Pesquisa sobre práticas corporais

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Pesquisa sobre práticas corporais
Tipo: Metodologias

Um trabalho de pesquisa sobre práticas corporais pode ampliar o universo de atividades esportivas conhecidas pelos alunos, favorecendo a escolha de práticas mais atrativas a cada um deles, além de exercitar o planejamento e a realização de pesquisa.

Esse roteiro não tem a pretensão de esgotar as possibilidades de pesquisa de um grupo de alunos, nem atender a todas as questões a respeito da prática corporal a ser pesquisada. Mas, com certeza, é o interesse genuíno pelo assunto que vai guiar o trabalho dos alunos.

É importante que a pesquisa seja precedida por uma conversa com a classe a respeito do que os alunos sabem sobre as práticas corporais. O professor pode mapear hipóteses, dúvidas, curiosidades que eles tenham, para orientar a pesquisa e mobilizá-los para a procura das respostas.

É importante sugerir aos alunos uma bibliografia básica e uma lista de sites para consulta (veja algumas sugestões), além de fornecer indicações de profissionais ou estabelecimentos a serem contatados, considerando as possibilidades de seu bairro e/ou cidade.

A pesquisa compreende duas etapas:

1. Pesquisa bibliográfica

Fase para a busca de informações em livros, revistas e Internet. Ela deve abranger os seguintes dados sobre a prática corporal escolhida:

  • significado do nome
  • aspectos históricos
  • princípios gerais e conceitos básicos
  • finalidade
  • método ou forma de trabalho
  • público-alvo

Com relação à história, não se deve limitar apenas ao seu início no tempo e espaço, mas procurar contextualizar essa época e esse lugar em termos de cultura: como estava estruturada a sociedade na qual a prática foi criada? Qual a concepção de saúde e de estética corporal que se tinha na época? Esse pode ser um trabalho a ser desenvolvido em conjunto com o professor de História.

2. Trabalho de campo

O universo de fontes pesquisadas pode ser ampliado, realizando-se entrevistas com profissionais da área e com praticantes da modalidade; visitando-se instituições que trabalhem com as práticas escolhidas; ou até mesmo com uma vivência da modalidade, se possível.

Esse trabalho de campo, no entanto, deve ser posterior à pesquisa bibliográfica, para que os alunos elaborem as dúvidas teóricas antecipadamente e, assim, consigam obter informações enriquecedoras por meio desse estudo.

É importante que o professor faça propostas aos grupos e discuta com eles a melhor forma de socializar esse conhecimento com os colegas.

O roteiro de pesquisa deve acompanhar um cronograma de atividades. Nele, é preciso reservar algumas aulas para organizar o trabalho e um tempo para o atendimento dos alunos e esclarecimento de dúvidas.

Texto original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier
Edição: Educarede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Pega-pega colorido

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Jogo motor
Tipo: Jogos

O pega-pega é uma atividade muito utilizada na Educação Infantil e no Ensino Fundamental, pois por meio dela trabalham-se várias habilidades: velocidade, agilidade, relações espaciais, estratégias de captura e de fuga. O pega-pega também é apropriado para o Ensino Médio como forma de aquecimento ou parte principal da aula, desde que adaptado para essa faixa etária.

Pega–pega colorido

Nesse pega-pega, trabalha-se com resolução de problemas e cooperação de equipes. São necessários quatro jogos de “coletes” de cores variadas (camisetas cortadas ou papel/fita preso na camiseta).

Tomemos como exemplo uma classe de trinta e dois alunos. Será feita uma divisão em quatro equipes de oito integrantes. Cada equipe recebe as quatro cores de colete, por exemplo, dois coletes amarelos, dois vermelhos, dois brancos e dois azuis, formando uma equipe colorida. Em seguida, posiciona-se cada equipe em um canto da quadra para o início do jogo.

O jogo

O professor determina as cores que cada participante deve pegar. Por exemplo: os alunos com colete amarelo só pegam os azuis; os azuis pegam os brancos; os brancos só pegam os vermelhos e esses apenas os amarelos.

