São Paulo será cidade educadora


Sala de aula urbana

São Paulo completa 450 anos e entra na associação que reúne
cidades educadoras de todo o mundo

Por Paloma Varón

Os já mais que alardeados 450 anos de São Paulo reservam uma novidade na área educacional. No ano em que a maior metrópole do Brasil fez aniversário, a prefeitura entra oficialmente na AICE (Associação Internacional de Cidades Educadoras), que reúne mais de 250 cidades em todo o mundo.

Com a entrada de São Paulo no grupo, o Brasil passa a contar com nove cidades-membro. Piracicaba (SP), a primeira do Estado de São Paulo a fazer parte da AICE, se associou no ano passado. As outras sete cidades educadoras brasileiras estão no Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Paraíba.

A rede incentiva que as autoridades locais assumam a intencionalidade educadora e a responsabilidade de converter todos os espaços da cidade em centros educativos. A idéia-chave é a consciência de que ensinamos e aprendemos em todos os lugares, não apenas na escola. A cidade passa a ser pensada como uma escola. A principal aposta da prefeitura nesse rumo são os CEUs (Centros de Educação Unificados), instalados em regiões mais carentes, que buscam fazer a ponte da escola com a sociedade.

Cada Telecentro possui um Conselho Gestor, formado por membros da comunidade e eleitos pela mesma. Eles fazem parte de um Plano de Inclusão Digital, também conhecido como e-cidadania, e desenvolvem ações de aprendizagem da informática, cidadania e bom uso das ferramentas da Internet.

E-cidadania

O Orçamento Participativo (OP), o OP Criança e os Telecentros também são citados pela prefeitura como exemplos de democracia ativa que convergem com os esforços de tornar São Paulo uma cidade efetivamente educadora. Com isso, segundo a assessoria da Secretaria Municipal de Educação (SME), São Paulo entra na associação, reconhecendo e exercitando, além de suas funções tradicionais (econômica, social, política e de prestação de serviços), a função educadora.

A realização do Fórum Mundial de Educação São Paulo 2004, que integra as comemorações dos 450 anos, é um dos marcos da adesão à AICE. O evento acontece de 1º a 4 de abril, com o tema “Educação cidadã para uma cidade educadora”.

O objetivo do FME-SP 2004 é criar um movimento contínuo em defesa da educação, num trabalho de parceria entre o poder público e a sociedade civil organizada – educadores, sindicatos, movimentos sociais, escolas, universidades, centros de pesquisa, fundações, ONGs, órgãos governamentais.

Mudanças no cenário

Com a inauguração de 17 dos 21 CEUs previstos, a cidade já conta com mudanças nas áreas educacional e social. Esses espaços foram construídos em regiões com pouca ou nenhuma disponibilidade de serviços públicos. Na maioria dos lugares onde estão instalados, não havia cinema, biblioteca e centros esportivos.

Segundo a assessoria da SME, os CEUs proporcionam de fato a convivência da escola com a sociedade. Além dos alunos, os usuários desses espaços são estudantes de outras escolas do entorno.  Os CEUs também apresentam grupos de teatro e artistas da própria comunidade e estabelecem parcerias com empresas e entidades para obter apoio e doações.

A cidade de São Paulo é composta por várias nacionalidades. Neste contexto, é importante fazer com que essa diversidade de cultura e conhecimento se encontrem nos seus vários espaços, atividade que já vem sendo desenvolvida por meio da Secretaria Municipal de Relações Internacionais e que pode ser conferida no portal http://milpovos.prefeitura.sp.gov.br/index_flash.php

Mil Povos

Outros exemplos da ligação entre comunidade e escola podem ser vistos nos projetos Escola Aberta e Recreio na Escola. No primeiro, como o próprio nome indica, as escolas são abertas nos fins de semana. E, nesses espaços, são desenvolvidas atividades esportivas, oficinas, enfim, propostas que a própria comunidade ajuda a compor.

Hoje 290 escolas municipais contam com essas atividades, atendendo 200 mil pessoas. O Recreio nas Férias também oferece programação durante as férias e o recesso escolar. Desde 2001, foram cinco edições do Recreio. Nesta última edição, em janeiro, o evento atendeu 215 mil crianças. A Prefeitura contratou 5.320 monitores e oficineiros, além dos 2.300 professores da rede e das dezenas de técnicos e estagiários de educação física e agentes comunitários.

Mas essas iniciativas bastam para que uma cidade como São Paulo se torne um espaço educativo? O que é preciso para garantir que os cidadãos se sintam realmente parte integrante e ativa de uma cidade educadora? Essas e outras questões poderão ser colocadas em breve no chat com a secretária municipal de educação de São Paulo, Maria Aparecida Perez. Aguarde. Logo informaremos a data e horário dessa conversa on line na seção Bate-papo.
Os sites indicados neste texto foram visitados em 23/01/2004

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *