Rede PEC chega aos municípios

Formação universitária
chega à rede municipal paulista

Vencedora do Prêmio E-Learning, Rede PEC vai beneficiar agora 5 mil professores, numa parceria inédita entre Estado e prefeituras

Por Paloma Varón

Depois de promover a formação universitária de 6 mil professores da rede pública estadual paulista, a Rede PEC (Programa de Educação Continuada) está de volta. Desta vez, vai atender os docentes de escolas municipais, demanda esta feita diretamente pelas prefeituras do Estado de São Paulo no intuito de oferecer a seus professores da Educação Infantil a 4ª série do Ensino Fundamental a oportunidade de fazer um curso superior. Trata-se de uma parceria inédita entre Estado e municípios, que permitirá uma melhor qualificação dos docentes.

A Rede PEC é uma das três vencedoras do Prêmio E-Learning Brasil 2003, pelo programa desenvolvido em 2001/2002 na secretaria estadual da Educação de São Paulo. A novidade da edição de 2003, que atinge os municípios, é a inclusão da Educação Infantil (competência municipal, conforme a legislação),  aumentando o tempo de duração  do curso de um ano e meio para dois anos.

A partir de uma iniciativa da Undime (União dos Dirigentes Municipais de Educação), em parceria com o governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Educação, a USP (Universidade de São Paulo) e a PUC (Pontifícia Universidade Católica) se uniram para conduzir o programa, que atende cerca de 5 mil professores de 38 municípios. A gestão operacional continua sendo da Fundação Vanzolini.

Segundo o gerente do PEC Municípios, Artur Costa Neto, o critério de inclusão das cidades foi a solicitação das próprias prefeituras, que se inscreveram no programa.  “O PEC estadual teve uma repercussão muito grande,  estimulando os municípios a buscar também formação universitária para seus professores”, explica. Costa Neto acredita que, dentro de  cinco anos, todo o Estado de São Paulo terá professores com nível superior. “Há muitos programas semelhantes ao PEC acontecendo simultaneamente pelas cidades do Estado. Quanto mais o professor estiver capacitado, mais condições ele tem de formar o aluno”, diz.

Coube ao Estado montar uma estrutura nos municípios, que conta com um ambiente de aprendizagem de três salas. Uma delas é aparelhada para receber a videoconferência e a teleconferência, sistemas tecnológicos que permitem a professores-alunos e professores do curso permanecerem em contato, estando em cidades diferentes. Outra é equipada com computadores, para os alunos terem acesso a conteúdos pedagógicos, e o terceiro espaço é voltado para reuniões e debates.

Qualidade de ensino na escola
 

O uso das novas tecnologias  permite aos professores completarem o curso diretamente de seus municípios. Cada turma conta com um professor-tutor de uma das universidades associadas. O caráter de educação continuada possibilita que os professores-alunos não se desliguem do trabalho para participar do programa, e ainda contabiliza a experiência em sala de aula  como hora complementar para alcançar as 3.100 horas exigidas.

“No PEC estadual, a Fundação Carlos Chagas fez uma avaliação satisfatória,tanto que mantivemos quase tudo no atual, acrescentando toda a parte de Educação Infantil”, disse Costa Neto, destacando que o objetivo do programa é a melhor formação do aluno, que virá com uma melhor qualidade de ensino adquirida na escola.


Antes de iniciarem os três módulos regulares, os alunos fizeram o Módulo Introdutório de Capacitação em Informática, que aconteceu de forma escalonada (duas semanas para cada turma) entre dezembro de 2002 e fevereiro de 2003.

Em seguida,  todos os 5 mil professores-alunos iniciaram juntos o Módulo I, que debate as dimensões reflexiva, ética e experencial do trabalho do professor. Os módulos consecutivos discutirão a formação do professor, o atual cenário político-educacional, além de conteúdos e didáticas das áreas escolares e currículo.

Dentre outros benefícios, segundo o gerente do PEC municípios, destaca-se a melhora no nível de letramento das crianças e jovens, já que  seus professores estarão  mais bem preparados,  evitando que cheguem à 5ª série com dificuldades para ler e escrever.

“A questão da alfabetização é tema central de todo o programa”, atesta Costa Neto. Segundo ele, a melhoria da qualidade de ensino é o resultado esperado. “O melhor de tudo mesmo é que essa capacitação, essa reflexão, os professores estão levando para toda a rede.”

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

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