Como ler uma pintura

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Leitura de obra de arte
Tipo: Artes Visuais

No Ensino Médio, as aulas de Artes Visuais devem possibilitar a formação estética dos alunos, dotando-os de critérios para a apreciação de uma obra de arte. O contato com um amplo repertório de obras é importantíssimo para essa formação, que visa à reflexão sobre a beleza sensível e o fenômeno artístico.

Essa atividade traz sugestão de como o professor pode encaminhar a aproximação dos alunos com as artes visuais. Para isso, será utilizada a pintura “Paisagem Brasileira”, de Lasar Segall.

A proposta inicia-se com a observação detalhada da obra. Ao mostrá-la para os alunos, o professor pede que observem:

As cores
As formas
A composição
O tema

Depois dessa primeira observação, os alunos produzem individualmente um texto descrevendo uma cena imaginada para essa paisagem. A redação deve contemplar os diversos espaços que a paisagem apresenta, como ruas e casas, podendo incluir os personagens que cada um desejar.

A idéia aqui é reforçar a importância da observação plástica e o texto é usado apenas como um recurso de reflexão, pois o enfoque será para o trabalho com as Artes Visuais. Porém, um trabalho em parceria com o professor de Língua Portuguesa que explore as características desses textos, por exemplo, pode ampliar e completar esse exercício.

Na aula seguinte, depois de compartilhar a leitura do texto produzido pelos alunos, o professor solicita-lhes uma pintura (feita com tinta a óleo, aquarela, guache etc.) que tenha como referência a obra observada anteriormente. Ela deverá ser composta com as mesmas cores que Lasar Segall usou e buscar expressar o significado que a obra teve para cada um.

Nessa segunda etapa da atividade, não é preciso retomar o texto produzido pelos alunos. A idéia é que seja enfatizada a linguagem plástica, com a bagagem do que foi feito antes, sem priorizar o entendimento pela linguagem verbal. Do mesmo modo, não é importante o tipo de material a ser utilizado, pois o que importa nessa atividade é o trabalho com as cores.

Após o término das pinturas, é interessante organizar uma exposição para o grupo com todos os trabalhos produzidos. Nesse momento, o professor pode comentar as diferentes soluções encontradas por cada aluno.

Texto original: Lelê Ancona
Edição: Equipe EducaRede

Os sites indicados neste texto foram visitados em 10/05/2002

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Interatividade nas salas de leitura

Salas de leitura ganham novo status
em São Paulo

Projeto da Secretaria Municipal de Educação começa a promover treinamento de professores da rede para utilização do espaço nas escolas

Por Beatriz Levischi

Imagine um lugar onde todos têm a palavra, lêem e escrevem o mundo em conjunto. Um espaço para troca, expressão e produção. Utopia? Pois é esta a proposta do programa “Círculo de Leituras”, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, que pretende atingir todas as 449 escolas de Ensino Fundamental, e mais de 600 mil alunos, até 2004.

É fato que as “Salas de Leitura” – ambientes com mesas redondas e acervo inicial de mil títulos de literatura infanto-juvenil (ampliado por meio de compras da Secretaria, da própria escola ou doações) – já existem há 30 anos. Mas, nos últimos tempos, seus coordenadores, conhecidos como “orientadores” – professores eleitos para trabalhar com as questões de leitura -, se viam obrigados a substituir os colegas faltosos e o projeto foi sendo deixado de lado.

Agora, com novo fôlego, as antigas salas se transformarão em locais onde se pode trabalhar múltiplas linguagens (como o teatro, a dança, as artes plásticas, o cordel e a música) e diversas possibilidades de leitura (como permite a televisão, o rádio, o vídeo e a Internet). A idéia é inter-relacionar as diferentes áreas e fontes do conhecimento – seja ele cotidiano ou formal -, evitando a fragmentação do saber.

