Como ler uma pintura

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Leitura de obra de arte
Tipo: Artes Visuais

No Ensino Médio, as aulas de Artes Visuais devem possibilitar a formação estética dos alunos, dotando-os de critérios para a apreciação de uma obra de arte. O contato com um amplo repertório de obras é importantíssimo para essa formação, que visa à reflexão sobre a beleza sensível e o fenômeno artístico.

Essa atividade traz sugestão de como o professor pode encaminhar a aproximação dos alunos com as artes visuais. Para isso, será utilizada a pintura “Paisagem Brasileira”, de Lasar Segall.

A proposta inicia-se com a observação detalhada da obra. Ao mostrá-la para os alunos, o professor pede que observem:

As cores
As formas
A composição
O tema

Depois dessa primeira observação, os alunos produzem individualmente um texto descrevendo uma cena imaginada para essa paisagem. A redação deve contemplar os diversos espaços que a paisagem apresenta, como ruas e casas, podendo incluir os personagens que cada um desejar.

A idéia aqui é reforçar a importância da observação plástica e o texto é usado apenas como um recurso de reflexão, pois o enfoque será para o trabalho com as Artes Visuais. Porém, um trabalho em parceria com o professor de Língua Portuguesa que explore as características desses textos, por exemplo, pode ampliar e completar esse exercício.

Na aula seguinte, depois de compartilhar a leitura do texto produzido pelos alunos, o professor solicita-lhes uma pintura (feita com tinta a óleo, aquarela, guache etc.) que tenha como referência a obra observada anteriormente. Ela deverá ser composta com as mesmas cores que Lasar Segall usou e buscar expressar o significado que a obra teve para cada um.

Nessa segunda etapa da atividade, não é preciso retomar o texto produzido pelos alunos. A idéia é que seja enfatizada a linguagem plástica, com a bagagem do que foi feito antes, sem priorizar o entendimento pela linguagem verbal. Do mesmo modo, não é importante o tipo de material a ser utilizado, pois o que importa nessa atividade é o trabalho com as cores.

Após o término das pinturas, é interessante organizar uma exposição para o grupo com todos os trabalhos produzidos. Nesse momento, o professor pode comentar as diferentes soluções encontradas por cada aluno.

Texto original: Lelê Ancona
Edição: Equipe EducaRede

Os sites indicados neste texto foram visitados em 10/05/2002

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Publicar ajuda a ensinar e a aprender

Publicar (na rede) ajuda a ensinar e a aprender

Professores apostam no potencial pedagógico dos blogs para incentivar
o hábito de escrever, o debate e o senso crítico

Leandro Quintanilha
Revista A Rede

Em Blogsfera Marli. professora,
reúne os links de sete edublogs
que mantém com alunos

Os blogs surgiram nos anos 90 como um ícone da liberdade de expressão na Internet. Hoje, essas páginas de livre publicação contam com cerca de 48 milhões de adeptos – e ainda mais prestígio. É que, além de serem fáceis de usar e democráticos por natureza, os blogs se revelam, agora, promissores aliados virtuais dos professores. Na era da inclusão digital, os edublogs representam uma espécie de vanguarda teórico-pedagógica, adaptável a qualquer disciplina, nos diversos níveis de ensino, em todas as camadas sociais.

Para a acadêmica Zilá Moura e Silva, doutora em Didática pela USP, o fenômeno tem feito com que alunos e professores escrevam mais e melhor. “As propostas tradicionais de escrita na escola são muito artificiais. Em geral, as pessoas têm dificuldade em discorrer de forma mais aprofundada sobre um tema”, avalia. Isso ocorre, segundo Zilá, porque os alunos não são estimulados a escrever com envolvimento. Com a possibilidade de publicação, o entusiasmo e o empenho são maiores. E a prática gera uma familiaridade progressiva com a escrita: quanto mais se produz, mais se deseja fazê-lo. “Autoria gera auto-estima”, observa.

A professora de Língua Portuguesa Marli Fiorentin concorda: “Os alunos ficam entusiasmados ao perceber que suas idéias têm valor”. Ela dá aulas para o Ensino Fundamental na Escola Estadual Padre Colbachini, em Nova Bassano, cidade com cerca de 10 mil habitantes no interior do Rio Grande do Sul. Descobriu a blogosfera no começo do ano passado e já mantém sete edublogs. “Com as páginas na Internet, os alunos ficam mais motivados a ler e escrever.”

Blog Contos da Escola: estudantes
de Letras colocam a educação em
debate

O cuidado com o texto também é maior “em relação à forma e ao conteúdo”, afirma Raquel da Cunha Recuero, professora dos cursos de Comunicação da Universidade Católica de Pelotas e doutoranda em Informação e Comunicação. Para ela, esses espaços-autoria são um antídoto para a chamada geração Ctrl C + Ctrl V (atalhos do teclado usados para copiar e colar textos). “O aluno passa a apurar melhor as informações disponíveis na Internet, para construir textos de qualidade”, observa a professora. Escrever seus próprios textos e ler a produção dos colegas são hábitos, afirma, que geram um ciclo positivo. “Ao tentar se superar, eles aprimoram o senso crítico”, diz.


