Planejar é parte do processo

Planejar é parte do processo

Coordenadora do setor de Tecnologias na Educação da SME de São Paulo falou aos internautas do EducaRede sobre a importância do planejamento escolar e o uso das TIC’s em sala de aula

Atual coordenadora do setor de Tecnologias na Educação da SME de São Paulo, a educadora Lia Paraventi falou, num bate-papo com internautas do EducaRede, na última quinta-feira, 19/02, entre outras coisas sobre a importância do Planejamento Escolar e, especialmente sobre o uso da informática em sala de aula.

Pedagoga e Professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, a educadora aproveitou a experiência como diretora de escola da rede municipal para atentar sobre a importância de aproveitar o início do ano letivo para preparar o planejamento do Projeto Pedagógico da escola, que, segundo ela, deve permear o currículo durante todo o ano letivo.

De acordo com Lia, toda a comunidade escolar deve fazer parte do desenvolvimento desse projeto. “O PP da escola deve contar com a participação de pais e alunos, pois trata da escola que se quer. Do levantamento de prioridades para se chegar à escola desejada. Do seu plano de curso, devem constar as metas, objetivos e estratégias que deem conta de atender as prioridades do PP”, afirmou Lia:

A educadora também falou sobre a importância do uso da informática na escola e sobre o diagnóstico que a SME fez do Letramento Digital dos seus alunos. “Os resultados foram fantásticos… É um bom indicador para conhecermos a realidade de cada escola, de cada Diretoria Regional e da própria cidade de São Paulo”, revelou. Confira o chat na íntegra:

Moderador
Bem-vindos ao Bate-papo Educarede!


Lia Paraventi

Olá a todos, é um prazer participar desse chat que trata do planejamento escolar.

Moderador
Nana: Boa tarde, Lia

Lia Paraventi
fala com Nana: Oi, Nana, tudo bem?

Moderador
Clarice: Como devemos planejar a sala de informática para receber os alunos?

Lia Paraventi
fala com Clarice: Este é um momento fundamental para o decorrer de todo ano letivo. O primeiro passo é estabelecer com os alunos os critérios de uso da sala de informática, uma vez que o cominado pode sempre ser cobrado.

Moderador
Fernanda: Boa tarde, Lia, tudo bem?

Moderador
Douglas: Olá, Lia, tudo bem?

Moderador
Clarice: Como o professor pode lidar com as diferenças de conhecimento entre os alunos dentro da sala de informática?

Lia Paraventi
fala com Clarice: As tecnologias possibilitam essa ação, pois tratam com as diferentes linguagens. Se entende o computador como um portador de múltiplas e diferentes linguagens, poderá adequar qualquer atividade oferecendo oportunidade a todos os alunos, mesmo que na mesma sala. Um aluno que ainda não sabe ler pode participar gravando, por exemplo. Temos o caderno de Tecnologias que traz muitas atividades diversificadas, justamente para atender todos os alunos.

Moderador
Fernanda: Lia, quando você fala do caderno ele está disponível na sala ou é dado para cada aluno?

Lia Paraventi
fala com Fernanda: A SME publicou um Caderno de Orientações Didáticas – Ler e Escrever – Tecnologias na Educação. Trata-se de um referencial prático metodológico para o professor. Você pode acessá-lo no Portal EducaRede, em publicações, pois é um livro virtual.

Moderador
Douglas: Lia, muito obrigado pela resposta dada a professora Fernanda, também pretendo acessar o Caderno de Orientações para melhor trabalhar a questão das Tecnologias a serviço da Educação.

Moderador
Nana: Quais ações estão previstas na SME para o ano de 2009?


Lia Paraventi
fala com Nana: Na área de Tecnologias, vamos desenvolver o projeto Minha Terra com a participação dos alunos monitores. Esperamos que todas as escolas da rede participem, pois está centrado em ações de protagonismo dos alunos.

Moderador
Douglas: Sou professor da Rede Estadual de São Paulo, seria possível participar do projeto?

Lia Paraventi
fala com Douglas: Você será bem vindo. É uma comunidade aberta para o Brasil. Nós da Prefeitura de São Paulo criaremos pautas adequando a realidade dos Projetos Pedagógicos de nossas escolas, bem como faremos encontros presenciais com os educadores de nossa rede para acompanhamento das etapas do projeto. Desses presenciais, infelizmente, você não poderá participar, pois são parte do nosso projeto dentro do Minha Terra.

Moderador
Teresa: Lia, como o professor deve se preparar para enfrentar a diferença entre o seu conhecimento sobre informática e o dos alunos, uma vez que os jovens estão cada vez mais plugados à Internet?


Lia Paraventi

fala com Tereza: O professor deve simplesmente entender que não é necessário que ele saiba antes para apresentar a proposta. Deve estar aberto a aprender com o aluno, pois este se sentirá motivado e orgulhoso de poder contribuir também com o seu próprio conhecimento em relação às tecnologias. O professor deve estar seguro de sua proposta pedagógica, dos caminhos a percorrer e de como irá orientar seus alunos. Se a proposta for uma apresentação da produção final em Vídeo, por exemplo, ele simplesmente lança o desafio para o aluno e descobre com este e seus parceiros como fazer.

Moderador
Clarice: Quais são os principais pontos que eu devo levar em consideração quando penso no planejamento escolar?

Lia Paraventi
fala com Clarice: Estabelecer metas é o primeiro passo. Lembre-se de que as metas devem ser mensuráveis. Ex.: Ampliar em 20% o uso de câmeras digitais nos projetos dos alunos. Como você percebe, a meta tem como referência um indicador anterior. Se você não tiver indicadores avaliativos para se basear em 2008, aproveite para indicá-los no seu planejamento 2009. Mesmo não havendo indicador anterior estabeleça metas concretas para 2009. Os objetivos são o porquê da meta estabelecida. Por que é importante ampliar o uso de câmeras digitais em 2009? Você deve ter clareza do que deseja, para poder estabelecer, então, as estratégias, que são as ações a serem desenvolvidas para atingir os objetivos e metas. Pense também no tempo.

Moderador
Claudio: Como o professor deve lidar com a paixão que os jovens tem pelo Orkut?

Lia Paraventi
fala com Claudio: Claudio, o Orkut nada mais é do que um espaço para o aluno se comunicar. A paixão dele não é o Orkut, mas a comunicação. Temos experiência de dois anos em comunidades virtuais e em nossa rede essa febre de Orkut e MSN já está focada para a comunicação diária dos alunos em outros espaços.

Moderador
Claudio: Obrigado Lia, gostei da sua resposta sobre o Orkut.. é isto mesmo… a gente se deixa levar pela tecnologia em si, e esquece de pensar nas suas aplicações…

Moderador
Claudio: Como professor, acho um desafio trabalhar com alunos que tenham necessidades especiais. E usar tecnologias com ele então, deve ser um grande desafio. A SMESP tem alguma preocupação/proposta para isso?

Moderador
Douglas: Cara professora Lia, também compartilho da inquietação do professor Claudio, uma vez que também lido com essa realidade em minha escola. A senhora não acredita que primeiramente o professor deveria ser capacitado adequadamente para o trabalho com o aluno portador de necessidade especial, antes de incluí-lo nas salas de informática?

