Tropa de Elite

Disciplina: Matemática, Língua Portuguesa/Literatura, Geografia, História, Ciências
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Corrupção, drogas, violência, juventude
Tipo: Filme

A proposta a seguir é um desafio. Não no sentido de competição, evidentemente, mas de incitamento e provocação. O objetivo é estimular o professor a exercitar uma prática, infelizmente, nada comum nas escolas: a pesquisa de opinião. É também uma provocação, na medida em que se tira das mãos do professor o controle sobre o processo e o resultado da pesquisa, que é repassado aos alunos e às alunas. Ou seja, embora sua presença seja absolutamente fundamental em cada um dos momentos da pesquisa, não é o professor, sozinho, quem deve decidir os rumos que ela vai tomar.

Clique aqui e saiba por que trabalhar o filme

O que se espera desse trabalho pedagógico é que você, professor, não seja um “transmissor de conteúdos”, mas sim um mediador das relações que se estabelecerão a partir da atividade a ser realizada. Por quê? Por uma razão muito simples: a dimensão do tema proposto. Embora as ciências biológicas e jurídicas, por exemplo, há muito tempo tenham se posicionado em relação ao uso das drogas e, portanto, tenham muito a dizer a esse respeito, os negócios com produtos ilícitos aumentaram de tal forma –  uma vez que muitos jovens entraram no jogo – que se esperam outras abordagens sobre o assunto.

Quer dizer: se tem oferta crescente é porque há procura crescente. Seja por mera curiosidade, seja por necessidade de se sentir respeitado pelos amigos, seja por dependência química de tais produtos, o fato é que o tema das drogas não pode ser ignorado. Ao contrário, precisa ser encarado pela escola como um todo e, particularmente, por você, que todos os dias tem, bem à sua frente, adolescentes e jovens atentos não somente em saber o que você pensa sobre as coisas em geral, mas, sobretudo, como se comporta perante aquelas que, como as drogas, atingem tantas pessoas.

Sendo assim, ao que parece, restam duas opções. Ou o professor se apresenta com um discurso elaborado à base do pode-não-pode, do certo ou errado, do deve ou não deve, e, decididamente, contribui para que a conversa se encerre aí, mantendo uma perspectiva puramente moralizante; ou é suficientemente corajoso para levar para a sala um tema que, por envolver a todos, se constitui num problema social. Neste caso, certamente, você estará colaborando para que os alunos possam manifestar o que sentem e pensam sobre o assunto e, com base nisso e no que você tem a dizer, decidam o que querem para si mesmos e para os outros.

Propomos, então, que você, convencido pelas razões que justificam a segunda opção, adote os seguintes procedimentos, que duram cerca de um mês ou oito horas-aula:

1. Assista ao filme junto com seus alunos.

2. Em sala de aula, peça que cada um dos grupos discuta um aspecto abordado pelo filme. Exemplos:

  • drama vivido pelo Capitão Nascimento: estressado pela guerra diária do BOPE e profundamente humano com a morte de um garoto do morro e com o nascimento do filho;
  • características pessoais de Neto e Matias, candidatos à substituição de Nascimento no comando da Tropa de Elite;
  • significado do lema da Tropa: “faca na caveira e nada na carteira”.

3. Na aula seguinte, prepare a turma para uma pesquisa de opinião. Esta é, seguramente, uma das formas mais interessantes dos nossos alunos produzirem conhecimentos. Com base no levantamento e na discussão dos aspectos do filme, proponha a escolha de um deles para ser o objeto da pesquisa. Após a definição do tema, é preciso seguir alguns passos:

  • cada aluno ou cada grupo de alunos deve elaborar 5 perguntas e 3 alternativas de respostas sobre o tema;
  • oriente-os para que as questões sejam extremamente objetivas, isto é, tanto perguntas quanto respostas não podem dar margens a interpretações diferentes do que o pesquisador quer saber. Em geral, eles participam ativamente desse momento, buscando as palavras mais adequadas que deverão constar do questionário; exemplo:

Você é a favor da descriminalização da droga?
a) Sim
b) Não
c) Não sei

  • promova um debate para que cada um ou cada grupo possa apresentar as questões elaboradas, justificando-as e submetendo-as à apreciação dos colegas; se for o caso, encaminhe um processo de votação para escolher as 5 questões mais bem formuladas para serem posteriormente aplicadas;
  • decida com a turma o universo da pesquisa, isto é, quantas pessoas serão convidadas a responder as perguntas elaboradas pelos alunos; convém lembrá-los que nem sempre a pessoa abordada está disposta, tem interesse ou aceita ser entrevistada – atitude que deve ser inteiramente respeitada pelo entrevistador;
  • prepare com eles o cabeçalho da folha de pesquisa; a ficha deve conter somente:

Título (Pesquisa sobre….)
Local e data de sua realização
Idade e sexo do entrevistado ou entrevistada
Nome do pesquisador
Cinco perguntas com as respectivas alternativas;

  • solicite que um deles digite a folha de pesquisa e combine com a turma a distribuição das cópias da ficha padrão para cada aluno;
  • oriente-os para que sejam respeitosos e corteses com os entrevistados.

4. Não é preciso mais do que uma semana para que os alunos dêem conta dessa tarefa que, acreditem, será muito prazerosa para eles e para você também.

Diga a eles que, após terem feito individualmente as pesquisas, devem também tabular os dados. Para tanto é necessário, primeiro, que anotem o número total de entrevistados. Depois, para cada uma das 5 perguntas

  • quantos responderam alternativa A
  • quantos responderam alternativa B
  • quantos responderam alternativa C

Com esses dados, e aplicando a regrinha de três, é possível transformar em gráfico os resultados da pesquisa.

Tanto a coleta quanto a tabulação dos dados são atividades que podem ser (aliás, convém que sejam) realizadas fora do horário das aulas. Para a tabulação dos dados e apresentação em gráfico da pesquisa, oriente-os para que, caso seja necessário, busquem apoio de outros professores, de familiares e de amigos.

5. No seu próximo encontro com a turma, sugira que formem grupos de 5 alunos e, a partir dos gráficos elaborados individualmente, seja feito um outro, agora do grupo, para ser apresentado a todos os colegas. Após as apresentações, é sua vez de, junto com eles, preparar o resultado final da pesquisa.

6. Serão necessários ainda, pelo menos, dois encontros para finalizar essa proposta de produção de conhecimentos. Primeiro, para discutir o processo da pesquisa, é muito importante que você dê espaço para que os alunos contem como tudo aconteceu, o que sentiram e pensaram ao prepararem e realizarem a pesquisa, as abordagens e reações dos entrevistados, as dificuldades encontradas, as situações engraçadas que vivenciaram etc.

Depois, com o resultado final da pesquisa devidamente tabulado, é hora de provocá-los para que, individualmente e em grupos, tentem interpretar as respostas. Peça a eles que produzam pequenos textos opinativos sobre o tema da pesquisa, comparando e citando os percentuais obtidos.

Depois dessa empreitada, que sem dúvida alguma será muito gratificante para você, é  importante que você se esforce em tornar públicos os resultados da pesquisa. Importantíssimo para os seus alunos, que terão o trabalho reconhecido e; claro, para você, que ousou coordenar uma atividade cujos resultados são socialmente tão significativos.

Que o maior número de pessoas tenha acesso a essa verdadeira produção de conhecimentos não somente é desejável, mas fundamental para que a sociedade tenha uma oportunidade real de saber mais sobre si mesma. Veja algumas sugestões.

