Quem é o dono da Internet?


Quem é o dono da Internet?

 

 

Quem nasceu no final da década de 80 não sabe o que é viver sem e-mail, mensagens instantâneas, redes sociais e Web. Em seus primeiros passos no mundo da informática, a primeira geração brasileira pós-ditadura já estava conectada ao mundo inteiro pela Internet e tinha acesso a mais informação que seus pais, avós e professores jamais tiveram. Sistema criado em 1969 para conectar quatro computadores militares com sistemas operacionais diferentes, a Internet foi liberada comercialmente no final da década de 80 (no Brasil ela chegou em 1995) é hoje um conjunto de dezenas de milhões de computadores interligados por meio de linhas telefônicas, cabos de TV, fibra ótica e satélites.

Cada um desses computadores ligados à Internet faz parte de uma rede. Ao conectar-se via modem (pode ser modem a cabo, modem para conexão discada ou modem ADSL) ao seu provedor de serviços de internet, por exemplo, você passa a fazer parte da rede deles, que, por sua vez, conecta-se a uma rede maior e torna-se parte dela. A Internet é simplesmente uma rede de redes grandes, médias e pequenas.

Apesar de a Internet não ter um dono específico, ela é monitorada e mantida pela Sociedade da Internet, uma organização sem fins lucrativos que supervisiona a formação de políticas e protocolos que definem como usamos e interagimos com a Internet. Isso não significa que alguém está sentado diante de um computador central olhando tudo o que acontece na Internet e decidindo que tipo de informação circula na rede. Na verdade, essa entidade cria um sistema de regras e vocabulários padrão que permitem que as diferentes redes conversem entre si.

Sem essas regras, chamadas de protocolos, essas redes de computadores falariam idiomas diferentes e não se entenderiam. Outras empresas foram criadas para supervisionar a infraestrutura da Internet. A organização internacional IETF (Internet Engineering Task Force), por exemplo, é composta de vários grupos de trabalho que se concentram, cada um, em um assunto específico para manter a arquitetura e a estabilidade da rede. E a empresa Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (Icann) é quem administra o sistema de nomes de domínios da Internet conhecidos como DNS. Cada computador conectado à Internet faz parte de um domínio e tem um endereço exclusivo na rede (IP address).

A Icann é quem associa esse número específico ao nome de domínio. Quando você navega na Web ou manda um a mensagem de e-mail, está utilizando um nome de domínio – aquela parte da url que vem depois do www ou depois do sinal @ num endereço de e-mail, como www.uol.com.br ou @gmail.com. Para que sua mensagem chegue ao destinatário ou para que a página do site que você busca seja carregada no seu navegador, esse nome de domínio precisa estar associado a um número, caso contrário, sua mensagem não chegará nunca ao destino. É exatamente isso que a Icann faz.

Nomes como “howstuffworks.com”, são facilmente lembrados pelas pessoas, mas não ajudam em nada as máquinas. Todas elas usam endereços de IP para se referirem umas às outras. A máquina a que as pessoas se referem como “www.hsw.com.br“, por exemplo, possui o endereço de IP 216.183.103.150. Toda vez que se usa um nome de domínio, os servidores de domínios da internet (DNS) estarão traduzindo os nomes de domínio legíveis em endereços de IP reconhecidos pelas máquinas.

Nenhum governo ou empresa pode se considerar dono da Internet. Ninguém pode ser considerado dono do sistema inteiro, da mesma maneira que acontece com o sistema de telefonia. Por outro lado, milhares de pessoas e empresas são donas da Internet. A Internet consiste de várias partes diferentes e cada uma delas tem um dono, por exemplo:

Provedores de Serviços de Internet – donos da rede física que transporta o tráfego da Internet entre sistemas de computadores diferentes (backbone da Internet). Podem ser operadoras de telefonia como a Embratel e a Telemar, entidades como a RNP (Rede Nacional de Pesquisa) e empresas de telecomunicações, como a Comsat Brasil ou a Impsat.

Pontos de Troca de Tráfego (IXPs) – várias empresas e organizações sem fins lucrativos administram essas conexões físicas que interligam os backbones.

