Ricardo Sennes analisa o conflito no Iraque

O que está por trás da guerra

Especialista em Relações Internacionais analisa os motivos que levaram a coalizão anglo-americana a atacar o Iraque

Por Ricardo Sennes*

É importante salientar que a atual guerra contra o Iraque envolve aspectos de diferentes naturezas. Alguns são de ordem geopolítica, outros econômica, estratégica e até mesmo eleitoral. Além disso, falta ainda muita informação para realmente termos uma visão clara do problema. Mas vamos arriscar alguns palpites.


Por que a guerra está acontecendo?

A guerra se tornou possível pelo fato de o Iraque ser hoje um ator importante em várias arenas de interesse dos EUA e, em todas elas, representar para o governo norte-americano um foco de oposição. Em escala de prioridade, a primeira preocupação do grupo político que hoje cerca o presidente George Bush refere-se ao papel dos EUA no mundo. Esse grupo dirigente (Dick Cheney, Rumsfeld etc.) não é novato na política norte-americana, eles estiveram nos governos de Henry Ford, Ronald Reagan e Bush-pai e se caracterizam por uma visão extremamente auto-centrada dos EUA.

Defendem, por exemplo, a idéia de que os EUA têm exercido no mundo uma posição muito aquém do que deveriam e poderiam, dado o fato de serem uma superpotência. Para eles, os EUA têm a legitimidade e o dever de impor uma ordem internacional com base em seus próprios princípios e referências. Vêem uma distorção injustificável entre o poder que os EUA têm acumulado e o grau de influência que exercem nas principais questões internacionais, entre elas a de segurança e de interesses estratégicos.

Dessa forma, a decisão de iniciar uma guerra no Iraque tem certamente muito a ver com a idéia de que cabe aos EUA iniciar um conjunto de ações visando “corrigir” distorções na ordem internacional, daí a origem da famosa expressão “países do eixo do mal”, que, além do Iraque, inclui o Irã e a Coréia do Norte.


Por que o Iraque foi escolhido como a “bola da vez”?

Além de fazer parte do chamado “eixo do mal”, o Iraque tem exercido uma função na região do Oriente Médio que vai de encontro aos interesses norte-americanos, seja na proteção mais ou menos velado aos grupos islâmicos radicais, seja pelo apoio aos palestinos. Os EUA viram na chance de derrubar Saddam Hussein um passo importante na redefinição do equilíbrio político do Oriente Médio.

Outro fator relevante é o argumento de que o Iraque ainda possua armamento de destruição em massa, principalmente armas químicas e biológicas. Essa foi a justificativa oficial para se iniciar a guerra – ou uma guerra preventiva, como consta nos documentos da área de segurança do governo de Bush.

Como fica a questão do petróleo?

É difícil sustentar que essa guerra tem apenas o intuito de garantir o suprimento desse produto aos EUA, ainda que o país seja altamente dependente das importações de petróleo para manter sua economia funcionando. Esse certamente é um fator, mas não deve ser tomado como principal ou de forma isolada.

Existe alguma ligação entre esta guerra no Iraque e os ataques ao World Trade Center?
Há uma ligação política. Como todos devem se lembrar, Bush foi eleito de forma precária, tanto sua campanha foi recheada de trapalhadas e desencontros, como a ínfima (e questionável) margem de votos sobre seu opositor (Al Gore), tiraram muito da legitimidade de sua vitória.

Fora isso, a condição de uma economia em forte desaceleração e a falta de apoio no Congresso (tinha uma pequena maioria numa das casas e era minoria na outra) estavam indicando que Bush não teria condições mínimas de fazer um governo razoável.
Porém, esse cenário mudou quando ocorreram os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. A comoção social que se seguiu foi canalizada para alguns dos pontos que o grupo mais conservador de apoio a Bush gostariam de priorizar, ou seja, agir para redefinir o papel dos EUA no mundo.

A partir dai seguiu-se uma série de medidas polêmicas e fortes que forjaram uma clara agenda de governo que Bush não possuía anteriormente. Foi aumentado de maneira assombrosa o orçamento de defesa dos EUA, criou-se um ministério específico para cuidar da segurança doméstica do país (Home Land Security) e iniciou-se uma política de repressão e controle interno.

Destacam-se ainda as várias gestões internacionais para colocar alguns países na linha de frente dos problemas da instabilidade internacional (os paises do “eixo do mal”). Dessa linha fazem parte a guerra contra o Afeganistão (onde estaria o mandante dos atentados, Bin Laden) e agora contra o Iraque, assim como as pressões contra a Coréia do Norte.

Paralelamente, os EUA forçaram uma redefinição política do eixo atlântico (a aliança tradicional com os europeus) e colocou em xeque a ONU. Enfim, os ataques de 11 de setembro permitiram uma reação política em cadeia – bem conduzida pelo governo Bush – que legitimou a ação agressiva de um governo que mesmo já tendo essas idéias antes dos atentados, não tinha as menores condições de implementá-las.

Acredita que ainda há lugar para uma superpotência na atual conjuntura mundial, que tende à multipolaridade? Na sua opinião, os EUA são um império em declínio?
No aspecto estratégico-militar, existe sim uma superpotência, cujo diferencial de poder em seu favor é o maior já visto na história. Os EUA estão militarmente mobilizados, têm bases em diversos países, sua frota naval está permanentemente vigiando os oceanos e possuem um aparato de informação e vigilância combinando satélites, aviões de espionagem, monitoramento da internet, das comunicações telefônicas etc. Aqui a questão não é se existe espaço ou não para uma superpotência. A questão é: existindo uma superpotência (como é o caso dos EUA), como é possível construir uma ordem internacional estável e minimamente confiável.

Caso Al Gore tivesse sido eleito, acredita que a guerra ocorreria?
Não creio que com um presidente com o perfil de Al Gore essa guerra estaria ocorrendo. As soluções que os democratas tendem a imprimir para as crises internacionais, tende a ser mais cooperativas e baseado na anuência das instituições internacionais.

*Ricardo Sennes é formado em Economia, com mestrado em Ciências Políticas e doutorado em Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo (USP), pesquisador do Centro de Estudos em Negociações Internacionais da USP. 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Escolas caminham pela paz

Manifestação no bairro paulistano da Pompéia reúne mil participantes, entre alunos, professores e pais

Por Priscila Gonsales

Quatro escolas estaduais da zona oeste da cidade de São Paulo, Zuleika de Barros, Miss Browne, José Candido de Souza e Brigadeiro Faria Lima, realizaram na manhã desta sexta-feira, 28/03, uma passeata pela paz no bairro da Pompéia. Segundo a Polícia Militar, cerca de mil pessoas participaram da manifestação, que contou com o apoio da comunidade local e do DSV (Departamento de Operações do Sistema Viário). Além de protestar contra a atual guerra entre a coalizão anglo-americana e o Iraque, a caminhada encerrou o Fórum Regional “A Escola de Nossos Sonhos”.

Promovido pela Secretaria Estadual de Educação, o Fórum ocorreu durante toda a semana e movimentou docentes, alunos e pais na discussão de propostas, estudos e iniciativas para a construção de uma escola de qualidade. Comerciantes e moradores recebiam mensagem dos alunos sobre a passeata.

Durante a passeata, os estudantes entregavam aos pedestres, moradores e comerciantes do bairro, a seguinte mensagem em papel: “O mundo dos nossos sonhos – Mesmo neste momento de horror, fazemos descobertas. Descobrimos o quanto podemos nos unir por um objetivo. Nunca as pessoas, no mundo todo, se uniram tanto por uma causa. Agora, sangue e petróleo se misturam e a paz nos parece cada vez mais longe. Como a democracia, o diálogo e o desenvolvimento perdem o seu lugar para o desrespeito à vida? Como em nome da ‘libertação de um povo’ matar e destruir com tanta ousadia tecnológica? Não! Não podemos ficar calados! Você pode! Você deve, manifestar o seu desgosto por esta grande covardia.”

Na escola Zuleika de Barros, o trabalho com os alunos começou bem antes do início do conflito. Os professores das mais variadas disciplinas se uniram e criaram um projeto integrado que abordou o tema a partir das origens históricas e dos interesses econômicos, políticos e sociais que sustentam a guerra. A iniciativa também incluiu leitura de jornais e revistas, pesquisa de opinião para avaliar como os estudantes se posicionavam diante da questão, e terminou com uma série de atividades práticas, como produção de cartazes, redação em grupo e a caminhada pela paz.

“Com o apoio da direção, pudemos aprofundar as discussões em classe, mesmo que tivéssemos de interromper por alguns dias o conteúdo básico da matéria”, conta o professor de geografia Geraldo Guimarães Junior. A professora de matemática Tânia Ferragino, enfatiza que o exercício da cidadania deve permear até mesmo os conteúdos da área de exatas. “A guerra não vai parar por nossa causa, mas temos que mostrar nossa indignação. O que está havendo é uma briga por poder de uma grande potência e um total desrespeito com outros países”, protestou o estudante Tiago Carreiro, 16 anos, do 2º ano do Ensino Médio. Sua colega, Sabrina Frizzi, completou: “Não importa se está acontecendo longe da gente, temos de ter consciência da tristeza que essa guerra representa para todas as nações do mundo, pois poderia acontecer com qualquer país.”

Entre os jovens estudantes, um grupo chamava a atenção do público na rua. Era a turma “caçula” de 1ª a 4ª série da escola José Cândido, que aguardava ansiosamente a chegada dos colegas maiores para se juntar ao grupo. “Eles estavam na maior expectativa”, conta a diretora Wanice Maria Bonavigo. “Trabalhamos o tema a semana toda  até o encerramento nessa caminhada. Todos estão conscientes que a escola de nossos sonhos é a que estamos, por isso, temos de fazer valer nosso papel de cidadão no mundo.”

Adeus, chamigo brasileiro – uma história da Guerra do Paraguai

Adeus, chamigo brasileiro – uma história da Guerra do Paraguai

Disciplina:

História

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Guerra do Paraguai
Tipo: Texto

Onde encontrar: Livrarias

Trata-se de uma história em quadrinhos sobre o maior conflito armado da América do Sul – a Guerra do Paraguai (1864-1870) –, que envolveu o Brasil, a Argentina e o Uruguai, de um lado, e o Paraguai, do outro. O autor acompanha a trajetória de alguns personagens que se encontram nos campos de batalha, ressaltando o cotidiano das tropas e o modo como a guerra interferiu diretamente na vida das pessoas.

É uma versão em quadrinhos, publicada pela Companhia das Letras em 1999, da tese de doutorado defendida por Toral na Universidade de São Paulo – Adiós, chamigo brasileiro. Um estudo sobre a iconografia da guerra da Tríplice Aliança: com o Paraguai (1864-1870). 2 vol. São Paulo: 1997.

Toral apresenta essa guerra, ressaltando aspectos pouco explorados em análises desenvolvidas por vários historiadores, como o cotidiano no front e os efeitos da guerra na vida das pessoas comuns. Guarda relativa distância da polêmica em torno das causas da guerra, evitando tanto o lado da história oficial brasileira, que demoniza a figura de Solano López, quanto a crítica dessa versão, que atribui a guerra principalmente à ação do imperialismo britânico, responsável pela derrota do projeto de desenvolvimento autônomo do Paraguai.

O uso da linguagem dos quadrinhos evidencia um talento a mais desse autor: o traço firme e equilibrado, aliado à ótima combinação de cores, ajuda a compor uma visão multifacetada da guerra, alternando o cenário mais comum de mortes e destruição com cenas de grande densidade afetiva, como a da “descoberta” das fronteiras entre os países e da própria noção de Brasil por parte de dois soldados brasileiros, provenientes do sertão da Bahia.

O livro traz o olhar desses sertanejos, excluídos da ordem social, sobre a guerra, sobre a construção da idéia do “inimigo”, representada, até aquele momento, apenas pela natureza, do lado paraguaio:

“Que haveria de especial naquelas matas de palmeiras, naqueles areais e charcos que poderiam perfeitamente ser brasileiros? De qualquer forma, Sebastião passou a olhar desconfiado para a paisagem, para aquela pedra, para aquele coqueiro (…)” (p. 31)

No final do livro, Toral acrescenta o ensaio “A Guerra do Paraguai”, em que analisa o contexto regional da guerra e os objetivos dos países envolvidos. Apresenta e discute imagens do conflito: fotografias, desenhos, charges de jornais e pinturas. Encerra o livro com uma cronologia dos principais acontecimentos e uma bibliografia básica.

Em sala de aula, depois de explorar bem com os alunos a história em quadrinhos, é interessante sugerir aos alunos leitura coletiva e discussão do ensaio que fecha o livro, para consolidar as idéias desenvolvidas ao longo do texto da HQ.

Na seqüência, valeria a pena indicar aos alunos a leitura de obras que trazem a defesa de outras teses, como o livro “Paraguai, nossa guerra contra esse soldado”, de León Pomer.

Para um aprendizado realmente crítico da História é fundamental que os alunos exercitem tanto o pensar próprio sobre o mundo em que vivem quanto o conhecimento e contato com diferentes explicações de eventos e processos históricos. É dessa reflexão que resulta, entre outras coisas, a construção do conhecimento e da cidadania dos alunos.

Referência bibliográfica:
TORAL, André. Adeus, chamigo brasileiro – uma história da Guerra do Paraguai. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

Para aprofundar:
POMER, León. Paraguai, nossa guerra contra esse soldado. 4a ed. São Paulo: Global Editora, 1986.

Texto Original: Ronilde Rocha Machado

Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
11/09/2003

O Grande Ditador

O Grande Ditador

Disciplina:

História

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Adolf Hitler e o Nazismo
Tipo: Filme

Onde encontrar: Videolocadoras

“Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio… negros… brancos.”

Assim se inicia o discurso de um dos personagens desse filme notável do cineasta Charles Chaplin. Humanista, libertário, crítico, pacifista – o discurso final de “O Grande Ditador” despregou-se do filme e correu o mundo, acolhido em todos os lugares em que a injustiça e a desigualdade precisavam ser denunciadas. Ele faz parte da galeria de textos inesquecíveis, como a Carta do Chefe Seattle e a Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão.

Esse texto é um importante material para ampliar a discussão de temas como o Nazismo e a Segunda Guerra Mundial, ou mesmo os conflitos europeus contemporâneos.

O assunto do filme se revela a todos pelo título e logo na apresentação dos personagens: trata-se de um país imaginário chamado Tomânia, governado pelo ditador Adenoid Hynkel, alter ego de Hitler. Como se pode ver, trata-se da Alemanha de Hitler, em plena ascensão do Nazismo e início da Segunda Guerra Mundial.

Em um artigo de jornal escrito em 1939, Chaplin declarou que “’O grande ditador’ poderia ser o título de uma comédia, de uma tragédia ou de um drama; eu quis fazer um coquetel de todos esses gêneros e traçar um perfil, ao mesmo tempo grotesco e sinistro, de um homem que acreditava ser um super-herói e pensava que sua opinião e sua palavra eram as únicas com valor”.

Ele afirmou também que se soubesse de antemão dos campos de concentração não teria tido coragem de brincar com a “demência homicida dos nazistas”. Esse grande artista e pensador conseguiu ridicularizar a figura de Hitler e as idéias nazistas. Conseguiu fazer todos rirem: aquele riso que representa a vitória sobre o medo, que esclarece a consciência, que denuncia a opressão e as injustiças.

Mas como explorar consistentemente este filme em sala de aula?

Além das sugestões de procedimentos já sugeridos para o filme “Tempos Modernos”, LINK também de Charles Chaplin, pode-se discutir com os alunos após a projeção do filme:

  • A identificação do contexto histórico do filme “O Grande Ditador”, ressaltando-se tanto os aspectos evidentes na obra quanto as dúvidas e questões dos alunos, para serem objeto de pesquisa posterior. Não se esqueça de perguntar aos alunos que cenas do filme os levaram a fazer relações com o contexto histórico.
  • Após a explicitação do contexto, cabe estimular os alunos com a pergunta: que ponto de vista o filme expressa sobre o mundo contemporâneo de Charles Chaplin? Será o filme uma proposta de aceitação ou recusa de aspectos desse mundo?
  • Algumas cenas podem ser revistas para uma análise mais detalhada dos recursos que Chaplin utilizou para dar forma plástica às suas idéias. Sugere-se especialmente aquela em que o ditador Hynkel brinca com uma representação do mundo, com um globo terrestre. Que sentidos é possível atribuir a esse estranho balé?
  • O texto do discurso final, proferido pelo barbeiro judeu (no lugar de Hynkel) pode ser reproduzido e discutido em classe, para que os alunos percebam o sentido dos conflitos, o embate de idéias que faziam parte dos projetos político-sociais da época.

Bom trabalho!

Os sites indicados neste texto foram visitados em 11/09/2003

Referência:
O Grande Ditador, de Charles Chaplin. EUA, 1940, 128 minutos.

Em seu primeiro filme falado, Chaplin interpreta dois papéis opostos – o de um barbeiro judeu, enfrentando tropas de choque e perseguição religiosa, e o do Grande Ditador Hynkel, uma brilhante sátira de Adolph Hitler. O clímax clássico deste filme é o célebre discurso final, um libelo ao triunfo da razão sobre o militarismo. 

Texto Original: Ronilde Rocha Machado

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

História da Segunda Guerra Mundial

História da Segunda Guerra Mundial

Disciplina:

História

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Segunda Guerra Mundial
Tipo: Texto

Uma possibilidade para “revolucionar” a História ensinada nas escolas é tratar os temas “tradicionais” do currículo sob novos enfoques e abordagens, destacando as reflexões que ajudam a iluminar a compreensão do presente e propiciar a construção de uma postura crítica dos alunos.

O livro “História da Segunda Guerra Mundial”, de Marc Ferro, pode favorecer esse tipo de trabalho com o tema. Adepto da história-problema, do esforço dos historiadores em enfrentar as zonas cinzentas na interpretação dos eventos históricos, o autor apresenta onze ensaios (sucintos, daí a possibilidade de uso na escola) sobre questões controversas, pouco estudadas ou abertamente polêmicas da Segunda Guerra Mundial, tais como:

  • o extermínio dos judeus – quem sabia e o que sabia? (capítulo 9);
  • os diversos tipos de colaboração com o nazismo, em vários países europeus (capítulo 7);
  • o mito do jogo duplo na política de Pétain, na França ocupada (capítulo 2);
  • os trunfos da resistência (capítulo 8), entre outros.Para cada ensaio, há uma seção chamada “Documentos”, com transcrições de jornais apresentados nos cinemas, cartas, jornais escritos, panfletos e outros testemunhos do evento em questão, que podem ser lidos e discutidos em classe.Se o professor desejar discutir, por exemplo, o papel da mídia na formação da opinião pública, pode utilizar o primeiro ensaio para leitura e discussão em pequenos grupos. Nesse ensaio, o autor questiona o funcionamento da propaganda nos dois lados do conflito. Para isso, utiliza-se de um material recentemente incorporado à análise histórica: a produção cinematográfica.

    Trata-se de uma rápida análise de filmes de ficção, jornais de tela (que apareciam no meio de filmes de propaganda nazista) e material de propaganda produzidos nos EUA, Alemanha, França, Inglaterra e Rússia, mostrando como a opinião pública desses países foi preparada para entrar na guerra.

    Na Alemanha, especialmente, o cinema foi uma das molas mestras da propaganda nazista, totalmente sob o controle do poder, situação essa que inspirou Charles Chaplin, em “O Grande Ditador” (1939-40), e tantos outros filmes antifascistas, principalmente nos EUA e na ex-URSS. Assim, segundo Marc Ferro, às vésperas do início da guerra, os cineastas desses dois países prepararam a opinião pública para combater o nazismo.

    Boa parte desse material está disponível em vídeo e possibilita um interessante trabalho em sala de aula. É possível estabelecer com os alunos um programa de trabalho em etapas, por exemplo:

    Etapa 1:

  • Assistir a dois ou três desses filmes (de países diferentes) e estabelecer comparações entre eles, visando a identificar o contexto histórico, as idéias veiculadas, os conflitos narrados e outras questões ligadas à linguagem específica do cinema. Nesse caso, localizar para análise um filme de propaganda alemã pode ser muito elucidativo, se o professor chamar a atenção dos alunos para os recursos e sutilezas não-verbais, que visam a incutir nos espectadores as idéias nazistas.
  • Após a projeção de cada filme, é interessante uma primeira troca de impressões com a classe e, em seguida, uma discussão organizada em grupos, seguindo o esquema proposto e elaborando os registros para serem compartilhados. O interessante é que os alunos, ao final do ciclo, estabeleçam semelhanças e diferenças entre os filmes dos diversos países.Etapa 2:
  • Para aprofundar as questões suscitadas pelos filmes, nada melhor do que a leitura do livro de Marc Ferro, que pode ser trabalhado em forma de seminário, em que cada grupo se dedica a um dos ensaios, que contam com um roteiro de questões orientadoras da discussão no final (p. 189).
  • É importante também analisar o rico material iconográfico de cada ensaio: cenas de filmes, cartazes de propaganda nazista ou da resistência, fotografias de combates e muitos outros.Com atividades desse tipo, é possível que os alunos percebam cada vez mais a importância do trabalho da História na formação do cidadão, com o exercício do olhar e análise críticos sobre a diversidade da experiência humana, expressa de várias maneiras.Referência:

    FERRO, Marc. História da Segunda Guerra Mundial. São Paulo: Ática, 1995.

    Texto original: Ronilde Rocha Machado
    Edição: Equipe EducaRede

     

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)