Referência

Tropa de Elite, de José Padilha. Brasil, 2007, 118 minutos

Conta o dia-a-dia de policiais do BOPE – (Batalhão de Operações Policiais Especiais). Querendo deixar a corporação, o capitão do batalhão tenta encontrar um substituto para seu posto. Ao mesmo tempo, dois amigos de infância se tornam policiais e se destacam pelo modo honesto e honrado de realizar suas funções, não se conformando com a corrupção na qual estão envolvidos tanto os seus iguais quanto os seus superiores. A classificação do filme é 16 anos.

Assista a trechos do filme

Texto Original: Donizete Soares

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Biogeografia

Disciplina: Biologia
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Zoologia, diversidade de animais, biogeografia
Tipo: Metodologias

É comum nos depararmos com dúvidas de alunos a respeito da origem de animais vertebrados, alguns bastante comuns, como onça pintada, chimpanzé, orangotango, muriqui, tatu canastra, lobos, entre outros.

Pensando nisso, uma atividade bastante útil para auxiliar os alunos a relacionarem diferentes animais com seus locais e ambientes de origem é o mapeamento biogeográfico, que pode ser desenvolvido da seguinte maneira:

Parte I
Pesquisa sobre diversidade de animais.

A Internet dispõe de vastíssimo material sobre esse assunto. Para tornar a pesquisa mais rica e ágil, é interessante organizar os alunos em grupos, que poderão ser assim distribuídos:
— Aves do Brasil.
— Aves do mundo.
— Mamíferos do Brasil.
— Mamíferos do mundo.
— Répteis do Brasil.
— Répteis do mundo.
— Anfíbios do Brasil.
— Anfíbios do mundo.

Os grupos devem eleger a espécie de animal a ser pesquisada, ou o professor sorteia se houver coincidência na escolha. É importante estabelecer um número mínimo (15 é um bom número) de animais para cada grupo.

Para cada animal encontrado o grupo deve preencher uma pequena ficha como a que segue:

Nome popular  Nome científico Família, ordem, classe
Origem geográfica  Ambiente
Observações:  Símbolo:

O grupo deve atribuir um símbolo para cada animal pesquisado. O conjunto de símbolos formará uma legenda.

Para colaborar com o trabalho do professor, indicamos alguns sites para a realização da pesquisa aqui proposta:

Gerais:
Zoológico de São Paulo
Animais
— Nativos da mata
— Aves
— Répteis
— Mamíferos

Base de Dados Tropical
Procure por:
— aves;
— mamíferos;
— répteis;
— anfíbios.

Ibama
Fauna
— Conheça alguns animais de nossa fauna
— Lista oficial de animais ameaçados de extinção

Fundacão Jardim Zoológico de Niterói

Mundo dos Animais

Aves:
Site português sobre aves.
Aves on line (site português)
CENTRO DE ESTUDOS ORNITOLÓGICOS
Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves
Site português sobre aves feito para alunos do secundário

Répteis:
Instituto Butantan

Parte II
É importante que a atividade de fazer os mapas – mapa-múndi e mapa do Brasil – seja atribuída aos grupos. Eles devem ter uma divisão por ecossistema ou paisagens naturais (região de florestas, savanas, desertos etc) e conter os diferentes símbolos dos animais catalogados pelo grupo.

Parte III
Caso haja condições e disposição dos alunos, a classe poderá organizar um grande mapa-múndi, compilando as informações dos diferentes grupos. Nesse caso, o mapa será muito grande. Para isso o professor poderá projetar um mapa em uma parede previamente forrada com papel branco e os alunos traçariam os contornos com giz de cera.

Texto original: Paulo Roberto da Cunha
Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Desenhando o seu espaço

Desenhando o seu espaço

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Representação cartográfica
Tipo: Metodologias

Fazer leitura de mapas exige algumas habilidades que precisam ser desenvolvidas ao longo do Ensino Fundamental. Para isso, o aluno deve ter a oportunidade de ser “mapeador”, para depois ser usuário de mapas.

Essa atividade tem como objetivo identificar os conhecimentos e as dificuldades dos alunos em relação à linguagem cartográfica.