Redes de computadores – se fizerem parte da Internet, têm donos. Os provedores de serviços têm sua própria rede, muitas empresas têm sua rede local, os governos têm sua rede. Cada uma dessas redes é uma parte da Internet e, ao mesmo tempo, uma entidade separada. Dependendo das leis locais, os donos dessas redes podem controlar o nível de acesso dos usuários à Internet, como na China. Até mesmo você que está lendo este artigo é dono da Internet. Você tem um aparelho para se conectar, não é mesmo? Pois esse aparelho faz parte de um sistema interligado, tornando-o proprietário de uma pequenina parte da Internet.Como você pode ver, a Internet não tem um dono principal, mas os donos de cada uma das partes da rede podem influenciar no modo como ela funciona. Embora sua estrutura seja cuidadosamente desenvolvida e mantida, o conteúdo real da Internet continua a ser um espaço virtual que todos conhecemos e com o qual nos acostumamos.Para saber mais, leia o artigo do ComoTudoFunciona.
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_Mais sobre a Internet:Como funciona a infra-estrutura da Internet• Como surgiu a Internet?Como funciona o DNSComo funciona a ArpanetComo funciona a censura na InternetComo funcionam os roteadoresPor que alguns web sites incluem o “www” em sua url e outros não?O que é um endereço IP?

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Canção de Todas as Crianças

Canção de Todas as Crianças

Disciplina:

História

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Direitos da criança e do adolescente
Tipo: Músicas

Onde encontrar: Lojas convencionais

Ter todas as crianças vivendo com dignidade e com seus direitos garantidos é uma das grandes utopias de muitos brasileiros nesse início de milênio. Para chegar lá, é preciso um duro trabalho de conscientização desses direitos, sintetizados na “Declaração Universal dos Direitos da Criança”, da ONU (Organização das Nações Unidas). O texto completo da Declaração está disponível no site da Unicef.

Um modo bem interessante de trabalhar com os princípios dessa declaração é por meio do CD “Canção de Todas as Crianças”, com músicas de Toquinho e Elifas Andreato, cantadas por conhecidos intérpretes da nossa música popular, como Chico Buarque, MPB-4, Quarteto em Cy, Leandro e Leonardo e Maurício Mattar.

São doze canções que tentam traduzir para o universo infantil alguns dos princípios da Declaração. Destaque para as canções “Gente Tem Sobrenome“, interpretada por Chico Buarque, e a delicada “ Natureza Distraída“, cantada por Toquinho, que comenta o princípio V da Declaração — A criança deficiente tem direito a educação e a cuidados especiais.

Todas as letras (algumas são bem interessantes) abrem espaço para conversas sobre a situação da infância no mundo e no Brasil, sobre a importância de se respeitar e garantir direitos básicos às crianças: à vida, à saúde, à educação, entre outros. Além disso, as músicas proporcionam momentos de pura emoção com as melodias e arranjos de Toquinho.

Observação:
Para obter mais informações sobre Direitos, veja o tema Cidadania em O Assunto é.

Os sites indicados neste texto foram visitados em 30/05/2002


Texto original: Ronilde Rocha Machado
Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
30/05/2002

Las Libertarias

Las Libertarias

Disciplina:

Língua Espanhola

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Guerra Civil Espanhola
Tipo: Filme

Onde encontrar: Videolocadora 2001

Associar o aprendizado de uma língua estrangeira ao conhecimento da cultura é extremamente enriquecedor, além de ser um estímulo para que os alunos reflitam sobre as diferenças culturais, procurando compreendê-las dentro de seu contexto e da história de cada povo ou nação.

No âmbito lingüístico, por exemplo, é importante recordar que na Espanha existem quatro línguas oficiais – espanhol (ou castellano), gallego, vasco e catalán – e que três delas ficaram proibidas durante a ditadura franquista.

Considerando que a língua é um fator de unidade cultural, a proibição aos galegos, vascos e catalães de falar suas respectivas línguas fez com que a questão separatista se tornasse extrema nessas regiões, com fortes repercussões políticas e culturais. Essa explicação é importante para elucidar atitudes que para nós, estrangeiros, não fazem muito sentido; mas que são fundamentais para entender o contexto espanhol.

Para trabalhar as questões lingüísticas, históricas e culturais, o professor pode utilizar o filme “Las Libertarias”, de Vicente Aranda. O filme traz um fato histórico-cultural da Espanha – a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) –, que culminou com a subida de Franco ao poder, mudando radicalmente a vida dos espanhóis. Por tratar-se de uma questão histórica, essa atividade pode ser conduzida juntamente com o professor de Historia.

Ao estudar a Guerra Civil Espanhola, não existe somente uma perspectiva a ser considerada: alguns estudiosos, por exemplo, privilegiam a questão republicana e a interferência internacional; outros a situam como o começo da Segunda Guerra Mundial.

O filme de Vicente Aranda aborda a Guerra Civil Espanhola a partir de uma perspectiva anarquista e feminina da história (não somente “feminista”, que é um movimento em ascensão na época). Além disso, mostra as divergências ideológicas dentro do próprio movimento de esquerda, entre comunistas e anarquistas.

Para discutir o filme, pode-se destacar os seguintes tópicos:

  • A partir das protagonistas do filme, como era a relação das mulheres com a História?
  • Quais as diferenças entre a perspectiva feminina e a feminista?
  • Qual era a posição da Igreja durante a Guerra Civil?
  • Por que o povo e os revolucionários se colocaram contra a Igreja?
  • Que divergências haviam dentro da própria Igreja?
  • Quais os anarquistas mencionados (por exemplo, Durruti e Bakunin) e a importância dos livros citados no filme?
  • Por que a Guerra Civil ficou conhecida como “Guerra Fratricida”?
  • Em que lugares se passa o filme e por quê?Estes são apenas alguns dos tópicos que podem ser abordados. O professor pode enriquecer o estudo trazendo artistas importantes, como Picasso e o quadro “Guernica”, que representa os horrores da Guerra e faz referência ao massacre ocorrido na cidade de mesmo nome, em 26 de abril de 1937.Do ponto de vista da aprendizagem da Língua Espanhola, ao ver o filme o aluno estará trabalhando principalmente a compreensão auditiva. Para trabalhar a oralidade, o professor pode propor um debate após o filme, seguindo os tópicos destacados acima ou outros que lhe parecerem relevantes.

    Em seguida, pede para os alunos estabelecerem alguns temas relacionados ao filme e ao debate, para fazer um texto argumentativo sobre eles.

    Desse modo, o professor trabalha um tema histórico-cultural importante, aliando-o ao desenvolvimento de habilidades lingüísticas: compreensão auditiva, expressão oral e escrita.

    Por último, se o professor conhecer algum texto sobre o assunto ou sobre os temas propostos pelos alunos, poderá trabalhá-lo também, o que permitirá exercitar ainda mais a leitura e a compreensão de textos.

    Para aprofundar:
    BOM MEIHY, José C. S. & BERTOLLI FILHO, Claudio. A guerra civil espanhola. São Paulo: Ática, 1996.
    BLINKHORN, Martin. A guerra civil espanhola. São Paulo: Ática, 1994.

    Referência:
    Las Libertarias, de Vicente Aranda. Espanha, 1996, 121 minutos.
    No dia 19 de abril de 1936, a revolução explode em uma cidade próxima a Barcelona. Fugindo do convento que está sendo saqueado pelos revolucionários, a jovem freira Maria procura abrigo em um prostíbulo. Um grupo de guerrilheiras também chega ao local para defender as prostitutas. María junta-se à líder Pilar e a Floren, em sua jornada ao campo de batalha.

    Texto original: Luiza Martins da Silva e Tatiana Francini Girão Barroso
    Edição: Equipe EducaRede

     

    (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

     

Breve históra da democracia

Breve históra da democracia

Disciplina:

História

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Cidadania e democracia, Internet, Idade Moderna, governo
Tipo: Sites

Para reforçar suas aulas sobre cidadania e democracia, confira o Canal Kids (www.canalkids.com.br).

Na seção “Cidadania”, por exemplo, há textos interessantes para serem trabalhados com os alunos, sob o título “Viva a democracia!”. Trata-se de um breve histórico sobre essa forma de relação entre governantes e governados, passando pela experiência dos atenienses, pelas lutas por direitos de ingleses e franceses na Idade Moderna e pela importância do voto nas democracias atuais.

Em classe, os textos podem ser objeto de problematização. Esta pode começar com um trabalho de contextualização histórica, ou seja, em que época, em que situação se viveu experiências que ajudaram a construir ou consolidar a democracia? Embora a palavra tenha se mantido ao longo do tempo, pode-se dizer que a democracia dos atenienses é a mesma vivida atualmente? O que mudou? O que permaneceu?

Desse movimento podem sair questões para serem aprofundadas, por meio de pesquisas em outros materiais, inclusive na própria Internet.

De qualquer forma, é importante ficar claro que democracia na nossa época não é apenas uma forma de governar: é um modo de viver mais amplo, que se baseia no mais profundo respeito pelos outros e por si mesmo, numa relação em que todos temos, ao mesmo tempo, direito à igualdade e à diferença.

O site indicado neste texto foi visitado 04/03/2002

Texto original: Ronilde Rocha Machado
Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
04/03/2002

Os escravos no Brasil

Os escravos no Brasil

Disciplina:

História

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Escravidão no Brasil
Tipo: Texto

Para complementar suas aulas sobre a escravidão no Brasil, nada melhor do que o livro “A História dos Escravos”, da historiadora Isabel Lustosa, com ilustrações de Maria Eugênia.

Nele, mesclam-se memórias familiares da autora (um antepassado dela foi escravo e outro dono de escravo) com dados históricos sobre a escravidão no Brasil. A narrativa gira em torno de um garoto, o Chico, que se apropria das histórias por meio do avô e de uma empregada da fazenda em que passava as férias. Destaque para as gravuras de época e para os desenhos de Maria Eugênia.

Após a leitura do texto pelos alunos, convide-os a contarem o que sabem a respeito de suas próprias famílias e seus antepassados. Pergunte se sabem da existência de antepassados indígenas ou negros escravizados.

Depois, você pode recuperar com eles: o escravo como propriedade, a procedência dos negros, as condições de trabalho nas fazendas e nas cidades, os castigos e maus-tratos, as diferentes formas de resistência, a luta pela abolição e as duras condições de vida depois da libertação.

As imagens (gravuras e fotografias) de época podem ser objeto de leitura à parte: identifique os autores de cada uma delas (na p. 31, nos créditos das ilustrações, há dados sobre eles) e peça aos alunos para descreverem o que vêem nela, o que há em primeiro plano, o que há ao fundo.

Em seguida, desafie-os a escrever, em duplas, um pequeno texto sobre o que aprenderam. Ou a fazer um painel, incluindo texto e imagens.

Referência bibliográfica:
LUSTOSA, Isabel. A História dos Escravos. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1998.

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
04/03/2002

A Matemática e as Artes Visuais

A Matemática e as Artes Visuais

Disciplina:

Matemática

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Artes, Geometria, Geometria Plana, História da matemática, Medidas
Tipo: Materiais didáticos

Objetivo
Apreender a linguagem matemática por meio da leitura e interpretação da realidade, sendo capaz de exprimi-la com clareza oral, textual e gráfica; Apropriar-se dos processos de construção matemática das artes visuais, sendo capaz de reconhecê-la por meio de sua leitura e interpretação, bem como reconhecê-la nos fenômenos naturais, físicos e sociais; Desenvolver a capacidade de formular hipóteses, conjecturar, analisar, experimentar processos físicos, naturais, sociais, culturais e econômicos, a fim de construir argumentações; Compreender o valor da matemática nas construções sociais e culturais humanas, bem como entender seu processo de desenvolvimento.

Clique aqui e conheça o Módulo Rived – animação e simulação

Texto Original: RIVED

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Documentário “O Xadrez das Cores”

Documentário “O Xadrez das Cores”

Disciplina:

História

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Racismo
Tipo: Metodologias

 

http://portacurtas.org.br/filme/?name=o_xadrez_das_cores

Cida, uma mulher negra de quarenta anos, vai trabalhar para Maria, uma velha de oitenta anos, viúva e sem filhos, que é extremamente racista. A relação entre as duas mulheres começa tumultuada, com Maria tripudiando em cima de Cida por ela ser negra. Cida atura a tudo em silêncio, por precisar do dinheiro, até que decide se vingar através de um jogo de xadrez.

 

Clique aqui e veja a proposta de trabalho

Texto Original: Projeto Porta-Curtas

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
27/08/2007

http://portacurtas.org.br/filme/?name=o_xadrez_das_cores

O trabalho escravo no Brasil

O trabalho escravo no Brasil

Disciplina:

História

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Escravismo
Tipo: Artes Visuais

A proposta apresentada a seguir pode iniciar um diálogo e uma reflexão sobre as origens do trabalho compulsório no Brasil (escravidão, principalmente negra), entre alunos de 6ª ou 7ª série.

A classe deve ser organizada em roda e o professor inicia o trabalho perguntando sobre o significado da palavra escravidão. Porém, os alunos não devem expressar suas idéias oralmente e sim com uma palavra escrita, um gesto ou desenho.

Em seguida, o professor apresenta a figura “A Negra”, de Tarsila do Amaral, podendo ampliá-la para facilitar a observação dos alunos. Com a imagem em mãos, estabelece comparações com a produção do grupo e verifica a opinião dos alunos sobre a negra idealizada pela artista, perguntando se ela representa de fato a condição dos negros da atualidade ou a que estereótipo corresponde.

Inicia-se, então, um debate com os alunos sobre a situação atual dos negros em nosso país. Como apoio para essa discussão, podem-se utilizar textos, situações que os alunos apresentarem (que envolvam preconceito e diversidade de oportunidades), fragmentos de músicas, como “O Teu Cabelo não Nega”, ou ainda trechos de livros, como Macunaíma, de Mário de Andrade (clique aqui para ver exemplos de textos que podem ser utilizados).

É importante que o professor mostre que palavras ou expressões podem assumir diferentes sentidos, conforme a situação em que estão sendo empregadas. Por exemplo, falar que “a situação está preta” não implica necessariamente em racismo, pois desde o tempo das cavernas o ser humano teme a falta de luz, por representar perigo. Já em expressões como “isso é coisa de negro”, fica claro o conteúdo racista.

O professor também deve lembrar que a escravidão no Brasil não ocorreu apenas com os negros. Não podemos esquecer dos índios, escravizados quando os portugueses chegaram ao Brasil. Além disso, o preconceito racial também se estende a outros “não brancos”, como os próprios índios, os árabes etc. Caso o professor queira aprofundar o trabalho, pode ampliar o tema introduzindo a questão do preconceito em geral e da intolerância com a diversidade étnica e cultural.

Para concluir a atividade, pode-se solicitar a elaboração de um texto coletivo, com o registro das idéias dos alunos em relação à atividade desenvolvida, que dará ao professor subsídios para estabelecer conexões entre a situação de agora e a experimentada pelos escravos a partir do século XVI.

A atividade pode ser realizada de forma interdisciplinar, contando com os professores de Educação Artística e Língua Portuguesa. Como projeto interdisciplinar pode, por exemplo, contar com a montagem de uma peça teatral ou a exposição de telas produzidas pelos alunos a partir do tema.

O professor de Educação Artística pode ressaltar técnicas variadas de composição artística e promover a apreciação, comparação e releitura de outros quadros da própria Tarsila do Amaral ou de outros artistas, introduzindo um estudo sobre o Modernismo e a questão da identidade nacional.

Já o professor de Língua Portuguesa pode discutir textos narrativos e poesias, visando à produção escrita dos alunos e ao desenvolvimento de suas habilidades, seja com teatro, pintura, concurso de poesias, ou ainda saraus e o que mais a criatividade permitir. No entanto, deve-se ficar atento aos objetivos da atividade, para não haver dispersão nem afastamento da proposta de trabalho.

Texto original: Maria Walburga dos Santos
Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
27/11/2002

Os frutos da terra

Os frutos da terra

Disciplina:

História

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Transição Paleolítico/Neolítico
Tipo: Metodologias

No estudo do período pré-histórico, um aspecto importante a ser abordado é o surgimento da agricultura como meio de subsistência. A arte de cultivar a terra possibilitou aos homens pré-históricos fixarem-se em alguns territórios e tornou-se um recurso complementar às práticas de caça e coleta.

O objetivo dessa proposta é traçar com os alunos a importância da descoberta da agricultura para o homem da pré-história, até os nossos dias. Esse trabalho consegue chamar a atenção do aluno por ser concreto e dinâmico e, com adaptações, é adequado a qualquer série, especialmente para as 5ª e 6ª séries.

Antes da atividade, o professor solicita aos alunos que tragam grãos e frutas para a escola. Se isso não for possível, pode-se verificar se a cozinha da escola pode fornecer alguns grãos (arroz, feijão, milho).

Com a classe organizada em círculo, o professor expõe os alimentos, conversando com os alunos sobre a origem de cada um e a importância de seu cultivo.

Em seguida, promove-se um debate, no qual os alunos são convidados a imaginar a vida contemporânea sem a agricultura (lembrar aspectos do nomadismo, como as longas caminhadas para se abrigar do frio e procurar alimentos, a alta taxa de mortalidade entre crianças e os mais velhos, as dificuldades em aperfeiçoar técnicas de caça e moradia).

Com o auxílio de gravuras – por exemplo, reproduções de fotos de Sebastião Salgado, reportagens sobre a fome na África, fotos sobre o movimento dos Sem Terra – é possível estimular a reflexão dos alunos sobre o tema trabalhado, com interferência mínima do professor.

No fim, pode-se partir para um “gesto concreto”: partilhar as frutas trazidas ou plantar os grãos (em local da própria escola ou em vasos previamente preparados). É importante também que cada aluno faça individualmente um registro escrito no caderno.

Caso o professor queira dar continuidade ao trabalho, pode trazer para os alunos um mito indiano, para exemplificar a conquista da agricultura pelos homens.

Texto original: Maria Walburga dos Santos
Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
27/11/2002

O Grande Ditador

O Grande Ditador

Disciplina:

História

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Adolf Hitler e o Nazismo
Tipo: Filme

Onde encontrar: Videolocadoras

“Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio… negros… brancos.”

Assim se inicia o discurso de um dos personagens desse filme notável do cineasta Charles Chaplin. Humanista, libertário, crítico, pacifista – o discurso final de “O Grande Ditador” despregou-se do filme e correu o mundo, acolhido em todos os lugares em que a injustiça e a desigualdade precisavam ser denunciadas. Ele faz parte da galeria de textos inesquecíveis, como a Carta do Chefe Seattle e a Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão.

Esse texto é um importante material para ampliar a discussão de temas como o Nazismo e a Segunda Guerra Mundial, ou mesmo os conflitos europeus contemporâneos.

O assunto do filme se revela a todos pelo título e logo na apresentação dos personagens: trata-se de um país imaginário chamado Tomânia, governado pelo ditador Adenoid Hynkel, alter ego de Hitler. Como se pode ver, trata-se da Alemanha de Hitler, em plena ascensão do Nazismo e início da Segunda Guerra Mundial.

Em um artigo de jornal escrito em 1939, Chaplin declarou que “’O grande ditador’ poderia ser o título de uma comédia, de uma tragédia ou de um drama; eu quis fazer um coquetel de todos esses gêneros e traçar um perfil, ao mesmo tempo grotesco e sinistro, de um homem que acreditava ser um super-herói e pensava que sua opinião e sua palavra eram as únicas com valor”.

Ele afirmou também que se soubesse de antemão dos campos de concentração não teria tido coragem de brincar com a “demência homicida dos nazistas”. Esse grande artista e pensador conseguiu ridicularizar a figura de Hitler e as idéias nazistas. Conseguiu fazer todos rirem: aquele riso que representa a vitória sobre o medo, que esclarece a consciência, que denuncia a opressão e as injustiças.

Mas como explorar consistentemente este filme em sala de aula?

Além das sugestões de procedimentos já sugeridos para o filme “Tempos Modernos”, LINK também de Charles Chaplin, pode-se discutir com os alunos após a projeção do filme:

  • A identificação do contexto histórico do filme “O Grande Ditador”, ressaltando-se tanto os aspectos evidentes na obra quanto as dúvidas e questões dos alunos, para serem objeto de pesquisa posterior. Não se esqueça de perguntar aos alunos que cenas do filme os levaram a fazer relações com o contexto histórico.
  • Após a explicitação do contexto, cabe estimular os alunos com a pergunta: que ponto de vista o filme expressa sobre o mundo contemporâneo de Charles Chaplin? Será o filme uma proposta de aceitação ou recusa de aspectos desse mundo?
  • Algumas cenas podem ser revistas para uma análise mais detalhada dos recursos que Chaplin utilizou para dar forma plástica às suas idéias. Sugere-se especialmente aquela em que o ditador Hynkel brinca com uma representação do mundo, com um globo terrestre. Que sentidos é possível atribuir a esse estranho balé?
  • O texto do discurso final, proferido pelo barbeiro judeu (no lugar de Hynkel) pode ser reproduzido e discutido em classe, para que os alunos percebam o sentido dos conflitos, o embate de idéias que faziam parte dos projetos político-sociais da época.

Bom trabalho!

Os sites indicados neste texto foram visitados em 11/09/2003

Referência:
O Grande Ditador, de Charles Chaplin. EUA, 1940, 128 minutos.

Em seu primeiro filme falado, Chaplin interpreta dois papéis opostos – o de um barbeiro judeu, enfrentando tropas de choque e perseguição religiosa, e o do Grande Ditador Hynkel, uma brilhante sátira de Adolph Hitler. O clímax clássico deste filme é o célebre discurso final, um libelo ao triunfo da razão sobre o militarismo. 

Texto Original: Ronilde Rocha Machado

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)