Lia Paraventi
fala com Claudio e Douglas: É nosso desafio também. Este ano estamos propondo um trabalho da comunidade surda em comunidade virtual de aprendizagem. Também publicaremos um livro virtual ( ainda não temos o nome certo) mas a idéia seria: pequenas soluções para grandes problemas. Buscaremos essas soluções nas práticas da própria rede. Acreditamos que disponibilizar na Internet e possibilitar que a rede converse e compartilhe seus avanços e dificuldades é a melhor solução.

Moderador
Mila: Lia, as escolas têm discutido e incluindo o uso das TICs, da sala de informática nos seus PPPs?

Lia Paraventi
fala com Mila: Mila, a rede contou com sete dias de planejamento escolar antes do início das aulas e o retorno que tivemos foi um grande avanço dessa articulação de áreas do conhecimento e uso de tecnologias. Parece-nos que está ficando claro que pesquisar, por exemplo, passa antes por aprender a … e não simplesmente pesquisar o tema que o professor da sala de aula sugere ao aluno. Se o aluno aprende a avaliar sites, focar conteúdos e analisá-los os alunos poderão pesquisar com qualidade qualquer tema e em qualquer momento.

Moderador
Clarice: Lia, a informática pode perpassar todas as disciplinas?

Lia Paraventi
fala com Clarice: Pode e deve também ir muito além. Fico preocupada quando o professor pensa as tecnologias somente nas áreas do conhecimento, pois pode acabar por engessar um trabalho que vai além. A autoria, o protagonismo, a comunicação da aprendizagem e a própria aprendizagem colaborativa podem levar a construções de conhecimento para além de conteúdos elencados pelas disciplinas.

Moderador
Laura: Sei que a prefeitura de SP mantém professores de informática. Isso não dificulta que os outros professores se apropriem?

Lia Paraventi
fala com Laura: As pessoas só se apropriam daquilo que sentem necessidades. Nosso foco é o aluno e sua inclusão digital por meio das diferentes linguagens midiáticas. Temos sim um Professor Orientador, com uma aula semanal no laboratório para atender as necessidades dessa era de Pesquisa, comunicação e publicação na Internet. Se o professor necessita de algo em relação às tecnologias para atender uma necessidade pedagógica em função do aluno o POIE poderá ajudá-lo.

Moderador
Jailson: O que você acha de secretarias que proíbem o uso de orkut, messenger ? Os alunos descobrem jeitos de entrar…

Lia Paraventi
fala com Jailson: Na Rede Municipal, o Orkut e o MSN estão bloqueados, pois oferecemos outras formas de comunicação que estão dando resultado. Eles mesmo descobrem que internet não é só Orkut e MSN. Quando o professor deseja desenvolver um a proposta utilizando o Orkut ou MSN, ele solicita e a secretaria desbloqueia em sua escola.

Moderador
Jailson: Li o Caderno de Tecnologias no EducaRede e gostei muito. Por que São Paulo não divulga essa experiência para outras cidades? Reunir boas práticas num material para todos é uma ótima idéia.

Lia Paraventi
fala com Jailson: Você é nosso convidado para entrar no projeto Minha Terra. Nas etapas de trabalho também indicaremos atividades do caderno. Ele já está disponibilizado na Internet, pois acreditamos na produção compartilhada e na socialização. Você também pode divulgar, afinal é assim que construímos uma grande rede, não é mesmo?

Moderador
Fernanda: Lia, pais e alunos também podem participar do planejamento escolar ou só professores e coordenadores?

Lia Paraventi
fala com Fernanda: O projeto Pedagógico da escola deve contar com a participação de pais e alunos, pois trata da escola que se quer. Do levantamento de prioridades para se chegar à escola desejada. Do seu plano de curso, devem constar as metas, objetivos e estratégias que deem conta de atender as prioridades do PP.

Moderador
Douglas: Cara Lia, tenho percebido que o projeto Minha Terra é uma iniciativa louvável da SME da cidade de São Paulo. A senhora já pensou em firmar parceria com a Secretaria Estadual ?

Moderador
Mila: Oi Douglas, sou do EducaRede, essa parceria do Minha Terra com a SEE-SP já existe. Acredito que, em 2008, a maioria das escolas receberam o cartaz de divulgação, inclusive utilizamos a videoconferência da SEE para conectar os participantes de todo o Brasil…

Moderador
Douglas: Mila, obrigado pela informação, mas infelizmente minha escola não recebeu informação alguma a respeito do projeto, muito obrigado pela resposta e procurarei me informar melhor sobre essa parceria.

Moderador
Mila: Douglas, você já pode conhecer a comunidade Minha Terra 2009 e se cadastrar. Assim, quando começar o projeto você será avisado.

Moderador
Douglas: Cara Mila, vou me cadastrar na comunidade Minha Terra 2009 e pretendo participar com muito carinho. Obrigado pelo convite. Caros amigos professores, foi um prazer enorme participar desse bate-papo, mas infelizmente preciso sair. Grande abraço a todos e em especial a Professora Lia pelas dicas preciosas.

Moderador
Lucimeire: Lia, que tal falar um pouquinho mais sobre as tecnologias nos Projetos Pedagógicos das Unidades…

Lia Paraventi
fala com Lucimeire: As TIC’s devem estar presentes no Projeto Pedagógico da U.E. uma vez que este trata da escola que se quer e não há mais como a escola se distanciar das linguagens midiáticas que as TIC’s representam e são portadoras. Ao elaborar o PP é preciso pensar se a escola pretende ser uma escola desta era e como irá lidar então com isso. Se os professores ainda não sentem necessidade ou percebem a importância das TIC’s no universo educacional é preciso lembrar, mais uma vez que os alunos necessitam, desejam e já transitam nessa linguagem com e
iciência. 

Moderador
Mila: Lia, em 2008 a SME fez um diagnóstico do `letramento digital` dos seus alunos. Conte um pouco sobre essa pesquisa para nós. Há algum resultado que te surpreendeu???

Lia Paraventi
fala com Mila: Os resultados foram fantásticos. É indicador para o planejamento 2009 tanto da SME como das escolas. Foram dois momentos: no primeiro semestre enviamos a devolutiva para as escolas e a porcentagem do que os alunos já sabiam em relação às tecnologias. Com base nesses dados combinamos que alguns recursos deveriam ser potencializados pelos professores para que os alunos não avançassem sem o conhecimento necessário e pudessem se nivelar aos demais. No diagnóstico do 2º semestre, tivemos avanços em todos os item elencados. É um bom indicador para conhecermos a realidade de cada escola, de cada Diretoria Regional e da própria cidade de São Paulo.

Moderador
Cleide Marina1: Lia, Boa tarde!

Lia Paraventi
fala com Cleide Marina1: Você já iniciou seu plano?

Moderador
Cleide Marina1: Sim, já iniciei e estou buscando formas de integrar a linguagem tecnológica ao cotidiano da escola

Moderador
Cris: Olá Lia,

Lia Paraventi
fala com Cris: Olá Cris, de onde você tecla?

Moderador
Cris: Estou no Campo Limpo, queria reforçar a importância de nosso trabalho em parceria com o CEFAI. Já estamos tendo mil ideias e isso pode ajudar todos os que tiverem acesso às informações.

Moderador
Cris: A idéia de parceria com o CEFAI dará muito frutos, a recepção tem sido muito boa.

Lia Paraventi
fala com Cris: Essa gestão de comunidade compartilhada será para nós também um grande desafio e muitos aprendizagens.

Moderador
Marcela (DRE CS): Lia, Boa tarde!

Moderador
Marcela (DRE CS): Nossos professores estão ansiosos por saber mais sobre o projeto Minha Terra, pois veem de encontro com o PP das escolas.

 

Lia Paraventi
fala com Marcela (DRE CS): Estamos criando pautas para atender todos os anos e ciclos. Pode ter certeza de que será um grande projeto. Para deixá-los mais ansiosos posso dizer que trabalharemos com reportagens, mas isso é só o começo. Também sabemos que um bom projeto é sempre reavaliado no processo e deve acontecer com o Minha Terra também.

Moderador
Renata: Lia, gostei muito da ideia do projeto Minha Terra, será muito prazeroso.

Lia Paraventi
fala com Renata: O projeto Minha será sim muito prazeroso e aprenderemos muito com as trocas entre os outros estados do Brasil.

Moderador
Mila: Lia, e o diagnóstico do `letramento digital` dos professores, vocês já fizeram? Pensam em fazê-lo?

Lia Paraventi
fala com Mila: O letramento digital dos professores será expresso na avaliação global de SME. Neste momento, estamos centrados no letramento digital dos alunos, pois entendemos que serão eles os precursores do letramento digital dos professores. Criamos estratégias para que o aluno leve propostas para o professor e assim vamos criando uma “rede de necessidades” entre eles. Já iniciamos com a publicação de histórias de vida dos professores na internet e os alunos os ajudaram a publicar. Acreditamos muito nesse caminho.

Moderador
Claudio: Lia, cai mas voltei… obrigado pela resposta sobre TICs e alunos com necessidades especiais… que bom vocês estarem avançando nisso e preocupados em construir. Tornem público a experiência de vocês para que nos, professores da rede estadual, possamos aprender também

Lia Paraventi
fala com Claudio: Disponibilizaremos sempre todo o material que elaborarmos. Como nossas publicações são realizadas colaborativamente, esperamos poder contar com suas sugestões e dificuldades também.

Moderador
Ju Sampaio: Boa tarde.

Lia Paraventi
fala com Ju Sampaio: De onde você é?

Moderador
Ju Sampaio: Ops, me desculpe a falta de educação: Boa tarde, prazer em estar `ouvindo` você. Sou professora, não da rede, e estou em casa agora, não na universidade.

Lia Paraventi
fala com Ju Sampaio: Você poderia compartilhar conosco como estão sendo incluídas as TIC’s no currículo nas universidades. O acha?

Moderador
Ju Sampaio: Lia, não há necessidade de desculpas! 🙂 Moro em Campinas/SP. Leciono, por EaD, arte.

Moderador
Ju Sampaio: Lia, e os demais, não posso falar por todas as universidades, é claro, mas as TIC’s estão presentes e fazem parte do cotidiano da maioria das que conheço e/ou trabalho. Leciono por EaD web-mediada em uma licenciatura em artes visuais. Mas, mesmo nas presenciais, a presença é uma constante. Há disciplinas específicas, por exemplo, nos cursos de pedagogia, voltadas à formação de professores dentro dessa realidade.

Moderador
Ju Sampaio: Desde 1999, quando comecei a trabalhar com as TIC em universidades, as propostas de formação de professores com uso destas tecnologias só vem aumentando. Algumas equivocadas, é verdade, mas o mais importante é que há a preocupação na formação de professores que transitem com alguma desenvoltura nessa realidade.

Moderador
Mila: Ok Lia. Aproveito para parabenizar você, sua equipe, a SME-SP e todos os envolvidos pelas tantas ações em prol do uso pedagógico das TICs e da inclusão digital que vocês desenvolvem… Um abraço. 

Moderador
Cleide Marina1: Foi um prazer enorme participar desse bate-papo. Parabéns e um grande abraço.

Lia Paraventi
fala com Todos: O tempo acabou… Gostaria de agradecer a participação de todos. Não esqueçam, o planejamento escolar é essencial.

Moderador
Lia, o EducaRede agradece a sua participação e a de todos os internautas.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Plano de Desenvolvimento da Educação é solução?

“Melhoria da qualidade da Educação
depende mais da escola do que de Plano”

O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) foi anunciado em 24 de abril pelo Governo Federal como um programa de impacto para melhorar a realidade do ensino público no país. Com grande repercussão na mídia, foi acompanhado com cautela por muitos professores e especialistas em Políticas Públicas para a Educação. Uma delas é Lisete Arelaro, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), ex-secretária de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, em Diadema/SP, e um dos pesquisadores que mais entendem do assunto. Por isso, o EducaRede a convidou para ser entrevista por internautas, de modo geral, durante um bate-papo realizado em 16 de maio de 2007. Confira abaixo a íntegra, editada, dessa conversa. Para saber mais sobre o PDE, clique nos links abaixo:

Lelia Lyra: A criação de bolsas para jovens de baixa renda voltarem a estudar, incrementos no crédito estudantil para acesso à universidade e aliança do Ensino Médio com Ensino Profissionalizante são as únicas medidas do PDE para beneficiar a juventude? Que outras ações do Plano visam a juventude? Que relação têm essas medidas com a melhoria de qualidade na Educação, que parece ser o objetivo central do PDE?

Profª Lisete: Bem, Leila, as propostas apresentadas como PDE – apesar de não se constituir efetivamente num Plano – podem ser entendidas de várias formas. Se por um lado, ele não está preocupado/dirigido aos jovens, acredito que ampliar as vagas nas universidades públicas, por exemplo, facilitar a acessibilidade dos jovens portadores de deficiência, são alternativas que valorizam nossa juventude. Você não acha?

Lelia Lyra: Sem dúvida. A senhora diz que o PDE não se constitui efetivamente num plano. No que consiste?

Profª Lisete: O PDE é um conjunto de boas e de equivocadas intenções ministeriais, mas não traduz – nem de longe – os estudos que o próprio MEC dispõe sobre as condições de ensino no Brasil. E é uma proposta de “uma mão só”. Só o MEC e o Ministro discutiram e – parece! – gostaram…

Lelia Lyra: Ou seja, o PDE não é uma política pública. Qual seria a política pública ideal para a Educação?

Profª Lisete: A melhoria da qualidade de ensino depende muito mais do projeto político-pedagógico que cada escola tenha construído, coletivamente, com os diferentes segmentos que participam da vida escolar, do que de medidas gerencialistas, que o Planalto “baixe”, para serem cumpridas pelas e por todas as escolas… Neste sentido, é difícil dizer que elas tenham qualquer relação direta com a qualidade de ensino no Brasil.