“A escola constitui para muitas crianças a única oportunidade de aproximar-se do livro. Por isso mesmo, sua eficácia depende do uso que dele faz a escola”
Edmir Perrotti (ECA-USP)

Fazem parte, ainda, do “Círculo de Leituras” os seguintes projetos: “Educom”, que busca instalar nas escolas sistemas de comunicação usando a tecnologia das ondas de rádio; “Ciência Hoje”, que pretende aproximar a linguagem cientifica dos alunos e “Sala Interativa”, em que o espaço da sala de leitura é alterado para trabalhar a linguagem multimídia.

Segundo o “Estatuto do Magistério Municipal” (legislação que rege as escolas municipais), regulamentado pela Lei 11434/93, todas as crianças devem passar pelas salas ao menos uma vez por semana, acompanhadas de um professor (de qualquer matéria), responsável por dar continuidade às atividades na sala de aula.

Cerca de 680 professores orientadores receberão treinamento, por meio de oficinas, como parte do Programa de Formação Permanente dos Professores Orientadores. A prática será trabalhada em conjunto à teoria. As oficinas com autores nacionais (Marina Colasanti, Ignácio de Loyola Brandão e Ziraldo, entre outros) acontecem entre os dias 5 e 30 de agosto. Em setembro, os professores se reunirão nos NAEs (Núcleos de Ação Educativa) para discutir a importância do trabalho realizado. Em outubro, é a vez dos autores internacionais – Adriano Duarte (português), Manuel Casteles (espanhol) e Michelle Petit (francesa) – abordarem a questão da leitura. E, finalmente, em novembro, acontece um novo encontro regional para debater sobre a segunda leva de oficinas.

A escolha dos autores oficineiros foi difícil. “A prefeitura reuniu as 40 editoras, das quais compra livros durante o ano, e apresentou o projeto; houve 100% de adesão”, conta Paulo Gonçalo dos Santos, coordenador do programa. Todos os escritores, escolhidos por seus trabalhos com múltiplas linguagens, aceitaram o convite e serão pagos pelas próprias editoras – que também cederão os auditórios para as oficinas.

Se os professores sentirem dificuldades em aplicar o que aprenderam na sala de aula, parcerias com universidades, como a Universidade de São Paulo (USP) e a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), serão estabelecidas para instruí-los melhor, uma vez que, segundo Gonçalo, o público é heterogêneo. “Possuem leituras de mundo diferentes, idades diferentes e enormes frustrações”, comenta Santos.

Publicação

Pegando carona com a publicação bem sucedida de poesias feitas por alunos sobre o estudo da vida e obra de Paulo Freire (“Poetizando Paulo Freire” – livro que será traduzido para o espanhol, possibilitando o seu uso na rede pública da Cidade do México), Santos conta que o próximo passo do programa é divulgar o trabalho de professores e funcionários, desenvolvido nas salas de leitura no livro “Sala de Leitura – 30 anos fazendo escola”. Trata-se de uma coletânia de crônicas sobre as experiências vividas no espaço, escritas pelos próprios educadores. O edital sai até o fim do mês e a entrega do material deve acontecer em setembro. Interessados, comecem a rabiscar.

A idéia é que a salas de leitura passem ainda por mais uma transformação, constituindo-se em “salas interativas”. “Até o ambiente físico será alterado, para aliar múltiplas linguagens e leituras às novas tecnologias; criando assim um espaço multimídia”, explica Santos, frisando que não só a busca, mas também a produção de informação serão possíveis – por meio de computadores, aparelhos de vídeo e som.

Essa primeira fase do programa atingirá 26 escolas (duas por NAE) até o fim do ano, mas até o final da gestão, todas as instituições devem ser alcançadas. “Os computadores já foram comprados e estão chegando; cada sala de leitura receberá quatro máquinas, conectadas à Internet; os laboratórios de informática receberão outras 20. Será a maior rede de ensino da América Latina, com mais de um milhão de alunos conectados”, orgulha-se Santos. Existe ainda a idéia de publicar tudo o que a garotada produzir.

Os sites indicados neste texto foram visitados em 02/08/2002

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Mude as Regras – Jogo das Instruções

Mude as Regras – Jogo das Instruções

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Regras, escrita de instruções
Tipo: Jogos

Um dos aspectos importantes no ensino da Língua Portuguesa é utilizá-la de modo diversificado, ou seja, favorecer o desenvolvimento da competência lingüística dos educandos.

Isso significa aprender a manipular diversos tipos de textos escritos e adequar o registro às diferentes situações de comunicação (recados, cartas, bilhetes, avisos etc.).

O texto instrucional contém informações sobre procedimentos ou normas adequadas a um determinado contexto, por exemplo:

  • uma receita de comida;
  • uso e dosagens de um medicamento;
  • uso de um aparelho eletrônico;
  • um jogo.A linguagem deve ser clara e objetiva, identificar todos os passos a serem percorridos, indicar quantidades ou informações relevantes e os cuidados a serem tomados.

    Relacionar esses conteúdos ao cotidiano do aluno torna a aprendizagem significativa e prazerosa. O professor deve abordar o texto instrucional de forma a favorecer a compreensão sobre a necessidade e importância desse tipo de estrutura de linguagem.

    O “Jogo das Instruções” é uma atividade que atende esses objetivos e é uma alternativa para mobilizar o pensamento da criança sobre suas próprias ações e sobre as ações do seu grupo. O registro das instruções e regras de um jogo e a interação entre os elementos do grupo torna mais dinâmica a escrita de um texto instrucional.

    Além disso, possibilita ao professor perceber como seus alunos o produzem e quais as relações que se estabelecem entre eles durante o processo: o que pensam, o que sentem, como reagem diante de diferentes situações. Nesse clima, é mais fácil intervir sobre as questões que envolvem o registro de instruções, além de auxiliar no entendimento da forma de organização e convivência social do grupo classe.

    O “Jogo das Instruções” parte de brincadeiras conhecidas pelos alunos. O professor pede a eles que tragam de casa um jogo de que gostem, divide a classe em grupos e os deixa jogar na sala de aula. Depois de uma partida, o professor solicita a eles que escrevam as regras que utilizaram para jogar. Esse é um momento precioso para a intervenção na escrita de instruções: clareza das regras, seqüência das ações, estabelecimento de critérios de ganhos ou perdas etc.

    Como desafio, os grupos podem ser orientados a criar outra forma de jogar o mesmo jogo, enfatizando-se que as idéias devem ser novas, estimulando a reflexão e a criatividade dos alunos. As novas instruções precisam ser testadas pelos jogadores.

    No fim, os grupos contam para a classe quais eram as regras originais e as mudanças que foram realizadas. O professor deve mediar e problematizar a exposição de cada grupo, para que a turma perceba a coerência e a lógica das novas instruções.

    Outra possibilidade é trocar os jogos e as instruções escritas entre os grupos, pedir para que joguem a partir das regras escritas pelos colegas e façam a crítica desses textos.

    Além de possibilitar a produção de um texto instrucional, essa proposta reforça a importância de regras e normas para qualquer ação organizada que envolve um grupo de pessoas.

    Pode-se associar a discussão sobre as regras a outras situações de convivência e organização coletiva — como escola, casa, trânsito —, ampliando a especificidade do jogo. Por exemplo:

  • O que acontece quando chegamos atrasados na escola?
  • Qual a regra que temos de respeitar para atravessar a rua? Por quê?
  • Podemos falar todos ao mesmo tempo?Para aprofundar o estudo sobre a estrutura do texto instrucional, podem-se analisar receitas de culinária, bulas de remédios, regras da classe e outros jogos.

    Texto original: Vera Lúcia Moreira
    Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
03/05/2002

Prática das quatro habilidades (ler, escrever, ouvir e falar)

 

Prática das quatro habilidades (ler, escrever, ouvir e falar)

Disciplina:

Língua Inglesa

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Reading, Writing, Listening and Speaking
Tipo: Jogos

Ao propor uma brincadeira de adivinhação em sala de aula o professor pode promover entre os alunos a prática das habilidades de ler, escrever, ouvir e falar em inglês num clima de descontração e interesse.