A vida como ela é

Os edublogs favorecem o trabalho em equipe e a construção colaborativa do conhecimento, afirma Sônia Bertocchi, pesquisadora do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária, de São Paulo, e coordenadora do Núcleo de Interatividade do portal EducaRede. Sônia é a criadora do Lousa Digital, um blog de discussões sobre o uso pedagógico da Internet. “Procuro auxiliar o professor na sua prática diária: indicar novos recursos, apresentar projetos bem-sucedidos e promover a interação entre educadores geograficamente distantes, além de divulgar eventos relacionados”, descreve.

Trabalho semelhante é realizado por uma professora em formação, a redatora e estudante de licenciatura em Letras Débora Batello, criadora do Contos da Escola. “Educação não é só lousa e giz. O professor tem que encontrar meios para estimular os alunos”, afirma. O público-alvo de seu blog são professores e aspirantes à carreira. Os temas propostos vão além da relação entre Educação e tecnologia. Polêmicas como sistemas alternativos de avaliação e a política de cotas para negros e estudantes de escolas públicas nas universidades são alguns dos assuntos abordados. Nos comentários, os leitores desenvolvem o debate.

A palavra weblog é uma junção dos vocábulos do inglês web (originalmente, teia; mas hoje também com a acepção de página da internet) com log (diário de bordo). Tradução literal: diário na rede. O blogs, como são hoje chamados, surgiram na década de 90 e, atualmente, o número de adeptos aumenta num ritmo avassalador. O site Technorati, que mantém sistema de busca específico para blogs, estima haver cerca de 48 milhões dessas páginas em funcionamento. Mas, no momento em que você lê esta reportagem, esse número já deve estar defasado – a cada dia, são criados mais de 75 mil novos blogs, segundo o instituto de pesquisa em tecnologia norte-americano Pew Internet. Cerca de 11% dos usuários de internet do mundo são leitores habituais de blogs. Estima-se que sejam publicados 1,2 milhão de novos textos, por dia, o que equivale a 50 mil atualizações por hora.
www.pewinternet.org – Pew Internet
www.technirati.com – Technirati 

A professora Marli, de Nova Bassano, criou seu primeiro blog pedagógico no ano passado, para uma turma de 8ª série: Vidas Secas – Da Ficção à Realidade, inspirado na célebre obra de Graciliano Ramos. “A idéia surgiu porque estávamos sofrendo com uma estiagem muito longa, aqui na região, que nos afetou financeira e emocionalmente”, conta ela. Os alunos analisaram o livro e pesquisaram sobre o contexto histórico em que foi escrito.

Na seqüência, Marli convidou alguns escritores profissionais para colaborar com o edublog, como o mineiro Wellington Pino e os gaúchos Caio Riter e Marcelo Spalding. Em um ano, a professora criou mais seis edublogs. E um sétimo, o Blogosfera M@rli,  reúne todos os links. Vários do alunos mantêm, hoje, blogs pessoais.

O trabalho da professora Zilá com meios de publicação na internet começou há dez anos – antes da “febre” dos blogs. Na Unesp de Bauru, ela participou da criação do site Universidade sem Fronteiras, que não era exatamente um blog, mas reproduzia o conceito de autoria-publicação ao colocar na rede os trabalhos de conclusão de curso.

Era só o começo. No correr dos anos, Zilá começou a adotar blogs propriamente ditos no curso de formação de professores da Faculdade Sumaré, em São Paulo, e no de gestores escolares da Uirapuru Superior, de Sorocaba. “Comecei com provocações”, lembra. Ela criava um blog para a turma no qual propunha problemas a resolver e discussões sobre assuntos polêmicos. Deu certo. Com o tempo, os educadores passaram a criar seus próprios diários virtuais, repassando o gosto da publicação para seus alunos. Tal como aconteceu com Marli.

Os links aqui publicados foram visitados em 29/09/06

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Forma e conteúdo dos textos

Forma e conteúdo dos textos

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Leitura e interpretação
Tipo: Informática

As atividades de leitura e interpretação de texto são fundamentais para a formação do aluno, mas precisam ser feitas de forma a que esse leitor realmente interaja com os sentidos do texto. Os recursos de formatação de fonte do processador de texto Word podem colaborar para o desenvolvimento de uma boa estratégia de leitura.

É aconselhável que o professor primeiramente discuta com a classe sobre como a forma e o conteúdo juntos podem aumentar as possibilidades de transmissão das mensagens. Logo em seguida, os alunos recebem um texto digitado do Word e, sentados ao computador, são apresentados a todas as fontes disponíveis no programa e à possibilidade de aumento do tamanho delas.

Cada dupla de alunos, diante da interpretação que fará, formatará palavras ou expressões com a fonte que ajudar a expressar melhor a idéia transmitida naquele ponto da narrativa.

