Imitando animais

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Teatro
Tipo: Metodologias

Quando se trabalha com jogos teatrais, o objetivo é ampliar a expressividade gestual dos alunos. É preciso ter em mente que todo trabalho de teatro deve começar com um aquecimento físico a fim de preparar o corpo para que se possa trabalhar sua expressividade.

Para isso, proponha um aquecimento físico com música. Inicialmente, os alunos, orientados pelo professor, deverão se locomover no espaço, explorando-o. A consigna consiste em acompanhar o ritmo da música movimentando o corpo na altura do chão, na altura de quem está andando e no mais alto nível que conseguirem.

Com o corpo aquecido, passa-se ao aquecimento do pensamento/imagem, que consiste em um levantamento do conhecimento prévio dos alunos sobre bichos que se locomovem na altura do chão, na altura do andar humano e em alturas maiores.

Proponha que eles ocupem um lugar no espaço da sala divididos em três grupos:

um canto para os animais que se locomovem e produzem movimentos na altura do chão;

outro espaço para aqueles que querem trabalhar a expressividade dos animais que se locomovem no nível médio;

outro espaço para os que querem trabalhar com alturas maiores.

Os grupos devem realizar ensaios representando o bicho anteriormente imaginado. Depois, os alunos sentam-se no chão de forma que ocupem todo o espaço da sala, e cada um apresenta seu animal e imita sua forma de ser, ressaltando:

posição do animal parado;
forma de locomoção;
voz (som que emite);
expressão física do animal.

Com a ajuda de todo o grupo, o professor pode propor também algumas situações nas quais os animais podem estar dormindo, comendo, passeando etc.

Novas situações de cenas podem ser criadas:

Uma conversa entre o animal que se locomove no alto e o rastejante.

Uma confusão criada pelos animais que se locomovem no nível médio.

Uma coisa engraçada que acontece nos três grupos de animais…

No decorrer da atividade, é interessante a troca de personagens para que os alunos possam vivenciar diversos animais e, conseqüentemente, diferentes maneiras de produzir gestos e sons.

No final da atividade, faça uma avaliação a partir das respostas dos alunos sobre o que foi mais difícil fazer, o que foi mais fácil e o que eles gostariam de ter feito e não aconteceu nessa aula, e aproveite esse material para preparar a próxima aula de teatro com o seu grupo.

Para aprofundar:

É interessante olhar livros e revistas com informações sobre animais, conversar sobre seus hábitos, programar visitas ao zoológico, resgatar conhecimentos prévios dos alunos sobre animais, assistir a filmes e vídeos com imagens de animais…

Texto original: Lelê Ancona
Consultoria pedagógica: Anamélia Bueno Buoro
Edição: Equipe EducaRede

Os sites indicados neste texto foram visitados em 06/05/2003

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Fugindo do estereótipo I – Projeto “Árvore”

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Observação e desenho
Tipo: Artes Visuais

Nas produções artísticas de alunos da 4a série são comuns alguns desenhos estereotipados como a casinha, a árvore de maçãs, o “homem palito”, pássaros em forma de um “v”, sol com carinha, entre outros.

O desenho estereotipado se justifica porque as crianças os identificam como aceitos, um tipo de desenho que elas “não erram” ao realizá-lo. Esses desenhos estereotipados, no entanto, acabam por limitar as descobertas visuais e a capacidade de expressão das crianças, reduzindo seu repertório visual e expressivo.

Assim, propor desafios para os alunos desenharem, descobrindo, com o professor, novas maneiras de realizar esses desenhos consagrados amplia o conhecimento e desenvolve a expressão.

Propomos um trabalho, em três aulas, sobre o tema “árvore”, pois é um dos desenhos freqüentemente realizados pelos alunos a partir do estereótipo. Quando solicitados a desenhar uma árvore costumam apresentá-la com copa verde e maçãs vermelhas.

Na primeira aula, converse com os alunos sobre as variedades de árvores que existem, leve-os a perceber que cada tipo de árvore tem formas, linhas, cores, folhas, tamanhos, flores e frutos diferentes. Em seguida, convide-os a dar uma volta no quarteirão da escola ou em algum outro lugar próximo, descobrindo e observando pausadamente as diferentes árvores existentes. Conversem sobre os detalhes, as semelhanças e diferenças entre uma e outra.

