Como ler uma pintura

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Leitura de obra de arte
Tipo: Artes Visuais

No Ensino Médio, as aulas de Artes Visuais devem possibilitar a formação estética dos alunos, dotando-os de critérios para a apreciação de uma obra de arte. O contato com um amplo repertório de obras é importantíssimo para essa formação, que visa à reflexão sobre a beleza sensível e o fenômeno artístico.

Essa atividade traz sugestão de como o professor pode encaminhar a aproximação dos alunos com as artes visuais. Para isso, será utilizada a pintura “Paisagem Brasileira”, de Lasar Segall.

A proposta inicia-se com a observação detalhada da obra. Ao mostrá-la para os alunos, o professor pede que observem:

As cores
As formas
A composição
O tema

Depois dessa primeira observação, os alunos produzem individualmente um texto descrevendo uma cena imaginada para essa paisagem. A redação deve contemplar os diversos espaços que a paisagem apresenta, como ruas e casas, podendo incluir os personagens que cada um desejar.

A idéia aqui é reforçar a importância da observação plástica e o texto é usado apenas como um recurso de reflexão, pois o enfoque será para o trabalho com as Artes Visuais. Porém, um trabalho em parceria com o professor de Língua Portuguesa que explore as características desses textos, por exemplo, pode ampliar e completar esse exercício.

Na aula seguinte, depois de compartilhar a leitura do texto produzido pelos alunos, o professor solicita-lhes uma pintura (feita com tinta a óleo, aquarela, guache etc.) que tenha como referência a obra observada anteriormente. Ela deverá ser composta com as mesmas cores que Lasar Segall usou e buscar expressar o significado que a obra teve para cada um.

Nessa segunda etapa da atividade, não é preciso retomar o texto produzido pelos alunos. A idéia é que seja enfatizada a linguagem plástica, com a bagagem do que foi feito antes, sem priorizar o entendimento pela linguagem verbal. Do mesmo modo, não é importante o tipo de material a ser utilizado, pois o que importa nessa atividade é o trabalho com as cores.

Após o término das pinturas, é interessante organizar uma exposição para o grupo com todos os trabalhos produzidos. Nesse momento, o professor pode comentar as diferentes soluções encontradas por cada aluno.

Texto original: Lelê Ancona
Edição: Equipe EducaRede

Os sites indicados neste texto foram visitados em 10/05/2002

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Oficinas contam a história do povo

Oficinas de literatura contam a história do povo

De várias partes do País, alunos e professores da rede pública realizam oficinas literárias virtuais dentro do EducaRede. Só no Ceará, são 128 escolas mobilizadas para revelar a história do Estado.


Por João Luiz Marcondes e Verônica Couto
Revista
A Rede

Quem se cadastrar no EducaRede gratuito e aberto a qualquer interessado poderá acompanhar todos os procedimentos, textos e comentários de 170 oficinas literárias online, atualmente em curso dentro do Portal. Mesmo para quem não tem cadastro, também estão no ar 69 livros virtuais, publicados pelas equipes das oficinas já encerradas. Neste acervo, encontra-se, por exemplo, o Gente que Luta, relato emocionamente dos alunos, alguns na faixa dos 60 anos, do Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (Cieja) de Itaquera, na zona leste de São Paulo. Ou a história das Pedras que Falam, com as lendas que cercam os monólitos de Quixadá, no sertão do Ceará, produzido numa escola pública da cidade.

O EducaRede é um portal educacional, desenvolvido pela Fundação Telefônica para apoiar atividades de professores e alunos, principalmente na rede pública. E a Oficina de Criação literária é uma das suas ferramentas, disponível desde 2002 para qualquer um que queira produzir textos de forma colaborativa. Este ano, foi colocada a serviço do projeto História do Ceará em Rede, uma parceria da Fundação com o governo do Estado, por meio da Secretaria de Educação. São 128 escolas cearenses (numa rede com aproximadamente mil estabelecimentos), mobilizadas na pesquisa e na produção de textos online, até dezembro.

?As oficinas foram anunciadas nos órgãos regionais de Educação, e houve grande mobilização das comunidades e incremento no processo de inclusão digital?, comenta Sílvia Silton, técnica da Secretaria de Educação (CE). Na escola municipal Francisco José de Brito, no Crato, no vale do Cariri, a professora Eleuza Braga escolheu o próprio Francisco José de Brito como tema. Foi político influente até os anos 80 e a primeira diretora do colégio, descobriram os alunos, foi sua mulher, Iara. Segundo a professora, o impacto da oficina sobre os 19 estudantes da sua turma foi fenomenal. ?Além de resgatarem a história local, eles melhoraram a qualidade do texto e aprenderam a fazer uso da opinião?, destaca.

