Tropa de Elite

Disciplina: Matemática, Língua Portuguesa/Literatura, Geografia, História, Ciências
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Corrupção, drogas, violência, juventude
Tipo: Filme

A proposta a seguir é um desafio. Não no sentido de competição, evidentemente, mas de incitamento e provocação. O objetivo é estimular o professor a exercitar uma prática, infelizmente, nada comum nas escolas: a pesquisa de opinião. É também uma provocação, na medida em que se tira das mãos do professor o controle sobre o processo e o resultado da pesquisa, que é repassado aos alunos e às alunas. Ou seja, embora sua presença seja absolutamente fundamental em cada um dos momentos da pesquisa, não é o professor, sozinho, quem deve decidir os rumos que ela vai tomar.

Clique aqui e saiba por que trabalhar o filme

O que se espera desse trabalho pedagógico é que você, professor, não seja um “transmissor de conteúdos”, mas sim um mediador das relações que se estabelecerão a partir da atividade a ser realizada. Por quê? Por uma razão muito simples: a dimensão do tema proposto. Embora as ciências biológicas e jurídicas, por exemplo, há muito tempo tenham se posicionado em relação ao uso das drogas e, portanto, tenham muito a dizer a esse respeito, os negócios com produtos ilícitos aumentaram de tal forma –  uma vez que muitos jovens entraram no jogo – que se esperam outras abordagens sobre o assunto.

Quer dizer: se tem oferta crescente é porque há procura crescente. Seja por mera curiosidade, seja por necessidade de se sentir respeitado pelos amigos, seja por dependência química de tais produtos, o fato é que o tema das drogas não pode ser ignorado. Ao contrário, precisa ser encarado pela escola como um todo e, particularmente, por você, que todos os dias tem, bem à sua frente, adolescentes e jovens atentos não somente em saber o que você pensa sobre as coisas em geral, mas, sobretudo, como se comporta perante aquelas que, como as drogas, atingem tantas pessoas.

Sendo assim, ao que parece, restam duas opções. Ou o professor se apresenta com um discurso elaborado à base do pode-não-pode, do certo ou errado, do deve ou não deve, e, decididamente, contribui para que a conversa se encerre aí, mantendo uma perspectiva puramente moralizante; ou é suficientemente corajoso para levar para a sala um tema que, por envolver a todos, se constitui num problema social. Neste caso, certamente, você estará colaborando para que os alunos possam manifestar o que sentem e pensam sobre o assunto e, com base nisso e no que você tem a dizer, decidam o que querem para si mesmos e para os outros.

Propomos, então, que você, convencido pelas razões que justificam a segunda opção, adote os seguintes procedimentos, que duram cerca de um mês ou oito horas-aula:

1. Assista ao filme junto com seus alunos.

2. Em sala de aula, peça que cada um dos grupos discuta um aspecto abordado pelo filme. Exemplos:

  • drama vivido pelo Capitão Nascimento: estressado pela guerra diária do BOPE e profundamente humano com a morte de um garoto do morro e com o nascimento do filho;
  • características pessoais de Neto e Matias, candidatos à substituição de Nascimento no comando da Tropa de Elite;
  • significado do lema da Tropa: “faca na caveira e nada na carteira”.

3. Na aula seguinte, prepare a turma para uma pesquisa de opinião. Esta é, seguramente, uma das formas mais interessantes dos nossos alunos produzirem conhecimentos. Com base no levantamento e na discussão dos aspectos do filme, proponha a escolha de um deles para ser o objeto da pesquisa. Após a definição do tema, é preciso seguir alguns passos:

  • cada aluno ou cada grupo de alunos deve elaborar 5 perguntas e 3 alternativas de respostas sobre o tema;
  • oriente-os para que as questões sejam extremamente objetivas, isto é, tanto perguntas quanto respostas não podem dar margens a interpretações diferentes do que o pesquisador quer saber. Em geral, eles participam ativamente desse momento, buscando as palavras mais adequadas que deverão constar do questionário; exemplo:

Você é a favor da descriminalização da droga?
a) Sim
b) Não
c) Não sei

  • promova um debate para que cada um ou cada grupo possa apresentar as questões elaboradas, justificando-as e submetendo-as à apreciação dos colegas; se for o caso, encaminhe um processo de votação para escolher as 5 questões mais bem formuladas para serem posteriormente aplicadas;
  • decida com a turma o universo da pesquisa, isto é, quantas pessoas serão convidadas a responder as perguntas elaboradas pelos alunos; convém lembrá-los que nem sempre a pessoa abordada está disposta, tem interesse ou aceita ser entrevistada – atitude que deve ser inteiramente respeitada pelo entrevistador;
  • prepare com eles o cabeçalho da folha de pesquisa; a ficha deve conter somente:

Título (Pesquisa sobre….)
Local e data de sua realização
Idade e sexo do entrevistado ou entrevistada
Nome do pesquisador
Cinco perguntas com as respectivas alternativas;

  • solicite que um deles digite a folha de pesquisa e combine com a turma a distribuição das cópias da ficha padrão para cada aluno;
  • oriente-os para que sejam respeitosos e corteses com os entrevistados.

4. Não é preciso mais do que uma semana para que os alunos dêem conta dessa tarefa que, acreditem, será muito prazerosa para eles e para você também.

Diga a eles que, após terem feito individualmente as pesquisas, devem também tabular os dados. Para tanto é necessário, primeiro, que anotem o número total de entrevistados. Depois, para cada uma das 5 perguntas

  • quantos responderam alternativa A
  • quantos responderam alternativa B
  • quantos responderam alternativa C

Com esses dados, e aplicando a regrinha de três, é possível transformar em gráfico os resultados da pesquisa.

Tanto a coleta quanto a tabulação dos dados são atividades que podem ser (aliás, convém que sejam) realizadas fora do horário das aulas. Para a tabulação dos dados e apresentação em gráfico da pesquisa, oriente-os para que, caso seja necessário, busquem apoio de outros professores, de familiares e de amigos.

5. No seu próximo encontro com a turma, sugira que formem grupos de 5 alunos e, a partir dos gráficos elaborados individualmente, seja feito um outro, agora do grupo, para ser apresentado a todos os colegas. Após as apresentações, é sua vez de, junto com eles, preparar o resultado final da pesquisa.

6. Serão necessários ainda, pelo menos, dois encontros para finalizar essa proposta de produção de conhecimentos. Primeiro, para discutir o processo da pesquisa, é muito importante que você dê espaço para que os alunos contem como tudo aconteceu, o que sentiram e pensaram ao prepararem e realizarem a pesquisa, as abordagens e reações dos entrevistados, as dificuldades encontradas, as situações engraçadas que vivenciaram etc.

Depois, com o resultado final da pesquisa devidamente tabulado, é hora de provocá-los para que, individualmente e em grupos, tentem interpretar as respostas. Peça a eles que produzam pequenos textos opinativos sobre o tema da pesquisa, comparando e citando os percentuais obtidos.

Depois dessa empreitada, que sem dúvida alguma será muito gratificante para você, é  importante que você se esforce em tornar públicos os resultados da pesquisa. Importantíssimo para os seus alunos, que terão o trabalho reconhecido e; claro, para você, que ousou coordenar uma atividade cujos resultados são socialmente tão significativos.

Que o maior número de pessoas tenha acesso a essa verdadeira produção de conhecimentos não somente é desejável, mas fundamental para que a sociedade tenha uma oportunidade real de saber mais sobre si mesma. Veja algumas sugestões.

Referência

Tropa de Elite, de José Padilha. Brasil, 2007, 118 minutos

Conta o dia-a-dia de policiais do BOPE – (Batalhão de Operações Policiais Especiais). Querendo deixar a corporação, o capitão do batalhão tenta encontrar um substituto para seu posto. Ao mesmo tempo, dois amigos de infância se tornam policiais e se destacam pelo modo honesto e honrado de realizar suas funções, não se conformando com a corrupção na qual estão envolvidos tanto os seus iguais quanto os seus superiores. A classificação do filme é 16 anos.

Assista a trechos do filme

Texto Original: Donizete Soares

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Biogeografia

Disciplina: Biologia
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Zoologia, diversidade de animais, biogeografia
Tipo: Metodologias

É comum nos depararmos com dúvidas de alunos a respeito da origem de animais vertebrados, alguns bastante comuns, como onça pintada, chimpanzé, orangotango, muriqui, tatu canastra, lobos, entre outros.

