Um futuro para a internet

Em palestra na Universidade Federal de Pernambuco, o filósofo Pierre Lévy afirma que a mídia digital caminha para uma “esfera semântica” por volta de 2015

Por Adriana Vieira

Imagine uma internet em que todo o conhecimento esteja organizado por conceitos. Além dos endereços das páginas da Web, haja localizadores semânticos uniformes dos conteúdos, independentemente do idioma. Segundo Pierre Lévy, é para esse sentido que caminha o futuro da mídia digital: “A inteligência coletiva será mais poderosa do que é agora”, afirmou o filósofo, durante palestra que proferiu no 3º Seminário Hipertextos e Tecnologias na Educação no último dia 2, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife.

Com o tema “Do hipertexto opaco ao transparente”, Lévy iniciou sua apresentação de cerca de uma hora e meia, ao ar livre, na Concha Acústica da UFPE, abordando o seu conceito mais conhecido, o de “inteligência coletiva”. Para tanto, explicou detalhadamente o que chama de “ciclo de gerenciamento do conhecimento pessoal”, processo no qual as pessoas constroem seus conhecimentos a partir do enorme fluxo de informação. Entre as etapas desse ciclo estão: a definição de interesses e prioridades (“se não souber o que quer aprender, não vai a lugar nenhum”); a conexão com fontes valiosas; a categorização das informações; a síntese e compartilhamento/comunicação do conhecimento.

Segundo Lévy, a inteligência coletiva emerge da interação, mas também desse processo de aprendizagem individual; a base é pessoal. As pessoas estão trabalhando para uma memória comum, porém em diferentes linguagens, com metadados com distintas semânticas. “ É como se numa biblioteca nós tivéssemos 10 mil sistemas diferentes de catalogação e todos incompatíveis. Essa é a bagunça da internet. Essa é a situação da internet atualmente.”

Como então alcançar um gerenciamento do conhecimento social efetivo? O filósofo explicou as fases do desenvolvimento do mundo digital, iniciado com a invenção do computador nos anos 50, passando pela popularização da internet na década de 80 e pela criação da Web nos anos 90. Essa evolução, segundo ele, caminha para o que chama de “esfera semântica”, por volta de 2015.

Nessa “esfera semântica”, o hipertexto opaco da Web – opaco porque o endereçador dos conteúdos hoje é a URL (Uniform Resource Locator) e não explicita o significado dos dados – daria lugar a um novo código, desta vez transparente, um sistema simbólico totalmente computacional, mais poderoso até do que uma linguagem natural.

Parece impossível? Lévy vai mais longe: “vamos criar uma mente global. O cérebro global já existe. Isto é uma coisa material. O que não temos é um sistema de símbolos unificados. Vai ser muito mais poderoso do que a linguagem natural. Como uma matemática que descreva operações semânticas, operações da mente. O objetivo é aumentar essa inteligência coletiva humana pelo uso da mídia digital. Pelo uso cuidadoso e bem pensado da mídia digital” (citação extraída do blog do Professor Eli Lopes).

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Para saber mais:

IEML (Information Economy Meta Lenguage) – Projeto desenvolvido por Pierre Lévy na Universidade de Ottawa, no Canadá

Entrevista com Pierre Lévy, 01/09/2009, no G1 – o filósofo fala sobre o seu projeto IEML

Pierre Lévy (Wikpedia) – lista das obras em português e francês

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Tudo o que você precisa saber sobre Twitter

O que é Twitter? Para que serve? Por que todo mundo só fala nele? Como fazer parte da tuitosfera? Essas dúvidas que muita gente tem, mas não sabia para quem perguntar, agora já podem ser respondidas. Elas estão no primeiro guia online sobre a ferramenta. “Tudo o que você precisa saber sobre Twitter (você já aprendeu em uma mesa de bar)” foi lançado pela Talk Interactive nesta segunda-feira (10/08) por meio do Twitter, é claro. O conteúdo ficará disponível na Internet sob licença Creative Commons, permitindo que qualquer pessoa leia, repasse e ajude a atualizar o livro colaborativamente.

Com 46 capítulos, o livro é dividido em três categorias: Tudo o que você precisa saber; Negócios, jornalismo e política; Uso avançado do Twitter. Trata-se de um manual prático com orientações sobre como encontrar pessoas, o que é seguir e ser seguido e como o serviço pode ser utilizado de forma simples e eficiente. “O Twitter está crescendo muito no Brasil. Cada vez mais, novos usuários entram nesta rede, aumentando sua relevância. Mas as dúvidas sobre o Twitter ainda são muitas. Por isso tivemos a idéia de produzir um manual prático. O material vai ajudar muita gente”, diz Luiz Alberto Ferla (@ferla), CEO (Chief Executive Officer) da Talk Interactive.

Segundo Ferla, o conteúdo tem ainda importantes dicas para quem deseja utilizar a ferramenta para fins corporativos e até para ações em campanhas políticas. “O livro vai do básico ao avançado, abrangendo todos os níveis de conhecimento a respeito da ferramenta”. A idéia do livro surgiu e foi desenvolvida dentro da Talk a partir das dúvidas que muitas pessoas têm em entender essa ferramenta e também sobre a dificuldade de muitos tuiteiros em definir o serviço.

“É difícil explicar o que é o Twitter para alguém com noções básicas de uso da Web. Você pode, por aproximação, dizer que é uma mistura de blog e MSN ou pode ser específico e falar que é uma ferramenta para micro-blogagem baseada em uma estrutura assimétrica de contatos, no compartilhamento de links e na possibilidade de busca em tempo real, mas dificilmente isso convencerá o seu interlocutor a usar o serviço”, diz Juliano Spyer (@jasper), redator da obra e integrante do time da Talk.

Prefácio colaborativo

Com mais de 200 mil seguidores no Twitter, ninguém melhor do que Marcelo Tas para prefaciar um livro sobre a ferramenta. Mas a condição para aceitar o convite foi a de que os internautas também participassem da discussão para melhor definir o que é o serviço. Dessa colaboração nasceram pérolas como:

• O Twitter é para o mundo o que a praça é para uma cidadezinha. @_Jeyson

• O Twitter é como pátio de hospício, cada um falando “sozinho”, eventualmente alguém responde. @saintbr

• Não consegui explicar até hoje para o meu chefe. @joycemescolotte

• O Twitter é uma maquininha de cutucar corações e mentes na velocidade da luz. Em 140 toques ou menos, a imaginação é o limite. @marcelotas

Baixe o livro “Tudo o que você precisa saber sobre Twitter (você já aprendeu em uma mesa de bar)”

Dados do livro

Título: Tudo o que você precisa saber sobre o Twitter (você já aprendeu em uma mesa de bar)
Criação: Talk Interactive
Páginas: 110
Licença: Creative Commons
Classificação: Twitter, redes sociais, Web, comunicação, tecnologia.

