Quem é o dono da Internet?


Quem é o dono da Internet?

 

 

Quem nasceu no final da década de 80 não sabe o que é viver sem e-mail, mensagens instantâneas, redes sociais e Web. Em seus primeiros passos no mundo da informática, a primeira geração brasileira pós-ditadura já estava conectada ao mundo inteiro pela Internet e tinha acesso a mais informação que seus pais, avós e professores jamais tiveram. Sistema criado em 1969 para conectar quatro computadores militares com sistemas operacionais diferentes, a Internet foi liberada comercialmente no final da década de 80 (no Brasil ela chegou em 1995) é hoje um conjunto de dezenas de milhões de computadores interligados por meio de linhas telefônicas, cabos de TV, fibra ótica e satélites.

Cada um desses computadores ligados à Internet faz parte de uma rede. Ao conectar-se via modem (pode ser modem a cabo, modem para conexão discada ou modem ADSL) ao seu provedor de serviços de internet, por exemplo, você passa a fazer parte da rede deles, que, por sua vez, conecta-se a uma rede maior e torna-se parte dela. A Internet é simplesmente uma rede de redes grandes, médias e pequenas.

Apesar de a Internet não ter um dono específico, ela é monitorada e mantida pela Sociedade da Internet, uma organização sem fins lucrativos que supervisiona a formação de políticas e protocolos que definem como usamos e interagimos com a Internet. Isso não significa que alguém está sentado diante de um computador central olhando tudo o que acontece na Internet e decidindo que tipo de informação circula na rede. Na verdade, essa entidade cria um sistema de regras e vocabulários padrão que permitem que as diferentes redes conversem entre si.

Sem essas regras, chamadas de protocolos, essas redes de computadores falariam idiomas diferentes e não se entenderiam. Outras empresas foram criadas para supervisionar a infraestrutura da Internet. A organização internacional IETF (Internet Engineering Task Force), por exemplo, é composta de vários grupos de trabalho que se concentram, cada um, em um assunto específico para manter a arquitetura e a estabilidade da rede. E a empresa Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (Icann) é quem administra o sistema de nomes de domínios da Internet conhecidos como DNS. Cada computador conectado à Internet faz parte de um domínio e tem um endereço exclusivo na rede (IP address).

A Icann é quem associa esse número específico ao nome de domínio. Quando você navega na Web ou manda um a mensagem de e-mail, está utilizando um nome de domínio – aquela parte da url que vem depois do www ou depois do sinal @ num endereço de e-mail, como www.uol.com.br ou @gmail.com. Para que sua mensagem chegue ao destinatário ou para que a página do site que você busca seja carregada no seu navegador, esse nome de domínio precisa estar associado a um número, caso contrário, sua mensagem não chegará nunca ao destino. É exatamente isso que a Icann faz.

Nomes como “howstuffworks.com”, são facilmente lembrados pelas pessoas, mas não ajudam em nada as máquinas. Todas elas usam endereços de IP para se referirem umas às outras. A máquina a que as pessoas se referem como “www.hsw.com.br“, por exemplo, possui o endereço de IP 216.183.103.150. Toda vez que se usa um nome de domínio, os servidores de domínios da internet (DNS) estarão traduzindo os nomes de domínio legíveis em endereços de IP reconhecidos pelas máquinas.

Nenhum governo ou empresa pode se considerar dono da Internet. Ninguém pode ser considerado dono do sistema inteiro, da mesma maneira que acontece com o sistema de telefonia. Por outro lado, milhares de pessoas e empresas são donas da Internet. A Internet consiste de várias partes diferentes e cada uma delas tem um dono, por exemplo:

Provedores de Serviços de Internet – donos da rede física que transporta o tráfego da Internet entre sistemas de computadores diferentes (backbone da Internet). Podem ser operadoras de telefonia como a Embratel e a Telemar, entidades como a RNP (Rede Nacional de Pesquisa) e empresas de telecomunicações, como a Comsat Brasil ou a Impsat.

Pontos de Troca de Tráfego (IXPs) – várias empresas e organizações sem fins lucrativos administram essas conexões físicas que interligam os backbones.

Redes de computadores – se fizerem parte da Internet, têm donos. Os provedores de serviços têm sua própria rede, muitas empresas têm sua rede local, os governos têm sua rede. Cada uma dessas redes é uma parte da Internet e, ao mesmo tempo, uma entidade separada. Dependendo das leis locais, os donos dessas redes podem controlar o nível de acesso dos usuários à Internet, como na China. Até mesmo você que está lendo este artigo é dono da Internet. Você tem um aparelho para se conectar, não é mesmo? Pois esse aparelho faz parte de um sistema interligado, tornando-o proprietário de uma pequenina parte da Internet.Como você pode ver, a Internet não tem um dono principal, mas os donos de cada uma das partes da rede podem influenciar no modo como ela funciona. Embora sua estrutura seja cuidadosamente desenvolvida e mantida, o conteúdo real da Internet continua a ser um espaço virtual que todos conhecemos e com o qual nos acostumamos.Para saber mais, leia o artigo do ComoTudoFunciona.
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_Mais sobre a Internet:Como funciona a infra-estrutura da Internet• Como surgiu a Internet?Como funciona o DNSComo funciona a ArpanetComo funciona a censura na InternetComo funcionam os roteadoresPor que alguns web sites incluem o “www” em sua url e outros não?O que é um endereço IP?

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Publicar ajuda a ensinar e a aprender

Publicar (na rede) ajuda a ensinar e a aprender

Professores apostam no potencial pedagógico dos blogs para incentivar
o hábito de escrever, o debate e o senso crítico

Leandro Quintanilha
Revista A Rede

Em Blogsfera Marli. professora,
reúne os links de sete edublogs
que mantém com alunos

Os blogs surgiram nos anos 90 como um ícone da liberdade de expressão na Internet. Hoje, essas páginas de livre publicação contam com cerca de 48 milhões de adeptos – e ainda mais prestígio. É que, além de serem fáceis de usar e democráticos por natureza, os blogs se revelam, agora, promissores aliados virtuais dos professores. Na era da inclusão digital, os edublogs representam uma espécie de vanguarda teórico-pedagógica, adaptável a qualquer disciplina, nos diversos níveis de ensino, em todas as camadas sociais.

Para a acadêmica Zilá Moura e Silva, doutora em Didática pela USP, o fenômeno tem feito com que alunos e professores escrevam mais e melhor. “As propostas tradicionais de escrita na escola são muito artificiais. Em geral, as pessoas têm dificuldade em discorrer de forma mais aprofundada sobre um tema”, avalia. Isso ocorre, segundo Zilá, porque os alunos não são estimulados a escrever com envolvimento. Com a possibilidade de publicação, o entusiasmo e o empenho são maiores. E a prática gera uma familiaridade progressiva com a escrita: quanto mais se produz, mais se deseja fazê-lo. “Autoria gera auto-estima”, observa.

