Tropa de Elite

Disciplina: Matemática, Língua Portuguesa/Literatura, Geografia, História, Ciências
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Corrupção, drogas, violência, juventude
Tipo: Filme

A proposta a seguir é um desafio. Não no sentido de competição, evidentemente, mas de incitamento e provocação. O objetivo é estimular o professor a exercitar uma prática, infelizmente, nada comum nas escolas: a pesquisa de opinião. É também uma provocação, na medida em que se tira das mãos do professor o controle sobre o processo e o resultado da pesquisa, que é repassado aos alunos e às alunas. Ou seja, embora sua presença seja absolutamente fundamental em cada um dos momentos da pesquisa, não é o professor, sozinho, quem deve decidir os rumos que ela vai tomar.

Clique aqui e saiba por que trabalhar o filme

O que se espera desse trabalho pedagógico é que você, professor, não seja um “transmissor de conteúdos”, mas sim um mediador das relações que se estabelecerão a partir da atividade a ser realizada. Por quê? Por uma razão muito simples: a dimensão do tema proposto. Embora as ciências biológicas e jurídicas, por exemplo, há muito tempo tenham se posicionado em relação ao uso das drogas e, portanto, tenham muito a dizer a esse respeito, os negócios com produtos ilícitos aumentaram de tal forma –  uma vez que muitos jovens entraram no jogo – que se esperam outras abordagens sobre o assunto.

Quer dizer: se tem oferta crescente é porque há procura crescente. Seja por mera curiosidade, seja por necessidade de se sentir respeitado pelos amigos, seja por dependência química de tais produtos, o fato é que o tema das drogas não pode ser ignorado. Ao contrário, precisa ser encarado pela escola como um todo e, particularmente, por você, que todos os dias tem, bem à sua frente, adolescentes e jovens atentos não somente em saber o que você pensa sobre as coisas em geral, mas, sobretudo, como se comporta perante aquelas que, como as drogas, atingem tantas pessoas.

Sendo assim, ao que parece, restam duas opções. Ou o professor se apresenta com um discurso elaborado à base do pode-não-pode, do certo ou errado, do deve ou não deve, e, decididamente, contribui para que a conversa se encerre aí, mantendo uma perspectiva puramente moralizante; ou é suficientemente corajoso para levar para a sala um tema que, por envolver a todos, se constitui num problema social. Neste caso, certamente, você estará colaborando para que os alunos possam manifestar o que sentem e pensam sobre o assunto e, com base nisso e no que você tem a dizer, decidam o que querem para si mesmos e para os outros.

Propomos, então, que você, convencido pelas razões que justificam a segunda opção, adote os seguintes procedimentos, que duram cerca de um mês ou oito horas-aula:

1. Assista ao filme junto com seus alunos.

2. Em sala de aula, peça que cada um dos grupos discuta um aspecto abordado pelo filme. Exemplos:

  • drama vivido pelo Capitão Nascimento: estressado pela guerra diária do BOPE e profundamente humano com a morte de um garoto do morro e com o nascimento do filho;
  • características pessoais de Neto e Matias, candidatos à substituição de Nascimento no comando da Tropa de Elite;
  • significado do lema da Tropa: “faca na caveira e nada na carteira”.

3. Na aula seguinte, prepare a turma para uma pesquisa de opinião. Esta é, seguramente, uma das formas mais interessantes dos nossos alunos produzirem conhecimentos. Com base no levantamento e na discussão dos aspectos do filme, proponha a escolha de um deles para ser o objeto da pesquisa. Após a definição do tema, é preciso seguir alguns passos:

  • cada aluno ou cada grupo de alunos deve elaborar 5 perguntas e 3 alternativas de respostas sobre o tema;
  • oriente-os para que as questões sejam extremamente objetivas, isto é, tanto perguntas quanto respostas não podem dar margens a interpretações diferentes do que o pesquisador quer saber. Em geral, eles participam ativamente desse momento, buscando as palavras mais adequadas que deverão constar do questionário; exemplo:

Você é a favor da descriminalização da droga?
a) Sim
b) Não
c) Não sei

  • promova um debate para que cada um ou cada grupo possa apresentar as questões elaboradas, justificando-as e submetendo-as à apreciação dos colegas; se for o caso, encaminhe um processo de votação para escolher as 5 questões mais bem formuladas para serem posteriormente aplicadas;
  • decida com a turma o universo da pesquisa, isto é, quantas pessoas serão convidadas a responder as perguntas elaboradas pelos alunos; convém lembrá-los que nem sempre a pessoa abordada está disposta, tem interesse ou aceita ser entrevistada – atitude que deve ser inteiramente respeitada pelo entrevistador;
  • prepare com eles o cabeçalho da folha de pesquisa; a ficha deve conter somente:

Título (Pesquisa sobre….)
Local e data de sua realização
Idade e sexo do entrevistado ou entrevistada
Nome do pesquisador
Cinco perguntas com as respectivas alternativas;

  • solicite que um deles digite a folha de pesquisa e combine com a turma a distribuição das cópias da ficha padrão para cada aluno;
  • oriente-os para que sejam respeitosos e corteses com os entrevistados.

4. Não é preciso mais do que uma semana para que os alunos dêem conta dessa tarefa que, acreditem, será muito prazerosa para eles e para você também.

Diga a eles que, após terem feito individualmente as pesquisas, devem também tabular os dados. Para tanto é necessário, primeiro, que anotem o número total de entrevistados. Depois, para cada uma das 5 perguntas

  • quantos responderam alternativa A
  • quantos responderam alternativa B
  • quantos responderam alternativa C

Com esses dados, e aplicando a regrinha de três, é possível transformar em gráfico os resultados da pesquisa.

Tanto a coleta quanto a tabulação dos dados são atividades que podem ser (aliás, convém que sejam) realizadas fora do horário das aulas. Para a tabulação dos dados e apresentação em gráfico da pesquisa, oriente-os para que, caso seja necessário, busquem apoio de outros professores, de familiares e de amigos.

5. No seu próximo encontro com a turma, sugira que formem grupos de 5 alunos e, a partir dos gráficos elaborados individualmente, seja feito um outro, agora do grupo, para ser apresentado a todos os colegas. Após as apresentações, é sua vez de, junto com eles, preparar o resultado final da pesquisa.

6. Serão necessários ainda, pelo menos, dois encontros para finalizar essa proposta de produção de conhecimentos. Primeiro, para discutir o processo da pesquisa, é muito importante que você dê espaço para que os alunos contem como tudo aconteceu, o que sentiram e pensaram ao prepararem e realizarem a pesquisa, as abordagens e reações dos entrevistados, as dificuldades encontradas, as situações engraçadas que vivenciaram etc.

Depois, com o resultado final da pesquisa devidamente tabulado, é hora de provocá-los para que, individualmente e em grupos, tentem interpretar as respostas. Peça a eles que produzam pequenos textos opinativos sobre o tema da pesquisa, comparando e citando os percentuais obtidos.

Depois dessa empreitada, que sem dúvida alguma será muito gratificante para você, é  importante que você se esforce em tornar públicos os resultados da pesquisa. Importantíssimo para os seus alunos, que terão o trabalho reconhecido e; claro, para você, que ousou coordenar uma atividade cujos resultados são socialmente tão significativos.

Que o maior número de pessoas tenha acesso a essa verdadeira produção de conhecimentos não somente é desejável, mas fundamental para que a sociedade tenha uma oportunidade real de saber mais sobre si mesma. Veja algumas sugestões.

Referência

Tropa de Elite, de José Padilha. Brasil, 2007, 118 minutos

Conta o dia-a-dia de policiais do BOPE – (Batalhão de Operações Policiais Especiais). Querendo deixar a corporação, o capitão do batalhão tenta encontrar um substituto para seu posto. Ao mesmo tempo, dois amigos de infância se tornam policiais e se destacam pelo modo honesto e honrado de realizar suas funções, não se conformando com a corrupção na qual estão envolvidos tanto os seus iguais quanto os seus superiores. A classificação do filme é 16 anos.

Assista a trechos do filme

Texto Original: Donizete Soares

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Como trabalhar com teatro

Disciplina: Arte – Educação Artística, Língua Portuguesa/Literatura
Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto:
Tipo: Metodologias

Essa atividade está sendo proposta para os professores que desejam trabalhar com o gênero literário teatro, especialmente com os livros da coleção “Literatura em Minha Casa”, do Programa Nacional Biblioteca da Escola, distribuídos pelo Ministério da Educação.

Esse acervo, destinado a alunos de 4a e 5a séries do Ensino Fundamental de todo o Brasil, compõe-se de cinco conjuntos de livros (cada um em um gênero literário — novela, conto, poesia, teatro, clássico), sendo que cada um deles reúne seis títulos.

A oportunidade de trabalhar com peças teatrais, além de aguçar a criatividade, o interesse e o espírito crítico dos alunos, pode trazer bons resultados com relação à leitura, à expressão oral, à integração da classe e apreensão dos conteúdos veiculados nos textos.

As peças que compõem a coleção já foram encenadas muitas vezes, mas temos certeza que sua leitura e posterior montagem na escola, pelos alunos, mostrarão facetas ainda despercebidas desses textos.

Para um bom trabalho, é necessário introduzir as noções do que é teatro, como se monta uma peça, o papel do diretor, dos atores, do cenário, do figurino, da sonoplastia.

Para facilitar o entendimento sobre teatro, consulte e apresente, quando necessário, o Pequeno Glossário do Teatro.

Ator/atriz: aquele(a) que representa uma personagem.
Cenário: conjunto de materiais e efeitos de luz, som, formas, que servem para criar um ambiente propício para a peça teatral.
Cenógrafo(a): aquele(a) que cria o cenário.
Coreógrafo(a): aquele(a) que cria a seqüência de movimentos, passos e gestos das personagens.
Diretor(a): responsável artístico pela peça teatral, é aquele(a) que integra e orienta os diversos profissionais. (…)
Dramaturgo: escritor que compõe peças teatrais. Figurinista: responsável pelas roupas e acessórios utilizados na peça teatral.
Iluminador(a): aquele(a) que concebe e planeja a colocação das luzes em uma peça teatral.
Maquiador(a): responsável pela pintura do rosto ou do corpo dos atores e atrizes.
Mímica ou pantomima: peça em que o(a) ator(atriz) se manifesta por gestos, expressões corporais ou do rosto, sem utilizar a palavra.
Peça: texto e/ou representação teatral.
Personagem: o papel representado pelo ator ou pela atriz.
Platéia: espaço destinado aos espectadores.
Rotunda: pano de fundo, de flanela, feltro etc.
Saltimbanco: artista popular que se exibe em circos, feiras, ruas, percorrendo diversas cidades.
Sonoplasta: aquele(a) que compõe e faz funcionar os ruídos e sons de um espetáculo teatral.
Teatro: palco onde se representam peças; coleção das obras dramáticas de um(a) autor(a), de uma época ou de um país.
Teatro de bonecos: aquele em que se fazem representar marionetes ou fantoches.
Titeriteiro: aquele que movimenta o fantoche ou a marionete.
Trupe: grupo de artistas.”

O autor da peça nos indica o roteiro. Esse roteiro proporcionará uma base a ser interpretada, bem como os personagens que são apresentados.

Ao estudar a peça e preparar sua apresentação, cada um dos envolvidos vai realizando sua recriação. Por exemplo, como será determinada fala: alegre, triste, melancólica, serena, raivosa; e o cenário será figurativo?

É necessário que o texto teatral seja lido dramatizado. Esclareça o que isto significa e faça um exercício com a classe toda, com a leitura dramatizada de um trecho de um dos livros escolhido aleatoriamente.

Diga a seus alunos que leiam em casa a peça que eles receberam com a coleção do PNBE ou outro texto teatral que você selecionou, e marque um dia para realizar a atividade.

Reúna os alunos em pequenos grupos e proponha que pesquisem e discutam o texto: quem é o autor, em que época foi escrito, quando foi editado e por quem, quem são os personagens principais, que problemas enfrentam, como se desenvolve o enredo, que temas abordam, entre outras questões.

Combine com os grupos leitura em voz alta com bastante entonação de alguns trechos dos textos escolhidos. Outra possibilidade é organizar com os alunos um festival de teatro na escola. Durante uma semana, ou quinze dias, dependendo de combinar com professores de outras áreas esse trabalho conjunto, da disponibilidade de tempo e local, todos encenarão a peça para os seus familiares, amigos e colegas de outras classes.

Essa montagem tem de ser “profissional”, com direção, atores, cenário, sonoplastia, figurino, entradas, confirmação de presença etc. Afinal, os alunos vão virar “artistas” no festival. Uma possibilidade de encaminhar esse trabalho pode ser:

Cada grupo, sob sua supervisão, fará a leitura dramática de um texto. No caso do conjunto Literatura em minha casa – “O fantástico mistério de Feiurinha”, “Eu chovo, tu choves, ele chove…”, “Hoje tem espetáculo: No país dos prequetés”, “O macaco malandro”, “Pluft, o fantasminha” e “Bazar do Folclore” (escolher um conto popular desse livro e os alunos transformam-no em peça).

Em seguida, deverão decidir quem fará o quê na peça. Ressalte que não só os atores são importantes, pois a montagem é um processo coletivo e o sucesso depende da equipe.

Dê início aos ensaios. Fique atento para que essa atividade seja realmente levada a sério. Marque a data das apresentações.

Cada grupo deverá fazer os convites para a peça, ilustrando-os com motivos ligados ao tema da encenação. Para tal, oriente-os sobre as informações que deverão constar no convite. Também deverão confeccionar cartazes para serem espalhados na escola, criando um clima de pré-estréia, envolvendo todo mundo.

Marque um último ensaio para cada grupo. Este ensaio deve ser feito com a presença de público (outra classe, por exemplo), que poderá opinar sobre aspectos que podem ser melhorados. Finalmente, é importante fazer um ensaio geral, o último antes da estréia. Depois das apresentações, como conclusão e parte da avaliação, pode-se propor que cada aluno faça uma crítica da peça, dizendo o que achou, se gostou, quais os pontos fortes e fracos.

Se você julgar necessário, apresente um esquema com os itens que eles devem tratar e leia com eles alguns recortes de jornal ou revistas com críticas que possam ser utilizadas como referência. Bom trabalho.

Sugestão de leitura:
VASCONCELOS, Luiz Paulo. Dicionário de Teatro.

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Aprofundando estudos sobre Boletins Informativos

Aprofundando estudos sobre Boletins Informativos

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Boletins Informativos
Tipo: Metodologias

É possível continuar os estudos sobre o gênero Boletim Informativo iniciado na atividade sobre leitura de boletins informativos, solicitando aos alunos que:

  • comparem, por exemplo, um boletim com uma notícia de jornal ou uma reportagem, organizando questões que apontem para as características específicas do gênero priorizado;
  • comparem os boletins lidos a outros boletins para que possam aprofundar o estudo das características do gênero.

Este estudo comparativo deve basear-se, portanto, numa análise sobre:

  • o contexto de produção dos textos;
  • o tipo de informação que apresentam;
  • a forma de apresentação das informações;
  • a forma de organização interna das informações;
  • a adequação da forma de organização e da seleção de informações ao contexto de produção do texto.

Depois desse estudo, você pode solicitar aos alunos que produzam um boletim informativo.

Sugestão:
Replicando a organização do boletim

Agora, pense num tema de interesse público e organize um boletim informativo a respeito. Para tanto, você deve:

a) definir o contexto de produção do texto:

  • qual será o papel social desempenhado pelo produtor do texto;
  • qual será a finalidade do texto;
  • para quem o texto será destinado;
  • em que local circulará;
  • considerar que o gênero (boletim informativo) e o portador (panfleto impresso ou eletrônico) já estão definidos.

b) selecionar os tipos de informação necessários para a abordagem do assunto;

c) organizar um projeto editorial para o boletim que replique a organização do boletim lido;

d) planejar o texto em função do projeto editorial;

e) publicar o texto e distribuí-lo.

No processo de produção do texto é importante que o professor oriente cada uma das etapas de produção: do planejamento à revisão final, definindo critérios para a revisão e avaliação do material produzido.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Texto Original: Kátia Lomba Bräkling

Edição: Equipe EducaRede

O que se aprende primeiro: o escrito ou a escrita?

O que se aprende primeiro: o escrito ou a escrita?

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Organização do trabalho de alfabetização
Tipo: Metodologias

Um aspecto fundamental a ser considerado quando se está alfabetizando é que não é preciso esperar que as crianças saibam grafar a linguagem para produzir textos em linguagem escrita.

Hoje já se sabe que é possível aprender a linguagem escrita antes mesmo de saber grafar a linguagem. Isso porque se compreende que a linguagem escrita não pode ser reduzida ao suporte gráfico, assim como a linguagem oral não pode ser reduzida à materialidade sonora.

Por exemplo, é possível transcrever uma entrevista gravada, uma conversa telefônica, uma palestra. Esses são discursos que foram produzidos oralmente e, no entanto, podem ser transcritos, registrados por escrito. Nesse caso, estaremos grafando a linguagem oral. É por isso que os jornalistas, antes de publicarem entrevistas na mídia impressa, precisam ajustar o texto, procurando aproximar a linguagem oral da linguagem escrita.

Da mesma forma, é possível produzir um discurso em linguagem escrita, ainda que vá ser proferido oralmente, como é o caso de conferências, palestras ou pronunciamentos oficiais, nos quais o registro é formal e o discurso é marcado por uma linguagem característica de situações públicas de comunicação.

Para a alfabetização, essa é uma informação fundamental: mostra que a linguagem escrita pode ser aprendida antes mesmo que o aluno tenha compreendido o sistema de escrita e ainda que não saiba escrever.

Quando um aluno reconta oralmente um conto de fadas que acabou de ouvir, procurando aproximar o reconto da forma como o autor o escreveu, ele estará apreendendo características da linguagem escrita, presente nos textos.

Assim, não é necessário que o professor planeje suas atividades em torno de textos organizados lingüisticamente a partir de uma seleção de “famílias silábicas” específicas, até que o aluno “domine o código” para, só depois, trabalhar com textos efetivos, que circulam em outros lugares que não a escola.

Apesar de se acreditar que esse procedimento facilita a aprendizagem do aluno, essa orientação tem produzido efeitos nefastos, por exemplo, alunos que só produzem “textos” por justaposição de frases, organizadas em períodos simples (quase sempre compostos por sujeito, verbo de ligação e predicativo) — como “A bola é do menino. O menino é levado.” —, os conhecidos “textos cartilhescos”.

Dessa forma, a construção do conhecimento relativa à natureza do sistema de escrita deve acontecer paralelamente — e não anteriormente — à construção de conhecimentos sobre a linguagem escrita.

Observação: Veja como trabalhar com os alunos a partir desta perspectiva na dica Produzindo textos antes de saber escrever.

Para aprofundar:
REGO, Lúcia Lins Browne. Literatura Infantil. Uma nova perspectiva de Alfabetização na pré-escola. São Paulo: FTD, 1988.

Texto original: Kátia Lomba Bräkling
Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
20/02/2003

Projetos de leitura e escrita II: Alguns exemplos

Projetos de leitura e escrita II: Alguns exemplos

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Projetos de leitura e escrita
Tipo: Metodologias

Conforme a dica Projetos de leitura e escrita I, em Turbine sua aula, os projetos de leitura, escrita e produção de discursos em linguagem oral são importantes ferramentas para trabalhar com a Língua Portuguesa. Apresentamos, a seguir, alguns exemplos de projetos que podem ser desenvolvidos nos anos iniciais de escolaridade:

               1. De escrita

  • Produzir uma coletânea de contos de fadas recontados pela classe.
  • Produzir uma coletânea de contos reescritos a partir da visão de um dos personagens da narrativa.
  • Produzir fábulas a respeito de preocupações mais atuais das pessoas, ou fábulas humorísticas.
  • Produzir um capítulo a mais, a ser inserido em um determinado conto de aventuras lido pela classe ou escolhido pelo aluno.
  • Produzir uma coletânea de contos policiais e detetivescos elaborados pela classe.
  • Produzir encartes que contenham instruções para jogos criados pela classe.

    2. De leitura
  • Produzir um jornal mural temático (por exemplo, sobre clonagem, transgênicos, pesquisas a respeito do genoma humano, perdas que a biosfera vem sofrendo, candidatos da próxima eleição e suas plataformas de governo etc.).
  • Produzir uma coletânea dos melhores contos de ficção científica (ou outro gênero) escolhidos pela classe.
  • Produzir uma coletânea das diversas versões já produzidas sobre determinado conto de fadas (ou outro gênero).
  • Organizar um sarau literário sobre a obra de determinado autor.
  • Gravar uma fita cassete — ou de vídeo — em que sejam lidos contos ou poemas, para enviar a escolas de portadores de deficiência visual.

    3. De leitura e escrita

  • Produzir um suplemento de resenhas críticas.
  • Produzir um fichário de resenhas das obras que constam da biblioteca e que foram lidas pela classe.
  • Organizar um jornal mural em que se elaborem comentários críticos sobre as principais polêmicas do mês.4. De linguagem oral
  • Organizar um seminário sobre tema de interesse da classe.
  • Organizar uma mesa-redonda para debater determinada questão polêmica.
  • Realizar uma apresentação expositiva sobre o estande da classe na Mostra de Trabalhos organizada na escola.
  • Organizar e participar de um debate sobre determinado tema de relevância social (como preconceito racial, internacionalização da Amazônia, trabalho infantil, entre outros).

    Texto original: Kátia Lomba Bräkling
    Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Mar de histórias

Mar de histórias

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Leitura e produção de textos
Tipo: Metodologias


Objetivos

Incentivar o prazer de contar e ouvir histórias; utilizar a literatura para ver com outros olhos os problemas do cotidiano.

Execução

Lembre-se de que não são apenas as crianças que gostam de ouvir histórias. Os jovens e adultos também adoram. Por isso, se você se propuser a contar/recontar histórias e a organizar sessões de leitura coletiva de contos ou narrativas mais longas, com certeza será muito bem recebido(a). Para incrementar, você pode:

  • recontar romance, novela ou conto com suas palavras, de forma a provocar a emoção dos ouvintes. Pedir que, a cada semana, alguém prepare uma história ou causo para apresentar;
  • organizar eventos como: Hoje à noite (ou à tarde…) é dia de terror (ou de humor, ou de romance…), para abrir espaço para leitura de narrativas de diversos gêneros;
  • estimular a organização de grupos para a leitura de romances em capítulos, tal como se fazia antigamente.

E atenção!
Converse com o grupo e ligue suas antenas para captar os temas ou problemas que estão mobilizando as pessoas no momento. Recomende, para serem contados ou lidos em grupo, livros que tratam desses temas “quentes”. Algumas sugestões:

Meio ambiente

Discriminação/Intolerância

Gravidez na adolescência

Fonte
:
A Arte é de Todos: Artes da Palavra, publicação elaborada pelo CENPEC.

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Educarede)

O papel da leitura feita pelo professor: A leitura seqüenciada

O papel da leitura feita pelo professor: A leitura seqüenciada

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Organização do trabalho de alfabetização
Tipo: Metodologias

Como já abordado na dica Produzindo textos antes de saber escrever, em Turbine sua aula, a leitura feita pelo professor é importante para que os alunos das classes de alfabetização possam aprender sobre a linguagem escrita, ainda que não saibam escrever, e também para o trabalho com as estratégias de leitura, nas atividades de leitura colaborativa.

Além disso, a leitura feita pelo professor é também fundamental quando se tem como finalidade ampliar a proficiência leitora dos alunos, visando à leitura de textos mais extensos.

É muito comum que os alunos se sintam intimidados com a extensão de um determinado romance de aventura, ou mesmo de um conto mais longo, selecionando sempre, para leitura, os textos mais curtos. É preciso, então, ensinar-lhes procedimentos de leitura que possibilitem a construção de uma competência para a leitura independente de textos mais longos.

O professor deve selecionar um livro que será lido pela classe, em conjunto, em determinadas datas pré-combinadas, parte a parte, trecho a trecho, ou capítulo(s) por capítulo(s).

A seleção deve contemplar as necessidades e possibilidades de leitura dos alunos, sem sobrepor dificuldades: se a intenção é ampliar a proficiência dos alunos na leitura de textos mais extensos, então é preciso isolar esta dificuldade de outras possíveis, selecionando um gênero que seja conhecido deles, um tema de interesse e que não seja tratado de maneira muito complexa pelo autor.

O professor precisa, então, organizar um cronograma de leitura com os alunos: determinar as datas em que a leitura será feita em classe e os trechos que serão lidos. Os alunos devem ser orientados a ler antecipadamente os trechos, se assim o desejarem, o que pode facilitar a conversa coletiva na aula.