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(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Reforma Ortográfica ganha game gratuito na Internet

Reforma Ortográfica ganha game gratuito na Internet

Apresentar as novas regras da escrita de uma maneira lúdica. Esse foi o ponto de partida para a produção de um game interativo e gratuito sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, com abrangência em oito países lusófonos e vigente no Brasil desde o dia 1º de janeiro de 2009, e que busca a unificação da quinta língua mais falada no planeta.

Professores e alunos da rede pública de ensino, assim como todos os internautas podem acessar o game, produzido por meio de uma parceria entre o Canal do Livro e a FMU – SP (Faculdades Metropolitanas Unidas), baseado na publicação Guia da Reforma Ortográfica, idealizada pela FMU e pelo Museu da Língua Portuguesa. Todo o conteúdo teve a chancela do professor Ataliba T. de Castilho, especialista em Língua Portuguesa.


As regras

O desafio do jogo é levar o peão até o final do tabuleiro. Para cada casa que se avança, surge uma nova pergunta sobre as mudanças ortográficas. Ao todo, são 50 questões e 25 casas a serem percorridas. Se o jogador errar a pergunta, tem a chance de respondê-la novamente. Experimente:

Clique aqui para fazer download do jogo.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Redes sociais geram discussões e descobertas diárias

No Grupo de Estudos, redes sociais geram discussões e descobertas diárias

Por Giulliana Bianconi

Em um mês e meio de Grupo de Estudos Online, o assunto “redes sociais” já veio à tona em diferentes tópicos dos fóruns de discussão. São professores e educadores em geral abordando o que consideram prós e contras da inserção desses ambientes em sala de aula, mas, principalmente, buscando novas metodologias para fazer uso das redes.

Muitos dos participantes do Grupo de Estudos ainda não tinham os seus perfis em Orkut, Facebook, Twitter etc. Outros, como o André Dutra, de São Paulo, já se faziam presentes, mas, ao participar das discussões do Grupo, passaram a refletir um pouco mais sobre a utilização das mesmas para troca de conhecimento com os colegas e para atividades com os seus alunos. Participante ativo do Grupo, André publicou em seu perfil no Twitter “Entrando no Orkut para estudar. É isso mesmo! Não é piada! No Orkut, também, estudamos”. O professor referia-se a um novo tópico criado na Comunidade Educar na Cultura Digital.

Apesar de a presença nas redes ser crescente entre os professores do Grupo de Estudos, as reflexões que fazem no ambiente virtual do grupo mostram que a maior parte deles não sabe bem por onde começar quando a proposta é realizar atividades visando ensino/aprendizagem no Orkut e nas redes em geral. Embora reconheçam a necessidade de se apropriarem desse uso para buscar práticas que se insiram na cultura digital, a questão sempre remonta às metodologias: como fazer algo realmente interessante e inovador nas redes?

Nos fóruns do tema “Inovação Pedagógica”, no Grupo de Estudos, ideias sobre como utilizar o Orkut já estão surgindo a partir das discussões. A professora Sandra Nogueira, de São Paulo, compartilhou a proposta que desenvolverá com seus alunos de 9 e 10 anos. Um dos pontos que chama a atenção é sua preocupação em abrir espaço para a linguagem utilizada na internet.

“As mensagens trocadas entre os alunos ora serão escritas na linguagem própria da internet (com abreviações, por exemplo), ora serão organizadas com base na norma padrão da Língua Portuguesa”, disse Sandra. É um exemplo de “concessão” que, no ambiente das redes, não significa impedimento para que o aprendizado se concretize.

Youtube

Neste mesmo tema, de “Inovação Pedagógica”, a Regina Saponara criou o tópico “Youtube: Vilão ou aliado no processo de aprendizagem?” e argumentou que, para ela, o Youtube ter alcançado tamanha popularidade está associado ao fato de permitir que os usuários se apropriem da condição de protagonistas. Regina sugeriu que os participantes discutissem possibilidades de fazer com que os alunos fossem produtores de conteúdo de qualidade no Youtube e não apenas consumissem qualquer conteúdo lá publicado. Mas, antes mesmo das ideias, já vieram as dúvidas: como produzir para o Youtube? como baixar vídeos do YouTube?

O Grupo de Estudos tem uma peculiaridade: os participantes discutem e propõem ideias, mas ao compartilhar dúvidas e não apenas conhecimentos, eles aprendem com seus questionamentos e angústias. Dois comentários abaixo e lá estava a participante Soraia Ribeiro, professora de São Paulo, dando dicas sobre programas como Atube Catcher, que baixam vídeos do Youtube. Regina Saponara, na sequência, expôs: “Não é maravilhoso aprender em rede? Fui definitivamente ‘fisgada’ por esta web! Quanta coisa já aprendi participando neste grupo!!!”

Sobre o YouTube ser vilão ou mocinho, as reflexões dos integrantes do Grupo de Estudos apontam sempre para um consenso: todas as redes da web podem ser bem aproveitadas pedagogicamente, desde que se saiba caminhos para isso e se tenha alguns cuidados, como bem destacou a Vera Lucia Valerio, POIE -Professor Orientador de Informática Educativa de uma escola municipal de São Paulo. Vera, que criou um blog e um canal do YouTube para trabalhar com os alunos, falou sobre a preocupação com a exposição excessiva dos mesmos e a preocupação de solicitar autorização de imagem aos responsáveis pelos alunos quando forem fazer vídeos publicados nas redes.

A observação pertinente abriu espaço para outras na mesma linha. E logo se falou também na importância de se trabalhar a “netiqueta” com os estudantes ao pensar em atividades em redes sociais. O termo, que pode soar estranho para alguns, está lá na Wikipédia e é usado para denominar conjunto de práticas e comportamentos que são bem ou mal avaliados nas redes.

Essa troca de informações, conceitos e práticas sobre redes sociais ocorre diariamente no Grupo de Estudos Educar na Cultura. Para contribuir e aprender um pouco mais, participe dos fóruns!

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Rede PEC chega aos municípios

Formação universitária
chega à rede municipal paulista

Vencedora do Prêmio E-Learning, Rede PEC vai beneficiar agora 5 mil professores, numa parceria inédita entre Estado e prefeituras

Por Paloma Varón

Depois de promover a formação universitária de 6 mil professores da rede pública estadual paulista, a Rede PEC (Programa de Educação Continuada) está de volta. Desta vez, vai atender os docentes de escolas municipais, demanda esta feita diretamente pelas prefeituras do Estado de São Paulo no intuito de oferecer a seus professores da Educação Infantil a 4ª série do Ensino Fundamental a oportunidade de fazer um curso superior. Trata-se de uma parceria inédita entre Estado e municípios, que permitirá uma melhor qualificação dos docentes.

A Rede PEC é uma das três vencedoras do Prêmio E-Learning Brasil 2003, pelo programa desenvolvido em 2001/2002 na secretaria estadual da Educação de São Paulo. A novidade da edição de 2003, que atinge os municípios, é a inclusão da Educação Infantil (competência municipal, conforme a legislação),  aumentando o tempo de duração  do curso de um ano e meio para dois anos.

A partir de uma iniciativa da Undime (União dos Dirigentes Municipais de Educação), em parceria com o governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Educação, a USP (Universidade de São Paulo) e a PUC (Pontifícia Universidade Católica) se uniram para conduzir o programa, que atende cerca de 5 mil professores de 38 municípios. A gestão operacional continua sendo da Fundação Vanzolini.

Segundo o gerente do PEC Municípios, Artur Costa Neto, o critério de inclusão das cidades foi a solicitação das próprias prefeituras, que se inscreveram no programa.  “O PEC estadual teve uma repercussão muito grande,  estimulando os municípios a buscar também formação universitária para seus professores”, explica. Costa Neto acredita que, dentro de  cinco anos, todo o Estado de São Paulo terá professores com nível superior. “Há muitos programas semelhantes ao PEC acontecendo simultaneamente pelas cidades do Estado. Quanto mais o professor estiver capacitado, mais condições ele tem de formar o aluno”, diz.

Coube ao Estado montar uma estrutura nos municípios, que conta com um ambiente de aprendizagem de três salas. Uma delas é aparelhada para receber a videoconferência e a teleconferência, sistemas tecnológicos que permitem a professores-alunos e professores do curso permanecerem em contato, estando em cidades diferentes. Outra é equipada com computadores, para os alunos terem acesso a conteúdos pedagógicos, e o terceiro espaço é voltado para reuniões e debates.

Qualidade de ensino na escola
 

O uso das novas tecnologias  permite aos professores completarem o curso diretamente de seus municípios. Cada turma conta com um professor-tutor de uma das universidades associadas. O caráter de educação continuada possibilita que os professores-alunos não se desliguem do trabalho para participar do programa, e ainda contabiliza a experiência em sala de aula  como hora complementar para alcançar as 3.100 horas exigidas.

“No PEC estadual, a Fundação Carlos Chagas fez uma avaliação satisfatória,tanto que mantivemos quase tudo no atual, acrescentando toda a parte de Educação Infantil”, disse Costa Neto, destacando que o objetivo do programa é a melhor formação do aluno, que virá com uma melhor qualidade de ensino adquirida na escola.


Antes de iniciarem os três módulos regulares, os alunos fizeram o Módulo Introdutório de Capacitação em Informática, que aconteceu de forma escalonada (duas semanas para cada turma) entre dezembro de 2002 e fevereiro de 2003.

Em seguida,  todos os 5 mil professores-alunos iniciaram juntos o Módulo I, que debate as dimensões reflexiva, ética e experencial do trabalho do professor. Os módulos consecutivos discutirão a formação do professor, o atual cenário político-educacional, além de conteúdos e didáticas das áreas escolares e currículo.

Dentre outros benefícios, segundo o gerente do PEC municípios, destaca-se a melhora no nível de letramento das crianças e jovens, já que  seus professores estarão  mais bem preparados,  evitando que cheguem à 5ª série com dificuldades para ler e escrever.

“A questão da alfabetização é tema central de todo o programa”, atesta Costa Neto. Segundo ele, a melhoria da qualidade de ensino é o resultado esperado. “O melhor de tudo mesmo é que essa capacitação, essa reflexão, os professores estão levando para toda a rede.”

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Quem é o dono da Internet?


Quem é o dono da Internet?

 

 

Quem nasceu no final da década de 80 não sabe o que é viver sem e-mail, mensagens instantâneas, redes sociais e Web. Em seus primeiros passos no mundo da informática, a primeira geração brasileira pós-ditadura já estava conectada ao mundo inteiro pela Internet e tinha acesso a mais informação que seus pais, avós e professores jamais tiveram. Sistema criado em 1969 para conectar quatro computadores militares com sistemas operacionais diferentes, a Internet foi liberada comercialmente no final da década de 80 (no Brasil ela chegou em 1995) é hoje um conjunto de dezenas de milhões de computadores interligados por meio de linhas telefônicas, cabos de TV, fibra ótica e satélites.

Cada um desses computadores ligados à Internet faz parte de uma rede. Ao conectar-se via modem (pode ser modem a cabo, modem para conexão discada ou modem ADSL) ao seu provedor de serviços de internet, por exemplo, você passa a fazer parte da rede deles, que, por sua vez, conecta-se a uma rede maior e torna-se parte dela. A Internet é simplesmente uma rede de redes grandes, médias e pequenas.

Apesar de a Internet não ter um dono específico, ela é monitorada e mantida pela Sociedade da Internet, uma organização sem fins lucrativos que supervisiona a formação de políticas e protocolos que definem como usamos e interagimos com a Internet. Isso não significa que alguém está sentado diante de um computador central olhando tudo o que acontece na Internet e decidindo que tipo de informação circula na rede. Na verdade, essa entidade cria um sistema de regras e vocabulários padrão que permitem que as diferentes redes conversem entre si.

Sem essas regras, chamadas de protocolos, essas redes de computadores falariam idiomas diferentes e não se entenderiam. Outras empresas foram criadas para supervisionar a infraestrutura da Internet. A organização internacional IETF (Internet Engineering Task Force), por exemplo, é composta de vários grupos de trabalho que se concentram, cada um, em um assunto específico para manter a arquitetura e a estabilidade da rede. E a empresa Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (Icann) é quem administra o sistema de nomes de domínios da Internet conhecidos como DNS. Cada computador conectado à Internet faz parte de um domínio e tem um endereço exclusivo na rede (IP address).

A Icann é quem associa esse número específico ao nome de domínio. Quando você navega na Web ou manda um a mensagem de e-mail, está utilizando um nome de domínio – aquela parte da url que vem depois do www ou depois do sinal @ num endereço de e-mail, como www.uol.com.br ou @gmail.com. Para que sua mensagem chegue ao destinatário ou para que a página do site que você busca seja carregada no seu navegador, esse nome de domínio precisa estar associado a um número, caso contrário, sua mensagem não chegará nunca ao destino. É exatamente isso que a Icann faz.

Nomes como “howstuffworks.com”, são facilmente lembrados pelas pessoas, mas não ajudam em nada as máquinas. Todas elas usam endereços de IP para se referirem umas às outras. A máquina a que as pessoas se referem como “www.hsw.com.br“, por exemplo, possui o endereço de IP 216.183.103.150. Toda vez que se usa um nome de domínio, os servidores de domínios da internet (DNS) estarão traduzindo os nomes de domínio legíveis em endereços de IP reconhecidos pelas máquinas.

