Jornal na sala de aula

Jornais desenvolvem programas
educativos nas escolas

A utilização de jornais em sala de aula, como recurso didático, ganhou o mundo e começa a despertar o interesse das escolas brasileiras

Por Leonor Macedo

 

Em 16 estados brasileiros e no Distrito Federal, 8,5 mil escolas (de um total de cerca de 200 mil estabelecimentos de Ensino Fundamental e Médio) estão discutindo a importância do uso diário de jornais em sala de aula. Ao todo, 38 veículos brasileiros desenvolvem um programa específico de jornal na educação, atingindo cerca de 3,5 milhões de alunos. Os dados são da Associação Nacional de Jornais (ANJ) que, desde 1980, promove a atividade entre seus associados de grande ou pequeno porte.

 

 

 

Com o objetivo de motivar o gosto pela leitura nos estudantes e disponibilizar aos professores um recurso didático de fácil acesso para complementar suas aulas, o projeto de jornal na educação é um sucesso mundial. Nos EUA, mais de 700 jornais patrocinam programas do gênero. Na Suécia, Dinamarca e Noruega, todos os periódicos desenvolvem projetos educacionais. Na América do Sul, destacam-se Brasil, Argentina e Chile.

 

 

A educadora Gracia Lopes Lima, do Núcleo de Pesquisa em Comunicação e Educação da USP, alerta para a importância de as escolas utilizarem jornais e outros meios de comunicação em seus projetos pedagógicos. “É preciso reconhecer que além da escola, tida como reduto de transmissão do conhecimento acumulado pela humanidade, os meios de comunicação de massa desempenham relevante papel na formação das pessoas. Eles são, cada vez mais, influenciadores diretos do modo de “ser-pensar-agir”, explica “Por isso, a escola é o local ideal para pensar e discutir como as informações são articuladas e a quem beneficiam”, diz.

 

Celestin Freinet

Pedagogo francês que viveu nos anos 20. Defendia e aplicava projetos como jornal escolar, troca de correspondência, trabalho em grupo, aulas-passeio. Observava em seus alunos a maneira como construíam seu conhecimento para saber a hora certa de intervir. Para o educador, ninguém avança sozinho em sua aprendizagem, a interação entre professor e aluno é fundamental. Freinet acreditava que a educação deve proporcionar ao aluno a realização de um trabalho real.

O uso de jornais na educação data dos anos 20, quando o pedagogo francês Celestin Freinet desenvolvia com seus alunos um jornal escolar para a divulgação dos textos produzidos. “Trabalhos como esse se baseiam na constatação de que é preciso promover na escola a compreensão de novas tecnologias e de diferentes linguagens presentes na vida da sociedade”, argumenta Gracia.

Para Gracia, a questão é urgente e há necessidade cada vez maior de as escolas incluírem a comunicação (presente na vida dos alunos, antes mesmo de nascerem) em seus planos pedagógicos e passarem a desenvolver, em sala de aula, atividades práticas, tanto no âmbito da promoção de leitura crítica quanto no de produção de veículos informativos.

 

Uma boa dica, segundo a educadora, é a elaboração de um jornal escolar com os exercícios necessários para que os alunos passem a entender como são produzidas as informações que lhes chegam prontas. “Discutir a pauta, isto é, fazê-los definir sozinhos as notícias que querem tornar conhecidas, redigir as mensagens numa linguagem que de fato seja deles, tirar fotos a partir de suas próprias perspectivas, podem se constituir situações que possibilitam aos alunos aprender também a ‘editar’ o mundo”, sugere. Ao longo do processo, que terá sido resultado de um trabalho experimentado coletivamente, a idéia é os alunos passarem a comparar os diversos modos de produzir informação e ler com olhos mais críticos os jornais de grande circulação.

 

De acordo com estudos do Núcleo de Pesquisa da USP, a utilização de jornais e outros meios torna as aulas mais significativas. Isso porque os veículos podem desencadear reflexões, ilustrando temas atuais que são abordados em diversas disciplinas. Os meios de comunicação podem estar incluídos entre as tantas fontes de pesquisa para o professor preparar suas aulas. Além de buscar apoio em livros, revistas, enciclopédias, ele pode também fazer uso de um trecho de novela, por exemplo, para explicar determinado assunto, seja de História, Geografia ou mesmo de Ética. “A formação de cidadãos críticos pressupõe o preparo para a reflexão diante de toda e qualquer realidade”, conclui Gracia.

