O trabalho escravo no Brasil

O trabalho escravo no Brasil

Disciplina:

História

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Escravismo
Tipo: Artes Visuais

A proposta apresentada a seguir pode iniciar um diálogo e uma reflexão sobre as origens do trabalho compulsório no Brasil (escravidão, principalmente negra), entre alunos de 6ª ou 7ª série.

A classe deve ser organizada em roda e o professor inicia o trabalho perguntando sobre o significado da palavra escravidão. Porém, os alunos não devem expressar suas idéias oralmente e sim com uma palavra escrita, um gesto ou desenho.

Em seguida, o professor apresenta a figura “A Negra”, de Tarsila do Amaral, podendo ampliá-la para facilitar a observação dos alunos. Com a imagem em mãos, estabelece comparações com a produção do grupo e verifica a opinião dos alunos sobre a negra idealizada pela artista, perguntando se ela representa de fato a condição dos negros da atualidade ou a que estereótipo corresponde.

Inicia-se, então, um debate com os alunos sobre a situação atual dos negros em nosso país. Como apoio para essa discussão, podem-se utilizar textos, situações que os alunos apresentarem (que envolvam preconceito e diversidade de oportunidades), fragmentos de músicas, como “O Teu Cabelo não Nega”, ou ainda trechos de livros, como Macunaíma, de Mário de Andrade (clique aqui para ver exemplos de textos que podem ser utilizados).

É importante que o professor mostre que palavras ou expressões podem assumir diferentes sentidos, conforme a situação em que estão sendo empregadas. Por exemplo, falar que “a situação está preta” não implica necessariamente em racismo, pois desde o tempo das cavernas o ser humano teme a falta de luz, por representar perigo. Já em expressões como “isso é coisa de negro”, fica claro o conteúdo racista.

O professor também deve lembrar que a escravidão no Brasil não ocorreu apenas com os negros. Não podemos esquecer dos índios, escravizados quando os portugueses chegaram ao Brasil. Além disso, o preconceito racial também se estende a outros “não brancos”, como os próprios índios, os árabes etc. Caso o professor queira aprofundar o trabalho, pode ampliar o tema introduzindo a questão do preconceito em geral e da intolerância com a diversidade étnica e cultural.

Para concluir a atividade, pode-se solicitar a elaboração de um texto coletivo, com o registro das idéias dos alunos em relação à atividade desenvolvida, que dará ao professor subsídios para estabelecer conexões entre a situação de agora e a experimentada pelos escravos a partir do século XVI.

A atividade pode ser realizada de forma interdisciplinar, contando com os professores de Educação Artística e Língua Portuguesa. Como projeto interdisciplinar pode, por exemplo, contar com a montagem de uma peça teatral ou a exposição de telas produzidas pelos alunos a partir do tema.

O professor de Educação Artística pode ressaltar técnicas variadas de composição artística e promover a apreciação, comparação e releitura de outros quadros da própria Tarsila do Amaral ou de outros artistas, introduzindo um estudo sobre o Modernismo e a questão da identidade nacional.

Já o professor de Língua Portuguesa pode discutir textos narrativos e poesias, visando à produção escrita dos alunos e ao desenvolvimento de suas habilidades, seja com teatro, pintura, concurso de poesias, ou ainda saraus e o que mais a criatividade permitir. No entanto, deve-se ficar atento aos objetivos da atividade, para não haver dispersão nem afastamento da proposta de trabalho.

Texto original: Maria Walburga dos Santos
Edição: Equipe EducaRede

 (CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)
27/11/2002

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