Pensando nisso, uma atividade bastante útil para auxiliar os alunos a relacionarem diferentes animais com seus locais e ambientes de origem é o mapeamento biogeográfico, que pode ser desenvolvido da seguinte maneira:

Parte I
Pesquisa sobre diversidade de animais.

A Internet dispõe de vastíssimo material sobre esse assunto. Para tornar a pesquisa mais rica e ágil, é interessante organizar os alunos em grupos, que poderão ser assim distribuídos:
— Aves do Brasil.
— Aves do mundo.
— Mamíferos do Brasil.
— Mamíferos do mundo.
— Répteis do Brasil.
— Répteis do mundo.
— Anfíbios do Brasil.
— Anfíbios do mundo.

Os grupos devem eleger a espécie de animal a ser pesquisada, ou o professor sorteia se houver coincidência na escolha. É importante estabelecer um número mínimo (15 é um bom número) de animais para cada grupo.

Para cada animal encontrado o grupo deve preencher uma pequena ficha como a que segue:

Nome popular  Nome científico Família, ordem, classe
Origem geográfica  Ambiente
Observações:  Símbolo:

O grupo deve atribuir um símbolo para cada animal pesquisado. O conjunto de símbolos formará uma legenda.

Para colaborar com o trabalho do professor, indicamos alguns sites para a realização da pesquisa aqui proposta:

Gerais:
Zoológico de São Paulo
Animais
— Nativos da mata
— Aves
— Répteis
— Mamíferos

Base de Dados Tropical
Procure por:
— aves;
— mamíferos;
— répteis;
— anfíbios.

Ibama
Fauna
— Conheça alguns animais de nossa fauna
— Lista oficial de animais ameaçados de extinção

Fundacão Jardim Zoológico de Niterói

Mundo dos Animais

Aves:
Site português sobre aves.
Aves on line (site português)
CENTRO DE ESTUDOS ORNITOLÓGICOS
Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves
Site português sobre aves feito para alunos do secundário

Répteis:
Instituto Butantan

Parte II
É importante que a atividade de fazer os mapas – mapa-múndi e mapa do Brasil – seja atribuída aos grupos. Eles devem ter uma divisão por ecossistema ou paisagens naturais (região de florestas, savanas, desertos etc) e conter os diferentes símbolos dos animais catalogados pelo grupo.

Parte III
Caso haja condições e disposição dos alunos, a classe poderá organizar um grande mapa-múndi, compilando as informações dos diferentes grupos. Nesse caso, o mapa será muito grande. Para isso o professor poderá projetar um mapa em uma parede previamente forrada com papel branco e os alunos traçariam os contornos com giz de cera.

Texto original: Paulo Roberto da Cunha
Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Construção de maquetes com sucata

Construção de maquetes com sucata

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Representação tridimensional do espaço
Tipo: Metodologias

Mapas como o do Brasil ou dos Estados são representações abstratas e podem ter um significado muito diferente do usual para as crianças das séries iniciais.

O trabalho com mapas e a linguagem cartográfica podem ser iniciados a partir da construção de maquetes de espaços mais próximos, com os quais a criança tem relação afetiva: a sala de aula, a quadra de esportes, o lugar que mais gosta de sua casa etc.

Antes da realização da atividade, o professor deve conversar com os alunos, mostrando alguns desenhos, fotografias e mapas, levantar com eles o que já sabem a respeito das formas de representar espaços e as hipóteses que têm sobre essas representações. Com esses dados, o professor discute a questão e propõe a construção de uma maquete.

Material para a maquete: papel colorido, caixas de papelão, caixas de fósforo vazia, retalhos e vários tipos de sucata.

Para a confecção de maquete da sala de aula, por exemplo, pode-se dividir a classe em grupos de quatro alunos.

Em primeiro lugar, os alunos devem discutir como vão representar a sala, onde se localizam a porta e as janelas, quais são os objetos ali existentes. Depois escolhem os materiais que desejam utilizar, como uma caixa de papelão que tenha formato parecido com o da sala de aula.

As carteiras, a mesa do professor, o armário, o cesto de lixo e demais móveis podem ser feitos com caixas de fósforos, tampinhas e outros objetos. Mesmo sem escala, todos os móveis e objetos da sala devem ser representados na posição real.

Os alunos podem enfeitar a maquete cobrindo as caixas com papel colorido, representar a lousa com papel verde e acrescentar outros detalhes, se houver.

O professor acompanha os procedimentos de cada grupo, intervindo quando necessário para que a representação seja a mais próxima possível do espaço real. Por exemplo:

  • Vocês contaram a quantidade de carteiras que existem na sala?
  • A quantidade de janelas está correta?
  • Onde a lousa deve ser colocada?
  • Como vocês podem representar o armário?
  • Verifiquem se o cesto de lixo está à esquerda da porta etc.

    Por fim, o professor pode promover uma exposição na sala de aula ou no pátio da escola das maquetes confeccionadas pelos diversos grupos.

    É importante lembrar que a percepção espacial da criança, nessa faixa etária, é tridimensional. A maquete que reproduz o espaço do cotidiano do aluno é condição para a futura compreensão das formas de representação espacial mais abstratas, como a planificação do espaço e a escala.

    Texto original: Vera Lúcia Moreira
    Edição: Equipe EducaRede

   
 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

10/05/2002  

Terra para Rose

Terra para Rose

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Reforma agrária
Tipo: Filme

A apresentação do documentário “Terra para Rose”, dirigido por Tetê Moraes, é uma possibilidade de abordar com alunos do Ensino Médio termos e conceitos relacionados à questão da terra e ao surgimento de movimentos antagônicos: O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), em 1984, e a UDR (União Democrática Ruralista), em 1985.

O documentário trata do polêmico processo de desapropriação para fins de reforma agrária da Fazenda Annoni, no Rio Grande do Sul. Nele, aparecem negociações, ocupações de terra, opiniões de políticos, de proprietários de terra, de líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) da época.

Havia 14 anos que o Estado indicara a fazenda para reforma agrária, porém os proprietários foram à Justiça, conseguindo impedir o processo por todos aqueles anos. Mais de 1.500 famílias estavam acampadas na fazenda e uma boa parte delas ocupara a Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul por quatro meses. Após longa jornada, conseguiu-se que 300 famílias fossem assentadas.

Depois de assistirem ao filme, os alunos se preparam para um debate. Reunidos em pequenos grupos, podem registrar informações como:

  • A definição de reforma agrária, segundo o ponto de vista dos entrevistados no documentário: políticos, proprietários de terra e líderes do MST.
  • As diferenças e principais características de cada grupo de entrevistados citados acima.
  • A definição de latifúndio e desapropriação.
  • A diferença entre os termos arrendatário, posseiro e grileiro.
  • Diferenças entre o MST e a UDR.
  • O papel dos ruralistas no processo constituinte de 1986.
  • A importância da mobilização social em torno de objetivos comuns.
  • Os motivos que causaram a demora da justiça para efetivar a desapropriação e a posse de terras aos sem-terra.Para concluir, pode-se organizar um debate a partir das informações registradas nos grupos. Assim, além de estabelecer uma reflexão rica e trocas de informações entre os alunos, pode-se, também, ensinar como se comportar em uma situação de debate.

    Sugestão para organização:

  • Pode-se reorganizar a sala, formando três grupos que adotam, cada um, uma posição referente aos grupos de entrevistados listados.
  • As regras de funcionamento do debate são estabelecidas pelo professor e devem estar bastante claras para os alunos.
  • Pode-se delimitar o tempo em cinco minutos para a exposição da síntese dos registros para cada grupo.
  • Depois, faz-se uma rodada de perguntas que envolva os outros temas abordados pelo filme. Cada grupo pergunta a um outro grupo, de modo que todos participem.
  • Os alunos devem ser orientados a fazer perguntas relacionadas às questões listadas na atividade. A pergunta inicial pode ser: a reforma agrária deve ser feita no Brasil? Como?
  • O professor anota as definições conceituais apresentadas e as posturas adequadas e inadequadas a um debate.Na aula seguinte, o professor pode fazer uma exposição, apresentando uma síntese do debate e respondendo corretamente os conceitos.

    Referência:
    Terra para Rose, de Tetê Moraes.
    Brasil, 1987, 84 minutos.
    Documentário sobre a primeira ocupação de latifúndio improdutivo no Brasil, a Fazenda Annoni, no Rio Grande do Sul, em 1985. O filme traz imagens das pessoas que enfrentaram o frio, a fome e as tropas militares, enquanto lutavam por um pedaço de terra para plantar. O título foi escolhido para homenagear Rose, uma das mulheres do movimento, que sonha com a conquista da terra e um futuro melhor para seu filho.

    Texto original: Laércio Furquim Jr.
    Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
14/08/2002

Como organizar uma saída a campo

Como organizar uma saída a campo

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Estudo do meio
Tipo: Metodologias

“Estudo do meio,”saída a campo”, “estudo de localidades” são denominações de uma metodologia de trabalho utilizada pela Geografia para ampliar nos alunos a percepção sobre a vida cotidiana na cidade ou no campo. Mas essa atividade deve envolver professores e conceitos de diferentes disciplinas. Além disso, é importante que o planejamento da atividade seja realizado com a participação dos alunos.

Um estudo do meio se compõe de quatro etapas:

1) Planejamento: escolha do local, levantamento de bibliografia, organização do roteiro, distribuição de tarefa para os grupos – em aulas anteriores à saída a campo.

2) Saída a Campo: os grupos equipados de seus instrumentos para observação e coleta de dados (Exemplo: roteiro de entrevistas, máquina fotográfica, filmadora, roteiro de observações, planilha para desenho etc.) cumprem o roteiro de trabalho pré-estabelecido.

3) Sistematização: a organização das informações e registros realizados deve ser realizada em sala de aula, com a coordenação dos professores das disciplinas envolvidas.

4) Divulgação: informar os resultados para a comunidade escolar por meio de mostras, painéis, murais, palestras, mesas redondas, jornais etc.

Para saber mais:
LUTFI, Eulina P., SEABRA, Manoel; PONTUSCHKA, Nídia N. “Rua e Escola: Compassos” in PONTUSCHKA, Nídia N. (org.). Ousadia no Diálogo – Interdisciplinaridade na Escola Pública. São Paulo: Loyola, 1993, p. 143-185.

Texto original: Regina Inês Villas-Boas Estima
Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
04/03/2002

Planta baixa

Planta baixa

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Planificação de espaço tridimensional
Tipo: Metodologias

Os alunos de 3ª e 4ª séries, em geral, têm dificuldade de compreender a planta baixa, por esta ser uma representação abstrata. Após a confecção de maquetes, o professor pode iniciar um trabalho para ajudar os alunos a descobrirem como se faz para representar um espaço ou objeto tridimensional no papel, ou seja, passar para uma representação bidimensional.

No dia da atividade, o professor traz algumas embalagens de papel, papelão ou plástico que possam ser desmontadas (caixas de pasta de dente, remédios, alimentos etc.), ou pede para que os alunos as tragam de casa.

Os alunos devem fazer duas representações de cada embalagem: primeiramente, um desenho da embalagem inteira. Depois, o professor a desmonta e eles fazem o contorno dela no papel.

Após o desenho dos contornos, o professor pede para os alunos compararem os traçados e as duas dimensões. Eles devem perceber que a caixa montada fica incompleta no papel e a desmanchada fica com todas as suas partes.

Em seguida, promove-se a observação da maquete confeccionada em outra atividade, olhando-a de cima. Os alunos devem cobri-la com papel celofane ou similar (desde que seja transparente) e copiar com caneta hidrocolor o contorno dos objetos que estão dispostos nela. No papel celofane, fica representada a planta baixa da maquete.

Depois o professor comenta as duas representações e pede aos alunos que comparem semelhanças e diferenças entre as ações de desmanchar as embalagens e copiar o contorno da maquete no celofane.

Após essa vivência, o professor lança um novo desafio: que os alunos elaborem uma planta baixa de outro local — do pátio, corredor, quadra de esportes. Esse exercício estimula a projeção mental da criança em imaginar o espaço visto do alto.

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
22/10/2002

Cidade e bairro em duas e três dimensões

Cidade e bairro em duas e três dimensões

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Espaço contínuo, representação tridimensional e bidimensional
Tipo: Metodologias

A cartografia é uma linguagem que permite sintetizar informações, expressar conhecimentos, estudar situações, entre outras coisas, sempre envolvendo a idéia da produção do espaço: sua organização e distribuição.

Para compreender a organização e a distribuição espacial é importante que o professor crie condições para desenvolver os conceitos de continuidade e inclusão do espaço.

Uma forma de ajudar os alunos a se apropriarem desses conceitos é fazer a maquete de um bairro ou de uma pequena cidade, transformando-a posteriormente em planta baixa, de modo que possam comparar as diferenças entre as duas formas de representação – bidimensional e tridimensional.