Cada aluno desenha individualmente um percurso que lhe seja familiar, indicando no desenho tudo o que esteja ao redor: ruas, praças, prédios (os que lembram: lojas, fábricas, escolas etc.). Indica também em que posição o Sol aparece ou se põe. Podem usar símbolos para representar os diferentes pontos.

Antes de iniciar, é importante explicar que o desenho será mostrado para outros colegas e que deverá ser reconhecido.

Enquanto os alunos elaboram o desenho, o professor observa e registra como eles estão construindo essa representação, que elementos da paisagem estão presentes, como localizam os elementos no espaço, como utilizam escala e símbolos.

Em uma segunda etapa, os alunos, em duplas, analisam o desenho um do outro. É interessante que eles conversem e confrontem a intenção do autor do desenho com a representação feita.

Em seguida, o professor discute com toda a classe sobre a atividade realizada: foi fácil representar o espaço por meio do desenho? Foi difícil interpretar o desenho do colega? Essa síntese da atividade servirá para o planejamento que o professor deve fazer para avançar no estudo da cartografia.

Para finalizar, pode-se solicitar aos alunos que olhem para o desenho que fizeram e escrevam em poucas palavras algo sobre “O lugar em que você vive”.

Para aprofundar:
ALMEIDA, Rosangela Doin de Almeida. Do Desenho ao Mapa: Iniciação Cartográfica na Escola. São Paulo: Contexto, 2001.

Texto original: Regina Inês Villas-Boas Estima
Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
27/06/2002

Escala

Escala

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Proporção de grandezas
Tipo: Metodologias

A compreensão do conceito de escala exige que a criança consiga estabelecer relações e comparações entre objetos de diferentes tamanhos e formatos: grande/pequeno, maior/menor, alto/baixo, comprido/curto.

O professor precisa verificar se a turma faz essas relações com facilidade antes de iniciar o trabalho com escala. Para isso, pode propor algumas comparações, por exemplo, se a quadra de esportes é maior ou menor que o pátio interno, se o armário da sala de aula é mais alto ou mais baixo que a porta da sala, se o corredor é mais curto ou mais comprido que o jardim, e assim por diante.

Uma forma interessante para trabalhar com o conceito de escala é utilizar uma planta baixa, especialmente a da sala de aula, que é um ambiente do cotidiano do aluno. Para trabalhar com essa planta, o professor pode utilizar medidas não padronizadas e propor exercícios que favoreçam a vivência dessa relação — real x representação.

Para começar, os alunos medem com barbante a parede mais longa da sala. O “barbante-medida” é dobrado ao meio sucessivamente, até ficar de um tamanho que caiba dentro do lado mais comprido de uma cartolina (em geral é dobrado de quinze a dezoito vezes). Essa cartolina será a base da planta baixa.

O barbante é cortado e colado na cartolina. Em seguida, todos os objetos da sala devem ser medidos, cada qual com um barbante próprio. Após cada medição, o barbante é dobrado sucessivamente ao meio, o mesmo número de vezes que o primeiro, para garantir a proporção de grandezas. Quando houver objetos iguais, como no caso das carteiras, pode-se fazer um molde de cartolina, evitando repetir a mesma ação de medir por muitas vezes.

Após essa vivência coletiva, deve-se proceder da mesma forma com os demais objetos da sala de aula, dividindo a classe em equipes, ficando cada uma delas responsável por medir um determinado objeto ou espaço.

Não se pode esquecer de colocar na planta baixa uma legenda que mostre quantas vezes o barbante foi dobrado – a escala.

Na introdução das medidas padronizadas, o procedimento é o mesmo. Repetir a construção da planta baixa da sala de aula, medindo o espaço com uma fita métrica ou uma trena, tendo como referência a medida de um metro equivalente a um centímetro (escala 1m:1cm). Os alunos podem comparar esse segundo momento com a vivência do barbante.