:: Por conta própria

Apesar do sucesso, o projeto não precisou de grandes investimentos. O governo do Ceará desembolsou cerca de R$ 4 mil, para as viagens dos multiplicadores (25 professores foram à Fortaleza conhecer as metodologias da Fundação Telefônica). No Juazeiro do Norte, os alunos escreveram sobre o Padre Cícero Romão Batista, o Padim Ciço. Em Barbalha, sul do Estado, sobre as festividades de Santo Antônio, famosas na região. E na homepage do EducaRede, foi destacado o livro Icó, mais de trezentos anos um precioso registro da memória do lugar. ?O projeto possibilitou a inclusão digital de alunos e educadores e o uso pedagógico das tecnologias, um poderoso suporte no trabalho da publicação de um livro virtual?, constata o professor Caubi de Mesquita Bezerra, de uma escola de Sobral, em seu relatório final sobre sua oficina.

Segundo Sérgio Mindlin, diretor-presidente da Fundação Telefônica, quando as oficinas virtuais surgiram, eram abertas apenas pela equipe do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), organização não-governamental que responde pela gestão do Portal EducaRede. As três primeiras experiências foram conduzidas pelo escritor Jorge Marinho. A pedido de um professor do Ceará, contudo, a ferramenta do site recebeu adaptações, no início do ano passado, para que qualquer pessoa pudesse iniciar oficinas autônomas com seus alunos ou colaboradores.

A coordenadora de Educação e Tecnologia do Cenpec, Márcia Padilha, explica que há muitos ganhos pedagógicos no registro compartilhado do andamento da oficina, permitido pela Internet. As correções, os comentários, a evolução dos textos, os exercícios de motivação, os relatórios finais de avaliação, tudo fica no Portal para consulta aberta. A metodologia sugere uma duração de cerca de seis semanas para o trabalho e turmas com 30 participantes, em média. O Portal oferece modelos prontos para capa, créditos, e organização dos textos em livros virtuais.

:: Resgate do laboratório

A ferramenta propõe um aprendizado integrado dos recursos do computador e da Língua Portuguesa. No Ceará, além do professor de Português, as oficinas contam com um professor de História. Mas não ocorrem de maneira uniforme em todas as experiências. De acordo com Airton Dantas, colaborador do Cenpec, há casos em que a escola só tem um micro, ou o laboratório de informática está distante, e os mediadores inventam metodologias próprias. Os relatórios, diz ele, apontam dificuldades causadas, muitas vezes, por restrições de acesso aos equipamentos. Numa mesma oficina, um aluno escreve muito, outro, muito pouco. ?É evidente que alguns conseguiram maneiras de se conectar, num telecentro, numa lan house, e outros, não?, diz Airton.

O Cieja de Itaquera, por exemplo, já tinha um laboratório de informática, mas subutilizado, segundo o professor de História Jorge Medrado, que coordenou a publicação de dois livros no Portal do EducaRede. Na oficina, conta ele, uma das causas de desistência foi, exatamente, o medo do computador. Dos 27 inscritos, 14 concluíram o segundo livro. Por isso, a escola criou um ?itinerário de informática?, iniciação ao computador e à Internet para todas as turmas. A mudança já foi efeito da oficina virtual, que recorre no laboratório apenas uma vez por semana. Parte dos exercícios é feita em sala de aula, e, quando os textos estão mais avançados, são inseridos na ferramenta do Portal.

O primeiro livro do Cieja de Itaquera Gente que Luta, conta as histórias de seus oito autores e como conseguiram retomar os estudos. O segundo, Heróis da Resistência, com oficineiros de 17 a 61 anos, tem o mesmo tema ? mas eles escrevem sobre a vida de outros alunos. A turma atual se dedica à história do bairro. Na primeira fase de motivação, Jorge trabalhou com a biografia da ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, que se alfabetizou aos 15 anos. Um estímulo para a auto-estima dos alunos, fortalecida, ainda, pela repercussão da publicação online do livro. ?Recebi e-mail de uma professora de Rosário do Sul (RS), que imprimiu o livro e motivou os seus alunos para um novo trabalho.