Ao observar essas árvores, os alunos podem registrar as observações com rascunhos de desenhos ou anotações descritivas. Se não houver pelo menos duas árvores nas proximidades da escola, passa-se para a etapa seguinte, que é a de observação de árvores em reproduções, fotografias etc.

Se for possível, peça aos alunos que tragam de casa recortes de revistas e jornais, calendários, fotografias ou selos que contenham imagens de árvores para a próxima aula.

Para essa aula, leve reproduções de diferentes épocas com imagens de árvores que mostrem os vários momentos da História da Arte como os antigos egípcios, os artistas japoneses, os africanos, as árvores no Renascimento e na Arte Contemporânea. Pode ser interessante trazer a série de árvores criadas por Mondrian, que pode ser encontrada em livros de arte.

Mostre essas imagens aos alunos e compare-as entre si e com as que os alunos trouxeram; proponha a observação de semelhanças e diferenças entre elas, as diversas cores que existem, quantos tons de verde conseguem identificar, as muitas formas, texturas, tipos de folha, flores, galhos, troncos e as variadas formas que os artistas usam para representar uma árvore.

Cole as imagens que você trouxe no centro de cartolinas grandes e peça que cada aluno escolha uma imagem de árvore que ele trouxe e cole em uma dessas cartolinas, justificando para a classe por que essas imagens devem ficar juntas. Monte, assim, vários painéis que poderão ser colocados nas paredes da sala. Conversem sobre esses painéis e os detalhes que os impressionaram. Procure estimulá-los a perceber que, em Arte, não existem duas árvores iguais, a não ser que usemos um tipo de reprodução para copiar o modelo.

Na aula seguinte, com os painéis expostos, proponha a cada aluno escolher um detalhe de árvore para ser desenhado, como os galhos, as folhas, a forma externa da árvore, a forma dos galhos etc. É interessante que eles utilizem todo o espaço da folha. Depois, organize os desenhos agrupando-os pelos temas desenhados: folhas, galhos, raízes, formatos etc.

Exponha os trabalhos para que todos observem os resultados dos temas tratados que, em geral, são bons, bens diferentes das eternas árvores com maçãs.

Discuta com os alunos sobre a possibilidade de fazer o desenho de um modo novo, que fuja ao lugar comum. Reveja com eles as condições desse trabalho de arte – procurar conhecer o que se vai representar, observar ou mesmo imaginar esse objeto ou situação de um jeito diferente do habitual, buscar novas formas de representá-lo.

Referência
Ticuna. O livro das árvores. Benjamin Constant: Global, 2000.
Programa “Um pé de que?” – Canal Futura, apresentado por Regina Casé.

Texto original: Maria Terezinha Teles Guerra
Consultoria pedagógica: Anamélia Bueno Buoro
Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Estudo de cores

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Cores
Tipo: Artes Visuais

As cores utilizadas pelos artistas na pintura de suas obras são um dos elementos da linguagem plástica que, com a linha, a forma e os materiais, constroem os sentidos das obras de arte. Para que as crianças possam perceber a força da cor na obra dos artistas sugerimos aos professores a realização do seguinte trabalho:

Primeira aula

Entregue para cada criança uma cópia em xerox preto-e-branco da obra Paisagem Brasileira, de Lasar Segall.

Os alunos deverão pintá-la com lápis de cor ou giz de cera, colorindo essa imagem da maneira que melhor lhes convier.

Guarde os trabalhos para a aula seguinte.

Segunda aula

Pendure na parede todos os trabalhos dos alunos e junto deles uma cópia colorida da obra “Paisagem Brasileira”, de Lasar Segall.

Peça aos alunos que observem todos os trabalhos do grupo e a obra de arte do artista assinalando:

as que chamam mais atenção e por quê;
se alguém conseguiu pintar igual ao artista;
as cores que o artista utilizou na sua pintura;
se a obra do artista chama mais atenção do que o trabalho dos alunos;
se alguém conseguiu ser tão caprichoso quanto o artista;
se existem, na pintura do artista, cores que se repetem;
onde elas estão e quais são;
o que acontece na pintura de Lasar Segall;
o que os alunos vêem na pintura do artista;
que cor mais aparece nessa pintura.

