Tropa de Elite

Disciplina: Matemática, Língua Portuguesa/Literatura, Geografia, História, Ciências
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Corrupção, drogas, violência, juventude
Tipo: Filme

A proposta a seguir é um desafio. Não no sentido de competição, evidentemente, mas de incitamento e provocação. O objetivo é estimular o professor a exercitar uma prática, infelizmente, nada comum nas escolas: a pesquisa de opinião. É também uma provocação, na medida em que se tira das mãos do professor o controle sobre o processo e o resultado da pesquisa, que é repassado aos alunos e às alunas. Ou seja, embora sua presença seja absolutamente fundamental em cada um dos momentos da pesquisa, não é o professor, sozinho, quem deve decidir os rumos que ela vai tomar.

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O que se espera desse trabalho pedagógico é que você, professor, não seja um “transmissor de conteúdos”, mas sim um mediador das relações que se estabelecerão a partir da atividade a ser realizada. Por quê? Por uma razão muito simples: a dimensão do tema proposto. Embora as ciências biológicas e jurídicas, por exemplo, há muito tempo tenham se posicionado em relação ao uso das drogas e, portanto, tenham muito a dizer a esse respeito, os negócios com produtos ilícitos aumentaram de tal forma –  uma vez que muitos jovens entraram no jogo – que se esperam outras abordagens sobre o assunto.

Quer dizer: se tem oferta crescente é porque há procura crescente. Seja por mera curiosidade, seja por necessidade de se sentir respeitado pelos amigos, seja por dependência química de tais produtos, o fato é que o tema das drogas não pode ser ignorado. Ao contrário, precisa ser encarado pela escola como um todo e, particularmente, por você, que todos os dias tem, bem à sua frente, adolescentes e jovens atentos não somente em saber o que você pensa sobre as coisas em geral, mas, sobretudo, como se comporta perante aquelas que, como as drogas, atingem tantas pessoas.

Sendo assim, ao que parece, restam duas opções. Ou o professor se apresenta com um discurso elaborado à base do pode-não-pode, do certo ou errado, do deve ou não deve, e, decididamente, contribui para que a conversa se encerre aí, mantendo uma perspectiva puramente moralizante; ou é suficientemente corajoso para levar para a sala um tema que, por envolver a todos, se constitui num problema social. Neste caso, certamente, você estará colaborando para que os alunos possam manifestar o que sentem e pensam sobre o assunto e, com base nisso e no que você tem a dizer, decidam o que querem para si mesmos e para os outros.

Propomos, então, que você, convencido pelas razões que justificam a segunda opção, adote os seguintes procedimentos, que duram cerca de um mês ou oito horas-aula:

1. Assista ao filme junto com seus alunos.

2. Em sala de aula, peça que cada um dos grupos discuta um aspecto abordado pelo filme. Exemplos:

  • drama vivido pelo Capitão Nascimento: estressado pela guerra diária do BOPE e profundamente humano com a morte de um garoto do morro e com o nascimento do filho;
  • características pessoais de Neto e Matias, candidatos à substituição de Nascimento no comando da Tropa de Elite;
  • significado do lema da Tropa: “faca na caveira e nada na carteira”.

3. Na aula seguinte, prepare a turma para uma pesquisa de opinião. Esta é, seguramente, uma das formas mais interessantes dos nossos alunos produzirem conhecimentos. Com base no levantamento e na discussão dos aspectos do filme, proponha a escolha de um deles para ser o objeto da pesquisa. Após a definição do tema, é preciso seguir alguns passos:

  • cada aluno ou cada grupo de alunos deve elaborar 5 perguntas e 3 alternativas de respostas sobre o tema;
  • oriente-os para que as questões sejam extremamente objetivas, isto é, tanto perguntas quanto respostas não podem dar margens a interpretações diferentes do que o pesquisador quer saber. Em geral, eles participam ativamente desse momento, buscando as palavras mais adequadas que deverão constar do questionário; exemplo:

Você é a favor da descriminalização da droga?
a) Sim
b) Não
c) Não sei

  • promova um debate para que cada um ou cada grupo possa apresentar as questões elaboradas, justificando-as e submetendo-as à apreciação dos colegas; se for o caso, encaminhe um processo de votação para escolher as 5 questões mais bem formuladas para serem posteriormente aplicadas;
  • decida com a turma o universo da pesquisa, isto é, quantas pessoas serão convidadas a responder as perguntas elaboradas pelos alunos; convém lembrá-los que nem sempre a pessoa abordada está disposta, tem interesse ou aceita ser entrevistada – atitude que deve ser inteiramente respeitada pelo entrevistador;
  • prepare com eles o cabeçalho da folha de pesquisa; a ficha deve conter somente:

Título (Pesquisa sobre….)
Local e data de sua realização
Idade e sexo do entrevistado ou entrevistada
Nome do pesquisador
Cinco perguntas com as respectivas alternativas;

  • solicite que um deles digite a folha de pesquisa e combine com a turma a distribuição das cópias da ficha padrão para cada aluno;
  • oriente-os para que sejam respeitosos e corteses com os entrevistados.

4. Não é preciso mais do que uma semana para que os alunos dêem conta dessa tarefa que, acreditem, será muito prazerosa para eles e para você também.

Diga a eles que, após terem feito individualmente as pesquisas, devem também tabular os dados. Para tanto é necessário, primeiro, que anotem o número total de entrevistados. Depois, para cada uma das 5 perguntas

  • quantos responderam alternativa A
  • quantos responderam alternativa B
  • quantos responderam alternativa C

Com esses dados, e aplicando a regrinha de três, é possível transformar em gráfico os resultados da pesquisa.

Tanto a coleta quanto a tabulação dos dados são atividades que podem ser (aliás, convém que sejam) realizadas fora do horário das aulas. Para a tabulação dos dados e apresentação em gráfico da pesquisa, oriente-os para que, caso seja necessário, busquem apoio de outros professores, de familiares e de amigos.

5. No seu próximo encontro com a turma, sugira que formem grupos de 5 alunos e, a partir dos gráficos elaborados individualmente, seja feito um outro, agora do grupo, para ser apresentado a todos os colegas. Após as apresentações, é sua vez de, junto com eles, preparar o resultado final da pesquisa.

6. Serão necessários ainda, pelo menos, dois encontros para finalizar essa proposta de produção de conhecimentos. Primeiro, para discutir o processo da pesquisa, é muito importante que você dê espaço para que os alunos contem como tudo aconteceu, o que sentiram e pensaram ao prepararem e realizarem a pesquisa, as abordagens e reações dos entrevistados, as dificuldades encontradas, as situações engraçadas que vivenciaram etc.

Depois, com o resultado final da pesquisa devidamente tabulado, é hora de provocá-los para que, individualmente e em grupos, tentem interpretar as respostas. Peça a eles que produzam pequenos textos opinativos sobre o tema da pesquisa, comparando e citando os percentuais obtidos.

Depois dessa empreitada, que sem dúvida alguma será muito gratificante para você, é  importante que você se esforce em tornar públicos os resultados da pesquisa. Importantíssimo para os seus alunos, que terão o trabalho reconhecido e; claro, para você, que ousou coordenar uma atividade cujos resultados são socialmente tão significativos.

Que o maior número de pessoas tenha acesso a essa verdadeira produção de conhecimentos não somente é desejável, mas fundamental para que a sociedade tenha uma oportunidade real de saber mais sobre si mesma. Veja algumas sugestões.

Referência

Tropa de Elite, de José Padilha. Brasil, 2007, 118 minutos

Conta o dia-a-dia de policiais do BOPE – (Batalhão de Operações Policiais Especiais). Querendo deixar a corporação, o capitão do batalhão tenta encontrar um substituto para seu posto. Ao mesmo tempo, dois amigos de infância se tornam policiais e se destacam pelo modo honesto e honrado de realizar suas funções, não se conformando com a corrupção na qual estão envolvidos tanto os seus iguais quanto os seus superiores. A classificação do filme é 16 anos.