Os sites indicados neste texto foram visitados em 25/09/2005

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Orientação para leitura de textos – II

Orientação para leitura de textos – II

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Produção de textos
Tipo: Metodologias

Quando se realiza uma leitura, adotamos procedimentos diferentes que dependem do por que escolhemos este ou aquele texto para ler. Quer dizer: se estivermos estudando mamíferos, buscaremos no texto informações que nos possibilitem compreender o que são mamíferos; assim, realizaremos uma leitura extensiva do texto, buscando tais informações. Se estivermos, ao contrário, procurando uma informação específica sobre a capacidade de adaptação dos mamíferos ao meio ambiente, apenas este tópico nos interessará e, na leitura, selecionaremos as informações, descartando todas as que não se referirem especificamente a este tópico.

Se lermos a descrição de um imóvel com a finalidade de comprá-lo, certamente nos interessarão os aspectos relacionados às condições do imóvel, à sua localização, acabamento, tamanho, tipo de cômodos, preço, etc. Se, ao contrário, lêssemos a mesma descrição interessados em montar um escritório, os aspectos que nos chamariam a atenção seriam aqueles relativos às facilidades para entrar e sair do imóvel, à existência de vizinhos, de comércio e sistema bancário por perto etc.

Se procurarmos informações sobre um determinado tópico em um livro ou revista não conhecidos, certamente consultaremos o índice, a orelha, ou o prefácio, ou uma a uma dessas partes, à medida que quiséssemos confirmar expectativas.

Se fizermos uma leitura de revisão de texto, aspectos como a legibilidade do texto, as escolhas lexicais ficarão mais evidentes. Se lermos um texto para montar determinado aparelho, a leitura será passo a passo. Ao contrário, se lermos uma bula de remédio, apenas a parte que para nós é inteligível é que será objeto de nossa atenção.

Dessa forma, recomendamos que esses procedimentos de leitura sejam objeto de ensino: é preciso que as finalidades para as leituras propostas em sala de aula sejam apresentadas aos alunos de forma clara e distinta e, para, além disso, é fundamental que essas diferenças entre os procedimentos e, portanto, entre as compreensões decorrentes desses procedimentos sejam discutidas em aula.

Texto Original: Kátia Lomba Bräkling

Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
13/11/2003

Livros de presente

Voto de confiança

Escolas devem entregar os livros doados pelo MEC aos alunos; apostando na formação de leitores, obras são um presente para levar para casa

Por Priscila Gonsales

A escritora e professora de Teoria Literária do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marisa Lajolo, está divulgando na Internet um texto seu (leia abaixo na íntegra) chamando a atenção para o fato de algumas escolas públicas estarem retendo os livros doados aos alunos pelo Ministério da Educação (MEC). A docente se refere ao projeto do MEC “Litetatura em Minha Casa”, que tem por meta distribuir obras literárias de autores renomados a 8,5 milhões de alunos de 4ª e 5ª série do Ensino Fundamental. São 30 títulos diferentes, contabilizando um total de 12,18 milhões de coleções. Livros de Ana Maria Machado, Ruth Rocha, Luís Fernando Veríssimo, João Ubaldo Ribeiro, Oscar Wilde, Mark Twain, Carlos Drumond de Andrade, Cecília Meireles e outros escritores e poetas nacionais e internacionais vão fazer parte da biblioteca particular dos alunos.

De acordo com a iniciativa, cada criança deve levar para casa cinco obras literárias (clássicos nacional e internacional, poesias, contos e lendas brasileiras). O programa, de caráter pioneiro, custou R$ 55 milhões e vai atender 139.119 escolas, que receberão um lote de 24 coleções. Marisa quer sensibilizar a sociedade, propondo que se fiscalize a entrega dos livros aos estudantes A doação tem por objetivo intensificar atividades voltadas à prática da leitura dentro e fora das salas de aula, incentivando a troca dos livros entre os alunos, além de disponibilizar à família do estudante a opção de leitura em casa.

A Escola de Aplicação da Universidade de São Paulo é um exemplo de distribuição adequada. Segundo Marlene Isep, orientadora pedagógica do 4º e 5º ano, a escola organizou a entrega de forma que cada classe recebesse um pouco dos diferentes lotes de livros. No dia marcado, os alunos ficaram sabendo da doação e da possibilidade de troca entre eles. “O livro é de vocês, podem colocar seus nomes”, disseram os professores.