 

 

 

Preparando e explicando a brincadeira:

 

 

 

Todos os alunos recebem uma ficha  a ser preenchida e uma lista de sugestões de perguntas,  que poderão ser utilizadas durante a brincadeira. Contando apenas com o auxílio do professor, cada aluno deverá preenchê-la e entregá-la ao professor.

 

 

 

As perguntas e respostas devem ser faladas em inglês, e os dados da ficha devem estar todos preenchidos.

 

 

 

A brincadeira

 

 

 

Ao receber todas as fichas, o professor escolhe uma e inicia a brincadeira para exemplificar principalmente as respostas, que deverão ser curtas (short answers), sempre que possível, para facilitar aos alunos o entendimento imediato.

 

 

 

Como regra da brincadeira, não podem ser perguntados nem o nome nem o apelido do aluno, mas pode-se perguntar se ele tem um apelido. Todas as perguntas e respostas devem ser formuladas em voz alta.

 

 

 

Quando o tempo combinado terminar ou os alunos não tiverem mais perguntas a fazer, o professor deve introduzir a questão:

 

 

 

Who is the student?

 

 

 

Depois da resposta correta, um aluno (pode ser aquele que foi identificado ou um dos que o identificou) deverá escolher outra ficha e dar continuidade à brincadeira.

De forma divertida, a atividade oferece muitas oportunidades para a prática contextualizada de cada uma das quatro habilidades (Reading, Writing, Listening and Speaking), com participação coletiva e voluntária.

 

 

 

Texto Original: Zelinda Campos Cardoso

Edição: Equipe EducaRede

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Produção de narrativa com discurso direto

Produção de narrativa com discurso direto

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Produção de narrativa
Tipo: Informática

Há várias possibilidades de se trabalhar em sala de aula com a produção de narrativa com discurso direto. Uma delas pode ser desencadeada a partir de um texto que suscite um diálogo.

Uma vez apresentada a proposta, explicados os objetivos pretendidos e verificadas as condições técnicas de sua escola, proponha aos alunos o trabalho em duplas, utilizando, para isso, o processador de texto. Na dupla, cada um deve assumir um determinado personagem que, considerando a situação discursiva, fará uso da voz dos personagens (variações lingüísticas) por meio dos marcadores de discurso (travessões). O importante nesta atividade é que os alunos percebam os diferentes falares e que saibam transcrevê-los, fazendo uso do discurso direto.

A título de ilustração, o texto “Teresinha de Jesus”, de Chico Buarque de Holanda, apresenta três diferentes personagens. A segunda estrofe contempla esta proposição, obviamente depois de lido e comentado todo o poema. Quando concluídos os diálogos, os alunos poderão disponibilizá-los para leitura e comentários dos colegas de classe.

Após mediar essa discussão, o professor observará com seus alunos a necessidade ou não da presença do narrador para que aquela história subentendida em seus diálogos contextualize-se para outros leitores. A discussão sobre o papel do narrador aqui pode fazer avançar muito a escrita dos alunos, mas não basta discursar sobre esse elemento da narrativa. É preciso experimentar:

  • oralmente contar uma história em primeira ou terceira pessoa;
  • ler e identificar tipos de narradores em diferentes textos;
  • transformar um texto com narrador em primeira pessoa para terceira pessoa;
  • transformar um texto com narrador de terceira pessoa para primeira pessoa;
  • verificar as mudanças que ocorrem em verbos, pronomes quando a pessoa do narrador é modificada;
  • comparar e estabelecer as diferenças entre autor e narrador do texto.O professor pode ressaltar a importância do papel do narrador não só como o de condutor de um enredo coerente que envolve personagens num determinado tempo e espaço, e o de quem apresenta a narrativa sob sua perspectiva e pelo foco narrativo autorizados pelo autor, como também, aquele que, por meio desses recursos, persuadirá o leitor a testemunhar cada instante narrado.