Assista a trechos do filme

Texto Original: Donizete Soares

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Biogeografia

Disciplina: Biologia
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Zoologia, diversidade de animais, biogeografia
Tipo: Metodologias

É comum nos depararmos com dúvidas de alunos a respeito da origem de animais vertebrados, alguns bastante comuns, como onça pintada, chimpanzé, orangotango, muriqui, tatu canastra, lobos, entre outros.

Pensando nisso, uma atividade bastante útil para auxiliar os alunos a relacionarem diferentes animais com seus locais e ambientes de origem é o mapeamento biogeográfico, que pode ser desenvolvido da seguinte maneira:

Parte I
Pesquisa sobre diversidade de animais.

A Internet dispõe de vastíssimo material sobre esse assunto. Para tornar a pesquisa mais rica e ágil, é interessante organizar os alunos em grupos, que poderão ser assim distribuídos:
— Aves do Brasil.
— Aves do mundo.
— Mamíferos do Brasil.
— Mamíferos do mundo.
— Répteis do Brasil.
— Répteis do mundo.
— Anfíbios do Brasil.
— Anfíbios do mundo.

Os grupos devem eleger a espécie de animal a ser pesquisada, ou o professor sorteia se houver coincidência na escolha. É importante estabelecer um número mínimo (15 é um bom número) de animais para cada grupo.

Para cada animal encontrado o grupo deve preencher uma pequena ficha como a que segue:

Nome popular  Nome científico Família, ordem, classe
Origem geográfica  Ambiente
Observações:  Símbolo:

O grupo deve atribuir um símbolo para cada animal pesquisado. O conjunto de símbolos formará uma legenda.

Para colaborar com o trabalho do professor, indicamos alguns sites para a realização da pesquisa aqui proposta:

Gerais:
Zoológico de São Paulo
Animais
— Nativos da mata
— Aves
— Répteis
— Mamíferos

Base de Dados Tropical
Procure por:
— aves;
— mamíferos;
— répteis;
— anfíbios.

Ibama
Fauna
— Conheça alguns animais de nossa fauna
— Lista oficial de animais ameaçados de extinção

Fundacão Jardim Zoológico de Niterói

Mundo dos Animais

Aves:
Site português sobre aves.
Aves on line (site português)
CENTRO DE ESTUDOS ORNITOLÓGICOS
Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves
Site português sobre aves feito para alunos do secundário

Répteis:
Instituto Butantan

Parte II
É importante que a atividade de fazer os mapas – mapa-múndi e mapa do Brasil – seja atribuída aos grupos. Eles devem ter uma divisão por ecossistema ou paisagens naturais (região de florestas, savanas, desertos etc) e conter os diferentes símbolos dos animais catalogados pelo grupo.

Parte III
Caso haja condições e disposição dos alunos, a classe poderá organizar um grande mapa-múndi, compilando as informações dos diferentes grupos. Nesse caso, o mapa será muito grande. Para isso o professor poderá projetar um mapa em uma parede previamente forrada com papel branco e os alunos traçariam os contornos com giz de cera.

Texto original: Paulo Roberto da Cunha
Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Mapas e Caminhos

Mapas e Caminhos

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Mapa, atlas, pontos de referência
Tipo: Texto

O livro “Mapas e Caminhos”, de Kate Petty e Jakki Wood, aborda os aspectos básicos da leitura e compreensão da linguagem e da representação cartográfica.

Os autores contam as aventuras de Bruno e seu cão Ralf na exploração do espaço onde vivem. A história é dividida em doze tópicos que abordam a noção de espaço e formas de localização, traçando uma progressão espacial que vai do próximo ao distante.

O livro enfoca a importância do mapa como forma de comunicação e locomoção, a necessidade que temos de estabelecer pontos de referência, as características naturais do espaço, o uso de instrumentos de localização (como a bússola) e a exploração do atlas. Cada um desses tópicos é colocado de forma simples e sintética, dando pistas de como o professor pode desenvolver e adaptar as ações em sala de aula.