A professora de Língua Portuguesa Marli Fiorentin concorda: “Os alunos ficam entusiasmados ao perceber que suas idéias têm valor”. Ela dá aulas para o Ensino Fundamental na Escola Estadual Padre Colbachini, em Nova Bassano, cidade com cerca de 10 mil habitantes no interior do Rio Grande do Sul. Descobriu a blogosfera no começo do ano passado e já mantém sete edublogs. “Com as páginas na Internet, os alunos ficam mais motivados a ler e escrever.”

Blog Contos da Escola: estudantes
de Letras colocam a educação em
debate

O cuidado com o texto também é maior “em relação à forma e ao conteúdo”, afirma Raquel da Cunha Recuero, professora dos cursos de Comunicação da Universidade Católica de Pelotas e doutoranda em Informação e Comunicação. Para ela, esses espaços-autoria são um antídoto para a chamada geração Ctrl C + Ctrl V (atalhos do teclado usados para copiar e colar textos). “O aluno passa a apurar melhor as informações disponíveis na Internet, para construir textos de qualidade”, observa a professora. Escrever seus próprios textos e ler a produção dos colegas são hábitos, afirma, que geram um ciclo positivo. “Ao tentar se superar, eles aprimoram o senso crítico”, diz.


A vida como ela é

Os edublogs favorecem o trabalho em equipe e a construção colaborativa do conhecimento, afirma Sônia Bertocchi, pesquisadora do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária, de São Paulo, e coordenadora do Núcleo de Interatividade do portal EducaRede. Sônia é a criadora do Lousa Digital, um blog de discussões sobre o uso pedagógico da Internet. “Procuro auxiliar o professor na sua prática diária: indicar novos recursos, apresentar projetos bem-sucedidos e promover a interação entre educadores geograficamente distantes, além de divulgar eventos relacionados”, descreve.

Trabalho semelhante é realizado por uma professora em formação, a redatora e estudante de licenciatura em Letras Débora Batello, criadora do Contos da Escola. “Educação não é só lousa e giz. O professor tem que encontrar meios para estimular os alunos”, afirma. O público-alvo de seu blog são professores e aspirantes à carreira. Os temas propostos vão além da relação entre Educação e tecnologia. Polêmicas como sistemas alternativos de avaliação e a política de cotas para negros e estudantes de escolas públicas nas universidades são alguns dos assuntos abordados. Nos comentários, os leitores desenvolvem o debate.

A palavra weblog é uma junção dos vocábulos do inglês web (originalmente, teia; mas hoje também com a acepção de página da internet) com log (diário de bordo). Tradução literal: diário na rede. O blogs, como são hoje chamados, surgiram na década de 90 e, atualmente, o número de adeptos aumenta num ritmo avassalador. O site Technorati, que mantém sistema de busca específico para blogs, estima haver cerca de 48 milhões dessas páginas em funcionamento. Mas, no momento em que você lê esta reportagem, esse número já deve estar defasado – a cada dia, são criados mais de 75 mil novos blogs, segundo o instituto de pesquisa em tecnologia norte-americano Pew Internet. Cerca de 11% dos usuários de internet do mundo são leitores habituais de blogs. Estima-se que sejam publicados 1,2 milhão de novos textos, por dia, o que equivale a 50 mil atualizações por hora.
www.pewinternet.org – Pew Internet
www.technirati.com – Technirati 

A professora Marli, de Nova Bassano, criou seu primeiro blog pedagógico no ano passado, para uma turma de 8ª série: Vidas Secas – Da Ficção à Realidade, inspirado na célebre obra de Graciliano Ramos. “A idéia surgiu porque estávamos sofrendo com uma estiagem muito longa, aqui na região, que nos afetou financeira e emocionalmente”, conta ela. Os alunos analisaram o livro e pesquisaram sobre o contexto histórico em que foi escrito.

Na seqüência, Marli convidou alguns escritores profissionais para colaborar com o edublog, como o mineiro Wellington Pino e os gaúchos Caio Riter e Marcelo Spalding. Em um ano, a professora criou mais seis edublogs. E um sétimo, o Blogosfera M@rli,  reúne todos os links. Vários do alunos mantêm, hoje, blogs pessoais.

O trabalho da professora Zilá com meios de publicação na internet começou há dez anos – antes da “febre” dos blogs. Na Unesp de Bauru, ela participou da criação do site Universidade sem Fronteiras, que não era exatamente um blog, mas reproduzia o conceito de autoria-publicação ao colocar na rede os trabalhos de conclusão de curso.

Era só o começo. No correr dos anos, Zilá começou a adotar blogs propriamente ditos no curso de formação de professores da Faculdade Sumaré, em São Paulo, e no de gestores escolares da Uirapuru Superior, de Sorocaba. “Comecei com provocações”, lembra. Ela criava um blog para a turma no qual propunha problemas a resolver e discussões sobre assuntos polêmicos. Deu certo. Com o tempo, os educadores passaram a criar seus próprios diários virtuais, repassando o gosto da publicação para seus alunos. Tal como aconteceu com Marli.

Os links aqui publicados foram visitados em 29/09/06

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Professor digital

 

 

Professor na Era Digital

 

Internautas do EducaRede expressam suas opiniões na Semana do Professor

 

O que pensam os professores sobre a sua profissão? E sobre a relação entre Educação e Tecnologia em uma sociedade cada vez mais marcada pelos avanços tecnológicos?

 

Como não dá pra saber o que pensam todos os educadores brasileiros, o EducaRede realizou um levantamento dos internautas que mais utilizam o Portal com seus alunos. E enviou a eles um questionário para que pudessem expressar suas idéias na semana do Dia do Professor.

 

Em comum, Luzenário, Helena e Denilson acreditam no uso pedagógico da Internet, e por essa razão valorizam a rede mundial de computadores em suas aulas. O EducaRede tem o prazer de fazer parte da vida deles diariamente (Denilson e Luzenário) ou semanalmente (Helena). “O EducaRede nos permite trocar experiências com outros colegas e discutir temas atuais; e isso contribui para a nossa formação”, afirma Luzenário. A formação continuada é uma das principais preocupações deste professor.

 

Confira um pouco do que pensam esses professores/internautas:

 

Luzenário Cruz é professor de Matemática do Ciclo II, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Dona Chiquinha Rodrigues, em São Paulo. E-mail: luzcruz@terra.com.br

 

Que dificuldades você enfrenta como professor?
Além das salariais (sem discussão) e das péssimas condições de trabalho (dentre elas, um número muito grande de alunos por sala de aula) há a falta de uma política de formação continuada, particularmente, aquela que tem como lócus privilegiado a própria escola.

 

Quais os benefícios de ser um professor?
São poucos e a cada administração eleita, tira-se um pouco mais. Entretanto, o maior benefício é a convivência com as novas gerações. É por isso que nós professores não envelhecemos.

 

Você recomendaria a sua profissão aos jovens que ainda não se decidiram? Por quê?
Após três décadas em sala de aula, confesso que cada dia fica mais difícil recomendar aos nossos jovens a nossa profissão. Tive por vários anos a honra de ministrar aulas para futuros professores, na antiga Habilitação Específica para o Magistério, e é com pesar que observo que poucas dessas ex-alunas abraçaram o Magistério como carreira. As novas gerações cresceram ouvindo as dificuldades e as mazelas dos ossos do nosso ofício e cada vez menos se interessam pela nossa profissão.

 

Você usa a Internet com seus alunos, em suas aulas? De que forma?
Sim, através de pesquisas ou da troca de mensagens. A última atividade realizada com os alunos foi uma pesquisa sobre Tales de Mitelo ( 1ª parte). Além da pesquisa, os alunos deveriam responder algumas questões e enviaram-me, através de e-mail, para correção.

 

Na sua opinião, o que a Internet pode representar para o ensino formal quando o seu uso pedagógico estiver mais difundido?
Uma verdadeira revolução. Entretanto, isso só será possível se os professores forem capacitados para trabalharem essas novas tecnologias de informação. Ademais, a relação aluno x professor será revista porque as novas gerações parecem ter pleno dominio dessas novas tecnologias. Confesso que, durante a minha experiência trabalhando com os alunos no Laboratório de Informática Educativa, tenho aprendido muito sobre informática com eles.

 

Que mensagem você gostaria de dar aos colegas no Dia dos Professores?
Professor, Professora: Ouse!!!!!!!!! Sua ousadia, faz toda diferença!!!!! Acredite nisso e esteja sempre atento às seguintes competências: gostar do que faz e cumprir seu dever; ter comprometimento, competência, responsabilidade, dedicação e empenho; aplicar novos métodos de ensino; ter criatividade; incentivar o aluno; mostrar a importância de sua matéria em relação às outras; saber o conteúdo; ter formação atualizada e boa didática; ajudar o aluno a desenvolver habilidades e preparar-se para o mercado; fazer orientação profissional.

 


 

Helena Damelio dá aulas de Informática na Educação para professores dos Ensinos Fundamental e Médio da rede estadual de São Paulo, dentro do programa Teia do Saber. E-mail: heldamelio@aol.com

Quais os benefícios de ser um professor?
Contribuir com o desenvolvimento do ser humano através do ensino é um privilégio.

 

Você recomendaria a sua profissão aos jovens que ainda não se decidiram? Por quê?
Sim. Atuo também em outras áreas, voltadas à tecnologia, mas ensinar me permite estar em situação constante de aprendizado e crescimento. Ensinar a aprender é gratificante e a área de ensino permite este investimento contínuo em aprendizado.

 

Você usa a Internet com seus alunos, em suas aulas? De que forma?
Estas aulas de informática acontecem em laboratório com acesso à Internet, com o uso de ferramentas de e-mail, chat, blog, e com navegação em sites e bibliotecas com conteúdo educacional.

 

Na sua opinião, o que a Internet pode representar para o ensino formal quando o seu uso pedagógico estiver mais difundido?
Trata-se de uma ferramenta de pesquisa, de comunicação sem fronteiras geográficas e de produção de conteúdo por professores e alunos. A seleção do bom conteúdo tem que ser levada a sério, pois, num mundo cada vez mais povoado de informações, a qualidade é cada vez mais importante. E é exatamente por isso que também acho necessário começar a educar os alunos para que produzam bom conteúdo que possa ser compartilhado em rede, com o uso de blogs, por exemplo. Mas a situação ainda é meio utópica. No projeto Teia do Saber, muitos dos professores relatam que não conseguem usar os computadores de suas escolas, que ficam trancados numa sala, ou quebram e seu reparo não é feito. Ou, mesmo quando são usados, nem todos os alunos podem participar, os computadores ficam restritos a alguns programas educacionais. Enfim, mesmo quando as escolas estão equipadas, sinto que falta melhor administração deste recurso para que professores e alunos se beneficiem dele.

 

Que mensagem você gostaria de dar aos colegas no Dia dos Professores?
Professores são figuras marcantes em nossas vidas. Muito do que sou hoje se deve a meus professores. Meu interesse pela pesquisa deve-se ao incentivo que tive deles ao longo da vida. Os professores a quem dou aula me ensinam muito também. A todos estes profissionais que passaram e passam pela minha vida, muito obrigada! E a todos nós, professores, muita luz nesta teia do saber.

 


 

Denilson Rodrigues de Oliveira é professor de Matemática em Camapuã, Mato Grosso do Sul. Atualmente, trabalha na sala de informática da Escola Estadual Miguel Sutil e da Escola Municipal Eurico Gaspar Dutra com alunos do Ensino Fundamental de 1ª a 8ª séries. E-mail: profdoti@uol.com.br

 

Quais os benefícios de ser um professor?
Ser reconhecido em todos os lugares como professor e ser ídolo de crianças que se espelham na gente para um futuro melhor.

Que dificuldades você enfrenta como professor?
A dificuldade de aprendizagem, a indisciplina e a falta de responsabilidade da família para com a criança.

 

Você recomendaria a sua profissão aos jovens que ainda não se decidiram? Por quê?
Sim, a profissão professor/educador é maravilhosa e há uma carência muito grande principalmente na área de Exatas. Espero que num futuro bem próximo sejamos mais valorizados.

 

Você usa a Internet com seus alunos, em suas aulas? De que forma?
Uso com jogos educativos para as séries iniciais do Ensino Fundamental (www.estadinho.com.br, www.monica.com.br, www.duende.com.br, www.meninomaluquinho.com.br), pesquisas (www.google.com.br) e bate-papos do EducaRede, jornais locais (www.correiodoestado.com.br) para uma leitura diária e revistas Veja, Isto É entre outras.

 

Na sua opinião, o que a Internet pode representar para o ensino formal quando o seu uso pedagógico estiver mais difundido?
Muita coisa. A Internet possui inúmeros recursos que podem ser explorados a qualquer momento, em qualquer série.

 

Que mensagem você gostaria de dar aos colegas no Dia dos Professores?
Caros colegas educadores, a nossa luta é contínua e árdua, mas fazemos parte da profissão mais importante do mundo. Um dia, seremos reconhecidos e valorizados como merecemos.

 
(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Produção dos alunos na rede


O mundo é aqui

Publicar o trabalho dos alunos na Internet torna a aprendizagem mais significativa, pois permite que a produção seja vista e apreciada por muitas pessoas de fora do espaço escolar


Jaciara de Sá

Quando a turma ouviu do professor que o projeto sobre globalização deveria ser apresentado em um programa de computador (Power Point), foi difícil conter a empolgação.

Dias depois, a euforia tomou conta da classe. “Sugiro que o trabalho seja publicado no site da escola”, anunciou Edinilson Q. dos Santos, titular de Geografia e responsável pela atividade.