 

 

 

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Leitura de revistas e jornais eletrônicos

Leitura de revistas e jornais eletrônicos

Disciplina:

Língua Espanhola

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Leitura comparativa de textos
Tipo: Sites

O professor deve estar sempre atento aos temas da atualidade. O acesso a jornais e revistas de diversos países é importante, na medida em que proporciona o contato com diferentes abordagens sobre um mesmo tema.

No Brasil, o mercado ainda não favorece um acesso diversificado a textos em espanhol. Por isso, a Internet é um meio de comunicação que permite o acesso a materiais eletrônicos variados, podendo ser utilizada para o estudo de textos publicados nessa língua.

Para acessar jornais e revistas de todo o mundo, ordenados por país, continente, ordem alfabética ou por temas – como Arte e Humanidades, Esportes, Internet e Computação, Medicina e Saúde, Negócios e Economia, Viagens e Turismo –, o professor pode recorrer ao site “El Diariero.com – Portal de diarios y revistas” (www.eldiariero.com ).

Há muitas possibilidades de utilização desse site e uma delas é a atividade sugerida abaixo, que pode servir de base para o desenvolvimento de outras.

Preparação da atividade:

1. Discutir com os alunos sobre os temas atuais que gostariam de tratar em classe. Exemplos: o conflito no Oriente Médio entre israelenses e palestinos, as eleições na França, a copa do mundo, a crise econômica da Argentina, o confronto entre guerrilheiros e paramilitares na Colômbia, as eleições no Brasil tratadas sob a ótica estrangeira, a situação política da Venezuela etc.

2. Consultar o site e pesquisar o tema em jornais e/ou revistas. Escolher, no mínimo, dois textos de diferentes países sobre o mesmo assunto (Texto 1 e Texto 2), porém de veículos de comunicação iguais, isto é, jornal ou revista. É importante que a escolha recaia sobre textos que apresentem posições divergentes.

3. Elaborar um roteiro de leitura para cada texto, considerando os aspectos mais relevantes e polêmicos, que podem suscitar debate em classe. Não só o assunto deve ser objeto de problematização, mas também as diferentes abordagens.

Etapas em sala de aula:

1. Dividir os alunos em pequenos grupos e distribuir, alternadamente, os textos 1 e 2, o que significa que cada grupo lerá apenas um dos textos selecionados. Antes de receber os roteiros de leitura, os alunos discutem livremente sobre os textos. Depois, o professor distribui os roteiros para a discussão em grupo.

2. Os grupos que leram o Texto 1 e os que leram o Texto 2 devem reunir-se separadamente e elaborar um resumo do texto. Esse resumo deve considerar o modo como o assunto foi tratado, qual a posição adotada pelo autor, quais os argumentos que sustentam essa abordagem, além de outros aspectos que julgarem relevantes.

3. Em seguida, dois alunos de cada grupo, representando respectivamente os textos 1 e 2, resumem para toda a classe a discussão realizada, dando início a um debate que confronte a perspectiva adotada em cada texto. A discussão deve girar em torno dos textos lidos e não do que pensam os alunos sobre o tema, pois a atividade tem por objetivo o desenvolvimento e aprimoramento da habilidade de leitura.

4. Para finalizar, o professor pede uma redação, na qual o aluno exponha a discussão realizada e, aqui sim, coloque a sua opinião sobre o assunto tratado. É interessante estimular os alunos para que troquem os textos lidos e tenham acesso às duas leituras.

Para a escolha de textos sobre um mesmo tema, é importante que sejam divergentes em seus argumentos para que a atividade proporcione interação. Ao identificar a postura do autor reconstruindo a sua argumentação, o professor ajuda os alunos a desenvolverem estratégias de compreensão que articulem os vários níveis de conhecimento.

