Tropa de Elite

Disciplina: Matemática, Língua Portuguesa/Literatura, Geografia, História, Ciências
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Corrupção, drogas, violência, juventude
Tipo: Filme

A proposta a seguir é um desafio. Não no sentido de competição, evidentemente, mas de incitamento e provocação. O objetivo é estimular o professor a exercitar uma prática, infelizmente, nada comum nas escolas: a pesquisa de opinião. É também uma provocação, na medida em que se tira das mãos do professor o controle sobre o processo e o resultado da pesquisa, que é repassado aos alunos e às alunas. Ou seja, embora sua presença seja absolutamente fundamental em cada um dos momentos da pesquisa, não é o professor, sozinho, quem deve decidir os rumos que ela vai tomar.

Clique aqui e saiba por que trabalhar o filme

O que se espera desse trabalho pedagógico é que você, professor, não seja um “transmissor de conteúdos”, mas sim um mediador das relações que se estabelecerão a partir da atividade a ser realizada. Por quê? Por uma razão muito simples: a dimensão do tema proposto. Embora as ciências biológicas e jurídicas, por exemplo, há muito tempo tenham se posicionado em relação ao uso das drogas e, portanto, tenham muito a dizer a esse respeito, os negócios com produtos ilícitos aumentaram de tal forma –  uma vez que muitos jovens entraram no jogo – que se esperam outras abordagens sobre o assunto.

Quer dizer: se tem oferta crescente é porque há procura crescente. Seja por mera curiosidade, seja por necessidade de se sentir respeitado pelos amigos, seja por dependência química de tais produtos, o fato é que o tema das drogas não pode ser ignorado. Ao contrário, precisa ser encarado pela escola como um todo e, particularmente, por você, que todos os dias tem, bem à sua frente, adolescentes e jovens atentos não somente em saber o que você pensa sobre as coisas em geral, mas, sobretudo, como se comporta perante aquelas que, como as drogas, atingem tantas pessoas.

Sendo assim, ao que parece, restam duas opções. Ou o professor se apresenta com um discurso elaborado à base do pode-não-pode, do certo ou errado, do deve ou não deve, e, decididamente, contribui para que a conversa se encerre aí, mantendo uma perspectiva puramente moralizante; ou é suficientemente corajoso para levar para a sala um tema que, por envolver a todos, se constitui num problema social. Neste caso, certamente, você estará colaborando para que os alunos possam manifestar o que sentem e pensam sobre o assunto e, com base nisso e no que você tem a dizer, decidam o que querem para si mesmos e para os outros.

Propomos, então, que você, convencido pelas razões que justificam a segunda opção, adote os seguintes procedimentos, que duram cerca de um mês ou oito horas-aula:

1. Assista ao filme junto com seus alunos.

2. Em sala de aula, peça que cada um dos grupos discuta um aspecto abordado pelo filme. Exemplos:

  • drama vivido pelo Capitão Nascimento: estressado pela guerra diária do BOPE e profundamente humano com a morte de um garoto do morro e com o nascimento do filho;
  • características pessoais de Neto e Matias, candidatos à substituição de Nascimento no comando da Tropa de Elite;
  • significado do lema da Tropa: “faca na caveira e nada na carteira”.

3. Na aula seguinte, prepare a turma para uma pesquisa de opinião. Esta é, seguramente, uma das formas mais interessantes dos nossos alunos produzirem conhecimentos. Com base no levantamento e na discussão dos aspectos do filme, proponha a escolha de um deles para ser o objeto da pesquisa. Após a definição do tema, é preciso seguir alguns passos:

  • cada aluno ou cada grupo de alunos deve elaborar 5 perguntas e 3 alternativas de respostas sobre o tema;
  • oriente-os para que as questões sejam extremamente objetivas, isto é, tanto perguntas quanto respostas não podem dar margens a interpretações diferentes do que o pesquisador quer saber. Em geral, eles participam ativamente desse momento, buscando as palavras mais adequadas que deverão constar do questionário; exemplo:

Você é a favor da descriminalização da droga?
a) Sim
b) Não
c) Não sei

  • promova um debate para que cada um ou cada grupo possa apresentar as questões elaboradas, justificando-as e submetendo-as à apreciação dos colegas; se for o caso, encaminhe um processo de votação para escolher as 5 questões mais bem formuladas para serem posteriormente aplicadas;
  • decida com a turma o universo da pesquisa, isto é, quantas pessoas serão convidadas a responder as perguntas elaboradas pelos alunos; convém lembrá-los que nem sempre a pessoa abordada está disposta, tem interesse ou aceita ser entrevistada – atitude que deve ser inteiramente respeitada pelo entrevistador;
  • prepare com eles o cabeçalho da folha de pesquisa; a ficha deve conter somente:

Título (Pesquisa sobre….)
Local e data de sua realização
Idade e sexo do entrevistado ou entrevistada
Nome do pesquisador
Cinco perguntas com as respectivas alternativas;

  • solicite que um deles digite a folha de pesquisa e combine com a turma a distribuição das cópias da ficha padrão para cada aluno;
  • oriente-os para que sejam respeitosos e corteses com os entrevistados.

4. Não é preciso mais do que uma semana para que os alunos dêem conta dessa tarefa que, acreditem, será muito prazerosa para eles e para você também.

Diga a eles que, após terem feito individualmente as pesquisas, devem também tabular os dados. Para tanto é necessário, primeiro, que anotem o número total de entrevistados. Depois, para cada uma das 5 perguntas

  • quantos responderam alternativa A
  • quantos responderam alternativa B
  • quantos responderam alternativa C

Com esses dados, e aplicando a regrinha de três, é possível transformar em gráfico os resultados da pesquisa.

