Resumo dos painéis

Resumo dos painéis

Segunda (29/05)

“Aprendizagem na era digital” propõe mudanças no ensino a longo prazo

Dando continuidade às atividades do Congresso, o painel “Aprendizagem na era digital”, que aconteceu às 14h da segunda (29), trouxe como convidados o professor José Manuel Morán, coordenador de projetos online da Faculdade Sumaré em São Paulo;  Claudemir Viana, pesquisador do LAPIC (Laboratório de Pesquisas sobre Infância, Imaginário e Comunicação do ECA/USP), e Marina Nunes, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas (FCC/SP).

Morán defendeu a teoria de que as escolas sejam mais semi–presenciais, focadas na área de pesquisa, projetos, produções e resultados. Os professores passam de informadores para orientadores, gestores e mediadores. “Algumas escolas estão começando com essas inovações. Com isso, chegaremos a uma tendência na Educação escolar para o universo digital, buscando assim a flexibilidade na aprendizagem e no ensino, no tempo e espaço (fora ou dentro da escola), na forma e na tecnologia”, afirma Morán.

O Ministério da Educação prevê que daqui a cinco anos os alunos de Ensino Superior estarão realizando cursos menos presenciais. “Por que devemos obrigar os alunos a irem sempre à escola, se podemos usar a Internet? Estamos a caminho do modelo semi–presencial e a conseqüência desse fato é acabar com o confinamento”, finaliza o professor.

A pesquisadora da FCC/SP, Marina Nunes, acredita na valorização do uso da tecnologia na formação continuada dos docentes. “É preciso que haja uma postura do corpo docente para a utilização dos recursos digitais, assim caminharemos junto com as crianças sempre em busca de novos aprendizados”, declara Marina.

Já Claudemir Viana falou sobre a aprendizagem no processo lúdico da criança em meios tecnológicos. “Jogar, para as crianças, é um tempo valioso; já para os adultos é considerado tempo perdido”, afirmou Viana. Ele conclui que é preciso se relacionar enquanto seres humanos, utilizando a tecnologia para a formação das crianças. A palestra do professor Claudemir baseou-se nos estudos do que representa a mídia digital e como esse contexto acontece na vida dos pequenos.

A presença do universo digital no cotidiano das pessoas é um fato. Mas, conforme todos os convidados desse painel, a tecnologia só tem importância se o homem caminhar com os avanços tecnológicos.
(Tatiana Izquierdo e Denise Helena)

Publicação e autoria da Internet
A coordenadora de projetos de educomunicação da Gens Serviços Educacionais, Grácia Lopes Lima, abriu o painel com uma mostra de programas audiovisuais produzidos por alunos de 3ª série do Ensino Fundamental de escolas públicas da região de Sorocaba (SP). Segundo Grácia, é gratificante ver o empenho das crianças na autoria dos textos, produção e atuação das mesmas nos próprios programas. “Precisamos de ações que envolvam pessoas em processos criativos”, disse a coordenadora.

O professor Jorge Lopes Medrado, do Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos de Itaquera (Cierj), em São Paulo, apresentou o Projeto Fole (Falando, Ouvindo, Lendo e Escrevendo), que tem como meta aproximar dos computadores pessoas que nunca tiveram experiência com o uso deles. O projeto envolveu alunos com idade entre 15 e 60 anos, inclusive os não alfabetizados, e foi desenvolvido na Oficina de Criação do Portal EducaRede. Ao final, os textos produzidos pelos alunos foram publicados em um livro virtual. Medrado fez elogios à coordenação do Cenpec, pelo apoio nos momentos difíceis. Os alunos já produziram mais outros dois livros, disponíveis no Portal: “Heróis da Resistência” e “Foto & Grafia”.

A doutora em Didática pela USP, Professora Zilá A.P. Moura e Silva, ex-professora da Unesp, trouxe ao painel vivência de alunos e professores como autores de blogs utilizados como instrumentos para a aprendizagem, a socialização e o crescimento profissional e pessoal de alunos e professores.
(Márcia Nascimento)


Pesquisa na Internet: que cuidados tomar? Como fazer?

No Painel Pesquisa na Internet, a professora e pesquisadora do Cenpec, Sônia Bertocchi, propôs aos educadores que ensinem seus alunos a avaliar o que está disponível na Internet, já que nem tudo o que está na rede é confiável e pode ser utilizado no processo de aprendizagem. Entre os critérios apontados por Sônia nesta avaliação estão: a procedência da fonte e sua credibilidade; a intencionalidade do site; a navegabilidade; a interatividade com os navegadores; e qual o espaço reservado para publicação de material.

Já a jornalista e mestre em Comunicação Social pela ECA/USP, Januária Cristina Alves, contou como o blog Yahoo! Busca Educação (www.yahoo.com.br/buscaeducacao) orienta professores e alunos nas pesquisas. No blog, eles encontram um manual, disponível para download, que ajuda os educadores a se familiarizarem com os mecanismos de busca. O Yahoo Educação também cobriu o evento. Clique aqui para ler. 
(Ana Carolina Santos)

Convidados apresentam projetos de Educação a Distância
O painel de discussão sobre educação a distância, realizado no Auditório Ulysses Guimarães, contou com a participação dos convidados: Silvia Dotta (mestre em Educação pela Unicamp), Jane Margareth de Castro (assistente da área de Educação da Unesco) e Frederic Litto (coordenador científico da Escola do Futuro – laboratório interdisciplinar da Universidade de São Paulo). O Painel contou com mais de 60 participantes entre professores, supervisores escolares e gestores em Educação.

Silvia Dotta apresentou um projeto realizado pelo Lapeq – Laboratório de Pesquisa do Ensino de Química – Feusp. “Formação de tutores para o diálogo virtual” consiste na ajuda online a estudantes de Ensino Médio, preferencialmente de escolas públicas, e funciona como uma espécie de tira-dúvidas em que o estudante acessa o site, envia sua pergunta e ela é respondida por um universitário que atua como seu tutor. A chave do projeto é a interatividade entre os estudantes de Ensino Médio e os estudantes universitários, que respondem as dúvidas.

Logo após a apresentação, Jane Margareth de Castro explicou o projeto “As tecnologias na sala de aula para potencializar o ensino e a aprendizagem”, realizado em parceria com o Ministério da Educação (MEC). Parte do corpo docente de escolas públicas dos Estados da Bahia e Piauí e técnicos da Secretaria de Educação dos Estados receberam treinamento em Brasília para implantar a utilização dos laboratórios de informática em suas escolas. O projeto também contribuiu para o entrosamento dos outros docentes das escolas, dos alunos e da manutenção dos laboratórios, diminuindo assim a evasão escolar.

O professor Frederic Litto apresentou o projeto “Escola do Futuro”, do Laboratório Interdisciplinar da USP. O projeto desenvolve estudos sobre como implementar as novas tecnologias no dia-a-dia dos estudantes de escola pública. Inicialmente, a Escola do Futuro só atingia estudantes de Ensino Fundamental e Médio, porém, atualmente tem sido procurada por estudantes universitários para a realização de pesquisas e por empresas para a especialização de profissionais. Além da implementação das novas tecnologias nas escolas, o projeto oferece vasto conteúdo online aos estudantes através de uma biblioteca virtual. Maiores informações no site: www.futuro.usp.br.

A professora Sueli Araes (supervisora da Diretoria de Ensino, região Leste 5 – São Paulo) afirma que aproveitará o que foi exposto no Painel em projetos que já participa. “Eu estou trabalhando em quatro meio virtuais como tutora e monitora, então aproveitarei com certeza tudo o que foi dito aqui.”
(Leandro Biggi)

Terça (30/5)

Múltiplas linguagens para atrair professores e alunos
O painel “Múltiplas Linguagens” abordou a utilização de novas tecnologias para atrair a atenção dos estudantes e contou com a participação dos seguintes convidados: Gabriel Pillar Grossi, diretor da revista Nova Escola, Luiz Chinan, professor da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial, e Anna Penido, diretora Executiva da Cipó – Comunicação Interativa.

Gabriel Grossi começou apresentando a revista Nova Escola aos presentes e demonstrando o quanto o acesso ao seu conteúdo aumentou depois da iniciativa de disponibilizá-lo online. A revista, nas duas versões (impressa e online), tem como proposta a capacitação de professores e a exposição dos trabalhos realizados nas escolas, atingindo hoje quase toda a rede dos Ensinos Fundamental e Infantil do país.

Luiz Chinan começou apresentando dados de uma pesquisa realizada pela Câmara Brasileira do Livro que mostra que a média de livros lidos no Brasil é de 1,4 por habitante a cada ano. A partir das informações desta pesquisa, o professor desenvolveu um projeto que visa despertar a atenção do jovem para a importância da leitura: o livroclip, uma animação com o resumo de uma obra literária. Ele apresentou em primeira mão aos participantes do painel o livroclip “O Inferno de Dante”, da obra “Divina Comédia”, de Dante Alighieri. Confira alguns livroclips publicados na Biblioteca do EducaRede.

Anna Penido, a última a falar no painel, demonstrou como um projeto que começa aos poucos pode alterar o cotidiano das escolas. A diretora da Cipó apresentou um trabalho realizado na rede municipal de ensino de Salvador para a inserção dos jovens na sociedade por meio das mídias. O projeto utiliza a comunicação para combater a invisibilidade, trabalhando com a realidade de cada região. No projeto, os jovens, individualmente ou em grupo, trabalham uma mídia desenvolvendo um produto, desde sua criação até a divulgação para a comunidade. O projeto teve efeitos positivos em todas as escolas em que foi implantado, e a Cipó oferece auxílio a outras escolas interessadas em implementá-lo. Maiores informações: www.cipo.org.br

“As discussões deste painel nos ajudam a usar as mídias dentro da sala de aula. Agora precisamos vincular esses projetos e articular para que realmente aconteçam na escola”, disse a coordenadora pedagógica da EMEF Conde Luiz Eduardo Matarazzo (São Paulo), Márcia Cerqueira Souza, que assistiu ao painel.
(Leandro Biggi)

Formação a distância volta ao debate
No segundo dia do Congresso, a “Formação a distância” voltou ao debate no painel que reuniu Anna Christina de Azevedo, designer da secretaria de Educação a Distância do MEC, Maria Isabel Porazza Mendes, coordenadora pedagógica do Núcleo de Educação a Distância do SENAC, e Anna Helena Altenfelder, coordenadora da Comunidade Virtual Escrevendo o Futuro.

Anna Helena apresentou aos participantes do painel a Comunidade Virtual (CV) “Escrevendo o Futuro”, que reúne professores e alunos de todo país em prol da melhoria do ensino e da aprendizagem nas escolas. O projeto conta com um concurso nacional de textos para formação dos professores, abrange todos os Estados do país e mais de 3 mil municípios.  Para Anna Helena, “a grande preocupação é a formação dos professores”. Atualmente, são cerca de 1.180 participantes da comunidade, e os professores interessados podem procurar maiores informações no endereço eletrônico www.escrevendoofuturo.org.br

Anna Christina apresentou o projeto que tem como propósito facilitar a vida do profissional que planeja cursos a distância. E assim nasceu o curso: “Como fazer objetos de aprendizagem”. Foram selecionados 16 alunos de Estados diferentes para participar do curso. Segundo a designer do MEC, todos os alunos, ao final do curso, foram aproveitados pelo projeto. “Queríamos que os profissionais refletissem sobre como planejar o material didático.”

Maria Isabel divulgou seu projeto sobre História da Ciência e Hipertextos, cujo objetivo é propor a reflexão sobre a História da Ciência para entendê-la como uma rede de eventos. Para ela, a História da Ciência auxilia na contextualização e humanização da Ciência. A abordagem pedagógica do projeto é a aprendizagem participativa e dialógica.

Todos os projetos apresentados visam à melhoria do ensino, não só dentro da sala de aula, mas longe dela também. E a platéia do painel, formada por educadores, recebeu com entusiasmo as propostas exibidas. Para a professora Rosangela Maria Cunha, de São Paulo, tais projetos “agregam conhecimento, e os professores só têm a ganhar com isso”. Ela acredita no sucesso da formação a distância, um “processo natural na educação nacional”.
(Felipe Ananias)


Animações dominam painel sobre estrutura da Internet

O painel “Estrutura de uso da Internet” reuniu propostas que estimulam os professores a desenvolverem atividades com o uso da Internet. Um dos projetos apresentados foi o RIVED, – Rede Interativa Virtual de Educação – do MEC, que tem como objetivo a produção, capacitação e distribuição de conteúdos educativos na Internet. A coordenadora do RIVED, Carmem Lúcia Prata, explicou que o site do projeto (http://rived.proinfo.mec.gov.br/) disponibiliza módulos com atividades, organizados de maneira atrativa para crianças e adolescentes, com animações que proporcionam a interatividade. No site está disponível um guia com propostas de aulas, que dão uma idéia de como utilizar esse material.

O especialista em criação de ambientes de aprendizagem e pesquisador da Escola do Futuro da USP, César Nunes, apresentou outro projeto que integra alunos universitários e de escolas do Ensino Médio. Jovens da rede pública criam roteiros para conceitos de Física e Química e depois os universitários desenvolvem essas histórias criando “Objetos de Aprendizagem” – simulações animadas – que são publicadas no site http://www.labvirt.futuro.usp.br/

A palestra do consultor em Tecnologia Educacional do Senac, Jarbas Novelino Barato, começou com uma gincana. A brincadeira demonstrou para os educadores presentes como a construção de uma rede de fontes pode ser divertida e muito instrutiva, pois é através dela que as buscas na Internet se concretizam. A proposta de Barato é a Webgincana, uma disputa entre os alunos que recebem desafios em forma de questões e missões, proporcionando um aprendizado não somente dentro da sala de aula ou de Internet, mas também em atividades extra–classe. Mais informações: http://dev.utopia.com.br/formulario/ e http://aprendente.blogspot.com/
(Ana Carolina Santos)

Comunidades virtuais proporcionam trocas enriquecedoras

As comunidades virtuais podem promover a interação entre os docentes, proporcionando troca de informações e conhecimentos em meio virtual, acredita Lilian Starobinas. A coordenadora de projetos da Cidade do Conhecimento defende a atualização constante do professor e isso pode acontecer por meio de comunidades virtuais. Quanto mais pesquisas e conteúdos ele conhecer, mais recursos terá para ampliar seu discurso e enriquecer suas aulas. “A idéia é que, participando de uma comunidade virtual, o professor crie uma leitura do mundo digital e também passe a ter disposição pra se servir dele e pra contribuir com ele”, disse Lilian.

Marilina Lipsman, pesquisadora da Universidade de Buenos Aires, explicou como funciona o Portal EducaRede na Argentina, do qual faz parte. Ela explicou que, como no caso do Portal brasileiro, o EducaRede propõe a inclusão de novas tecnologias da comunicação nas escolas para complementar as práticas de ensino e o aprendizado do discente. Por meio do Portal, os professores têm um campo para desenvolver o intercâmbio entre eles e também se atualizar e difundir suas experiências educacionais. Já Rosa Martha Cruz Del Valle contou sobre o processo de implementação de comunidades virtuais por meio do EducaRede do México. O painel terminou com um debate entre palestrantes e platéia.
(Cynthia Pontes)

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

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