Como ler uma pintura

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Leitura de obra de arte
Tipo: Artes Visuais

No Ensino Médio, as aulas de Artes Visuais devem possibilitar a formação estética dos alunos, dotando-os de critérios para a apreciação de uma obra de arte. O contato com um amplo repertório de obras é importantíssimo para essa formação, que visa à reflexão sobre a beleza sensível e o fenômeno artístico.

Essa atividade traz sugestão de como o professor pode encaminhar a aproximação dos alunos com as artes visuais. Para isso, será utilizada a pintura “Paisagem Brasileira”, de Lasar Segall.

A proposta inicia-se com a observação detalhada da obra. Ao mostrá-la para os alunos, o professor pede que observem:

As cores
As formas
A composição
O tema

Depois dessa primeira observação, os alunos produzem individualmente um texto descrevendo uma cena imaginada para essa paisagem. A redação deve contemplar os diversos espaços que a paisagem apresenta, como ruas e casas, podendo incluir os personagens que cada um desejar.

A idéia aqui é reforçar a importância da observação plástica e o texto é usado apenas como um recurso de reflexão, pois o enfoque será para o trabalho com as Artes Visuais. Porém, um trabalho em parceria com o professor de Língua Portuguesa que explore as características desses textos, por exemplo, pode ampliar e completar esse exercício.

Na aula seguinte, depois de compartilhar a leitura do texto produzido pelos alunos, o professor solicita-lhes uma pintura (feita com tinta a óleo, aquarela, guache etc.) que tenha como referência a obra observada anteriormente. Ela deverá ser composta com as mesmas cores que Lasar Segall usou e buscar expressar o significado que a obra teve para cada um.

Nessa segunda etapa da atividade, não é preciso retomar o texto produzido pelos alunos. A idéia é que seja enfatizada a linguagem plástica, com a bagagem do que foi feito antes, sem priorizar o entendimento pela linguagem verbal. Do mesmo modo, não é importante o tipo de material a ser utilizado, pois o que importa nessa atividade é o trabalho com as cores.

Após o término das pinturas, é interessante organizar uma exposição para o grupo com todos os trabalhos produzidos. Nesse momento, o professor pode comentar as diferentes soluções encontradas por cada aluno.

Texto original: Lelê Ancona
Edição: Equipe EducaRede

Os sites indicados neste texto foram visitados em 10/05/2002

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Produzindo textos antes de saber escrever

Produzindo textos antes de saber escrever

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Organização do trabalho de alfabetização
Tipo: Metodologias

Uma das maneiras de os alunos não alfabetizados terem contato com a linguagem escrita é por meio da escuta da leitura de textos produzidos em linguagem escrita.

Para isso, é preciso planejar as aulas de modo que haja leitores que possam ler para os alunos que ainda não saibam ler: professor, alunos já alfabetizados da mesma classe ou de classes mais avançadas, outros professores, pais de alunos, por exemplo.

Os alunos, então, podem:

  • Ouvir a leitura de contos e recontá-los, procurando aproximar-se da linguagem utilizada pelo autor do texto.
  • Solicitar que um companheiro registre o texto para posterior publicação.
  • Gravar o texto — em áudio e/ou vídeo —, lendo-o para que outros possam conhecê-lo.
  • Ouvir a leitura de notícias e depois ditá-las para que um parceiro que saiba escrever um pouco melhor registre-as, para depois montarem um jornal da classe, mural, impresso ou falado.
  • Ouvir a leitura de verbetes enciclopédicos para compor fichas descritivas de animais, plantas, povos indígenas — ou outros assuntos — que comporão pequenos cadernos, “dicionários”, arquivos, pastas sobre temas específicos em estudo.
  • Ouvir a leitura de regras de determinados jogos e, depois, produzir regras a serem escritas em folhetos explicativos, para jogos criados pela classe
  • Estudar sobre determinado assunto, a partir da leitura de textos impressos sobre o tema, e depois apresentar sínteses escritas — registradas por um colega que já saiba escrever (parceiro mais proficiente) — a respeito do que foi estudado, compondo cadernos, arquivos, pastas e murais.
  • Fazer parte da roda de leitores, na qual participantes diferentes — professor, alunos de outras classes, pais de alunos, encarregado da sala de leitura, por exemplo — leiam seus textos prediletos para os alunos da classe.
  • Participar de saraus literários de poemas e contos, ouvindo a leitura dos mesmos.