    De posse dessas informações, os alunos cuidarão para que o narrador seja inserido nos seus diálogos por meio dos recursos do processador de texto que permitem, além da inserção, substituir, excluir, recortar, copiar e colar palavras e/ou expressões, promovendo uma rica e dinâmica atividade de linguagem.

    Texto original: Mariza Mendes
    Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
22/05/2003

Cordelando

Cordelando

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Leitura e produção de textos
Tipo: Metodologias

Objetivos

Possibilitar que os amantes do gênero cordel possam trocar, declamar, comentar; ler e ouvir textos dos repentistas; produzir folhetos de cordel.

Execução

  • Exponha, num varal, vários folhetos de cordel, e convide os participantes para manusear o material. Se houver, na comunidade, algum repentista, convide-o para uma conversa com o grupo.
  • Peça aos participantes que escolham um folheto e promova a leitura coletiva do mesmo: alguém será o narrador e outros assumirão o lugar dos personagens.
  • Organize uma discussão sobre a história lida. Que valores são defendidos? O que é criticado? Por quê?
  • Proponha aos participantes que se dividam em grupos e criem uma história sobre um tema que esteja provocando debate no momento. Lembre as pessoas que, segundo a tradição, o assunto escolhido deve se encaixar numa das formas de cordel: Conselhos, Profecias, Gracejo, Acontecidos, Carestia, Exemplos, Fenômenos, Pelejas, Bravuras e Valentia, Safadeza, Política, Propaganda.
  • Depois, com a ajuda dos que têm mais facilidade para construir versos e rimas ao estilo de cordel, os grupos transformarão suas histórias em folhetos.
  • Se houver quem saiba fazer xilogravura, proponha que os folhetos sejam ilustrados utilizando essa técnica, como nos cordéis tradicionais.
  • Organize com o grupo uma festa para apresentação e leitura dos folhetos, com participação da comunidade.

Fonte:
A Arte é de Todos: Artes da Palavra, publicação elaborada pelo CENPEC.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Produção de conto de fadas

Produção de conto de fadas

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Produção de textos
Tipo: Metodologias

Uma aprendizagem efetiva pressupõe uma construção sólida de conceitos. Essa construção, por sua vez, implica estabelecer diferenças e semelhanças entre exemplos dos fatos/conteúdos em estudo e fazer comparações. Elas são necessárias para que as características do que está em estudo possam ser observadas, construindo os conceitos respectivos.

Por exemplo, se a proposta é produzir contos de fadas, é preciso que os alunos conheçam as características desse gênero. Conhecer tais características pressupõe comparar textos organizados nesse gênero com outros de outros gêneros, para estabelecer diferenças. Depois, comparar com textos do mesmo gênero, para estabelecer semelhanças e aprofundar as observações anteriores.

É possível, por exemplo, solicitar que os alunos comparem um conto de fadas (“A Bela Adormecida”) com um conto maravilhoso (“Aladin e a lâmpada maravilhosa”) e com um conto de aventuras (“Os doze trabalhos de Hércules”).

Após observar as diferenças entre eles, é possível fazer o levantamento das características específicas do conto de fadas:

  • presença das fadas, de uma heroína e da(o)
    vilã(ão);
  • organização num eixo temporal, com tempo indeterminado, que se organiza num movimento que prevê a apresentação do cenário e de uma situação de equilíbrio inicial;
  • a alteração do equilíbrio por algum problema;
  • a volta a um equilíbrio reconstruído pela resolução do problema (castigo do vilão, recompensa à “heroína/herói”) e um término com a apresentação de algumas expressões consagradas como “E foram felizes para sempre”.É importante que essas observações sejam registradas por escrito (coletiva ou individualmente), para que possam ser comparadas com as que forem feitas na comparação entre textos do mesmo gênero, com a perspectiva de realizar tanto uma generalização quanto um aprofundamento.

    Após o primeiro registro, é interessante que se procure caracterizar explicitamente o gênero em estudo, por meio da elaboração de um verbete, ao qual se deve voltar depois da segunda atividade de comparação para acrescentar informações, reformular o enunciado, aprofundando o conceito.

    Texto original: Kátia Lomba Bräkling
    Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
04/03/2002

Mar de histórias

Mar de histórias

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Leitura e produção de textos
Tipo: Metodologias


Objetivos

Incentivar o prazer de contar e ouvir histórias; utilizar a literatura para ver com outros olhos os problemas do cotidiano.

Execução

Lembre-se de que não são apenas as crianças que gostam de ouvir histórias. Os jovens e adultos também adoram. Por isso, se você se propuser a contar/recontar histórias e a organizar sessões de leitura coletiva de contos ou narrativas mais longas, com certeza será muito bem recebido(a). Para incrementar, você pode:

  • recontar romance, novela ou conto com suas palavras, de forma a provocar a emoção dos ouvintes. Pedir que, a cada semana, alguém prepare uma história ou causo para apresentar;
  • organizar eventos como: Hoje à noite (ou à tarde…) é dia de terror (ou de humor, ou de romance…), para abrir espaço para leitura de narrativas de diversos gêneros;
  • estimular a organização de grupos para a leitura de romances em capítulos, tal como se fazia antigamente.

E atenção!
Converse com o grupo e ligue suas antenas para captar os temas ou problemas que estão mobilizando as pessoas no momento. Recomende, para serem contados ou lidos em grupo, livros que tratam desses temas “quentes”. Algumas sugestões:

Meio ambiente

Discriminação/Intolerância

Gravidez na adolescência

Fonte
:
A Arte é de Todos: Artes da Palavra, publicação elaborada pelo CENPEC.

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Educarede)

Orientação para produção de textos II (1ª a 4ª série)

Orientação para produção de textos II (1ª a 4ª série)

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Produção de textos
Tipo: Metodologias

Uma aprendizagem efetiva pressupõe a construção sólida de conceitos. Isso significa estabelecer relações de comparação e identificar diferenças e semelhanças entre exemplos, ou seja, comparar fatos e conteúdos, quaisquer que sejam eles. A comparação é necessária para que se possam observar as características do tema em estudo, construindo os conceitos respectivos.

Por exemplo, ao propor aos alunos a produção de um conto de fadas, é preciso que eles conheçam as características desse gênero. Para tanto, o professor pode trabalhar tais características por meio de duas atividades:

  • A primeira visa a comparação de textos de um determinado gênero com outros de gêneros diversos, para estabelecer diferenças;
  • A segunda tem por objetivo a comparação de textos dentro de um mesmo gênero, para estabelecer semelhanças e aprofundar as observações anteriores.O professor pode solicitar que os alunos comparem um conto de fadas – por exemplo, “A Bela Adormecida” – com um conto maravilhoso – “Aladin e a Lâmpada Maravilhosa” – e um conto de aventuras – “Os Doze Trabalhos de Hércules” –, para observar as características que os diferenciam. Isso possibilita o levantamento das características específicas do conto de fadas, tais como:
  • presença de fadas;
  • presença de uma heroína (virtuosa, que sofre a história toda, sendo recompensada no final com um belo casamento com um príncipe);
  • existência de uma vilã ou de um vilão;
  • organização em um eixo temporal, com tempo indeterminado, que prevê a apresentação do cenário e de uma situação de equilíbrio inicial;
  • alteração do equilíbrio por algum problema;
  • volta a um equilíbrio reconstruído pela resolução do problema (castigo do vilão, recompensa à heroína ou ao herói);
  • término com a apresentação de algumas expressões consagradas, como “E foram felizes para sempre”.É importante que as observações feitas na comparação entre textos de diferentes gêneros sejam registradas por escrito (coletiva ou individualmente), para que sejam comparadas com as observações que forem feitas na segunda atividade, de comparação entre textos de um mesmo gênero.