Ao observar todos os trabalhos e as cores predominantes da pintura do artista, o professor pode mostrar ao grupo outras obras de Segall do período de Paisagem Brasileira e perceber os temas, as cores usadas e tentar descobrir por que as pinturas dessa fase do artista são tão coloridas. Essas informações podem ser obtidas no site do Museu Lasar Segall.

Terceira aula

Para finalizar esse trabalho, que objetiva o conhecimento e o uso de cores, o professor poderá propor aos alunos a pintura da paisagem brasileira por eles imaginada a partir da motivação criada pela obra apresentada. Será que ela é diferente da pintada por Lasar Segall? Por quê?

A sugestão é que os alunos pintem com cores primárias, que você explicará quais são e por que são chamadas assim. Exponha os resultados juntando a eles o xerox colorido da obra do artista.

Outro ponto importante é sistematizar e registrar os conhecimentos adquiridos a respeito do artista e acerca das cores escrevendo sobre o que os alunos aprenderam com esse trabalho. Por fim, decida com os alunos o local ideal para a exposição dos trabalhos.

Texto original: Lelê Ancona
Consultoria pedagógica: Anamélia Bueno Buoro
Edição: Equipe EducaRede

Os sites indicados neste texto foram visitados em 08/05/2003

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Enquanto a Tristeza não Vem

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto:
Tipo: Metodologias

Link para o curta: http://portacurtas.org.br/filme/?name=enquanto_a_tristeza_nao_vem

O compositor Sérgio Ricardo expõe sua visão acerca da história do Brasil de JK aos nossos dias, salientando, sobretudo, os descaminhos da cultura brasileira a partir do golpe militar de 64. Coragem e ousadia marcam o emocionante depoimento.

Clique aqui e veja a proposta de trabalho

Texto Original: Projeto Porta-Curtas

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Diálogo entre sons e gestos

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: A gestualidade do corpo, o ritmo da música no espaço, a expressão plástica
Tipo: Metodologias

O ensino de Arte na escola abrange as linguagens visual, musical, corporal e cênica. Essa proposta de atividade, que procura desenvolver nos alunos a percepção do diálogo entre linguagens artísticas por meio de exercício prático, trabalha três dessas quatros linguagens, permitindo aos alunos estabelecerem relações entre as composições gráfica, sonora e corporal.

Primeira aula – As linguagens artísticas

Converse com os alunos sobre as diversas linguagens que eles conhecem: a da música, a visual, a da dança, a do teatro, a verbal. Todas elas, freqüentemente, estabelecem uma comunicação entre si, como o diálogo que a linguagem verbal cria com a linguagem musical quando os artistas compõem a letra e a música de uma canção, unindo música e letra na construção de um significado único.

Descubra com eles outras formas de diálogos entre linguagens. Reflita sobre as variadas maneiras de “tradução” que existem entre línguas e entre linguagens. É possível traduzir uma música para uma dança? E para uma pintura? Como? Será que fica parecido, dá para reconhecer ou se torna outra coisa? E o contrário, há possibilidade de se “escrever” uma dança? E desenhá-la?

Ao final dessa discussão, proponha aos alunos a audição de vários trechos musicais: música clássica, rock, forró, tradicionais, modernas, de várias regiões. Depois de ouvirem os trechos selecionados, peça para que descrevam verbalmente como perceberam as músicas e suas diferenças.

Agora, em uma nova audição, peça a eles que marquem com palmas os diferentes ritmos de cada música. A seguir, escolha com os alunos uma das músicas para ser trabalhada pela classe.

Procedimento

Divida a turma em grupos. Cada um deles escolhe um trecho da música para realizar um diálogo de linguagens e, com a música selecionada, eles criam com o corpo movimentos simultâneos, alternados, seqüenciais.

Proponha a criação de uma seqüência de gestos para o trecho da música de tal maneira que ambos possam ser percebidos como se tivessem sido feitos um para o outro. Sugira que eles explorem bastante os movimentos usando todo o espaço da sala no nível do chão e nos planos alto e médio. É importante orientar os alunos para que movimentem todo o corpo. Lembre-os de que cada parte do corpo poderá acompanhar os ritmos propostos em diferentes momentos da música: cabeça, braços, quadril, maxilar, olhos etc. Peça para o grupo registrar na memória a seqüência de movimentos de cada trecho da música porque elas serão retomadas na aula seguinte.