Tanto a coleta quanto a tabulação dos dados são atividades que podem ser (aliás, convém que sejam) realizadas fora do horário das aulas. Para a tabulação dos dados e apresentação em gráfico da pesquisa, oriente-os para que, caso seja necessário, busquem apoio de outros professores, de familiares e de amigos.

5. No seu próximo encontro com a turma, sugira que formem grupos de 5 alunos e, a partir dos gráficos elaborados individualmente, seja feito um outro, agora do grupo, para ser apresentado a todos os colegas. Após as apresentações, é sua vez de, junto com eles, preparar o resultado final da pesquisa.

6. Serão necessários ainda, pelo menos, dois encontros para finalizar essa proposta de produção de conhecimentos. Primeiro, para discutir o processo da pesquisa, é muito importante que você dê espaço para que os alunos contem como tudo aconteceu, o que sentiram e pensaram ao prepararem e realizarem a pesquisa, as abordagens e reações dos entrevistados, as dificuldades encontradas, as situações engraçadas que vivenciaram etc.

Depois, com o resultado final da pesquisa devidamente tabulado, é hora de provocá-los para que, individualmente e em grupos, tentem interpretar as respostas. Peça a eles que produzam pequenos textos opinativos sobre o tema da pesquisa, comparando e citando os percentuais obtidos.

Depois dessa empreitada, que sem dúvida alguma será muito gratificante para você, é  importante que você se esforce em tornar públicos os resultados da pesquisa. Importantíssimo para os seus alunos, que terão o trabalho reconhecido e; claro, para você, que ousou coordenar uma atividade cujos resultados são socialmente tão significativos.

Que o maior número de pessoas tenha acesso a essa verdadeira produção de conhecimentos não somente é desejável, mas fundamental para que a sociedade tenha uma oportunidade real de saber mais sobre si mesma. Veja algumas sugestões.

Referência

Tropa de Elite, de José Padilha. Brasil, 2007, 118 minutos

Conta o dia-a-dia de policiais do BOPE – (Batalhão de Operações Policiais Especiais). Querendo deixar a corporação, o capitão do batalhão tenta encontrar um substituto para seu posto. Ao mesmo tempo, dois amigos de infância se tornam policiais e se destacam pelo modo honesto e honrado de realizar suas funções, não se conformando com a corrupção na qual estão envolvidos tanto os seus iguais quanto os seus superiores. A classificação do filme é 16 anos.

Assista a trechos do filme

Texto Original: Donizete Soares

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Como trabalhar com teatro

Disciplina: Arte – Educação Artística, Língua Portuguesa/Literatura
Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto:
Tipo: Metodologias

Essa atividade está sendo proposta para os professores que desejam trabalhar com o gênero literário teatro, especialmente com os livros da coleção “Literatura em Minha Casa”, do Programa Nacional Biblioteca da Escola, distribuídos pelo Ministério da Educação.

Esse acervo, destinado a alunos de 4a e 5a séries do Ensino Fundamental de todo o Brasil, compõe-se de cinco conjuntos de livros (cada um em um gênero literário — novela, conto, poesia, teatro, clássico), sendo que cada um deles reúne seis títulos.

A oportunidade de trabalhar com peças teatrais, além de aguçar a criatividade, o interesse e o espírito crítico dos alunos, pode trazer bons resultados com relação à leitura, à expressão oral, à integração da classe e apreensão dos conteúdos veiculados nos textos.

As peças que compõem a coleção já foram encenadas muitas vezes, mas temos certeza que sua leitura e posterior montagem na escola, pelos alunos, mostrarão facetas ainda despercebidas desses textos.

Para um bom trabalho, é necessário introduzir as noções do que é teatro, como se monta uma peça, o papel do diretor, dos atores, do cenário, do figurino, da sonoplastia.

Para facilitar o entendimento sobre teatro, consulte e apresente, quando necessário, o Pequeno Glossário do Teatro.

Ator/atriz: aquele(a) que representa uma personagem.
Cenário: conjunto de materiais e efeitos de luz, som, formas, que servem para criar um ambiente propício para a peça teatral.
Cenógrafo(a): aquele(a) que cria o cenário.
Coreógrafo(a): aquele(a) que cria a seqüência de movimentos, passos e gestos das personagens.
Diretor(a): responsável artístico pela peça teatral, é aquele(a) que integra e orienta os diversos profissionais. (…)
Dramaturgo: escritor que compõe peças teatrais. Figurinista: responsável pelas roupas e acessórios utilizados na peça teatral.
Iluminador(a): aquele(a) que concebe e planeja a colocação das luzes em uma peça teatral.
Maquiador(a): responsável pela pintura do rosto ou do corpo dos atores e atrizes.
Mímica ou pantomima: peça em que o(a) ator(atriz) se manifesta por gestos, expressões corporais ou do rosto, sem utilizar a palavra.
Peça: texto e/ou representação teatral.
Personagem: o papel representado pelo ator ou pela atriz.
Platéia: espaço destinado aos espectadores.
Rotunda: pano de fundo, de flanela, feltro etc.
Saltimbanco: artista popular que se exibe em circos, feiras, ruas, percorrendo diversas cidades.
Sonoplasta: aquele(a) que compõe e faz funcionar os ruídos e sons de um espetáculo teatral.
Teatro: palco onde se representam peças; coleção das obras dramáticas de um(a) autor(a), de uma época ou de um país.
Teatro de bonecos: aquele em que se fazem representar marionetes ou fantoches.
Titeriteiro: aquele que movimenta o fantoche ou a marionete.
Trupe: grupo de artistas.”

O autor da peça nos indica o roteiro. Esse roteiro proporcionará uma base a ser interpretada, bem como os personagens que são apresentados.

Ao estudar a peça e preparar sua apresentação, cada um dos envolvidos vai realizando sua recriação. Por exemplo, como será determinada fala: alegre, triste, melancólica, serena, raivosa; e o cenário será figurativo?

É necessário que o texto teatral seja lido dramatizado. Esclareça o que isto significa e faça um exercício com a classe toda, com a leitura dramatizada de um trecho de um dos livros escolhido aleatoriamente.

Diga a seus alunos que leiam em casa a peça que eles receberam com a coleção do PNBE ou outro texto teatral que você selecionou, e marque um dia para realizar a atividade.

Reúna os alunos em pequenos grupos e proponha que pesquisem e discutam o texto: quem é o autor, em que época foi escrito, quando foi editado e por quem, quem são os personagens principais, que problemas enfrentam, como se desenvolve o enredo, que temas abordam, entre outras questões.

Combine com os grupos leitura em voz alta com bastante entonação de alguns trechos dos textos escolhidos. Outra possibilidade é organizar com os alunos um festival de teatro na escola. Durante uma semana, ou quinze dias, dependendo de combinar com professores de outras áreas esse trabalho conjunto, da disponibilidade de tempo e local, todos encenarão a peça para os seus familiares, amigos e colegas de outras classes.

Essa montagem tem de ser “profissional”, com direção, atores, cenário, sonoplastia, figurino, entradas, confirmação de presença etc. Afinal, os alunos vão virar “artistas” no festival. Uma possibilidade de encaminhar esse trabalho pode ser:

Cada grupo, sob sua supervisão, fará a leitura dramática de um texto. No caso do conjunto Literatura em minha casa – “O fantástico mistério de Feiurinha”, “Eu chovo, tu choves, ele chove…”, “Hoje tem espetáculo: No país dos prequetés”, “O macaco malandro”, “Pluft, o fantasminha” e “Bazar do Folclore” (escolher um conto popular desse livro e os alunos transformam-no em peça).

Em seguida, deverão decidir quem fará o quê na peça. Ressalte que não só os atores são importantes, pois a montagem é um processo coletivo e o sucesso depende da equipe.

Dê início aos ensaios. Fique atento para que essa atividade seja realmente levada a sério. Marque a data das apresentações.

Cada grupo deverá fazer os convites para a peça, ilustrando-os com motivos ligados ao tema da encenação. Para tal, oriente-os sobre as informações que deverão constar no convite. Também deverão confeccionar cartazes para serem espalhados na escola, criando um clima de pré-estréia, envolvendo todo mundo.

Marque um último ensaio para cada grupo. Este ensaio deve ser feito com a presença de público (outra classe, por exemplo), que poderá opinar sobre aspectos que podem ser melhorados. Finalmente, é importante fazer um ensaio geral, o último antes da estréia. Depois das apresentações, como conclusão e parte da avaliação, pode-se propor que cada aluno faça uma crítica da peça, dizendo o que achou, se gostou, quais os pontos fortes e fracos.

Se você julgar necessário, apresente um esquema com os itens que eles devem tratar e leia com eles alguns recortes de jornal ou revistas com críticas que possam ser utilizadas como referência. Bom trabalho.

Sugestão de leitura:
VASCONCELOS, Luiz Paulo. Dicionário de Teatro.

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Como trabalhar com novelas (5a série)

Como trabalhar com novelas (5a série)

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Novela
Tipo: Metodologias

Essa atividade está sendo proposta para os professores que desejam trabalhar com o gênero literário novela, especialmente com os livros da coleção “Literatura em Minha Casa”, do Programa Nacional Biblioteca da Escola – PNBE, distribuídos pelo Ministério da Educação.

Esse acervo, destinado a alunos de 4ª e 5ª séries do Ensino Fundamental de todo o Brasil, compõe-se de cinco conjuntos de livros (cada um em um gênero literário — novela, conto, poesia, teatro, clássico), sendo que cada conjunto reúne seis títulos.

Observação: veja na seção Biblioteca, as resenhas das novelas e as biografias dos autores.

Se perguntarmos aos alunos o que é uma novela, eles provavelmente vão se lembrar das novelas transmitidas pela televisão, pois entre o texto literário e o televisivo existem muitos aspectos em comum. Esse gênero surgiu na Idade Média como relato de aventuras de um herói, por exemplo as novelas de cavalarias.

Em uma novela, há uma história principal, na qual os protagonistas (personagens principais) vivem acontecimentos e enfrentam problemas até o desfecho no final. Essas peripécias, em geral, vão sendo construídas com tramas (histórias) paralelas de outros personagens e se entrelaçam em diversos tempos e espaços. A novela é maior que o conto e menor que o romance.

Esse gênero literário oferece uma ampla gama de possibilidades de trabalho, pois a diversidade de tramas centradas em uma temática com personagens bem definidos costuma ser atrativa para os leitores.

Outra questão diz respeito à estrutura literária da novela, que os alunos precisam conhecer e se apropriar. Aprender a identificar personagens principais, suas características, os conflitos que vivem e os aspectos do desfecho de uma narrativa pode capacitá-los não só para outras leituras, mas também para a produção textual.

Dicas para trabalhar com as novelas:

Existem muitas possibilidades de trabalho com leitura em sala de aula. Entre elas, por exemplo, ler um mesmo gênero (no caso, a novela), escrito por diferentes autores. De qualquer modo, é importante desenvolver um trabalho que envolva todos os alunos, despertando o seu interesse e permitindo, além de um aprendizado significativo, momentos de prazer.

Esse trabalho necessita de várias aulas e, para isso, é importante que o professor organize um cronograma, faça antecipadamente as leituras e pesquise informações sobre as obras e autores.

Para trabalhar com o acervo PNBE/2001 (ao qual podem ser agregados outros títulos, retirados na biblioteca), o professor organiza a classe em grupos, atribui a cada grupo a leitura de um dos livros, sendo que todos os componentes deverão ler em casa a respectiva novela, e combina a data em que devem apresentar a tarefa concluída.

Se o grupo tem dificuldade com leitura, outra possibilidade é o professor programar seções de leitura em voz alta, feitas por ele mesmo e/ou por alunos que tenham maior domínio dessa habilidade. O importante é ler com entonação, procurando despertar o interesse e a curiosidade dos grupos.

Depois da leitura, o professor propõe uma roda de conversa sobre as impressões que os alunos tiveram dos livros. Nesse momento, é importante ajudá-los a expressar livremente o que sentiram, suas dúvidas, as relações que fizeram com a própria experiência de vida ou de suas famílias, sem se preocupar com a descrição do texto. Antes de iniciar essa conversa, é conveniente combinar algumas regras (poucas e simples) para que todos possam falar e ser ouvidos.

Em seguida, cada grupo prepara a exposição da história lida para a classe: temáticas, personagens, situações e desfechos. Para isso, podem utilizar, por exemplo, a capa e as ilustrações do próprio livro, cartazes, fazer pequenas dramatizações ou completar a narrativa com sonoplastia (feita pelos alunos do próprio grupo ou CD).

Em seguida, o professor organiza com os alunos o esquema das histórias, em cartazes ou na lousa.

Depois de comparar com os alunos os esquemas dos livros, o professor lança um desafio: a partir do esquema, cada grupo discute, cria e registra um final diferente do escrito pelo autor. O professor deve alertar para a necessária coerência do desfecho com o restante da narrativa. Ou seja, os personagens têm características próprias e existem situações que permanecem no texto; o final deve referir-se a esse contexto.

Por fim, é necessário combinar com a classe como será a finalização do trabalho. O professor corrige os textos e os alunos fazem a reescrita para publicar em um pequeno jornal ou no mural da escola. Os finais podem ser ilustrados, escritos em quadrinho ou em outro formato escolhido pelo grupo. O importante é que se faça esse registro e que ele seja lido por outros leitores.

Acervo: PNBE/2001

Os sites indicados neste texto foram visitados em 19/11/2002

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Como trabalhar com novelas (4a série)

Como trabalhar com novelas (4a série)

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Novela
Tipo: Metodologias

Essa atividade está sendo proposta para os professores que desejam trabalhar com o gênero literário novela, especialmente com os livros da coleção “Literatura em Minha Casa”, do Programa Nacional Biblioteca da Escola – PNBE, distribuídos pelo Ministério da Educação.

Esse acervo, destinado a alunos de 4ª e 5ª séries do Ensino Fundamental de todo o Brasil, compõe-se de cinco conjuntos de livros (cada um em um gênero literário — novela, conto, poesia, teatro, clássico), sendo que cada conjunto reúne seis títulos.

Observação: veja na seção Biblioteca, as resenhas das novelas e as biografias dos autores.

Se perguntarmos aos alunos o que é uma novela, eles provavelmente vão se lembrar das novelas transmitidas pela televisão, pois entre o texto literário e o televisivo existem muitos aspectos em comum. Esse gênero surgiu na Idade Média como relato de aventuras de um herói, por exemplo as novelas de cavalarias.

Em uma novela, há uma história principal, na qual os protagonistas (personagens principais) vivem acontecimentos e enfrentam problemas até o desfecho no final. Essas peripécias, em geral, vão sendo construídas com tramas (histórias) paralelas de outros personagens e se entrelaçam em diversos tempos e espaços. A novela é maior que o conto e menor que o romance.

Esse gênero literário oferece uma ampla gama de possibilidades de trabalho, pois a diversidade de tramas centradas em uma temática com personagens bem definidos costuma ser atrativa para os leitores.

Outra questão diz respeito à estrutura literária da novela, que os alunos precisam conhecer e se apropriar. Aprender a identificar personagens principais, suas características, os conflitos que vivem e os aspectos do desfecho de uma narrativa pode capacitá-los não só para outras leituras, mas também para a produção textual.

Dicas para trabalhar com as novelas:

Existem muitas possibilidades de trabalho com leitura em sala de aula. Entre elas, por exemplo, ler um mesmo gênero (no caso, a novela), escrito por diferentes autores. De qualquer modo, é importante desenvolver um trabalho que envolva todos os alunos, despertando o seu interesse e permitindo, além de um aprendizado significativo, momentos de prazer.

Esse trabalho necessita de várias aulas e, para isso, é importante que o professor organize um cronograma, faça antecipadamente as leituras e pesquise informações sobre as obras e autores.

Para trabalhar com o acervo PNBE/2001 (ao qual podem ser agregados outros títulos, retirados na biblioteca), o professor organiza a classe em grupos, atribui a cada grupo a leitura de um dos livros, sendo que todos os componentes deverão ler em casa a respectiva novela, e combina a data em que devem apresentar a tarefa concluída.

Se o grupo tem dificuldade com leitura, outra possibilidade é o professor programar seções de leitura em voz alta, feitas por ele mesmo e/ou por alunos que tenham maior domínio dessa habilidade. O importante é ler com entonação, procurando despertar o interesse e a curiosidade dos grupos.

Depois da leitura, o professor propõe uma roda de conversa sobre as impressões que os alunos tiveram dos livros. Nesse momento, é importante ajudá-los a expressar livremente o que sentiram, suas dúvidas, as relações que fizeram com a própria experiência de vida ou de suas famílias, sem se preocupar com a descrição do texto. Antes de iniciar essa conversa, é conveniente combinar algumas regras (poucas e simples) para que todos possam falar e ser ouvidos.

Em seguida, cada grupo prepara a exposição da história lida para a classe: temáticas, personagens, situações e desfechos. Para isso, podem utilizar, por exemplo, a capa e as ilustrações do próprio livro, cartazes, fazer pequenas dramatizações ou completar a narrativa com sonoplastia (feita pelos alunos do próprio grupo ou CD).

Em seguida, o professor organiza com os alunos o esquema das histórias, em cartazes ou na lousa.

Depois de comparar com os alunos os esquemas dos livros, o professor lança um desafio: a partir do esquema, cada grupo discute, cria e registra um final diferente do escrito pelo autor. O professor deve alertar para a necessária coerência do desfecho com o restante da narrativa. Ou seja, os personagens têm características próprias e existem situações que permanecem no texto; o final deve referir-se a esse contexto.

Por fim, é necessário combinar com a classe como será a finalização do trabalho. O professor corrige os textos e os alunos fazem a reescrita para publicar em um pequeno jornal ou no mural da escola. Os finais podem ser ilustrados, escritos em quadrinho ou em outro formato escolhido pelo grupo. O importante é que se faça esse registro e que ele seja lido por outros leitores.

Acervo: PNBE/2001

Os sites indicados neste texto foram visitados em 19/11/2002

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Como trabalhar com contos

Como trabalhar com contos

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Conto
Tipo: Materiais didáticos

Essa atividade está sendo proposta para os professores que desejam trabalhar com o gênero literário conto, especialmente com os livros da coleção “Literatura em Minha Casa”, do Programa Nacional Biblioteca da Escola – PNBE, distribuídos pelo Ministério da Educação.

O acervo, destinado a alunos de 4ª e 5ª séries do Ensino Fundamental de todo o Brasil, compõe-se de cinco conjuntos de livros (cada um em um gênero literário – novela, conto, poesia, teatro, clássico), sendo que cada conjunto reúne seis títulos.

Para começar, é importante pensarmos um pouco sobre o gênero conto. O que é o conto? Alguns dizem que é uma narrativa bem mais curta do que o romance. Outros preferem destacar o fato de que o conto se concentra geralmente em um episódio central, envolvendo poucos personagens. Uma espécie de retrato de um acontecimento marcante na vida de certas pessoas. Um fato às vezes comum ganha outro significado, graças à sensibilidade do escritor, para revelar detalhes do comportamento humano que, em geral, não se percebe.

Por suas características, os contos podem ser interessantes de serem lidos e trabalhados em classe. Isto porque, além da ação concentrada e de poucos personagens, em geral eles são pouco extensos, e os jovens encontram diferentes temas em uma pequena antologia. Desse modo, é possível começar um projeto de leitura com esse gênero, com o objetivo de capacitar os alunos na leitura de textos um pouco mais extensos e trabalhar com as estruturas da narrativa.

De qualquer modo, em todos os gêneros literários, a leitura feita pelo professor é importante para que os alunos aprendam sobre as estratégias de leitura nas atividades de leitura colaborativa. Essa leitura é fundamental quando se tem por finalidade ampliar a competência leitora dos alunos, visando à leitura de textos mais extensos.

É comum os alunos se sentirem intimidados com a extensão de um determinado romance de aventura, ou mesmo de um conto mais longo. Com essa dificuldade, eles acabam selecionando sempre, para leitura, os textos mais curtos. É preciso, então, ensinar-lhes procedimentos de leitura que possibilitem a construção de uma competência para a leitura independente de textos mais longos.

Uma vez distribuídos os livros a serem trabalhados, o professor deve selecionar alguns contos que serão lidos pela classe, em conjunto, em determinadas datas pré-combinadas.

A seleção deve contemplar as necessidades e possibilidades de leitura dos alunos, sem sobrepor dificuldades: se se pretende ampliar sua proficiência na leitura de textos mais extensos, então é preciso isolar esta dificuldade de outras possíveis, selecionando um gênero que seja conhecido pelos alunos, no caso o conto, e um tema de seu interesse que não seja tratado de maneira muito complexa pelo autor.

O professor precisa, então, organizar um cronograma de leitura com os alunos: determinar as datas em que a leitura será feita em classe e os contos que serão lidos. Os alunos devem ser orientados a ler antecipadamente os textos, se assim o desejarem, o que facilita a conversa coletiva na aula. É importante fazer um cronograma que esteja inserido na rotina da classe. Por exemplo, se às quartas e sextas-feiras a classe trabalha com leitura de livros, as datas do cronograma devem contemplar esses dias.

Na data combinada, os alunos se organizam em grupos para acompanhar a leitura, se o número de livros não for suficiente para contemplar a todos.

O professor lê para os alunos, que acompanham a leitura em seus livros. Durante a leitura e depois dela, comenta o texto e problematiza os aspectos que considerar relevantes para a compreensão do texto, solicitando sempre a efetiva participação dos alunos.

É fundamental que o professor apresente informações sobre o autor – quem é, quando viveu, que tipos de temas costuma abordar em suas obras, algumas características de sua escrita – e sobre a época em que o texto foi produzido, podendo, até mesmo, relacioná-lo com outras obras contemporâneas.

Depois da leitura de alguns textos, o professor propõe que os alunos escolham no livro que receberam um novo conto e o leiam em casa. No dia combinado, a classe se organiza em três ou quatro grupos e o professor propõe a brincadeira “Telefone sem Fio”. É importante determinar antes o tempo que será destinado para essa etapa e sortear um aluno em cada círculo.

O aluno sorteado conta ao ouvido do colega ao lado o resumo da história que leu; porém, não pode repetir detalhes da história que está relatando.

O colega que ouviu reconta a história para o próximo, respeitando as mesmas regras, e assim por diante. O último vai contar para a classe a versão da história que chegou até ele.

O professor verifica se conhecem o ditado popular – “Quem conta um conto, aumenta um ponto” – e pergunta se concordam com tal afirmação. Em seguida, o aluno que iniciou a brincadeira e detentor da versão original deve contá-la para a classe. Todos os grupos fazem o mesmo.

O professor faz com a classe a comparação entre as versões, verificando os desvios, acréscimos e omissões em relação à versão original. Com a ajuda dos alunos, pode-se anotar na lousa ou em um papel pardo essas informações. Nesse momento, o professor aproveita para explorar a diferença das narrativas orais e o papel documental da escrita e da imagem.

Depois de ler todos os contos, o professor pode propor a produção de uma coletânea de contos reescritos a partir da visão de um dos personagens da narrativa. Por exemplo, recontar o conto “O Torcedor”, de Carlos Drummond de Andrade, do ponto de vista da moça ou de um outro torcedor que estava no ônibus, fazendo as mudanças necessárias na narrativa para integrar esse novo ponto de vista.

É preciso não esquecer que a produção desses textos deve ter um planejamento e uma revisão, com a reescrita de trechos ou correção, se necessárias. Outro aspecto importante é a organização da coletânea como um livro, incluindo ilustrações, capas, créditos dos autores. Caso o conjunto seja muito grande, é possível dividi-lo em dois livros ou fazer uma seleção entre os textos individuais da classe, estabelecendo-se critérios para seleção e um grupo de alunos para ajudar na escolha.

Para saber mais:
Pequeno glossário do conto
Pesquise na Biblioteca, as resenhas dos contos e as biografias dos autores.

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Matemática na Literatura

Matemática na Literatura

Disciplina:

Matemática

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Contagem, escrita e ordenação de números, medida de comprimento
Tipo: Texto

A partir da leitura do livro “Sabe de Quem Era Aquele Rabinho?”, de Elza C. Sallut, é possível trabalhar com alunos das séries iniciais do Ensino Fundamental algumas noções de Matemática, como contagem e escrita de números, ordenação e seqüência numérica e medida de comprimento. Envolvidas com a história, as crianças participam criativamente e usam a representação escrita e numérica.

O livro conta a história de um elefante que vai viajar e resolve dar uma festa de despedida para seus amigos. Nessa festa, é tirada uma foto de recordação, na qual aparece um rabinho estranho que ninguém sabe identificar de quem é e todos tentam descobrir esse personagem.

É interessante que o livro seja lido em sala de aula, possibilitando comentários e problematizações lançadas pelo professor. Sugestões:

Contagem, ordenação, seqüência e escrita numérica

  • Numerem as páginas do livro.
  • O que aparece na página 6? E na página 8?
  • Quantos animais foram à festa?
  • Quantos animais foram à festa, mas não aparecem na capa do livro?
  • Quais são esses animais?Medida de comprimento e massa
  • Qual o animal mais alto? E o mais baixo?
  • Qual o animal mais leve? E o mais pesado?Posteriormente, o professor solicita que as crianças, divididas em grupos, criem outro fim para a história e, em seguida, promove a votação do fim preferido. Ao terminar, o professor registra o número de alunos votantes, o fim da história sugerido pelos grupos e a quantidade de votos.

    Pode discutir, então, questões que envolvem contagem, ordenação e comparação de quantidades, usando as expressões “a mais” e “a menos”, que são importantes para a construção de conceitos matemáticos, como sistema de representação de quantidades, operações com números naturais e, principalmente, subtração. Sugestões:

  • Quantos alunos votaram?
  • Quantos alunos votaram em cada fim?
  • Qual foi o fim mais votado? E o menos votado?
  • Como ficariam ordenados os grupos a partir do mais votado?
  • Quantos votos o grupo que ficou em primeiro lugar teve a mais do que o segundo e o terceiro?
  • Quantos votos o grupo que ficou em terceiro lugar teve a menos que o segundo e o primeiro?O professor pode finalizar a atividade solicitando a representação da história em desenho, com o fim escolhido, e a escrita numérica das quantidades trabalhadas. Além disso, pode solicitar a escrita ou o desenho referentes às perguntas realizadas durante a leitura da história.

    Fonte:
    CÂNDIDO, Patrícia Terezinha et al. Era uma vez na Matemática: uma conexão com a literatura infantil. 3a ed. São Paulo: IME-USP, Centro de Aperfeiçoamento do Ensino da Matemática, 1996 (vol. 4).

    Referência:
    SALLUT, Elza C. Sabe de Quem Era Aquele Rabinho? São Paulo: Scipione, 1992.

    Texto original: Vera Lúcia Moreira
    Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Mar de histórias

Mar de histórias

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Leitura e produção de textos
Tipo: Metodologias


Objetivos

Incentivar o prazer de contar e ouvir histórias; utilizar a literatura para ver com outros olhos os problemas do cotidiano.

Execução

Lembre-se de que não são apenas as crianças que gostam de ouvir histórias. Os jovens e adultos também adoram. Por isso, se você se propuser a contar/recontar histórias e a organizar sessões de leitura coletiva de contos ou narrativas mais longas, com certeza será muito bem recebido(a). Para incrementar, você pode:

  • recontar romance, novela ou conto com suas palavras, de forma a provocar a emoção dos ouvintes. Pedir que, a cada semana, alguém prepare uma história ou causo para apresentar;
  • organizar eventos como: Hoje à noite (ou à tarde…) é dia de terror (ou de humor, ou de romance…), para abrir espaço para leitura de narrativas de diversos gêneros;
  • estimular a organização de grupos para a leitura de romances em capítulos, tal como se fazia antigamente.

E atenção!
Converse com o grupo e ligue suas antenas para captar os temas ou problemas que estão mobilizando as pessoas no momento. Recomende, para serem contados ou lidos em grupo, livros que tratam desses temas “quentes”. Algumas sugestões:

Meio ambiente

Discriminação/Intolerância

Gravidez na adolescência

Fonte
:
A Arte é de Todos: Artes da Palavra, publicação elaborada pelo CENPEC.

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Educarede)

Orientação para leitura de textos I (Ensino Médio)

Orientação para leitura de textos I (Ensino Médio)

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Leitura de textos
Tipo: Metodologias

Nas atividades de leitura e compreensão de textos, é preciso estar atento para dois tipos fundamentais de atividades: as que têm como foco o processo de leitura e as que buscam o produto do processo de leitura e compreensão do texto.

No primeiro caso, é necessário que aconteça a ativação de conhecimentos prévios. Nos dois casos, é preciso que estratégias de leitura – como a realização de antecipações e inferências e a verificação das mesmas – sejam estimuladas pela formulação de questões e não apenas por solicitações relativas à localização de informações.

Dessa forma, antes de propor a leitura de um texto, é preciso ter uma conversa com os alunos para fazer um levantamento dos conhecimentos que eles já têm sobre o tema. Esse levantamento possibilita uma leitura mais fácil e aprofundada do texto.

Outro procedimento importante, a partir da leitura do título do texto e da articulação dessa informação com outras, como autoria, fonte e características do gênero, é solicitar aos alunos que realizem antecipações do que irão encontrar no texto.

Por exemplo, considerando que o título do texto seja “0 nível de desemprego no país tende a se recuperar no segundo semestre?”, pergunta-se:

  • Que tipo de assunto você acha que o texto aborda?
  • Você acha que é uma história, uma notícia ou um poema?
  • O texto contém alguma opinião? Sobre que assunto?
  • Sabendo que foi publicado na seção “Tendências e Debates”, da Folha de São Paulo, sua hipótese se modifica em alguma coisa?
  • Sabendo que quem o escreveu foi Fernando Bezerra, empresário e senador pelo PMDB, que posição você acha que é defendida no texto?Durante a leitura, é preciso que sejam explicitados os procedimentos e as pistas utilizados pelos diferentes leitores (os alunos), os quais levaram a determinadas compreensões. Para tanto, é importante formular questões ao longo da leitura que possibilitem a realização de inferências e antecipações, assim como a verificação das mesmas a partir de pistas lingüísticas.

    Por exemplo, na leitura do conto “João e Maria”, é possível perguntar:

  • Com esse título, que tipo de texto você acha que é: uma notícia, um conto, um editorial ou um artigo de opinião?
  • Quem são João e Maria?
  • Sabendo que o texto foi publicado no livro “Os Amantes Iluminados”, a sua opinião se modifica em algum aspecto? Por quê?
  • E sabendo que a data da publicação foi 1988, alguma hipótese sua pode ser descartada ou modificada?
  • Por que você acha que esse título foi escolhido?No que se refere ao produto do processo de leitura, as questões devem estimular os alunos a realizar não apenas a localização de informações (por exemplo: “Como se chamam os personagens principais do conto?”), mas também inferências (por exemplo: “A que bruxa se refere o conto, logo no início? O que Maria esperava há muito tempo?”) e reconstrução de informações de partes do texto (por exemplo: “Esse texto lembra a você algum outro? Qual? Por que motivo? Que pistas lingüísticas possibilitaram perceber isso?”).

    São esses tipos de questões e estratégias de leitura que têm como objetivo a compreensão efetiva do texto.

    Referência:
    RAMOS, Ricardo. Os Amantes Iluminados. Rio de Janeiro: Rocco, 1988.

    Texto original: Kátia Lomba Bräkling
    Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Educarede)

Produzindo textos antes de saber escrever

Produzindo textos antes de saber escrever

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Organização do trabalho de alfabetização
Tipo: Metodologias

Uma das maneiras de os alunos não alfabetizados terem contato com a linguagem escrita é por meio da escuta da leitura de textos produzidos em linguagem escrita.

Para isso, é preciso planejar as aulas de modo que haja leitores que possam ler para os alunos que ainda não saibam ler: professor, alunos já alfabetizados da mesma classe ou de classes mais avançadas, outros professores, pais de alunos, por exemplo.

Os alunos, então, podem:

  • Ouvir a leitura de contos e recontá-los, procurando aproximar-se da linguagem utilizada pelo autor do texto.
  • Solicitar que um companheiro registre o texto para posterior publicação.
  • Gravar o texto — em áudio e/ou vídeo —, lendo-o para que outros possam conhecê-lo.
  • Ouvir a leitura de notícias e depois ditá-las para que um parceiro que saiba escrever um pouco melhor registre-as, para depois montarem um jornal da classe, mural, impresso ou falado.
  • Ouvir a leitura de verbetes enciclopédicos para compor fichas descritivas de animais, plantas, povos indígenas — ou outros assuntos — que comporão pequenos cadernos, “dicionários”, arquivos, pastas sobre temas específicos em estudo.
  • Ouvir a leitura de regras de determinados jogos e, depois, produzir regras a serem escritas em folhetos explicativos, para jogos criados pela classe
  • Estudar sobre determinado assunto, a partir da leitura de textos impressos sobre o tema, e depois apresentar sínteses escritas — registradas por um colega que já saiba escrever (parceiro mais proficiente) — a respeito do que foi estudado, compondo cadernos, arquivos, pastas e murais.
  • Fazer parte da roda de leitores, na qual participantes diferentes — professor, alunos de outras classes, pais de alunos, encarregado da sala de leitura, por exemplo — leiam seus textos prediletos para os alunos da classe.
  • Participar de saraus literários de poemas e contos, ouvindo a leitura dos mesmos.