Alice: Gostaria de saber o que você destacaria como indicadores principais para melhorar a Educação, porque creio que cobrar resultados não é suficiente.

Profª Lisete: Eu acredito que o levantamento do conjunto de fatores que interferem no processo de ensino-aprendizagem, dentre eles as condições de vida dos alunos e as condições de trabalho dos professores são variáveis intervenientes que precisam ser levadas em conta em qualquer processo de melhoria da qualidade de ensino.

Laysa1: Professora, concordo quando diz que ampliar as vagas nas universidades públicas e facilitar o acesso dos jovens portadores de deficiência, dentre outras ações, são alternativas que valorizam a juventude. Porém, é preciso garantir não apenas o acesso, mas também a permanência desses jovens nesses espaços. Para tanto, devemos levar em conta a qualidade dessa Educação, sem deixar de lado os profissionais que atuam dentro das escolas e universidades. Diante disso, o que propõe o PDE?

Profª Lisete: Como já enfatizei, o PDE não é – nem pretende ser – um “Plano” que dê conta das necessidades do ensino brasileiro. Para isso, passamos discutindo o Plano Nacional de Educação (PNE), com 10 anos de duração, que sequer foi avaliado e cujas metas não estão “corrigidas” pelo PDE. A garantia de boa formação inicial, entendida como o 1º curso de nível superior que o professor cursa, é variável fundamental, que define as “formações em serviço”. As condições de trabalho nas Universidades, entendida como o tripé necessário – ensino/pesquisa/extensão – cada vez menos realizados nas Universidades, em cuja maioria (privada), a pesquisa é desconsiderada e os professores atuam como professores-horistas gera um “gargalo” de qualidade, cuja ação – esta sim! – de fiscalização do MEC é essencial.

Alice: A formação continuada é uma boa estratégia para melhorar o desempenho profissional do professor?

Profª Lisete: Sem dúvida, porém, temos que considerar um novo fenômeno nacional: a formação inicial do professor tem sido “desqualificada” propositadamente, em nome de uma “rapidez” de formação injustificável para a função que ele vai exercer. Assim, estamos criando um círculo vicioso onde, pela má formação inicial, criamos uma “indústria” de formações continuadas que, menos do que atualizar o professor, tenta “compensá-lo”, pela frágil formação inicial. Eu entendo que a formação continuada é feita, especialmente, quando o corpo de professores de cada escola do Ensino Básico pode se reunir para discutir o trabalho educacional que vem desempenhando… É um bom momento de formação, quase nunca valorizado!

Fernando J: A senhora acredita que há boa vontade por parte do governo em investir em Educação neste país?

Profª Lisete: Fernando, não sei o que você entende como “boa vontade”, mas o investimento real do Governo é pouco. Você chamaria isso de “má vontade”? Há uma preocupação de caráter mais gerencial do que de “investidor” na Educação.

Laysa1: Pelo Projeto de Lei que propõe o piso nacional, têm direito a salário mensal de R$ 850,00 os profissionais do magistério com jornada de 40 horas semanais – o professor que está na sala de aula. Tudo o que vi acerca da adoção desse piso salarial só me deixou com mais dúvidas. E os Estados e Municípios que possuem um piso salarial acima do estipulado?

Profª Lisete: Como eu disse ao Fernando (ministro da Educação), não se pode identificar – com os dados disponíveis até agora – uma disposição ousada do Governo Federal para com novos recursos para a Educação. O piso proposto, infelizmente, traduz isso. Todo Governo admite que professores ganham mal, porém, raríssimos atuam no sentido de reverter esta situação. O MEC perde uma oportunidade de incentivar isso – até porque não vai ser ele que estará arcando com as conseqüências. Mas os professores do Brasil – que perderam o piso nacional unificado do magistério  com a Emenda Constitucional 14/1996 – e esperavam recuperá-lo com a EC 53, que criou o Fundeb, ficaram certamente desesperançados. Quem recebe a mais, vai manter o piso em que está, no entanto, o ritmo de “aumentos ou atualizações salariais” será certamente reduzido ainda mais.

Lelia Lyra: O especialista em Educação Claudio Moura Castro diz que a maior crise da Educação brasileira é que, para os brasileiros, não há crise. Os brasileiros não fazem demanda por qualidade na Educação. A senhora concorda?

Profª Lisete: Discordo do Claudio M. Castro. Ele precisa visitar mais as nossas escolas. Tem vida inteligente lá! A qualidade começa a ser uma preocupação cada vez maior de toda a sociedade, em especial dos que nunca tinham tido o direito de lá estarem.

Laysa1: Que relação tem o PDE e o Fundeb?

Profª Lisete: Eu penso que nenhuma, pois o Fundeb – com todas as críticas que precisam ser feitas à opção de política de Fundos – traduz uma alternativa importante ao Fundef. Além disso, ele vem sendo debatido, no Brasil, desde 1999, por diferentes grupos: sindicatos, entidades científicas, escolas, partidos políticos, fóruns diversificados de Educação etc. O PDE, não. Acordamos de manhã, e vagas idéias – algumas novas, outras “requentadas” – estavam na mídia. Aliás, mais na mídia que nas discussões do próprio MEC, e menos ainda da sociedade brasileira.

Marcelo Bezerra Martins: Como educador, gestor educacional e especialista das áreas de Currículo, Formação Docente e Gestão Pública, venho lendo bastantes artigos que tratam sobre o PDE. Mas vale ressaltar que a Política do PDE é de inclusão, eqüidade e responsabilidade social. Contudo, ficam algumas provocações: o que dizer do salário dos docentes, mesmo com o piso nacional de R$ 850,00, para jornada de 40h? O que dizer da formação docente, em que ainda temos índices alarmantes de docentes sem a formação MÍNIMA exigida pela LDB 9.394/96? O que dizer da qualidade de nossas escolas, em que a maioria não possui biblioteca, outras nem sanitário? Acredito nas mudanças na Educação e que através dela conseguiremos reduzir o apartheid social vigente. Mas acredito que pensar na eqüidade é garantir melhoria na qualidade de vida dos envolvidos no processo, inclusive docentes! Pensem nisso, quem sabe assim o PDE poderá ficar mais encorpado e garantir a Justiça que tanto sonhamos!

Profª Lisete: Marcelo, eu concordo com suas preocupações, mas gostaria de ponderar com você se, de fato, o PDE traduz uma POLÍTICA EDUCACIONAL de inclusão, radicalizada, quero dizer, para além de propostas avulsas. Hoje, no mundo ocidental, a eqüidade é usada para que os “desiguais” (leia-se: os pobres), se sintam “um pouco mais incluídos”, pela desgraça do mais “desgraçado” do que ele, utilizando-se a categoria “pobreza” como justificativa cínica para o não atendimento dos direitos sociais básicos a todos. Eu, cidadã pobre, me “consolo/conformo”, ao saber que não pude ser atendida, mas um outro, “muito mais pobre que eu”, teve a chance… Você não acha que os R$850,00 traduzem isto? Certamente, cem dos mais de 5500 municípios alegariam que não poderiam pagar, por exemplo, R$ 1500,00, por uma jornada de 30 horas ao professor de Educação Básica. Então, você, eu, e outros, “abrimos” mão – não só de recebermos – mas de reivindicarmos uma melhoria salarial, em nome dos (poucos) que não poderiam efetivamente pagar, mas que o MEC poderia perfeitamente complementar. Pense nisso.