No fim, é essencial que pelo menos algumas duplas justifiquem para a classe a escolha que fizeram. Dessa forma, estarão explicitando a interpretação que atribuíram ao texto, o que possibilitará ao professor confrontar as opiniões e estimular o debate.
Texto original: Mariza Mendes
Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
17/05/2002

Principais regras do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

Principais regras do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

Pelo novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa essas são as novas formas de se escrever. O documento unifica o idioma em todos os países que o adota e começa a valer a partir de 1º de janeiro de 2009 no Brasil. Até dezembro de 2012, a forma atual também é aceita. O resumo tem como colaboradora a professora Stella Bortoni, linguista da Universidade de Brasília (UnB). Confira:

Alfabeto
Antes do acordo, tinha 23 letras, agora passa a ter 26. O k, w e y voltam ao alfabeto oficial, porque o acordo entende que é um contra-senso haver nomes próprios e abreviaturas com letras que não estavam no alfabeto oficial (caso de kg e km). Além disso, são letras usadas pelo português para nomes indígenas (as línguas indígenas são ágrafas, mas os linguistas estudiosos desses idiomas assim convencionaram). Na prática: nenhuma palavra passa a ser escrita com essas letras – “quilo” não passa a ser “kilo” – por serem “pouco produtivas” ao português, na opinião da linguista.

Somem da Ortografia

Trema
Desaparecem de toda a escrita os dois pontos usados sobre a vogal “u” em algumas palavras, mas apenas da escrita. Assim, em “linguiça”, o “ui” continua a ser pronunciado. Exceção: nomes próprios, como Hübner.

 

Acento diferencial
Também somem da escrita. Portanto, pelo (por meio de, ou preposição + artigo), pêlo (de cachorro, ou substantivo) e pélo (flexão do verbo pelar) passam a ser escritos da mesma maneira. Exceções: para os verbos pôr e pode – do contrário, seria difícil identificar, pelo contexto, se a frase “o país pode alcançar um grande grau de progresso” está no presente ou no passado.

 

Acento circunflexo
Não é mais usado nas palavras terminadas em êem (terceira pessoa do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo de crer, ver, dar…) e em oo (hiato). Caso de crêem, vêem, dêem e de enjôo e vôo.

 

Acento agudo
1 – Nos ditongos abertos éi e ói, ele desaparece da ortografia. Desta forma, “assembléia” e “paranóia” passam a ser assembleia e paranoia. No caso de “apóio”, o leitor deverá compreender o contexto em que se insere – em “Eu apoio o canditato Fulano”, leia-se “eu apóio”, enquanto “Tenho uma mesa de apoio em meu escritório” continua a ser escrito e lido da mesma forma.

2 – Desaparecem no i e no u, após ditongos (união de duas vogais) em palavras com a penúltima sílaba tônica (que é pronunciada com mais força, a paroxítona). Caso de feiúra.

 

Uso do Hífen
Deixa de existir na língua em apenas dois casos:

1 – Quando o segundo elemento começar com s ou r. Estas devem ser duplicadas. Assim, contra-regra passa a ser contrarregra, contra-senso passa a ser contrassenso. Mas há uma exceção: se o prefixo termina em r, tudo fica como está, ou seja, aquela cola super-resistente continua a resistir da mesma forma.

2 – Quando o primeiro elemento termina e o segundo começa com vogal. Ou seja, as rodovias deixam de ser auto-estradas para se tornarem autoestradas e aquela aula fora do ambiente da escola passa a ser uma atividade extraescolar e não mais extra-escolar.

Em Portugal
Caem o “c” e o “p” mudos, como “óptimo” e “acto”. Passam a ser grafadas como o Brasil já fazia. Palavras como “herva” e “húmido” também passam a ser escritas como aqui: erva e úmido.

 

Fonte: Ministério da Cultura

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Fábrica das Letras

Fábrica das Letras

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Leitura e produção de textos
Tipo: Metodologias


Objetivo

Incentivar aqueles que quiserem compartilhar seus escritos – ou idéias para futuros escritos – com outros interessados, conquistando assim um espaço para diálogo, críticas e sugestões.

Execução

  • Proponha ao grupo que faça uma pesquisa com pais de alunos da escola e seus conhecidos, moradores do bairro ou da cidade, para descobrir quem gosta de escrever (cartas, versos, letras de música, letras de rap) e também quem já teve algum livro publicado, ou já colaborou em algum jornal ou revista.
  • Convide essas pessoas para falar com o grupo sobre questões como: Por que escrevem? O que sentem ao escrever? Como percebem a reação dos leitores?
  • Aproxime participantes que vivenciam uma mesma situação – morte, desemprego, velhice, adolescência, namoro, amor não correspondido, ser mãe/pai – e proponha uma oficina de criação literária. Você pode começar oferecendo um rol de textos que tratam dessas situações e depois pedir que cada um tente colocar no papel os próprios sentimentos e vivências. Forme duplas. Os textos produzidos serão trocados entre os participantes de cada dupla e cada um, se for autorizado, poderá sugerir alterações no texto do parceiro.
  • Sugira aos participantes que reúnam os textos em uma única publicação, que poderá ser ilustrada por aqueles que gostam de desenhar, pintar ou fazer gravuras. Motivar o grupo para conseguir patrocínio, junto às casas comerciais e indústrias da região, para reproduzir o livro.
  • Organize, com o grupo, uma noite de autógrafos, com ampla divulgação no bairro e na cidade.