O contentamento foi geral (leia abaixo depoimentos das crianças). A orientação foi a de que poderiam trazer à escola quando quisessem, pois não haveria controle de leitura. “Sabemos da importância de incentivá-los a ler não apenas quando o professor pede”, enfatiza Marlene. Também houve a preocupação por parte da direção em comunicar aos pais, por meio de carta explicativa, que os livros recebidos eram um presente e, portanto, não deveriam ser devolvidos.

Para a professora de Língua Portuguesa, Jacqueline Sant’anna, que participou da distribuição nas classes, a doação dos livros pode ser vista como um voto de confiança no estudante. “Fiquei relembrando o dia em que ganhei uns livros na escola por ter vencido um concurso de redação. Eu estava na 3ª série. Ficou muito claro para mim, naquele momento, que receber um livro era o mesmo que receber um elogio. Entregar um livro a um aluno é o mesmo que lhe dizer o quanto é inteligente, tem bom gosto e, principalmente, que confia nele como leitor”, declara.

Responsabilidade de todos nós

O MEC comprou coleções de livros para todas as crianças da 4ª e 5ª série do Ensino público Fundamental. O nome do projeto é “Literatura em Minha Casa”. Oito milhões de coleções, para oito milhões de alunos. No cardápio, histórias, poemas, peças de teatro. Por conta de Ana Maria Machado, Ângela Lago, Cecília Meireles, Ferreira Gullar, Gonçalves Dias, Pedro Bandeira, Ruth Rocha, Ricardo Azevedo, Vinícius de Morais e muitos outros. Time para ninguém botar defeito, não é mesmo?

Em março deste ano as coleções foram enviadas às escolas para serem entregues aos alunos. Mas nem sempre os livros chegaram às mãos da meninada: muitas escolas estão retendo os livros.

Por quê?

Alegam-se varias razões: que as crianças não vão cuidar dos livros, que é melhor que as coleções fiquem para a biblioteca, que vão entregar os livros no dia da criança ou no final do ano … Enquanto isso, as coleções vão ganhando a poeira das estantes, desaparecendo nos recantos de onde some material sem uso.

Pesquisas sobre leitura são unânimes em apontar a importância de que crianças desde cedo se familiarizem com livros. Mesmo correndo o risco de danificar ou de perder livros, é preciso que as crianças tenham chance de pegá-los, abri-los, desenhar neles, riscá-los, lê-los ou não: a proximidade física e afetiva entre livros e crianças é essencial para a meninada descobrir a leitura.

E é exatamente isto que o projeto Literatura em minha Casa patrocina .

Então, professoras e professores, diretores e diretoras, associações de pais, conselhos de classe, conselhos estaduais e municipais, mamães, madrinhas, titias, irmãos mais velhos … a postos ! Que cada criança receba o livro que lhe foi destinado fica sendo, a partir de agora, responsabilidade também de todos nós. Vamos arregaçar as mangas?

Marisa Lajolo é escritora e professora do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp

 

Veja a opinião dos alunos do 5º ano da Escola de Aplicação da USP

“Foi legal! Nós estávamos doidos para receber os livros. Além de termos gostado, nossos pais adoraram a idéia!”

“Foi um suspense! A coordenadora estava na nossa classe, pensamos que iríamos levar uma bronca daquelas. Quando vimos, já estávamos recebendo os livros maravilhosos. Gostamos muito e nós três já lemos dois livros. Eles são ótimos. Ficamos muito felizes ao receber os livros, mas ficamos desanimados ao saber, pela professora, que algumas escolas não deram os livros aos alunos.”

“Nós recebemos os livros em perfeito estado. A professora não entregou antes porque não tinha para todos. Nós gostamos de todos os livros. Nós não gostamos da atitude das pessoas que não entregaram os livros aos alunos.”

“Na nossa escola, deram todos os livros do nosso direito, todinhos! Eu acho que todos os alunos do 4º e do 5ª ano deveriam ter recebido os livros. As escolas que não deram os livros a esses alunos estão tirando o direito deles.”

“Teve um suspense antes, pois não sabíamos quais livros iríamos receber. Tivemos várias trocas, mas os mais procurados foram Ilha do Tesouro e Os Miseráveis.”

“Com a chegada dos livros eu fiquei muito contente, saber que eles ficariam conosco foi mais legal ainda. Um incentivo gostoso para as pessoas que não lêem por algum motivo. Já li os livros de história e leio aos poucos, curtindo, os de poesia. Achei interessante a preocupação do governo e da escola com a gente. Porque particularmente, adoro ler. A escola nos dar os livros é uma demonstração de confiança nos alunos.”

