Professores de São Paulo recebem diploma

Graduação ponto com


Secretaria Estadual de Educação de São Paulo utiliza novas tecnologias em curso de formação universitária para professores efetivos de 1ª a 4ª séries

Por Iva Oliveira*

Aos 69 anos, a professora Reiko Takei mal pode segurar as lágrimas. Ela será homenageada no dia 18 de dezembro por ser a mais velha da turma de quase 7 mil efetivos de 1ª a 4ª série da rede pública estadual de São Paulo que vai receber o diploma de nível superior. “Hoje elas estão assim… começam cantando e daqui a pouco estão chorando”, revela a tutora de Reiko, Carolina Mendes, do pólo Arthur Alvim, um dos 46 ambientes de aprendizagem em que se realizou o Programa Especial de Formação de Professores (PEC). Idealizado pela Secretaria Estadual da Educação, o curso teve duração de 18 meses, seguindo indicação da Lei de Diretrizes e Bases (LDB – 1996), para que todos os professores de ensino fundamental tenham grau universitário até o fim de 2006.

Tanta emoção se justifica, afinal foram mais de 500 dias juntos numa jornada tão árdua que alguns até chegaram a adoecer. “Enganou-se quem pensou se tratar de um cursinho simples. Foi tão puxado que toda semana uma de nós caía de cama”, atestou Maria dos Anjos Pacheco Costa e Silva que, como todas as outras formandas (95% dos participantes eram mulheres), tem mais de dez anos de magistério e continuou trabalhando normalmente enquanto estudava.

A jornada dupla fez parte de um acerto com a Secretaria, que considerou 800 horas de aula para serem aproveitadas no curso, contadas como carga-horária. Ou seja, a experiência em sala de aula funcionou como estágio obrigatório. Segundo a coordenadora-executiva do PEC, Beatriz Scavazza, da Fundação Vanzolini, exatamente 6.233 participantes estão concluindo o curso.
“No começo, sentia que os nossos professores não imaginavam que a gente tivesse tanta capacidade e experiência”, observa a professora-aluna Maria dos Anjos. O comentário da educadora faz todo sentido quando Arlete dos Santos Oliveira, outra tutora, revela: “Com 28 anos de idade tive a oportunidade de trabalhar com gente que tem muito mais experiência que eu. Não tinha idéia sobre o valor delas na sala de aula e como são fundamentais para a educação”.

Além das aulas presenciais, o principal destaque do PEC foi o formato em que foi concebido, baseado no uso de novas tecnologias. Cada unidade de ensino foi equipada com uma sala de videoconferência (aula interativa pelo computador), outra para computadores e um ambiente de estudos. Diariamente, os professores-alunos tinham videoconferências com professores universitários e, aos sábados, a jornada era ainda maior, com vários profissionais dando aula nas teleconferências (debates com especialistas transmitido pela TV). As salas de informática ficavam à disposição para pesquisa e bate-papo. A maioria das educadoras não fazia idéia de como poderiam ficar tão familiarizadas com veículos como a Internet. “O meu marido chegou a comentar que o computador passou a ser o meu amante”, brincou a professora-aluna Margarete Buzon dos Reis.

 

Números do PEC
  • 186 grupos de aproximadamente 40 alunos
  • 95% dos participantes eram mulheres – idade média de 45 a 55 anos
  • 28 horas aula por semana, totalizando 3.100 horas
  • 2.000 horas aula divididas em:
    – 300 horas de atividades prática de ensino
    – 800 horas de reconhecimento do exercício profissional

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

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