Fonte:
A Arte é de Todos: Artes da Representação, publicação elaborada pelo CENPEC.

Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
26/02/2004

Pedro Bandeira fala da sedução pela leitura

Como conquistar o aluno
que não gosta de ler

Por Beatriz Levischi

Certas situações que a profissão de repórter nos proporciona são, no mínimo, curiosas. Quando entrei em um dos auditórios do congresso “Educador“, numa manhã de sábado, para assistir ao discurso do escritor Pedro Bandeira, imagens muito claras da minha adolescência começaram a pipocar em seqüência de filme.

Ok, eu estava lá para cobrir mais uma palestra – desta vez, sobre como conquistar o aluno que não gosta de ler -, mas não tinha como dissociar o palestrante do autor dos livros que povoaram meu imaginário, de forma encantadora, por anos a fio. “A droga da obediência”, “Pântano de sangue”, “Anjo da morte”, “A droga do amor”, “Agora estou sozinha”, “A marca de uma lágrima”, “Sete faces do humor”, “Sete faces do crime”. Li todos. Não preciso dizer que a expectativa sobre o que se sucederia era enorme. E acho que os professores estavam no mesmo pé, levando em consideração a intensidade dos aplausos.

Bandeira conquistou a platéia, desde o início, com frases fortes – “acho melhor falar errado dizendo a coisa certa, que falar certo dizendo a coisa errada”, alusão ao poeta cearense, Patativa do Assaré -, cantou, dançou, lançou mão de caras e bocas e insistiu na sedução que o professor deve exercer sobre o aluno: “Você não pode falar ‘tem que ler o livro tal’ [fez cara de enjôo], porque o aluno fica desanimado; tem que despertar sua curiosidade para a história”. E polemizou: “Ele fica na televisão porque não tem outra alternativa”.

Se o aluno não se sensibilizar com a matéria, de forma geral, o professor deve achar outro meio de ensinar. “A ida da criança à escola é uma imposição. O recreio é atraente, não a sala de aula. É preciso torná-la fascinante”, argumentou. E os livros de história têm esse poder, diferente da matemática: “Nenhum número é suficiente para emocioná-los”, insistiu.

Bandeira em frases::“Nossa literatura sempre teve que conquistar um espaço inexistente na cabecinha de nossos leitores, teve de ser formadora, antes de ser somente prazerosa”.:: “Os livros para crianças devem ser somente bons, devem procurar conquistar os pequenos leitores através de sua sensibilidade, não de sua razão”.

:: ” A exclusão do conhecimento é a principal causa de todas as demais exclusões”.

:: “Para a nossa elite, é mais importante investir no pé do que na cabeça do filho”.

:: “A parte emocional é a única que importa para a criança. Elas não querem o tênis da moda. Querem o colo do pai”.

:: “O conhecimento é lindo, a burrice é chata. Hoje, quem precisa de um homem forte para carregar sacos? É necessário gente que saiba ler o manual de instrução da máquina que faz isso”.

:: “Eu acredito que minha profissão seja de plantador de esperança. Eu acredito nisso. É por isso que eu escrevo. É por isso que eu vivo”.

Bandeira frisou a importância do aluno descobrir que cresceu de uma aula para a outra, que não é mais a mesma pessoa: “Todo aluno problemático melhora um pouco no fim do ano; o papel do professor é incentivá-lo ao máximo para que isso aconteça”. Lembrou até que nunca foi bom em física: “Tem gente que é ruim em umas coisas e se dá muito bem em outras”. “Cometer erros faz parte da aprendizagem”, sorriu.

Enfatizou que a prova serve para o professor saber qual parte da matéria o aluno não entendeu e explicar de novo, não para mostrar a ele o quanto não sabe. “A nota é completamente idiota. Passa. Não tem que tirar média. É cretino. O que importa é o que eu sei hoje. Ninguém é média”, esbravejou.

A idéia de perseguir o aluno mais fraco, punindo-o, reprovando-o, expulsando-o da escola não agrada o escritor nem um pouco. “Quem é bom aluno não precisa de professor; no entanto, nós professores somos médicos que odeiam os doentes, principalmente os mais graves. Tratamos somente dos sãos, reprovando os pacientes terminais. Reprovação não cura, o que cura são técnicas especiais para problemas especiais; como fazem os médicos nas UTIs”.

Bandeira citou o computador como uma grande invenção para os escritores: “Tirou a perda de tempo chata para redigitar os textos, a cada erro. Mas não escreve o livro; a criatividade é minha. Por isso a tecnologia não prejudica. Só ajuda, em todos os casos”.

No final, divertiu e divertiu-se cantando (e dançando!) músicas especiais para comemorar o dia das mães e das professoras, retiradas do seu último livro, “Obrigado, mamãe!” (Editora Moderna) – com CD que inclui poemas musicados sobre as coisas simples do cotidiano familiar.