Os sites indicados neste texto foram visitados em 20/09/2002

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)


Ninguém é igual a ninguém

Ninguém é igual a ninguém

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Leitura e escrita, interação leitor/escritor
Tipo: Texto

O livro “Ninguém é Igual a Ninguém”, de Regina Otero e Regina Rennó, favorece a discussão sobre a identidade e as diferenças pessoais. O texto se divide em duas partes.

Na primeira, o personagem Danilo narra as características físicas dos amigos da rua onde mora. Ele conta sobre o gorducho, a negra, o ruivo e como cada um reage quando atingido em sua fragilidade. Em suas reflexões, Danilo percebe que ninguém é igual a ninguém e que cada um tem qualidades a serem aproveitadas.

Na segunda parte, há um diálogo entre o personagem Tim e o leitor. Esse personagem mobiliza o leitor a pensar sobre si mesmo, lançando questões reflexivas sobre a identidade da criança e seus sentimentos. Desse modo, o livro possibilita à criança desenvolver sua relação intrapessoal e interpessoal. Na relação intrapessoal, ela pode pensar como identifica seu corpo, seus sentimentos e suas possibilidades. Na relação interpessoal, pode tomar consciência do seu olhar sobre o outro e como interage com as diferenças.

O professor pode explorar a leitura e diferentes formas de expressão. Como parte do trabalho, é importante socializar as produções dos alunos, por exemplo, montando painéis, publicando pequenos livros, apresentando dramatizações. O texto permite também desenvolver o tema transversal Ética, enfocando o respeito por si e pelo outro.

Referência bibliográfica:
OTERO, Regina & RENNÓ, Regina. Ninguém é Igual a Ninguém. São Paulo: Editora do Brasil, 2000.

Texto original: Vera Lúcia Moreira
Edição: Equipe EducaRede

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

04/03/2002

O papel da leitura feita pelo professor: A leitura colaborativa

Interatividade nas salas de leitura

Salas de leitura ganham novo status
em São Paulo

Projeto da Secretaria Municipal de Educação começa a promover treinamento de professores da rede para utilização do espaço nas escolas

Por Beatriz Levischi

Imagine um lugar onde todos têm a palavra, lêem e escrevem o mundo em conjunto. Um espaço para troca, expressão e produção. Utopia? Pois é esta a proposta do programa “Círculo de Leituras”, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, que pretende atingir todas as 449 escolas de Ensino Fundamental, e mais de 600 mil alunos, até 2004.

É fato que as “Salas de Leitura” – ambientes com mesas redondas e acervo inicial de mil títulos de literatura infanto-juvenil (ampliado por meio de compras da Secretaria, da própria escola ou doações) – já existem há 30 anos. Mas, nos últimos tempos, seus coordenadores, conhecidos como “orientadores” – professores eleitos para trabalhar com as questões de leitura -, se viam obrigados a substituir os colegas faltosos e o projeto foi sendo deixado de lado.

Agora, com novo fôlego, as antigas salas se transformarão em locais onde se pode trabalhar múltiplas linguagens (como o teatro, a dança, as artes plásticas, o cordel e a música) e diversas possibilidades de leitura (como permite a televisão, o rádio, o vídeo e a Internet). A idéia é inter-relacionar as diferentes áreas e fontes do conhecimento – seja ele cotidiano ou formal -, evitando a fragmentação do saber.

“A escola constitui para muitas crianças a única oportunidade de aproximar-se do livro. Por isso mesmo, sua eficácia depende do uso que dele faz a escola”
Edmir Perrotti (ECA-USP)

Fazem parte, ainda, do “Círculo de Leituras” os seguintes projetos: “Educom”, que busca instalar nas escolas sistemas de comunicação usando a tecnologia das ondas de rádio; “Ciência Hoje”, que pretende aproximar a linguagem cientifica dos alunos e “Sala Interativa”, em que o espaço da sala de leitura é alterado para trabalhar a linguagem multimídia.

Segundo o “Estatuto do Magistério Municipal” (legislação que rege as escolas municipais), regulamentado pela Lei 11434/93, todas as crianças devem passar pelas salas ao menos uma vez por semana, acompanhadas de um professor (de qualquer matéria), responsável por dar continuidade às atividades na sala de aula.

