No Reino de Valmaar, criança não trabalha

No “Reino de Valmaar”, criança
não trabalha


Livro virtual com jogos de RPG auxilia educadores a discutir trabalho
infantil com crianças e adolescentes

Por José Alves

“Provença é um reino distante, fundado por magos de Valmaar há mais de duzentos anos. Lá, os níveis de Educação são excelentes – praticamente todos os habitantes vão para a escola e aprendem a usar os Talismãs”. O trecho acima é parte da história “A Poção de Valmaar”, uma das nove que compõem o livro virtual “Histórias do Reino de Valmaar”, produzido pelos participantes do Programa de Formação de Núcleos Socioeducativos e Escolas das regiões de M´Boi Mirim e Grajaú – Combate ao Trabalho Infantil, no EducaRede.

O livro, concebido na Comunidade Virtual Pró-Menino, foi lançado no último dia 11, durante evento em São Paulo, e utiliza o jogo RPG (Role-Playing Game) como pano de fundo para discutir um assunto essencial para a vida de crianças e adolescentes: a erradicação do trabalho infantil.

Em inglês, RPG é a sigla de Role-Playing Game, que pode ser traduzida como “jogo de interpretação de papéis”. Pense em uma história em que cada jogador interpreta um dos personagens, só que, ao contrário das histórias convencionais, nos RPGs o final não está definido desde o começo. Os jogadores decidem como seus personagens vão agir no decorrer da partida e coisas diferentes podem acontecer a cada decisão tomada.

Mas, de que forma um jogo pode contribuir para a erradicação do trabalho infantil?  Segundo Sônia Dias, responsável pelas estratégias de Educação a Distância e coordenadora da oficina de criação do livro, “o RPG foi escolhido por combinar com a concepção de aprendizagem que permeia o projeto, a produção coletiva e colaborativa, além de possuir a linguagem dos jogos, próxima das crianças e dos adolescentes”.  A educadora da ONG Serviço Social Bom Jesus, um dos Núcleos Socioeducativos participante do programa, Ruth Ferreira Camboim, concorda: “O RPG traz o lúdico para um tema que é muito difícil de ser trabalhado com crianças e adolescentes. Quando a fantasia e as brincadeiras passam a fazer parte do processo, o objetivo pode ser atingido com mais rapidez”.

O Secretário Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, Floriano Pesaro, sugere possibilidades de utilização do livro virtual: “Cada educador pode vivenciar a história que criou e a dos colegas de formação em sua escola ou núcleo. Pode também imprimir, se for mais conveniente, passear com seu livro, ou, ainda, jogar pela Internet com seus educandos. Os educadores também são convidados a criar outras histórias com suas crianças ou colegas”, conclui.

A produção e o lançamento do livro virtual é uma das ações do Programa de Formação de Núcleos Socioeducativos e Escolas das regiões de M´Boi Mirim e Grajaú – Combate ao Trabalho Infantil, cujas ações a distância foram realizadas na Comunidade Virtual Pró-Menino. O projeto é resultado de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo (SMADS), por meio do  Programa São Paulo Protege, e a Fundação Telefônica, com o Programa Pró-Menino.  Professores da rede pública e educadores de núcleos socioeducativos construíram coletivamente, nos encontros presenciais, as histórias que deram origem à obra. Fora dos encontros, a comunicação entre os participantes se deu a distância, por e-mail, fórum, blog e outras ferramentas na Comunidade Virtual.

O ambiente Comunidade Virtual de Aprendizagem é um espaço aberto disponível no EducaRede para projetos geridos pelo internauta. Outro ambiente disponível aos usuários é a Oficina de Criação, espaço interativo destinado à produção de textos, em diversos gêneros, sob orientação de um mediador, que dá dicas e faz propostas específicas para o trabalho dos participantes.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

 

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