Homenageou a própria mãe que, aliás, chamou de “pãe” – já que o pai faleceu antes do seu nascimento. “Pessoa de pouca cultura, foi ela a responsável por fazer despertar em mim o gosto pela leitura, cantando quando eu ia dormir”, confessou.

Rasgou seda também para os docentes (mulheres em sua maioria esmagadora), dizendo que eles é que tinham asfaltado a estrada para o seu “sucesso” – sucesso esse bem caracterizado, diga-se de passagem, com publicação de livros até em grego.

E não faltou ânimo para atender com paciência e simpatia a enorme fila de professoras que pediam “um abraço”, “uma foto”, ou “um autógrafo para o filho pequeno que havia ficado no outro canto do país”.

Os sites indicados neste texto foram visitados em 28/05/2002

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)


Orientação para leitura de textos I (5a a 8a série)

Orientação para leitura de textos I (5a a 8a série)

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Leitura de textos
Tipo: Metodologias

Nas atividades de leitura e compreensão de textos, é preciso estar atento para dois tipos fundamentais de atividades: as que tematizam o processo de leitura e as que buscam o produto do processo de leitura e compreensão do texto.

No primeiro caso, é necessário que a ativação de conhecimentos prévios aconteça. Nos dois casos, é preciso que as questões apresentadas para o desenvolvimento da atividade (estratégias de leitura) não estejam apenas relacionadas à localização de informações no texto, mas que permitam a realização de antecipações e inferências, seguidas de verificação das mesmas.

Dessa forma, antes de propor a leitura de um texto, é preciso ter uma conversa com os alunos, para levantar os conhecimentos que eles já têm sobre o assunto. Esse levantamento possibilita uma leitura mais fácil e aprofundada do texto.

A partir da leitura do título do texto e da articulação dessa informação com outras, como autoria, fonte e características do gênero, é importante solicitar aos alunos que realizem antecipações do que irão encontrar no texto. Por exemplo:

  • Considerando que o título do texto é “Sherlock Holmes à Beira da Morte”, que tipo de assunto o texto abordará?
  • Será uma história, uma notícia ou um poema?
  • Se for uma história, de que tipo será: um conto de fadas, um conto policial, um conto de mistério, de ficção científica?
  • Sabendo que o autor é o mesmo que escreveu o conto “O Cão dos Baskervilles” (ou outro conto do autor que os alunos já conheçam ou que possa servir de referência), vocês mantêm suas respostas anteriores ou as modificam? Por quê?
  • Sabendo que esse texto foi publicado em um livro cujo título é “Contos de Detetives”, podemos manter as hipóteses levantadas até agora?Durante a leitura, é preciso que sejam explicitadas as pistas e os procedimentos utilizados pelos diferentes leitores (os alunos), que possibilitaram determinadas compreensões. Para tanto, é importante que sejam feitas questões ao longo da leitura para propiciar inferências e antecipações, assim como a verificação das mesmas a partir de pistas lingüísticas.

    Na leitura do conto O Homem da Favela, por exemplo, é possível perguntar:

  • Vocês acham que o médico será assaltado mais uma vez? O que faz vocês pensarem assim?
  • Quem é o homem da favela ao qual o título se refere? Que pistas os levaram a pensar assim?
  • Vocês acham que o médico irá atropelar o homem? Por quê?No que se refere ao produto do processo de leitura e compreensão do texto, as questões devem estimular os alunos a realizarem inferências e reconstrução de informações de trechos do texto e não apenas a localização de informações. Por exemplo, no conto “O Homem da Favela”:
  • Aonde o médico ia todo dia?
  • Quantas vezes ele já havia sido assaltado?O professor pode colocar questões para que eles realizem:
  • Inferência: Vocês acham que o homem é, realmente, um assaltante? Por quê?
  • Reconstrução de informações de partes do texto: O que faz o leitor pensar que se tratava de um assaltante?São esses tipos de questão e de estratégias de leitura que podem levar à compreensão efetiva do texto.

    Referências bibliográficas:
    DOYLE, Arthur Conan. “Sherlock Holmes à Beira da Morte”. O Cão dos Baskervilles. São Paulo: Melhoramentos, 1999.
    LOBATO, Manuel. “O Homem da Favela”. LEITE, Alcione Ribeiro. O Fino do Conto. Rio de Janeiro: Editora RHJ.

