Osesp dá curso para professores

Música, maestro!

 A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo oferece cursos de formação continuada para professores, com o objetivo de estimular o ensino da disciplina nas escolas

Por Rosane Storto

Num país como o Brasil, onde coexistem tantas sonoridades e uma grande diversidade de ritmos e melodias, a disciplina Educação Musical deixou de ser obrigatória no currículo da rede pública de ensino. Ela foi incorporada às aulas de Artes. Mas, em São Paulo, por exemplo, apenas 15% dos professores da área desenvolvem trabalhos de educação musical em sala de aula. Os dados são de uma pesquisa realizada pela Coordenação de Programas Educacionais da  Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (CPE – Osesp).

Com base nesse levantamento, a Osesp criou em 2001 o Programa Formação de Professores, com cursos de formação continuada em Educação Musical, que parecem contribuir para mudar essa realidade em algumas escolas.

O projeto foi implantado inicialmente em parceria com as Diretorias de Ensino Norte 1 e Centro, da Secretaria de Estado da Educação. Segundo a coordenadora do programa, Susana Ester Krüger, a experiência permitiu identificar necessidades e interesses dos professores. A partir deste curso-piloto, a coordenação pôde preparar uma estrutura capaz de atender profissionais que atuam em diferentes níveis de ensino.

Além do curso, a CPE-Osesp irá promover, em setembro, o I Seminário Osesp de Educação Musical/III Encontro ABEM – Região Sudeste. Este evento têm como objetivo divulgar e aperfeiçoar o ensino de música nas escolas.

Pesquisa

Realizada em 149 escolas públicas das duas Diretorias de Ensino da rede estadual, a pesquisa da CPE – Osesp teve como objetivo investigar a atual situação da educação musical em escolas estaduais na cidade de São Paulo. Mostrou que apenas 33% dos professores participavam de cursos de educação musical e que a grande maioria utilizava a música para trabalhar outra disciplina.

A pesquisa mostrou também que a maioria dos educadores que trabalha com música em sala de aula não tem formação musical. “São professores de Artes ou outras disciplinas e de 1ª a 4ª séries”, afirma Susana. O curso da CPE-Osesp é voltado exatamente a esses professores que querem utilizar a música, mas não têm nenhuma ou têm pouca formação. “É um curso de capacitação musical para professores, com o objetivo levar a música da Orquestra às salas de aulas, em um rico intercâmbio com as canções que as crianças escutam no seu dia-a-dia”, explica.

Os cursos, desenvolvidos por especialistas em Educação Musical, têm oito módulos, que abordam temas como os processos de ensino e de aprendizagem musical nos diferentes aspectos, tais como execução, apreciação e composição.

Os temas trabalhados são muitos: relações entre cultura, mídia e adolescência; parâmetros que facilitam a realização de atividades vocais e de grupos instrumentais; os tópicos teórico-práticos para a educação musical em sala de aula; abordagens críticas sobre a interdisciplinaridade da música com outras artes; recursos para o planejamento do ensino e avaliação musicais; e elaboração de material didático.

De acordo com Susana, os cursos são rigorosamente avaliados pelos participantes e pelos docentes. Desde o primeiro curso, em 2001, o número de participantes dobrou: de 30 professores duplicou para 60 em 2003. “Tivemos de fazer uma reestruturação, dividindo as turmas: professores da Primeira Infância e Educação Infantil; professores do Ensino Fundamental; e professores de Arte.”

Paralelamente aos cursos, acontece também o Ensaio Geral Aberto, que tem como objetivo fazer com que os professores participantes levem seus alunos aos concertos ou ensaios abertos da Osesp, na Sala São Paulo. Os ensaios recebem crianças de sete a dez anos, pré-adolescentes e adolescentes e atingiram, em 2002, mais de cinco mil alunos de 50 escolas.

Susana diz que a procura pelos ensaios é tão grande que, para este ano, já não há mais vagas e a lista de espera é extensa. As crianças adoram o programa e muitas fazem desenhos após assistir às apresentações, mostrando suas impressões acerca do que viram e ouviram.

Cadê os instrumentos?

Participar do curso da Osesp é uma experiência única, de acordo com os professores da rede estadual de ensino Luís Carlos Tozetto e Mariza Aparecida Naim Elaur. Professores de Artes do curso de 2001, eles já estão aplicando os conhecimentos obtidos em sala de aula e afirmam ter conseguido excelentes resultados nos últimos anos.

Para Tozetto, da EE João Sirineu, na Brasilândia (zona Norte de São Paulo), o curso mostrou que é possível trabalhar com música em sala de aula sem instrumentos musicais. “Foi muito bom participar do curso que proporciona um crescimento tanto profissional quanto pessoal. Hoje capacito professores de 1ª a 4ª séries para fazer o trabalho também, graças ao incentivo da Osesp”, afirma.

Tozetto conta que aprendeu a trabalhar com seus alunos e a aproximá-los a música erudita. “Sempre levo a disciplina para as aulas. No início, as crianças reclamavam um pouco do estilo musical, mas aprenderam a apreciar a música erudita”, afirma. Seus alunos foram levados ao ensaio aberto e ficaram fascinados com a apresentação. Segundo ele, a escola irá novamente neste ano, pois muitos pedem para voltar.

A professora Mariza Aparecida Naim Elaur chegou ao curso por meio de outro professor da escola onde leciona, a EE Professor Antonio Firmino, na Mooca (zona Leste de SP). Professora de Artes com habilitação em Música, Mariza já desenvolvia atividades musicais com seus alunos, que foram intensificadas após ingressar no curso da Osesp. “O curso é maravilhoso, os instrutores são excelentes e nos ensinam a aproveitar o potencial do aluno, a trabalhar a música erudita de forma diferenciada”, observa.

Segundo Mariza, o curso possibilita que os professores aprendam como envolver seus alunos nas atividades em sala de aula. A escola onde Mariza leciona recebeu músicos da Osesp em 2002 e os alunos, segundo ela, ficaram fascinados com o trabalho desses músicos e conversaram muito com eles sobre a música erudita. No final de 2003, a professora levará alguns alunos para participar de um ensaio aberto da orquestra.

Desenvolvido pela Coordenadoria de Programas Educacionais (CPE-Osesp), o curso é aberto também às escolas particulares. Neste caso, a diferença fica no valor a ser pago pelo professor. Os educadores da rede pública pagam uma taxa mínima, de manutenção do curso. “Inicialmente, não cobrávamos nada dos professores da rede pública, mas temos um custo alto, por isso cobramos uma pequena taxa que cobre os custos de uma apostila e parte do ingresso para um concerto da Osesp”, observa Susana.

Maiores informações sobre os Cursos de Formação Continuada em Educação Musical para Professores e sobre o I Seminário Osesp de Educação Musical podem ser obtidas na CPE-Osesp pelo telefone (11) 3351-8229, pelo e-mail ass.cpe@osesp.art.br  e no site da Osesp: www.osesp.art.br.

Os sites indicados neste texto foram visitados em 21/08/2003

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)


 

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