    Texto original: Kátia Lomba Bräkling
    Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Educarede)

Orientação para produção de textos I (Ensino Médio)

Orientação para produção de textos I (Ensino Médio)

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Produção de textos
Tipo: Metodologias

Ao propor atividades de produção de textos — orais ou escritos —, é fundamental que o professor apresente todas as características do contexto de produção:

  • definir os leitores do texto;
  • dizer qual a finalidade do texto;
  • estabelecer onde vai circular — na escola, nas mídias impressa, eletrônica, radiofônica ou televisiva ou em outros meios sociais, como clube, igreja, entre outros;
  • determinar em que portador será tornado público — livro, revista, panfleto, sites e páginas da Internet, jornal, almanaque;
  • propor em que gênero será organizado — conto de ficção científica, conto popular, conto maravilhoso, conto literário, crônica, notícia, artigo de opinião, reportagem, anúncio, propaganda, tese, verbete, monografia, carta comercial, carta pessoal, bilhete, romance etc.;
  • combinar de que posição social o autor do texto falará — como aluno, representante de classe ou do colégio, sindicalista, filho, irmão, adolescente, leitor de um determinado jornal ou revista.Os alunos precisam saber que o texto terá maiores possibilidades de atingir a sua finalidade se estiver adequado aos elementos do contexto de produção. Isto é, se o produtor adequar a linguagem e as escolhas relativas ao tipo de informação que considerar relevante e necessária para a compreensão do assunto, às possibilidades de compreensão que acredita que seu interlocutor possui, às características do gênero, do portador e do meio onde o texto circulará.

    Não se escreve um mesmo texto, mesmo que o assunto seja idêntico, para uma criança de dez anos, para leitores de uma revista de rock ou para o público que freqüenta a igreja de uma determinada religião, por exemplo.

    Da mesma forma, escrever para uma revista, não é a mesma coisa que escrever para um jornal — ainda que a seção seja equivalente —, para um panfleto ou folder, ou ainda para um livro ou almanaque.

    E, finalmente, é muito diferente falar sobre um determinado assunto quando se está na posição de filho, pai, professor, aluno, colega, especialista ou estudioso de um determinado assunto.

    Assim, saber escrever bem é, fundamentalmente, saber adequar o texto às características do contexto de produção.

    Quando o professor pedir aos alunos para que produzam um determinado texto (oral ou escrito), é preciso contextualizar melhor o pedido e não simplesmente indicar um tema, como comumente se faz.

    Por exemplo, em vez de dizer — “Escreva um texto sobre a hipótese de uma Terceira Guerra Mundial” —, é preciso apresentar todos os elementos do contexto de produção: “Escreva, como jornalista da área de política (lugar social), um artigo de opinião (gênero) para o jornal X (portador e esfera de circulação), sobre a possibilidade de, nas atuais circunstâncias históricas, ser desencadeada uma Terceira Guerra Mundial (assunto)”.

    Texto original: Kátia Lomba Bräkling
    Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Lendo boletins informativos

Lendo boletins informativos

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Estratégias de leitura, estudo de panfleto informativo.
Tipo: Metodologias

O principal objetivo desta atividade é trabalhar com a leitura de um boletim informativo, observando suas características e algumas estratégias de leitura. É um texto que, em função do gênero no qual foi organizado (boletim informativo) e do veículo no qual foi publicado (panfleto eletrônico) articula elementos verbais e gráficos para cumprir sua finalidade. Por tratar-se de gênero de grande circulação social tanto pela mídia eletrônica quanto impressa, seu estudo é relevante, sobretudo no que se refere à leitura.

Sugestão de Atividade:

Estudando o contexto de produção:

  • Leia o Boletim do RESEG e preencha o quadro abaixo.
    Elementos do Contexto de Produção
    Resposta
    Autor do texto e seu papel social  
    Leitor do texto e seu papel social  
    Finalidade do texto  
    Gênero do texto  
    Lugar de circulação do texto  
    Veículo de publicação  
    Conteúdos tratados  

    Analisando sua organização interna e construindo os sentidos

  • Que tipo de informações o Boletim apresenta?
  • De que forma esses diferentes tipos de informação são apresentadas para o leitor?
  • Segundo o texto, por que manter fechados os vidros dos veículos pode ajudar a evitar um assalto?
  • De acordo com o texto, por que não se deve reagir durante um assalto?
  • A que se referem as Técnicas de Posicionamento Inteligente que constam do texto? Explique.
  • Qual a função do esquema gráfico no texto?
  • As informações contidas no esquema gráfico são coerentes com as dicas apresentadas para evitar assalto?
  • As informações verbais do texto foram todas apresentadas de maneira esquemática. Considerando o lugar de circulação do texto você considera que esta escolha foi adequada? Justifique.
  • A forma global como o texto foi organizado e o tipo de informações selecionadas para tratar o assunto estão adequados para que o texto possa cumprir sua finalidade? Justifique.Texto original: Kátia Lomba Bräkling
    Edição: Equipe EducaRede
(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
22/05/2003

Orientação para produção de textos I (1ª a 4ª série)

Orientação para produção de textos I (1ª a 4ª série)

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Produção de textos
Tipo: Metodologias

Ao propor atividades de produção de textos – orais ou escritos – é fundamental o professor apresentar todas as características do contexto de produção:

  • quem são os leitores do texto;
  • qual a finalidade do texto;
  • onde vai circular – na escola, nas mídias impressa, eletrônica, radiofônica ou televisiva, em outros meios sociais, como clubes, igreja etc.;
  • em que portador será tornado público – livro, revista, panfleto, sites e páginas da Internet, jornal, almanaque;
  • em que gênero será organizado – conto de ficção científica, conto popular, conto maravilhoso, conto literário, crônica, notícia, artigo de opinião, reportagem, anúncio, propaganda, tese, verbete, monografia, carta comercial, carta pessoal, bilhete, romance etc.;
  • de que posição social o autor do texto falará – como aluno, representante de classe ou do colégio, sindicalista, filho, irmão, adolescente, leitor de um determinado jornal ou revista.Os alunos precisam saber que o texto terá maiores possibilidades de atingir a sua finalidade se estiver adequado aos elementos do contexto de produção. Isto é, se o produtor adequar a linguagem e o tipo de informação que considerar relevantes e necessárias para a compreensão do assunto às possibilidades de compreensão que seu interlocutor possui, às características do gênero, do portador e do meio onde o texto circulará.Mesmo que o assunto seja idêntico, não se escreve do mesmo modo para uma criança de dez anos, para leitores de uma revista de rock, ou para o público que freqüenta a igreja de uma determinada religião, por exemplo.

    Da mesma forma, escrever para uma revista não é a mesma coisa que escrever para um jornal – ainda que a seção seja equivalente –, para um panfleto ou folder, ou ainda, para um livro ou almanaque.

    Igualmente, não é o mesmo escrever para uma revista que circulará em um determinado meio acadêmico, na mídia popular impressa ou em um meio religioso.

    E, finalmente, é muito diferente falar sobre um determinado assunto quando se está na posição de filho, pai, professor, aluno, colega, especialista ou estudioso de um determinado assunto.

    Assim, saber escrever bem é, fundamentalmente, saber adequar o texto às características do contexto de produção.

    Quando o professor pedir para seu aluno produzir um determinado texto (oral ou escrito), é preciso contextualizar melhor o pedido e não simplesmente indicar um tema, como comumente se faz.

    Por exemplo, ao invés de dizer “Escreva uma história sobre a necessidade de preservação do meio ambiente”, é preciso apresentar todos os elementos do contexto de produção: “Escreva, como um escritor de livros infanto-juvenis (posição social), um conto de aventuras (gênero), para compor um volume de contos de aventura (portador), que passará a compor o acervo da biblioteca da sua escola (esfera de circulação), que aborde a necessidade de preservação do meio ambiente (assunto)”.

    Texto original: Kátia Lomba Bräkling
    Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Um dia depois do outro para ler e escrever

Um dia depois do outro para
ler e escrever

A continuidade é peça fundamental no planejamento das atividades de escrita. Veja neste artigo como uma atividade permanente, a leitura de jornal, pode ser bem aproveitada didaticamente, instigando um grupo de crianças a ler, escrever e a conhecer mais

Por Nanci Ferreira das Neves
Instituto Avisa Lá 

A leitura de jornal pode fazer parte da rotina de um grupo de crianças. Ler a programação especial para o fim de semana é sempre um bom assunto para a sexta-feira. Além disso, conhecer o noticiário e artigos interessantes ou mesmo anúncios que possam dar ganchos para boas conversas, ou um projeto didático. Às vezes, a conversa sobre uma notícia motiva as crianças a continuarem investigando uma questão em pauta, alimentando os projetos do grupo. Foi o que aconteceu em uma das atividades de uma sexta-feira, na Escola Projeto Vida.

O jornal chega na sexta-feira à tarde

Escolhemos um artigo que falava sobre o Sítio Santa Luzia, onde hoje está sediada a Escola Projeto Vida. Era um artigo bastante antigo, de 1981. Tratava de um assunto de grande interesse para o grupo, e contava sobre a última moradora do Sítio Santa Luzia, local onde hoje funciona nossa escola. As crianças ficaram muito curiosas com a parte que dizia que a construção era possivelmente uma casa rural do tempo dos bandeirantes.
– Professora, o que é bandeirantes?
– Tempo dos bandeirantes?
Resolvemos então saber mais sobre os bandeirantes. Para isso, relembramos como poderíamos pesquisar. As crianças disseram que seria nos livros, no computador e escrevendo no caderno. Então, fomos ao computador e fizemos uma busca na Internet. Não conseguimos nada que interessasse ou satisfizesse a curiosidade do grupo. Também acompanhamos as crianças à biblioteca, para pedir à Mônica, a funcionária da biblioteca, uma ajuda na localização de livros sobre o tema.

Segunda-feira, na roda de conversa

Vivian trouxe de casa uma pesquisa realizada com seu pai. Também Luana havia perguntado ao pai, mas ele não teve tempo naquele momento e não falou mais no assunto. Ainda curiosa, Luana insistiu em casa, até que conseguiu a pesquisa que desejava, realizada com o pai. O interessante é que essas iniciativas foram tomadas pelas próprias crianças, motivadas pelo valor que dão a esses estudos. Então, com os livros e com um artigo da Internet, as crianças se dividiram em três subgrupos para pesquisarem. Cada grupo ficou com uma fonte de informação, lápis e papel para anotar o que era importante. As crianças discutiam entre si, tiravam conclusões, algumas liam uma parte ou outra do texto, dentro de suas possibilidades. Muitos grupos nem precisaram recorrer à minha ajuda: – Deixa o João Vitor ver o livro, porque ele sabe ler! – dizia uma das crianças, organizando um pequeno grupo atento à leitura do colega.

Na terça-feira, a pesquisa continua

No dia seguinte, de posse das anotações, cada grupo relatou sua experiência: as crianças contaram como se organizaram para a pesquisa, o que cada um fez, por que não deu certo, como foi ouvir o colega, prestar atenção às suas idéias e, principalmente, sobre a importância de participar e dividir as tarefas. Além disso, expuseram, finalmente, o que conseguiram descobrir sobre a pesquisa acerca dos bandeirantes.

Grupo 1: Pedro, Murilo, Gabriel, Sophia e André Luiz

  • Descobrimos que eles usavam armas de madeira e facão.
  • Usavam as armas para atirar nos bichos (animais), como onça, cobra, aves.
  • Usavam chapéu.

Grupo 2: Vivian, Ana Elisa, Giovanna,Giulia, Milena, Rafaella e Ana Clara

  • Matavam crianças e velhos das aldeias indígenas.
  • Queriam matar os índios, porque os índios queriam matar eles com flechas.
  • Bandeirantes usavam flechas e os índios também.
  • Descobri que na folha da pesquisa estava escrito as palavras São Paulo e Europa.

Grupo 3: Eduardo, João Vitor, Celine, Luana e Felipe

  • Espadas.
  • Tinham barbas e botas.
  • Usavam botas, espadas, chapéu, capa, cinto e tinham cavalos.

Cada grupo mostrou suas anotações enquanto o restante da sala comentava as novidades. Através das pesquisas as crianças tiveram importantes informações sobre os bandeirantes:

Grupo 1BADERATIS / ELSIO SLIOSO SUA FACAN
ELISOSAVANARMADEMADERAELISOUAVANCA
CETEMDEM

Grupo 2

BANDERANTE / SÃO PAULO / EUROPA

Grupo 3

BANDTERTES /  ESPADA / BOTA
CAPA / XAPEU / CAVALO / SITO

Depois da participação de cada grupo, apresentamos os livros que vieram da biblioteca para buscar outras referências da história. A conversa foi longe e não conseguimos sistematizar todas as novas informações nessa roda: marcamos na nossa agenda o compromisso para o dia seguinte.


Na quarta-feira, todos já sabem bastante

De volta à roda, as crianças retomaram os aspectos mais importantes sobre tudo o que haviam aprendido sobre os bandeirantes e suas casas rurais e, para organizar as novas informações, as crianças produziram coletivamente um texto sobre o assunto:

– Nossa, esta folha estava toda branquinha e agora esta toda escrita e a Nanci vai ter que pegar outra folha! – disse André, animado com aquela visibilidade das leituras e pesquisas de todos.

Felipe, que havia faltado na terça-feira e estava, portanto, desatualizado, participou fazendo perguntas interessantes não só sobre o assunto, mas também sobre a escrita:

– Nossa! Tem muitas vezes a palavra “pedras preciosas”.

Eduardo também notava a ocorrência de palavras repetidas: ele mesmo havia lido duas vezes a palavra São Paulo, muito próxima uma da outra. A observação dos dois levantou a necessidade de fazer uma revisão do texto.

No dia seguinte, com o texto fixado num lugar bem visível para todos, iniciamos o processo de revisão, pois ficou evidente, na postura do Eduardo, o quanto é importante também ver o texto e não apenas ouvir. As crianças apontaram, basicamente, as palavras repetidas, a estrutura de alguns parágrafos e, principalmente, exigiram que acrescêssemos ou corrigíssemos algumas informações. Comparando a primeira e a segunda versão podemos observar os avanços que as crianças conseguiram no texto que produziram coletivamente.

Os Bandeirantes
Os bandeirantes são homens que usavam armas, facão, espingardas e espadas. Eles entravam na mata e cortavam as árvores com facão para cortar o espaço para não atrapalhar e também para descobrir ouro e pedras preciosas.Eles obrigavam os índios a trabalhar para eles e ganhavam dinheiro e pedras preciosas. Os índios tinham arco e flecha.

Eles andavam muito e, às vezes, dormiam na rede. Eles tinham medo da chuva e dos trovões, porque os animais atacavam e também eles tinham medo de pegar doenças de mosquitos ou aranha ou de marimbondo.

Os bandeirantes é que abriram mais espaço para São Paulo.

Texto coletivo do G5 Chiclete

Os bandeirantes eram homens que usavam armas, facão, espingardas e espadas. Eles entravam na mata e cortavam as árvores para procurar ouro e pedras preciosas.Os bandeirantes punham os índios escravos para trabalhar ajudando a entrar na mata, pois eles sabiam muito da mata e a achar pedras preciosas e ouro. Os índios tinham arco e flecha. Os bandeirantes andavam muito e as vezes
dormiam na rede.

Eles tinham medo da chuva e dos trovões porque os animais atacavam e também eles tinham medo de pegar doenças de mosquitos, aranha ou marimbondos.

Os bandeirantes é que abriram mais espaço
para São Paulo.

Texto coletivo do G5 Chiclete

Na quinta e na sexta, começa tudo de novo

Na quinta-feira o texto foi exposto no painel, ao lado do artigo, para ampliar aos conhecimentos de outros leitores curiosos como eles. E na sexta, novamente, dia de ver o jornal, a programação para o fim de semana, notícias, artigos, tirinhas e tantas outras perguntas que as crianças, curiosas, sempre trazem para a roda, alimentando o dia-a-dia de quem gosta de aprender.

Casas BandeiristasAo descrever as casas bandeiristas, Theodoro Sampaio destaca: “As paredes de taipa, branqueadas com tabatinga, espessas e pouco elevadas, com gelosias, dão às edificações esse aspecto maciço e abarracado que uns poucos e malfeitos ornamentos em nada atenuam.

(…) O interior é amplo, pouco iluminado e de aspecto monacal. O mobiliamento escasso e feio, feito de cedro e couro lavrado, ou de jacarandá, exibe peças de valor, mas sem elegância. A rede mais ou menos guarnecida de rendas e lavores bizarros é a peça principal das varandas, onde substitui o sofá e onde as damas fazem sua sesta, ou recebem as visitas de maior intimidade. Bancos de pau, pequenos e baixos tamboretes com algumas cadeiras completam a mobília da sala de jantar. Os costumes paulistas eram singelos, quase ingênuos.”

Bandeirantes já pisaram o chão da escolaEntrevistas com moradores antigos e pessoal da escola, acesso a documentos de tombamento da casa, visitas às ruas do bairro ampliaram o conhecimento das crianças acerca do espaço que freqüentavam diariamente. As crianças descobriram que a escola fora um sítio chamado Santa Luzia, onde morava uma velhinha. Havia uma cascatinha aonde as pessoas vinham pegar água. Nanci, uma funcionária da escola, quando era pequena vinha brincar com uma amiga que morava em frente ao sítio e tomava água nessa cascatinha. A leitura do artigo do jornal ensejou também uma busca por mais informações a respeito do prédio da escola. O artigo de Renée P
reira, do Jornal O Estado de São Paulo – 4/12/1998, resgatado pelas crianças, contava que: “A poucos quilômetros do centro, um cenário bucólico esconde parte da memória da cidade. Uma construção de pelo menos 200 anos desafia a ação do tempo e dá um ar ‘interiorano’ à elegante rua Sóror Angélica, no Jardim São Bento. O imóvel, conhecido como Sítio Santa Luzia, foi tombado em 1982.

A casa tem paredes de taipa de pilão, com 70 centímetros de espessura, janelas de madeira, pintadas de verde, e a cobertura com duas águas de telha colonial. O imóvel ainda conserva o madeiramento – terças, o pau da cumeeira e caibros – original. No processo de tombamento, os técnicos do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado Condephaat) avaliaram as características e a situação geográfica do imóvel e chegaram à conclusão de que a casa pode ser do tempo dos bandeirantes.

Segundo o relatório do Condephaat, a região norte de São Paulo, situada à margem direita do rio Tietê, possivelmente, foi habitada por colonizadores portugueses. No local teria existido uma fazenda, cujas terras estendiam-se de um lado até a estrada de Jundiaí e de outro até a várzea do Tietê – que hoje abrange os bairros do Mandaqui e a serra da Cantareira. No século 18, a fazenda possuía um patrimônio vasto, com 47 casas, 176 moradores e 300 cabeças de gado. A existência de outras fazendas, ao redor da propriedade, serviu para demonstrar que a região possui muitas benfeitorias do século 17. O Sítio Santa Luzia fica próximo à área dessa fazenda, cujo nome seria Santana ou Tietê, e também do Sítio Morrinhos. Todas essas edificações são exemplos de moradas seiscentistas.

Proprietários

A Vila Esther, nome que foi dado ao sítio, foi vendida, em 1891, por Joaquim Eugênio de Lima, a Victor Nothman Junior. A propriedade passou, em 1911, para as mãos do comendador Leôncio do Amaral Gurgel, que a perdeu por hipoteca para a baronesa Maria Angélica de Souza Queiroz Barros, em 1916.

Francisco Martins Teixeira comprou a Vila Esther em 1917. Naquela época, o sítio tinha 710,7 mil metros quadrados. Com a morte do dono, o imóvel ficou com a viúva, Maria Augusta Lima Teixeira.

O sítio ficou conhecido como a ‘chácara da biquinha’, referência a uma fonte de água. Hoje, o Sítio Santa Luzia abriga o Projeto Vida, uma escola de Educação Infantil.”

F I C H A  T É C N I C A

Realização: Escola Projeto Vida – Unidade Jd. São Bento.
Endereço: Rua Sóror Angélica, 364 – CEP: 02452-060
Tel.: (11) 6236-1459 / (11) 6236-8345
E-mail: projvida@nutecnet.com.br
Site: www.projetovida.com.br
Coordenadora Pedagógica: Débora Rana
E-mail: deborarana@projetovida.com.br
Educadora: Nancy Ferreira das Neves
Apoio de pesquisa: Mônica Aparecida de Souza
P A R A  S A B E R  M A I S 
Biblioteca Monteiro Lobato. Rua Waldemar Martins, 148 – Casa Verde. CEP: 02535-000. São Paulo – SP.
Agendar visita com Mônica ou Marceli no telefone: (11) 6236-1425.

Casa dos Bandeirantes. Praça Monteiro Lobato, s/n. Butantã. CEP: 05506-030. São Paulo – SP.
Agendar visita com Fernando no telefone: (11) 3031-0920.

Casas Bandeiristas. Julio Roberto Katinsky – IGEOG – USP

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Gêneros do discurso e produção de textos (Ensino Médio)

Gêneros do discurso e produção de textos (Ensino Médio)

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Produção de textos
Tipo: Metodologias

Os gêneros do discurso são um elemento fundamental no processo de produção de textos, porque são os responsáveis pelas formas que estes assumem. Qualquer manifestação verbal organiza-se, inevitavelmente, em algum gênero do discurso, seja uma conversa de bar, uma tese de doutoramento, seja linguagem oral ou escrita.

Os gêneros são, portanto, formas de enunciados produzidas historicamente, que se encontram disponíveis na cultura, como notícia, reportagem, conto (literário, popular, maravilhoso, de fadas, de aventuras…), romance, anúncio, receita médica, receita culinária, tese, monografia, fábula, crônica, cordel, poema, repente, relatório, seminário, palestra, conferência, verbete, parlenda, adivinha, cantiga, anúncio, panfleto, sermão, entre outros.

Os gêneros se caracterizam pelos temas que podem veicular, por sua composição e marcas lingüísticas específicas. Assim, não é qualquer gênero que serve para se dizer qualquer coisa, em qualquer situação comunicativa.

Se alguém pretender discutir uma questão polêmica, como a descriminalização das drogas ou a pena de morte, precisará organizar o seu discurso em um gênero como artigo de opinião, por exemplo. É o gênero que pressupõe a argumentação a favor ou contra questões controversas, mediante a apresentação de argumentos que possam sustentar a posição que se defende e refutar aquelas que forem contrárias àquilo que se defende.

Por outro lado, se a finalidade for relatar um fato ocorrido no dia anterior, certamente a notícia deverá ser o gênero escolhido. Se o que se pretende é orientar alguém na realização de determinada tarefa, pode-se escrever um manual ou relacionar instruções, por exemplo. Se a intenção for apresentar algum ensinamento por meio de situações exemplares, colocando animais como protagonistas para representar determinadas características humanas, então a fábula é o gênero mais apropriado.

Portanto, saber selecionar o gênero para organizar um discurso implica conhecer suas características, para avaliar a sua adequação aos objetivos a que se propõe e ao lugar de circulação, por exemplo. Quanto mais se sabe sobre esse gênero, maiores são as possibilidades do discurso ser eficaz.

Dessa forma, a proficiência do aluno em Língua Portuguesa depende também do conhecimento que ele tem sobre os gêneros e de sua adequação às diferentes situações comunicativas. Suas características, portanto, devem ser objeto de ensino e tema das atividades que se organizar.

Texto original: Kátia Lomba Bräkling
Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
27/03/2002

Orientação para produção de textos – II

Orientação para produção de textos – II

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Produção de textos
Tipo: Metodologias

Uma verdadeira aprendizagem pressupõe uma construção sólida de conceitos. Isso significa:

  • estabelecer relações de comparação;
  • identificar diferenças e semelhanças entre exemplos.

Ou seja, comparar fatos/conteúdos em estudo, independente de sua natureza. A comparação é necessária para observar as características do que está em estudo, construindo os conceitos respectivos.

Assim, ao propor aos alunos a produção de um artigo de opinião, é preciso que antes eles conheçam as características desse gênero, e isto pressupõe:

  • comparar textos organizados em um determinado gênero com outros de gêneros diferentes para estabelecer diferenças;
  • comparar textos do mesmo gênero a fim de estabelecer semelhanças e aprofundar as observações anteriores.

Em seguida, é possível solicitar aos alunos a comparação de um artigo de opinião com uma reportagem e com um editorial para destacar as características que os diferenciam. Esse trabalho possibilita o levantamento dos elementos específicos do artigo de opinião, objeto de estudo. Nesse caso, é possível observar o seguinte:

  • o artigo de opinião é um gênero cujos textos são sempre assinados;
  • nele, discute-se uma questão controversa, de relevância social, como a clonagem humana: deve ou não ser incentivada?
  • usa-se a argumentação em favor de uma determinada posição e da contestação da posição contrária;
  • o texto pode ter um movimento que prevê a apresentação dos argumentos numa ordem de força crescente ou decrescente, e argumentos de diferentes tipos (de autoridade, por exemplificação, do senso comum, de causa e efeito etc.).

No caso do trabalho com o artigo de opinião, a comparação é interessante para determinar as diferenças entre gêneros que circulam também no jornal, observando que aqui há textos de gêneros bastante diferentes, como artigo de opinião, reportagem, notícia, anúncio, carta de leitor, editorial, crônica, horóscopo, resenha, edital, nota de falecimento, nota social, entre outros, rompendo a idéia de que o jornal é um todo homogêneo, com textos organizados em gêneros semelhantes entre si.

É importante que as observações resultantes da comparação entre textos de diferentes gêneros sejam registradas por escrito (coletiva ou individualmente), para que possam ser comparadas com aquelas decorrentes do trabalho entre textos do mesmo gênero. Essa proposta tem como objetivo realizar tanto uma generalização quanto um aprofundamento. Após o primeiro registro, é interessante que se procure caracterizar explicitamente o gênero em estudo por meio da elaboração de um verbete, ao qual se deve voltar depois da segunda atividade de comparação para acrescentar informações, reformular o enunciado, aprofundando o conceito.

Texto Original: Kátia Lomba Bräkling

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Reforma Ortográfica ganha game gratuito na Internet

Reforma Ortográfica ganha game gratuito na Internet

Apresentar as novas regras da escrita de uma maneira lúdica. Esse foi o ponto de partida para a produção de um game interativo e gratuito sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, com abrangência em oito países lusófonos e vigente no Brasil desde o dia 1º de janeiro de 2009, e que busca a unificação da quinta língua mais falada no planeta.

Professores e alunos da rede pública de ensino, assim como todos os internautas podem acessar o game, produzido por meio de uma parceria entre o Canal do Livro e a FMU – SP (Faculdades Metropolitanas Unidas), baseado na publicação Guia da Reforma Ortográfica, idealizada pela FMU e pelo Museu da Língua Portuguesa. Todo o conteúdo teve a chancela do professor Ataliba T. de Castilho, especialista em Língua Portuguesa.


As regras

O desafio do jogo é levar o peão até o final do tabuleiro. Para cada casa que se avança, surge uma nova pergunta sobre as mudanças ortográficas. Ao todo, são 50 questões e 25 casas a serem percorridas. Se o jogador errar a pergunta, tem a chance de respondê-la novamente. Experimente:

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(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Gêneros do discurso e produção de textos (5a a 8a série)

Gêneros do discurso e produção de textos (5a a 8a série)

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Produção de textos
Tipo: Metodologias

Os gêneros do discurso são um elemento fundamental no processo de produção de textos, porque são os responsáveis pelas formas que estes assumem. Qualquer manifestação verbal organiza-se, inevitavelmente, em algum gênero do discurso, seja uma conversa de bar, uma tese de doutoramento, seja linguagem oral ou escrita.

Os gêneros são, portanto, formas de enunciados produzidas historicamente, que se encontram disponíveis na cultura, como notícia, reportagem, conto (literário, popular, maravilhoso, de fadas, de aventuras…), romance, anúncio, receita médica, receita culinária, tese, monografia, fábula, crônica, cordel, poema, repente, relatório, seminário, palestra, conferência, verbete, parlenda, adivinha, cantiga, anúncio, panfleto, sermão, entre outros.

Os gêneros se caracterizam pelos temas que podem veicular, por sua composição e marcas lingüísticas específicas. Assim, não é qualquer gênero que serve para se dizer qualquer coisa, em qualquer situação comunicativa.

Se alguém pretender discutir uma questão polêmica, como a descriminalização das drogas ou a pena de morte, precisará organizar o seu discurso em um gênero como artigo de opinião, por exemplo. É o gênero que pressupõe a argumentação a favor ou contra questões controversas, mediante a apresentação de argumentos que possam sustentar a posição que se defende e refutar aquelas que forem contrárias àquilo que se defende.

Por outro lado, se a finalidade for relatar um fato ocorrido no dia anterior, certamente a notícia deverá ser o gênero escolhido. Se o que se pretende é orientar alguém na realização de determinada tarefa, pode-se escrever um manual ou relacionar instruções, por exemplo. Se a intenção for apresentar algum ensinamento por meio de situações exemplares, colocando animais como protagonistas para representar determinadas características humanas, então a fábula é o gênero mais apropriado.

Portanto, saber selecionar o gênero para organizar um discurso implica conhecer suas características, para avaliar a sua adequação aos objetivos a que se propõe e ao lugar de circulação, por exemplo. Quanto mais se sabe sobre esse gênero, maiores são as possibilidades do discurso ser eficaz.

Dessa forma, a proficiência do aluno em Língua Portuguesa depende também do conhecimento que ele tem sobre os gêneros e de sua adequação às diferentes situações comunicativas. Suas características, portanto, devem ser objeto de ensino e tema das atividades que se organizar.

Para orientar quais são os gêneros mais adequados para cada série do Ensino Fundamental, existe uma proposta de progressão curricular a partir dos estudos de Joaquim Dolz e Bernard Schneuwly (1996). Esses autores propõem agrupamentos de gêneros – Narrar, Expor, Argumentar, Instruir e Relatar, organizados pelas semelhanças que as situações de produção dos gêneros de cada um dos agrupamentos possuem.  Para saber mais, leia o artigo “Elaborando uma progressão didática de gêneros – aspectos lingüístico-enunciativos envolvidos no agrupamento de gêneros ‘Relatar'”, no site da PUC-SP.

Texto original: Kátia Lomba Bräkling
Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
27/03/2002