Algumas sugestões para o professor explorar o livro com os alunos:

  • Confeccionar plantas baixas de diferentes locais que fazem parte do dia-a-dia do aluno, utilizando medidas não padronizadas, como passos, para estabelecer uma proporção de tamanho e de distância;
  • confeccionar plantas usando medidas padronizadas – escala;
  • imaginar-se em um balão para observar aspectos da natureza em determinado lugar – passando por rios, lagos, morros, praias. Representar em desenho como viram as paisagens, comparando-as com fotos aéreas selecionadas de revistas ou jornais;
  • comentar com os alunos o caminho da casa para a escola, feito por Bruno, o personagem do livro (p. 14). Desafiá-los a traçar o caminho que cada um percorre da casa para a escola, utilizando uma legenda para identificar os pontos de referência;
  • comparar representações próximas e distantes: fotos aéreas com o mapa da cidade, cidade/estado, estado/país, país/mundo, favorecendo a construção do conceito de inclusão espacial, ou seja, que a cidade está no estado que, por sua vez, está no país e este, no mundo.É importante que os alunos possam manipular o globo terrestre e vários tipos de mapa.

    Depois de trabalhar cada tópico do livro, o professor deve realizar uma síntese ou um pequeno relatório ilustrado com as produções dos alunos – plantas, trajetos, aspectos da natureza, entre outros, destacando:

  • para que e como utilizar o mapa;
  • a importância dos pontos de referência;
  • como fazer um mapa ou representar um trajeto;
  • a relação do tamanho do real e da representação do mapa (escala);
  • como e por que compreender o espaço onde se vive.Referência bibliográfica:
    PETTY, Kate & WOOD, Jakki. Mapas e Caminhos. São Paulo: Callis, 1994 (Coleção Viajando em um Balão).

    Texto original: Vera Lúcia Moreira
    Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
18/04/2002

A música em sala de aula

A música em sala de aula

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Urbanização, cidades
Tipo: Metodologias

A riqueza do cancioneiro popular brasileiro possibilita ao professor e alunos analisarem a nossa realidade de modo cada vez mais interessante, vivo e crítico. Isso porque a música pode ser eficiente quando o objetivo é sensibilizar os alunos para a discussão de temas importantes, que ajudam a formular conceitos e estimulam a curiosidade.

Delimitado o tema a ser tratado em sala de aula, é interessante que o professor procure músicas que possam agradar aos alunos e trazer conteúdos que contribuam para a análise crítica do mundo, do país e do local em que vivem.

Para se trabalhar, por exemplo, com o tema urbanização/cidades, um caminho possível nessa perspectiva de trabalho é recorrer a duas conhecidas músicas: Sampa, de Caetano Veloso, e A Cidade, de Chico Science e Nação Zumbi.

Procedimento:

  • A classe ouve a música, acompanhando a letra.
  • Professor e alunos analisam e interpretam a letra.
  • Todos ouvem pela segunda vez a música, se possível cantando juntos.
  • Em seguida, o professor pode formular a seguinte questão: “Que imagens traduziriam visualmente o assunto tratado nessa música?”Depois disso, o professor propõe aos alunos a localização de fotos, slides, gravuras, cartões postais que tenham alguma relação com essas músicas. Se houver condição, é interessante que eles fotografem o bairro e/ou a cidade.

    No dia marcado para a apresentação do material coletado ou produzido, os alunos podem elaborar painéis, cartazes, ou projetar as imagens pesquisadas ao som da música escolhida. Os alunos também podem acrescentar ao material breves comentários sobre a importância do trabalho por eles realizado.

    Referências:

    ALVES, Alfredo et alii. Como fazer um audiovisual. Petrópolis: Vozes/IBASE, 1987 (Coleção Fazer).

    GIACOMANTONIO, Marcelo. O ensino através dos audiovisuais. São Paulo: Summus, Edusp, 1981.

    Texto original: Regina Inês Villas-Boas Estima
    Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
20/03/2003

Geografia e Música

Geografia e Música

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: O espaço geográfico na música brasileira
Tipo: Metodologias

 

Uma boa atividade a ser proposta aos alunos que estão chegando ao Ensino Médio é identificar nas letras de músicas brasileiras que eles já conhecem alguns aspectos da composição do espaço geográfico freqüentemente encontrados nesses textos. Deverá ser uma seqüência didática curta que crie um ambiente propício à discussão teórica relacionada à composição do espaço geográfico.