Na data combinada, o professor lê para os alunos o trecho a ser trabalhado, e estes acompanham a leitura em seus livros. Durante e depois da leitura, o professor comenta o texto e problematiza os aspectos que considerar relevantes para a compreensão da obra, solicitando sempre a efetiva participação dos alunos.

É fundamental que o professor apresente informações sobre o autor — quem é, quando viveu, que tipo de temas costuma abordar em suas obras, algumas características de sua escrita — e sobre a época em que a obra foi produzida, podendo, inclusive, relacioná-la com outras contemporâneas.

Texto original: Kátia Lomba Bräkling
Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
20/02/2003

Projetos de leitura e escrita I: Organização da prática docente

Projetos de leitura e escrita I: Organização da prática docente

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Projetos de leitura, escrita, escuta e fala
Tipo: Metodologias

Os projetos de leitura e escrita são fundamentais para a organização da prática de ensino de Língua Portuguesa.

Uma forma possível de organizar o trabalho prevê a elaboração de um produto final, voltado necessariamente a um público externo e distante da sala de aula — por exemplo, comunidade escolar ampliada, jornal do bairro, pessoas que circulam em determinado ponto de ônibus ou metrô.

Esse é um aspecto importante para a aprendizagem de Língua Portuguesa, pois quando se produz textos para interlocutores com os quais não se tem relações de grande familiaridade, é necessário definir explicitamente a imagem que se tem do interlocutor pretendido, para adequar o texto a ele. Da mesma forma, também é necessário definir as condições nas quais o texto circulará.

Escrever para pessoas que circulam em pontos de ônibus, rodoviária ou estação de metrô, traz para o escritor desse texto a necessidade de produzir algo que seja do interesse desse leitor, com linguagem, estrutura e chamadas que despertem a sua atenção. Caso contrário, o texto será descartado imediatamente.

Essa habilidade de antecipar a imagem do leitor e as demais condições de circulação e divulgação do texto — em que gênero será organizado, para qual leitor, com qual finalidade, em que portador, em que esfera de comunicação — é fundamental no processo de escrita.

Isso porque, é a adequação do texto a essas características — que acabam por compor o contexto de produção do texto —, que vai torná-lo mais ou menos eficaz.

Quando se escreve para o professor, para o colega de classe, ou, ainda, para os pais, há a possibilidade de esclarecimento do leitor durante o processo de leitura do produto final, já que a leitura, nessa situação, será feita na presença física do produtor do texto.

Quer dizer, os leitores poderão solicitar esclarecimentos sobre o texto diretamente ao escritor, dispensando-o da tarefa de antecipação das imagens e adequação do texto a elas.

Esse exercício é muito importante no processo de produção de textos que circularão nas instâncias públicas de linguagem — ruas, clubes, igrejas, academia, mídia impressa, televisiva e radiofônica, por exemplo —, objeto fundamental de trabalho na escola.

Esses projetos podem priorizar a leitura, a escrita, ou ambas, quando se tratar de linguagem escrita, ou a escuta, a fala, ou ambas, quando se tratar de linguagem oral. De qualquer maneira, tais práticas nunca serão tratadas de maneira isolada, articulando-se, necessariamente, no desenvolvimento dos projetos.

Um aspecto fundamental para que o projeto possibilite uma efetiva aprendizagem, é a necessidade de se definir e explicitar, antecipadamente, todas as condições de produção dos textos, as etapas de desenvolvimento do projeto, a forma de avaliação e auto-avaliação dos produtos.

 

  • Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Orientação para leitura de textos I (Ensino Médio)

Orientação para leitura de textos I (Ensino Médio)

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Leitura de textos
Tipo: Metodologias

Nas atividades de leitura e compreensão de textos, é preciso estar atento para dois tipos fundamentais de atividades: as que têm como foco o processo de leitura e as que buscam o produto do processo de leitura e compreensão do texto.

No primeiro caso, é necessário que aconteça a ativação de conhecimentos prévios. Nos dois casos, é preciso que estratégias de leitura – como a realização de antecipações e inferências e a verificação das mesmas – sejam estimuladas pela formulação de questões e não apenas por solicitações relativas à localização de informações.

Dessa forma, antes de propor a leitura de um texto, é preciso ter uma conversa com os alunos para fazer um levantamento dos conhecimentos que eles já têm sobre o tema. Esse levantamento possibilita uma leitura mais fácil e aprofundada do texto.