    Texto original: Kátia Lomba Bräkling
    Edição: Equipe EducaRede

    O site indicado neste texto foi visitado em 04/03/2002

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
04/03/2002

Parque de diversão encadernado

12 de Outubro: Dia Nacional da Leitura


Parque de diversão encadernado

A leitura pode ser uma deliciosa brincadeira e levar crianças e adolescentes a universos muito distantes, sempre de mãos dadas com a imaginação. No próximo dia 12 de outubro, uma extensa programação por todo o país proporcionará essa divertida viagem literária

Por José Alves

Maurício de Souza, um dos expoentes das histórias em quadrinhos no Brasil, afirma que “um dos momentos inesquecíveis da vida de qualquer criança é quando, pela primeira vez, ela junta uma letrinha, mais outra e mais várias delas e começa a…ler!”. Até chegar esse instante mágico na vida de um ser humano, pais e educadores podem e devem estimular a imaginação dos pequenos ao contar histórias que eles ainda não conseguem ler sozinhos e, com esse hábito, oferecer um mundo repleto de personagens e cenários dos quais o olhar infantil se apropria com a inventividade peculiar das crianças. Sim, os livros são brinquedos que estimulam a curiosidade, criticidade e criatividade nos pequenos cidadãos. É por esse motivo, porque imaginar é brincar, que o dia 12 de outubro, data em que se comemora o Dia das Crianças, passou a ser também o Dia Nacional da Leitura.

A data tornou-se oficial em todo o país em 2009, a partir da assinatura da Lei nº 11.899, pelo presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva, que instaurou, além do Dia Nacional da Leitura, também a Semana Nacional da Leitura e da Literatura. Para a sociedade brasileira chegar a essa importante conquista, um longo caminho foi percorrido. Desde 2006, o Instituto Ecofuturo, principal articulador desta iniciativa, vem escrevendo as páginas da história junto com diversos parceiros, por meio de ações que culminaram com a aprovação da lei.

Elas começaram em 2006, com a Primavera Ler é Preciso, para sensibilizar a sociedade sobre a importância de oferecer literatura para crianças desde a primeira infância, por meio de leitura de livros em voz alta. Em 2007 foi realizada a 2ª Primavera Ler é Preciso, com leituras públicas de clássicos da literatura universal durante o Corredor Literário, em São Paulo, em parceria com a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Em 2008, o Dia da Leitura já se tornara lei no Estado de São Paulo. Agora, a iniciativa ganhou o Brasil.

Segundo Christine Fontelles, diretora de Cultura e Educação do Instituto Ecofuturo, “é fundamental destacar que a ideia vem ganhando força com o passar dos anos graças à ampla parceria entre diferentes atores e organizações sociais, entre eles, o Programa EducaRede”. Fontelles destaca também o apoio da Comissão de Educação do Senado e aponta o caminho para um Brasil formado por cidadãos leitores: “articulação e cooperação para conquistar uma política pública que integre as ações governamentais e não governamentais, objetivando a conquista de um programa de acesso à leitura que seja um objetivo de nação”. Esse será o tema do Seminário Dia e Semana Nacional da Leitura, nos dias 14 e 15 de outubro, na Comissão de Educação do Senado, em Brasília, aberto à participação de todos. (Veja a entrevista completa)

Dia Nacional da Leitura 2009: programação para todos os gostos

O público poderá participar de muitas ações neste ano, seja no ambiente presencial ou a distância. No mundo virtual, uma das possibilidades de interação e colaboração entre as pessoas é a Comunidade da Leitura, um espaço para troca de experiências e debates sobre o tema, hospedado no site do Dia Nacional da Leitura, que também apresenta outros canais, entre eles o Momento Família, para a publicação de fotos e relatos de bons momentos de leitura em família, e o Prefeito Amigo da Biblioteca, espaço para incentivar a criação e a manutenção de bibliotecas públicas, escolares e comunitárias nos municípios brasileiros.

O EducaRede escreve a quatro mãos, por meio de uma parceria com o Ecofuturo, a sua participação no evento, e já agendou três bate-papos sobre o tema. O primeiro será no dia13/10, terça, às 15h, com o escritor indígena Daniel Munduruku, com mais de 30 livros publicados, voltados principalmente para o público infanto-juvenil. Quarta-feira, dia 14/10, às 15h, é a vez dos internautas conversarem sobre leitura em voz alta com a fonoaudióloga Lucila Pastorello, da USP. Por fim, no dia 15/10, às 15h, o chat será com o ilustrador e autor de livros infantis Roger Mello.

Além das manifestações pela Internet, o público também está convidado a sair às ruas para celebrar o hábito da leitura. Eventos organizados pelo Instituto Ecofuturo e seus parceiros estão programados para acontecer simultaneamente em todo o país. A maioria deles acontece entre os dias 12 e 16 de outubro. Rodas de leitura em bibliotecas, dramatizações, teatro de fantoches, saraus, contadores de histórias, cinema e encontros com autores compõem o roteiro de atrações destinado a crianças, adolescentes e adultos das cinco regiões brasileiras. Confira a programação do Ecofuturo e a programação dos parceiros.

O Instituto Ecofuturo disponibiliza gratuitamente duas publicações com dicas de como fazer uma leitura pública na sua escola, em casa com a família, entre amigos, na biblioteca do seu bairro e onde mais você imaginar.

São os passaportes “Leitura e Escrita” e “Brincar de Ler”. No Passaporte Leitura e Escrita, você encontra tanto orientações para estimular a leitura quanto as práticas de escrita entre as crianças. Já o passaporte Brincar de Ler apresenta dicas voltadas principalmente para incentivar a família a promover práticas de leitura.

