Professores trabalham o tema com os alunos


Eleições na escola

Textos disponíveis no portal ajudam a
preparar atividades sobre o assunto

Aí vêm elas mais uma vez. Para saber se os professores pretendiam levar o tema novamente para a sala de aula, o EducaRede lançou uma enquete durante duas semanas. O resultado trouxe 80% dos votos para a opção “sim”. Diante do placar arrasador, o Portal selecionou textos para serem trabalhados em aula.

Nas últimas eleições, ocorridas em 2002, foi publicada uma série de reportagens sobre voto consciente e pesquisa eleitoral que continuam sendo úteis para o trabalho do professor no atual pleito, dando dicas e aprofundando as discussões, ajudando-o nas atividades em sala de aula.

Destaque também para o tema Cidadania na seção O Assunto É e relato de projetos pedagógicos na seção Internet & Cia (ver quadro ao lado). Para este ano, foi reativado o Fórum sobre Eleições, com o objetivo de promover a troca de experiência sobre como a escola pode incentivar a participação dos jovens nos debates.

Alguns professores internautas destacaram a importäncia do tema para a formação do espírito crítico dos alunos. Sugeriram a abordagem do assunto em sala de aula de forma lúdica, para provocar interesse e facilitar a compreensão:

POR QUE ABORDAR AS ELEIÇÕES?

É o assunto do momento

?Os próprios alunos levantaram o tema durante uma discussão para a escolha da pauta de entrevistas do jornal que preparávamos. A curiosidade foi maior. Várias perguntas foram surgindo e ficou decidido que eles entrevistariam candidatos, para saber o que estavam oferecendo, e cidadãos, para descobrir o que esperavam?.


Profª Wendy Lucia Satiko Shinomya Ravagnani
Escola Estadual ?21 de Abril? ? Lins (SP)

A escola tem de orientar

?Vimos que precisávamos aproveitar o momento (…). Muitos jovens já votam e as informações dadas pela mídia não são suficientes e, muitas vezes, são deturpadas. Reunimos textos para discussão e tentaremos fazer um debate com os candidatos a vereador do bairro. Temos de orientar?.

Prof. Jerônimo Ramos Maia
Colégio Estadual José Augusto Tourinho Dantas – Salvador (BA)

Os alunos votam

?Muitos jovens já podem votar. Mas falam que não vão porque não entendem nada. Temos de explicar e mostrar a importância do voto, mesmo sendo facultativo. Afinal, eles mesmos serão beneficiários do bom ou mau governo que terão pela frente“.

Prof. Renato Santos
Escola Estadual Deputado Maurício Goulart – Guarulhos (SP)

O aluno também é cidadão

?Todo período eleitoral eu faço isso. Não tem jeito, é questão de cidadania. Toda vez que eu discuto o tema, sempre incentivo os alunos a levarem o assunto para os pais. Também peço para que façam os exercícios com eles (…) Temos de fazê-los curtir, trabalhando de forma lúdica… Fazê-los entender que estão participando de um processo?.

Prof. José Aparecido da Silva
Escola Estadual Hélios Heber Lino – São Paulo (SP)


(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

História da pesquisa

O sistema de voto

O voto é universal e obrigatório para todos os cidadãos que saibam ler e escrever e cujas idades oscilem entre 18 e 70 anos. O voto é optativo para os cidadãos a partir de 16 anos, para aqueles maiores de 70 anos e para os analfabetos de qualquer idade.

Os candidatos devem pertencer a um partido político. A inscrição de um partido político é feita no Tribunal Superior Eleitoral, condicionada ao cumprimento de certos requisitos mínimos estabelecidos pela lei.

A primeira pesquisa eleitoral feita no Brasil foi divulgada em maio de 1945. Era a primeira eleição presidencial depois de 15 anos de governo não-democrático de Getúlio Vargas. Publicada no “Diário da Noite”, o levantamento, feito pelo recém-criado Instituto Brasileiro de Opinião e Pesquisa (IBOPE), mostrava, em São Paulo, o candidato da oposição, o brigadeiro Eduardo Gomes, à frente do candidato da situação, o general Eurico Gaspar Dutra.

Na época, o instituto dividia o eleitorado de acordo com um critério bastante subjetivo, “grau de cultura”. No grau de cultura “superior”, Gomes tinha 42,5% dos votos, contra 11,7% de Dutra. Já no grau de cultura “elementar”, o candidato da situação levava vantagem: 22% contra 15,6%. O restante dos votos (nada menos do que 62,4%) era em “branco”.

No final, o candidato situacionista de Getúlio venceu por uma vantagem de quase 20% – já demonstrando que pesquisa é apenas um retrato de momento e não antecipa o resultado de uma eleição.

Evidentemente que de 1945 para cá muita coisa mudou. A começar pelo fato de que hoje em dia há diversos institutos que as realizam (IBOPE, Vox Populi, Data Folha, Sensus, Toledo & Associados, além de diversos institutos regionais). E não é só isso: as técnicas estão mais apuradas e os políticos incorporaram, de modo definitivo, as pesquisas a suas campanhas.

Na atual corrida sucessória, por exemplo, nenhum candidato abre mão delas – mesmo que, em público, por motivos meramente de marketing, declare que não acredita em seus números ou coisa que o valha. Os políticos parecem ter desenvolvido um padrão de declarações. Quando os números não os favorecem, a resposta mais tradicional (e batida) é a de que “a verdadeira pesquisa é aquela que acontece no dia da eleição” ou “não me preocupo com pesquisas”.

 

Como é feita uma pesquisa?

 

Uma pesquisa eleitoral é diferente de uma pesquisa para um produto. Para lançar um bem de consumo, as empresas fazem levantamentos cujos universos podem ser bastante restritos. A cidade de Curitiba (PR), por exemplo, pelo fato de possuir uma população grande de “classe média”, é bastante utilizada para pesquisas de produtos. Costuma-se dizer que o que é “aceito” na capital paranaense será aceito no Brasil.

O mesmo não ocorre, entretanto, com pesquisas eleitorais. Para captar as tendências de voto para Presidente da República, por exemplo, é necessário seguir critérios técnicos e metodológicos bastante rigorosos. Uma boa estratificação e um tamanho suficiente da amostra são os dois fatores fundamentais para a confiabilidade e o grau de erro de uma pesquisa eleitoral.

Ao grupo de pessoas a serem entrevistadas para uma determinada pesquisa dá-se o nome de amostra. Em geral, o número fica entre 2 a 5 mil indivíduos. Pode parecer uma quantidade insignificante, mas não é, pois está dentro de uma estimativa estatística. Conforme a técnica, a margem de erro alcançada seria a mesma para um universo de milhões, logo, não justificaria um aumento pesado nos custos do trabalho.

Outro parâmetro importante da amostra é o quão significativa da população ela é. É preciso haver uma distribuição de sexo, faixa etária, nível socio-econômico, localização geográfica, que possam ser uma representação fidedigna da população em geral, e que poderiam ter influência sobre o comportamento do voto.

O levantamento tem de ser feito em todo o território nacional. Deve envolver, no mínimo, 200 municípios (quanto mais dispersa a amostragem, melhor). Dos aspectos técnicos, a elaboração do questionário é o mais crucial. Perguntas de caráter neutro, que não induzam a respostas, nem permitam entendimento ambíguo. E não dá para chegar no entrevistado interrogando diretamente em quem ele vai votar. É preciso se aproximar por etapas, construir as questões de modo que ele se situe no universo da pesquisa, para, aí sim, apresentar os nomes dos candidatos (que devem estar dispostos em um papel circular, tipo uma pizza, para que nenhum nome fique em primeiro lugar – o que poderia interferir na resposta).

A margem de erro é um importante parâmetro a ser observado. Em geral, fica em torno de 2 a 4%, o que significa que os números divulgados podem ter uma variação para cima ou para baixo de dois ou mais pontos percentuais. Geralmente, quando sai divulgado na imprensa que candidato X está dois pontos à frente do candidato Y, a informação precisa ser relativizada, pois há uma margem de erro importante a ser considerada. Nesse caso, o mais correto seria escrever que eles estão em situação de empate técnico, que não existe diferença estatisticamente significativa.

 

 

*Rogério Jordão é jornalista e autor do livro “Crime (quase) Perfeito
Corrupção e Lavagem de Dinheiro no Brasil”
(Ed. Fundação Perseu Abramo)

 

Os sites indicados neste texto foram visitados em 06/09/2002

Como Não Ser Enganado nas Eleições

Como Não Ser Enganado nas Eleições

Disciplina:

História

Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Cidadania política
Tipo: Texto

Onde encontrar: Em livrarias ou na Editora Ática

Atualmente, constata-se uma diminuição do interesse das pessoas em geral pela política. Trata-se de um fenômeno que extrapola nossas fronteiras, atingindo países de todos os continentes, ricos e pobres igualmente.

Vários autores têm se dedicado ao assunto, dos mais variados pontos de vista. Em que pesem as razões mais “globalizadas”, aqui no Brasil temos motivos de sobra para o desinteresse e o descaso da cidadania: a gravidade dos problemas sociais que se arrastam por séculos é um deles. Muitas pessoas desanimam e justificam sua descrença e seu conformismo na incapacidade dos políticos brasileiros de transformarem essa situação.

É certo que boa parte de nossos políticos contribui para esse descrédito. Mas geralmente esquecemos que vivemos em um regime democrático, isto é, elegemos periodicamente os nossos representantes. Então: nós escolhemos os políticos que estão no governo, muitas vezes nos deixando enganar com discursos vazios e promessas mirabolantes, para não falar de outros mecanismos mais escusos.

Se acreditarmos que as coisas podem ser diferentes e que a escola tem um papel importante na formação da cidadania dos alunos, então devemos considerar que há muito o que fazer para estimular discussões entre eles e sensibilizá-los para a importância de uma participação maior nos rumos da cidade e do país, começando por uma escolha mais consciente e responsável dos nossos governantes.

Um material que pode ajudar nessa tarefa é o livro “Como Não Ser Enganado nas Eleições”, coordenado por Gilberto Dimenstein, com a colaboração de profissionais de diversas áreas, como Herbert de Souza (o Betinho), Bolívar Lamounier, Boris Casoy, Cacá Rosset, Gustavo Venturi, Júnia Nogueira de Sá e outros.

Nos textos, cada um desses autores se propõe a desvendar os mecanismos de “enganação” dos eleitores, a partir do conhecimento de que dispõem nas suas respectivas áreas. Destaques:

  • O ensaio fotográfico-humorístico do ator Cacá Rosset, ao longo do livro, expondo ao ridículo os chavões e as atitudes mais comuns dos políticos tradicionais.
  • O artigo “Você Pode Confiar nos Jornais?”, da jornalista Júnia Nogueira de Sá, na época ombudsman do jornal “Folha de São Paulo”.
  • As preciosas dicas do sociólogo Gustavo Venturi, para que os eleitores não sejam enganados pela forma como são apresentados e/ou interpretados os resultados das pesquisas eleitorais.
  • O texto-base do coordenador do livro, jornalista Gilberto Dimenstein.Esse livro proporciona oportunidade de trabalho bem interessante, começando com uma leitura do texto completo, se possível, em casa. Depois, em várias aulas, planejadas com os professores de Língua Portuguesa, História, Geografia, Filosofia e Educação Artística, pode-se abordar um meio de comunicação por vez, escolhendo os textos adequados no livro e usando as próprias questões ali apontadas como problematização inicial.

    Por exemplo, uma aula sobre “Jornal e Eleições” pode começar com a pergunta feita por Júnia no seu artigo (p. 20): “Mas será que se pode confiar em tudo – tudo – o que sai publicado nas revistas e jornais?”. Depois de ouvir e registrar as respostas dos alunos, a leitura oral e a discussão do texto pode ser enriquecida por contribuições do professor de Língua Portuguesa, sobre o jornal como veículo de comunicação e suas diferentes propostas de trabalho com a notícia – a leitura crítica de jornais.

    Com essa base inicial, a classe organizada em grupos pode fazer um acompanhamento das eleições em diversos jornais, comparando notícias e editoriais sobre as eleições e os candidatos, procurando reforçar seu olhar crítico com as indicações dos demais textos do livro.

    Pode-se, também, propor atividades envolvendo outros aspectos tratados no livro: eleições e TV, o marketing dos candidatos e outros.

    Em tempo: A ONG Transparência Brasil disponibiliza informações recolhidas em bancos de dados públicos a respeito de candidatos à Câmara dos Deputados nas eleições de 2006. “A intenção é propiciar ao eleitor uma decisão mais informada sobre seu voto para deputado federal”, explica o site. Que tal desenvolver um trabalho usando essas informações? Endereço: http://perfil.transparencia.org.br/

    Referências:
    DIMENSTEIN, Gilberto (coord.). Como Não Ser Enganado nas Eleições. São Paulo: Ática, 1994.

    Texto original: Ronilde Rocha Machado
    Edição: Equipe EducaRede

    Os sites desta página foram visitados em 18/08/2006

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
05/09/2002