Nenhum governo ou empresa pode se considerar dono da Internet. Ninguém pode ser considerado dono do sistema inteiro, da mesma maneira que acontece com o sistema de telefonia. Por outro lado, milhares de pessoas e empresas são donas da Internet. A Internet consiste de várias partes diferentes e cada uma delas tem um dono, por exemplo:

Provedores de Serviços de Internet – donos da rede física que transporta o tráfego da Internet entre sistemas de computadores diferentes (backbone da Internet). Podem ser operadoras de telefonia como a Embratel e a Telemar, entidades como a RNP (Rede Nacional de Pesquisa) e empresas de telecomunicações, como a Comsat Brasil ou a Impsat.

Pontos de Troca de Tráfego (IXPs) – várias empresas e organizações sem fins lucrativos administram essas conexões físicas que interligam os backbones.

Redes de computadores – se fizerem parte da Internet, têm donos. Os provedores de serviços têm sua própria rede, muitas empresas têm sua rede local, os governos têm sua rede. Cada uma dessas redes é uma parte da Internet e, ao mesmo tempo, uma entidade separada. Dependendo das leis locais, os donos dessas redes podem controlar o nível de acesso dos usuários à Internet, como na China. Até mesmo você que está lendo este artigo é dono da Internet. Você tem um aparelho para se conectar, não é mesmo? Pois esse aparelho faz parte de um sistema interligado, tornando-o proprietário de uma pequenina parte da Internet.Como você pode ver, a Internet não tem um dono principal, mas os donos de cada uma das partes da rede podem influenciar no modo como ela funciona. Embora sua estrutura seja cuidadosamente desenvolvida e mantida, o conteúdo real da Internet continua a ser um espaço virtual que todos conhecemos e com o qual nos acostumamos.Para saber mais, leia o artigo do ComoTudoFunciona.
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_Mais sobre a Internet:Como funciona a infra-estrutura da Internet• Como surgiu a Internet?Como funciona o DNSComo funciona a ArpanetComo funciona a censura na InternetComo funcionam os roteadoresPor que alguns web sites incluem o “www” em sua url e outros não?O que é um endereço IP?

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Publicar ajuda a ensinar e a aprender

Publicar (na rede) ajuda a ensinar e a aprender

Professores apostam no potencial pedagógico dos blogs para incentivar
o hábito de escrever, o debate e o senso crítico

Leandro Quintanilha
Revista A Rede

Em Blogsfera Marli. professora,
reúne os links de sete edublogs
que mantém com alunos

Os blogs surgiram nos anos 90 como um ícone da liberdade de expressão na Internet. Hoje, essas páginas de livre publicação contam com cerca de 48 milhões de adeptos – e ainda mais prestígio. É que, além de serem fáceis de usar e democráticos por natureza, os blogs se revelam, agora, promissores aliados virtuais dos professores. Na era da inclusão digital, os edublogs representam uma espécie de vanguarda teórico-pedagógica, adaptável a qualquer disciplina, nos diversos níveis de ensino, em todas as camadas sociais.

Para a acadêmica Zilá Moura e Silva, doutora em Didática pela USP, o fenômeno tem feito com que alunos e professores escrevam mais e melhor. “As propostas tradicionais de escrita na escola são muito artificiais. Em geral, as pessoas têm dificuldade em discorrer de forma mais aprofundada sobre um tema”, avalia. Isso ocorre, segundo Zilá, porque os alunos não são estimulados a escrever com envolvimento. Com a possibilidade de publicação, o entusiasmo e o empenho são maiores. E a prática gera uma familiaridade progressiva com a escrita: quanto mais se produz, mais se deseja fazê-lo. “Autoria gera auto-estima”, observa.

A professora de Língua Portuguesa Marli Fiorentin concorda: “Os alunos ficam entusiasmados ao perceber que suas idéias têm valor”. Ela dá aulas para o Ensino Fundamental na Escola Estadual Padre Colbachini, em Nova Bassano, cidade com cerca de 10 mil habitantes no interior do Rio Grande do Sul. Descobriu a blogosfera no começo do ano passado e já mantém sete edublogs. “Com as páginas na Internet, os alunos ficam mais motivados a ler e escrever.”

Blog Contos da Escola: estudantes
de Letras colocam a educação em
debate

O cuidado com o texto também é maior “em relação à forma e ao conteúdo”, afirma Raquel da Cunha Recuero, professora dos cursos de Comunicação da Universidade Católica de Pelotas e doutoranda em Informação e Comunicação. Para ela, esses espaços-autoria são um antídoto para a chamada geração Ctrl C + Ctrl V (atalhos do teclado usados para copiar e colar textos). “O aluno passa a apurar melhor as informações disponíveis na Internet, para construir textos de qualidade”, observa a professora. Escrever seus próprios textos e ler a produção dos colegas são hábitos, afirma, que geram um ciclo positivo. “Ao tentar se superar, eles aprimoram o senso crítico”, diz.


A vida como ela é

Os edublogs favorecem o trabalho em equipe e a construção colaborativa do conhecimento, afirma Sônia Bertocchi, pesquisadora do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária, de São Paulo, e coordenadora do Núcleo de Interatividade do portal EducaRede. Sônia é a criadora do Lousa Digital, um blog de discussões sobre o uso pedagógico da Internet. “Procuro auxiliar o professor na sua prática diária: indicar novos recursos, apresentar projetos bem-sucedidos e promover a interação entre educadores geograficamente distantes, além de divulgar eventos relacionados”, descreve.

Trabalho semelhante é realizado por uma professora em formação, a redatora e estudante de licenciatura em Letras Débora Batello, criadora do Contos da Escola. “Educação não é só lousa e giz. O professor tem que encontrar meios para estimular os alunos”, afirma. O público-alvo de seu blog são professores e aspirantes à carreira. Os temas propostos vão além da relação entre Educação e tecnologia. Polêmicas como sistemas alternativos de avaliação e a política de cotas para negros e estudantes de escolas públicas nas universidades são alguns dos assuntos abordados. Nos comentários, os leitores desenvolvem o debate.