Profª Lisete: Bem, colegas, gostei bastante do “papo”. Quem quiser continuar este debate agradável e … interminável, pode me “emeiar”:liselaro@usp.br. Um abraço a todos (as).

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

José Manuel Moran

“Precisamos aprender o que conservar e o que mudar” diante das tecnologias


Em seu texto “As mudanças perto de nós”, o senhor afirma que: “A humanidade sempre aprendeu a conviver com inovações, mas atualmente a sucessão delas é alucinante e a quantidade de implicações, freqüentemente desconhecida”. Em Educação, já podemos listar algumas dessas implicações?

 

O professor aposentado pela Escola de Comunicações e Artes da USP, e diretor da Faculdade Sumaré, José Manuel Moran, conversou com os internautas do Portal EducaRede na última terça-feira (06/11). A sala de chat ficou cheia neste animado bate-papo, em que foram abordados diversos assuntos, principalmente ligados à tecnologia, área em que Moran pesquisa. A capacitação e motivação dos professores para lidarem com as inovações tecnológicas, o Ensino a Distância, a mediação e o uso dos blogs como ferramenta pedagógica estão entre os temas. Confira abaixo trechos do encontro virtual:


Renata

Moran Estamos um pouco perdidos, porque não basta mudar por mudar. Precisamos aprender o que conservar e o que mudar. Educar é sempre um processo humano, de relação entre pessoas, hoje mais mediado por tecnologias. Isso não é simples, porque implica repensar a forma de organizar o processo a que estávamos acostumados.

Profª Lu LinneuConcordo com você que a inovação incomoda aos que não querem mudar suas práticas. Mas como motivá-los a participar e se envolver em projetos novos?

Moran Envolver os outros tecnologicamente é um processo longo, que demora no mínimo dois anos até a apropriação pedagógica. O importante é mostrar resultados e fazer a iniciação tecnológica com grande afetividade e carinho. Alguns professores só falam das tecnologias em si, mas temos que falar também dos encontros, da aprendizagem humana com tecnologias.

Tiago EmmanuelComo é possível utilizar a tecnologia para melhorar a qualidade do ensino nas escolas públicas? Percebe-se uma grande defasagem dos professores em relação aos alunos quando o assunto é o acesso à informática.

Moran – Acesso e capacitação contínua é o caminho. Começam a ser implantados projetos mais consistentes dos governos (nos três níveis) para que as escolas públicas estejam conectadas, tenham mais computadores em rede, façam cursos de formação de professores, além do projeto de um computador popular para cada aluno.

Josiene VilelaComo mudar a metodologia enraizada na prática docente? E como vencer a resistência dos professores?

Moran A metodologia focada em conteúdo e no professor está dentro do DNA da escola e de todos nós, porque é o caminho que conhecemos até agora. A mudança se dá por experiências de grupos e pelo apoio de gestores inovadores. Precisamos juntar-nos aos professores inovadores e aos gestores inovadores.

Miguel Podemos falar em ganhos qualitativos com a utilização das novas tecnologias, principalmente na Educação Fundamental?

Moran Até agora conseguimos ganhos parciais no uso das tecnologias, porque também sua utilização foi parcial. O ganho fundamental se dá quando avançamos na integração do humano, do emocional e do ético, junto com o tecnológico. Essa integração tem sido deficiente, mas creio que estamos caminhando para situações melhores.

Nice Fale um pouco sobre as relações de ensino e aprendizagem que essa nova tecnologia (computador e Internet) está criando em sala de aula?

Moran – O computador e a Internet podem ser utilizados em contextos diferentes, isto é, podem reforçar o ensino convencional ou servir de apoio para situações mais ricas, focadas em aprendizagem significativa, colaborativa e baseada em pesquisa e projetos. Acredito que estamos caminhando para esta nova dimensão, mas não é fácil, muitos ainda não reconhecem a importância de trazer estas tecnologias para dentro da escola.

Vinni Meu nome é Vinicius. Sou aluno–monitor da escola Linneu Prestes. Quero saber do senhor quais tecnologias o aluno tem que ter para estar no mundo globalizado?

Moran As tecnologias que precisamos são todas, as simples e as mais sofisticadas. As melhores são as possíveis no momento. Podendo escolher, vale a pena utilizar as que sensibilizam o aluno, como a Internet, o celular, o podcast (programas digitais sonoros), os blogs e tantas outras.

Ana Estou fazendo minha monografia na área de tecnologia. Diante de tantas inovações, qual o maior desafio enfrentado hoje pelos professores?

Moran – O maior desafio é entrar em sintonia com os alunos, sensibilizá-los, atraí-los, torná-los parceiros, despertar neles o desejo de aprender. Feito isso, é facil utilizar as tecnologias e qualquer técnica.

Domingos O senhor acredita na Educação brasileira da forma como vem sendo realizada na escola pública, com as séries cada vez mais reduzidas e os professores ensinado pouco e os alunos nada estudando?

Moran Eu acredito que a Educação tende a melhorar na medida em que todos estamos mais conscientes da sua importância para mudar o país, mas isso não se faz num passe de mágica; é preciso muito esforço integrado e várias décadas.

Kelly A utilização das TICs nas escolas públicas poderão se tornar uma breve e prazerosa realidade. Qual sua opinião a respeito?

Moran Vejo com esperança o avanço da escola pública na integração das tecnologias. No próximo ano, 300 escolas estarão totalmente conectadas com os computadores populares na sala de aula; em 2009 esse número será muito maior.

Evanildo É sabido que as modernas tecnologias se tornaram ferramentas indispensáveis à Educação em todo o mundo. O senhor acredita que nós já estamos acompanhando as mudanças exigidas pelas modernas tecnologias?

Moran Estamos muito aquém do que precisamos. O Brasil é muito desigual e contraditório. Há grupos extremamente avançados tecnologicamente e outros muitos excluídos. Tendemos a melhorar, mas depende de cada um de nós.

Ana Maria Gosto muito da utilização de multimídias. Porém, um dos problemas é justamente o uso da sala de informática. Um projeto que trabalhe Matemática, por exemplo, requer várias horas com muitas turmas diferentes e variados programas. A escola pública ainda não é capaz de oferecer a nós, docentes, uma infra-estrutura para isso. Como melhorar as condições do uso dos equipamentos como política educacional, e não somente para dizer que há uma sala de informática nas escolas?

Moran Concordo com a dificuldade da utilização do laboratório. Caminhamos para a escola conectada (salas de aula conectadas, ambientes de redes sem fio) e não só o laboratório. Isso trará grandes mudanças para as possibilidades de flexibilização dos processos de ensino e aprendizagem.

Cláudia Os alunos que temos hoje dentro da sala de aula se encaixam no perfil dos alunos co-pesquisadores, ativos no processo do seu próprio aprendizado, citados em seus textos? A transição dos nossos alunos para aqueles dos textos será rápida?