    Como essa proposta tem por objetivo realizar tanto uma generalização quanto um aprofundamento, é interessante que, após o primeiro registro, se procure caracterizar explicitamente o gênero em estudo. Isso pode ser feito por meio da elaboração de um verbete, ao qual se deve voltar depois da segunda atividade para acrescentar informações e reformular o enunciado, aprofundando o conceito.

    Texto original: Kátia Lomba Bräkling
    Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Educarede)

Orientação para leitura de textos I (Ensino Médio)

Orientação para leitura de textos I (Ensino Médio)

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Leitura de textos
Tipo: Metodologias

Nas atividades de leitura e compreensão de textos, é preciso estar atento para dois tipos fundamentais de atividades: as que têm como foco o processo de leitura e as que buscam o produto do processo de leitura e compreensão do texto.

No primeiro caso, é necessário que aconteça a ativação de conhecimentos prévios. Nos dois casos, é preciso que estratégias de leitura – como a realização de antecipações e inferências e a verificação das mesmas – sejam estimuladas pela formulação de questões e não apenas por solicitações relativas à localização de informações.

Dessa forma, antes de propor a leitura de um texto, é preciso ter uma conversa com os alunos para fazer um levantamento dos conhecimentos que eles já têm sobre o tema. Esse levantamento possibilita uma leitura mais fácil e aprofundada do texto.

Outro procedimento importante, a partir da leitura do título do texto e da articulação dessa informação com outras, como autoria, fonte e características do gênero, é solicitar aos alunos que realizem antecipações do que irão encontrar no texto.

Por exemplo, considerando que o título do texto seja “0 nível de desemprego no país tende a se recuperar no segundo semestre?”, pergunta-se:

  • Que tipo de assunto você acha que o texto aborda?
  • Você acha que é uma história, uma notícia ou um poema?
  • O texto contém alguma opinião? Sobre que assunto?
  • Sabendo que foi publicado na seção “Tendências e Debates”, da Folha de São Paulo, sua hipótese se modifica em alguma coisa?
  • Sabendo que quem o escreveu foi Fernando Bezerra, empresário e senador pelo PMDB, que posição você acha que é defendida no texto?Durante a leitura, é preciso que sejam explicitados os procedimentos e as pistas utilizados pelos diferentes leitores (os alunos), os quais levaram a determinadas compreensões. Para tanto, é importante formular questões ao longo da leitura que possibilitem a realização de inferências e antecipações, assim como a verificação das mesmas a partir de pistas lingüísticas.

    Por exemplo, na leitura do conto “João e Maria”, é possível perguntar:

  • Com esse título, que tipo de texto você acha que é: uma notícia, um conto, um editorial ou um artigo de opinião?
  • Quem são João e Maria?
  • Sabendo que o texto foi publicado no livro “Os Amantes Iluminados”, a sua opinião se modifica em algum aspecto? Por quê?
  • E sabendo que a data da publicação foi 1988, alguma hipótese sua pode ser descartada ou modificada?
  • Por que você acha que esse título foi escolhido?No que se refere ao produto do processo de leitura, as questões devem estimular os alunos a realizar não apenas a localização de informações (por exemplo: “Como se chamam os personagens principais do conto?”), mas também inferências (por exemplo: “A que bruxa se refere o conto, logo no início? O que Maria esperava há muito tempo?”) e reconstrução de informações de partes do texto (por exemplo: “Esse texto lembra a você algum outro? Qual? Por que motivo? Que pistas lingüísticas possibilitaram perceber isso?”).

    São esses tipos de questões e estratégias de leitura que têm como objetivo a compreensão efetiva do texto.

    Referência:
    RAMOS, Ricardo. Os Amantes Iluminados. Rio de Janeiro: Rocco, 1988.

    Texto original: Kátia Lomba Bräkling
    Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Educarede)