Cerca de 680 professores orientadores receberão treinamento, por meio de oficinas, como parte do Programa de Formação Permanente dos Professores Orientadores. A prática será trabalhada em conjunto à teoria. As oficinas com autores nacionais (Marina Colasanti, Ignácio de Loyola Brandão e Ziraldo, entre outros) acontecem entre os dias 5 e 30 de agosto. Em setembro, os professores se reunirão nos NAEs (Núcleos de Ação Educativa) para discutir a importância do trabalho realizado. Em outubro, é a vez dos autores internacionais – Adriano Duarte (português), Manuel Casteles (espanhol) e Michelle Petit (francesa) – abordarem a questão da leitura. E, finalmente, em novembro, acontece um novo encontro regional para debater sobre a segunda leva de oficinas.

A escolha dos autores oficineiros foi difícil. “A prefeitura reuniu as 40 editoras, das quais compra livros durante o ano, e apresentou o projeto; houve 100% de adesão”, conta Paulo Gonçalo dos Santos, coordenador do programa. Todos os escritores, escolhidos por seus trabalhos com múltiplas linguagens, aceitaram o convite e serão pagos pelas próprias editoras – que também cederão os auditórios para as oficinas.

Se os professores sentirem dificuldades em aplicar o que aprenderam na sala de aula, parcerias com universidades, como a Universidade de São Paulo (USP) e a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), serão estabelecidas para instruí-los melhor, uma vez que, segundo Gonçalo, o público é heterogêneo. “Possuem leituras de mundo diferentes, idades diferentes e enormes frustrações”, comenta Santos.

Publicação

Pegando carona com a publicação bem sucedida de poesias feitas por alunos sobre o estudo da vida e obra de Paulo Freire (“Poetizando Paulo Freire” – livro que será traduzido para o espanhol, possibilitando o seu uso na rede pública da Cidade do México), Santos conta que o próximo passo do programa é divulgar o trabalho de professores e funcionários, desenvolvido nas salas de leitura no livro “Sala de Leitura – 30 anos fazendo escola”. Trata-se de uma coletânia de crônicas sobre as experiências vividas no espaço, escritas pelos próprios educadores. O edital sai até o fim do mês e a entrega do material deve acontecer em setembro. Interessados, comecem a rabiscar.

A idéia é que a salas de leitura passem ainda por mais uma transformação, constituindo-se em “salas interativas”. “Até o ambiente físico será alterado, para aliar múltiplas linguagens e leituras às novas tecnologias; criando assim um espaço multimídia”, explica Santos, frisando que não só a busca, mas também a produção de informação serão possíveis – por meio de computadores, aparelhos de vídeo e som.

Essa primeira fase do programa atingirá 26 escolas (duas por NAE) até o fim do ano, mas até o final da gestão, todas as instituições devem ser alcançadas. “Os computadores já foram comprados e estão chegando; cada sala de leitura receberá quatro máquinas, conectadas à Internet; os laboratórios de informática receberão outras 20. Será a maior rede de ensino da América Latina, com mais de um milhão de alunos conectados”, orgulha-se Santos. Existe ainda a idéia de publicar tudo o que a garotada produzir.

Os sites indicados neste texto foram visitados em 02/08/2002

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Mude as Regras – Jogo das Instruções

Mude as Regras – Jogo das Instruções

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Regras, escrita de instruções
Tipo: Jogos

Um dos aspectos importantes no ensino da Língua Portuguesa é utilizá-la de modo diversificado, ou seja, favorecer o desenvolvimento da competência lingüística dos educandos.

Isso significa aprender a manipular diversos tipos de textos escritos e adequar o registro às diferentes situações de comunicação (recados, cartas, bilhetes, avisos etc.).

O texto instrucional contém informações sobre procedimentos ou normas adequadas a um determinado contexto, por exemplo:

  • uma receita de comida;
  • uso e dosagens de um medicamento;
  • uso de um aparelho eletrônico;
  • um jogo.A linguagem deve ser clara e objetiva, identificar todos os passos a serem percorridos, indicar quantidades ou informações relevantes e os cuidados a serem tomados.

    Relacionar esses conteúdos ao cotidiano do aluno torna a aprendizagem significativa e prazerosa. O professor deve abordar o texto instrucional de forma a favorecer a compreensão sobre a necessidade e importância desse tipo de estrutura de linguagem.