Moran – O aluno chega motivado à escola quando pequeno e, com o passar do tempo, se desmotiva. Por que será? O que oferecemos é o que ele espera e da forma que ele precisa? Há um divórcio profundo nas propostas de ensino com as formas usuais de aprender, e se não quebrarmos esse fosso, a desmotivação será cada vez maior.

Marcos AurélioComo será a escola do futuro? Qual será a real participação do professor nesta nova escola?

Moran A escola do futuro será um conjunto de espaços e tempos, mais flexíveis nas propostas, mas sempre com a mediação de professores humanistas, confiáveis e competentes. O que faz uma boa escola são os bons profissionais, professores competentes e motivados. As tecnologias permitem que a informação seja acessada pelo aluno de qualquer lugar, mas a aprendizagem contextualizada, ao menos no começo, depende da mediação dos professores.

Fernanda Eu moro em Jales e estou cursando Pedagogia na modalidade a distância pela UFSCar. Estou estudando vários textos seus e experimentando suas idéias na prática. É realmente inovador e motivador. Também sou professora de Matemática no Ensino Fundamental. Como eu poderia, sem muitos recursos, transformar minhas aulas em aulas-pesquisa. No Ensino Fundamental isto é possível?

Moran Obrigado por colocar em prática algumas das idéias dos textos. Em qualquer situação é possível focar a pesquisa, o desenvolvimento de atividades, de projetos. O material pode ser diferente, ou a forma. Mesmo sem acesso à Internet é possível focar essa aprendizagem ativa e colaborativa.

Fábio Em seu texto “A Educação que desejamos”, aparece o conceito “aulas-pesquisa”. O senhor poderia falar um pouco sobre esse conceito?

Moran São aulas em que o fundamental não é o professor passar a informação, mas organizar situações em que os alunos, individualmente ou em pequenos grupos, busquem a informação (com a mediação do professor) e a contextualizem, a reelaborem, a comuniquem para todos, e a apliquem à sua realidade. Por isso o papel do professor é importante, não tanto como falante, mas como mediador.

Solange/Mogi Mirim Sou ATP no Núcleo de Informática e desenvolvo, em conjunto com meu grupo, uma proposta de Rádio Web no curso de Especialização de Tecnologia em Educação, pela PUC–Rio, para escolas de tempo integral, como recurso de interação do currículo comum e oficinas. Nosso trabalho tem como embasamento idéias para desenvolvimento de habilidades e competências dos alunos. Gostaria de conhecer o seu ponto a esse respeito, já que o senhor foi um de nossos motivadores.

Moran Fico feliz com a proposta de Rádio Web. Os alunos gostam de falar, de integrar música e voz, além de divulgar isso para todos. O rádio, nas suas várias modalidades, é barato e permite a integração de conteúdos e a motivação dos alunos. Continuem avançando no projeto.

Santos Quando falamos em produzir conhecimento coletivamente, percebo que existe o silêncio virtual. As postagens em ambientes virtuais de aprendizagem/interação por meio de debates pelos fóruns ou listas de discussão por e-mail, são mínimas. Como instigar o aluno para uma participação mais ativa?

Moran Há silêncios preocupantes e silêncios estimulantes. Existem pessoas que observam, meditam, mas nem sempre contribuem tanto quanto outras. Elas aprendem bastante, mesmo com interação pequena. Concordo com o seu receio pela falta de exposição de muitos em ambientes virtuais, além da falta de cultura da escrita em muitos professores e alunos. A escrita deixa um registro permanente e muitos não gostam de se expor. A cultura se cria com a prática, com o incentivo e com temáticas interessantes para o aluno. Nós escrevemos mais facilmente sobre temas que conhecemos bem, como, por exemplo, futebol, não é verdade?

Prof. PedroO senhor tem um blog, o Educação Inovadora, que se apresenta como uma ferramenta para dialogar sobre as grandes mudanças que estão acontecendo na Educação em todos os seus níveis. Qual sua opinião sobre o uso de blogs como ferramenta pedagógica?

Moran O blog é uma página mais dinâmica, porque as pessoas podem opinar sobre os assuntos postados. É fácil de escrever, atualizar, ilustrar e comentar. Parece-me um recurso muito rico para a aprendizagem. Eu combino uma página mais fixa com textos prontos e o blog, com uma possibilidade maior de interação.

Julieta Gouveia Estou aprendendo agora sobre as novas TICs. Quais as principais ferramentas para uma aprendizagem tecnológica?

Moran Sucesso em sua aprendizagem tecnológica! As ferramentas são as possíveis na sua situação. Vídeo, cd, softwares interessantes, saber pesquisar na Internet, organizar um ambiente de grupos na Internet, criar um blog, fazer um programa de rádio e daí por adiante, até dominar um ambiente de aprendizagem como o Moodle, por exemplo. Caminhe do simples ao complexo, no seu ritmo e de acordo com suas possibilidades.

MarceloO senhor acha que as ferramentas chat,
em>Msn, e Orkut podem ser utilizadas como forma de ensino nos laboratórios de informática?

Moran Qualquer recurso de comunicação ou página de relacionamento tem suas vantagens e desvantagens. Os programas de comunicação online, como o msn, são úteis para trabalho em grupo, para orientação dos alunos, para tirar dúvidas, mas muitos os utilizam para entretenimento e bate–papo dispersivo. Dependem de como são utilizados. O Orkut também tem sua utilidade, embora as pessoas o vejam mais como um site de relacionamento do que de aprendizagem. Pode ser um espaço inicial de colaboração, mas há muitos outros (páginas de grupo) que se adaptam melhor para o ensino e aprendizagem.

Domingos Como o senhor vê a avalanche de universidades virtuais?

Moran Realmente há uma explosão de universidades virtuais, de cursos a distância, principalmente por teleconferência (satélite e tele-aula). Se, além das aulas, existem atividades, leituras e mediação interessantes, valem a pena. A questão é se temos mediadores (tutores) bem capacitados e remunerados para essa mediação (aqui vejo um problema mal resolvido em muitas destas universidades).

Marcos Maurício Um renomado professor da Educação da USP dizia que as ciências cognitivas eram um emaranhado de disciplinas como Ciência da Computação, Neurolingüística e Semiologia, e que se transformaram em verborréia. O senhor acha que com o surgimento das novas tecnologias na escola as ciências cognitivas voltam a ter importância nas atuais questões sobre Educação?

Moran Educar é ajudar a compreender, a conhecer. As áreas de conhecimento são especializações diante de um conhecimento cada vez mais complexo. Ninguém conhece tudo, mas é importante que tenhamos instrumentos para o conhecimento autônomo, em rede e humilde. Sabemos um pouco, não sabemos muito. A Educação é fundamentalmente a organização de processos cada vez mais ricos de conhecimento. Se não for dessa forma, estaremos nos enganando.

Ângela O senhor concorda que a partir das novas tecnologias conseguimos atrair, sensibilizar e tornar nossos alunos parceiros?