Deve-se, também, considerar que o estabelecimento de objetivos claros na atividade de leitura é fundamental para a compreensão e recriação do sentido do texto.

Para aprofundar:
CORACINI, Maria José (org.) O jogo discursivo na aula de leitura: língua materna e língua estrangeira. Campinas: Pontes, 1995.
KLEIMAN, Ângela. Texto e leitor. Aspectos cognitivos da leitura. Campinas: Pontes, 1999.

Texto original: Luiza Martins da Silva e Tatiana Francini Girão Barroso
Edição: Equipe EducaRede

Os sites indicados neste texto foram visitados em 23/05/2002

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Criando manchetes de jornal

Criando manchetes de jornal

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Estrutura de texto jornalístico – manchete
Tipo: Texto

Nas aulas de análise da estrutura do texto jornalístico, depois de trabalhar com alguns jornais e explorar os sentidos das manchetes, o professor pode propor uma situação engraçada que favoreça a compreensão do sentido da manchete e de sua relação com o texto.

Para começar, proponha a atividade de escrita em grupo. Divida a turma em grupos de quatro alunos. Em uma folha, cada aluno escreve o nome do personagem da notícia, evitando que seus companheiros leiam. Para isso, solicite que dobrem o espaço escrito da folha. Em seguida, devem passá-la ao colega do lado.

Peça-lhes que, adotando a mesma estratégia, escrevam:

  • um verbo para indicar o acontecimento;
  • o local em que o acontecimento se desenvolveu;
  • o momento do fato.Ao terminar a rodada, cada grupo terá quatro manchetes que serão lidas e uma eleita para socializar para classe. Um exemplo:
    DONA DE CASA RONCA NO CONSULTÓRIO DO DENTISTA À MEIA-NOITE

    Essa dinâmica divertida dinamiza a aula, motiva os alunos e favorece a percepção de que a manchete é importante para despertar o interesse e a curiosidade do leitor. Finalmente, o grupo deverá criar um texto que explique o acontecimento da manchete escolhida.

    Texto original: Vera Lúcia Moreira
    Edição: Equipe EducaRede

     

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Lendo boletins informativos

Lendo boletins informativos

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Estratégias de leitura, estudo de panfleto informativo.
Tipo: Metodologias

O principal objetivo desta atividade é trabalhar com a leitura de um boletim informativo, observando suas características e algumas estratégias de leitura. É um texto que, em função do gênero no qual foi organizado (boletim informativo) e do veículo no qual foi publicado (panfleto eletrônico) articula elementos verbais e gráficos para cumprir sua finalidade. Por tratar-se de gênero de grande circulação social tanto pela mídia eletrônica quanto impressa, seu estudo é relevante, sobretudo no que se refere à leitura.

Sugestão de Atividade:

Estudando o contexto de produção:

  • Leia o Boletim do RESEG e preencha o quadro abaixo.
    Elementos do Contexto de Produção
    Resposta
    Autor do texto e seu papel social  
    Leitor do texto e seu papel social  
    Finalidade do texto  
    Gênero do texto  
    Lugar de circulação do texto  
    Veículo de publicação  
    Conteúdos tratados  

    Analisando sua organização interna e construindo os sentidos

  • Que tipo de informações o Boletim apresenta?
  • De que forma esses diferentes tipos de informação são apresentadas para o leitor?
  • Segundo o texto, por que manter fechados os vidros dos veículos pode ajudar a evitar um assalto?
  • De acordo com o texto, por que não se deve reagir durante um assalto?
  • A que se referem as Técnicas de Posicionamento Inteligente que constam do texto? Explique.
  • Qual a função do esquema gráfico no texto?
  • As informações contidas no esquema gráfico são coerentes com as dicas apresentadas para evitar assalto?
  • As informações verbais do texto foram todas apresentadas de maneira esquemática. Considerando o lugar de circulação do texto você considera que esta escolha foi adequada? Justifique.
  • A forma global como o texto foi organizado e o tipo de informações selecionadas para tratar o assunto estão adequados para que o texto possa cumprir sua finalidade? Justifique.Texto original: Kátia Lomba Bräkling
    Edição: Equipe EducaRede
(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
22/05/2003