“Tudo havia mudado. Era a possibilidade de muita gente saber o que tínhamos produzido. O mundo todo poderia ver”, lembra com carinho Marcel B. Pinto de quando realizou, com outros alunos, o estudo sobre resistência à globalização.

O trabalho poderia ter virado um livro, sido publicado em forma de revista ou jornal, mas o alcance seria menor e o gasto com gráfica e papel estava fora de cogitação. A Internet foi o veículo ideal para a produção que foi transformada no Atlas Virtual. E os desdobramentos do estudo não pararam por aí. O professor de Geografia do ano seguinte, Clodoaldo G. A. Júnior aprofundou o tema. Os alunos, então no segundo ano do Ensino Médio, aperfeiçoaram o Atlas e o transformaram no vídeo Resistências à Globalização, para nova inserção na Internet e apresentação na Semana de Geografia da Universidade de São Paulo (USP).

“A possibilidade de os alunos se expressarem, tornarem suas idéias e pesquisas visíveis, confere uma dimensão mais significativa aos trabalhos. A escola se abre para o mundo, o aluno e o professor se expõem, divulgam seus projetos e pesquisas, são avaliados por terceiros, positiva e negativamente”, afirma José Manuel Moran*, especialista do MEC em avaliação de cursos a distância.

Tanto o Atlas quanto o vídeo podem ser vistos no site da Escola Estadual Condessa Filomena Matarazzo, que fica em Ermelino Matarazzo, bairro da periferia de São Paulo. A escola não tem apenas um endereço na web, mas também um núcleo de cinema, TV, jornal e um estúdio de rádio, com transmissão para a comunidade pela FM das 8h às 22h. Tudo conseguido e tocado pelos alunos sob a coordenação de um funcionário pouco comum nas escolas: o coordenador de projetos, Wagner Batista.

Mudança de “hábito”

A “Filó”, como é carinhosamente chamada, é uma das 20 mil escolas que têm sala de informática, das 170 mil públicas no país. Mais ainda: está entre as 10 mil que possuem acesso à Internet, segundo informações do presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), ligado à Casa Civil, Sérgio Amadeu da Silveira. Essa situação, porém, não garante o pleno uso dos computadores: as escolas ainda têm que conviver com problemas técnicos e de acesso à rede mundial. Isso faz com que muitos docentes desanimem. Tanto que apenas dois, entre mais de cem docentes da “Filó”, solicitaram a publicação dos trabalhos dos alunos no site. Um dos muitos desafios do coordenador de projetos Wagner é incentivar a mudança de hábito dos professores para que, além de retirar, também destinem conteúdo à Internet.

Para que os estudantes pudessem expor os resultados de um trabalho, fizessem e recebessem comentários, a professora de Português Maria Teresa B. da Silva, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Des. Amorim Lima, de São Paulo, criou um blog em 2004. A idéia era que os alunos da 8ª série escrevessem seus comentários, ilustrações e até o entendimento sobre a obra de Machado de Assis, Dom Casmurro?.

Os blogs, como o da professora Maria Teresa, fotologs e videologs são ambientes mais fáceis de usar, atualizar e que permitem a participação de internautas, além dos sites. Eles são usados por professores que desejam algo mais personalizado ou querem que os estudantes se responsabilizem pela publicação de seus conteúdos.

“Quando focamos mais a aprendizagem dos alunos do que o ensino, a publicação da produção deles se torna fundamental”, diz José Moran. Segundo o especialista, ao estimular essa publicação na Internet, a escola contribui para divulgar as melhores práticas, ajudando outras a encontrar seus caminhos, além de agilizar as trocas entre alunos, professores e instituições. “A escola sai do seu casulo, do seu ‘mundinho’, e se torna uma instituição onde a comunidade pode aprender contínua e flexivelmente.”

Função social da escola

Transmitir o conhecimento acumulado pela humanidade e preparar o aluno para a sociedade, com a expectativa de transformação da realidade, são algumas das funções sociais da escola. Sob esse aspecto, a publicação da produção dos alunos na Internet pode ser uma aliada.

“Quando falamos em papel social da escola, estamos entendendo que a escola prepara o aluno para produzir conhecimento e divulgá-lo de forma que aquele conhecimento seja útil para outras pessoas, outros grupos, outras realidades. É um modo de socializar o conhecimento”, explica Zilá A. P. Moura e Silva**, ex-professora de Didática e Prática de Ensino da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

A socialização na Internet também pode acontecer por meio de ferramentas colaborativas como fóruns e ambientes virtuais de aprendizagem. O EducaRede disponibiliza esses recursos e outros, como a Galeria de Arte, onde é possível expor imagens e textos de acordo com um tema. Criado para o aprimoramento e a reflexão da produção escrita, o ambiente da Oficina de Criação conta com um mediador que tece comentários sobre o texto do aluno/participante para que o estudante reflita sobre o processo da linguagem. O alcance, a agilidade e a temporalidade seriam os grandes diferenciais de uma oficina virtual.

Para a professora Stela C. Bertholo Piconez, livre-docente da Faculdade de Educação da USP (FEUSP),*** a utilização da Internet na escola revela as potencialidades do trabalho colaborativo, em rede, habilidade que em sua opinião deveria ser a prioridade número um do ensino. “A velocidade com que ocorre a socialização do pensamento e das idéias do aluno, o contato com idéias diversificadas e a sincronia de interação por chats ou fóruns têm conseqüências para o desenvolvimento e o aperfeiçoamento da própria democracia (convivência com as diferenças) e do trabalho cooperativo.”

Auxílio na avaliação

Para Stela Piconez, uma outra grande vantagem refere-se à possibilidade de o professor “aprofundar o modo pelo qual os estudantes constroem conhecimentos. A publicação (postagem) dos debates e opiniões dos alunos permite que sua avaliação pelo professor forneça aos alunos o apoio e o incentivo necessário à ampliação e ao aperfeiçoamento de suas aprendizagens”. A livre-docente explica que a atividade reflexiva é ampliada e incentivada com a publicação na Internet dos conhecimentos construídos pelos alunos. Numa situação de colaboração, alunos estabelecem e fortalecem suas habilidades de auto-avaliação, compartilham a auto-aprendizagem e melhoram sua capacidade de reflexão. “E pela perspectiva do professor, a publicação e a dinâmica dos debates dos alunos permitem aperfeiçoar o projeto pedagógico do curso e atender as reivindicações e expectativas dos alunos. E o interessante é observar também que os alunos assumem a responsabilidade pelo seu próprio caminho de aprendizagem.”

A avaliação dos alunos da 8ª série de 2005 pela professora de Português Marli Fiorentin vai contemplar a participação deles no blog criado por ela. Marli leciona no Colégio Estadual Pe. Colbachini, em Nova Bassano (RS) e está trabalhando a relação entre a obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, e a falta de chuva no Estado. Neste ano, aqui no meu Estado, vivemos uma situação difícil, que é a seca. A vida de todos acabou sendo afetada com a alteração do clima”, relata.
A idéia do projeto, que está apenas começando, é fazer uma ponte entre a ficção, por meio de obras literárias como o livro e filme Vidas Secas, com a realidade observada na localidade ao redor e a do Nordeste. “Como é minha primeira experiência com blog, preciso concentrar esforços não apenas na prática, mas também na reflexão sobre essa prática para que seja bem sucedida e possa estimular futuros desdobramentos”, explica.

Os sites indicados neste texto foram visitados em 30/03/2005

* Prof. dr. José Manuel Moran é coordenador de Ensino a Distância da Faculdade Sumaré, professor de pós-graduação da Universidade Bandeirante e professor aposentado da Escola de Comunicações e Artes da USP. Página pessoal: www.eca.usp.br/prof/moran. E-mail: jmmoran@usp.br

** Zilá A. P. Moura e Silva é doutora em Didática pela Faculdade de Educação da USP. Atuou como professora de Ensino Fundamental I, foi coordenadora pedagógica e diretora de escola pública. E-mail: zilamourah@uol.com.br

*** Profª. drª Stela C. Bertholo Piconez é livre-docente da Faculdade de Educação da USP nos cursos de graduação (licenciaturas) e pós-graduação, além de coordenadora científica do NEA (Núcleo de Estudos de Educação de Jovens e Adultos e Formação Permanente de Professores). E-mail: spiconez@uol.com.br

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

World Wide Web faz 20 anos e o mundo inteiro está convidado para a festa

World Wide Web faz 20 anos e o mundo inteiro está convidado para a festa

Por José Alves

“Uma idéia vaga, mas altamente interessante”, essa foi a resposta por escrito que Tim Berners–Lee recebeu de seu chefe no CERN (Organização Europeia para a Investigação Nuclear), Mike Sendall, ao apresentar, numa sexta–feira, 13 de março de 1989, o documento “Information Management: A Proposal” (gerenciamento de informação: uma proposta), em que descrevia o seu projeto elaborado em parceria com Robert Cailliau: um conjunto de documentos de hipertexto interligados e acessíveis pela Internet.
Hoje, a “idéia vaga” mantém conectadas 1,5 bilhão de pessoas e hospeda 215 milhões de sites pelo mundo afora, segundo dados da Netcraft em fevereiro de 2009. Vinte anos depois, o papel com a resposta de Sendall a Berners–Lee encontra-se exposto numa vitrine do CERN como se fosse uma certidão de nascimento da World Wide Web. Os inventores da WWW já imaginavam no que a proposta poderia se tornar? “Sim, senão não a teríamos chamado de World Wide Web (rede mundial) antes mesmo de ter qualquer código em funcionamento”, disse Robert Cailliau em entrevista à Folha de São Paulo.

World Wide Web e Internet

É muito importante esclarecer que World Wide Web e Internet não são a mesma coisa, mas complementares. A Internet é um sistema global de comunicação de dados que nasce no auge da Guerra Fria, no final da década de cinquenta, por meio do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, que concebeu a ARPA – Advanced Research Projects Agency, para liderar as pesquisas de ciência e tecnologia aplicáveis às forças armadas. Com o objetivo de desenvolver projetos em conjunto, sem o inconveniente da distância física nem o risco de se perder dados e informações de uma base destruída em caso de combate, foi criada a ARPANET – ARPAnetwork, ampliada nos anos seguintes com novos pontos em todo os Estados Unidos, além de incluir também as universidades.

Já a World Wide Web, responsável direta pela democratização do acesso à Internet, é um dos serviços que o sistema global de comunicação de dados possui, com páginas interligadas, que combinam texto, imagem, áudio e vídeo. Pode-se dizer que a WWW lincou com o mundo uma forma de comunicação que era restrita às universidades e às forças armadas, possível a partir do momento que o CERN abriu a web ao público e renunciou ao pagamento de licenças ou a um patenteamento da invenção de Berners-Lee e Cailliau. Se os pesquisadores tivessem pedido altas taxas de licença de uso, provavelmente a World Wide Web e a Internet não teriam se tornado o sucesso que são hoje.

As ferramentas necessárias para o funcionamento da rede, o protocolo HTTP (HyperText Transfer Protocol), a linguagem HTML (HyperText Markup Language), o primeiro software de servidor HTTP, o primeiro navegador (chamado WorldWideWeb) e as primeiras páginas, ainda rústicas, de textos e links que explicavam o funcionamento da própria WWW foram desenvolvidas por Berners-Lee em 1990.

Em 1993 surgia a versão 1.0 do navegador Mosaic, criado pelo estudante de computação norte-americano Marc Andreessen. O programa inovou por ser totalmente gráfico, tornando a navegação na rede mais amigável e acessível. Em 1994, o Mosaic virou software comercial e foi rebatizado como Netscape Navigator. Anos mais tarde, o Internet Explorer, da Microsoft, tornou-se o principal navegador da rede. Hoje, além dos navegadores desenvolvidos comercialmente, existem aqueles projetados para serem usados gratuitamente, como o Mozilla Firefox.

Na esteira da popularização da web, surgiram os sites que organizavam e tornavam possíveis as consultas às informações disponíveis na rede, como o Yahoo! e o Altavista, mais tarde engolidos pelo Google. Na década de 90, no Brasil, o buscador Cadê? também esteve presente na vida dos internautas.

Web 1.0, 2.0 e as redes sociais dentro da rede

A intenção original dos criadores da web era a interação e a colaboração. A definição dos termos no ambiente virtual ainda não existia, mas a idéia já rondava as cabeças de Berners–Lee e Cailliau. Isso significaria que os usuários passariam a ser produtores e socializadores de conteúdos ao invés de meros receptores de informação. Mais uma vez eles estavam certos. O que se vê hoje é a disseminação de ferramentas que possibilitam a produção, colaboração e troca de experiências no mundo virtual. É o que chamamos de web 2.0,  jargão criado pelo editor norte-americano Tim O’Reilly. Alguns exemplos que fortalecem esse conceito são os blogs, as comunidades virtuais de aprendizagem e a enciclopédia colaborativa wikipédia, entre outros; além das grandes vedetes, principalmente para os jovens, adolescentes e crianças, que são as redes sociais, como o Facebook, Orkut e o Youtube.
Sérgio Amadeu, um dos mais respeitados pesquisadores brasileiros de Comunicação Mediada por Computador e da Teoria da Propriedade dos Bens Imateriais, e diretor de conteúdos da Campus Party Brasil, diz que as redes sociais lideram a web, ou seja, compõem o grupo de sites mais acessados da rede. Amadeu afirma que “esse fenômeno acontece porque uma parte considerável dos internautas não se contentam em somente navegar pelo ciberespaço, querem participar, opinar, criar, recombinar, construir e compartilhar novos conteúdos. Por isso, o Youtube tornou-se o terceiro site mais visitado, ficando atrás apenas dos mecanismos de busca Google e Yahoo!”.

Em relação à proibição ao acesso a essas redes nas escolas e telecentros, o pesquisador diz: “uma das piores coisas que vejo ocorrer em uma escola ou telecentro é a proibição do uso livre pelos jovens. Absurdo! A proibição do uso de redes sociais, por exemplo, não garante o interesse do jovem para algo que seja considerado mais culto ou apropriado. Será disputando a atenção do jovem a partir de inúmeras aplicações inovadoras e sites interessantes é que vamos ampliar a bagagem cultural dos jovens”.

Amadeu termina com um resumo sobre a evolução na relação do internauta com a rede mundial: “A chamada web 1.0 foi a primeira fase do modo gráfico da Internet, onde os sites exploravam timidamente a interatividade e toda a lógica de navegação ainda era baseada na competição e no bloqueio do acesso. Com a web 2.0, a colaboração e a livre distribuição de conteúdos mostrou-se mais eficiente do que simplesmente competir”.

Web 3.0 e o futuro da rede mundial de computadores

Ao prever o que será da WWW, Berners–Lee afirmou que “a web é uma tela em branco, as pessoas estão sempre inventando coisas novas e maravilhosas que não poderíamos imaginar”. É verdade, ter exatidão em relação ao que surgirá é praticamente impossível, mas a tendência, segundo Sérgio Amadeu, é a evolução na forma do internauta interagir com o mundo virtual, a chamada web 3.0, que tende a ser a continuidade dos avanços colaborativos que por sua vez desembocará na Web Semântica. Com ela, os mecanismos de busca e a estruturação dos servicos na rede serão mais rápidos e mais eficientes.

Além disso, possivelmente haverá um crescimento de aplicações para celulares e tecnologias móveis. Outras projeções de Amadeu são a crise no ensino formal, se levarmos em consideração a estrutura em que está baseada a Educação oficial, e a expansão da banda larga, com a conseqüente melhoria das tecnologias de conexão, que apontaria para a web 3D, abrindo assim caminho para o avanço da estética dos games e sua transposição para diversas outras áreas. Quem viver, verá!

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Internet: a rede que envolve tudo

Internet é um conjunto de redes de comunicação e informação, atualmente disponíveis em quase todo o planeta, que permite a seus usuários encontrar todo tipo de conhecimento, comunicação e diversão, além de realizar compras, fazer consultas etc.

O nascimento da Internet aconteceu na década de 1960 com a finalidade de manter as comunicações institucionais e políticas nos Estados Unidos em caso de uma possível guerra. Porém, a experiência foi tão frutífera que, desde a primeira demonstração pública, em 1972, a ferramenta foi se aperfeiçoando até alcançar aquilo que hoje conhecemos como Internet.

Atualmente, crianças e “não tão crianças” utilizam essa ferramenta diariamente, para trabalhar, aprender, se comunicar ou se divertir. Existem mais de 24 bilhões de páginas na web no mundo todo, e diariamente são realizadas mais de 200 milhões de buscas na Internet. Frente a tudo isso, é fundamental conhecer as ferramentas e serviços existentes na rede para orientar a navegação de crianças e adolescentes.

 

Hábitos de Consumo da Geração Interativa

Tempo

Cada vez mais, as crianças dedicam parte do seu tempo livre a navegar na rede, em busca de entretenimento.

Companhia

Embora muitas crianças acessem a Internet na companhia de adultos, a maioria navega sozinha.

Localização

É cada vez maior o número de crianças com computador no seu quarto ou no de algum irmão.

Conteúdos

A grande maioria das crianças que acessam a Internet buscam diversão e entretenimento. Os mais solicitados: videogames e páginas que permitem manter ou aumentar sua rede social, como salas de bate–papo, messenger, comunidades virtuais etc.

Multitarefa

A Internet permite interagir com outras telas. Ao mesmo tempo em que se acessa a web, pode-se assistir televisão, usar o celular, jogar videogames ou até fazer as lições de casa.

Percepção do meio

As crianças pensam que sabem mais do que todos em casa sobre a Internet. Ninguém ensinou a elas como usá-la, por isso se consideram os experts da família. A grande maioria das crianças que usam a web são conscientes de que se trata de algo muito útil. No entanto, nem todos a consideram imprescindível. Alguns chegam a vê-la como um capricho.

 

Oportunidades

Limitando-nos somente ao âmbito educativo, a Internet permite instruir-se de maneira divertida. Além do mais, facilita a participação dos pais e dos filhos em atividades conjuntas. A contínua atitude de busca que deve manter a criança frente à Internet pode favorecer sua curiosidade pelo conhecimento e seu desenvolvimento intelectual.

Por último, ela permite que a criança elabore seus próprios conteúdos: criar um blog, participar de uma rede social adequada à sua idade, manter um site na web etc., o que fomenta sua criatividade e sua responsabilidade.

 

Riscos

Os riscos podem ser reunidos em três níveis: a exposição a conteúdos nocivos, a excessiva carga horária dedicada e a possibilidade de contatar pessoas potencialmente perigosas para sua integridade física ou psíquica. A Internet põe ao alcance das crianças, com grande facilidade, páginas cujos conteúdos são inadequados, inclusive para adultos – muitas delas, no limite da legalidade.

O poder de atração da ferramenta faz com que muitas crianças usem seu tempo livre para se conectar à Internet, em detrimento de outras opções como dormir, se relacionar com seus familiares e amigos ou participar de outras atividades destinadas ao ócio (escutar música, ler um bom livro, praticar algum esporte etc.).

A facilidade e a gratuidade de muitas páginas destinadas à comunicação dos internautas pode impedir a comunicação direta e cara a cara entre as pessoas, ao mesmo tempo em que facilita o contato com desconhecidos. E isso pode ser perigoso.

 

Alguns conselhos

Intercâmbio de experiência

Compartilhe suas experiências educativas relacionadas às novas tecnologias e conheça as iniciativas de outras famílias na página do Gerações Interativas.

Dica: a página está em espanhol, mas os internautas brasileiros podem escrever em português.

Conheça o meio

Seja o primeiro navegante: acesse a rede e descubra todas as suas possibilidades.

Seja você a referência

Eles usarão a Internet da mesma forma que você.

Uso conjunto

Navegue com seus filhos: mostre a eles suas muitas utilidades. Partilhe com eles a seleção de conteúdos. Se alguma coisa chamar sua atenção ou surpreendê-los, a melhor atitude é que vocês analisem juntos.

Mais vale prevenir

Advirta seus filhos sobre as armadilhas mais comuns na Internet: eles nunca devem fornecer dados pessoais ou familiares, responder mensagens de origem desconhecida, combinar encontros com pessoas que conheceram na Internet etc.

Cada coisa no seu lugar

Coloque o computador em um lugar da casa a que todos tenham acesso. Se estiver no quarto do filho, você não vai poder acompanhar o uso.

Utilize a ajuda tecnológica

Use algumas ferramentas técnicas para assegurar a melhor qualidade possível aos conteúdos acessados em sua casa, aos aplicativos e ao tempo dedicado à navegação (filtros de conteúdo, bloqueio de aplicativos, software de controle de tempo). Todos vão agradecer.

Seja um “cibersentinela”

Se você encontrar conteúdo ilegal, denuncie em alguma das páginas destinadas a isso.

Internet é um meio, não é um fim

Não há sentido em se conectar sem saber para quê: uma navegação sem rumo costuma provocar muitos naufrágios.

 

O que você pode fazer para que sua casa seja um lugar tecnologicamente responsável?

Em quase todos os momentos do dia interagimos com uma tela digital em nossa casa e em nossa vida. Vemos televisão, falamos ao telefone, enviamos SMS, abrimos emails, acessamos à Internet para buscar informação… é uma grande oportunidade que facilita nossas vidas tanto no âmbito do trabalho como nos momentos de descanso, na comunicação etc.

Já nos acostumamos com as telas digitais como parte de nossa vida, mas em algumas ocasiões ainda não nos damos conta da importância de fazer uso responsável delas. Temos consciência de desligar a luz quando saímos de casa, por exemplo, entretanto, nem sempre desligamos a televisão quando saímos da sala de estar para preparar algo para comer. Conseguimos entender que a partir de uma determinada hora não devemos ligar para o telefone fixo de uma casa para não interromper o descanso alheio, mas não pensamos o mesmo se a chamada for para um telefone celular. Assim, nos ocorre a pergunta “que exemplo de lar queremos dar à sociedade do futuro, às nossas crianças e aos adolescentes de hoje?”.

Desde já fazemos a primeira proposta: criar um espaço para guardar os celulares desligados. Ao chegar em casa, assim como temos um lugar para colocar as chaves, por que não dispor de um espaço onde os membros da família possam deixar os celulares desligados? Assim desfrutaremos de um momento do dia sem interrupções. Qual a sua proposta? Ajude-nos a criar um lar tecnológico para todos por meio da discussão sobre o tema. Deixe aqui seu comentário.

Fonte: Gerações Interativas
Tradução: Carla Jimenez

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(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Você está Seguro(a) Online?

Você está Seguro(a) Online?

Pesquisa que pretende identificar hábitos de uso das TIC deve ser respondida por adolescentes de 11 a 19 anos de idade. Adultos também podem conhecer conteúdo do questionário online

CPP Brasil (Child Protection Partnership) deseja saber o que você, adolescente de 11 a 19 anos de idade, acha das TIC e como as usa. As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) incluem equipamentos como computadores e telefones celulares, usados para buscar informação, jogar ou conversar com alguém. Para isso, um questinário foi elaborado. Suas respostas (somente para adolescentes de 11 a 19 anos de idade) são anônimas, o que significa que seus nomes não serão identificados. Os dados coletados serão somados e um resumo dos resultados da pesquisa será relatado na edição de 2010 de Because I Am A Girl, uma iniciativa da Plan, organização internacional sem fins lucrativos. Adultos com mais de 19 anos não podem participar, mas é possível conhecer o questionário online.

A Child Protection Partnership (CPP), Parceria para a Proteção da Criança e Adolescente, é um programa internacional que tem também como parceiros no Brasil a SaferNet, Childhood Brasil, NECA e Plan. O programa CPP é coordenado pelo International Institute for Child Rights and Development (IICRD), Instituto Internacional para os Direitos e Desenvolvimento da Criança e Adolescente, situado na Universidade de Victoria, no Canadá.

Objetivos da pesquisa

• Coletar as perspectivas de adolescentes brasileiros sobre a TIC em suas vidas;

• Compreender melhor as suas perspectivas, experiências e comportamentos em relação aos perigos e proteções apresentadas pelas TIC;

• Identificar as formas possíveis de proteção para os adolescentes, dada a constante expansão das TIC.

Suas respostas ajudarão a contar uma história sobre adolescentes e as TIC no Brasil. Essa pesquisa é parte da iniciativa “Adolescentes Brasileiras e sua Realidade no Mundo Virtual”, que conta também com um levantamento feito com adolescentes em São Paulo por meio de grupos focais. A história também vai contribuir para que a CPP, SaferNet, Childhood Brasil e a Plan ajudem às crianças e adolescentes a utilizar as TIC de forma segura.

Se você tiver alguma dúvida sobre esta pesquisa entre em contato com Luiz Rossi em cppbrasil@uol.com.br.

Convidamos você que tem de 11 a 19 anos de idade a responder a pesquisa.

Se você tem mais de 19 anos e tiver interesse em conhecer o questionário online, clique aqui.

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Fundação Telefônica apresenta novidades na Campus Party 2010

Software de acessibilidade, tradutor automático de Twitter e desafio digital: novidades da Fundação Telefônica na Campus Party 2010

 

A Fundação Telefônica apresentará, durante a Campus Party 2010, novos aplicativos para uso pedagógico. Um dos destaques será um software que permite a leitura de sites adaptados para deficientes visuais. Esse dispositivo, desenvolvido em parceria com a área de Pesquisa & Desenvolvimento da Telefônica, poderá ser usado por escolas que queiram promover a inclusão digital desse público.

Outra novidade fica por conta do tradutor automático de línguas para o Twitter, que facilitará a comunicação de internautas dos mais diversos países. Ele poderá ser testado no estande da Telefônica durante o evento e depois estará disponível para download no Portal EducaRede.

Desafio digital

Durante a Campus Party 2010 será promovido um desafio digital, criado especialmente para o evento, com informações sobre os oito países onde o EducaRede está presente e sobre o programa em si. Por meio de uma tela touch-screen, o usuário terá a oportunidade de utilizar ferramentas da web 2.0, como Wikipedia e YouTube, para procurar as respostas às questões propostas. A ferramenta terá capacidade para edição e poderá ser utilizada nas salas de aula, por exemplo, para a criação de outros desafios com fins pedagógicos.

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Vencedores do Concurso inovam no uso pedagógico da Internet

Vencedores do Concurso EducaRede
inovam no uso pedagógico da Internet

Depois de apresentarem projetos desenvolvidos na escola, professores participam da fase internacional, elaborando com vencedores de outros países um projeto colaborativo

da Redação

Antonia Lucélia dos Santos Mariano (CE), Alair Betti Della Coletta (SP), Gládis Leal dos Santos (SC) e Ingrid Broch (RS). De norte a sul do país, estas professoras são exemplo de profissionais que inovam no uso pedagógico da Internet. E, por isso, venceram o Concurso Internacional EducaRede: Internet e Inovação Pedagógica, promovido pela Fundação Telefônica.

Na tarde desta terça (25/9), Antonia, Alair, Gládis e Ingrid foram premiadas por mostrar como a Internet pode contribuir com a Educação de crianças e jovens. Seus projetos desenvolveram a colaboração, a produção, a comunicação e a pesquisa via Web, entre outras habilidades, cada vez mais necessárias na atual sociedade. Um trabalho virtual com os pés enraizados na escola, na cidade, na cultura, no prazer de descobertas que deu a alunos e professores, juntos, a chance de experimentarem novas possibilidades pedagógicas.

O caminho percorrido pela “Estrada da Fé”, nome do projeto desenvolvido pela professora Antonia, a leva agora à Madri, para participar da fase internacional do Concurso e do IV Congresso EducaRede na Espanha. Com ela, vão as outras três ganhadoras que deixam o país já com um novo desafio: desenvolver um projeto colaborativo com os ganhadores do Concurso EducaRede da Argentina, Chile, Colômbia e Espanha. O sorteio das duplas de trabalho entre os países foi realizado na cerimônia de premiação, em São Paulo, que “conectou” os participantes dos eventos por meio de videoconferência. Antonia fará parceria com um professor do Chile, assim como Alair. O parceiro de Gládis é da Colômbia, e de Ingrid da Argentina.

 “Às vezes a gente se sente tão desacreditada… Hoje vemos que estamos no caminho certo”, comemora a professora Ingrid, de Porto Alegre. Também do sul do país, Gládis Leal deixou Joinville com o pé engessado para ir ao evento. “Fiquei muito feliz por ter encontrado pessoas com quem me relaciono há muito tempo, mas só pela Internet. Receber essa premiação foi tudo! São tantos trabalhos, de todo o país…”  Da pequena cidade de Torrinha (SP), a professora Alair dedicou o prêmio aos alunos e professores da Escola Estadual Lázaro Franco de Moraes, pelo empenho em enfrentar com ela as dificuldades de se trabalhar no “interior, com pouca infra-estrutura tecnológica”. A professora Antonia também lembrou dos desafios, mas principalmente da falta de apoio e de reconhecimento de seu trabalho. “Eu dedico esse prêmio a Padre Cícero e aos romeiros de todo o país”, já que o projeto desenvolvido por ela faz uma reflexão sobre os romeiros de Juazeiro do Norte (CE).

Mas não foram só as quatro professoras que comemoraram nesta terça-feira. No total, 12 educadores foram premiados, dos vinte projetos finalistas. Um deles foi Paloma Fernandez, de São Paulo, levou mais de quarenta alunos para a torcida. As propostas concorreram em quatro categorias: Uso do EducaRede (Ensinos Fundamental 2 e Médio) e Uso da Internet (Ensinos Fundamental 2 e Médio). Os educadores que ficaram em segundo lugar receberam um computador e os que ficaram em terceiro, um iPod. A classificação geral foi a seguinte:

Uso do EducaRede – Ensino Fundamental 2

1  
Antonia L. dos Santos Mariano
Oficina de Criação do Livro Eletrônico – “A Estrada da Fé”  Juazeiro do Norte (CE)
2
Marli L. D. Fiorentin
Vidas Secas: da Ficção à Realidade Nova Bassano (RS)
3
Paloma M.Fernandez
Monitoria Voluntária em Informática Educativa São Paulo (SP)

Uso do EducaRede – Ensino Médio

1
Alair Betti Della Coletta         
Torrinha – Pérola da Serra                  Torrinha (SP)
2
Marcia Adriana da Silva
Lixo, o que podemos fazer? Guaíra (SP)
3
Rubenita Sales da Silva
Escola Egídia: 70 anos e muita estória pra contar                  Morada Nova (CE)

Uso da Internet – Ensino Fundamental 2

1
Gládis Leal dos
Santos           
Blog Palavra Aberta – intercâmbio de idéias no ciberespaço Joinville (SC)
2
Maria Lucia Carneiro Pinto
Almanaque Indígena do Brasil – Hoje! Porto Alegre (RS)
3
Fernando José de Lima
Uso da Internet como aliada nas aulas de Português e Inglês Cananéia (SP)

Uso da Internet – Ensino Médio

1
Ingrid Kuchenbecker         Broch
Drama Club Webwriters            Porto Alegre (RS)
2
Cleber Silva de Menezes
Estudo Exploratório sobre o Uso de Ambientes Virtuais Colaborativos de Aprendizagem no Ensino Básico de Física Nova Iguaçu (RJ)
3
Maria Ap. Marconcine
Projeto Criação de Blogs Imperatriz (MA)

“O Concurso Internacional EducaRede é um levantamento de boas práticas do uso pedagógico da Internet, que valoriza a iniciativa dos professores e mostra a importância da Internet como um recurso de inclusão social”, reforça Sérgio Mindlin, diretor-presidente da Fundação Telefônica. “E ser inovador tem seu preço. Significa incomodar aqueles que não querem ser incomodados”, completa o professor aposentado  José Manuel Moran, da Escola de Comunicações e Artes (USP). Ele cumprimentou os finalistas por serem exemplos de profissionais que têm coragem de inovar. “Só vale a pena ser professor se você gosta de aprender. Para ensinar não precisa de grandes tecnologias, mas ter essa atitude aberta. Quem me ensinou a lidar com a tecnologia foram meus alunos e meus filhos”, disse Moran, finalizando: “O que me mantém vivo é aprender”.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Breve históra da democracia

Breve históra da democracia

Disciplina:

História

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Cidadania e democracia, Internet, Idade Moderna, governo
Tipo: Sites

Para reforçar suas aulas sobre cidadania e democracia, confira o Canal Kids (www.canalkids.com.br).

Na seção “Cidadania”, por exemplo, há textos interessantes para serem trabalhados com os alunos, sob o título “Viva a democracia!”. Trata-se de um breve histórico sobre essa forma de relação entre governantes e governados, passando pela experiência dos atenienses, pelas lutas por direitos de ingleses e franceses na Idade Moderna e pela importância do voto nas democracias atuais.

Em classe, os textos podem ser objeto de problematização. Esta pode começar com um trabalho de contextualização histórica, ou seja, em que época, em que situação se viveu experiências que ajudaram a construir ou consolidar a democracia? Embora a palavra tenha se mantido ao longo do tempo, pode-se dizer que a democracia dos atenienses é a mesma vivida atualmente? O que mudou? O que permaneceu?

Desse movimento podem sair questões para serem aprofundadas, por meio de pesquisas em outros materiais, inclusive na própria Internet.

De qualquer forma, é importante ficar claro que democracia na nossa época não é apenas uma forma de governar: é um modo de viver mais amplo, que se baseia no mais profundo respeito pelos outros e por si mesmo, numa relação em que todos temos, ao mesmo tempo, direito à igualdade e à diferença.

O site indicado neste texto foi visitado 04/03/2002

Texto original: Ronilde Rocha Machado
Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
04/03/2002