A palavra weblog é uma junção dos vocábulos do inglês web (originalmente, teia; mas hoje também com a acepção de página da internet) com log (diário de bordo). Tradução literal: diário na rede. O blogs, como são hoje chamados, surgiram na década de 90 e, atualmente, o número de adeptos aumenta num ritmo avassalador. O site Technorati, que mantém sistema de busca específico para blogs, estima haver cerca de 48 milhões dessas páginas em funcionamento. Mas, no momento em que você lê esta reportagem, esse número já deve estar defasado – a cada dia, são criados mais de 75 mil novos blogs, segundo o instituto de pesquisa em tecnologia norte-americano Pew Internet. Cerca de 11% dos usuários de internet do mundo são leitores habituais de blogs. Estima-se que sejam publicados 1,2 milhão de novos textos, por dia, o que equivale a 50 mil atualizações por hora.
www.pewinternet.org – Pew Internet
www.technirati.com – Technirati 

A professora Marli, de Nova Bassano, criou seu primeiro blog pedagógico no ano passado, para uma turma de 8ª série: Vidas Secas – Da Ficção à Realidade, inspirado na célebre obra de Graciliano Ramos. “A idéia surgiu porque estávamos sofrendo com uma estiagem muito longa, aqui na região, que nos afetou financeira e emocionalmente”, conta ela. Os alunos analisaram o livro e pesquisaram sobre o contexto histórico em que foi escrito.

Na seqüência, Marli convidou alguns escritores profissionais para colaborar com o edublog, como o mineiro Wellington Pino e os gaúchos Caio Riter e Marcelo Spalding. Em um ano, a professora criou mais seis edublogs. E um sétimo, o Blogosfera M@rli,  reúne todos os links. Vários do alunos mantêm, hoje, blogs pessoais.

O trabalho da professora Zilá com meios de publicação na internet começou há dez anos – antes da “febre” dos blogs. Na Unesp de Bauru, ela participou da criação do site Universidade sem Fronteiras, que não era exatamente um blog, mas reproduzia o conceito de autoria-publicação ao colocar na rede os trabalhos de conclusão de curso.

Era só o começo. No correr dos anos, Zilá começou a adotar blogs propriamente ditos no curso de formação de professores da Faculdade Sumaré, em São Paulo, e no de gestores escolares da Uirapuru Superior, de Sorocaba. “Comecei com provocações”, lembra. Ela criava um blog para a turma no qual propunha problemas a resolver e discussões sobre assuntos polêmicos. Deu certo. Com o tempo, os educadores passaram a criar seus próprios diários virtuais, repassando o gosto da publicação para seus alunos. Tal como aconteceu com Marli.

Os links aqui publicados foram visitados em 29/09/06

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Professor digital

 

 

Professor na Era Digital

 

Internautas do EducaRede expressam suas opiniões na Semana do Professor

 

O que pensam os professores sobre a sua profissão? E sobre a relação entre Educação e Tecnologia em uma sociedade cada vez mais marcada pelos avanços tecnológicos?

 

Como não dá pra saber o que pensam todos os educadores brasileiros, o EducaRede realizou um levantamento dos internautas que mais utilizam o Portal com seus alunos. E enviou a eles um questionário para que pudessem expressar suas idéias na semana do Dia do Professor.

 

Em comum, Luzenário, Helena e Denilson acreditam no uso pedagógico da Internet, e por essa razão valorizam a rede mundial de computadores em suas aulas. O EducaRede tem o prazer de fazer parte da vida deles diariamente (Denilson e Luzenário) ou semanalmente (Helena). “O EducaRede nos permite trocar experiências com outros colegas e discutir temas atuais; e isso contribui para a nossa formação”, afirma Luzenário. A formação continuada é uma das principais preocupações deste professor.

 

Confira um pouco do que pensam esses professores/internautas:

 

Luzenário Cruz é professor de Matemática do Ciclo II, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Dona Chiquinha Rodrigues, em São Paulo. E-mail: luzcruz@terra.com.br

 

Que dificuldades você enfrenta como professor?
Além das salariais (sem discussão) e das péssimas condições de trabalho (dentre elas, um número muito grande de alunos por sala de aula) há a falta de uma política de formação continuada, particularmente, aquela que tem como lócus privilegiado a própria escola.

 

Quais os benefícios de ser um professor?
São poucos e a cada administração eleita, tira-se um pouco mais. Entretanto, o maior benefício é a convivência com as novas gerações. É por isso que nós professores não envelhecemos.

 

Você recomendaria a sua profissão aos jovens que ainda não se decidiram? Por quê?
Após três décadas em sala de aula, confesso que cada dia fica mais difícil recomendar aos nossos jovens a nossa profissão. Tive por vários anos a honra de ministrar aulas para futuros professores, na antiga Habilitação Específica para o Magistério, e é com pesar que observo que poucas dessas ex-alunas abraçaram o Magistério como carreira. As novas gerações cresceram ouvindo as dificuldades e as mazelas dos ossos do nosso ofício e cada vez menos se interessam pela nossa profissão.

 

Você usa a Internet com seus alunos, em suas aulas? De que forma?
Sim, através de pesquisas ou da troca de mensagens. A última atividade realizada com os alunos foi uma pesquisa sobre Tales de Mitelo ( 1ª parte). Além da pesquisa, os alunos deveriam responder algumas questões e enviaram-me, através de e-mail, para correção.

 

Na sua opinião, o que a Internet pode representar para o ensino formal quando o seu uso pedagógico estiver mais difundido?
Uma verdadeira revolução. Entretanto, isso só será possível se os professores forem capacitados para trabalharem essas novas tecnologias de informação. Ademais, a relação aluno x professor será revista porque as novas gerações parecem ter pleno dominio dessas novas tecnologias. Confesso que, durante a minha experiência trabalhando com os alunos no Laboratório de Informática Educativa, tenho aprendido muito sobre informática com eles.

 

Que mensagem você gostaria de dar aos colegas no Dia dos Professores?
Professor, Professora: Ouse!!!!!!!!! Sua ousadia, faz toda diferença!!!!! Acredite nisso e esteja sempre atento às seguintes competências: gostar do que faz e cumprir seu dever; ter comprometimento, competência, responsabilidade, dedicação e empenho; aplicar novos métodos de ensino; ter criatividade; incentivar o aluno; mostrar a importância de sua matéria em relação às outras; saber o conteúdo; ter formação atualizada e boa didática; ajudar o aluno a desenvolver habilidades e preparar-se para o mercado; fazer orientação profissional.

 


 

Helena Damelio dá aulas de Informática na Educação para professores dos Ensinos Fundamental e Médio da rede estadual de São Paulo, dentro do programa Teia do Saber. E-mail: heldamelio@aol.com

Quais os benefícios de ser um professor?
Contribuir com o desenvolvimento do ser humano através do ensino é um privilégio.

 

Você recomendaria a sua profissão aos jovens que ainda não se decidiram? Por quê?
Sim. Atuo também em outras áreas, voltadas à tecnologia, mas ensinar me permite estar em situação constante de aprendizado e crescimento. Ensinar a aprender é gratificante e a área de ensino permite este investimento contínuo em aprendizado.

 

Você usa a Internet com seus alunos, em suas aulas? De que forma?
Estas aulas de informática acontecem em laboratório com acesso à Internet, com o uso de ferramentas de e-mail, chat, blog, e com navegação em sites e bibliotecas com conteúdo educacional.

 

Na sua opinião, o que a Internet pode representar para o ensino formal quando o seu uso pedagógico estiver mais difundido?
Trata-se de uma ferramenta de pesquisa, de comunicação sem fronteiras geográficas e de produção de conteúdo por professores e alunos. A seleção do bom conteúdo tem que ser levada a sério, pois, num mundo cada vez mais povoado de informações, a qualidade é cada vez mais importante. E é exatamente por isso que também acho necessário começar a educar os alunos para que produzam bom conteúdo que possa ser compartilhado em rede, com o uso de blogs, por exemplo. Mas a situação ainda é meio utópica. No projeto Teia do Saber, muitos dos professores relatam que não conseguem usar os computadores de suas escolas, que ficam trancados numa sala, ou quebram e seu reparo não é feito. Ou, mesmo quando são usados, nem todos os alunos podem participar, os computadores ficam restritos a alguns programas educacionais. Enfim, mesmo quando as escolas estão equipadas, sinto que falta melhor administração deste recurso para que professores e alunos se beneficiem dele.

 

Que mensagem você gostaria de dar aos colegas no Dia dos Professores?
Professores são figuras marcantes em nossas vidas. Muito do que sou hoje se deve a meus professores. Meu interesse pela pesquisa deve-se ao incentivo que tive deles ao longo da vida. Os professores a quem dou aula me ensinam muito também. A todos estes profissionais que passaram e passam pela minha vida, muito obrigada! E a todos nós, professores, muita luz nesta teia do saber.

 


 

Denilson Rodrigues de Oliveira é professor de Matemática em Camapuã, Mato Grosso do Sul. Atualmente, trabalha na sala de informática da Escola Estadual Miguel Sutil e da Escola Municipal Eurico Gaspar Dutra com alunos do Ensino Fundamental de 1ª a 8ª séries. E-mail: profdoti@uol.com.br

 

Quais os benefícios de ser um professor?
Ser reconhecido em todos os lugares como professor e ser ídolo de crianças que se espelham na gente para um futuro melhor.

Que dificuldades você enfrenta como professor?
A dificuldade de aprendizagem, a indisciplina e a falta de responsabilidade da família para com a criança.

 

Você recomendaria a sua profissão aos jovens que ainda não se decidiram? Por quê?
Sim, a profissão professor/educador é maravilhosa e há uma carência muito grande principalmente na área de Exatas. Espero que num futuro bem próximo sejamos mais valorizados.

 

Você usa a Internet com seus alunos, em suas aulas? De que forma?
Uso com jogos educativos para as séries iniciais do Ensino Fundamental (www.estadinho.com.br, www.monica.com.br, www.duende.com.br, www.meninomaluquinho.com.br), pesquisas (www.google.com.br) e bate-papos do EducaRede, jornais locais (www.correiodoestado.com.br) para uma leitura diária e revistas Veja, Isto É entre outras.

 

Na sua opinião, o que a Internet pode representar para o ensino formal quando o seu uso pedagógico estiver mais difundido?
Muita coisa. A Internet possui inúmeros recursos que podem ser explorados a qualquer momento, em qualquer série.

 

Que mensagem você gostaria de dar aos colegas no Dia dos Professores?
Caros colegas educadores, a nossa luta é contínua e árdua, mas fazemos parte da profissão mais importante do mundo. Um dia, seremos reconhecidos e valorizados como merecemos.

 
(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Produção dos alunos na rede


O mundo é aqui

Publicar o trabalho dos alunos na Internet torna a aprendizagem mais significativa, pois permite que a produção seja vista e apreciada por muitas pessoas de fora do espaço escolar


Jaciara de Sá

Quando a turma ouviu do professor que o projeto sobre globalização deveria ser apresentado em um programa de computador (Power Point), foi difícil conter a empolgação.

Dias depois, a euforia tomou conta da classe. “Sugiro que o trabalho seja publicado no site da escola”, anunciou Edinilson Q. dos Santos, titular de Geografia e responsável pela atividade.

“Tudo havia mudado. Era a possibilidade de muita gente saber o que tínhamos produzido. O mundo todo poderia ver”, lembra com carinho Marcel B. Pinto de quando realizou, com outros alunos, o estudo sobre resistência à globalização.

O trabalho poderia ter virado um livro, sido publicado em forma de revista ou jornal, mas o alcance seria menor e o gasto com gráfica e papel estava fora de cogitação. A Internet foi o veículo ideal para a produção que foi transformada no Atlas Virtual. E os desdobramentos do estudo não pararam por aí. O professor de Geografia do ano seguinte, Clodoaldo G. A. Júnior aprofundou o tema. Os alunos, então no segundo ano do Ensino Médio, aperfeiçoaram o Atlas e o transformaram no vídeo Resistências à Globalização, para nova inserção na Internet e apresentação na Semana de Geografia da Universidade de São Paulo (USP).

“A possibilidade de os alunos se expressarem, tornarem suas idéias e pesquisas visíveis, confere uma dimensão mais significativa aos trabalhos. A escola se abre para o mundo, o aluno e o professor se expõem, divulgam seus projetos e pesquisas, são avaliados por terceiros, positiva e negativamente”, afirma José Manuel Moran*, especialista do MEC em avaliação de cursos a distância.

Tanto o Atlas quanto o vídeo podem ser vistos no site da Escola Estadual Condessa Filomena Matarazzo, que fica em Ermelino Matarazzo, bairro da periferia de São Paulo. A escola não tem apenas um endereço na web, mas também um núcleo de cinema, TV, jornal e um estúdio de rádio, com transmissão para a comunidade pela FM das 8h às 22h. Tudo conseguido e tocado pelos alunos sob a coordenação de um funcionário pouco comum nas escolas: o coordenador de projetos, Wagner Batista.

Mudança de “hábito”

A “Filó”, como é carinhosamente chamada, é uma das 20 mil escolas que têm sala de informática, das 170 mil públicas no país. Mais ainda: está entre as 10 mil que possuem acesso à Internet, segundo informações do presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), ligado à Casa Civil, Sérgio Amadeu da Silveira. Essa situação, porém, não garante o pleno uso dos computadores: as escolas ainda têm que conviver com problemas técnicos e de acesso à rede mundial. Isso faz com que muitos docentes desanimem. Tanto que apenas dois, entre mais de cem docentes da “Filó”, solicitaram a publicação dos trabalhos dos alunos no site. Um dos muitos desafios do coordenador de projetos Wagner é incentivar a mudança de hábito dos professores para que, além de retirar, também destinem conteúdo à Internet.