As equipes devem desenvolver estratégias de captura, proteção e fuga para se preservarem. Ao pensar as estratégias, deve-se levar em conta que todos podem pegar ou serem pegos, e que cada equipe deve trabalhar de forma cooperativa. Os que forem pegos saem do jogo. Ganha a equipe que terminar com o maior número de componentes.

À medida que se realizam várias rodadas ou partidas, os alunos passam a entender melhor o jogo e a aperfeiçoar as estratégias. O jogo passa a ser mais calculado, e criam-se situações de desafio e novidade atrativas para o adolescente.

Observação:
Esse jogo foi criado em 2001, por alunos do Ensino Médio do Colégio Equipe, na Disciplina Ed. Física – Modalidade Jogos Cooperativos, ministrada pela Profa. Iza Anacleto.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Massagem na Educação Física

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Relaxamento
Tipo: Metodologias


A massagem normalmente é associada apenas aos seus efeitos terapêuticos, e é aplicada quando o indivíduo está com alguma enfermidade. Mas é importante observar que também podemos utilizá-la para relaxamento, desintoxicação e estética.

Esta atividade visa a ensinar aos alunos técnicas básicas de automassagem, que contribui tanto para a melhoria da qualidade de vida, como para fazê-los perceber melhor o próprio corpo.

Material necessário

  • Bolinhas de tênis, de borracha ou tocos de madeira feitos de cabo de vassoura de aproximadamente 15 cm de comprimento.
  • Aparelho de som.
  • Colchonetes (se não houver, peça aos alunos que tragam toalha de banho).

Preparação:

  • Avise os alunos com antecedência sobre esta atividade para evitar possíveis constrangimentos.
  • Leve-os para uma sala de aula limpa e sem carteiras. Peça a eles que fiquem descalços e retirem objetos como anéis, relógios e pulseiras.

Descrição da atividade

1) Automassagem com objeto

  • Em pé, descalço, com uma das mãos apoiada na parede, rolar o toco de madeira ou a bolinha de tênis sob um dos pés durante três minutos. É importante que o aluno explore todas as possibilidades: do calcanhar à ponta dos dedos. Repetir a atividade com o outro pé.
  • Sentado, rolar a bolinha ou o toco com a parte posterior da perna. O movimento deve ser feito lentamente, de baixo para cima, do tornozelo até a coxa, por dois minutos em cada perna.
  • Sentado, pernas levemente afastadas, friccionar a parte anterior e interna da perna, utilizando a bolinha ou o toco. Bastam dois minutos para cada perna.
  • Deitado, pernas semiflexionadas, elevar o quadril colocando a bolinha ou o toco na borda direita da coluna vertebral, acima do sacro (Vértebra L4). O aluno deve balancear o corpo suavemente. A cada dez balanceios, subir um pouco a bolinha ou o toco em direção à cabeça até atingir a primeira vértebra dorsal. É importante observar que não é sob a coluna, e sim sob o músculo paravertebral, distante um dedo da coluna lateralmente. Se usar o toco de madeira, apóie-o verticalmente.
  • Repetir o exercício sob a borda esquerda da coluna.
  • Deitado, pernas semiflexionadas, posicionar a bolinha ou o toco sob a cabeça, na base do osso occipital e balancear a cabeça suavemente para um lado e para o outro.
  • Sentado, massagear todo o braço com o auxílio da bolinha ou do toco. Bastam dois minutos para cada braço.

2) Automassagem sem objeto

  • Friccionar as mãos para ativar a circulação sangüínea e aquecê-las, preparando-as para a massagem.
  • Sentado, pernas levemente afastadas, o aluno flexiona a perna direita, apoiando o pé direito sobre a coxa esquerda. Com os dedos polegares, o aluno apalpa a planta do pé, como se fizesse uma “massa”, por dois minutos em cada pé.
  • Sentado, o aluno deve semiflexionar uma das pernas. Com os polegares das duas mãos, pressionar a panturrilha (músculo gastrocnêmio). Em seguida, a tíbia (osso frontal da perna), com movimentos circulares realizados com as palmas das mãos. Fazer a mesma coisa com o quadríceps e parte posterior da coxa, porém com as mãos fechadas em forma de soco. Repita o exercício para a outra perna.
  • Sentado, com a mão direita aberta e as pernas semiflexionadas, massagear o abdome com movimentos circulares no sentido horário, exercendo uma pressão suave.
  • Sentado, massagear a mão direita com o polegar da mão esquerda. Fazer o mesmo para a outra mão.
  • Sentado, massagear suavemente o braço direito com a mão esquerda e vice-versa, desde o punho até o ombro.
  • Sentado, massagear o ombro direito com a mão esquerda dando leves apertões. Na seqüência, passar para o pescoço: a mão que está massageando vai para trás do pescoço pelo lado da própria mão e aperta-o por trás, suavemente. Depois, inverter.
  • Sentado, com as mãos abertas e leves, massagear o rosto, como se o estivesse lavando.
  • Sentado, massagear o couro cabeludo com as pontas dos dedos das duas mãos.
  • Sentado, as mãos em forma de soco, massagear as costas, da coluna vertebral às costelas, até onde alcançar. Em seguida, fazer o mesmo na região da base da coluna vertebral.
  • Sentado, com as mãos em forma de concha (tapotagem), percutir por todas as partes do corpo, de baixo para cima, dos pés à cabeça.

É muito importante que o professor experimente todo o processo antes de orientar os alunos, pois há detalhes que só poderão ser observados e corrigidos na prática. Cabe também observar que uma música suave, de acordo com a preferência dos alunos, facilita o trabalho e aumenta o prazer.

Texto Original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Lidando com a dispensa de forma educativa

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Dispensa médica e dispensa de trabalho
Tipo: Metodologias

No decorrer do ano, é comum o professor se deparar com a situação de alunos que apresentam atestados de dispensa das aulas de Educação Física, pelos mais diversos motivos: lesões, fraturas, doenças crônicas, trabalho e outros.

A atitude mais comum da maioria dos professores da área é recolher o atestado do aluno e dispensá–lo das aulas, ou pedir um trabalho pouco significativo tanto para o aluno quanto para o professor. O objetivo desta dica é oferecer algumas possibilidades para minimizar esse problema.

Em primeiro lugar, sugerimos que o professor formalize essa situação, evitando receber o atestado em momento ou lugar inadequado (corredor, cantina etc.) e que marque uma entrevista com o aluno para receber o atestado e discutir o motivo da dispensa. Algumas questões podem ser feitas em relação ao aluno que apresenta dispensa:

  • O aluno está impossibilitado de fazer qualquer tipo de atividade física?
  • Qual o período de duração da dispensa?
  • Quais foram as recomendações médicas?
  • Em caso de dispensa de trabalho, que tipo de trabalho esse aluno realiza?Tudo isso deve ser anotado no diário, para posterior acompanhamento. Feito o diagnóstico, o professor deve adequar uma alternativa às reais possibilidades do aluno. Por exemplo:
  • O aluno não pode correr, mas pode realizar um trabalho de alongamento ou caminhada.
  • O aluno está se recuperando de uma fratura, talvez possa usar a aula para fazer exercícios de fisioterapia.No caso do aluno totalmente impossibilitado de realizar a aula prática, o professor deve esclarecer que a Educação Física trabalha também com elementos teóricos e discutir uma forma de prosseguimento de trabalho adequada à situação.

    Por exemplo, o aluno pode ser técnico de uma equipe, organizar um campeonato, ser juiz (em alguns esportes), estudar tática, ler um livro relacionado ao assunto, fazer um seminário para os colegas, preparar uma trilha sonora para uma aula de dança.

    Quando o motivo for profissional, talvez um trabalho teórico venha a sobrecarregar o aluno, pois sabemos que é muito difícil conciliar estudo e trabalho. Além do mais, cabe ao professor orientar para que esse aluno não se torne uma pessoa sedentária. Junto com ele, é possível encontrar atividades físicas compatíveis com a situação, tais como:

  • Caminhar ou andar de bicicleta pode ser uma boa solução para a manutenção da saúde. O aluno pode utilizar os percursos casa–trabalho, trabalho–escola ou escola–trabalho.
  • Planejar para o aluno uma planilha de exercícios que ele possa fazer nas horas vagas: alongamentos, exercícios localizados e aeróbicos.
  • Orientá-lo para que ele reivindique de seu empregador atividade física para os empregados e prevenção para trabalhos que envolvam esforços repetitivos.

Por fim, é importante marcar retornos freqüentes com esse aluno para fazer um acompanhamento. Esse trabalho deve ser avaliado pelo professor com a mesma seriedade dada ao restante da turma.

Agindo dessa forma, o professor valoriza a sua disciplina ao ampliar o seu raio de ação, evitando que alunos usem a dispensa como “desculpa” e, ao mesmo tempo, acolhendo os alunos que apresentam uma impossibilidade real, mantendo-os inseridos no grupo e vinculados à disciplina.

Texto original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier
Edição: Educarede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Expressões do corpo

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Conhecimento do corpo
Tipo: Metodologias

O objetivo dessa atividade é fazer com que os alunos explorem ao máximo o seu potencial expressivo corporal. Para desenvolvê-la, é necessário um aparelho de som, uma sala de aula limpa, fitas ou CDs com músicas instrumentais (sem letra).

Prepare a sala de aula, afastando as carteiras e criando um ambiente acolhedor com uma música de fundo. Converse com os alunos sobre o objetivo da aula e peça-lhes que tirem os sapatos e andem pela sala.

Possibilidades de comandos: ao sinal de uma palma, os alunos devem movimentar-se; duas palmas, devem parar para ouvir a instrução do que fazer.

Instruções:

  • Andar pela sala livremente, sem deixar espaços vazios; nas pontas dos pés; apoiando-se ora na borda interna dos pés, ora na externa; apoiando-se nos calcanhares.
  • Andar normalmente.
  • Explorar as possibilidades de movimentação das articulações: punho, cotovelo, ombro, joelho, tornozelo, coxa, coluna.
  • Explorar as possibilidade de aproximação e distanciamento das articulações, por exemplo: cotovelo e tornozelo; membros.
  • Explorar a movimentação de cabeça, tronco, pernas e braços.
  • Tocar o próprio corpo: quais as partes que conseguimos tocar? Em que partes isso não é possível?
  • Locomover-se de um ponto a outro da sala, sem utilizar passos (saltitando, pulando, girando, fazendo cambalhota); movimentando-se da cintura para baixo (nível baixo); do ombro para baixo (nível médio); do ombro para cima (nível alto).

À medida que os alunos respondem aos estímulos, o professor propõe novos desafios corporais e introduz variáveis com atividades em grupo, por exemplo: criar uma seqüência de movimentos em que as mãos estejam em evidência e apresentá-la aos colegas.

Fontes adicionais de pesquisa:
LABAN, Rudolf. Dança Moderna Educativa. São Paulo: Icone, 1990.
MARQUES, ISABEL A. Ensino de Dança Hoje, Textos e Contextos. São Paulo: Cortez, 1999.

Texto original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier
Edição: Educarede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Diário de bordo

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Registro de processo
Tipo: Metodologias

O hábito de registrar as aulas é muito importante porque nos faz refletir sobre nossa prática e o conjunto das aulas que muitas vezes se perdem em atividades isoladas, mesmo tendo sido planejadas. Essa prática também pode ser estendida aos alunos que se apropriam dos conteúdos do curso e de seu próprio processo educativo.

O ponto de partida para essa atividade é realizar no início do ano uma aula inaugural em que você apresenta aos alunos o seu programa, as metas individuais e coletivas do grupo e combina com eles as regras de procedimentos e atitudes do aluno e a experiência de um diário de bordo.

O diário de bordo é feito coletivamente em caderno que circula pela classe: um aluno faz suas anotações e passa na aula seguinte para outro. Nesse texto, a partir de um roteiro, eles registram a aula que foi dada pelo professor e fazem sua avaliação quanto a itens combinados, tais como:

  • participação;
  • atitude – cooperação ou competitividade;
  • resolução de desafios, conflitos, problemas.

Para incrementar, sugira que o caderno tenha páginas numeradas, “Apresentação”, “Sumário” e seja ilustrado. No primeiro item, você ou os alunos registram em breve texto o objetivo do Diário e podem ilustrá-lo com fotos ou desenhos de esportes e da turma. No segundo, feito ao longo do processo, cada aluno escreve seu próprio nome e sua página (reserve folhas para isso). O corpo dos textos dos alunos também pode ser ilustrado.Inclua o diário de bordo no seu processo de avaliação e vá orientando o processo sem deixar de dar retornos periódicos para a classe. Uma boa medida também é incluir outras áreas, como Língua Portuguesa, nessa proposta e deixar o material na biblioteca, depois de pronto.

Texto original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier
Edição: Educarede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Tropa de Elite

Disciplina: Matemática, Língua Portuguesa/Literatura, Geografia, História, Ciências
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Corrupção, drogas, violência, juventude
Tipo: Filme

A proposta a seguir é um desafio. Não no sentido de competição, evidentemente, mas de incitamento e provocação. O objetivo é estimular o professor a exercitar uma prática, infelizmente, nada comum nas escolas: a pesquisa de opinião. É também uma provocação, na medida em que se tira das mãos do professor o controle sobre o processo e o resultado da pesquisa, que é repassado aos alunos e às alunas. Ou seja, embora sua presença seja absolutamente fundamental em cada um dos momentos da pesquisa, não é o professor, sozinho, quem deve decidir os rumos que ela vai tomar.

Clique aqui e saiba por que trabalhar o filme

O que se espera desse trabalho pedagógico é que você, professor, não seja um “transmissor de conteúdos”, mas sim um mediador das relações que se estabelecerão a partir da atividade a ser realizada. Por quê? Por uma razão muito simples: a dimensão do tema proposto. Embora as ciências biológicas e jurídicas, por exemplo, há muito tempo tenham se posicionado em relação ao uso das drogas e, portanto, tenham muito a dizer a esse respeito, os negócios com produtos ilícitos aumentaram de tal forma –  uma vez que muitos jovens entraram no jogo – que se esperam outras abordagens sobre o assunto.

Quer dizer: se tem oferta crescente é porque há procura crescente. Seja por mera curiosidade, seja por necessidade de se sentir respeitado pelos amigos, seja por dependência química de tais produtos, o fato é que o tema das drogas não pode ser ignorado. Ao contrário, precisa ser encarado pela escola como um todo e, particularmente, por você, que todos os dias tem, bem à sua frente, adolescentes e jovens atentos não somente em saber o que você pensa sobre as coisas em geral, mas, sobretudo, como se comporta perante aquelas que, como as drogas, atingem tantas pessoas.

Sendo assim, ao que parece, restam duas opções. Ou o professor se apresenta com um discurso elaborado à base do pode-não-pode, do certo ou errado, do deve ou não deve, e, decididamente, contribui para que a conversa se encerre aí, mantendo uma perspectiva puramente moralizante; ou é suficientemente corajoso para levar para a sala um tema que, por envolver a todos, se constitui num problema social. Neste caso, certamente, você estará colaborando para que os alunos possam manifestar o que sentem e pensam sobre o assunto e, com base nisso e no que você tem a dizer, decidam o que querem para si mesmos e para os outros.

Propomos, então, que você, convencido pelas razões que justificam a segunda opção, adote os seguintes procedimentos, que duram cerca de um mês ou oito horas-aula:

1. Assista ao filme junto com seus alunos.

2. Em sala de aula, peça que cada um dos grupos discuta um aspecto abordado pelo filme. Exemplos:

  • drama vivido pelo Capitão Nascimento: estressado pela guerra diária do BOPE e profundamente humano com a morte de um garoto do morro e com o nascimento do filho;
  • características pessoais de Neto e Matias, candidatos à substituição de Nascimento no comando da Tropa de Elite;
  • significado do lema da Tropa: “faca na caveira e nada na carteira”.

3. Na aula seguinte, prepare a turma para uma pesquisa de opinião. Esta é, seguramente, uma das formas mais interessantes dos nossos alunos produzirem conhecimentos. Com base no levantamento e na discussão dos aspectos do filme, proponha a escolha de um deles para ser o objeto da pesquisa. Após a definição do tema, é preciso seguir alguns passos:

  • cada aluno ou cada grupo de alunos deve elaborar 5 perguntas e 3 alternativas de respostas sobre o tema;
  • oriente-os para que as questões sejam extremamente objetivas, isto é, tanto perguntas quanto respostas não podem dar margens a interpretações diferentes do que o pesquisador quer saber. Em geral, eles participam ativamente desse momento, buscando as palavras mais adequadas que deverão constar do questionário; exemplo:

Você é a favor da descriminalização da droga?
a) Sim
b) Não
c) Não sei

  • promova um debate para que cada um ou cada grupo possa apresentar as questões elaboradas, justificando-as e submetendo-as à apreciação dos colegas; se for o caso, encaminhe um processo de votação para escolher as 5 questões mais bem formuladas para serem posteriormente aplicadas;
  • decida com a turma o universo da pesquisa, isto é, quantas pessoas serão convidadas a responder as perguntas elaboradas pelos alunos; convém lembrá-los que nem sempre a pessoa abordada está disposta, tem interesse ou aceita ser entrevistada – atitude que deve ser inteiramente respeitada pelo entrevistador;
  • prepare com eles o cabeçalho da folha de pesquisa; a ficha deve conter somente:

Título (Pesquisa sobre….)
Local e data de sua realização
Idade e sexo do entrevistado ou entrevistada
Nome do pesquisador
Cinco perguntas com as respectivas alternativas;

  • solicite que um deles digite a folha de pesquisa e combine com a turma a distribuição das cópias da ficha padrão para cada aluno;
  • oriente-os para que sejam respeitosos e corteses com os entrevistados.

4. Não é preciso mais do que uma semana para que os alunos dêem conta dessa tarefa que, acreditem, será muito prazerosa para eles e para você também.

Diga a eles que, após terem feito individualmente as pesquisas, devem também tabular os dados. Para tanto é necessário, primeiro, que anotem o número total de entrevistados. Depois, para cada uma das 5 perguntas

  • quantos responderam alternativa A
  • quantos responderam alternativa B
  • quantos responderam alternativa C

Com esses dados, e aplicando a regrinha de três, é possível transformar em gráfico os resultados da pesquisa.

Tanto a coleta quanto a tabulação dos dados são atividades que podem ser (aliás, convém que sejam) realizadas fora do horário das aulas. Para a tabulação dos dados e apresentação em gráfico da pesquisa, oriente-os para que, caso seja necessário, busquem apoio de outros professores, de familiares e de amigos.

5. No seu próximo encontro com a turma, sugira que formem grupos de 5 alunos e, a partir dos gráficos elaborados individualmente, seja feito um outro, agora do grupo, para ser apresentado a todos os colegas. Após as apresentações, é sua vez de, junto com eles, preparar o resultado final da pesquisa.

6. Serão necessários ainda, pelo menos, dois encontros para finalizar essa proposta de produção de conhecimentos. Primeiro, para discutir o processo da pesquisa, é muito importante que você dê espaço para que os alunos contem como tudo aconteceu, o que sentiram e pensaram ao prepararem e realizarem a pesquisa, as abordagens e reações dos entrevistados, as dificuldades encontradas, as situações engraçadas que vivenciaram etc.

Depois, com o resultado final da pesquisa devidamente tabulado, é hora de provocá-los para que, individualmente e em grupos, tentem interpretar as respostas. Peça a eles que produzam pequenos textos opinativos sobre o tema da pesquisa, comparando e citando os percentuais obtidos.

Depois dessa empreitada, que sem dúvida alguma será muito gratificante para você, é  importante que você se esforce em tornar públicos os resultados da pesquisa. Importantíssimo para os seus alunos, que terão o trabalho reconhecido e; claro, para você, que ousou coordenar uma atividade cujos resultados são socialmente tão significativos.

Que o maior número de pessoas tenha acesso a essa verdadeira produção de conhecimentos não somente é desejável, mas fundamental para que a sociedade tenha uma oportunidade real de saber mais sobre si mesma. Veja algumas sugestões.

Referência

Tropa de Elite, de José Padilha. Brasil, 2007, 118 minutos

Conta o dia-a-dia de policiais do BOPE – (Batalhão de Operações Policiais Especiais). Querendo deixar a corporação, o capitão do batalhão tenta encontrar um substituto para seu posto. Ao mesmo tempo, dois amigos de infância se tornam policiais e se destacam pelo modo honesto e honrado de realizar suas funções, não se conformando com a corrupção na qual estão envolvidos tanto os seus iguais quanto os seus superiores. A classificação do filme é 16 anos.

Assista a trechos do filme

Texto Original: Donizete Soares

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Visita virtual ao zoológico

Disciplina: Biologia
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Seres vivos e os ambientes em que vivem
Tipo: Sites
Grandes zoológicos, em todo o mundo, possuem sites que permitem visitas virtuais, nas quais os alunos podem conhecer diversas espécies animais. O do Zoológico de São Paulo   permite aos visitantes conhecer vários de seus animais.

As principais informações nele contidas são:

  • origem dos animais;
  • regiões em que vivem;
  • hábitos alimentares;
  • cuidados com animais ameaçados de extinção;
  • outras curiosidades.

Após uma primeira visita para conhecer o site e observar como ele está organizado, cada aluno escolhe um animal sobre o qual realizará uma pesquisa mais detalhada. Dependendo do nível dos alunos, é importante fornecer um roteiro para esse trabalho. Por exemplo:

  • nome popular;
  • nome científico;
  • local de origem (no Brasil ou no mundo);
  • hábitos alimentares;
  • outras informações de acordo com o plano do professor ou que o aluno considerar interessantes.

Em função dessa pesquisa, cada aluno prepara um cartaz com os dados, desenho e foto do animal. Para finalizar, organiza-se um painel de cartazes na classe. No painel, cada aluno fixa seu cartaz na parede e dá uma olhada geral para conhecer os animais dos cartazes dos colegas.

Essa é a forma mais simples de utilizar a visita virtual ao zoológico, e pode ser feita com alunos de 1ª a 4ª séries. Com alunos de 5ª a 8ª, é possível introduzir outras discussões, como por exemplo:

  • Que cuidados o zoológico precisa ter para manter vivo determinado animal, considerando o tipo de ambiente no qual ele vive na natureza?
  • Como é o recinto em que vivem as cobras, ou os mamíferos de grande porte como o elefante, o hipopótamo ou a girafa?

Com esse tipo de abordagem, o professor pode fazer uma discussão sobre o conceito de adaptação. Uma boa pergunta é:

  • Podemos colocar pingüins em um cercado a céu aberto? Por quê?

Se a atividade for realizada com alunos de Ensino Médio, outras discussões podem ser feitas, como por exemplo:

  • Quais são as características do ecossistema no qual determinado animal vive originalmente?

Neste caso, as pesquisas podem ser aprofundadas por meio da própria Internet. Utilizando um site de busca e digitando o nome científico do animal, muitas informações a respeito podem ser obtidas.

Finalmente, os alunos podem também escrever para os produtores do site (no item “Fale Conosco”) comentando o que acharam da visita e fazendo sugestões.

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Vendo o mundo com outros olhos

Disciplina: Biologia
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Genética, probabilidade
Tipo: Materiais didáticos

Objetivo:

  • Estimular a percepção dos alunos com relação aos conceitos biológicos envolvidos em situação cotidiana e entender casos especiais de genes recessivos ligados ao sexo, que são situados em região especial apenas do cromossomo X.
  • Relacionar características fenotípicas e genotípicas dos indivíduos.
  • Calcular probabilidades não apenas de indivíduos daltônicos, mas as demais probabilidades reais envolvidas, principalmente as que são ligadas ao sexo como a hemofilia.
  • Comparar com os colegas a diversidade de casos que envolvem esses conceitos de genética e probabilidade.

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Texto Original: Rived

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Sexo ou não

Disciplina: Biologia
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Biologia geral, ética, população, seres vivos
Tipo: Materiais didáticos

Objetivo:  Reconhecer o modo de atuação de alguns métodos anticoncepcionais; emitir julgamentos sobre alguns métodos anticoncepcionais; relacionar a biologia do espermatozóide e do óvulo aos métodos anticoncepcionais; construir quadros-resumo.

Pré-Requisito: Não é necessário.

Autoria: Miguel Thompson, Rodrigo Venturoso, Anna Christina de Azevedo Nascimento, Wellington Moura Maciel, Diogo Pontual, Juliana Rangel, Silvana Nietske, Kleber Sales – SEED/MEC

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Texto Original: Rived

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)