Segunda aula

Retome verbalmente os trabalhos da aula anterior e, em seguida, proponha aos grupos que se apresentem. Uma boa forma de fazer isso é pedir que os alunos fiquem sentados no chão em círculo, enquanto se levantam apenas aqueles que estão se apresentando.

Finalizada a apresentação, pergunte a eles como fariam para mostrar esses movimentos num desenho ou numa pintura. Proponha que desenhem e pintem em uma folha de papel e a partir da memória visual a própria seqüência de movimentos corporais criados. Esse registro deve reproduzir estes movimentos, buscando obter no desenho a mesma qualidade do gesto.

Terceira aula

Realizados todos os registros, o professor faz uma apresentação dos desenhos associados aos movimentos e sons. Pode-se fazer um painel contendo os registros visuais. Neste caso, escolha com os alunos o local em que será possível expô-lo.

Conclua o trabalho comentando as imagens desse painel e, com os alunos, resgate os trechos de música e gesto que correspondem aos desenhos realizados. Faça uma avaliação final a partir das seguintes perguntas:

Quais desenhos expressam melhor os gestos? Por quê?
Quais desenhos expressam melhor a música? Por quê?
É possível descobrir qual o trecho da música que inspirou os desenhos?
É possível descobrir quais gestos estão relacionados com os desenhos?
Se eu fizer os gestos sem ouvir a música, consigo saber como é essa música?
Se eu fizer os gestos, consigo descobrir com qual desenho ele se parece?

Você poderá ampliar esse trabalho ao fazer uma leitura das obras A dança e A música, de Henri Matisse, e relacioná-las com as experiências que seus alunos tiveram ao transpor a música para o gesto e para o registro gráfico. Outro artista que poderá ser trabalhado em sala de aula é Kandinsky, que faz uma série de quadros inspirados em músicas.

Texto original: Lelê Ancona
Consultoria pedagógica: Anamélia Bueno Buoro
Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Direções no espaço

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Espaço e movimento
Tipo: Metodologias

O objetivo primeiro desta proposta de trabalho é ampliar o repertório de movimentos dos alunos porque a variedade de formas de movimentação pessoal gera maior capacidade de expressão. Com essa atividade, propõe-se explorar os movimentos do corpo no espaço, e isso pode ser feito dentro da sala, bastando agrupar as carteiras em um canto e deixar o espaço livre.

Apresente a proposta da aula aos alunos, cuja intenção é fazê-los reconhecer o próprio corpo e seus movimentos corporais. Por isso, é fundamental que os exercícios sejam feitos em silêncio para que todos possam se concentrar. Se você preferir, coloque uma música instrumental pouco conhecida dos alunos para acompanhar os exercícios.

Proponha a seguinte seqüência:

Todos os alunos devem se deitar sobre colchonetes; na falta deles, sobre toalhas trazidas de casa.

Peça que fechem os olhos e sigam instruções como “sintam o bater do coração, concentrem-se na respiração, percebam o percurso feito pelo ar das narinas até o pulmão”.

Relembre cada parte do corpo para que os alunos possam se concentrar nela e percebê-la. Você pode conduzi-los com um tom de voz suave, falando de forma pausada: “Sintam os pés, pernas, joelhos, quadril, barriga, coluna, ombros, pescoço, braços, mãos, dedos, cabeça”.

Após esta percepção de cada parte do corpo, solicite aos alunos que iniciem movimentos, pouco a pouco: sentir o movimento da respiração e acompanhá-lo com o corpo, abrindo e fechando as mãos ou esticando e dobrando os pés.

A partir daí, os alunos deverão ampliar esses movimentos, mas ainda sem sair do lugar, como os de pernas e braços com o maior alcance possível.

Após explorarem ao máximo o espaço próximo, passam a fazer movimentos que ocupem todo o espaço da sala.

Ao finalizar esta etapa, é interessante conversar com os alunos sobre os movimentos realizados e as sensações experimentadas.