    Texto original: Kátia Lomba Bräkling
    Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Educarede)

El ramo azul

El ramo azul

Disciplina:

Língua Espanhola

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Interpretação de texto, acentuação
Tipo: Texto

Em Língua Espanhola, geralmente os alunos apresentam certa dificuldade no estudo das regras de acentuação. O aprendizado dessas regras se torna mais fácil quando eles percebem que a ausência ou presença do acento serve somente para determinar a sílaba tônica da palavra, diferentemente do que ocorre com a Língua Portuguesa.

O contraste entre o uso do acento em espanhol e português pode ser um facilitador, porém o objetivo, nesse caso, é a acentuação na Língua Espanhola.

Pode-se comparar o uso do acento nos dois idiomas a partir de uma explicação rápida sobre as diferenças de utilização e de exemplos básicos: na Língua Portuguesa, além de marcar a sílaba tônica, o acento também serve para indicar se as vogais “e” ou “o” são abertas ou fechadas (avô, avó). Na Língua Espanhola, não existe “e” ou “o” abertos, não sendo necessário, portanto, o acento circunflexo.

Essa diferenciação serve para estimular uma reflexão sobre as regras de acentuação e para auxiliar os alunos em seu uso, permitindo a eles entender o porquê de sua existência, ao invés de somente memorizá-las.

Para revisar as regras de acentuação nas classes de nível intermediário, pode-se realizar uma atividade a partir do texto “El Ramo Azul“, de Octavio Paz.

Etapas:

1. A atividade inicia-se com um exercício de acentuação do texto. O professor entrega aos alunos a versão do conto sem nenhum acento e pede a eles que, em pares ou individualmente, o leiam e acentuem. Em seguida faz a correção da acentuação, aproveitando para revisar as regras.

2. Feita a correção, pede-se aos alunos que releiam o texto e expressem livremente suas impressões, opiniões e interpretação inicial. Em seguida, o professor aprofunda a discussão mediante um roteiro de leitura que contemple os aspectos lingüísticos e interpretativos do texto, que deve ser distribuído aos alunos após a discussão inicial.

Roteiro de leitura:

1. Aspectos lingüísticos

  • ¿Cómo se tratan los personajes del texto — de manera formal o informal? ¿Por qué?
  • ¿En qué tiempo verbal está narrado este cuento? Ejemplifique.
  • Ahora que usted ya ha identificado en que tiempo verbal está narrado el cuento, encuentre, en este mismo tiempo verbal, algún verbo que sea irregular (acuérdese que la irregularidad, si existe, ocurre en la raíz del verbo).2. Compreensão e interpretação do texto
  • ¿Qué tiene que ver el título con el cuento?
  • Lea con atención: “(…) Me sentía libre, seguro entre los labios que en este momento me pronunciaban con tanta felicidad. La noche era un jardín de ojos (…)”. ¿Qué te parece esto de ‘labios que lo pronuncian, sentirse seguro y libre…’? Relea también las líneas anteriores para que le ayude. ¿Qué significa “La noche era un jardín de ojos”? Además, qué significado tienen los ojos (que se relacionan con el acto de ‘mirar las cosas’) y cuál su importancia en el texto, según su interpretación? ¿Por qué el color azul?3. Em seguida, os alunos podem ler o poema “Hermandad“, do mesmo autor, e discutir as possíveis relações entre os dois textos.4. Em casa, os alunos devem fazer uma redação individual, na qual coloquem a sua interpretação do texto, enriquecida pela reflexão e pelo debate realizados em classe: Redacte sus impresiones del texto, cómo lo interpreta, si le gusta o no le gusta, que le parece… ¡pero escríbalo con ganas de escribirlo!Além dos aspectos trabalhados, o professor pode também aproveitar o conto “El ramo azul” para abordar outros três tópicos — a forma de tratamento utilizada no texto, o vocabulário utilizado por Octavio Paz e o pretérito indefinido.

    Se quiser complementar a atividade, o professor pede aos alunos que leiam o trecho inicial de “Los Sueños”, de Sigmund Freud, também completando a acentuação (clique para obter “Los Sueños” acentuado ou “Los Sueños” sem acento ). Feita a correção, pode-se propor ainda uma discussão sobre sonhos, crença, descrença, superstições etc.

    Referências:
    FREUD, Sigmund. Los Sueños. Madrid: Alianza Cien, 1995.
    GONZÁLEZ HERMOSO, A. et alli. Gramática de español lengua extranjera. Madrid: Edelsa, 1997.
    MATTE BON, Francisco. Gramática comunicativa del español: de la lengua a la idea. Madrid: Edelsa, 1999. Tomo I.
    PAZ, Octavio. “El ramo azul”. In: Arenas movedizas: la hija de Rappaccini. Madrid: Alianza Cien, 1994.

    Octavio Paz (1914-1998)
    Escritor mexicano, é um dos grandes poetas de língua espanhola. Além de poemas, escreveu ensaios e realizou traduções. Foi professor, conferencista, diplomata e jornalista. Promoveu a cultura do México por meio de intensa atividade: fundou revistas e grupos artísticos. Recebeu vários prêmios literários, entre os quais destaca-se o Prêmio Nobel de Literatura (1990).

    Texto original: Luiza Martins da Silva e Tatiana Francini Girão Barroso
    Edição: Equipe EducaRede

    Os sites indicados neste texto foram visitados em 23/05/2002

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)