Resistência à mercantilização

Balanço do 2º Fórum Mundial de
Educação


Segunda edição do evento, que reuniu educadores de cerca de cem países, foi marcada pela resistência à visão do ensino como mercadoria

Por Paloma Varón, de Porto Alegre

O 2º Fórum Mundial de Educação (FME), que se encerrou no dia 22 de janeiro, em Porto Alegre, reuniu educadores e estudantes de cerca de cem países para trocarem estratégias de resistência à globalização neoliberal. Trata-se de uma política que está transformando a educação em uma mercadoria, a ponto de ser reconhecida pela OMC (Organização Mundial de Comércio), com a sua possível inclusão no GATS, acordo geral de comércio e serviços.

De caráter propositivo, o Fórum não se limitou a criticar o modelo de educação vigente na maioria dos países, mas acirrou a necessidade de lutar pela democratização e pela qualidade do ensino público. O conceito de cidade educadora foi muito discutido entre os participantes como uma forma de garantir que haja outros espaços de aprendizagem, além da escola, que continua exercendo papel importante – mas não único – na sociedade atual.

Dentre as estrelas do 2º FME, está o professor e pesquisador francês Bernard Charlot, que além de ter participado de grande parte da programação do Fórum, circulou e conversou com muitas pessoas durante os quatro dias do evento. Charlot, que concedeu uma entrevista exclusiva para o EducaRede (aguarde as próximas semanas para ler), ressaltou a importância de o educador enfrentar as suas tensões e as da sociedade para construir uma escola verdadeiramente democrática.

O EducaRede conversou também com o presidente da federação dos trabalhadores em educação na França, Louis Weber, e com a relatora da Comissão de Direitos Humanos da ONU, Katarina Tomasevski, cujos depoimentos serão disponibilizados em breve no portal. (Leia a entrevista que o Portal Setor 3 fez com Katarina antes do FSM).

Além das três grandes conferências, que reuniram cerca de sete mil pessoas diariamente no estádio Gigantinho, houve mais de 50 mesas-redondas e debates. “A cidade e a educação”, ” A Construção social do conhecimento” e “Projeto político e projeto pedagógico” foram os assuntos abordados nos eixos temáticos do evento, que se desenrolou em outros lugares da capital gaúcha.

Relatos com experiências bem sucedidas foram interessantes por mostrarem como algumas pessoas estão se mobilizando com resultados positivos. Não existe um modelo único, mas alternativas que podem ser seguidas ou criadas para garantir a educação como um direito. O saldo do evento, que pode acontecer em São Paulo em 2004, foi o de que não só alunos e professores, mas a sociedade anseia por uma mudança de paradigmas no cenário educacional.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

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