Para que os estudantes pudessem expor os resultados de um trabalho, fizessem e recebessem comentários, a professora de Português Maria Teresa B. da Silva, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Des. Amorim Lima, de São Paulo, criou um blog em 2004. A idéia era que os alunos da 8ª série escrevessem seus comentários, ilustrações e até o entendimento sobre a obra de Machado de Assis, Dom Casmurro?.

Os blogs, como o da professora Maria Teresa, fotologs e videologs são ambientes mais fáceis de usar, atualizar e que permitem a participação de internautas, além dos sites. Eles são usados por professores que desejam algo mais personalizado ou querem que os estudantes se responsabilizem pela publicação de seus conteúdos.

“Quando focamos mais a aprendizagem dos alunos do que o ensino, a publicação da produção deles se torna fundamental”, diz José Moran. Segundo o especialista, ao estimular essa publicação na Internet, a escola contribui para divulgar as melhores práticas, ajudando outras a encontrar seus caminhos, além de agilizar as trocas entre alunos, professores e instituições. “A escola sai do seu casulo, do seu ‘mundinho’, e se torna uma instituição onde a comunidade pode aprender contínua e flexivelmente.”

Função social da escola

Transmitir o conhecimento acumulado pela humanidade e preparar o aluno para a sociedade, com a expectativa de transformação da realidade, são algumas das funções sociais da escola. Sob esse aspecto, a publicação da produção dos alunos na Internet pode ser uma aliada.

“Quando falamos em papel social da escola, estamos entendendo que a escola prepara o aluno para produzir conhecimento e divulgá-lo de forma que aquele conhecimento seja útil para outras pessoas, outros grupos, outras realidades. É um modo de socializar o conhecimento”, explica Zilá A. P. Moura e Silva**, ex-professora de Didática e Prática de Ensino da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

A socialização na Internet também pode acontecer por meio de ferramentas colaborativas como fóruns e ambientes virtuais de aprendizagem. O EducaRede disponibiliza esses recursos e outros, como a Galeria de Arte, onde é possível expor imagens e textos de acordo com um tema. Criado para o aprimoramento e a reflexão da produção escrita, o ambiente da Oficina de Criação conta com um mediador que tece comentários sobre o texto do aluno/participante para que o estudante reflita sobre o processo da linguagem. O alcance, a agilidade e a temporalidade seriam os grandes diferenciais de uma oficina virtual.

Para a professora Stela C. Bertholo Piconez, livre-docente da Faculdade de Educação da USP (FEUSP),*** a utilização da Internet na escola revela as potencialidades do trabalho colaborativo, em rede, habilidade que em sua opinião deveria ser a prioridade número um do ensino. “A velocidade com que ocorre a socialização do pensamento e das idéias do aluno, o contato com idéias diversificadas e a sincronia de interação por chats ou fóruns têm conseqüências para o desenvolvimento e o aperfeiçoamento da própria democracia (convivência com as diferenças) e do trabalho cooperativo.”

Auxílio na avaliação

Para Stela Piconez, uma outra grande vantagem refere-se à possibilidade de o professor “aprofundar o modo pelo qual os estudantes constroem conhecimentos. A publicação (postagem) dos debates e opiniões dos alunos permite que sua avaliação pelo professor forneça aos alunos o apoio e o incentivo necessário à ampliação e ao aperfeiçoamento de suas aprendizagens”. A livre-docente explica que a atividade reflexiva é ampliada e incentivada com a publicação na Internet dos conhecimentos construídos pelos alunos. Numa situação de colaboração, alunos estabelecem e fortalecem suas habilidades de auto-avaliação, compartilham a auto-aprendizagem e melhoram sua capacidade de reflexão. “E pela perspectiva do professor, a publicação e a dinâmica dos debates dos alunos permitem aperfeiçoar o projeto pedagógico do curso e atender as reivindicações e expectativas dos alunos. E o interessante é observar também que os alunos assumem a responsabilidade pelo seu próprio caminho de aprendizagem.”

A avaliação dos alunos da 8ª série de 2005 pela professora de Português Marli Fiorentin vai contemplar a participação deles no blog criado por ela. Marli leciona no Colégio Estadual Pe. Colbachini, em Nova Bassano (RS) e está trabalhando a relação entre a obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, e a falta de chuva no Estado. Neste ano, aqui no meu Estado, vivemos uma situação difícil, que é a seca. A vida de todos acabou sendo afetada com a alteração do clima”, relata.
A idéia do projeto, que está apenas começando, é fazer uma ponte entre a ficção, por meio de obras literárias como o livro e filme Vidas Secas, com a realidade observada na localidade ao redor e a do Nordeste. “Como é minha primeira experiência com blog, preciso concentrar esforços não apenas na prática, mas também na reflexão sobre essa prática para que seja bem sucedida e possa estimular futuros desdobramentos”, explica.

Os sites indicados neste texto foram visitados em 30/03/2005

* Prof. dr. José Manuel Moran é coordenador de Ensino a Distância da Faculdade Sumaré, professor de pós-graduação da Universidade Bandeirante e professor aposentado da Escola de Comunicações e Artes da USP. Página pessoal: www.eca.usp.br/prof/moran. E-mail: jmmoran@usp.br

** Zilá A. P. Moura e Silva é doutora em Didática pela Faculdade de Educação da USP. Atuou como professora de Ensino Fundamental I, foi coordenadora pedagógica e diretora de escola pública. E-mail: zilamourah@uol.com.br

*** Profª. drª Stela C. Bertholo Piconez é livre-docente da Faculdade de Educação da USP nos cursos de graduação (licenciaturas) e pós-graduação, além de coordenadora científica do NEA (Núcleo de Estudos de Educação de Jovens e Adultos e Formação Permanente de Professores). E-mail: spiconez@uol.com.br

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

World Wide Web faz 20 anos e o mundo inteiro está convidado para a festa

World Wide Web faz 20 anos e o mundo inteiro está convidado para a festa

Por José Alves

“Uma idéia vaga, mas altamente interessante”, essa foi a resposta por escrito que Tim Berners–Lee recebeu de seu chefe no CERN (Organização Europeia para a Investigação Nuclear), Mike Sendall, ao apresentar, numa sexta–feira, 13 de março de 1989, o documento “Information Management: A Proposal” (gerenciamento de informação: uma proposta), em que descrevia o seu projeto elaborado em parceria com Robert Cailliau: um conjunto de documentos de hipertexto interligados e acessíveis pela Internet.
Hoje, a “idéia vaga” mantém conectadas 1,5 bilhão de pessoas e hospeda 215 milhões de sites pelo mundo afora, segundo dados da Netcraft em fevereiro de 2009. Vinte anos depois, o papel com a resposta de Sendall a Berners–Lee encontra-se exposto numa vitrine do CERN como se fosse uma certidão de nascimento da World Wide Web. Os inventores da WWW já imaginavam no que a proposta poderia se tornar? “Sim, senão não a teríamos chamado de World Wide Web (rede mundial) antes mesmo de ter qualquer código em funcionamento”, disse Robert Cailliau em entrevista à Folha de São Paulo.