Além das publicações, o Ecofuturo elaborou o “Roteiro Leitura Pública”, com sugestões para organizar uma leitura pública, desde a escolha do local e preparação dos textos que serão lidos até a recepção do público. O EducaRede também diponibiliza produções que tratam do ensino da leitura. Clique aqui para baixar os materiais e acessar as produções do EducaRede.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Orientação para leitura de textos I (1ª a 4ª série)

Orientação para leitura de textos I (1ª a 4ª série)

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Leitura e compreensão de textos
Tipo: Metodologias

Nas atividades de leitura e compreensão de textos, é preciso estar atento para dois tipos fundamentais de atividades: as que tematizam o processo de leitura e as que buscam o produto do processo de leitura e compreensão do texto.

No primeiro caso, é necessário que a ativação de conhecimentos prévios aconteça. Nos dois casos, é preciso que as questões apresentadas para o desenvolvimento da atividade (estratégias de leitura) não estejam apenas relacionadas à localização de informações no texto, mas que permitam a realização de antecipações e inferências, seguidas de verificação das mesmas.

Dessa forma, antes de propor a leitura de um texto, é preciso ter uma conversa com os alunos, para levantar os conhecimentos que eles já têm sobre o assunto. Esse levantamento possibilita uma leitura mais fácil e aprofundada do texto.

A partir da leitura do título do texto e da articulação dessa informação com outras como autoria, fonte e características do gênero, é importante solicitar aos alunos que realizem antecipações do que irão encontrar no texto. Por exemplo:

  • Considerando que o título do texto é “A Princesa e as Ervilhas”, que tipo de assunto você acha que o texto abordará?
  • Você acha que será uma história, uma notícia, um poema…?
  • Sabendo que quem o escreveu foi o mesmo autor de “Chapeuzinho Vermelho”, você mantém suas respostas anteriores ou as modifica? Por quê?
  • E sabendo que ela foi publicada em um livro cujo título é “Um Tesouro de Contos de Fadas”, que hipóteses levantadas até agora você mantém?Durante a leitura, é preciso que sejam explicitados as pistas e os procedimentos utilizados pelos diferentes leitores (os alunos) que possibilitaram determinadas compreensões. Para tanto, é importante que sejam feitas questões ao longo da leitura para propiciar inferências e antecipações, assim como a verificação das mesmas a partir de pistas lingüísticas. Por exemplo:
  • Você acha que a Chapeuzinho Vermelho irá seguir o caminho da floresta ou o caminho do rio? Por quê?
  • Você acha que o lobo irá conseguir realizar o seu intento? Por quê?
  • Por que esse fato – o da proibição da utilização das rocas em todo o reino (em “A Bela Adormecida”) – foi mencionado agora, logo no começo da história?
  • Será que o príncipe irá encontrar a princesa? Por quê? O que faz você pensar assim?No que se refere ao produto do processo de leitura e compreensão do texto, as questões devem estimular os alunos a realizarem inferências e reconstrução de informações de trechos do texto e não apenas a localização de informações. Por exemplo:
  • Quais fadas estiveram no batizado/nascimento da Bela Adormecida?
  • De que animal o caçador retirou o coração para enganar a rainha (em “Branca de Neve”)?
  • Inferência: que sentido faz descobrir que a princesa identifica um grão de ervilha colocado embaixo dos colchões (em “A Princesa e a Ervilha”)?
  • Reconstrução de informações: por que o lobo conseguiu chegar à casa da vovó antes de Chapeuzinho?Esses tipos de questões e estratégias de leitura podem levar à compreensão efetiva do texto.

    Texto original: Kátia Lomba Bräkling
    Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
22/10/2002

Oficinas contam a história do povo

Oficinas de literatura contam a história do povo

De várias partes do País, alunos e professores da rede pública realizam oficinas literárias virtuais dentro do EducaRede. Só no Ceará, são 128 escolas mobilizadas para revelar a história do Estado.


Por João Luiz Marcondes e Verônica Couto
Revista
A Rede

Quem se cadastrar no EducaRede gratuito e aberto a qualquer interessado poderá acompanhar todos os procedimentos, textos e comentários de 170 oficinas literárias online, atualmente em curso dentro do Portal. Mesmo para quem não tem cadastro, também estão no ar 69 livros virtuais, publicados pelas equipes das oficinas já encerradas. Neste acervo, encontra-se, por exemplo, o Gente que Luta, relato emocionamente dos alunos, alguns na faixa dos 60 anos, do Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (Cieja) de Itaquera, na zona leste de São Paulo. Ou a história das Pedras que Falam, com as lendas que cercam os monólitos de Quixadá, no sertão do Ceará, produzido numa escola pública da cidade.

O EducaRede é um portal educacional, desenvolvido pela Fundação Telefônica para apoiar atividades de professores e alunos, principalmente na rede pública. E a Oficina de Criação literária é uma das suas ferramentas, disponível desde 2002 para qualquer um que queira produzir textos de forma colaborativa. Este ano, foi colocada a serviço do projeto História do Ceará em Rede, uma parceria da Fundação com o governo do Estado, por meio da Secretaria de Educação. São 128 escolas cearenses (numa rede com aproximadamente mil estabelecimentos), mobilizadas na pesquisa e na produção de textos online, até dezembro.