Moran Concordo que a boa utilização das tecnologias nos aproxima dos alunos, mas junto com elas precisamos mostrar que somos pessoas interessantes, abertas e confiáveis. Sem dúvida os alunos estão bem atentos a todas essas possibilidades que as tecnologias nos oferecem.

Marly Entendo que a primeira grande barreira a se transpor é o professor se enxergar novamente como aluno, o que considero algo mais complicado. O professor se tornar aluno de seus alunos.

Moran Quanto mais aprendemos e estamos abertos como alunos, mais facilmente encontraremos formas de ensinar e de orientar os nossos. Quando mais aprendemos, mais podemos contribuir para a aprendizagem de todos.

Grace Estamos caminhando cada vez mais para um mundo virtual. Como essa experiência pode ser positiva tratando-se do Ensino Fundamental?

Moran O mundo virtual é uma extensão do nosso mundo físico, e se integra o tempo todo. Nós estamos agora conectados virtualmente e estamos aprendendo. O Ensino Fundamental precisa dosar o presencial, o contato físico e as atividades virtuais. O aluno pode estar fisicamente na sala de aula e muitas vezes conectado, em grupo e individualmente, pesquisando. Ainda nos falta o acesso fácil a essa realidade conectada. Mas o Ensino Fundamental também integrará a presença física e os ambientes virtuais.

Kelly Percebo em seus textos a forte preocupação em equilibrar o advento das TICs com os valores morais e éticos, porém, vivemos numa sociedade bastante competitiva e individualista. Como nós, educadores, conseguiremos alcançar tal objetivo?

Moran Não é fácil conciliar colaboração e competição, mas é nosso desafio. Podemos ser bons competidores e colaboradores, dependendo do momento, da situação, do contexto. A formação precisa incluir cada vez mais a dimensão colaboradora, o aprender juntos, a troca. Mas a competência pessoal e a capacidade de lidar com conflitos, com as contradições pessoais e sociais também serão cobradas. Temos de encontrar um caminho positivo, de esperança, mesmo diante de um contexto social bastante difícil e violento. Sermos educadores com esperanças e não catastrofistas.

Sabine Como o senhor vê o e-learning coorporativo atual? Como será o futuro desta área na sua opinião? 

Moran Acredito que estamos passando de uma primeira fase, com um e–learning focado em conteúdos prontos para outro focado em competências e colaboração. Há cursos que são instrumentais e basta acessá-los com atenção e há outros em que a mediação é mais necessária, para a aquisição das competências desejadas. As corporações precisam de muita inovação pedagógica também. Há muita mesmice.

Agradeço a todos pelas perguntas tão ricas e variadas. Desculpem-me ter que respondê-las de forma às vezes simplista, pelo tempo e poucas linhas de cada resposta. Vejo em vocês pessoas comprometidas e que estão aprendendo a mudar. Contem comigo no que precisarem e procurarei continuar atualizando a discussão com textos, experiências e incentivo. Obrigado pelo apoio de vocês e continuem avançando, ajudando uns aos outros. Grande abraço para cada um de vocês e até breve.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Comunidades virtuais

Comunidades virtuais é tema de bate papo

Com a participação de 70 pessoas em sala de bate-papo do EducaRede, a professora Vani Kensi, da USP, esclareceu diversos aspectos ligados ao tema

Comunidades virtuais de aprendizagem foi o assunto do bate-papo que aconteceu nesta terça-feira, dia 20, no portal EducaRede com a Vani Kenski, professora da USP e diretora da ABED (Associação Brasileira de Educação a Distância).

Mas o que é uma comunidade virtual? “O nome comunidade virou moda. Mas a formação de comunidades de aprendizagem depende da articulação, integração, adesão de todos a objetivos comuns de aprendizagem e colaboração para chegarmos ao ideal almejado”, ressaltou Vani, que respondeu a muitas perguntas de 70 pessoas que participaram do chat.

“Não basta o fato de se montar um curso e reunir a turma para termos uma CVA (comunidade virtual de aprendizagem). Ao contrário, a comunidade tem princípios e atitudes de colaboração e preocupação com o crescimento e o aprendizado de todos”, completou.

Quando indagada sobre como fazer os participantes se envolverem numa comunidade virtual de aprendizagem, a convidada aconselhou “é preciso que o professor (tutor, moderador) esteja atento, envie um e-mail para o “ausente” mostrando sinceramente que está sentindo falta da participação dele. Esta é uma boa maneira de “acordá-lo” para a participação”.

Para finalizar a professora Vani disse: “Todos nós que atuamos na reflexão-ação sobre CVA e aprendizagem online temos que estar mais próximos, trocando realmente nossas experiências. Este é o principio da colaboração para fazermos mais e melhor o nosso trabalho em educação.”

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Laís Bodanzky fala sobre cinema e comunidade

Com a participação de cerca de 30 pessoas em sala de bate-papo do EducaRede, a diretora dos filmes “Bichos de Sete Cabeças” e “Chega de Saudade” contou sobre suas influências, deu dicas para jovens que se interessam pela carreira cinematográfica, explicou o que acontece no projeto Cine Tela Brasil, entre outros assuntos.

 

A paixão pelo cinema e como ele pode ser um grande fator na formação do cidadão, esses foram os dois principais temas abordados no bate-papo que aconteceu nesta segunda-feira, dia 11, no portal EducaRede com Laís Bodanzky, diretora dos filmes “Bicho de Sete Cabeças” e “Chega de Saudade”.

“O gostoso do cinema é que ele é uma janela para o mundo. Mesmo sendo um filme de ficção, você conhece uma outra cultura”, disse a cineasta. Uma questão muito levantada pelos internautas foi o preconceito que uma mulher na direção de um filme pode sofrer. “Nunca senti preconceito pelo fato de ser mulher. Acho que a geração da Tizuka Yamazaki teve que encarar este problema. Essas mulheres fortes me ofereceram um delicioso campo de trabalho. Mas curiosamente quando finalizei o ‘Bicho de Sete Cabeças’, na Itália, senti na pele o preconceito. Não só de ser mulher mas de ser uma diretora estreante e do terceiro mundo”, contou Laís.

Já sobre os jovens que sonham um dia ser cineasta, Laís dá uma dica importante: “Eu comparo a câmera de vídeo com a caixinha de fósforo usada pelos músicos. O brasileiro é muito criativo, ele já provou isso na música. Aos poucos estamos mostrando que no audiovisual também somos criativos. Quem quer seguir uma carreira cinematográfica, tem que primeiro pensar o que você tem para dizer para o mundo. Será que outras pessoas vão se interessar? Essa história precisa ser vital para você pois o caminho para realizá-lo será muito duro apesar de divertido. Um curso é sempre bacana, mas não tenha medo de por a mão na massa. Faça um vídeo com uma câmera do vizinho, o celular do pai, etc. Mas faça. E depois faça de novo e de novo.”

Cine Tela Brasil

“O Projeto surgiu há 12 anos atrás, em um formato mambembe. Era só o Luiz Bolognesi e eu exibindo filmes de curta-metragem em praças, escolas, associações de bairro, etc. Sempre de graça para um público que estava vendo o cinema provavelmente pela primeira vez. Nós como realizadores, sentíamos dificuldade em exibir os nossos próprios filmes e de amigos também”, explicou Laís, que completou: “Nossos objetivos são vários: “Formação de público, distribuição de bens culturais, espaço de exibição para o cinema brasileiro, ocupação do espaço público, apoio à atividades escolares e principalmente por pura diversão.”

Confira vídeo sobre o lançamento da sala em São Paulo e uma entrevista com a cineasta.

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Sexualidade: qual a sua dúvida?


Sexualidade: qual a sua dúvida?

Professores e estudantes fazem perguntas sobre o assunto ao médico Jairo Bouer,
durante chat no EducaRede

 

Na época do Carnaval, o tema “sexualidade” ganha destaque na mídia. Na escola, a festa pode ser um mote para tratar de questões como mudanças no corpo, DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis), gravidez precoce, Aids e alterações no comportamento.  Mas não se engane: as dúvidas dos alunos rondam a sala de aula o ano todo. No entanto, muitos professores têm dúvidas sobre como agir diante dessas questões e trabalhar o tema em aula.

Em bate-papo realizado no EducaRede, professores e alunos entrevistaram o médico Jairo Bouer, especialista em sexualidade. Educadores perguntaram ao médico, conhecido entre os jovens, a respeito de atividades para as aulas e atitudes que podem adotar diante de situações inusitadas. Os estudantes também tiraram dúvidas. E, diferentemente do que acontece em aula, expuseram abertamente suas perguntas. Confira os melhores momentos desta conversa.

 

:: Sexualidade na escola

Mariana: Sou professora do Ensino Fundamental I (alunos de 1ª a 4ª séries) e gostaria de saber como posso trabalhar o tema sexualidade com crianças dessa faixa etária?

Jairo Bouer, colunista da Folha de S. Paulo e apresentador de programas de TV sobre sexualidade
Foto: Divulgação

Jairo Bouer: É importante trabalhar dentro do universo de experiências e percepções dessa faixa de idade. Para isso, você pode começar pesquisando o que eles sabem sobre o assunto. Começar com tratando do corpo e suas mudanças é sempre uma boa idéia.

Jarbas: Estamos na sala de Informática da nossa escola. Os alunos ficaram muito interessados em poder conversar com você. Queria que você sugerisse tipos de atividades como esta para tratar do assunto na escola.
Jairo: Discussão de filmes que abordam a questão da sexualidade, pesquisa coletiva na Internet sobre assuntos relevantes, peças de teatro, discussão de materiais em jornais e em revistas… Tudo isso pode colaborar para a discussão ficar mais bacana e mais interessante.

Marta: Qual a disciplina curricular mais adequada para abordar o tema sexualidade. Só Ciências? Por que não nas aulas de Português ou História, por exemplo?
Jairo: Não existe disciplina ideal e sim disciplina em que o professor está disposto a aprender e discutir o assunto.

Jarbas: É interessante envolver a comunidade local (pais, agentes de saúde etc.) nas atividades escolares. Mas como fazer isso para falar de sexo?
Jairo Bouer: É verdade. Você pode começar apresentando dados e estatísticas que comprovem o quanto falar de sexo com essa galerinha é importante.

:: Sem medo de tratar o tema

Renata: O que fazer com as crianças que ficam se masturbando na sala de aula?
Jairo: É preciso explicar que a masturbação é uma forma de buscar o prazer e que deve ser feita quando a pessoa está sozinha, em situação de privacidade. Não se pode permitir que a criança se masturbe numa situação inapropriada, como na sala de aula. E esse limite tem que ficar claro.

Mariana: Tenho um aluno de oito anos que apresenta comportamentos delicados. O que fazer para a classe respeitá-lo do jeito que ele é?
Jairo: Discutir as diferenças em sala de aula, sem colocar o aluno no foco das discussões é um começo. Até porque nem todo garoto com atitudes mais delicadas será homossexual. Se acontecer alguma situação extrema, um terapeuta pode ser convidado para conversar com a classe. Violência e agressividade devem ser punidas.

Priscila: Acho que minha professora tem vergonha de falar sobre sexo com a gente. Que dica você poderia me dar para que ela possa falar mais sobre esse assunto com a turma? Muitos alunos têm dúvidas.
Jairo: Elaborem uma lista com os assuntos que querem discutir e façam a proposta para a professora. Se ela se mostrar resistente, sempre existe a possibilidade de vocês montarem um grupo de estudos e checarem na Internet ou na biblioteca algumas dúvidas.

Zuleika: Gosto muito do seu programa. Gostaria de saber como é usar a mídia para falar de um assunto “médico”?
Jairo: A mídia é um importante e poderoso recurso para se trabalhar a informação. Prevenção, saúde, qualidade de vida são exemplos de temas que, quando bem trabalhados na mídia, podem causar um grande impacto positivo no comportamento das pessoas. É isso que a gente tenta fazer.

:: Dúvidas freqüentes

Carol: Tenho 13 anos e gostaria de saber sobre a sexualidade de meninas da minha faixa etária…
Jairo: As garotas hoje em dia começam as suas mudanças corporais, inclusive a menstruação, mais cedo do que em décadas passadas. O início da vida sexual também é mais precoce: hoje, em torno de 15,5 anos para vocês meninas… Mas isso não é regra. É importante estar bem informada, saber prevenir, negociar o uso da camisinha e ter responsabilidade sobre o que você está fazendo.

Cris: Você disse que a menstruação está vindo mais cedo agora do que antigamente. O que tem causado essa mudança?
Jairo: Provavelmente, a melhora do padrão nutricional da população e o fato de que as garotas estão atingindo um peso corporal maior mais cedo. Especialistas acham que a maior quantidade de estímulos em geral também poderiam ter um efeito nessa antecipação.

Lia Aparecida de Azevedo: A liberdade sexual, junto com a desestrutura familiar, podem ter influenciado o aumento de GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes)?
Jairo: Em parte, a maior liberdade sexual junto com a diminuição de preconceitos e a existência de uma maior flexibilidade dos modelos de relacionamento e família possibilita para as pessoas viverem desejos e experiências sem tanto medo ou cobrança.

Miriam: É homossexualidade ou homossexualismo? Qual a diferença?
Jairo: Os especialistas preferem homossexualidade, que se refere a uma situação, e não homossexualismo, que poderia denotar distúrbio ou doença.

Marcos Faveri: Por que quando as mulheres têm sua primeira relação sexual, sua ?cabeça? muda? E o corpo também?
Jairo: O corpo não muda por causa da relação, mas a cabeça sim. Principalmente porque a primeira transa é vista quase como uma passagem para a vida adulta.

João Carlos: Tenho que ir ao médico com freqüência como as mulheres? Por que elas vão tanto ao ginecologista? Como saber se o ginecologista é bom pra atender minha namorada?
Jairo: As mulheres devem ir ao ginecologista pelo menos uma vez por ano. O critério de indicação é pessoal e tem a ver com as referências que se recebem do médico e da empatia que surge entre o médico e o paciente. O garoto não precisa ser consultado com a mesma freqüência, mas é bom visitar um médico sempre que houver dúvida.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)