História da pesquisa

O sistema de voto

O voto é universal e obrigatório para todos os cidadãos que saibam ler e escrever e cujas idades oscilem entre 18 e 70 anos. O voto é optativo para os cidadãos a partir de 16 anos, para aqueles maiores de 70 anos e para os analfabetos de qualquer idade.

Os candidatos devem pertencer a um partido político. A inscrição de um partido político é feita no Tribunal Superior Eleitoral, condicionada ao cumprimento de certos requisitos mínimos estabelecidos pela lei.

A primeira pesquisa eleitoral feita no Brasil foi divulgada em maio de 1945. Era a primeira eleição presidencial depois de 15 anos de governo não-democrático de Getúlio Vargas. Publicada no “Diário da Noite”, o levantamento, feito pelo recém-criado Instituto Brasileiro de Opinião e Pesquisa (IBOPE), mostrava, em São Paulo, o candidato da oposição, o brigadeiro Eduardo Gomes, à frente do candidato da situação, o general Eurico Gaspar Dutra.

Na época, o instituto dividia o eleitorado de acordo com um critério bastante subjetivo, “grau de cultura”. No grau de cultura “superior”, Gomes tinha 42,5% dos votos, contra 11,7% de Dutra. Já no grau de cultura “elementar”, o candidato da situação levava vantagem: 22% contra 15,6%. O restante dos votos (nada menos do que 62,4%) era em “branco”.

No final, o candidato situacionista de Getúlio venceu por uma vantagem de quase 20% – já demonstrando que pesquisa é apenas um retrato de momento e não antecipa o resultado de uma eleição.

Evidentemente que de 1945 para cá muita coisa mudou. A começar pelo fato de que hoje em dia há diversos institutos que as realizam (IBOPE, Vox Populi, Data Folha, Sensus, Toledo & Associados, além de diversos institutos regionais). E não é só isso: as técnicas estão mais apuradas e os políticos incorporaram, de modo definitivo, as pesquisas a suas campanhas.

Na atual corrida sucessória, por exemplo, nenhum candidato abre mão delas – mesmo que, em público, por motivos meramente de marketing, declare que não acredita em seus números ou coisa que o valha. Os políticos parecem ter desenvolvido um padrão de declarações. Quando os números não os favorecem, a resposta mais tradicional (e batida) é a de que “a verdadeira pesquisa é aquela que acontece no dia da eleição” ou “não me preocupo com pesquisas”.

 

Como é feita uma pesquisa?

 

Uma pesquisa eleitoral é diferente de uma pesquisa para um produto. Para lançar um bem de consumo, as empresas fazem levantamentos cujos universos podem ser bastante restritos. A cidade de Curitiba (PR), por exemplo, pelo fato de possuir uma população grande de “classe média”, é bastante utilizada para pesquisas de produtos. Costuma-se dizer que o que é “aceito” na capital paranaense será aceito no Brasil.

O mesmo não ocorre, entretanto, com pesquisas eleitorais. Para captar as tendências de voto para Presidente da República, por exemplo, é necessário seguir critérios técnicos e metodológicos bastante rigorosos. Uma boa estratificação e um tamanho suficiente da amostra são os dois fatores fundamentais para a confiabilidade e o grau de erro de uma pesquisa eleitoral.

Ao grupo de pessoas a serem entrevistadas para uma determinada pesquisa dá-se o nome de amostra. Em geral, o número fica entre 2 a 5 mil indivíduos. Pode parecer uma quantidade insignificante, mas não é, pois está dentro de uma estimativa estatística. Conforme a técnica, a margem de erro alcançada seria a mesma para um universo de milhões, logo, não justificaria um aumento pesado nos custos do trabalho.

Outro parâmetro importante da amostra é o quão significativa da população ela é. É preciso haver uma distribuição de sexo, faixa etária, nível socio-econômico, localização geográfica, que possam ser uma representação fidedigna da população em geral, e que poderiam ter influência sobre o comportamento do voto.

O levantamento tem de ser feito em todo o território nacional. Deve envolver, no mínimo, 200 municípios (quanto mais dispersa a amostragem, melhor). Dos aspectos técnicos, a elaboração do questionário é o mais crucial. Perguntas de caráter neutro, que não induzam a respostas, nem permitam entendimento ambíguo. E não dá para chegar no entrevistado interrogando diretamente em quem ele vai votar. É preciso se aproximar por etapas, construir as questões de modo que ele se situe no universo da pesquisa, para, aí sim, apresentar os nomes dos candidatos (que devem estar dispostos em um papel circular, tipo uma pizza, para que nenhum nome fique em primeiro lugar – o que poderia interferir na resposta).

A margem de erro é um importante parâmetro a ser observado. Em geral, fica em torno de 2 a 4%, o que significa que os números divulgados podem ter uma variação para cima ou para baixo de dois ou mais pontos percentuais. Geralmente, quando sai divulgado na imprensa que candidato X está dois pontos à frente do candidato Y, a informação precisa ser relativizada, pois há uma margem de erro importante a ser considerada. Nesse caso, o mais correto seria escrever que eles estão em situação de empate técnico, que não existe diferença estatisticamente significativa.

 

 

*Rogério Jordão é jornalista e autor do livro “Crime (quase) Perfeito
Corrupção e Lavagem de Dinheiro no Brasil”
(Ed. Fundação Perseu Abramo)

 

Os sites indicados neste texto foram visitados em 06/09/2002

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