Na segunda aula, relembre os exercícios feitos na aula anterior. Depois disso, convide os alunos para caminharem lentamente em todas as direções da sala, sem encostar em nada nem em ninguém, procurando ocupar todos os espaços vazios. Na continuidade desse exercício, muitas propostas podem ser feitas para se explorar o ato de caminhar:

Andar muito lentamente, lento, normal, rápido, muito rápido, no ritmo do coração, no ritmo da respiração…

Andar na ponta dos pés, reto, curvado, com a barriga para frente, agachado…

Imaginar cenários em que estejam caminhando: sobre brasas, sobre pedra, na areia da praia, na rua, numa avenida movimentada, num pântano…

Proponha novos exercícios que explorem outras organizações espaciais:

todos num canto; depois, andar para ocupar a sala toda como uma revoada de pássaros;

ocupar a área central da sala e, em seguida, se espalhar como um monte de grãos derramados pelo chão.

A seguir, divida a classe em grupos e proponha a criação de uma seqüência de movimentos para apresentar à classe. A seqüência a ser criada deve conter movimentos:

internos de respiração e pulsação;
de gestualidade próxima do corpo;
de gestualidade ampla (sem locomoção);
de corpo solto no espaço.

É importante orientar os alunos para considerarem a seqüência como um trabalho coletivo, criando movimentos conjuntos ou complementares. Para facilitar, eles poderão imaginar uma cena do cotidiano para servir de “organizador” dos movimentos como, por exemplo, regar plantas. Nesse caso, ao se imaginar na situação proposta, pensa-se nos movimentos comuns a essa ação lembrando-se de seus detalhes.

Realizem os ensaios e agendem as apresentações. Lembre-se de que elas devem ser curtas o suficiente para serem encenadas durante a aula.

Feitas as apresentações, que poderão ocorrer em mais de uma aula, proponha aos alunos que avaliem em grupo:

se os movimentos pedidos estiveram presentes;
que movimentos estavam mais interessantes e
por quê;
se os movimentos tinham uma organização;
de quais movimentos gostaram mais e por quê;
o que acharam mais difícil;
o que acharam fácil;
se descobriram movimentos novos depois das aulas e quais foram.

A seguir, discuta com a classe toda o resultado desse trabalho. Este será um bom momento para observar se a proposta atingiu os objetivos inicialmente previstos. Sem dúvida, a discussão será uma experiência muito enriquecedora.

Referência:

BOAL, Augusto. 200 exercícios e jogos para o ator e o não-ator com vontade de dizer algo através do teatro. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979.

BOSSU, Henri & CHALANGUIER, Claude. A expressão corporal: método e prática. São Paulo, Difel, 1975.

Texto original: Maria Terezinha Teles Guerra
Consultoria pedagógica: Anamélia Bueno Buoro
Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Das paredes da caverna aos muros da cidade

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Artes Visuais
Tipo: Filme
Onde encontrar: Videolocadoras

Um dos grandes representantes da arte contemporânea foi Jean Michel Basquiat, cujos grafites nos muros de Nova Iorque ganharam o respeito da crítica e o lançaram no mundo das artes.

Convivemos hoje, nas grandes cidades, com inúmeras dessas manifestações que, embora ilegais, registram pensamentos e sentimentos, assim como os registravam os homens primitivos nas paredes de suas cavernas.

Essa atividade tem como objetivo refletir sobre expressões humanas e alguns registros deixados pelo homem neste planeta. Pela extensão das tarefas propostas, é necessário reservar cerca de quatro aulas para o seu desenvolvimento.

Uma idéia para entender um pouco e discutir sobre a arte contemporânea é assistir com os alunos ao filme “Basquiat, traços de uma vida”, de Julian Schnabel. Após assistir ao filme, o professor comenta com os alunos alguns aspectos que podem ser destacados, tais como:

A vontade que algumas pessoas têm de desenhar, de deixar sua marca;

A cena em que Basquiat, ainda criança, observa com encantamento a tela “Guernica”, do pintor espanhol Pablo Picasso (se os alunos não conhecem Picasso, é importante falar um pouco sobre ele). Essa cena representa o primeiro contato de Basquiat com uma obra de arte. Nesse momento, o professor pode perguntar aos alunos como foi seu primeiro contato com a arte.

As pinturas de Basquiat nas ruas de Nova Iorque (pode-se trazer cópias dessas imagens para a aula ou voltar ao filme);

A ascensão de Basquiat enquanto artista plástico (o filme traz parte de sua biografia, que pode ser complementada por pesquisa em livros de arte contemporânea);

As obras do artista plástico Andy Warhol também podem ser utilizadas, mostrando a ligação ou influência desse artista na vida de Basquiat;

As diferenças entre grafitagem e pichação (ver abaixo indicação de livro complementar), lembrando que ambas são ilegais;

As cores, formas, materiais e recursos utilizados por Basquiat;

Contar aos alunos que algumas obras de Basquiat estiveram expostas em São Paulo, na 23ª Bienal de Artes Plásticas, em 1996.

Depois dessa conversa, o professor pode falar ao grupo sobre a pré-história e a pintura nas cavernas, mostrando imagens dessa época, que podem ser encontradas em livros de Arte e de História.

A seguir, propõe ao grupo a seguinte atividade: diz que agora eles farão como Basquiat, serão grafiteiros com uma “parede” para deixar seu recado.

Preparação da atividade:

1. Montar painéis colando folhas de papel kraft grosso por toda a sala ou pátio, no maior tamanho possível e tentando cobrir todas as paredes.

2. Fornecer tintas e pincéis ao grupo e pedir que deixem no painel algo que gostariam de mostrar a todos que passassem pelas ruas da cidade, especialmente por meio de desenho e de pintura, podendo eventualmente utilizar também palavras.

Para finalizar a atividade, o professor pode fazer um paralelo entre as pinturas das cavernas, feitas pelo homem primitivo, e aquelas que aparecem nos muros da cidade, em pleno terceiro milênio.

Segundo a maioria dos pesquisadores de arte, os desenhos encontrados nas cavernas tinham uma função mágica, ritual. Os animais ali representados estariam aprisionados e, portanto, sua caça estaria garantida.

O que Basquiat e os grafiteiros de hoje pretendem “aprisionar”, mostrar, registrar ou denunciar nos muros das cidades? Todo artista tem uma intenção…

Para aprofundar:
GITAHY, Celso. O que é Graffiti? São Paulo: Brasiliense, 1999; Coleção Primeiros Passos.

Referência:
Basquiat, traços de uma vida, de Julian Schnabel. EUA, 1996, 106 minutos.

O filme traz a biografia do artista plástico Jean Michel Basquiat. Filho de pai haitiano e mãe porto-riquenha, Basquiat revela seu talento como grafiteiro. É assediado por marchands até ser descoberto, em 1981, por Andy Warhol, pai da Pop-Art. A partir daí tem uma ascensão meteórica, tornando-se uma estrela no mundo das artes, até sua morte prematura.

Texto original: Maria Terezinha Teles Guerra
Edição: Equipe EducaRede

Os sites indicados neste texto foram visitados em 18/04/2002

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Curta-metragem “Adão ou Somos Todos Filhos da Terra”

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto:
Tipo: Materiais didáticos

Link para o curta: http://portacurtas.org.br/filme/?name=adao_ou_somos_todos_filhos_da_terra

Morador da favela de Cantagalo no Rio de janeiro, Adão Xalebaradã é compositor de mais de 500 músicas e nunca foi gravado no Brasil.

Conheça as sugestões de aplicabilidade pedagógica

Texto Original: Porta-Curtas

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Composição e formas a partir de Segall

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Leitura de obra de arte
Tipo: Artes Visuais

Para desenvolver esta atividade com os alunos é interessante que você consiga uma boa reprodução da obra “Paisagem brasileira”, de Lasar Segall, em tamanho grande, para que todos possam ver bem a imagem, e outras menores, para eles observarem de perto e interferirem depois.

Mostre a reprodução para seus alunos sem nenhuma informação inicial. Peça para eles observarem a obra com bastante atenção e calma. Estimule-os a perceberem os elementos presentes nessa pintura:

As cores e os tons usados.
As formas.
As linhas.
Como as formas e cores estão agrupadas: aparecem uma por cima da outra? Na frente, atrás?
Com o que se parece esse quadro?
Que título eles acham que essa obra deve ter?
Parece com algum lugar que eles conhecem?
Dá para reconhecer aí uma paisagem?
Como é essa paisagem? Onde ela está?
Conte para eles que o título desse quadro é “Paisagem brasileira” e que foi realizado por um artista chamado Lasar Segall.
Converse com eles sobre como esse artista fez para mostrar essa paisagem brasileira. Note que o artista não precisa desenhar uma casa com todos os detalhes para contar que ali tem uma casa; ele também não precisa desenhar os morros, basta indicá-los com uma curva na parte de cima do quadro para contar que essa é uma região que tem morros. Volte a observar o quadro vagarosamente com seus alunos, descobrindo todos os detalhes e tudo o que nele existe e como o artista fez para mostrar a paisagem brasileira.

Transformando o quadro

Retome as descobertas feitas pelos seus alunos com relação ao quadro “Paisagem brasileira”, de Lasar Segall. Entregue uma cópia da obra para cada aluno ou grupo (neste caso composto por 4 ou 5 alunos) e proponha o recorte das formas encontradas no quadro.

Depois do quadro recortado, e sobre um papel cartão ou cartolina, convide-os a experimentar possíveis remontagens do quadro. Estimule-os a juntar ou separar as cores iguais, misturar tudo, reunir as formas iguais, espalhar todas pelos quatro cantos do papel etc. Após experimentarem as inúmeras possibilidades de montagens, peça para escolherem uma. Eles deverão fazer uma colagem no papel e dar um título para traduzir essa transformação do quadro de Segall. Note que essa colagem, apesar de usar as cores e formas do quadro de Segall, é um novo trabalho de artes, diferente do original.

Para finalizar a atividade, é bastante estimulante para os alunos a exposição dos trabalhos elaborados por eles, e igualmente importante a avaliação conjunta dos resultados obtidos individualmente ou em grupo.

É possível ampliar os conhecimentos de seus alunos sobre o artista por meio de pesquisas sobre outras obras de Segall e sua vida. Clique aqui para visitar um dos sites que contém essas informações.

Referência
Fundação Finambrás. Lasar Segall. São Paulo, 1999.

Texto original: Lelê Ancona
Consultoria pedagógica: Anamélia Bueno Buoro
Edição: Equipe EducaRede

Os sites indicados neste texto foram visitados em 08/05/2003.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Como trabalhar com teatro

Disciplina: Arte – Educação Artística, Língua Portuguesa/Literatura
Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto:
Tipo: Metodologias

Essa atividade está sendo proposta para os professores que desejam trabalhar com o gênero literário teatro, especialmente com os livros da coleção “Literatura em Minha Casa”, do Programa Nacional Biblioteca da Escola, distribuídos pelo Ministério da Educação.

Esse acervo, destinado a alunos de 4a e 5a séries do Ensino Fundamental de todo o Brasil, compõe-se de cinco conjuntos de livros (cada um em um gênero literário — novela, conto, poesia, teatro, clássico), sendo que cada um deles reúne seis títulos.

A oportunidade de trabalhar com peças teatrais, além de aguçar a criatividade, o interesse e o espírito crítico dos alunos, pode trazer bons resultados com relação à leitura, à expressão oral, à integração da classe e apreensão dos conteúdos veiculados nos textos.

As peças que compõem a coleção já foram encenadas muitas vezes, mas temos certeza que sua leitura e posterior montagem na escola, pelos alunos, mostrarão facetas ainda despercebidas desses textos.

Para um bom trabalho, é necessário introduzir as noções do que é teatro, como se monta uma peça, o papel do diretor, dos atores, do cenário, do figurino, da sonoplastia.

Para facilitar o entendimento sobre teatro, consulte e apresente, quando necessário, o Pequeno Glossário do Teatro.

Ator/atriz: aquele(a) que representa uma personagem.
Cenário: conjunto de materiais e efeitos de luz, som, formas, que servem para criar um ambiente propício para a peça teatral.
Cenógrafo(a): aquele(a) que cria o cenário.
Coreógrafo(a): aquele(a) que cria a seqüência de movimentos, passos e gestos das personagens.
Diretor(a): responsável artístico pela peça teatral, é aquele(a) que integra e orienta os diversos profissionais. (…)
Dramaturgo: escritor que compõe peças teatrais. Figurinista: responsável pelas roupas e acessórios utilizados na peça teatral.
Iluminador(a): aquele(a) que concebe e planeja a colocação das luzes em uma peça teatral.
Maquiador(a): responsável pela pintura do rosto ou do corpo dos atores e atrizes.
Mímica ou pantomima: peça em que o(a) ator(atriz) se manifesta por gestos, expressões corporais ou do rosto, sem utilizar a palavra.
Peça: texto e/ou representação teatral.
Personagem: o papel representado pelo ator ou pela atriz.
Platéia: espaço destinado aos espectadores.
Rotunda: pano de fundo, de flanela, feltro etc.
Saltimbanco: artista popular que se exibe em circos, feiras, ruas, percorrendo diversas cidades.
Sonoplasta: aquele(a) que compõe e faz funcionar os ruídos e sons de um espetáculo teatral.
Teatro: palco onde se representam peças; coleção das obras dramáticas de um(a) autor(a), de uma época ou de um país.
Teatro de bonecos: aquele em que se fazem representar marionetes ou fantoches.
Titeriteiro: aquele que movimenta o fantoche ou a marionete.
Trupe: grupo de artistas.”

O autor da peça nos indica o roteiro. Esse roteiro proporcionará uma base a ser interpretada, bem como os personagens que são apresentados.

Ao estudar a peça e preparar sua apresentação, cada um dos envolvidos vai realizando sua recriação. Por exemplo, como será determinada fala: alegre, triste, melancólica, serena, raivosa; e o cenário será figurativo?

É necessário que o texto teatral seja lido dramatizado. Esclareça o que isto significa e faça um exercício com a classe toda, com a leitura dramatizada de um trecho de um dos livros escolhido aleatoriamente.

Diga a seus alunos que leiam em casa a peça que eles receberam com a coleção do PNBE ou outro texto teatral que você selecionou, e marque um dia para realizar a atividade.

Reúna os alunos em pequenos grupos e proponha que pesquisem e discutam o texto: quem é o autor, em que época foi escrito, quando foi editado e por quem, quem são os personagens principais, que problemas enfrentam, como se desenvolve o enredo, que temas abordam, entre outras questões.

Combine com os grupos leitura em voz alta com bastante entonação de alguns trechos dos textos escolhidos. Outra possibilidade é organizar com os alunos um festival de teatro na escola. Durante uma semana, ou quinze dias, dependendo de combinar com professores de outras áreas esse trabalho conjunto, da disponibilidade de tempo e local, todos encenarão a peça para os seus familiares, amigos e colegas de outras classes.

Essa montagem tem de ser “profissional”, com direção, atores, cenário, sonoplastia, figurino, entradas, confirmação de presença etc. Afinal, os alunos vão virar “artistas” no festival. Uma possibilidade de encaminhar esse trabalho pode ser:

Cada grupo, sob sua supervisão, fará a leitura dramática de um texto. No caso do conjunto Literatura em minha casa – “O fantástico mistério de Feiurinha”, “Eu chovo, tu choves, ele chove…”, “Hoje tem espetáculo: No país dos prequetés”, “O macaco malandro”, “Pluft, o fantasminha” e “Bazar do Folclore” (escolher um conto popular desse livro e os alunos transformam-no em peça).

Em seguida, deverão decidir quem fará o quê na peça. Ressalte que não só os atores são importantes, pois a montagem é um processo coletivo e o sucesso depende da equipe.

Dê início aos ensaios. Fique atento para que essa atividade seja realmente levada a sério. Marque a data das apresentações.

Cada grupo deverá fazer os convites para a peça, ilustrando-os com motivos ligados ao tema da encenação. Para tal, oriente-os sobre as informações que deverão constar no convite. Também deverão confeccionar cartazes para serem espalhados na escola, criando um clima de pré-estréia, envolvendo todo mundo.

Marque um último ensaio para cada grupo. Este ensaio deve ser feito com a presença de público (outra classe, por exemplo), que poderá opinar sobre aspectos que podem ser melhorados. Finalmente, é importante fazer um ensaio geral, o último antes da estréia. Depois das apresentações, como conclusão e parte da avaliação, pode-se propor que cada aluno faça uma crítica da peça, dizendo o que achou, se gostou, quais os pontos fortes e fracos.

Se você julgar necessário, apresente um esquema com os itens que eles devem tratar e leia com eles alguns recortes de jornal ou revistas com críticas que possam ser utilizadas como referência. Bom trabalho.

Sugestão de leitura:
VASCONCELOS, Luiz Paulo. Dicionário de Teatro.

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)