História de Pinóquio e Gepeto

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Consciência corporal, articulações
Tipo: Metodologias

Essa atividade deve ser proposta, de preferência, após a criação do Boneco articulado, pois ela propiciará às crianças uma melhor compreensão sobre as articulações e suas possibilidades de movimento.

O professor deve levar os alunos para uma sala de aula limpa, de preferência de piso quente (madeira ou carpete) e pedir que eles tirem os sapatos, deitem no chão em decúbito ventral (barriga para cima) e fechem os olhos. Se não houver sala com essas características, pode-se utilizar outro ambiente e contar com o auxílio de colchonetes.

O professor explica que irá contar uma história e, por isso, é necessário que todos permaneçam em silêncio e que só abram os olhos depois que a história terminar. Quando as crianças estiverem relaxadas e concentradas, contar a história de Pinóquio, com bastante expressividade e detalhes.

Depois de terminar a história, o professor diz aos alunos que Pinóquio é uma marionete e pergunta se eles já viram ou conhecem esse tipo de boneco. Deve explicar que a marionete se movimenta por meio de fios presos às articulações. Se houver possibilidade, pode levar uma no dia da atividade, mostrar ilustrações ou, ainda, mostrar trechos do filme “História de Pinócchio”, de Walt Disney. Em seguida, deve propor a atividade propriamente dita.

As crianças serão divididas em duplas: uma será a marionete (Pinóquio) e a outra será o manipulador (Gepeto). Devem ficar de pé, uma de frente para a outra. Por meio de fios imaginários presos às articulações (cotovelo, pulso, ombro, joelho, quadril e tornozelo), Gepeto deverá manipular Pinóquio, “puxando” ou “soltando” a articulação desejada. Pinóquio só deve se movimentar sob o comando de Gepeto, comportando-se exatamente como uma marionete.

Deve-se trabalhar, inicialmente, uma articulação de cada vez, buscando o máximo de concentração e clareza de movimentos, tanto por parte de Gepeto como de Pinóquio. No decorrer do exercício, é importante que as crianças explorem ao máximo as possibilidades articulares, não se limitando às grandes articulações, incluindo aos poucos as pequenas (pés e mãos) e até a coluna, que é considerada articulada.

Depois de explorar todas as articulações, os papéis são invertidos. Quem era Pinóquio vira Gepeto e vice-versa.

Como última etapa, todos os alunos se transformam em “Pinóquios” e realizam uma “dança” coletiva através de movimentos que privilegiem as articulações.

No fim, o professor pergunta sobre as articulações que eles tiveram mais facilidade ou dificuldade para trabalhar, quais delas são mais independentes ou móveis, e aproveita para reforçar o conceito de articulação.

Fonte de pesquisa adicional:
LABAN, Rudolf. Dança educativa moderna. São Paulo: Ícone, 1990.
Filme História do Pinócchio, de Walt Disney.

Texto original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier
Edição: Educarede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Animação “A Casa”

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Linguagem oral, escrita e gestual
Tipo: Metodologias

Link para o curta: http://portacurtas.org.br/filme/?name=a_casa

Ao som da famosa canção de Vinícius, um mímico se diverte construindo uma casa que só é visível para quem acredita na história.

Clique aqui e veja a proposta de trabalho

Texto Original: Projeto Porta-Curtas

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

O jogo dramático ou jogo teatral

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Jogos de imaginação
Tipo: Metodologias

Objetivo
Aprender a personificar brincando, criando e construindo personagens; trabalhar e aprimorar o fluxo de linguagem e das capacidades imaginativas; harmonizar e acelerar o trabalho expressivo, nos níveis intelectual, emocional e físico; adequar as intenções intelectuais ao gesto apresentado, que representa a materialidade da vontade; liberar a espontaneidade, desmistificando o “não ser capaz”, “não se sentir seguro para”.

Atividade
Quem sou? Onde estou? O que fazer?