Na continuidade, o professor introduz a observação de atlas, guias, mapas ou plantas convencionais, nos quais os alunos possam identificar o registro da escala, discutindo e interpretando as proporções de grandeza.

Texto original: Vera Lúcia Moreira
Edição: Equipe EducaRede

   
 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

22/10/2002  

Denise Está Chamando

Denise Está Chamando

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Tecnologia e organização do espaço
Tipo: Filme

Onde encontrar: Locadoras de vídeo de todo o país

O filme “Denise Está Chamando”, dirigido por Hal Salwen, é uma excelente alternativa para desenvolver atividades que reflitam sobre objetivos e usos do desenvolvimento tecnológico e seus impactos na transformação da vida e da organização do espaço geográfico.

Gravado na segunda metade dos anos 90, em Nova York, o filme propicia reflexões sobre as várias transformações que o desenvolvimento tecnológico vem ocasionando: novas formas de organização espacial, relações de trabalho, administração do tempo, estilo de vida, valores, relacionamento humano.

Quanto mais desenvolvimento tecnológico existe em um território, mais as pessoas se distanciam da vida em grupo. A possibilidade de trabalhar em casa, garantida pela ligação em rede dos telefones residenciais e dos computadores, trazem inicialmente a imagem de conforto e liberdade.

Porém, o filme questiona tais “avanços”, pois quanto mais autônomos os personagens ficam em relação às suas vidas profissionais, mais se tornam solitários. Os relacionamentos vão se tornando virtuais. Até a gravidez de uma personagem ocorre sem o contato humano direto: ela engravida por meio de inseminação artificial.

Como sugestão de trabalho, o professor pode apresentar o filme em duas sessões (divididas em duas aulas) ou fora do horário regular. Em uma aula que preceda a exibição do filme, é importante dar uma aula expositiva demonstrando a concentração das densidades demográficas e técnicas no Brasil.

Para isso, pode-se trabalhar com alguns mapas que espacializam o desenvolvimento tecnológico no território brasileiro. Uma sugestão é utilizar e inter-relacionar os dados contidos nos mapas de densidade demográfica, urbanização, transportes, concentração de agências bancárias e comunicações, presentes em diversos atlas ou mesmo no livro “Brasil: Território e Sociedade no Início do Século XXI”, de Maria Laura Silveira e Milton Santos.

Em outra aula, após uma discussão geral com a classe sobre o filme, o professor pede que os alunos façam uma dissertação, relacionando os dados sobre a concentração espacial brasileira vistos na primeira aula com os padrões de relacionamento vistos no filme. Um pergunta pode nortear essa reflexão: como o desenvolvimento tecnológico está alterando os padrões de relacionamento e a organização do espaço geográfico no Brasil?

Referências:
SILVEIRA, Maria Laura & SANTOS, Milton. Brasil: Território e Sociedade no Início do Século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2000.

Denise Está Chamando, de Hal Salwen.
EUA, 1995, 80 minutos.
O filme traz uma sátira social sobre a vida nos grandes centros urbanos e gira em torno de um grupo de pessoas que sempre conversam por telefone, mas nunca se encontram. Cercados de fax, telefones e computadores, eles se relacionam unicamente por meio desses aparatos eletrônicos e a desculpa para não se encontrarem é sempre a mesma: excesso de trabalho. Seria esse o verdadeiro motivo ou eles simplesmente temem um encontro cara-a-cara? As inovações tecnológicas teriam mudado a maneira do homem se comunicar?

Texto original: Laércio Furquim Jr.
Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
14/08/2002

Documentário “Ilha das flores”

Documentário “Ilha das flores”

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Sociedade de consumo
Tipo: Metodologias

http://portacurtas.org.br/filme/?name=ilha_das_flores

Um ácido e divertido retrato da mecânica da sociedade de consumo. Acompanhando a trajetória de um simples tomate, desde a plantação até ser jogado fora, o curta escancara o processo de geração de riqueza e as desigualdades que surgem no meio do caminho.

