Você está tão mudado!

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Jogos de percepção/observação
Tipo: Metodologias

Ao propor essa atividade o que se pretende é aguçar nos alunos a capacidade de observar o cotidiano, para ampliar o diálogo com a realidade, e oferecer oportunidades para que os participantes conheçam melhor a si mesmos e aos outros.

Procedimento

Divida os participantes em duas grandes colunas, uns de frente para os outros.
Solicite que os jogadores observem atentamente o parceiro que se encontra a sua frente. · Peça que uma das colunas se retire da sala por algum tempo e oriente os jogadores que ficaram na sala para que mudem alguns detalhes em si. Podem, por exemplo, dobrar a manga da blusa ou a camiseta, trocar de relógio com outra pessoa, tirar ou colocar para dentro a blusa ou a camiseta etc.
Feitas as mudanças, o grupo que saiu retorna à sala e, a uma ordem do coordenador, cada participante, sem falar nada, observa o companheiro à frente tentando perceber as mudanças ocorridas.
Dê um rápido tempo para a observação e solicite àqueles que saíram que fiquem de costas para os companheiros.
Indague, de um por um, as mudanças percebidas. Muitos jogadores não conseguirão dizer nada, tendo em vista que não haviam observado seus parceiros; outros falarão de mudanças não ocorridas; outros, ainda, poderão fazer referência a detalhes de dias anteriores.
Dando seqüência ao jogo, sai o grupo que havia permanecido. Para os que ficaram, o professor solicita que nada seja modificado ou para que um mesmo e idêntico detalhe seja alterado por todos.

De forma divertida, essa atividade pode criar em sala de aula um ambiente bastante propício à discussão e ampliação da capacidade de observação de cada um dos participantes.

Fonte:
A Arte é de Todos: Artes da Representação, publicação elaborada pelo CENPEC.

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Torce-torce

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Jogo de integração
Tipo: Metodologias

Objetivo
Marcar a identidade dos participantes; fazer com que cada um se sinta parte do grupo e em pé de igualdade com todos.

Atenção
Este jogo deve ser realizado com todos os integrantes. Evite a divisão em mais de 2 subgrupos e a presença de espectadores.

Atividade

Forme uma roda com todos os integrantes de mãos dadas e diga que não podem soltá-las enquanto durar o jogo.
Peça a um dos participantes para soltar uma de suas mãos e conduzir os companheiros, passando por sob as mãos dos demais.
Quando o grupo estiver “embolado” e não for mais possível continuar, outro participante, com a mão solta, deverá, sem que os outros percam o vínculo das mãos, “libertá-los” da confusão.

Dica
O modo mais fácil de soltar os “nós” formados durante o jogo é fazer com que o jogador, com as mãos em posição diferente da inicial, dê uma volta sobre seu próprio corpo, fazendo com que todos aqueles que estiverem a sua esquerda ou a sua direita passem por sob seu braço na mesma direção em que ele se virará.

Fonte:
A Arte é de Todos: Artes da Representação, publicação elaborada pelo CENPEC.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Sonorização de filme

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Sonorização de imagens
Tipo: Filme

Na escola, o ensino de música deve possibilitar ao aluno o desenvolvimento de sua expressividade pelo som. Essa proposta de atividade tem como objetivo associar sons a imagens.

Trabalhe em uma primeira aula com o levantamento de sons possíveis para a sonorização de um filme. Esses sons podem ser criados com a voz, o corpo, o uso de objetos cotidianos e com instrumentos musicais.

Na aula seguinte, assista a um trecho de 20 minutos do filme “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin, sem nenhum volume. Volte ao início da transmissão e peça que os alunos criem sons para cada momento do filme. É provável que ocorra uma grande poluição sonora no início do trabalho. Aproveite esse fato para conversar com o grupo sobre a importância e a necessidade de silêncio em alguns trechos.

Divida os alunos em grupos (de quatro ou cinco membros) e peça que cada um sonorize uma parte do filme, criando uma trilha sonora para todo o filme.

Essa atividade poderá necessitar de algumas aulas, mesmo que os grupos trabalhem concomitantemente. Quando todos terminarem, assistam ao filme sem nenhuma interrupção, com cada grupo sonorizando sua parte.

Finalize o trabalho comparando a versão criada pelos alunos com a versão do filme.

Texto original: Lelê Ancona
Edição: Equipe EducaRede

Os sites indicados neste texto foram visitados em 04/03/2002

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Representações humanas

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Retratos e auto-retratos
Tipo: Metodologias

O trabalho com as artes visuais na escola tem sempre como um dos objetivos fortalecer a expressão dos indivíduos por meio da linguagem visual. No Ensino Médio, momento de busca permanente pela própria identidade, isso pode se dar em diálogo com os trabalhos dos artistas.

Para que essa atividade seja bem desenvolvida em sala de aula serão necessárias três ou quatro aulas. Na primeira delas, converse com os alunos a respeito dessa proposta e, em seguida, deixe que eles escolham entre realizar uma pesquisa no site do Museu de Arte de São Paulo ou visitar o museu. No site há diversas imagens de obras de artistas, além de informações sobre o funcionamento do Museu.

Nessa pesquisa, eles devem procurar observar imagens de rostos de figuras humanas, de diferentes períodos da História da Arte, tentando identificar:

As singularidades.
As maneiras com que foram pintados.
Os tamanhos.
As formas.
As linhas.
Os traços do artista.
As marcas das pinceladas.
As cores utilizadas.
A luz e a sombra.
Os sentimentos expressados.

Converse com os alunos olhando algumas das imagens pesquisadas e observe detalhadamente como cada artista faz o rosto humano na sua pintura. O Masp tem, por exemplo, vários retratos do artista Modigliani considerados de excelente qualidade e de singular estilo.

Repare com eles como a maneira de construir um rosto vai mudando no tempo, compare as imagens, suas semelhanças e diferenças. Converse discutindo em quais pinturas aparecem mais detalhes; quais são mais simplificadas; se os rostos aparecem de frente, de perfil ou de cima; quais cores e tons o artista utilizou; como é a pincelada nessas pinturas e que efeito ela provoca; como o artista fez para expressar sentimentos; se usou a cor, a pincelada, o desenho do rosto, enfim, explore ao máximo as maneiras de que os artistas se utilizam para pintar um retrato.

Você pode escolher três ou quatro imagens para realizar uma comparação mais detalhada (se tiver mais tempo, faça esse trabalho em grupos pequenos). Dê preferência para imagens de diferentes períodos da História da Arte. Conclua essas observações pedindo que cada aluno escolha uma imagem de sua preferência justificando a escolha.

Para a aula seguinte peça aos alunos que tragam um pequeno espelho.

No início dessa aula, em uma conversa inicial com seus alunos, retome o que eles descobriram na aula anterior sobre as diferentes maneiras que os artistas utilizam para representar o rosto humano e o que os impressionou mais.

A seguir, proponha a construção de um auto-retrato, mas não se esqueça de fazer os comentários necessários sobre esta forma de expressão. Quando um artista realiza seu auto-retrato, ele pode utilizar tanto um espelho quanto a sua boa memória visual.

Explique aos alunos que a proposta da aula é que eles façam o auto-retrato a fim de aguçar ainda mais a percepção. Para isso eles devem observar atentamente o próprio rosto no espelho por alguns minutos. Estimule uma observação criteriosa do rosto, faça com que descubram as linhas, as formas, as cores, o formato externo, os detalhes, a luz e a sombra. Depois dessa observação, peça para que iniciem o desenho do auto-retrato em tamanho bem grande.

Realizado o desenho (talvez você precise de mais uma aula para que iniciem a pintura), relembre com eles os artistas pesquisados e as características de suas pinturas (pinceladas mais detalhadas ou soltas, cores mais vibrantes ou apagadas etc.); se necessário, volte a olhar as imagens pesquisadas para que possam observar as diferentes maneiras de pintar. Proponha a cada aluno escolher uma maneira de pintar semelhante a um dos artistas pesquisados e a realizar, assim, a pintura do auto-retrato.

Na terceira aula, com os trabalhos finalizados, as duplas analisarão o material produzido, comentando o que chamou mais a atenção e as possíveis relações e interferências nos desenhos realizados por eles das obras de arte pesquisadas.

Se os alunos concordarem, organize uma exposição dos trabalhos e deixe que eles escolham o local onde será feita a exposição. Se isto acontecer, não se esqueça de identificar as obras com o nome do autor e outras informações que julgarem adequadas, assim como prepará-las para serem expostas (por exemplo, apoio ou moldura de cartolina preta, uso de plástico transparente etc.) Também é importante, para finalizar a atividade, conversar com eles sobre todo o processo e o resultado final que, seguramente serão gratificantes.

Para saber mais:
Artistas que realizaram muitos auto-retratos e retratos: Modigliani, Francis Bacon, Rembrandt, Vincent Van Gogh, Mondigliani entre outros.

Texto original: Lelê Ancona
Consultoria pedagógica: Anamélia Bueno Buoro
Edição: Equipe EducaRede

O site indicado neste texto foi visitado em 26/08/2009

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Proposta de leitura de obra de Juan Gris

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Cubismo, vanguardas européias
Tipo: Artes Visuais

A obra do artista plástico espanhol está no Brasil por ocasião da exposição O Cubismo e seus entornos nas coleções da Telefônica, em cartaz na Pinacoteca do Estado de São Paulo, até o dia 02 de novembro de 2009.

Discuta com seus alunos a obra cubista de Juan Gris, a partir da leitura do quadro A janela para as colinas (clique aqui para acessar uma reprodução do quadro), seu contexto histórico e uma proposta poética.

Aspectos formais

Estimule os alunos a olhar a obra, primeiro sem legenda.
Questione quais cores foram utilizadas.
Com relação à composição, a obra está dividida em diferentes planos?
Se sim, quais seriam eles?
Introduza a questão das formas geométricas. Destaque o fato de que elas convivem com formas mais orgânicas na obra. Como esta relação está colocada na obra?

Conteúdos/ Narração

Qual é a temática da obra?
É possível reconhecer os objetos retratados. Há uma hierarquia entre eles?
O espaço em que os objetos estão dispostos também pode ser identificado?
Este momento de exercício é uma boa oportunidade para introduzir uma discussão sobre o gênero natureza-morta na história da arte: como ele surge e como foi usado por outros artistas?
Podemos reconhecer qual período do dia foi retratado. Há algum destaque para essa questão?
É importante, nesse momento, revelar a legenda da obra e falar se o que foi dito antes pode ser reinterpretado à luz do título da obra.
Também é relevante tratar o período em que a obra foi produzida e quais as implicações desta informação.

Informações preliminares para contexto

• Cubismo
O Cubismo, fundado por Picasso em 1907 e desenvolvido por ele e Georges Braque a partir de 1908. Talvez tenha sido a mais influente e duradoura das vertentes da Arte Moderna. A partir de 1909, vários artistas cubistas assumiram a proposta com personalidade própria, numa atuação intensa e versátil, que permaneceu até 1914, período em que participaram de várias exposições em salões da Europa. A partir dessa data, e até meados da década de 1920, a obra de Juan Gris assumiu a referência do Cubismo, que ficou conhecida como “segunda vida” cubista.

• Biografia do artista
Juan Gris: Madri, Espanha, 1887 – Paris, França, 1927
Em sua juventude, Juan Gris, cujo nome de batismo é José Victoriano González-Pérez, estuda na Escola de Artes e Indústrias de Madri. A partir de 1902, atua como ilustrador, colaborando para diversos periódicos, como Blanco y Negro e Madrid Cósmico. Em 1906, realiza as ilustrações para o livro Alma América, do poeta peruano José Santos Chocano. Essa atividade, da qual o artista provê seu sustento ao longo de boa parte de sua carreira, prossegue em Paris, para onde ele se muda no mesmo ano de 1906. Gris desenvolve projetos gráficos vanguardistas em colaboração com escritores e poetas, como Max Jacob e Tristan Tzara. Reside à rue Ravignan, no célebre edifício Bateau Lavoir, onde fervilha o movimento cubista. Nos círculos parisienses, convive com o pintor Daniel Vásquez Díaz, de quem era amigo na Espanha, Georges Braque e Appolinaire. Torna-se amigo do crítico Maurice Raynal.

Em 1908, por intermédio do marchand Daniel-Henry Kahnweiler, conhece Picasso, contato que marca decisivamente sua vida artística e pessoal. A partir de 1912, inicia sua produção cubista. Exibe seus trabalhos na exposição da Section d’Or, com Gleizes, Metzinger e Marcoussis, entre outros, na galeria de Clovis Sagot e no Salon des Indépendants. Sua produção do período combina elementos que ele aprendera com Picasso e Braque a suas próprias inovações. Realiza inicialmente pinturas com tons cinzas e terrosos, mas, a partir de meados da década, o colorido passa a dominar em seus trabalhos, o que o particulariza entre os cubistas.

Outro traço marcante em seu trabalho é o uso da colagem. Em pouco tempo, conquista reconhecimento como pintor e se torna um destacado porta-voz do movimento cubista. Suas pinturas exercem impacto sobre outros artistas da Section d’Or e da Escola de Paris. Em 1921 e 1923, realiza trabalhos para os Balés Russos de Diaghilev. É na década de 1920 que elabora seus mais conhecidos textos sobre o Cubismo, como o artigo sobre seu método criativo dedutivo, publicado na revista alemã Der Querschnitt, em 1923, e a conferência proferida na Universidade de Sorbonne, em 1924, em que expressa suas ideias sobre o Cubismo e sobre a pintura. Morre precocemente, aos 40 anos de idade.

• Histórico da obra A janela para as colinas
A obra foi exposta em 1923 na Galerie Simon de Paris. As repercussões desta exposição, aliada à presença de Juan Gris em publicações teóricas decisivas para a difusão dos ideais do Cubismo, vinham confirmar tanto a sua posição pessoal no movimento moderno seguinte – que diferia do modelo fundador proposto por Picasso e Braque, como a sobrevivência do Cubismo como referência na primeira metade dos anos 1920.

O Cubismo de Gris foi definidor de várias das correntes que surgiram na Europa a partir da década de 1920, como o Futurismo, o Dadaísmo e o Surrealismo.

“Na obra A Janela para as colinas, Gris sintetiza uma série de temas e sugestões que vinha explorando e tratando havia vários anos. Frente à janela aberta, se produz um encontro entre interior e exterior que quer atuar como um amável jogo simbólico: as dicotomias e relações entre o íntimo e o expansivo, entre a arte e a vida, entre a poesia da criação e a poesia da natureza criadora. Mas, enquanto em obras anteriores, interior e exterior se relacionavam até confundirem-se, agora, a presença das cortinas, como em algumas pinturas barrocas, introduz a evidência da pintura como representação. O cenário remete à pintura dos museus. A natureza-morta está realizada em linguagem cubista.”
(Eugenio Carmona, curador da exposição O Cubismo e seus entornos).

Conclusão

As possibilidades para o exercício de leitura de obra não se esgotam aqui. Temos apenas um ponto de partida que pode e deve ser ampliado com as respostas e inquietações trazidas pelos alunos na observação da obra, com futuras pesquisas sobre as vanguardas européias do início do século XX e com outros temas já trabalhados em sala de aula.

O contexto histórico de produção desta obra também pode ser explorado de vários ângulos. Pode-se, por exemplo, pensar a Primeira Guerra Mundial e no impacto que esse fato trouxe para as artes.
Outra abordagem é pensar quais foram as contribuições do Cubismo para a Arte Moderna brasileira, como é o caso da influência na obra de Tarsila do Amaral.

Muito produtivo também é pedir que os alunos busquem nas suas referências de arte quais elementos do Cubismo eles reconhecem e como isso vem sendo reinterpretado ao longo dos anos.

Fontes na internet
http://www.ocubismoeseusentornos.com.br
http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2690
http://www.pinacoteca.org.br
http://www.mac.usp.br/

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Paisagem sonora

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Música, paisagem sonora
Tipo: Músicas

O conceito de “Paisagem sonora” tornou-se conhecido para os educadores em música a partir do trabalho produzido pelo professor canadense Murray Schaffer. Em seus estudos, ele trabalha com a percepção de sons de diversos ambientes e utiliza estratégias para sensibilizar o ouvido de seus alunos, como fazer um passeio por um bosque de olhos vendados.

Povos e culturas diversos apresentam paisagens sonoras diferentes. A paisagem sonora na qual vivemos nos traz o sentimento de pertencimento, de fazer parte daquele ambiente. Alguns músicos da contemporaneidade inspiram-se nessas diferentes paisagens, criando em suas composições sons que não são produzidos por instrumentos musicais, como Hermeto Pascoal e John Cage, entre outros.

Para que as crianças sejam estimuladas a perceber e identificar sons nos diversos ambientes em que vivem e de entender melhor o conceito de paisagem sonora, uma atividade que pode ser proposta é um passeio pela escola. Nesse passeio, as crianças registram em gravadores os sons do pátio, da diretoria, da rua, da sala de aula, da cantina, da aula de Educação Física, do recreio, da sala dos professores, da entrada, da saída, enfim, os sons que compõem a paisagem sonora da escola.

De volta à classe, todos ouvem as fitas, tentando descobrir a localização de cada som e suas principais características – se são altos ou baixos (volume), graves ou agudos, longos ou curtos (duração). Para ampliar o foco da discussão, pode-se conversar com os alunos e pedir-lhes que descubram outras paisagens sonoras diferentes da escola: a rua em diferentes horários, a casa, o shopping, um ginásio de esportes, a igreja etc.

Na aula seguinte, o professor propõe uma nova audição do material recolhido para reorganizá-lo, estimulando as crianças a perceberem pelos sons os locais de onde foram gravados. Depois, pode-se construir um roteiro como se fosse um percurso pela escola e produzir com o grupo uma nova gravação, seguindo o roteiro. Essa gravação deve corresponder a um passeio sonoro pela escola. Esse trabalho pode ser realizado em grupos, com cada um cuidando de uma parte do passeio.

Para finalizar a atividade, toda a classe ouve o “Passeio sonoro pela escola”, avalia os sons que descobriram nesse percurso e como esse trabalho interferiu na percepção de outros sons fora da escola.

Referência:

SCHAFER, Murray. O ouvido pensante. São Paulo: Unesp, 1991.

Texto original: Maria Terezinha Teles Guerra
Consultoria pedagógica: Anamélia Bueno Buoro
Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

O jogo dramático ou jogo teatral

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Jogos de imaginação
Tipo: Metodologias

Objetivo
Aprender a personificar brincando, criando e construindo personagens; trabalhar e aprimorar o fluxo de linguagem e das capacidades imaginativas; harmonizar e acelerar o trabalho expressivo, nos níveis intelectual, emocional e físico; adequar as intenções intelectuais ao gesto apresentado, que representa a materialidade da vontade; liberar a espontaneidade, desmistificando o “não ser capaz”, “não se sentir seguro para”.

Atividade
Quem sou? Onde estou? O que fazer?

Divida o grupo em pequenos grupos, para não se perderem os objetivos, o foco e a intenção.
Proponha que cada grupo monte cenas curtas, de no máximo 3 minutos, sem falar e sem utilizar quaisquer ruídos ou objetos reais – recorrendo apenas à mímica.
Eis algumas questões de temas para essas cenas. Eles focalizam as três dimensões de uma ação dramática: Quem (as personagens), O que (a ação propriamente dita), Onde (o local onde se passa a ação):

QUEM?
Por exemplo, pessoas estrangeiras pedindo informação a alguém; feridos chegando a um hospital; cozinheiros preparando um doce especial; pessoas se arrumando para um casamento, desfile, festa etc. Enfim, nessa proposta, o importante é deixar clara a personagem.

O QUÊ?
Por exemplo, um jogador, no centro da roda, começa a praticar uma ação qualquer. O primeiro que entender a ação deve entrar no centro da roda e relacionar-se com ele, praticando a mesma ação ou outra relacionada à primeira. Ou: alguém ajudando o outro que carrega um pacote pesado; alguém que começa a falar com outro ao telefone; alguém que vai pular corda com outro; alguém que dança junto etc.

ONDE?
Priorizando os espaços em que as ações devem acontecer. Por exemplo: num hospital, numa linha de produção de fábrica, num estúdio fotográfico, numa sala de aula tradicional, numa fila de banco etc. Desse modo, as ações decorrem do espaço determinado. O tempo de duração pode variar de acordo com a faixa etária com a qual se trabalhe e com o tempo de que se disponha.

Fonte:
A Arte é de Todos: Artes da Representação, publicação elaborada pelo CENPEC.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

O hipnotizador dançarino

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Jogos de expressão
Tipo: Metodologias

O objetivo dessa atividade é aumentar, no aluno, a percepção e a consciência do corpo como instrumento de comunicação e expressão; buscar transmitir sentimentos por meio da dança espontânea, além de desenvolver a sensibilidade para perceber e interpretar sentimentos.

Durante os trabalhos, evite utilizar as danças marcadas por conjuntos da moda; os comportamentos “definidos” como típicos – do macho, da menininha, do idoso, da loura etc. –, e os gestos repetitivos e pouco criativos dos astros cômicos.

Procedimento

As pessoas devem formar trios. Com um gravador ou CD player, você vai garantir que músicas de ritmos diferentes estejam disponíveis.
Em cada trio haverá um participante que será o “hipnotizador”.
Ao ritmo da música, o “hipnotizador” de cada trio irá movimentar-se, “desprendendo” os braços do corpo para acompanhar a música.
Os dois outros membros do trio olham para uma das palmas da mão do “hipnotizador” e vão seguindo/acompanhando os seus movimentos, sem perderem o foco.
Embalado por trechos de músicas diferentes que você irá tocando, o “hipnotizador” conduz seus dois companheiros pelo espaço de trabalho, dançando e levando seus “hipnotizados” à dança.
Depois de um tempo, peça que o “hipnotizador” troque de lugar com um dos hipnotizados, até que todos tenham passado pelas duas experiências, de condutor e conduzido.
Para finalizar o jogo, e ao som de uma música mais agitada como, por exemplo, Brasileirinho, de Valdir Azevedo, peça a cada participante que pense em dois hipnotizados imaginários, levando-os a dançar.

Ao final da atividade, peça aos alunos que se sentem no chão formando uma roda e converse com eles sobre as duas experiências: de condutor e conduzido, por exemplo.

Nota: Esse jogo foi criado pelo teórico e dramaturgo Augusto Boal.

Fonte:
A Arte é de Todos: Artes da Representação, publicação elaborada pelo CENPEC.

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

O corpo pode produzir sons

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Percepção sonora, corpo, som
Tipo: Metodologias

Antes de iniciar esta atividade, converse com os alunos a respeito da grande variedade de sons que podemos produzir com o nosso corpo. Dentre os inúmeros músicos que utilizam sons realizados com o corpo para fazer seus trabalhos, comente sobre Hermeto Pascoal e Tom Zé.

Descubra com eles sons que podemos produzir usando o corpo: palmas, voz, batidas de pé, estalos de dedos, respiração forte, estalos com a boca etc. Estimule-os a descobrir sons a partir de cada parte do corpo. Para isso, proponha o seguinte jogo: “que som posso fazer com” a boca, os dentes, a língua, as bochechas, os lábios, o nariz, o rosto, os braços, as mãos, os dedos, as coxas, as pernas, os pés etc.

Em roda, realize os jogos em grupos compostos por três ou quatro alunos. Cada um deles deverá produzir sons com apenas uma parte do corpo para o grupo seguinte responder com novas produções de som usando outra parte do corpo. Por exemplo, um grupo bate palmas uma vez, o outro bate os pés duas vezes, o seguinte joga um beijinho, o outro estala os dedos três vezes e assim sucessivamente. Crie vários jogos, alternando seqüências rítmicas. Uma batida conversa com cinco batidas, duas batidas conversam com quatro etc.

Na aula seguinte, conte para eles que existe um grupo chamado Barbatuques e que eles usam apenas os sons produzidos pelo corpo para fazer música. Busque materiais na Internet e em outros locais sobre o grupo. Utilize esse material em sala de aula para desenvolver a percepção auditiva dos alunos, fazendo o seguinte exercício: ao ouvir fragmentos da música, as crianças deverão descobrir com qual parte do corpo o som foi produzido.

Conclua o trabalho ouvindo uma música inteira e proponha a construção de uma mímica com movimentos corporais tendo por trilha sonora a música do grupo Barbatuques.

Se possível, leve os alunos para assistir a uma apresentação desse grupo.

Referência:
Disco do grupo Barbatuques.
Tom Zé, música “Chique-chique”, disco Parobelo (ele começa essa música esfregando bexigas na boca).
Discos de Hermeto Pascoal.

Texto original: Lelê Ancona
Consultoria pedagógica: Anamélia Bueno Buoro
Edição: Equipe EducaRede

Os sites indicados neste texto foram visitados em 03/12/2004

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Montando um espetáculo de teatro na escola

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Teatro
Tipo: Metodologias

Fazer teatro na escola, além de ser um aprendizado coletivo, representa uma aventura desafiante e fascinante. Afinal, praticar a Arte da Representação é exercitar-se também nas Artes da Luz, do Som e do Povo. Agregando professores, alunos, profissionais da Educação, comunidade e voluntários, a partir de um projeto amparado em uma necessidade comum, a aventura teatral deve ser desenvolvida em algumas etapas distintas ou processos de trabalho, que se articulam e se completam. Essas etapas, ainda que de maneira esquemática, podem ser assim resumidas:

Formação do grupo
Convide os interessados a participar, por meio de cartazes, anúncios nas salas de aula e em espaços comunitários. Quando as pessoas se apresentarem, integre os participantes e ofereça possibilidades para que desenvolvam sua capacidade de observação, por meio dos jogos dramáticos.

Escolha do texto
O texto a ser apresentado pode ser de algum escritor consagrado ou pode ser escrito pelo próprio grupo, a partir de improvisações. A escolha/criação do texto deve levar em conta o público a quem o espetáculo prioritariamente se destina e os valores estéticos, educacionais e sociais que o grupo quer debater.

Você pode ter acesso a muitos textos de teatro, por meio da revista Teatro da Juventude, editada e distribuída gratuitamente pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Já foram publicados 34 números, contendo em cada um deles, normalmente, três obras de autores brasileiros, entre infantis, juvenis e adultas.

Endereço para solicitação da revista:
Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo Revista Teatro da Juventude Rua Mauá, 53 – 3o. andar 01028-900 São Paulo – SP

Ensaio
A formação ou preparação do grupo é a primeira parte do processo de ensaio. Por meio de atividades como as sugeridas no item Jogando e Aprendendo a Fazer Teatro, cada participante aprende a conhecer melhor a si mesmo e a seus companheiros, à medida que todos têm dificuldades e necessidades semelhantes.

A segunda etapa, de duração variada, acontece a partir da escolha de determinado texto, que se pretende apresentar ao público, e da personagem mais adequada a cada um. Agora o foco é apoiar cada participante para que ele consiga construir bem a personagem que lhe cabe na peça. Você deverá orientar o grupo nas seguintes atividades:

leitura e análise do texto, observando com cuidado os conflitos entre as personagens e suas características físicas e psicológicas;
memorização do texto, lembrando que é importante que o participante tenha consciência dos significados das falas e do texto como um todo;
ensaio de marcação, evidenciando como as personagens praticam ações no espaço de representação, relacionando-se umas com as outras e com os objetos de cena;
ensaios um a um – você observará um participante de cada vez, fazendo os comentários necessários para que o trabalho dele possa ser o melhor possível. Desse modo, se de determinada cena participarem, por exemplo, dez atores, você irá assistir à mesma cena dez vezes, priorizando, em cada uma delas, um dos participantes;
ensaio de afinação ou ensaio corrido – processo em que todos os acertos se fazem: interpretações, adereços de cena, inclusão de trilha musical, maquiagem, luz… Trata-se do processo final para que o espetáculo tenha ritmo.

Criação do figurino e dos cenários
Enquanto acontece a segunda etapa dos ensaios, é preciso ir criando os figurinos, ou seja, as roupas (que podem ser emprestadas, adaptadas ou confeccionadas) e adereços (chapéus, enfeites, objetos) que serão usados – e também o cenário.

O cenário e os adereços podem ser criados com a ajuda de pessoas que gostem de artes visuais ou de artesanato). O cenário deve ser seguro e nunca colocar em perigo o ator; ter funcionalidade e não atrapalhar a movimentação dos atores. Deve-se evitar ao máximo interromper o espetáculo para trocas de cenário.

Importante: a criação de cenário e adereços deve levar em conta as características do local onde o espetáculo será apresentado: o auditório ou teatro da escola, o pátio, a quadra de esportes, uma sala de aula, a fachada da escola, a rua em que fica o prédio escolar, uma praça vizinha à escola.

A luz, a maquiagem, a trilha sonora, as projeções de slides… não são essenciais, mas podem fazer parte do espetáculo.

Divulgação do espetáculo
O material de divulgação do espetáculo junto às pessoas da escola e da comunidade – convite, cartazes, programas – pode ser preparado por outros alunos e voluntários não participantes do espetáculo. Envolva nessa atividade as pessoas que gostam de expressar-se por escrito.

Apresentação do espetáculo
É o momento-festa em que o conjunto de criadores se confronta com o público: hora de celebração, de tensão, de ansiedade e de muito prazer.

Debate
O exercício democrático exigido por um trabalho teatral conseqüente, em suas diferentes etapas até o espetáculo, atinge sua natureza específica quando o público é chamado a participar, na condição de debatedor e companheiro do processo. Sendo sua função social, educativa e artística, o espetáculo enriquece todos os sujeitos do process

Fonte:
A Arte é de Todos: Artes da Representação, publicação elaborada pelo CENPEC.

Os sites indicados neste texto foram visitados em 12/02/2004

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)