Divida o grupo em pequenos grupos, para não se perderem os objetivos, o foco e a intenção.
Proponha que cada grupo monte cenas curtas, de no máximo 3 minutos, sem falar e sem utilizar quaisquer ruídos ou objetos reais – recorrendo apenas à mímica.
Eis algumas questões de temas para essas cenas. Eles focalizam as três dimensões de uma ação dramática: Quem (as personagens), O que (a ação propriamente dita), Onde (o local onde se passa a ação):

QUEM?
Por exemplo, pessoas estrangeiras pedindo informação a alguém; feridos chegando a um hospital; cozinheiros preparando um doce especial; pessoas se arrumando para um casamento, desfile, festa etc. Enfim, nessa proposta, o importante é deixar clara a personagem.

O QUÊ?
Por exemplo, um jogador, no centro da roda, começa a praticar uma ação qualquer. O primeiro que entender a ação deve entrar no centro da roda e relacionar-se com ele, praticando a mesma ação ou outra relacionada à primeira. Ou: alguém ajudando o outro que carrega um pacote pesado; alguém que começa a falar com outro ao telefone; alguém que vai pular corda com outro; alguém que dança junto etc.

ONDE?
Priorizando os espaços em que as ações devem acontecer. Por exemplo: num hospital, numa linha de produção de fábrica, num estúdio fotográfico, numa sala de aula tradicional, numa fila de banco etc. Desse modo, as ações decorrem do espaço determinado. O tempo de duração pode variar de acordo com a faixa etária com a qual se trabalhe e com o tempo de que se disponha.

Fonte:
A Arte é de Todos: Artes da Representação, publicação elaborada pelo CENPEC.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

O hipnotizador dançarino

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Jogos de expressão
Tipo: Metodologias

O objetivo dessa atividade é aumentar, no aluno, a percepção e a consciência do corpo como instrumento de comunicação e expressão; buscar transmitir sentimentos por meio da dança espontânea, além de desenvolver a sensibilidade para perceber e interpretar sentimentos.

Durante os trabalhos, evite utilizar as danças marcadas por conjuntos da moda; os comportamentos “definidos” como típicos – do macho, da menininha, do idoso, da loura etc. –, e os gestos repetitivos e pouco criativos dos astros cômicos.

Procedimento

As pessoas devem formar trios. Com um gravador ou CD player, você vai garantir que músicas de ritmos diferentes estejam disponíveis.
Em cada trio haverá um participante que será o “hipnotizador”.
Ao ritmo da música, o “hipnotizador” de cada trio irá movimentar-se, “desprendendo” os braços do corpo para acompanhar a música.
Os dois outros membros do trio olham para uma das palmas da mão do “hipnotizador” e vão seguindo/acompanhando os seus movimentos, sem perderem o foco.
Embalado por trechos de músicas diferentes que você irá tocando, o “hipnotizador” conduz seus dois companheiros pelo espaço de trabalho, dançando e levando seus “hipnotizados” à dança.
Depois de um tempo, peça que o “hipnotizador” troque de lugar com um dos hipnotizados, até que todos tenham passado pelas duas experiências, de condutor e conduzido.
Para finalizar o jogo, e ao som de uma música mais agitada como, por exemplo, Brasileirinho, de Valdir Azevedo, peça a cada participante que pense em dois hipnotizados imaginários, levando-os a dançar.

Ao final da atividade, peça aos alunos que se sentem no chão formando uma roda e converse com eles sobre as duas experiências: de condutor e conduzido, por exemplo.

Nota: Esse jogo foi criado pelo teórico e dramaturgo Augusto Boal.

Fonte:
A Arte é de Todos: Artes da Representação, publicação elaborada pelo CENPEC.

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

O corpo pode produzir sons

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Percepção sonora, corpo, som
Tipo: Metodologias

Antes de iniciar esta atividade, converse com os alunos a respeito da grande variedade de sons que podemos produzir com o nosso corpo. Dentre os inúmeros músicos que utilizam sons realizados com o corpo para fazer seus trabalhos, comente sobre Hermeto Pascoal e Tom Zé.

Descubra com eles sons que podemos produzir usando o corpo: palmas, voz, batidas de pé, estalos de dedos, respiração forte, estalos com a boca etc. Estimule-os a descobrir sons a partir de cada parte do corpo. Para isso, proponha o seguinte jogo: “que som posso fazer com” a boca, os dentes, a língua, as bochechas, os lábios, o nariz, o rosto, os braços, as mãos, os dedos, as coxas, as pernas, os pés etc.

Em roda, realize os jogos em grupos compostos por três ou quatro alunos. Cada um deles deverá produzir sons com apenas uma parte do corpo para o grupo seguinte responder com novas produções de som usando outra parte do corpo. Por exemplo, um grupo bate palmas uma vez, o outro bate os pés duas vezes, o seguinte joga um beijinho, o outro estala os dedos três vezes e assim sucessivamente. Crie vários jogos, alternando seqüências rítmicas. Uma batida conversa com cinco batidas, duas batidas conversam com quatro etc.

Na aula seguinte, conte para eles que existe um grupo chamado Barbatuques e que eles usam apenas os sons produzidos pelo corpo para fazer música. Busque materiais na Internet e em outros locais sobre o grupo. Utilize esse material em sala de aula para desenvolver a percepção auditiva dos alunos, fazendo o seguinte exercício: ao ouvir fragmentos da música, as crianças deverão descobrir com qual parte do corpo o som foi produzido.

Conclua o trabalho ouvindo uma música inteira e proponha a construção de uma mímica com movimentos corporais tendo por trilha sonora a música do grupo Barbatuques.

Se possível, leve os alunos para assistir a uma apresentação desse grupo.

Referência:
Disco do grupo Barbatuques.
Tom Zé, música “Chique-chique”, disco Parobelo (ele começa essa música esfregando bexigas na boca).
Discos de Hermeto Pascoal.

Texto original: Lelê Ancona
Consultoria pedagógica: Anamélia Bueno Buoro
Edição: Equipe EducaRede

Os sites indicados neste texto foram visitados em 03/12/2004

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Imitando animais

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Teatro
Tipo: Metodologias

Quando se trabalha com jogos teatrais, o objetivo é ampliar a expressividade gestual dos alunos. É preciso ter em mente que todo trabalho de teatro deve começar com um aquecimento físico a fim de preparar o corpo para que se possa trabalhar sua expressividade.

Para isso, proponha um aquecimento físico com música. Inicialmente, os alunos, orientados pelo professor, deverão se locomover no espaço, explorando-o. A consigna consiste em acompanhar o ritmo da música movimentando o corpo na altura do chão, na altura de quem está andando e no mais alto nível que conseguirem.

Com o corpo aquecido, passa-se ao aquecimento do pensamento/imagem, que consiste em um levantamento do conhecimento prévio dos alunos sobre bichos que se locomovem na altura do chão, na altura do andar humano e em alturas maiores.

Proponha que eles ocupem um lugar no espaço da sala divididos em três grupos:

um canto para os animais que se locomovem e produzem movimentos na altura do chão;

outro espaço para aqueles que querem trabalhar a expressividade dos animais que se locomovem no nível médio;

outro espaço para os que querem trabalhar com alturas maiores.

Os grupos devem realizar ensaios representando o bicho anteriormente imaginado. Depois, os alunos sentam-se no chão de forma que ocupem todo o espaço da sala, e cada um apresenta seu animal e imita sua forma de ser, ressaltando:

posição do animal parado;
forma de locomoção;
voz (som que emite);
expressão física do animal.

Com a ajuda de todo o grupo, o professor pode propor também algumas situações nas quais os animais podem estar dormindo, comendo, passeando etc.

Novas situações de cenas podem ser criadas:

Uma conversa entre o animal que se locomove no alto e o rastejante.

Uma confusão criada pelos animais que se locomovem no nível médio.

Uma coisa engraçada que acontece nos três grupos de animais…

No decorrer da atividade, é interessante a troca de personagens para que os alunos possam vivenciar diversos animais e, conseqüentemente, diferentes maneiras de produzir gestos e sons.

No final da atividade, faça uma avaliação a partir das respostas dos alunos sobre o que foi mais difícil fazer, o que foi mais fácil e o que eles gostariam de ter feito e não aconteceu nessa aula, e aproveite esse material para preparar a próxima aula de teatro com o seu grupo.

Para aprofundar:

É interessante olhar livros e revistas com informações sobre animais, conversar sobre seus hábitos, programar visitas ao zoológico, resgatar conhecimentos prévios dos alunos sobre animais, assistir a filmes e vídeos com imagens de animais…

Texto original: Lelê Ancona
Consultoria pedagógica: Anamélia Bueno Buoro
Edição: Equipe EducaRede

Os sites indicados neste texto foram visitados em 06/05/2003

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Diálogo entre sons e gestos

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: A gestualidade do corpo, o ritmo da música no espaço, a expressão plástica
Tipo: Metodologias

O ensino de Arte na escola abrange as linguagens visual, musical, corporal e cênica. Essa proposta de atividade, que procura desenvolver nos alunos a percepção do diálogo entre linguagens artísticas por meio de exercício prático, trabalha três dessas quatros linguagens, permitindo aos alunos estabelecerem relações entre as composições gráfica, sonora e corporal.

Primeira aula – As linguagens artísticas

Converse com os alunos sobre as diversas linguagens que eles conhecem: a da música, a visual, a da dança, a do teatro, a verbal. Todas elas, freqüentemente, estabelecem uma comunicação entre si, como o diálogo que a linguagem verbal cria com a linguagem musical quando os artistas compõem a letra e a música de uma canção, unindo música e letra na construção de um significado único.

Descubra com eles outras formas de diálogos entre linguagens. Reflita sobre as variadas maneiras de “tradução” que existem entre línguas e entre linguagens. É possível traduzir uma música para uma dança? E para uma pintura? Como? Será que fica parecido, dá para reconhecer ou se torna outra coisa? E o contrário, há possibilidade de se “escrever” uma dança? E desenhá-la?

Ao final dessa discussão, proponha aos alunos a audição de vários trechos musicais: música clássica, rock, forró, tradicionais, modernas, de várias regiões. Depois de ouvirem os trechos selecionados, peça para que descrevam verbalmente como perceberam as músicas e suas diferenças.

Agora, em uma nova audição, peça a eles que marquem com palmas os diferentes ritmos de cada música. A seguir, escolha com os alunos uma das músicas para ser trabalhada pela classe.

Procedimento

Divida a turma em grupos. Cada um deles escolhe um trecho da música para realizar um diálogo de linguagens e, com a música selecionada, eles criam com o corpo movimentos simultâneos, alternados, seqüenciais.

Proponha a criação de uma seqüência de gestos para o trecho da música de tal maneira que ambos possam ser percebidos como se tivessem sido feitos um para o outro. Sugira que eles explorem bastante os movimentos usando todo o espaço da sala no nível do chão e nos planos alto e médio. É importante orientar os alunos para que movimentem todo o corpo. Lembre-os de que cada parte do corpo poderá acompanhar os ritmos propostos em diferentes momentos da música: cabeça, braços, quadril, maxilar, olhos etc. Peça para o grupo registrar na memória a seqüência de movimentos de cada trecho da música porque elas serão retomadas na aula seguinte.

Segunda aula

Retome verbalmente os trabalhos da aula anterior e, em seguida, proponha aos grupos que se apresentem. Uma boa forma de fazer isso é pedir que os alunos fiquem sentados no chão em círculo, enquanto se levantam apenas aqueles que estão se apresentando.

Finalizada a apresentação, pergunte a eles como fariam para mostrar esses movimentos num desenho ou numa pintura. Proponha que desenhem e pintem em uma folha de papel e a partir da memória visual a própria seqüência de movimentos corporais criados. Esse registro deve reproduzir estes movimentos, buscando obter no desenho a mesma qualidade do gesto.

Terceira aula

Realizados todos os registros, o professor faz uma apresentação dos desenhos associados aos movimentos e sons. Pode-se fazer um painel contendo os registros visuais. Neste caso, escolha com os alunos o local em que será possível expô-lo.

Conclua o trabalho comentando as imagens desse painel e, com os alunos, resgate os trechos de música e gesto que correspondem aos desenhos realizados. Faça uma avaliação final a partir das seguintes perguntas:

Quais desenhos expressam melhor os gestos? Por quê?
Quais desenhos expressam melhor a música? Por quê?
É possível descobrir qual o trecho da música que inspirou os desenhos?
É possível descobrir quais gestos estão relacionados com os desenhos?
Se eu fizer os gestos sem ouvir a música, consigo saber como é essa música?
Se eu fizer os gestos, consigo descobrir com qual desenho ele se parece?

Você poderá ampliar esse trabalho ao fazer uma leitura das obras A dança e A música, de Henri Matisse, e relacioná-las com as experiências que seus alunos tiveram ao transpor a música para o gesto e para o registro gráfico. Outro artista que poderá ser trabalhado em sala de aula é Kandinsky, que faz uma série de quadros inspirados em músicas.

Texto original: Lelê Ancona
Consultoria pedagógica: Anamélia Bueno Buoro
Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Direções no espaço

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Espaço e movimento
Tipo: Metodologias

O objetivo primeiro desta proposta de trabalho é ampliar o repertório de movimentos dos alunos porque a variedade de formas de movimentação pessoal gera maior capacidade de expressão. Com essa atividade, propõe-se explorar os movimentos do corpo no espaço, e isso pode ser feito dentro da sala, bastando agrupar as carteiras em um canto e deixar o espaço livre.

Apresente a proposta da aula aos alunos, cuja intenção é fazê-los reconhecer o próprio corpo e seus movimentos corporais. Por isso, é fundamental que os exercícios sejam feitos em silêncio para que todos possam se concentrar. Se você preferir, coloque uma música instrumental pouco conhecida dos alunos para acompanhar os exercícios.

Proponha a seguinte seqüência:

Todos os alunos devem se deitar sobre colchonetes; na falta deles, sobre toalhas trazidas de casa.

Peça que fechem os olhos e sigam instruções como “sintam o bater do coração, concentrem-se na respiração, percebam o percurso feito pelo ar das narinas até o pulmão”.

Relembre cada parte do corpo para que os alunos possam se concentrar nela e percebê-la. Você pode conduzi-los com um tom de voz suave, falando de forma pausada: “Sintam os pés, pernas, joelhos, quadril, barriga, coluna, ombros, pescoço, braços, mãos, dedos, cabeça”.

Após esta percepção de cada parte do corpo, solicite aos alunos que iniciem movimentos, pouco a pouco: sentir o movimento da respiração e acompanhá-lo com o corpo, abrindo e fechando as mãos ou esticando e dobrando os pés.

A partir daí, os alunos deverão ampliar esses movimentos, mas ainda sem sair do lugar, como os de pernas e braços com o maior alcance possível.

Após explorarem ao máximo o espaço próximo, passam a fazer movimentos que ocupem todo o espaço da sala.

Ao finalizar esta etapa, é interessante conversar com os alunos sobre os movimentos realizados e as sensações experimentadas.

Na segunda aula, relembre os exercícios feitos na aula anterior. Depois disso, convide os alunos para caminharem lentamente em todas as direções da sala, sem encostar em nada nem em ninguém, procurando ocupar todos os espaços vazios. Na continuidade desse exercício, muitas propostas podem ser feitas para se explorar o ato de caminhar:

Andar muito lentamente, lento, normal, rápido, muito rápido, no ritmo do coração, no ritmo da respiração…

Andar na ponta dos pés, reto, curvado, com a barriga para frente, agachado…

Imaginar cenários em que estejam caminhando: sobre brasas, sobre pedra, na areia da praia, na rua, numa avenida movimentada, num pântano…

Proponha novos exercícios que explorem outras organizações espaciais:

todos num canto; depois, andar para ocupar a sala toda como uma revoada de pássaros;

ocupar a área central da sala e, em seguida, se espalhar como um monte de grãos derramados pelo chão.

A seguir, divida a classe em grupos e proponha a criação de uma seqüência de movimentos para apresentar à classe. A seqüência a ser criada deve conter movimentos:

internos de respiração e pulsação;
de gestualidade próxima do corpo;
de gestualidade ampla (sem locomoção);
de corpo solto no espaço.

É importante orientar os alunos para considerarem a seqüência como um trabalho coletivo, criando movimentos conjuntos ou complementares. Para facilitar, eles poderão imaginar uma cena do cotidiano para servir de “organizador” dos movimentos como, por exemplo, regar plantas. Nesse caso, ao se imaginar na situação proposta, pensa-se nos movimentos comuns a essa ação lembrando-se de seus detalhes.

Realizem os ensaios e agendem as apresentações. Lembre-se de que elas devem ser curtas o suficiente para serem encenadas durante a aula.

Feitas as apresentações, que poderão ocorrer em mais de uma aula, proponha aos alunos que avaliem em grupo:

se os movimentos pedidos estiveram presentes;
que movimentos estavam mais interessantes e
por quê;
se os movimentos tinham uma organização;
de quais movimentos gostaram mais e por quê;
o que acharam mais difícil;
o que acharam fácil;
se descobriram movimentos novos depois das aulas e quais foram.

A seguir, discuta com a classe toda o resultado desse trabalho. Este será um bom momento para observar se a proposta atingiu os objetivos inicialmente previstos. Sem dúvida, a discussão será uma experiência muito enriquecedora.

Referência:

BOAL, Augusto. 200 exercícios e jogos para o ator e o não-ator com vontade de dizer algo através do teatro. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979.

BOSSU, Henri & CHALANGUIER, Claude. A expressão corporal: método e prática. São Paulo, Difel, 1975.

Texto original: Maria Terezinha Teles Guerra
Consultoria pedagógica: Anamélia Bueno Buoro
Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Cenas curtas

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Diversidade na fala
Tipo: Texto

A atividade teatral tem como objetivo desenvolver a expressão corporal e verbal, pois o corpo e a voz são os “instrumentos” do teatro. O exercício proposto a seguir é voltado especialmente à fala e à compreensão de textos e visa a possibilitar aos alunos a percepção de que a forma de falar altera o significado do que está sendo dito.

Primeiramente, é preciso escolher um pequeno trecho de uma peça de teatro, um diálogo que tenha, no máximo, três personagens com três falas cada um. O professor pode pesquisar ou propor que os alunos pesquisem esse texto, por exemplo, na Internet, escolhendo apenas um para o trabalho. Há várias páginas que disponibilizam peças teatrais para fazer download gratuito, como o Portal Oficina de Teatro ou as bibliotecas virtuais.

Os alunos, divididos em grupos de acordo com o número de personagens (dois ou três), lêem o diálogo que já receberam. Durante um tempo (cerca de 10 minutos), cada grupo define quais os personagens que cada integrante fará e, sem ensaio prévio, apresenta as cenas.

A improvisação vai gerar nos grupos diferentes soluções para as mesmas falas. É importante que os grupos estabeleçam os personagens antes do início da improvisação, pois assim não ficam presos às soluções encontradas pelos grupos que apresentarem primeiro.

No fim da atividade, os alunos comentam cada improvisação, observando as características propostas pelos grupos, relacionadas à fala e à compreensão do diálogo, tanto da perspectiva de quem atuou como de quem assistiu. Nas diferentes soluções podem aparecer emoções variadas para uma mesma frase, como raiva, desprezo, carinho etc., e essas variações podem ser observadas na entonação, nas pausas e na altura da voz.

É importante ter o cuidado para que esse comentário apresente uma observação, e não um julgamento das cenas realizadas, tanto por parte dos alunos como do professor.

Texto original: Lelê Ancona
Edição: Equipe EducaRede

Os sites indicados neste texto foram visitados em 27/03/2002

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)