Essa atividade também auxilia na verificação pelos alunos de que a sala de aula está na escola, que por sua vez está no bairro, que se encontra na cidade e assim por diante, concretizando a relação de inclusão espacial.

Para refletir sobre essas noções, pode-se organizar a sala em quatro grupos e propor as seguintes atividades:

1. Imaginar um bairro ou uma pequena cidade onde os alunos gostariam de viver. Como seriam as ruas, os prédios, o parque, a escola, as casas. Essa idéia de bairro ou cidade deve ser desenhada como esboço de um projeto;

2. Cada membro do grupo deve construir um ou dois prédios da cidade projetada (pode ser casa, edifício, igreja, hospital, escola, mercado etc.), utilizando para isso caixas pequenas encapadas com papel colorido, no qual desenham a fachada do prédio;

3. Discutir qual a melhor posição de cada prédio e sua distribuição na base da maquete (cartolina), favorecendo a visão crítica do espaço urbano;

4. Desenhar os contornos das quadras, levando em conta a distribuição dos prédios que foi discutida pelo grupo;

5. Colocar os prédios dentro dos contornos das quadras, porém sem colar. A maquete pode ganhar ainda outros elementos como árvores, semáforos, carros;

6. Terminada a montagem, pedir aos alunos que contornem com lápis a base dos prédios e os outros elementos distribuídos. Ao retirá-los, os alunos podem constatar que na base ficou desenhada a planta baixa da cidade;

7. Na planta baixa, os alunos criam símbolos para a identificação dos prédios, colocando-os em uma legenda;

8. Cada grupo apresenta o seu bairro ou cidade à classe, explicando as diferenças entre as duas formas de representação – planta baixa e maquete –, apontando, também, as razões da distribuição e organização espacial que fizeram.

Os trabalhos podem ser expostos na sala de aula ou no pátio da escola. Se possível, é interessante fotografá-los para a confecção de um painel.

Texto original: Vera Lúcia Moreira
Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
03/05/2002

Onde você está?

Onde você está?

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Pontos Cardeais e Colaterais
Tipo: Jogos

Quando as crianças conseguem estabelecer as relações projetivas com facilidade (esquerda/direita, cima/baixo, frente/trás), estão em condições de entender o que é orientação por meio dos Pontos Cardeais – Norte, Sul, Leste, Oeste – e Colaterais – Nordeste, Sudeste, Noroeste e Sudoeste.

Primeiramente, o professor deve iniciar esse estudo no espaço concreto da criança, utilizando a observação do sol e a bússola. Identificar, com esses recursos, os Pontos Cardeais e Colaterais da sala de aula, da quadra, do pátio, da rua da escola, em casa.

Depois de experimentar essas situações, os alunos podem estabelecer relações entre dois ou mais pontos por meio de sua representação. O jogo “Onde está você?” trabalha com essas relações e favorece a proposição de desafios que mobilizam a reflexão e a interação dos alunos a respeito desse assunto.

Para a realização do jogo, deve-se montar um tabuleiro de cartolina (30 cm x 25 cm), quadriculada em 5 cm x 5 cm, com as letras de A a Z ( incluindo o K) e os números de 1 a 6. Iniciar com a seqüência das letras e finalizar com os números.

Tabuleiro:

A B C D E F
G H I J K L
M N O P Q R
S T U V X Z
1 2 3 4 5 6

Preparar dez envelopes contendo as indicações de como se deslocar no tabuleiro. As fichas com as respostas correspondentes devem ficar no interior do envelope.

Envelope (parte externa):

Partindo do ponto S, ande:
  • 5 casas para o Leste
  • 1 casa para o Sul
  • 2 casas para o Noroeste
  • 2 casas para o Norte
  • 3 casas para o Oeste

Onde você está?

Ficha com a resposta (dentro do envelope):

No ponto A.

Divididos em duplas, cada jogador sorteia um envelope, lê as instruções, executa o deslocamento e reponde onde está. Depois da jogada, confere a resposta e ganha um ponto se acertar. Vence quem acumular mais pontos.

Se o professor desejar continuar com esse tipo de trabalho, pode adaptar o jogo ao mapa rodoviário do Estado em que a criança vive. O mapa rodoviário é uma representação formal onde aparecem as estradas que ligam as principais cidades do Estado. Exemplo de instrução para esse jogo:

Partindo de São Paulo, vá até:
  • a 1a cidade a Sudeste
  • a 2a cidade a Norte
  • a 2a cidade a Noroeste

Onde você está?