Veja como trabalhar este documentário em sala de aula.

Texto Original: Projeto Porta-Curtas

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
24/08/2007

Cultura negra e povo brasileiro

Cultura negra e povo brasileiro

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: População brasileira
Tipo: Filme

Onde encontrar: TV Cultura ou
Itaú Cultural (Midiateca)

O vídeo brasileiro “Na Rota dos Orixás”, do diretor Renato Barbieri, é um documentário sobre a vinda dos escravos negros para o Brasil e pode ser interessante nas aulas sobre população brasileira.

Esse tipo de estudo precisa de informações que lidem com aspectos mais profundos da formação do povo brasileiro. O próprio IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) reconhece que, embora sua metodologia indique a presença de cerca de 5 milhões de negros no país, esse número pode chegar a mais de 70 milhões se o critério principal não for a cor da pele, mas sim, por exemplo, a identificação cultural e étnica.

Primeiramente, o vídeo oferece informações valiosíssimas sobre a forma como os negros eram capturados: havia negros ilustres em seus grupos de origem que foram vendidos como escravos para o Brasil e América Central; o maior traficante de escravos dessa rota era um brasileiro e há descendentes seus vivendo um verdadeiro reinado no Benin. Além disso, mostra a influência da religião africana nos costumes, no gestual, na música, nos ritmos, na culinária, no humor, na língua, enfim, na cultura brasileira.

Dessa forma, o filme desmistifica os preconceitos que cercam a questão da religiosidade afro-brasileira e indica semelhanças e laços de união entre os povos brasileiros e os países “fornecedores” de escravos.

Após a exibição do vídeo, os alunos, divididos em grupos, realizam uma discussão. Eles podem registrar no caderno as suas principais impressões sobre as novas informações apreendidas, as semelhanças entre aspectos da cultura africana e suas influências na cultura brasileira.

A seguir, o professor pode introduzir dados estatísticos sobre os negros no Brasil, retirados do site do IBGE, como as diferenças de salários entre negros e brancos que exercem as mesmas funções, nível de escolaridade (quantos negros têm terceiro grau?), quantidades relativas de residências de brancos e de negros que são atendidas por serviços de infra-estrutura, como redes de água e esgoto.

Pode-se, também, apresentar artigos de jornal que tratem de reivindicações do movimento negro (no Brasil e no mundo), como as cotas para estudantes negros nas universidades públicas e as reparações (indenizações financeiras) para descendentes de escravos.

Depois dessa etapa do trabalho, o professor pede para cada grupo escrever um texto comparando esses dados às suas condições de vida no Brasil. Para concluir, os textos podem ser comentados em aula expositiva.

Referência:
Na Rota dos Orixás, de Renato Barbieri.
Brasil, 1998, 52 minutos.
Primeiro documentário da série “Atlântico Negro”, apresenta a influência africana na religiosidade brasileira. Partindo das mais antigas tradições religiosas afro-brasileiras, o vídeo transporta o espectador para a terra de origem dos orixás e vodus – Benin, na África Ocidental –, onde estão as raízes da cultura jejê-nagô. Uma viagem no espaço e no tempo em busca da ancestralidade presente em terreiros de Salvador e São Luís.

Os sites indicados neste texto foram visitados em 15/08/2002

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
15/08/2002

Diferentes povos, diferentes paisagens

Diferentes povos, diferentes paisagens

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Paisagem e espaço geográfico
Tipo: Filme

Com direção de Godfrey Reggio e trilha sonora de Philip Glass, o documentário “Powaqaatsi” foi produzido em 1987. Sem diálogos, é uma edição de imagens de vários países do mundo, numa viagem que retrata as mais diferentes paisagens, formas de organização e constituição territorial.

A maioria dos países abordados é considerada subdesenvolvida, pobre ou ainda do sul econômico, dos mais distintos continentes, sobretudo da África, Ásia e América Latina. Valendo como destaque, a primeira cena do documentário é composta por imagens aéreas de Serra Pelada, região de intenso garimpo no norte do Brasil.

No Ensino Médio, esse documentário é um ótimo instrumento para se discutir conceitos de paisagem e de espaço geográfico. A paisagem entendida como sendo algo mutante, os primeiros indícios das constantes transformações que o homem impetra à natureza.

Após uma sessão do documentário, o professor pode iniciar uma discussão com a classe, enfatizando a relação entre as formas de trabalho e de organização socioespacial (cidades, casas, atividades econômicas) em cada lugar apresentado no filme. Nesse momento, é interessante levantar o significado da música minimalista, que dá o tom reflexivo e demonstra os diferentes ritmos de vida de cada região.

Durante a discussão, é importante incentivar os alunos a registrarem no caderno o que está sendo abordado.

Para finalizar, os alunos podem produzir um texto reflexivo sobre a relação entre o modo de produção e a degradação do homem e do meio ambiente.

Referência:
“Powaqaatsi”, de Godfrey Reggio. EUA, 1988, 90 minutos.

Produzido por Francis Ford Coppola e com trilha sonora de Philip Glass, o filme mostra a diversidade humana, social e cultural de nosso planeta de forma colorida, dinâmica e tocante. A partir do tema “vida em transformação”, aborda os efeitos sofridos pelas nações em seu processo de desenvolvimento e modernização.

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
04/03/2002

Construção de maquetes com sucata

Construção de maquetes com sucata

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Representação tridimensional do espaço
Tipo: Metodologias

Mapas como o do Brasil ou dos Estados são representações abstratas e podem ter um significado muito diferente do usual para as crianças das séries iniciais.

O trabalho com mapas e a linguagem cartográfica podem ser iniciados a partir da construção de maquetes de espaços mais próximos, com os quais a criança tem relação afetiva: a sala de aula, a quadra de esportes, o lugar que mais gosta de sua casa etc.

Antes da realização da atividade, o professor deve conversar com os alunos, mostrando alguns desenhos, fotografias e mapas, levantar com eles o que já sabem a respeito das formas de representar espaços e as hipóteses que têm sobre essas representações. Com esses dados, o professor discute a questão e propõe a construção de uma maquete.

Material para a maquete: papel colorido, caixas de papelão, caixas de fósforo vazia, retalhos e vários tipos de sucata.

Para a confecção de maquete da sala de aula, por exemplo, pode-se dividir a classe em grupos de quatro alunos.

Em primeiro lugar, os alunos devem discutir como vão representar a sala, onde se localizam a porta e as janelas, quais são os objetos ali existentes. Depois escolhem os materiais que desejam utilizar, como uma caixa de papelão que tenha formato parecido com o da sala de aula.

As carteiras, a mesa do professor, o armário, o cesto de lixo e demais móveis podem ser feitos com caixas de fósforos, tampinhas e outros objetos. Mesmo sem escala, todos os móveis e objetos da sala devem ser representados na posição real.

Os alunos podem enfeitar a maquete cobrindo as caixas com papel colorido, representar a lousa com papel verde e acrescentar outros detalhes, se houver.

O professor acompanha os procedimentos de cada grupo, intervindo quando necessário para que a representação seja a mais próxima possível do espaço real. Por exemplo:

  • Vocês contaram a quantidade de carteiras que existem na sala?
  • A quantidade de janelas está correta?
  • Onde a lousa deve ser colocada?
  • Como vocês podem representar o armário?
  • Verifiquem se o cesto de lixo está à esquerda da porta etc.

    Por fim, o professor pode promover uma exposição na sala de aula ou no pátio da escola das maquetes confeccionadas pelos diversos grupos.