World Wide Web e Internet

É muito importante esclarecer que World Wide Web e Internet não são a mesma coisa, mas complementares. A Internet é um sistema global de comunicação de dados que nasce no auge da Guerra Fria, no final da década de cinquenta, por meio do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, que concebeu a ARPA – Advanced Research Projects Agency, para liderar as pesquisas de ciência e tecnologia aplicáveis às forças armadas. Com o objetivo de desenvolver projetos em conjunto, sem o inconveniente da distância física nem o risco de se perder dados e informações de uma base destruída em caso de combate, foi criada a ARPANET – ARPAnetwork, ampliada nos anos seguintes com novos pontos em todo os Estados Unidos, além de incluir também as universidades.

Já a World Wide Web, responsável direta pela democratização do acesso à Internet, é um dos serviços que o sistema global de comunicação de dados possui, com páginas interligadas, que combinam texto, imagem, áudio e vídeo. Pode-se dizer que a WWW lincou com o mundo uma forma de comunicação que era restrita às universidades e às forças armadas, possível a partir do momento que o CERN abriu a web ao público e renunciou ao pagamento de licenças ou a um patenteamento da invenção de Berners-Lee e Cailliau. Se os pesquisadores tivessem pedido altas taxas de licença de uso, provavelmente a World Wide Web e a Internet não teriam se tornado o sucesso que são hoje.

As ferramentas necessárias para o funcionamento da rede, o protocolo HTTP (HyperText Transfer Protocol), a linguagem HTML (HyperText Markup Language), o primeiro software de servidor HTTP, o primeiro navegador (chamado WorldWideWeb) e as primeiras páginas, ainda rústicas, de textos e links que explicavam o funcionamento da própria WWW foram desenvolvidas por Berners-Lee em 1990.

Em 1993 surgia a versão 1.0 do navegador Mosaic, criado pelo estudante de computação norte-americano Marc Andreessen. O programa inovou por ser totalmente gráfico, tornando a navegação na rede mais amigável e acessível. Em 1994, o Mosaic virou software comercial e foi rebatizado como Netscape Navigator. Anos mais tarde, o Internet Explorer, da Microsoft, tornou-se o principal navegador da rede. Hoje, além dos navegadores desenvolvidos comercialmente, existem aqueles projetados para serem usados gratuitamente, como o Mozilla Firefox.

Na esteira da popularização da web, surgiram os sites que organizavam e tornavam possíveis as consultas às informações disponíveis na rede, como o Yahoo! e o Altavista, mais tarde engolidos pelo Google. Na década de 90, no Brasil, o buscador Cadê? também esteve presente na vida dos internautas.

Web 1.0, 2.0 e as redes sociais dentro da rede

A intenção original dos criadores da web era a interação e a colaboração. A definição dos termos no ambiente virtual ainda não existia, mas a idéia já rondava as cabeças de Berners–Lee e Cailliau. Isso significaria que os usuários passariam a ser produtores e socializadores de conteúdos ao invés de meros receptores de informação. Mais uma vez eles estavam certos. O que se vê hoje é a disseminação de ferramentas que possibilitam a produção, colaboração e troca de experiências no mundo virtual. É o que chamamos de web 2.0,  jargão criado pelo editor norte-americano Tim O’Reilly. Alguns exemplos que fortalecem esse conceito são os blogs, as comunidades virtuais de aprendizagem e a enciclopédia colaborativa wikipédia, entre outros; além das grandes vedetes, principalmente para os jovens, adolescentes e crianças, que são as redes sociais, como o Facebook, Orkut e o Youtube.
Sérgio Amadeu, um dos mais respeitados pesquisadores brasileiros de Comunicação Mediada por Computador e da Teoria da Propriedade dos Bens Imateriais, e diretor de conteúdos da Campus Party Brasil, diz que as redes sociais lideram a web, ou seja, compõem o grupo de sites mais acessados da rede. Amadeu afirma que “esse fenômeno acontece porque uma parte considerável dos internautas não se contentam em somente navegar pelo ciberespaço, querem participar, opinar, criar, recombinar, construir e compartilhar novos conteúdos. Por isso, o Youtube tornou-se o terceiro site mais visitado, ficando atrás apenas dos mecanismos de busca Google e Yahoo!”.

Em relação à proibição ao acesso a essas redes nas escolas e telecentros, o pesquisador diz: “uma das piores coisas que vejo ocorrer em uma escola ou telecentro é a proibição do uso livre pelos jovens. Absurdo! A proibição do uso de redes sociais, por exemplo, não garante o interesse do jovem para algo que seja considerado mais culto ou apropriado. Será disputando a atenção do jovem a partir de inúmeras aplicações inovadoras e sites interessantes é que vamos ampliar a bagagem cultural dos jovens”.

Amadeu termina com um resumo sobre a evolução na relação do internauta com a rede mundial: “A chamada web 1.0 foi a primeira fase do modo gráfico da Internet, onde os sites exploravam timidamente a interatividade e toda a lógica de navegação ainda era baseada na competição e no bloqueio do acesso. Com a web 2.0, a colaboração e a livre distribuição de conteúdos mostrou-se mais eficiente do que simplesmente competir”.

Web 3.0 e o futuro da rede mundial de computadores

Ao prever o que será da WWW, Berners–Lee afirmou que “a web é uma tela em branco, as pessoas estão sempre inventando coisas novas e maravilhosas que não poderíamos imaginar”. É verdade, ter exatidão em relação ao que surgirá é praticamente impossível, mas a tendência, segundo Sérgio Amadeu, é a evolução na forma do internauta interagir com o mundo virtual, a chamada web 3.0, que tende a ser a continuidade dos avanços colaborativos que por sua vez desembocará na Web Semântica. Com ela, os mecanismos de busca e a estruturação dos servicos na rede serão mais rápidos e mais eficientes.

Além disso, possivelmente haverá um crescimento de aplicações para celulares e tecnologias móveis. Outras projeções de Amadeu são a crise no ensino formal, se levarmos em consideração a estrutura em que está baseada a Educação oficial, e a expansão da banda larga, com a conseqüente melhoria das tecnologias de conexão, que apontaria para a web 3D, abrindo assim caminho para o avanço da estética dos games e sua transposição para diversas outras áreas. Quem viver, verá!

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)