambiente alfabetizador, nessa perspectiva, não é simplesmente um lugar onde se expõem cartazes com textos, famílias de sílabas, mas onde os alunos participam das práticas de linguagem: lêem livros de contos de fadas, jornal, textos científicos ou referenciais; escrevem regras de jogos, cartas para alguém, registram suas atividades.

Texto original: Kátia Lomba Bräkling
Edição: Equipe EducaRede

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Curta-metragem “Negócio fechado”

Curta-metragem “Negócio fechado”

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto:
Tipo: Metodologias

Dois compadres se encontram para um negócio de compra e venda de gado. O interessado em comprar enche de defeitos os animais. O que está vendendo, naturalmente, só tem elogios. Mas além da qualidade do produto eles precisam também acertar o preço…

link para o curta: http://portacurtas.org.br/filme/?name=negocio_fechado3350

Clique aqui e veja a proposta de trabalho

Texto Original: Projeto Porta-Curtas

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Criando manchetes de jornal

Criando manchetes de jornal

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Estrutura de texto jornalístico – manchete
Tipo: Texto

Nas aulas de análise da estrutura do texto jornalístico, depois de trabalhar com alguns jornais e explorar os sentidos das manchetes, o professor pode propor uma situação engraçada que favoreça a compreensão do sentido da manchete e de sua relação com o texto.

Para começar, proponha a atividade de escrita em grupo. Divida a turma em grupos de quatro alunos. Em uma folha, cada aluno escreve o nome do personagem da notícia, evitando que seus companheiros leiam. Para isso, solicite que dobrem o espaço escrito da folha. Em seguida, devem passá-la ao colega do lado.

Peça-lhes que, adotando a mesma estratégia, escrevam:

  • um verbo para indicar o acontecimento;
  • o local em que o acontecimento se desenvolveu;
  • o momento do fato.Ao terminar a rodada, cada grupo terá quatro manchetes que serão lidas e uma eleita para socializar para classe. Um exemplo:
    DONA DE CASA RONCA NO CONSULTÓRIO DO DENTISTA À MEIA-NOITE

    Essa dinâmica divertida dinamiza a aula, motiva os alunos e favorece a percepção de que a manchete é importante para despertar o interesse e a curiosidade do leitor. Finalmente, o grupo deverá criar um texto que explique o acontecimento da manchete escolhida.

    Texto original: Vera Lúcia Moreira
    Edição: Equipe EducaRede

     

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Cordelando

Cordelando

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Leitura e produção de textos
Tipo: Metodologias

Objetivos

Possibilitar que os amantes do gênero cordel possam trocar, declamar, comentar; ler e ouvir textos dos repentistas; produzir folhetos de cordel.

Execução

  • Exponha, num varal, vários folhetos de cordel, e convide os participantes para manusear o material. Se houver, na comunidade, algum repentista, convide-o para uma conversa com o grupo.
  • Peça aos participantes que escolham um folheto e promova a leitura coletiva do mesmo: alguém será o narrador e outros assumirão o lugar dos personagens.
  • Organize uma discussão sobre a história lida. Que valores são defendidos? O que é criticado? Por quê?
  • Proponha aos participantes que se dividam em grupos e criem uma história sobre um tema que esteja provocando debate no momento. Lembre as pessoas que, segundo a tradição, o assunto escolhido deve se encaixar numa das formas de cordel: Conselhos, Profecias, Gracejo, Acontecidos, Carestia, Exemplos, Fenômenos, Pelejas, Bravuras e Valentia, Safadeza, Política, Propaganda.
  • Depois, com a ajuda dos que têm mais facilidade para construir versos e rimas ao estilo de cordel, os grupos transformarão suas histórias em folhetos.
  • Se houver quem saiba fazer xilogravura, proponha que os folhetos sejam ilustrados utilizando essa técnica, como nos cordéis tradicionais.
  • Organize com o grupo uma festa para apresentação e leitura dos folhetos, com participação da comunidade.

Fonte:
A Arte é de Todos: Artes da Palavra, publicação elaborada pelo CENPEC.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)