    O “Jogo das Instruções” é uma atividade que atende esses objetivos e é uma alternativa para mobilizar o pensamento da criança sobre suas próprias ações e sobre as ações do seu grupo. O registro das instruções e regras de um jogo e a interação entre os elementos do grupo torna mais dinâmica a escrita de um texto instrucional.

    Além disso, possibilita ao professor perceber como seus alunos o produzem e quais as relações que se estabelecem entre eles durante o processo: o que pensam, o que sentem, como reagem diante de diferentes situações. Nesse clima, é mais fácil intervir sobre as questões que envolvem o registro de instruções, além de auxiliar no entendimento da forma de organização e convivência social do grupo classe.

    O “Jogo das Instruções” parte de brincadeiras conhecidas pelos alunos. O professor pede a eles que tragam de casa um jogo de que gostem, divide a classe em grupos e os deixa jogar na sala de aula. Depois de uma partida, o professor solicita a eles que escrevam as regras que utilizaram para jogar. Esse é um momento precioso para a intervenção na escrita de instruções: clareza das regras, seqüência das ações, estabelecimento de critérios de ganhos ou perdas etc.

    Como desafio, os grupos podem ser orientados a criar outra forma de jogar o mesmo jogo, enfatizando-se que as idéias devem ser novas, estimulando a reflexão e a criatividade dos alunos. As novas instruções precisam ser testadas pelos jogadores.

    No fim, os grupos contam para a classe quais eram as regras originais e as mudanças que foram realizadas. O professor deve mediar e problematizar a exposição de cada grupo, para que a turma perceba a coerência e a lógica das novas instruções.

    Outra possibilidade é trocar os jogos e as instruções escritas entre os grupos, pedir para que joguem a partir das regras escritas pelos colegas e façam a crítica desses textos.

    Além de possibilitar a produção de um texto instrucional, essa proposta reforça a importância de regras e normas para qualquer ação organizada que envolve um grupo de pessoas.

    Pode-se associar a discussão sobre as regras a outras situações de convivência e organização coletiva — como escola, casa, trânsito —, ampliando a especificidade do jogo. Por exemplo:

  • O que acontece quando chegamos atrasados na escola?
  • Qual a regra que temos de respeitar para atravessar a rua? Por quê?
  • Podemos falar todos ao mesmo tempo?Para aprofundar o estudo sobre a estrutura do texto instrucional, podem-se analisar receitas de culinária, bulas de remédios, regras da classe e outros jogos.

    Texto original: Vera Lúcia Moreira
    Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
03/05/2002

Prática das quatro habilidades (ler, escrever, ouvir e falar)

 

Prática das quatro habilidades (ler, escrever, ouvir e falar)

Disciplina:

Língua Inglesa

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Reading, Writing, Listening and Speaking
Tipo: Jogos

Ao propor uma brincadeira de adivinhação em sala de aula o professor pode promover entre os alunos a prática das habilidades de ler, escrever, ouvir e falar em inglês num clima de descontração e interesse.

 

 

 

Preparando e explicando a brincadeira:

 

 

 

Todos os alunos recebem uma ficha  a ser preenchida e uma lista de sugestões de perguntas,  que poderão ser utilizadas durante a brincadeira. Contando apenas com o auxílio do professor, cada aluno deverá preenchê-la e entregá-la ao professor.

 

 

 

As perguntas e respostas devem ser faladas em inglês, e os dados da ficha devem estar todos preenchidos.

 

 

 

A brincadeira

 

 

 

Ao receber todas as fichas, o professor escolhe uma e inicia a brincadeira para exemplificar principalmente as respostas, que deverão ser curtas (short answers), sempre que possível, para facilitar aos alunos o entendimento imediato.

 

 

 

Como regra da brincadeira, não podem ser perguntados nem o nome nem o apelido do aluno, mas pode-se perguntar se ele tem um apelido. Todas as perguntas e respostas devem ser formuladas em voz alta.

 

 

 

Quando o tempo combinado terminar ou os alunos não tiverem mais perguntas a fazer, o professor deve introduzir a questão:

 

 

 

Who is the student?

 

 

 

Depois da resposta correta, um aluno (pode ser aquele que foi identificado ou um dos que o identificou) deverá escolher outra ficha e dar continuidade à brincadeira.

De forma divertida, a atividade oferece muitas oportunidades para a prática contextualizada de cada uma das quatro habilidades (Reading, Writing, Listening and Speaking), com participação coletiva e voluntária.

