Internet Segura

Internet Segura

A Internet oferece oportunidades sem precedentes, sobretudo para crianças e adolescentes, como comunicar-se, buscar informação, estudar e jogar. Contudo, trata-se também de um canal de transmissão de conteúdos nem sempre tão adequados e refúgio de assediadores de todo o tipo. Mas como os pais podem aprender a lidar com essa dicotomia da Rede?

Fonte: EducaRede Espanha
Tradução: Airton Dantas
Adaptação: Equipe EducaRede Brasil

O desenfreado uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs), em especial a Internet, sem dúvida é o mais relevante fator de mudança social de nossos dias. Crianças e adolescentes que cresceram simultaneamente ao desenvolvimento das TICs encaram a Internet como seu território natural. Para os pais, o debate centra-se na busca pelo equilíbrio entre duas posturas complementares: os que vêem a Internet como uma extraordinária ferramenta educativa e os que temem os riscos que acompanham o acesso à Rede.

No Brasil, dados divulgados em setembro de 2008 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 32,1 milhões de brasileiros acessam a Internet em algum local – de casa, do trabalho e de centros públicos ou privados. Este número corresponde a 21% da população maior de dez anos de idade. Metade dos internautas utilizou a rede no domicílio em que morava e 39,7% em seu local de trabalho. A conexão discada é mais difundida que a banda larga.

O estudo do IBGE também mostrou que a maior proporção de usuários está entre os jovens: três de cada dez adolescentes, entre 15 a 17 anos de idade, utilizam o serviço, enquanto na faixa acima dos 40 anos o número de internautas cai para menos de um em cada 10. A principal finalidade de acesso, segundo revelou a pesquisa, é a instrução, e mais de 40% dos usuários é estudante.

Segundo o IBGE, a Internet representou o principal avanço em bens de consumo domiciliares no País em 2007. O porcentual de domicílios conectados à Internet passou de 8,6% em 2001 para 20,4% em 2007, acompanhando um aumento forte no acesso ao microcomputador, que passou de 12,6% em 2001 para 27% no ano passado. A pesquisa também mostrou que o Brasil já está em quarto lugar no ranking Latino Americano de acesso à Internet. E, de acordo com compromisso assumido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no início deste ano, até 2010 todos os alunos de escolas públicas do ensino médio e fundamental terão acesso à internet de banda larga, isso representa 83% dos alunos do Brasil.

O panorama revelado por essas estatísticas demonstra ser obrigatória a inclusão, em qualquer debate público sobre educação de crianças e jovens, da presença e do papel da Internet em suas vidas e, em especial, de quais as principais vantagens e inconvenientes derivados de seu uso.

Vantagens e inconvenientes para as famílias
A possibilidade de que os menores de idade tenham acesso a conteúdos inadequados na Rede é uma preocupação justa de pais e educadores. No entanto, é preciso fugir de atitudes radicais em relação à Internet, já que a solução não é proibir o acesso, mas incentivar seu uso responsável.

A existência de conteúdos impróprios na Rede é inqüestionável, mas é igualmente certo que muitas vezes há exageros a respeito de seu caráter nocivo, divulgados até mesmo pelos meios de comunicação tradicionais.

As oportunidades com que o ciberespaço nos brinda são quase ilimitadas, como combater a desigualdade entre classes sociais ao permitir o acesso universal à informação, contribuir para o intercâmbio cultural, ser um elemento integrador para os portadores de necessidades especiais e uma porta aberta a todo o tipo de conhecimento, multiplicar as possibilidades de entretenimento e, sobretudo, ser uma ferramenta-chave para a educação. Não é em vão que numerosas pesquisas demonstram que os estudantes com maior habilidade em lidar com a Internet obtêm melhores resultados escolares do que aqueles que têm acesso à Rede somente na escola.

Em geral, a percepção dos pais acerca da relação dos filhos com a Rede é contraditória. De um lado, vêem os filhos como os “sabichões da casa” em relação às novas tecnologias, já que, no caso das TICs, são os mais novos que superam os mais velhos em conhecimento – um fenômeno denominado “brecha digital” (do inglês digital divide), que faz referência à distância que separa certos grupos, como pais e filhos, segundo sua capacidade para utilizar as TICs de forma eficaz, relacionada a diferenças no nível de alfabetização e de aptidão tecnológica. De outro lado, os pais se preocupam com a vulnerabilidade dos pequenos ante sua exposição aos potenciais perigos da Internet.

A Internet representa uma oportunidade extraordinária para os pais, uma vez que lhes permite participar da educação dos filhos e compartilhar com eles todo o tipo de atividades de formação e entretenimento.

Sem dúvida, o risco existe e é necessário enfrentar o desafio de minimizar os danos que os conteúdos inadequados podem causar em crianças e adolescentes. Mas é preciso saber que esses riscos se limitam a uma ínfima parcela dos conteúdos que circulam na Rede. O acesso a materiais de caráter pornográfico, violento ou xenófobo, a interação com desconhecidos e delinqüentes virtuais por meio dos programas de mensagem instantânea e o alcance facilitado às drogas são os mais comuns e, por sua vez, os mais temidos pelos pais.

A percepção de crianças e adultos em relação à InternetA investigação sobre a relação com as TICs no lar, Infancia y Adolescencia en la Sociedad de la Información, publicada pelo Observatorio Nacional de las Telecomunicaciones y de la Sociedad de la Información, em junho de 2005, destaca que a percepção de crianças e adolescentes de até 17 anos em relação às novas tecnologias é mais favorável que a dos adultos.

Algumas conclusões do estudo feito pelo IBGE referem-se à divergência de opiniões entre ambos os grupos quanto à função que a Internet desempenha e desempenhará na educação:

• Adolescentes e adultos valorizam de maneira muito similar a importância que o conhecimento das TICs terá na educação.
• A percepção da Internet como uma ferramenta com mais desvantagens que vantagens é 30% maior entre os adultos.
• Enquanto crianças e adolescentes vêem as TICs como ferramentas de apoio à sua formação, os adultos estão ligeiramente menos de acordo com essa afirmação.
• A maior desigualdade de opiniões entre esses grupos (quase 5 pontos de diferença) refere-se à influência da Internet na comunicação: é significativamente superior o número de adultos que consideram que as TICs não promovem maior comunicação.

O impacto das novas tecnologias na vida social provocou uma profunda mudança no comportamento e nos hábitos de lazer de crianças e adolescentes em relação às gerações anteriores. Hoje, o tempo dos pequenos é curto para que possam desfrutar da grande quantidade e variedade de possibilidades de diversão que o mercado oferece, principalmente a partir do advento da Internet. O exemplo mais patente é o boom dos videogames e dos jogos online. Até poucos anos atrás, bonecas e jogos de mesa eram os presentes mais ansiosamente esperados por nossos filhos. Hoje, os videogames são os campeões de preferência.

A desenfreada expansão da indústria de videogames e a crescente popularidade dos programas de mensagem instantânea impõem novos desafios aos pais. E suscitam, sobretudo, inúmeras incógnitas, algumas das quais não são de fácil solução. Muitas vezes, os educadores não possuem nem o conhecimento, nem os instrumentos necessários para avaliar se essas novas formas de entretenimento são benéficas ou prejudiciais aos menores de idade.


Uso e abuso das novas tecnologias
O tempo que os jovens dedicam às comunicações, aos videogames e à navegação na Internet aumenta a cada ano a um ritmo alucinante. No Brasil, a maioria dos que se conectam à Rede passam de 1h a 5h diárias em frente ao computador. Em outros países, como a Espanha, o caso dos adolescentes é ainda mais sintomático: boa parte deles passa mais de seis horas por dia exposta às novas tecnologias (Internet, celular, videogames, MP3 player etc.), e um de cada quatro madrilenos entre 10 e 17 anos considera imprescindível conectar-se à Rede e enviar mensagens de texto. Esses dados deixam os especialistas alarmados, mesmo que concordem que as TICs não são nem más, nem boas em si mesmas. Abusar dos jogos online, por exemplo, pode causar dependência, problemas ergonômicos e até mesmo visuais, mas seu uso racional pode ter função reabilitadora, estimulando, por exemplo, determinadas funções reflexas e psicomotoras. A chave está, pois, no uso que se faça desses novos meios de informação e entretenimento.

Segundo Claudemir Edson Viana, doutor em ciências da comunicação pela ECA/USP, autor da tese O lúdico e a aprendizagem na cibercultura: jogos digitais e Internet no cotidiano infantil (2005), feita a partir da análise de um grupo de 30 crianças entre 8 e 10 anos de idade, “ao brincar também com os jogos digitais e ao acessar a internet, a criança desenvolve diversas habilidades físicas e mentais, e mesmo quando brinca com jogos digitais cujos conteúdos são considerados violentos não ocorre necessariamente uma transferência deste conteúdo violento para a sua vida real”.

Há estudos que até apontam o contrário, ou seja, que ao brincar com jogos digitais violentos ocorre uma cartase na criança, isto é, seus impulsos violentos são ‘satisfeitos’ com a projeção que ela faz para as situações virtuais que um determinado jogo oferece. “Entretanto, isto não quer dizer de forma alguma que as crianças não precisam de atenção e alguma forma de acompanhamento por parte dos adultos, sobretudo dos pais. A mediação destes é de fundamental importância não só como mais uma forma de se conhecer melhor quem são seus filhos e de participar na formação global dos mesmos, mas também para se colocar limites neste tipo de brincadeira, seja quando a criança utiliza o computador de casa, ou de amigos, ou numa lan house, pois assim como tudo na vida os exageros podem viciar e causar diversos males para o desenvolvimento das crianças, no caso”, alerta o pesquisador.

Uma das grandes preocupações dos pais é se essa nova forma de conceber o entretenimento pode afetar as relações sociais dos filhos. Vivemos em dois mundos paralelos: o real e o virtual. O ambiente virtual – que, queiramos ou não, já faz parte de nossa vida – é muito tentador. Envolve infinitas oportunidades, mas também algumas ameaças. Os especialistas assinalam que os novos meios de lazer e sua “cultura de simulação do mundo real” são uma válvula de escape muito eficiente para alguns de nossos menores, algo que desconcerta muitos pais e educadores: Do que nossos filhos sentem falta no mundo real? Interagir na Internet e por meio de videogames é altamente estimulante para os pequenos, uma vez que podem tomar decisões continuamente e recebem recompensas imediatas. Precisamos, contudo, garantir que nossos filhos conheçam e desfrutem também dos valores tradicionais do mundo real, nosso conhecido desde a infância. Do contrário, correm o risco de enclausurar-se em um ambiente que muitos adultos desconhecem, perdendo, assim, o contato com a realidade.

As novas tecnologias exigem pouca interação social e há o risco de ocuparem excessivo tempo do processo de desenvolvimento da criança, levando uma parte da população ao isolamento. Os programas de mensagem instantânea (Messenger etc.) são um dos instrumentos que mais criam dependência entre os mais jovens e, ao mesmo tempo, uma das vias de contato mais utilizadas pelos “ciberassediadores”. Além disso, há videogames com conteúdos impróprios para determinadas faixas etárias, embora essa crítica seja relativa devido ao contexto sociocultural e familiar em que a criança vive.

Os pais devem tomar decisões fundadas no próprio critério com o fim de proteger seus filhos, do mesmo modo que fazem na hora de escolher um filme para ser visto em família. “Mas sempre de forma dialogada, pois censura pela censura não é o melhor caminho para se educar”, explica o professor Claudemir Viana.

Sugestões para os pais

O centro de proteção contra conteúdo malicioso (malware) da Microsoft oferece algumas orientações básicas aos pais para que seus filhos joguem e usem a Internet de uma forma segura, divertida e educativa:
Videogames Internet
Observe como e com quem seus filhos jogam: posicione a TV ou o computador de forma que possa supervisionar o comportamento dos menores enquanto jogam. Assegure-se de que seus filhos não conversem com desconhecidos por meio dos programas de mensagem e/ou de chats.
Supervisione a comunicação que seus filhos estabelecem nos jogos online: incentive-os a lhe comunicar quando um jogador utilizar linguagem inapropriada. Ensine-os a detectar quando houver possibilidade de estarem diante de um “abusador” e faça-os saber como se comportar diante deles.
Procure os canais adequados para denunciar aos administradores dos jogos as atitudes que considera nocivas aos menores. Certifique-se de que seus filhos conhecem procedimentos seguros para navegar no ciberespaço e se são capazes de lhe comunicar quando se sentirem incomodados com algo que lhes ocorra enquanto jogam ou navegam.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *