Resumo das mesas-redondas

Resumo das mesas-redondas

Terça (30/5)

Comunidades virtuais de aprendizagem representam uma revolução educacional

A mesa-redonda do Congresso contou com a participação do pedagogo Fernando Fonseca Júnior, da Fundação Vanzolini, a também pedagoga Lynn Alves, mestre e doutora em Educação e Comunicação pela Universidade Federal da Bahia, e a professora Vani Kenski, professora da Faculdade de Educação da USP e diretora do site Educacional.
Além deles foi ouvida também a coordenadora–executiva da Rede do Saber, Beatriz Scavazza, que relatou a experiência, iniciada em 2001, da Secretaria do Estado da Educação de São Paulo que, por meio de recursos como capacitação a distância de agentes educacionais, pretende democratizar o conhecimento nas 5,9 mil escolas de todo o Estado.

“Comunidades Virtuais de Aprendizagem” foi o tema proposto para a mesa. Fonseca Júnior começou por elucidar o conceito de rede usado para nomear o contato entre seres humanos no mundo virtual, podendo ser chamado também de grupo ou tribo virtual. Ao citar a frase do educador Paulo Freire “a educação começa sempre por um encontro”, demonstrou que a rede pode ser sim um espaço de aprendizagem. Uma rede nem sempre significa comunidade, que pressupõe obrigações, história e cotidianos comuns.

Para Vani, o uso da rede como comunidade de aprendizagem é um ideal que implica mudanças profundas na forma educacional atual e depende, principalmente, de vontade política. Nesse novo modelo, pode-se navegar em múltiplas direções que nos levam à aprendizagem, ao passo que a escola tradicional, representada por uma pirâmide, é um “espaço de exclusão por excelência”, como citou a professora. Ela acredita que a idéia de que “só se aprende vendo e ouvindo é medieval”, e que atualmente é mais importante estar presente em pensamento do que corporalmente, o que não significa indisciplina, ao contrário: aprendizagem virtual exige maior disciplina dos envolvidos.

Pesquisadora do uso de jogos no ambiente pedagógico, Lynn acredita que mesmo os jogos violentos podem ser usados como instrumento. Para isso, é preciso que a escola apreenda a nova linguagem que os nativos digitais – nascidos na década de 80 – trazem. Nesse contexto, ela citou os alunos das escolas públicas que, desde então, de uma forma mais ou menos intensa, estão incluídos em algum programa de informatização do ensino.

Para os participantes da mesa, as habilidades oriundas das experiências com o infomeio ainda não são aceitas no âmbito escolar, gerando conflitos na sala de aula.
(Cecília Bacha)

Discussões sobre a ética norteiam as regras de uso equilibrado da Internet

A mesa-redonda III, com o tema “Internet e interações: novos meios de participação social”, realizada no último dia do Congresso, teve a mediação de Eduardo Chaves, professor titular na Unicamp, com a participação de Maria Irma Marabotto, Roberto Lerner e Sofia Lerche Vieira.

Maria Irma é diretora acadêmica da Fundec (Fundación para el Desarrollo de los Estudios Cognitivos) de Buenos Aires, Argentina. Os principais temas abordados por ela foram os novos modos de relações pessoais e de pensar que a Internet proporciona aos usuários, como a “hiperinformação”, que pode causar a perda de sentido dos assuntos tratados, e a aprendizagem a partir da participação.

Segundo ela, os professores devem ajudar o aluno a determinar qual a diferença entre cada um dos três principais tipos de conteúdos disponíveis na Internet: o conhecimento obsoleto, que pode ser descartado pelo aluno, o fundamental e aquele que o aluno pode aproveitar de alguma outra forma no seu dia-a-dia, construindo novos conhecimentos.

O psicólogo Roberto Lerner, da PUC Peru, trouxe à mesa sua contribuição sobre relações interpessoais em espaço virtual. Disse que na Internet as pessoas perdem a vergonha, uma das emoções mais antigas da humanidade. Nela o ser humano se solta e está pronto a revelar sua verdadeira face, pois não tem o medo da crítica e facilmente encontrará outros que se identificarão com seus pensamentos. A rede é um companheiro em todas as horas, e cabe também à escola, como educadora da sociedade, estar pronta a discutir as questões dos limites éticos e morais que envolvem os acessos à Web. Ele não acredita que a rede possa substituir contatos pessoais, como se teme, ou que torne as pessoas egoístas ou individualistas, argumentando que estes são problemas bem antigos. Diante da tela, assim como em todos os lugares de convívio social, a pessoa pode manifestar o melhor ou o pior de si. A proibição de acessar alguns sites indesejáveis não afasta o problema, mas a observação dos educadores e a abertura para discussões acerca da real necessidade é o melhor caminho.

Relato de experiência – A professora e pesquisadora do CNPq (Centro Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) Sofia Lerche Vieira apresentou o Projeto História do Ceará em Rede, cujo objetivo é o resgate da auto-estima dos cearenses por meio da inclusão digital. A pesquisadora enfatizou que, antes da inclusão digital, é necessário haver a inclusão social, possibilitando, assim, o desenvolvimento e crescimento do Estado do Ceará como um todo. Em 2005, foram realizadas diversas oficinas virtuais de texto no portal EducaRede, com foco em histórias reais e experiências do cotidiano dos alunos. Alunos e professores de 50 municípios produziram 75 livros virtuais que falam sobre o povo cearense, buscando resgatar a identidade local no processo de aprendizagem. Foram selecionados 15 desses livros para serem impressos e distribuídos nas escolas da rede pública em programas de alfabetização de adultos.

Opinião da platéia – “A cada situação aprendemos algo novo. Achei excelente a oportunidade de participar de um evento como esse. Aliás, o evento todo está muito bem organizado. Achei excelente a fala do professor Lerner, que fez um resgate histórico da tecnologia digital”, disse Zilá A. P. Moura e Silva, doutora em Didática pela Faculdade de Educação da USP.

Para Jorge Lopes Medrado, professor do Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos de Itaquera-SP, “o projeto desenvolvido no Ceará é semelhante ao que desenvolvi aqui em São Paulo – Itaquera, com as oficinas de criação. Uma grande preocupação dos professores é o acesso dos alunos a sites não autorizados. Somente com ética e cidadania nas escolas venceremos esse problema”.
(Pâmela, Marcela Elizabeth e Márcia Nascimento)


Segunda (29/5)

Representantes dos EducaRedes traçam panorama ibero-americano
da Internet na Educação

O diretor-presidente da Fundação Telefônica do Brasil, Sérgio E. Mindlin, iniciou a mesa-redonda I, com todos os EducaRedes, respondendo algumas questões dirigidas à Telefônica durante os eventos da manhã de segunda-feira. Depois de tiradas as dúvidas do público, o representante do EducaRede da Argentina, Jorge Leiva, apresentou os pilares que levam a tecnologia aos professores e estudantes por meio do portal do EducaRede e relatou um avanço de 400% na conexão da Internet em banda larga no país.

A representante do EducaRede na Argentina, Angeles Soletic, iniciou sua fala mostrando uma imagem do quadro de Jean Marc Cote, em que um professor girava uma manivela que introduzia, através de canos ligados à cabeça dos alunos, conhecimento. Segundo Angeles, o quadro de 1889 é um retrato de como a tecnologia representada pela Internet evoluiu ao longo dos anos. Daí a importância da inclusão digital.

“Temos um computador para cada chileno”, orgulha-se o representante do EducaRede no Chile,  Francisco Aylwin Oyarzún, que apresentou um panorama do acesso dos chilenos à Internet. Os representantes do EducaRede na Espanha e no Peru, Manoel Rodriguez e Hugo Diaz, também deram ênfase à situação atual da Internet em seus respectivos países.

A última a falar foi Priscila Gonsales, representante do EducaRede no Brasil, sobre o histórico e as ações do projeto brasileiro, apresentando alguns dados estatísticos sobre os avanços alcançados. O encerramento foi feito por Sérgio Mindlin que abriu espaço para perguntas dos professores presentes na platéia.
(Carla Menezes e Pâmela Roberta Issa Cheda)

Mesa-redonda II debate formação de docentes no mundo virtual

A mesa-redonda II, realizada no Parlatino (Plenário), teve como tema central a formação do professor num mundo ligado à era das novas tecnologias. Os convidados principais foram o professor Marco Silva, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), e Marcelo Buzato, doutorando da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

De acordo com Marco Silva, a “mensagem” agora é um mundo aberto, em que é possível modificá-la. Hoje, o emissor pode possibilitar que o receptor também seja criador da mensagem. Há uma interatividade, ou seja, os dois trabalham em conjunto. Dessa forma, o professor não deve só transmitir a informação ao aluno, mas também interagir com ele.

Já a participação de Marcelo Buzato ficou centrada na questão dos letramentos digitais, que não estão ligados somente ao conhecimento técnico, mas à habilidade de compreender textos por meio dos dispositivos digitais. Segundo ele, alguns professores ainda não aderiram ao uso do computador por se sentirem analfabetos em novas tecnologias.

O evento ainda contou com a participação de Bernardete Gatti, da Fundação Carlos Chagas, e de Leila Lopes de Medeiros, da Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação (MEC).

Relato do MEC – Leila Lopes relatou a experiência do MEC na formação continuada de professores por meio da Internet. O objetivo do “Projeto Mídias na Educação” é ensinar professores a realizar na sala de aula um trabalho mais interessante e prazeroso para docentes e discentes, utilizando linguagens conhecidas pelas duas partes: a Web, o rádio, a televisão e o vídeo, como fontes de informação e pesquisa.

Outras propostas do Programa são o conhecimento compartilhado, a inclusão no processo digital e a troca de papéis entre professor e aluno. Para Leila Lopes, a tecnologia existente, por mais avançada que seja, não tem a menor possibilidade de substituir a figura do professor.
(Cynthia Pontes e Marcela Elizabeth Santos)

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

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