Programa Ação


Ação entre amigos

Programa de TV sobre educação apresentado por Serginho Groisman comemora quatro anos no ar em gravação especial longe do estúdio

Por Paloma Varón

“Juntos nós podemos mudar o Brasil através da educação”. Esse é o slogan do programa “Ação”, apresentado por Serginho Groisman, que vai ao ar aos sábados, às 7h30 da manhã, na TV Globo, e também no Canal Futura, às quartas-feiras, 22h30. O “Ação” tem como objetivo divulgar informações sobre educação e incentivar o trabalho voluntário na rede pública brasileira de Ensino Fundamental.

Além de receber convidados, Serginho apresenta reportagens e entrevistas sobre iniciativas bem sucedidas de organizações não-governamentais (ONGs), empresas e outras instituições em todo o Brasil e até em outros países (em agosto, a equipe do programa fez matérias especiais em Taiwan).

No dia 3 de dezembro, o EducaRede acompanhou a gravação comemorativa de quatro anos do programa, realizada na Fundação Gol de Letra (FGL), zona norte de São Paulo. Foi a primeira vez que o Ação saiu do estúdio da Rede Globo. O programa foi ao ar no dia 13 de dezembro.

Nos bastidores

Chamava atenção a curiosidade estampada no rosto dos moradores da Vila Albertina, bairro da periferia paulistana, quando viram chegar o carro com a equipe do programa – composta por cinegrafistas, produtores, diretor, técnicos e o apresentador, é claro.

Depois de armar o cenário na quadra de esportes da Fundação Gol de Letra, posicionar refletores, câmeras e convidados, o diretor avisa: “Silêncio: gravando”. Os vizinhos do lado, além dos garotos e garotas atendidos pela FGL, automaticamente ficam mudos e atentos.

Descontraído, Serginho olha para a câmera e começa a falar com ela. Cumprimenta e apresenta os convidados do dia: o ex-jogador de futebol Raí, presidente da FGL, a coordenadora nacional da Pastoral da Criança, Zilda Arns, a diretora do Instituto Faça Parte, Maria Lúcia Reis, e o presidente do projeto Régua e Compasso, de Santo André (SP), Wilson Bianchi.

Tudo corre bem, os convidados saúdam os “futuros” telespectadores, e Serginho se dirige a um grupo de grafiteiros para fazer uma breve entrevista quando o diretor manda parar tudo. O plástico que servia de filtro para um dos refletores estava caindo.

Segura, ajeita, testa, volta a gravar, começa tudo de novo. Assim, entre pausas e retomadas, flui um programa de televisão. Depois, o material bruto ainda passa pela edição, para ser finalizado e ficar no formato de meia hora, com os intervalos comerciais (no caso do “Ação”).

As entrevistas com os convidados, cada um contando sobre os seus projetos, se alternava com os depoimentos dos meninos e meninas presentes. Crianças da FGL e adolescentes do Régua e Compasso participaram dando seu depoimento sobre o que fazem nas instituições e também apresentando números musicais (a banda do régua e Compasso). Os grafiteiros da FGL criaram uma obra especial, em homenagem ao aniversário do programa.

Segundo a equipe do Ação, a seleção das matérias que vão ao ar é feita de acordo com a proposta do projeto e a atuação de cada instituição que mais se encaixa na pauta pensada pelos produtores. Se você quiser indicar algum projeto, pode mandar sugestões pelo e-mail acao@redeglobo.com.br ou visitar o site do programa: www.globo.com/acao .

Fala, Serginho

Serginho Groisman parece nunca envelhecer. Talvez seja a identificação tão imediata da sua figura com o público jovem. Quase não dá para acreditar que Groisman estreou na televisão há 18 anos, entrevistando o piloto Christian Fittipaldi, na época um menino que corria de kart. Seu currículo na telinha abrange programas educativos e de entretenimento como TV Mix (TV Gazeta), Matéria Prima (TV Cultura), Programa Livre (SBT) e os atuais Ação e Altas Horas (Rede Globo).

A identidade do apresentador com a área de educação começou já como aluno, quando atuou como líder cultural da escola paulistana em que estudou, promovendo shows de MPB, sessões de cinema, entre outras atividades. Também ocupou o cargo de diretor e professor de Rádio e TV da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). No intervalo da gravação comemorativa do programa Ação, Groisman fez uma pequena pausa para conversar com o EducaRede:

Como nasceu o “Ação”?
Em 1999, quando a Globo estava idealizando o Projeto Brasil 500 Anos, fui convidado para colaborar na elaboração de um formato de programa sobre educação, que duraria só até abril de 2000, num total de 20 gravações. No entanto, quando estreamos, percebemos que a repercussão estava indo além do esperado, o que fez o programa crescer e se manter na grade de programação, falando sempre de educação, voluntariado, tentando não apenas apontar os problemas, como também mostrar as possíveis soluções.

Quais as dificuldades em fazer um programa cujo tema (educação) é de tamanha abrangência?
Bom, o programa cresceu, é semanal, mas tem meia hora de duração. Sei que ainda temos muita coisa a mostrar. Hoje o número de ONGs e projetos sociais que nos procuram querendo apresentar resultados de boas práticas é muito grande. Muitas vezes a ONG fica em locais muito distantes, de difícil acesso, nem sempre a equipe de produção está disponível para ir a todos os locais. Como o número de boas ações supera a quantidade de tempo e de periodicidade que dispomos, a dificuldade maior está no processo de selecionar as pautas.

Como são feitas as reportagens em tantos lugares?
Com o crescimento do programa, o “Ação” saiu do Núcleo de Produção e passou a integrar a Central Globo de Jornalismo. Isso foi uma grande e boa mudança, um enorme ganho, pois agora a gente conta com a equipe de jornalismo das afiliadas da Globo pelo Brasil para fazerem as matérias de campo.

Qual a importância de divulgar bons projetos educacionais?
É fundamental para qualquer meio de comunicação. Mostrar que existe um Brasil que caminha paralelo ao Estado, que se movimenta. Cada vez mais é preciso divulgar iniciativas da sociedade para melhorar o país e incentivar outras pessoas a fazerem o mesmo.

Você concorda com críticas que apontam que as ONGs querem ocupar o lugar do Estado?
Eu não sou favorável que o Estado deixe de lado a sua responsabilidade, de assegurar aos cidadãos brasileiros o que lhes é de direito. Mas penso que as ONGs dão o sentido crítico do que o Estado deve fazer, ou seja, contribuem para que boas iniciativas possam se tornar políticas públicas.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

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