Na “festa” da Cultura Digital, educação ganha voz

Na “festa” da Cultura Digital, educação ganha voz


Grupo de Estudos promoveu encontro presencial, que extrapolou a sua própria rede

Giulliana Bianconi

 

Há mais coisas em comum entre o Fórum da Cultura Digital e o Grupo de Estudos Online Educar na Cultura Digital além do nome que apresentam. O que pôde ser visto – e sentido – durante os três dias da segunda edição do Fórum, na Cinemateca, em São Paulo, foi um ambiente de intenso compartilhamento e até de euforia entre os participantes.

Entusiasmo que talvez se justifique por estar mais evidente, a cada edição do Fórum, que a máxima defendida pelos mais engajados na cultura digital parece irrefutável: esta é a cultura “real”, e não somente à qual se tem acesso “de vez em quando”.

E esta cultura é horizontalizada, ampla, agregadora. No Fórum, assim como acontece no Grupo, o que menos importava era “quem sabia mais”, quem era “doutor” ou “mestre”. A disposição dos participantes em discutir experiências e a pré-disposição para aprender, ouvir e interagir fez do evento um daqueles encontros em que é difícil alguém não “sair ganhando”. E não por acaso, no meio dessa atmosfera, aconteceu o primeiro encontro presencial do Grupo de Estudos Educar na Cultura Digital.

Participante do Grupo, a professora e mestre em Engenharia de Mídias para a Educação Débora Sebriam esteve na conversa. Explicou por que gostou da proposta do Educar na Cultura Digital “de cara”. “O Grupo nasceu e me inscrevi logo após o lançamento. Gostei muito do formato, que não privilegia ‘receita de bolo’, mas abre a chance para o diálogo e a experimentação entre pessoas com preocupações, anseios e curiosidades comuns”.

“Receitas” também foram dispensadas do encontro presencial. Como bem foi destacado em texto do blog Recursos Educacionais Abertos , “em vez de algumas pessoas, definidas previamente, apresentarem suas experiências e responderem a perguntas, como estava previsto, o encontro floresceu como uma roda de conversa horizontal em que as cerca de 40 pessoas presentes puderam se apresentar e discutir os temas que surgiam”.

Com o tema “educação na cultura digital” , problemas foram apontados, dificuldades discutidas, mas uma visão otimista predominou. Tanto os integrantes do Grupo de Estudos quanto os das outras redes educativas presentes – REA, Mocambos, Puraqué – tinham boas experiências para compartilhar. Mais que isso: tinham expectativas de avanço e transformação graças ao que já vivenciaram nas redes em que atuam. O professor José Carlos Antônio, mediador do Grupo de Estudos, destacou: “Antes, os educadores não tinham acesso à cultura digital, não a vivenciavam em suas práticas. Hoje começam a vislumbrar possibilidades”.

Buscando o melhor caminho

Como em todo novo processo, os erros fazem parte. Foi o que mostrou Jader Gama, do Puraqué, ao falar sobre um dos projetos desenvolvidos por esta rede no Pará. Ele contou que os professores, inicialmente, foram excluídos de um projeto que tinha como objetivo a metarecicalgem, mas logo em seguida essa decisão foi repensada, os professores inseridos e os resultados ampliados. Houve, de fato, uma inclusão da comunidade escolar.

Esta resistência inicial dos professores pode ser compreendida em análise feita posteriormente por Débora Sebriam: “Nós sabemos que o ambiente escolar é regido por um sistema ‘truncado’, onde a grande maravilha é o professor estar presente e dar a sua ‘aulinha’”. Em seguida, ela mesma questionou: “Mas e onde fica o diálogo e a troca neste sistema? Como é possível reciclar ideias, compartilhar experiências em um ambiente onde não existe espaço pra isso?”. Débora diz que “o Grupo [Educar na Cultura Digital] tem suprido este anseio dos educadores que o procuraram”. A experiência do Puraqué é também um exemplo para reforçar que, quando o diálogo e a “cultura das trocas” são estabelecidos, os ganhos tendem a aparecer.

Evento cresceu, essência permaneceu

O tema educação não foi contemplado na programação oficial do I Fórum da Cultura Digital mas esteve presente nesta segunda edição. E ocupou diferentes horários da programação oficial.

Antes mesmo do encontro presencial do Grupo de Estudos, a mediadora pedagógica do ambiente Mílada Gonçalves apresentou a proposta deste Grupo à plateia. Além disso, diversos outros profissionais renomados – intelectuais, ativistas, artistas, pesquisadores, gestores também estiveram circulando pelos corredores e salões da Cinemateca nos três dias de evento. Mesmo com mais “corpo”, o Fórum manteve a sua essência.

“Trocar uma ideia” com Gilberto Gil, por exemplo, era uma possibilidade para qualquer um dos outros participantes. Além do senso de liberdade, que resultou em diversas entrevistas do próprio Gil e de outros artistas e intelectuais para blogs, sites e coletivos virtuais, esse formato é propício à inclusão. Se não a digital, a cultural. E a proposta do Fórum é essa: que uma coisa leve a outra. E vice-versa.
(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

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