Tropa de Elite

Disciplina: Matemática, Língua Portuguesa/Literatura, Geografia, História, Ciências
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Corrupção, drogas, violência, juventude
Tipo: Filme

A proposta a seguir é um desafio. Não no sentido de competição, evidentemente, mas de incitamento e provocação. O objetivo é estimular o professor a exercitar uma prática, infelizmente, nada comum nas escolas: a pesquisa de opinião. É também uma provocação, na medida em que se tira das mãos do professor o controle sobre o processo e o resultado da pesquisa, que é repassado aos alunos e às alunas. Ou seja, embora sua presença seja absolutamente fundamental em cada um dos momentos da pesquisa, não é o professor, sozinho, quem deve decidir os rumos que ela vai tomar.

Clique aqui e saiba por que trabalhar o filme

O que se espera desse trabalho pedagógico é que você, professor, não seja um “transmissor de conteúdos”, mas sim um mediador das relações que se estabelecerão a partir da atividade a ser realizada. Por quê? Por uma razão muito simples: a dimensão do tema proposto. Embora as ciências biológicas e jurídicas, por exemplo, há muito tempo tenham se posicionado em relação ao uso das drogas e, portanto, tenham muito a dizer a esse respeito, os negócios com produtos ilícitos aumentaram de tal forma –  uma vez que muitos jovens entraram no jogo – que se esperam outras abordagens sobre o assunto.

Quer dizer: se tem oferta crescente é porque há procura crescente. Seja por mera curiosidade, seja por necessidade de se sentir respeitado pelos amigos, seja por dependência química de tais produtos, o fato é que o tema das drogas não pode ser ignorado. Ao contrário, precisa ser encarado pela escola como um todo e, particularmente, por você, que todos os dias tem, bem à sua frente, adolescentes e jovens atentos não somente em saber o que você pensa sobre as coisas em geral, mas, sobretudo, como se comporta perante aquelas que, como as drogas, atingem tantas pessoas.

Sendo assim, ao que parece, restam duas opções. Ou o professor se apresenta com um discurso elaborado à base do pode-não-pode, do certo ou errado, do deve ou não deve, e, decididamente, contribui para que a conversa se encerre aí, mantendo uma perspectiva puramente moralizante; ou é suficientemente corajoso para levar para a sala um tema que, por envolver a todos, se constitui num problema social. Neste caso, certamente, você estará colaborando para que os alunos possam manifestar o que sentem e pensam sobre o assunto e, com base nisso e no que você tem a dizer, decidam o que querem para si mesmos e para os outros.

Propomos, então, que você, convencido pelas razões que justificam a segunda opção, adote os seguintes procedimentos, que duram cerca de um mês ou oito horas-aula:

1. Assista ao filme junto com seus alunos.

2. Em sala de aula, peça que cada um dos grupos discuta um aspecto abordado pelo filme. Exemplos:

  • drama vivido pelo Capitão Nascimento: estressado pela guerra diária do BOPE e profundamente humano com a morte de um garoto do morro e com o nascimento do filho;
  • características pessoais de Neto e Matias, candidatos à substituição de Nascimento no comando da Tropa de Elite;
  • significado do lema da Tropa: “faca na caveira e nada na carteira”.

3. Na aula seguinte, prepare a turma para uma pesquisa de opinião. Esta é, seguramente, uma das formas mais interessantes dos nossos alunos produzirem conhecimentos. Com base no levantamento e na discussão dos aspectos do filme, proponha a escolha de um deles para ser o objeto da pesquisa. Após a definição do tema, é preciso seguir alguns passos:

  • cada aluno ou cada grupo de alunos deve elaborar 5 perguntas e 3 alternativas de respostas sobre o tema;
  • oriente-os para que as questões sejam extremamente objetivas, isto é, tanto perguntas quanto respostas não podem dar margens a interpretações diferentes do que o pesquisador quer saber. Em geral, eles participam ativamente desse momento, buscando as palavras mais adequadas que deverão constar do questionário; exemplo:

Você é a favor da descriminalização da droga?
a) Sim
b) Não
c) Não sei

  • promova um debate para que cada um ou cada grupo possa apresentar as questões elaboradas, justificando-as e submetendo-as à apreciação dos colegas; se for o caso, encaminhe um processo de votação para escolher as 5 questões mais bem formuladas para serem posteriormente aplicadas;
  • decida com a turma o universo da pesquisa, isto é, quantas pessoas serão convidadas a responder as perguntas elaboradas pelos alunos; convém lembrá-los que nem sempre a pessoa abordada está disposta, tem interesse ou aceita ser entrevistada – atitude que deve ser inteiramente respeitada pelo entrevistador;
  • prepare com eles o cabeçalho da folha de pesquisa; a ficha deve conter somente:

Título (Pesquisa sobre….)
Local e data de sua realização
Idade e sexo do entrevistado ou entrevistada
Nome do pesquisador
Cinco perguntas com as respectivas alternativas;

  • solicite que um deles digite a folha de pesquisa e combine com a turma a distribuição das cópias da ficha padrão para cada aluno;
  • oriente-os para que sejam respeitosos e corteses com os entrevistados.

4. Não é preciso mais do que uma semana para que os alunos dêem conta dessa tarefa que, acreditem, será muito prazerosa para eles e para você também.

Diga a eles que, após terem feito individualmente as pesquisas, devem também tabular os dados. Para tanto é necessário, primeiro, que anotem o número total de entrevistados. Depois, para cada uma das 5 perguntas

  • quantos responderam alternativa A
  • quantos responderam alternativa B
  • quantos responderam alternativa C

Com esses dados, e aplicando a regrinha de três, é possível transformar em gráfico os resultados da pesquisa.

Tanto a coleta quanto a tabulação dos dados são atividades que podem ser (aliás, convém que sejam) realizadas fora do horário das aulas. Para a tabulação dos dados e apresentação em gráfico da pesquisa, oriente-os para que, caso seja necessário, busquem apoio de outros professores, de familiares e de amigos.

5. No seu próximo encontro com a turma, sugira que formem grupos de 5 alunos e, a partir dos gráficos elaborados individualmente, seja feito um outro, agora do grupo, para ser apresentado a todos os colegas. Após as apresentações, é sua vez de, junto com eles, preparar o resultado final da pesquisa.

6. Serão necessários ainda, pelo menos, dois encontros para finalizar essa proposta de produção de conhecimentos. Primeiro, para discutir o processo da pesquisa, é muito importante que você dê espaço para que os alunos contem como tudo aconteceu, o que sentiram e pensaram ao prepararem e realizarem a pesquisa, as abordagens e reações dos entrevistados, as dificuldades encontradas, as situações engraçadas que vivenciaram etc.

Depois, com o resultado final da pesquisa devidamente tabulado, é hora de provocá-los para que, individualmente e em grupos, tentem interpretar as respostas. Peça a eles que produzam pequenos textos opinativos sobre o tema da pesquisa, comparando e citando os percentuais obtidos.

Depois dessa empreitada, que sem dúvida alguma será muito gratificante para você, é  importante que você se esforce em tornar públicos os resultados da pesquisa. Importantíssimo para os seus alunos, que terão o trabalho reconhecido e; claro, para você, que ousou coordenar uma atividade cujos resultados são socialmente tão significativos.

Que o maior número de pessoas tenha acesso a essa verdadeira produção de conhecimentos não somente é desejável, mas fundamental para que a sociedade tenha uma oportunidade real de saber mais sobre si mesma. Veja algumas sugestões.

Referência

Tropa de Elite, de José Padilha. Brasil, 2007, 118 minutos

Conta o dia-a-dia de policiais do BOPE – (Batalhão de Operações Policiais Especiais). Querendo deixar a corporação, o capitão do batalhão tenta encontrar um substituto para seu posto. Ao mesmo tempo, dois amigos de infância se tornam policiais e se destacam pelo modo honesto e honrado de realizar suas funções, não se conformando com a corrupção na qual estão envolvidos tanto os seus iguais quanto os seus superiores. A classificação do filme é 16 anos.

Assista a trechos do filme

Texto Original: Donizete Soares

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Dia de índio

Dia de índio

Disciplina:

História

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Encontro dos portugueses com indígenas brasileiros
Tipo: Músicas

A proposta a seguir funciona como sensibilização para começar o estudo sobre a chegada dos portugueses ao Brasil.

Essa sensibilização é importante, pois permite o contato com o que ainda resta das sociedades indígenas, além de favorecer o diálogo com outras fontes – textos, gravuras e produções européias da época – que trazem pontos de vista diversos sobre os fatos históricos.

A atividade pode ser desenvolvida com a 5ª ou 6ª série, de acordo com o planejamento do professor. A ênfase nos indígenas tem por objetivo instigar os alunos a refletirem a respeito do que podemos chamar de uma “outra visão” da História.

A maioria dos textos que conhecemos traz a versão ocidental do confronto e não há registros oficiais feitos por grupos indígenas. Portanto, é papel do professor de História organizar e apresentar fontes diversas, possibilitando aos alunos terem acesso a essas diferenças culturais, para que, aos poucos, possam construir um conhecimento que tenha mais de um ponto de vista como referência.

A proposta é convidar os alunos para um “dia de índio”, tentando tirar o rótulo dessa expressão, que se tornou sinônimo de coisa chata; por isso é recomendável sair da sala de aula. O espaço para desenvolvimento da atividade pode ser o pátio, a quadra, ou aquele terreno quase gramado que ninguém usa e, se possível, à sombra de uma árvore.

Os alunos devem sentar-se em círculo (lembrar que muitas tribos, de várias épocas e origens, passavam seus conhecimentos em roda) e ter em mãos folhas de papel sulfite ou o próprio caderno, além de material de desenho.

O professor coloca a música “Araruna”, interpretada por Marlui Miranda, uma primeira vez para que os alunos ouçam e duas vezes para registrarem (em palavras ou desenho) o que cada um sentiu. A canção lembra uma cantiga de ninar e é provável que os alunos também sintam isso. É importante depois o professor ler a tradução da música.

Ao finalizar a escuta e a anotação das impressões, o professor socializa a produção dos alunos para todo o grupo.

Para desenvolver o tema, pode-se iniciar um debate com o seguinte questionamento: “Nós, ocidentalizados, tivemos essa reação ao ouvir uma canção indígena. O que será que os grupos nativos sentiram, ao tomarem contato com os portugueses?”.

Essa atividade é uma introdução ao tema. O professor deve planejar o aprofundamento da questão pensando nos objetivos que deseja alcançar, que conteúdos vai trabalhar e como vai desenvolver as atividades para isso. É bom também fazer um cronograma, de modo a equilibrar os tempos disponíveis para cada item do curso.

Referências:
CD Ihu – Todos os Sons, de Marlui Miranda (com participação de Gilberto Gil). Produzido por Pau Brasil – Som Imagem e Editora Ltda., em 1995.

Texto original: Maria Walburga dos Santos
Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
27/11/2002

Um estudo da cultura negra

Um estudo da cultura negra

Disciplina: História
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Cultura negra e escravidão
Tipo: Texto

 

As aulas sobre escravidão e cultura afro no Brasil podem ser enriquecidas com a inclusão do livro “Do Outro Lado Tem Segredos”, de Ana Maria Machado. Trata-se das descobertas de um garoto, o Bino, em uma comunidade de pescadores.

O que está em jogo nessa história é a identidade negra de Bino, elaborada no convívio com a comunidade, perguntando, escutando, querendo saber mais. Isso acontece tanto durante os trabalhos de sobrevivência da comunidade quanto em suas festas tradicionais, como a congada. Olhando para o mar, Bino busca o “outro lado” e essa busca aponta para a descoberta de Angola, do Congo, da África, enfim, de onde vieram os escravos, os seus antepassados.

O mapa-múndi trazido por um irmão ajuda Bino a compreender esse outro lado do mar e da vida, em uma exploração delicada e emocionante do mundo e de si mesmo. É um tema ideal para adolescentes.

O planejamento do trabalho com o livro pode incluir várias experiências de leitura do texto: oral, pelo professor e pelos alunos, alternados com momentos de leitura silenciosa. É interessante estabelecer muitas rodadas de conversas, para a troca de opiniões sobre as emoções e os sentimentos vividos durante a leitura.

Depois, um levantamento de questões a serem aprofundadas e discutidas: o continente africano nos séculos XV e XVI, as razões da escravização, o trabalho escravo no Brasil, as resistências – os quilombos, Zumbi – e a cultura negra, elaborada a partir do que foi trazido da África e experimentado no cotidiano da escravidão.

Referência:
MACHADO, Ana Maria. Do Outro Lado Tem Segredos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.

Texto original: Ronilde Rocha Machado
Edição: Equipe EducaRede

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

 

Curta-metragem “Enquanto a tristeza não vem”

Curta-metragem “Enquanto a tristeza não vem”

Disciplina:

História

Ciclo: Ensino Médio
Assunto:
Tipo: Metodologias

http://portacurtas.org.br/filme/?name=enquanto_a_tristeza_nao_vem

O compositor Sérgio Ricardo expõe sua visão acerca da história do Brasil de JK aos nossos dias, salientando, sobretudo, os descaminhos da cultura brasileira a partir do golpe militar de 64. Coragem e ousadia marcam o emocionante depoimento.

Clique aqui e veja como utilizar este curta-metragem em sala de aula.

Texto Original: Projeto Porta-Curtas

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
24/08/2007

Trabalho infantil em pauta

Trabalho infantil em pauta

Disciplina:

História

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Trabalho infantil
Tipo: Texto

O emprego da força de trabalho de crianças e adolescentes no Brasil é considerado natural por muitas pessoas e vem acontecendo há séculos. Isso porque a idéia de que o trabalho infantil ajuda a mudar a situação de pobreza da família ou “tira os meninos da rua” está arraigada em nossa cultura.

Uma possibilidade para tentar mudar esse pensamento, para além dos direitos conquistados e garantidos pela legislação brasileira, passa pela conscientização da sociedade sobre o tema. Um bom começo é discutir o assunto em sala de aula.

Entre tantos outros recursos que podem ser utilizados para criar um ambiente propício à discussão, sugerimos o livro “Serafina e a Criança que Trabalha”, de Jô Azevedo, Iolanda Huzak e Cristina Porto, para enriquecer o debate.

Com visual primoroso, aliando desenho e fotografia, o livro narra a história de um outro livro a respeito do trabalho infantil, que uma professora leva para ler em uma aula.

É dessa forma que as autoras apresentam dados sobre o trabalho infantil no Brasil: sua incidência por diversas regiões, as atividades econômicas em que crianças e adolescentes mais trabalham, os baixíssimos salários. Essas informações são úteis porque permitem aos alunos visualizar o problema do trabalho infantil em sua complexidade.

Como a estrutura do livro reproduz uma situação de aula, sua leitura fornece ao professor dicas de como o assunto pode ser trabalhado com os alunos do Ensino Fundamental.

Referência:
AZEVEDO, Jô; HUZAK, Iolanda & PORTO, Cristina. Serafina e a criança que trabalha. São Paulo: Ática, 2000.

Texto original: Ronilde Rocha Machado
Edição: Equipe EducaRede

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

 

Como Não Ser Enganado nas Eleições

Como Não Ser Enganado nas Eleições

Disciplina:

História

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Cidadania política
Tipo: Texto

Onde encontrar: Em livrarias ou na Editora Ática

Atualmente, constata-se uma diminuição do interesse das pessoas em geral pela política. Trata-se de um fenômeno que extrapola nossas fronteiras, atingindo países de todos os continentes, ricos e pobres igualmente.

Vários autores têm se dedicado ao assunto, dos mais variados pontos de vista. Em que pesem as razões mais “globalizadas”, aqui no Brasil temos motivos de sobra para o desinteresse e o descaso da cidadania: a gravidade dos problemas sociais que se arrastam por séculos é um deles. Muitas pessoas desanimam e justificam sua descrença e seu conformismo na incapacidade dos políticos brasileiros de transformarem essa situação.

É certo que boa parte de nossos políticos contribui para esse descrédito. Mas geralmente esquecemos que vivemos em um regime democrático, isto é, elegemos periodicamente os nossos representantes. Então: nós escolhemos os políticos que estão no governo, muitas vezes nos deixando enganar com discursos vazios e promessas mirabolantes, para não falar de outros mecanismos mais escusos.

Se acreditarmos que as coisas podem ser diferentes e que a escola tem um papel importante na formação da cidadania dos alunos, então devemos considerar que há muito o que fazer para estimular discussões entre eles e sensibilizá-los para a importância de uma participação maior nos rumos da cidade e do país, começando por uma escolha mais consciente e responsável dos nossos governantes.

Um material que pode ajudar nessa tarefa é o livro “Como Não Ser Enganado nas Eleições”, coordenado por Gilberto Dimenstein, com a colaboração de profissionais de diversas áreas, como Herbert de Souza (o Betinho), Bolívar Lamounier, Boris Casoy, Cacá Rosset, Gustavo Venturi, Júnia Nogueira de Sá e outros.

Nos textos, cada um desses autores se propõe a desvendar os mecanismos de “enganação” dos eleitores, a partir do conhecimento de que dispõem nas suas respectivas áreas. Destaques:

  • O ensaio fotográfico-humorístico do ator Cacá Rosset, ao longo do livro, expondo ao ridículo os chavões e as atitudes mais comuns dos políticos tradicionais.
  • O artigo “Você Pode Confiar nos Jornais?”, da jornalista Júnia Nogueira de Sá, na época ombudsman do jornal “Folha de São Paulo”.
  • As preciosas dicas do sociólogo Gustavo Venturi, para que os eleitores não sejam enganados pela forma como são apresentados e/ou interpretados os resultados das pesquisas eleitorais.
  • O texto-base do coordenador do livro, jornalista Gilberto Dimenstein.Esse livro proporciona oportunidade de trabalho bem interessante, começando com uma leitura do texto completo, se possível, em casa. Depois, em várias aulas, planejadas com os professores de Língua Portuguesa, História, Geografia, Filosofia e Educação Artística, pode-se abordar um meio de comunicação por vez, escolhendo os textos adequados no livro e usando as próprias questões ali apontadas como problematização inicial.

    Por exemplo, uma aula sobre “Jornal e Eleições” pode começar com a pergunta feita por Júnia no seu artigo (p. 20): “Mas será que se pode confiar em tudo – tudo – o que sai publicado nas revistas e jornais?”. Depois de ouvir e registrar as respostas dos alunos, a leitura oral e a discussão do texto pode ser enriquecida por contribuições do professor de Língua Portuguesa, sobre o jornal como veículo de comunicação e suas diferentes propostas de trabalho com a notícia – a leitura crítica de jornais.

    Com essa base inicial, a classe organizada em grupos pode fazer um acompanhamento das eleições em diversos jornais, comparando notícias e editoriais sobre as eleições e os candidatos, procurando reforçar seu olhar crítico com as indicações dos demais textos do livro.

    Pode-se, também, propor atividades envolvendo outros aspectos tratados no livro: eleições e TV, o marketing dos candidatos e outros.

    Em tempo: A ONG Transparência Brasil disponibiliza informações recolhidas em bancos de dados públicos a respeito de candidatos à Câmara dos Deputados nas eleições de 2006. “A intenção é propiciar ao eleitor uma decisão mais informada sobre seu voto para deputado federal”, explica o site. Que tal desenvolver um trabalho usando essas informações? Endereço: http://perfil.transparencia.org.br/

    Referências:
    DIMENSTEIN, Gilberto (coord.). Como Não Ser Enganado nas Eleições. São Paulo: Ática, 1994.

    Texto original: Ronilde Rocha Machado
    Edição: Equipe EducaRede

    Os sites desta página foram visitados em 18/08/2006

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
05/09/2002

Tempos Modernos

Tempos Modernos

Disciplina:

História

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: A disciplina do trabalho no sistema de fábrica, revolução industrial, industrialização brasileira.
Tipo: Filme

Onde encontrar: Videolocadoras

Último filme com a participação do personagem Carlitos, “Tempos Modernos” é uma sátira sobre a alienação dos operários no processo de produção em série. Certamente os estudos sobre as mudanças nesse processo de produção a partir do século XVIII, com a Revolução Industrial inglesa, serão mais fecundos com a utilização desse genial filme de Charles Chaplin, rodado nos EUA, em 1936.

Trata-se de uma tentativa bem-humorada de mostrar que a massificação dos operários é resultado do processo desumano imposto pelas máquinas, dirigidas com o auxílio de métodos e tecnologias voltados para um controle cada vez maior da produção e do tempo do trabalhador.

O genial Carlitos faz o papel de um operário de uma linha de montagem que, de tanto repetir os mesmos gestos a uma velocidade cada vez maior, acaba adquirindo vários tiques nervosos. Depois de inúmeras peripécias ele é internado em um hospital psiquiátrico.

Antes de projetar o filme é interessante falar um pouco sobre Charles Chaplin e a época em que fez seus filmes, a maioria deles na fase do cinema mudo, para que os alunos possam entender melhor a obra. Também é importante pedir-lhes que observem atentamente os objetos do cenário (o relógio que aparece superposto aos créditos, por exemplo), a música, os gestos…

Após a projeção do filme, dividida a classe em grupos para que possam trocar impressões sobre o que consideraram mais interessante, instigante ou o que não conseguiram entender. O ideal é que o professor observe como os alunos captaram o modo de organização da produção e suas conseqüências para a saúde física e psíquica do trabalhador; como Chaplin mostra a exploração do trabalho dos operários no sistema de fábrica, que elementos escolhe para mostrar a resistência de Carlitos à transformação desumana provocada pelo sistema de produção em série, entre outros. Essa observação será muito importante porque indicará ao professor o melhor caminho a ser seguido em relação à discussão desse tema, tornando-o mais instigante para os alunos.

Se possível, para aprofundar a discussão sobre como os capitalistas desenvolveram métodos de racionalizar a produção e possibilitar o aumento da produtividade – o taylorismo, por exemplo –, proponha aos alunos a leitura do livro “O que é o taylorismo”, de Margareth Rago e Eduardo F. P. Moreira. Quanto ao encaminhamento dessa leitura, opte pelo que for mais adequado ao perfil de sua classe.

Para aprofundar:
RAGO, Margareth & MOREIRA, Eduardo F. P. O que é o taylorismo. São Paulo: Brasiliense, 1987 (Coleção Primeiros Passos).

Referência:
“Tempos Modernos”, de Charles Chaplin. Estados Unidos, 1936, 87 minutos.

O filme focaliza a vida urbana nos Estados Unidos dos anos 30, imediatamente após a crise de 1929, quando a depressão leva grande parte da população ao desemprego e à fome. Trata-se de uma crítica à “modernidade” e à sociedade industrial, caracterizada pela produção com base no sistema de linha de montagem e especialização do trabalho. Carlitos, figura central do filme, ao conseguir emprego numa grande indústria, transforma-se em líder grevista.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

World Wide Web faz 20 anos e o mundo inteiro está convidado para a festa

World Wide Web faz 20 anos e o mundo inteiro está convidado para a festa

Por José Alves

“Uma idéia vaga, mas altamente interessante”, essa foi a resposta por escrito que Tim Berners–Lee recebeu de seu chefe no CERN (Organização Europeia para a Investigação Nuclear), Mike Sendall, ao apresentar, numa sexta–feira, 13 de março de 1989, o documento “Information Management: A Proposal” (gerenciamento de informação: uma proposta), em que descrevia o seu projeto elaborado em parceria com Robert Cailliau: um conjunto de documentos de hipertexto interligados e acessíveis pela Internet.
Hoje, a “idéia vaga” mantém conectadas 1,5 bilhão de pessoas e hospeda 215 milhões de sites pelo mundo afora, segundo dados da Netcraft em fevereiro de 2009. Vinte anos depois, o papel com a resposta de Sendall a Berners–Lee encontra-se exposto numa vitrine do CERN como se fosse uma certidão de nascimento da World Wide Web. Os inventores da WWW já imaginavam no que a proposta poderia se tornar? “Sim, senão não a teríamos chamado de World Wide Web (rede mundial) antes mesmo de ter qualquer código em funcionamento”, disse Robert Cailliau em entrevista à Folha de São Paulo.

World Wide Web e Internet

É muito importante esclarecer que World Wide Web e Internet não são a mesma coisa, mas complementares. A Internet é um sistema global de comunicação de dados que nasce no auge da Guerra Fria, no final da década de cinquenta, por meio do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, que concebeu a ARPA – Advanced Research Projects Agency, para liderar as pesquisas de ciência e tecnologia aplicáveis às forças armadas. Com o objetivo de desenvolver projetos em conjunto, sem o inconveniente da distância física nem o risco de se perder dados e informações de uma base destruída em caso de combate, foi criada a ARPANET – ARPAnetwork, ampliada nos anos seguintes com novos pontos em todo os Estados Unidos, além de incluir também as universidades.

Já a World Wide Web, responsável direta pela democratização do acesso à Internet, é um dos serviços que o sistema global de comunicação de dados possui, com páginas interligadas, que combinam texto, imagem, áudio e vídeo. Pode-se dizer que a WWW lincou com o mundo uma forma de comunicação que era restrita às universidades e às forças armadas, possível a partir do momento que o CERN abriu a web ao público e renunciou ao pagamento de licenças ou a um patenteamento da invenção de Berners-Lee e Cailliau. Se os pesquisadores tivessem pedido altas taxas de licença de uso, provavelmente a World Wide Web e a Internet não teriam se tornado o sucesso que são hoje.

As ferramentas necessárias para o funcionamento da rede, o protocolo HTTP (HyperText Transfer Protocol), a linguagem HTML (HyperText Markup Language), o primeiro software de servidor HTTP, o primeiro navegador (chamado WorldWideWeb) e as primeiras páginas, ainda rústicas, de textos e links que explicavam o funcionamento da própria WWW foram desenvolvidas por Berners-Lee em 1990.

Em 1993 surgia a versão 1.0 do navegador Mosaic, criado pelo estudante de computação norte-americano Marc Andreessen. O programa inovou por ser totalmente gráfico, tornando a navegação na rede mais amigável e acessível. Em 1994, o Mosaic virou software comercial e foi rebatizado como Netscape Navigator. Anos mais tarde, o Internet Explorer, da Microsoft, tornou-se o principal navegador da rede. Hoje, além dos navegadores desenvolvidos comercialmente, existem aqueles projetados para serem usados gratuitamente, como o Mozilla Firefox.

Na esteira da popularização da web, surgiram os sites que organizavam e tornavam possíveis as consultas às informações disponíveis na rede, como o Yahoo! e o Altavista, mais tarde engolidos pelo Google. Na década de 90, no Brasil, o buscador Cadê? também esteve presente na vida dos internautas.

Web 1.0, 2.0 e as redes sociais dentro da rede

A intenção original dos criadores da web era a interação e a colaboração. A definição dos termos no ambiente virtual ainda não existia, mas a idéia já rondava as cabeças de Berners–Lee e Cailliau. Isso significaria que os usuários passariam a ser produtores e socializadores de conteúdos ao invés de meros receptores de informação. Mais uma vez eles estavam certos. O que se vê hoje é a disseminação de ferramentas que possibilitam a produção, colaboração e troca de experiências no mundo virtual. É o que chamamos de web 2.0,  jargão criado pelo editor norte-americano Tim O’Reilly. Alguns exemplos que fortalecem esse conceito são os blogs, as comunidades virtuais de aprendizagem e a enciclopédia colaborativa wikipédia, entre outros; além das grandes vedetes, principalmente para os jovens, adolescentes e crianças, que são as redes sociais, como o Facebook, Orkut e o Youtube.
Sérgio Amadeu, um dos mais respeitados pesquisadores brasileiros de Comunicação Mediada por Computador e da Teoria da Propriedade dos Bens Imateriais, e diretor de conteúdos da Campus Party Brasil, diz que as redes sociais lideram a web, ou seja, compõem o grupo de sites mais acessados da rede. Amadeu afirma que “esse fenômeno acontece porque uma parte considerável dos internautas não se contentam em somente navegar pelo ciberespaço, querem participar, opinar, criar, recombinar, construir e compartilhar novos conteúdos. Por isso, o Youtube tornou-se o terceiro site mais visitado, ficando atrás apenas dos mecanismos de busca Google e Yahoo!”.

Em relação à proibição ao acesso a essas redes nas escolas e telecentros, o pesquisador diz: “uma das piores coisas que vejo ocorrer em uma escola ou telecentro é a proibição do uso livre pelos jovens. Absurdo! A proibição do uso de redes sociais, por exemplo, não garante o interesse do jovem para algo que seja considerado mais culto ou apropriado. Será disputando a atenção do jovem a partir de inúmeras aplicações inovadoras e sites interessantes é que vamos ampliar a bagagem cultural dos jovens”.

Amadeu termina com um resumo sobre a evolução na relação do internauta com a rede mundial: “A chamada web 1.0 foi a primeira fase do modo gráfico da Internet, onde os sites exploravam timidamente a interatividade e toda a lógica de navegação ainda era baseada na competição e no bloqueio do acesso. Com a web 2.0, a colaboração e a livre distribuição de conteúdos mostrou-se mais eficiente do que simplesmente competir”.

Web 3.0 e o futuro da rede mundial de computadores

Ao prever o que será da WWW, Berners–Lee afirmou que “a web é uma tela em branco, as pessoas estão sempre inventando coisas novas e maravilhosas que não poderíamos imaginar”. É verdade, ter exatidão em relação ao que surgirá é praticamente impossível, mas a tendência, segundo Sérgio Amadeu, é a evolução na forma do internauta interagir com o mundo virtual, a chamada web 3.0, que tende a ser a continuidade dos avanços colaborativos que por sua vez desembocará na Web Semântica. Com ela, os mecanismos de busca e a estruturação dos servicos na rede serão mais rápidos e mais eficientes.

Além disso, possivelmente haverá um crescimento de aplicações para celulares e tecnologias móveis. Outras projeções de Amadeu são a crise no ensino formal, se levarmos em consideração a estrutura em que está baseada a Educação oficial, e a expansão da banda larga, com a conseqüente melhoria das tecnologias de conexão, que apontaria para a web 3D, abrindo assim caminho para o avanço da estética dos games e sua transposição para diversas outras áreas. Quem viver, verá!

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Cemitério da Memória – Fragmentos da Vida Cotidiana

Cemitério da Memória – Fragmentos da Vida Cotidiana

Disciplina:

História

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto:
Tipo: Metodologias

http://portacurtas.org.br/filme/?name=cemiterio_da_memoriafragmentos_da_vida_cotidiana

Cemitério da memória é um documentário sobre a pequena história do século XX. Um registro sobre a vida cotidiana de personagens comuns, anônimos que não emprestaram seus nomes a ruas, praças ou viadutos. Homens e mulheres que não pisaram na lua, não iniciaram guerras, não foram astros de cinema ou TV, não foram manchetes de jornal, não descobriram cura para doença alguma.

Clique aqui e veja a proposta de trabalho

Texto Original: Projeto Porta-Curtas

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
04/09/2007

RPG para estudar História

RPG para estudar História

Disciplina:

História

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Viagens portuguesas dos séculos XV e XVI
Tipo: Jogos

Adolescentes, de modo geral, são curiosos e têm um espírito de aventura aguçado. Que tal desenvolver com seus alunos uma atividade que, além de explorar ao máximo essas características, possibilita que eles aprendam de modo prazeroso?

Pois é… Tudo isso pode acontecer com um jogo de inventar e contar histórias chamado RPG (Role Playing Game), no qual cada participante faz o papel de um personagem. O narrador da história, o mestre, organiza as situações, mas são os participantes que decidem o que cada personagem vai fazer. O mestre conduz a partida, atuando como árbitro e fazendo o papel de todos os outros personagens com quem os jogadores se defrontarão durante a aventura.

O material necessário para se jogar uma aventura pronta é simples: uma história básica, contendo um desafio a ser alcançado pelos personagens, o cenário e os dados de jogar que decidem as batalhas.

Uma aventura pronta ajuda a aprender a dinâmica do jogo e suas regras básicas. O mais interessante, contudo, é o grupo criar suas próprias aventuras, que demandam pesquisa para a criação de cenários, personagens e enredo, que podem ser ambientados em diferentes contextos históricos.

O melhor é que se trata de um jogo de cooperação e não de competição. Para começar, há um material interessante: o livro “O descobrimento do Brasil – RPG para iniciantes”, de Luiz Eduardo Ricon. Além de conter uma aventura pronta inspirada na viagem de Cabral, traz explicações para a criação de outras aventuras, a partir dos dados históricos das viagens portuguesas dos séculos XV e XVI.

Referência bibliográfica:
RICON, Luiz Eduardo. O Descobrimento do Brasil – RPG para Iniciantes. São Paulo: Devir, 1999.

Texto original: Ronilde Rocha Machado
Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)