?As oficinas foram anunciadas nos órgãos regionais de Educação, e houve grande mobilização das comunidades e incremento no processo de inclusão digital?, comenta Sílvia Silton, técnica da Secretaria de Educação (CE). Na escola municipal Francisco José de Brito, no Crato, no vale do Cariri, a professora Eleuza Braga escolheu o próprio Francisco José de Brito como tema. Foi político influente até os anos 80 e a primeira diretora do colégio, descobriram os alunos, foi sua mulher, Iara. Segundo a professora, o impacto da oficina sobre os 19 estudantes da sua turma foi fenomenal. ?Além de resgatarem a história local, eles melhoraram a qualidade do texto e aprenderam a fazer uso da opinião?, destaca.

:: Por conta própria

Apesar do sucesso, o projeto não precisou de grandes investimentos. O governo do Ceará desembolsou cerca de R$ 4 mil, para as viagens dos multiplicadores (25 professores foram à Fortaleza conhecer as metodologias da Fundação Telefônica). No Juazeiro do Norte, os alunos escreveram sobre o Padre Cícero Romão Batista, o Padim Ciço. Em Barbalha, sul do Estado, sobre as festividades de Santo Antônio, famosas na região. E na homepage do EducaRede, foi destacado o livro Icó, mais de trezentos anos um precioso registro da memória do lugar. ?O projeto possibilitou a inclusão digital de alunos e educadores e o uso pedagógico das tecnologias, um poderoso suporte no trabalho da publicação de um livro virtual?, constata o professor Caubi de Mesquita Bezerra, de uma escola de Sobral, em seu relatório final sobre sua oficina.

Segundo Sérgio Mindlin, diretor-presidente da Fundação Telefônica, quando as oficinas virtuais surgiram, eram abertas apenas pela equipe do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), organização não-governamental que responde pela gestão do Portal EducaRede. As três primeiras experiências foram conduzidas pelo escritor Jorge Marinho. A pedido de um professor do Ceará, contudo, a ferramenta do site recebeu adaptações, no início do ano passado, para que qualquer pessoa pudesse iniciar oficinas autônomas com seus alunos ou colaboradores.

A coordenadora de Educação e Tecnologia do Cenpec, Márcia Padilha, explica que há muitos ganhos pedagógicos no registro compartilhado do andamento da oficina, permitido pela Internet. As correções, os comentários, a evolução dos textos, os exercícios de motivação, os relatórios finais de avaliação, tudo fica no Portal para consulta aberta. A metodologia sugere uma duração de cerca de seis semanas para o trabalho e turmas com 30 participantes, em média. O Portal oferece modelos prontos para capa, créditos, e organização dos textos em livros virtuais.

:: Resgate do laboratório

A ferramenta propõe um aprendizado integrado dos recursos do computador e da Língua Portuguesa. No Ceará, além do professor de Português, as oficinas contam com um professor de História. Mas não ocorrem de maneira uniforme em todas as experiências. De acordo com Airton Dantas, colaborador do Cenpec, há casos em que a escola só tem um micro, ou o laboratório de informática está distante, e os mediadores inventam metodologias próprias. Os relatórios, diz ele, apontam dificuldades causadas, muitas vezes, por restrições de acesso aos equipamentos. Numa mesma oficina, um aluno escreve muito, outro, muito pouco. ?É evidente que alguns conseguiram maneiras de se conectar, num telecentro, numa lan house, e outros, não?, diz Airton.

O Cieja de Itaquera, por exemplo, já tinha um laboratório de informática, mas subutilizado, segundo o professor de História Jorge Medrado, que coordenou a publicação de dois livros no Portal do EducaRede. Na oficina, conta ele, uma das causas de desistência foi, exatamente, o medo do computador. Dos 27 inscritos, 14 concluíram o segundo livro. Por isso, a escola criou um ?itinerário de informática?, iniciação ao computador e à Internet para todas as turmas. A mudança já foi efeito da oficina virtual, que recorre no laboratório apenas uma vez por semana. Parte dos exercícios é feita em sala de aula, e, quando os textos estão mais avançados, são inseridos na ferramenta do Portal.

O primeiro livro do Cieja de Itaquera Gente que Luta, conta as histórias de seus oito autores e como conseguiram retomar os estudos. O segundo, Heróis da Resistência, com oficineiros de 17 a 61 anos, tem o mesmo tema ? mas eles escrevem sobre a vida de outros alunos. A turma atual se dedica à história do bairro. Na primeira fase de motivação, Jorge trabalhou com a biografia da ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, que se alfabetizou aos 15 anos. Um estímulo para a auto-estima dos alunos, fortalecida, ainda, pela repercussão da publicação online do livro. ?Recebi e-mail de uma professora de Rosário do Sul (RS), que imprimiu o livro e motivou os seus alunos para um novo trabalho.

Os sites indicados neste texto foram visitados em 25/09/2005

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)