 

 

 

Texto Original: Zelinda Campos Cardoso

Edição: Equipe EducaRede

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Produção de narrativa com discurso direto

Produção de narrativa com discurso direto

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Produção de narrativa
Tipo: Informática

Há várias possibilidades de se trabalhar em sala de aula com a produção de narrativa com discurso direto. Uma delas pode ser desencadeada a partir de um texto que suscite um diálogo.

Uma vez apresentada a proposta, explicados os objetivos pretendidos e verificadas as condições técnicas de sua escola, proponha aos alunos o trabalho em duplas, utilizando, para isso, o processador de texto. Na dupla, cada um deve assumir um determinado personagem que, considerando a situação discursiva, fará uso da voz dos personagens (variações lingüísticas) por meio dos marcadores de discurso (travessões). O importante nesta atividade é que os alunos percebam os diferentes falares e que saibam transcrevê-los, fazendo uso do discurso direto.

A título de ilustração, o texto “Teresinha de Jesus”, de Chico Buarque de Holanda, apresenta três diferentes personagens. A segunda estrofe contempla esta proposição, obviamente depois de lido e comentado todo o poema. Quando concluídos os diálogos, os alunos poderão disponibilizá-los para leitura e comentários dos colegas de classe.

Após mediar essa discussão, o professor observará com seus alunos a necessidade ou não da presença do narrador para que aquela história subentendida em seus diálogos contextualize-se para outros leitores. A discussão sobre o papel do narrador aqui pode fazer avançar muito a escrita dos alunos, mas não basta discursar sobre esse elemento da narrativa. É preciso experimentar:

  • oralmente contar uma história em primeira ou terceira pessoa;
  • ler e identificar tipos de narradores em diferentes textos;
  • transformar um texto com narrador em primeira pessoa para terceira pessoa;
  • transformar um texto com narrador de terceira pessoa para primeira pessoa;
  • verificar as mudanças que ocorrem em verbos, pronomes quando a pessoa do narrador é modificada;
  • comparar e estabelecer as diferenças entre autor e narrador do texto.O professor pode ressaltar a importância do papel do narrador não só como o de condutor de um enredo coerente que envolve personagens num determinado tempo e espaço, e o de quem apresenta a narrativa sob sua perspectiva e pelo foco narrativo autorizados pelo autor, como também, aquele que, por meio desses recursos, persuadirá o leitor a testemunhar cada instante narrado.

    De posse dessas informações, os alunos cuidarão para que o narrador seja inserido nos seus diálogos por meio dos recursos do processador de texto que permitem, além da inserção, substituir, excluir, recortar, copiar e colar palavras e/ou expressões, promovendo uma rica e dinâmica atividade de linguagem.

    Texto original: Mariza Mendes
    Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
22/05/2003

Cordelando

Cordelando

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Leitura e produção de textos
Tipo: Metodologias

Objetivos

Possibilitar que os amantes do gênero cordel possam trocar, declamar, comentar; ler e ouvir textos dos repentistas; produzir folhetos de cordel.

Execução

  • Exponha, num varal, vários folhetos de cordel, e convide os participantes para manusear o material. Se houver, na comunidade, algum repentista, convide-o para uma conversa com o grupo.
  • Peça aos participantes que escolham um folheto e promova a leitura coletiva do mesmo: alguém será o narrador e outros assumirão o lugar dos personagens.
  • Organize uma discussão sobre a história lida. Que valores são defendidos? O que é criticado? Por quê?
  • Proponha aos participantes que se dividam em grupos e criem uma história sobre um tema que esteja provocando debate no momento. Lembre as pessoas que, segundo a tradição, o assunto escolhido deve se encaixar numa das formas de cordel: Conselhos, Profecias, Gracejo, Acontecidos, Carestia, Exemplos, Fenômenos, Pelejas, Bravuras e Valentia, Safadeza, Política, Propaganda.
  • Depois, com a ajuda dos que têm mais facilidade para construir versos e rimas ao estilo de cordel, os grupos transformarão suas histórias em folhetos.
  • Se houver quem saiba fazer xilogravura, proponha que os folhetos sejam ilustrados utilizando essa técnica, como nos cordéis tradicionais.
  • Organize com o grupo uma festa para apresentação e leitura dos folhetos, com participação da comunidade.

Fonte:
A Arte é de Todos: Artes da Palavra, publicação elaborada pelo CENPEC.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)