Outro procedimento importante, a partir da leitura do título do texto e da articulação dessa informação com outras, como autoria, fonte e características do gênero, é solicitar aos alunos que realizem antecipações do que irão encontrar no texto.

Por exemplo, considerando que o título do texto seja “0 nível de desemprego no país tende a se recuperar no segundo semestre?”, pergunta-se:

  • Que tipo de assunto você acha que o texto aborda?
  • Você acha que é uma história, uma notícia ou um poema?
  • O texto contém alguma opinião? Sobre que assunto?
  • Sabendo que foi publicado na seção “Tendências e Debates”, da Folha de São Paulo, sua hipótese se modifica em alguma coisa?
  • Sabendo que quem o escreveu foi Fernando Bezerra, empresário e senador pelo PMDB, que posição você acha que é defendida no texto?Durante a leitura, é preciso que sejam explicitados os procedimentos e as pistas utilizados pelos diferentes leitores (os alunos), os quais levaram a determinadas compreensões. Para tanto, é importante formular questões ao longo da leitura que possibilitem a realização de inferências e antecipações, assim como a verificação das mesmas a partir de pistas lingüísticas.

    Por exemplo, na leitura do conto “João e Maria”, é possível perguntar:

  • Com esse título, que tipo de texto você acha que é: uma notícia, um conto, um editorial ou um artigo de opinião?
  • Quem são João e Maria?
  • Sabendo que o texto foi publicado no livro “Os Amantes Iluminados”, a sua opinião se modifica em algum aspecto? Por quê?
  • E sabendo que a data da publicação foi 1988, alguma hipótese sua pode ser descartada ou modificada?
  • Por que você acha que esse título foi escolhido?No que se refere ao produto do processo de leitura, as questões devem estimular os alunos a realizar não apenas a localização de informações (por exemplo: “Como se chamam os personagens principais do conto?”), mas também inferências (por exemplo: “A que bruxa se refere o conto, logo no início? O que Maria esperava há muito tempo?”) e reconstrução de informações de partes do texto (por exemplo: “Esse texto lembra a você algum outro? Qual? Por que motivo? Que pistas lingüísticas possibilitaram perceber isso?”).

    São esses tipos de questões e estratégias de leitura que têm como objetivo a compreensão efetiva do texto.

    Referência:
    RAMOS, Ricardo. Os Amantes Iluminados. Rio de Janeiro: Rocco, 1988.

    Texto original: Kátia Lomba Bräkling
    Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Educarede)

O papel da leitura feita pelo professor: A leitura colaborativa

O papel da leitura feita pelo professor: A leitura colaborativa

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª

Assunto: Organização do trabalho de alfabetização

Tipo: Metodologias

Como já abordado na dica Produzindo textos antes de saber escrever, em Turbine sua aula, a leitura feita pelo professor tem um papel fundamental no aprendizado dos leitores e escritores iniciantes: é ela que favorece aos alunos que ainda não compreenderam o sistema de escrita, o contato com textos organizados em gêneros da linguagem escrita. Esse procedimento possibilita que os alunos aprendam sobre a linguagem escrita, ainda que não saibam escrever.

No entanto, esse recurso não é apenas útil para os alunos das classes de alfabetização. É um procedimento fundamental também quando se busca abordar e destacar as estratégias de leitura utilizadas durante o processamento do texto.

Nesse caso, o professor seleciona um texto adequado para o trabalho com as estratégias de leitura ascendentes e descendentes e organiza um trabalho de leitura colaborativa.

O professor apresenta o texto para a classe — em papel manilha ou kraft, no retroprojetor, em power point — aos poucos, trecho a trecho, de tal forma que realize paradas estratégicas durante a leitura, adequadas para a abordagem do conteúdo selecionado.

Nas interrupções, solicita a participação dos alunos na localização de informações, antecipações, inferências, conferência e validação de informações. Nesse momento, é fundamental que o professor peça a eles que explicitem as pistas lingüísticas que possibilitaram as respostas dadas.

É nesse processo de explicitação que os alunos aprendem os procedimentos utilizados pelos demais para processarem os sentidos do texto, o que lhes possibilita maior proficiência em leitura.

Texto original: Kátia Lomba Bräkling
Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
20/02/2003

O papel da leitura feita pelo professor: A leitura colaborativa