    É importante lembrar que a percepção espacial da criança, nessa faixa etária, é tridimensional. A maquete que reproduz o espaço do cotidiano do aluno é condição para a futura compreensão das formas de representação espacial mais abstratas, como a planificação do espaço e a escala.

    Texto original: Vera Lúcia Moreira
    Edição: Equipe EducaRede

   
 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

10/05/2002  

Terra para Rose

Terra para Rose

Disciplina:

Geografia

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Reforma agrária
Tipo: Filme

A apresentação do documentário “Terra para Rose”, dirigido por Tetê Moraes, é uma possibilidade de abordar com alunos do Ensino Médio termos e conceitos relacionados à questão da terra e ao surgimento de movimentos antagônicos: O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), em 1984, e a UDR (União Democrática Ruralista), em 1985.

O documentário trata do polêmico processo de desapropriação para fins de reforma agrária da Fazenda Annoni, no Rio Grande do Sul. Nele, aparecem negociações, ocupações de terra, opiniões de políticos, de proprietários de terra, de líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) da época.

Havia 14 anos que o Estado indicara a fazenda para reforma agrária, porém os proprietários foram à Justiça, conseguindo impedir o processo por todos aqueles anos. Mais de 1.500 famílias estavam acampadas na fazenda e uma boa parte delas ocupara a Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul por quatro meses. Após longa jornada, conseguiu-se que 300 famílias fossem assentadas.

Depois de assistirem ao filme, os alunos se preparam para um debate. Reunidos em pequenos grupos, podem registrar informações como:

  • A definição de reforma agrária, segundo o ponto de vista dos entrevistados no documentário: políticos, proprietários de terra e líderes do MST.
  • As diferenças e principais características de cada grupo de entrevistados citados acima.
  • A definição de latifúndio e desapropriação.
  • A diferença entre os termos arrendatário, posseiro e grileiro.
  • Diferenças entre o MST e a UDR.
  • O papel dos ruralistas no processo constituinte de 1986.
  • A importância da mobilização social em torno de objetivos comuns.
  • Os motivos que causaram a demora da justiça para efetivar a desapropriação e a posse de terras aos sem-terra.Para concluir, pode-se organizar um debate a partir das informações registradas nos grupos. Assim, além de estabelecer uma reflexão rica e trocas de informações entre os alunos, pode-se, também, ensinar como se comportar em uma situação de debate.

    Sugestão para organização:

  • Pode-se reorganizar a sala, formando três grupos que adotam, cada um, uma posição referente aos grupos de entrevistados listados.
  • As regras de funcionamento do debate são estabelecidas pelo professor e devem estar bastante claras para os alunos.
  • Pode-se delimitar o tempo em cinco minutos para a exposição da síntese dos registros para cada grupo.
  • Depois, faz-se uma rodada de perguntas que envolva os outros temas abordados pelo filme. Cada grupo pergunta a um outro grupo, de modo que todos participem.
  • Os alunos devem ser orientados a fazer perguntas relacionadas às questões listadas na atividade. A pergunta inicial pode ser: a reforma agrária deve ser feita no Brasil? Como?
  • O professor anota as definições conceituais apresentadas e as posturas adequadas e inadequadas a um debate.Na aula seguinte, o professor pode fazer uma exposição, apresentando uma síntese do debate e respondendo corretamente os conceitos.

    Referência:
    Terra para Rose, de Tetê Moraes.
    Brasil, 1987, 84 minutos.
    Documentário sobre a primeira ocupação de latifúndio improdutivo no Brasil, a Fazenda Annoni, no Rio Grande do Sul, em 1985. O filme traz imagens das pessoas que enfrentaram o frio, a fome e as tropas militares, enquanto lutavam por um pedaço de terra para plantar. O título foi escolhido para homenagear Rose, uma das mulheres do movimento, que sonha com a conquista da terra e um futuro melhor para seu filho.

    Texto original: Laércio Furquim Jr.
    Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
14/08/2002