Texto original: Vera Lúcia Moreira
Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
03/05/2002

Cidadania e território

Cidadania e território

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Constituição federal, território e cidadania
Tipo: Texto

A discussão sobre cidadania se torna cada vez mais urgente no Brasil. Num país com tanta concentração (de terra, de renda, de tecnologia, de acesso à saúde e à educação), parece que, ao falarmos de direitos, nos referimos mais a questões relacionadas ao estado de consumidores do que de cidadania. Do ponto de vista geográfico, essa questão pode ser trabalhada a partir do estudo sobre o território brasileiro.

Um estudo sobre a disposição das infra-estruturas no território (onde se localizam as instituições de ensino, de saúde, os espaços de lazer, de procuradorias da Justiça) pode esclarecer sobre a desigualdade territorial quanto às possibilidades de acesso aos bens e serviços públicos e privados.

Para tanto, pode-se realizar uma atividade utilizando um Atlas que contemple essas informações mapeadas (sobre o Brasil ou de algum Estado ou município) e os três primeiros Títulos da Constituição Federal do Brasil. Os alunos lêem os textos constitucionais ou trechos selecionados pelo professor e comparam com as informações do Atlas. Dessa forma, eles verificam estranhamentos entre o que versa a Constituição e o que se encontra mapeado nos Atlas.

O estudo da Constituição também permite detectar onde é que se procura garantir que não haja no Brasil discriminações raciais, sexuais, religiosas e político-partidárias.

Para complementar a atividade, pode-se ler uma reportagem ou consultar dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no Censo Demográfico de 2000 (www.ibge.gov.br), que mostrem exemplos de como a existência da lei não garante, no cotidiano, formas de organização socioespacias que assegurem o exercício da cidadania nos mais diversos pontos do território brasileiro.

Texto original: Laércio Furquim Jr.
Edição: Equipe EducaRede

   
 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

04/03/2002  

Aonde você chegou?

Aonde você chegou?

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Alfabetização cartográfica, relações projetivas
Tipo: Jogos

O estabelecimento das relações projetivas — esquerda/direita, cima/baixo, frente/trás — varia de acordo com o ponto de vista de quem observa ou a partir de uma determinada referência.

A construção dessas noções não é simples para a criança. Inicia-se por volta dos cinco anos e tem como ponto de partida o seu próprio corpo. Em um processo gradativo de descentralização, passa a considerar a esquerda e a direita de pessoas colocadas à sua frente para, finalmente, por volta dos onze anos, considerar o posicionamento dos objetos uns em relação aos outros, a ela própria ou a outras pessoas.

Por essa razão, os alunos das séries iniciais do Ensino Fundamental precisam experimentar muitas vezes e de formas variadas situações que enfoquem as relações projetivas. Para isso, o professor pode utilizar recursos como o jogo, por ser um procedimento didático que favorece a concretização de deslocamentos com base nessas relações.

O jogo “Aonde você chegou?” enfoca as relações projetivas que precedem o trabalho de orientação espacial por meio dos Pontos Cardeais — Norte, Sul, Leste, Oeste — e dos Pontos Colaterais — Nordeste, Sudeste, Noroeste e Sudoeste.

Para a montagem do tabuleiro, pode-se utilizar uma cartela de duas dúzias e meia de ovos. Colar na ponta de cada cone as letras de A a Z, incluindo o K e, na última fileira, os números de 1 a 6.

A B C D E F
G H I J K L
M N O P Q R
S T U V X Z
1 2 3 4 5 6

Confeccionar envelopes contendo, na parte externa, indicações de como se deslocar no tabuleiro e, em seu interior, uma filipeta com a resposta correspondente.

O jogo deverá ser jogado em duplas. Cada uma delas receberá um tabuleiro e dez envelopes.

Um aluno de cada vez sorteia um envelope, lê as indicações, executa o deslocamento indicado e confere o local de chegada. O professor acompanha o desempenho das duplas, fazendo as intervenções necessárias: Esta é a sua direita? Quantas casas você tem de se deslocar para cima? Ande você chegou?

Vence o aluno que obtiver o maior número de acertos.

Texto original: Vera Lúcia Moreira
Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
27/03/2002