A proposta pode ser desenvolvida em três ou quatro aulas, dependendo do número de alunos em classe, e é necessário que o educador encontre uma música para que os alunos ouçam e discutam o conteúdo da letra. Na primeira aula, o professor deve propor uma atividade que visa a identificar os conhecimentos prévios dos alunos a partir da seguinte questão: Do que é composto o espaço geográfico?

Na seqüência, o professor organiza com os alunos pequenos grupos com um relator que anotará as conclusões do grupo para depois compartilhá-las com a classe.

O professor propõe então a reflexão sobre o espaço geográfico a partir da música escolhida por ele. Após ouvirem a música, é importante relacionar a letra, analisando-a e, se possível, a melodia, em relação ao espaço geográfico. Ao final, propõe-se aos alunos que os grupos escolham uma música, para eles representativa, que os ajude a entender o espaço geográfico.

Na aula seguinte, os alunos apresentam as músicas selecionadas e comentam ou justificam a escolha. Vale observar que, dependendo do número de alunos em classe, é possível que esta atividade continue na terceira aula. À medida que os alunos vão apresentando seu trabalho, é interessante que o professor organize na lousa ou em papel pardo um quadro com nomes, autores, temas e comentários das músicas que os grupos trouxeram.

Para finalizar a atividade, o professor retoma o quadro com os temas e comentários e, a partir desse momento, possivelmente o professor terá um ambiente mais propício para iniciar uma discussão teórica sobre a composição do espaço geográfico.

Texto Original: Laércio Furquim Jr.

Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
22/01/2004

“Sentir” o Corpo

“Sentir” o Corpo

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Localização e relações projetivas
Tipo: Metodologias

As idéias de localização são abstratas para as crianças de 7 e 8 anos, porém o professor pode encontrar formas de torná-las mais concretas.

Por meio de exercícios e brincadeiras que tenham o próprio corpo da criança como referência e que possibilitem “sentir” o espaço, o professor pode, periodicamente, verificar se todos conseguem estabelecer corretamente as relações projetivas – direita/esquerda, frente/trás, cima/baixo.

O professor pede às crianças que colem um barbante na testa (com fita adesiva) em direção ao nariz, indo até o chão. O barbante fica pendurado, simulando uma divisão do corpo ao meio, no sentido vertical. As crianças podem imaginar que seu corpo está separado em duas partes – a direita e a esquerda – pelo barbante colado.

Em seguida, podem desenvolver exercícios de identificação: levantar o braço direito, pular com a perna esquerda, pegar na orelha direita, dobrar o joelho esquerdo, fechar a mão direita, e assim por diante.

Em duplas, os alunos são colocados um de frente para o outro; o professor repete os comandos. As crianças devem observar a inversão que ocorre entre esquerda e direita no colega que está a sua frente, em relação a seu próprio corpo.

Uma variação desse exercício é o “banho de papel”. Com uma bolinha de papel que será utilizada como se fosse um sabonete, as crianças, ainda “divididas ao meio”, brincam de tomar banho limpando as partes do corpo ditadas pelo professor.

O professor observa o desempenho dos alunos durante a atividade, intervindo com perguntas quando for necessário.

Brincando, os alunos passam a dominar os conceitos e as idéias de localização, que são necessários para a compreensão da linguagem cartográfica.

Desenvolver, posteriormente, atividades com gravuras, apontando-se objetos que estejam à direita ou à esquerda em relação a outros, conforme a orientação do professor.

Outra possibilidade é solicitar que os alunos desenhem, a partir de um determinado ponto da folha ou de uma figura, objetos que fiquem atrás, na frente, em cima, embaixo, à esquerda ou à direta do referencial definido pelo professor.

Texto original: Vera Lúcia Moreira
Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
10/05/2002

Estudo do espaço de vivência

Estudo do espaço de vivência

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: A relação entre estudo do Espaço de Vivência e sua preservação
Tipo: Metodologias

A proposta de estudar em sala de aula o espaço de vivência e sua preservação tem por objetivo primordial desenvolver nos alunos a noção de espaço geográfico, fazer com que eles percebam as relações que estabelecemos com nossos espaços de vivência, compreendam a importância desses espaços em nossa vida cotidiana de trabalho, moradia e lazer, além de desenvolver e estimular posturas de preservação ambiental entre os alunos.

Essa atividade foi pensada para ser desenvolvida em cinco aulas. Para tanto, sugerimos os seguintes procedimentos metodológicos:

Em sala de aula

  • Proponha aos alunos a realização de um levantamento dos seus espaços de vivências (moradia, escola, trabalho, lazer).
  • Registre os nomes desses espaços (por exemplo, na lousa).
  • Defina com os alunos o espaço onde farão a pesquisa de campo (em geral, o entorno da escola é o espaço mais propício porque ele é conhecido por todos os alunos).
  • Reproduza a planta do espaço escolhido (uma cópia para cada aluno) a partir do guia da cidade.
  • Localize os pontos importantes a serem estudados (rio/córrego, tipos arquitetônicos diferentes de moradia, monumentos históricos, áreas comerciais e industriais, tipos de serviços, relevo, vegetação etc.).
  • Elabore um roteiro viável para seus alunos.

Se possível, desenvolva esse trabalho com os professores de Português, História, Artes, Matemática e Ciências visto que qualquer espaço geográfico pode ser explicado de maneira interdisciplinar, além de o trabalho em equipe favorecer e enriquecer a construção do conhecimento.

Saída a campo

  • Definido o roteiro com as principais referências espaciais, o professor conversa a respeito dos objetivos e combina com os alunos as atitudes esperadas e as tarefas a serem feitas.
  • Organize a classe em grupos e defina as tarefas de cada um deles: entrevistas, desenhos, fotos, gravações, coleta de materiais encontrados no local, e outras produções.
  • Todos os alunos deverão ter o mapa da área com o roteiro estabelecido, caneta, papel em branco e pautado.

De volta à sala de aula

Nesse momento, o professor poderá propor aos grupos várias atividades, como por exemplo:

Atividade I (uma aula)

  • Montagem de painel com os desenhos elaborados pelos alunos referentes ao espaço percorrido. Antes, pergunte para o grupo:
    • Quantos desenhos foram feitos e de que locais?
    • Eles representam alguma atividade ou pessoas?
    • Quem são as pessoas?
    • Que tipo de atividade elas exercem?
    • Essas atividades são importantes para o bairro? Por quê?
    • Que título será dado a esse painel?
    • Serão colocados títulos nos desenhos? Quais?
    • Esse painel será exposto para outras pessoas?

Com essa atividade é possível criar um ambiente propício à discussão, argumentação, seleção de critérios para a montagem do painel e também para a experiência do respeito mútuo, entre outras questões bastante significativas para o convívio social.

Atividade II (uma ou duas aulas)

  • Representação do espaço geográfico estudado em uma maquete feita com sucata, respeitando escala e proporções. É importante que a maquete contenha todas as referências espaciais que fizeram parte do roteiro inicialmente definido.

O professor deve orientar e discutir com os alunos a proporção na hora de representar cada fato geográfico. É importante os alunos perceberem que, se essas regras não forem seguidas, fica inviável a representação do espaço e seu estudo. Nesse momento, é interessante o professor mostrar outras maquetes ou plantas que existem nos jornais, nas propagandas imobiliárias etc.

  • Ensaio fotográfico organizado em painel

Escolher as fotos tiradas durante o estudo e colocá-las em seqüência lógica e com títulos, de forma que as pessoas que não fizeram o estudo possam conhecer parcialmente aquele espaço geográfico.

Atividade III (uma aula)

  • Criação de uma revista, jornal ou boletim com as notícias do bairro estudado e principais entrevistas ou depoimentos coletados.

Ao encerrar a atividade proposta, o professor deve retomar e sistematizar com os alunos a metodologia para a realização de um estudo em um bairro, os procedimentos, o material de apoio utilizado. Em seguida, escreva na lousa, à esquerda, “O que aprendemos com esse estudo” e, à direita, “ O que e como podemos saber mais sobre esse bairro”.

Se houve a participação dos demais professores da classe, outras atividades e pesquisas poderão acontecer decorrentes desse estudo, tais como: entrevista do primeiro morador do bairro, coleta de objetos antigos com moradores antigos, pesquisa na prefeitura para saber sobre futuros projetos para o bairro etc.

Referência
ALMEIDA, Rosângela Doin de. Ensinar e Aprender: Impulso Inicial (Geografia). São Paulo: CENPEC, 1997.

Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
25/03/2004

Desenhando o seu espaço

Desenhando o seu espaço

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Representação cartográfica
Tipo: Metodologias

Fazer leitura de mapas exige algumas habilidades que precisam ser desenvolvidas ao longo do Ensino Fundamental. Para isso, o aluno deve ter a oportunidade de ser “mapeador”, para depois ser usuário de mapas.

Essa atividade tem como objetivo identificar os conhecimentos e as dificuldades dos alunos em relação à linguagem cartográfica.

Cada aluno desenha individualmente um percurso que lhe seja familiar, indicando no desenho tudo o que esteja ao redor: ruas, praças, prédios (os que lembram: lojas, fábricas, escolas etc.). Indica também em que posição o Sol aparece ou se põe. Podem usar símbolos para representar os diferentes pontos.

Antes de iniciar, é importante explicar que o desenho será mostrado para outros colegas e que deverá ser reconhecido.

Enquanto os alunos elaboram o desenho, o professor observa e registra como eles estão construindo essa representação, que elementos da paisagem estão presentes, como localizam os elementos no espaço, como utilizam escala e símbolos.

Em uma segunda etapa, os alunos, em duplas, analisam o desenho um do outro. É interessante que eles conversem e confrontem a intenção do autor do desenho com a representação feita.

Em seguida, o professor discute com toda a classe sobre a atividade realizada: foi fácil representar o espaço por meio do desenho? Foi difícil interpretar o desenho do colega? Essa síntese da atividade servirá para o planejamento que o professor deve fazer para avançar no estudo da cartografia.

Para finalizar, pode-se solicitar aos alunos que olhem para o desenho que fizeram e escrevam em poucas palavras algo sobre “O lugar em que você vive”.

Para aprofundar:
ALMEIDA, Rosangela Doin de Almeida. Do Desenho ao Mapa: Iniciação Cartográfica na Escola. São Paulo: Contexto, 2001.

Texto original: Regina Inês Villas-Boas Estima
Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
27/06/2002

Escala

Escala

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Proporção de grandezas
Tipo: Metodologias

A compreensão do conceito de escala exige que a criança consiga estabelecer relações e comparações entre objetos de diferentes tamanhos e formatos: grande/pequeno, maior/menor, alto/baixo, comprido/curto.

O professor precisa verificar se a turma faz essas relações com facilidade antes de iniciar o trabalho com escala. Para isso, pode propor algumas comparações, por exemplo, se a quadra de esportes é maior ou menor que o pátio interno, se o armário da sala de aula é mais alto ou mais baixo que a porta da sala, se o corredor é mais curto ou mais comprido que o jardim, e assim por diante.

Uma forma interessante para trabalhar com o conceito de escala é utilizar uma planta baixa, especialmente a da sala de aula, que é um ambiente do cotidiano do aluno. Para trabalhar com essa planta, o professor pode utilizar medidas não padronizadas e propor exercícios que favoreçam a vivência dessa relação — real x representação.

Para começar, os alunos medem com barbante a parede mais longa da sala. O “barbante-medida” é dobrado ao meio sucessivamente, até ficar de um tamanho que caiba dentro do lado mais comprido de uma cartolina (em geral é dobrado de quinze a dezoito vezes). Essa cartolina será a base da planta baixa.

O barbante é cortado e colado na cartolina. Em seguida, todos os objetos da sala devem ser medidos, cada qual com um barbante próprio. Após cada medição, o barbante é dobrado sucessivamente ao meio, o mesmo número de vezes que o primeiro, para garantir a proporção de grandezas. Quando houver objetos iguais, como no caso das carteiras, pode-se fazer um molde de cartolina, evitando repetir a mesma ação de medir por muitas vezes.

Após essa vivência coletiva, deve-se proceder da mesma forma com os demais objetos da sala de aula, dividindo a classe em equipes, ficando cada uma delas responsável por medir um determinado objeto ou espaço.

Não se pode esquecer de colocar na planta baixa uma legenda que mostre quantas vezes o barbante foi dobrado – a escala.

Na introdução das medidas padronizadas, o procedimento é o mesmo. Repetir a construção da planta baixa da sala de aula, medindo o espaço com uma fita métrica ou uma trena, tendo como referência a medida de um metro equivalente a um centímetro (escala 1m:1cm). Os alunos podem comparar esse segundo momento com a vivência do barbante.

Na continuidade, o professor introduz a observação de atlas, guias, mapas ou plantas convencionais, nos quais os alunos possam identificar o registro da escala, discutindo e interpretando as proporções de grandeza.

Texto original: Vera Lúcia Moreira
Edição: Equipe EducaRede

   
 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

22/10/2002  

Denise Está Chamando

Denise Está Chamando

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Tecnologia e organização do espaço
Tipo: Filme

Onde encontrar: Locadoras de vídeo de todo o país

O filme “Denise Está Chamando”, dirigido por Hal Salwen, é uma excelente alternativa para desenvolver atividades que reflitam sobre objetivos e usos do desenvolvimento tecnológico e seus impactos na transformação da vida e da organização do espaço geográfico.

Gravado na segunda metade dos anos 90, em Nova York, o filme propicia reflexões sobre as várias transformações que o desenvolvimento tecnológico vem ocasionando: novas formas de organização espacial, relações de trabalho, administração do tempo, estilo de vida, valores, relacionamento humano.

Quanto mais desenvolvimento tecnológico existe em um território, mais as pessoas se distanciam da vida em grupo. A possibilidade de trabalhar em casa, garantida pela ligação em rede dos telefones residenciais e dos computadores, trazem inicialmente a imagem de conforto e liberdade.

Porém, o filme questiona tais “avanços”, pois quanto mais autônomos os personagens ficam em relação às suas vidas profissionais, mais se tornam solitários. Os relacionamentos vão se tornando virtuais. Até a gravidez de uma personagem ocorre sem o contato humano direto: ela engravida por meio de inseminação artificial.

Como sugestão de trabalho, o professor pode apresentar o filme em duas sessões (divididas em duas aulas) ou fora do horário regular. Em uma aula que preceda a exibição do filme, é importante dar uma aula expositiva demonstrando a concentração das densidades demográficas e técnicas no Brasil.

Para isso, pode-se trabalhar com alguns mapas que espacializam o desenvolvimento tecnológico no território brasileiro. Uma sugestão é utilizar e inter-relacionar os dados contidos nos mapas de densidade demográfica, urbanização, transportes, concentração de agências bancárias e comunicações, presentes em diversos atlas ou mesmo no livro “Brasil: Território e Sociedade no Início do Século XXI”, de Maria Laura Silveira e Milton Santos.

Em outra aula, após uma discussão geral com a classe sobre o filme, o professor pede que os alunos façam uma dissertação, relacionando os dados sobre a concentração espacial brasileira vistos na primeira aula com os padrões de relacionamento vistos no filme. Um pergunta pode nortear essa reflexão: como o desenvolvimento tecnológico está alterando os padrões de relacionamento e a organização do espaço geográfico no Brasil?

Referências:
SILVEIRA, Maria Laura & SANTOS, Milton. Brasil: Território e Sociedade no Início do Século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2000.

Denise Está Chamando, de Hal Salwen.
EUA, 1995, 80 minutos.
O filme traz uma sátira social sobre a vida nos grandes centros urbanos e gira em torno de um grupo de pessoas que sempre conversam por telefone, mas nunca se encontram. Cercados de fax, telefones e computadores, eles se relacionam unicamente por meio desses aparatos eletrônicos e a desculpa para não se encontrarem é sempre a mesma: excesso de trabalho. Seria esse o verdadeiro motivo ou eles simplesmente temem um encontro cara-a-cara? As inovações tecnológicas teriam mudado a maneira do homem se comunicar?

Texto original: Laércio Furquim Jr.
Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
14/08/2002