Geração interativa em debate

Geração interativa em debate

Especialistas discutiram a relação dos jovens com as telas digitais em evento promovido pelo EducaRede

Por Adriana Vieira e José Alves (Podcast)

 

O debate Gerações Interativas – uso responsável das telas digitais (Internet, celular, videogame e TV), realizado no último dia 30, reuniu especialistas na área de educação para discutir como educar crianças e adolescentes em uma cultura na qual as relações humanas são cada vez mais mediadas pelas tecnologias. Promovido pelo Programa EducaRede, o evento aconteceu na sede da Telefônica, em São Paulo, e foi transmitido ao vivo pela Internet (clique aqui para assistir à gravação do debate na íntegra).

“Os professores não podem renunciar à responsabilidade de saber usar a tecnologia. Isso significa comprometer o futuro dos alunos”, disse a debatedora Charo Sadaba, pesquisadora da Universidade de Navarra (Espanha) e coordenadora da pesquisa A Geração Interativa na Ibero-América – Crianças e Adolescentes diante das Telas.

Na ocasião, ela explicou o estudo realizado com cerca de 80 mil alunos de sete países, entre eles o Brasil, que teve como principal contribuição a criação de uma ferramenta para diagnosticar/medir nas escolas a relação dos alunos com as telas digitais. A pesquisa faz parte do projeto Gerações Interativas, que mantém o site Foro Generaciones Interactivas.

Além da pesquisadora espanhola, o debate teve mediação de Sérgio Mindlin, diretor–presidente da Fundação Telefônica, e a participação de Rodrigo Nejm, representante da SaferNet; Âmbar de Barros, jornalista e diretora do Núcleo Infanto-Juvenil da TV Cultura, e Claudemir Viana, coordenador da Comunidade Virtual Minha Terra, do Programa EducaRede. A plateia e os internautas também participaram do debate, que ainda contou com a presença de um grupo de alunos da escola estadual Simon Bolivar, de Diadema (SP). Os estudantes cobriram o evento e vão publicar uma reportagem coletiva no blog da escola (ouça a entrevista com alunos, abaixo).

Para Nejm, a geração interativa se relaciona de uma forma diferente com o mundo: “É uma mudança cognitiva que precisa ser levada em conta”. E completou: “Antes de mergulhar na compreensão da tecnologia, educadores precisam entender essa mudança da relação dos jovens com o mundo e com a educação”. O representante da SaferNet – instituição que combate o uso indevido da Internet para a prática de crimes e violações dos Direitos Humanos – ressaltou também a importância de pais e educadores compreenderem a Internet como um espaço público, que reflete o que a sociedade produz, e portanto oferece os mesmos riscos. “Todo pai ensina que seu filho não deve aceitar bala de estranhos. Agora, temos que ensinar cibercidadania”, exemplificou.

Claudemir Viana destacou que as TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) colocaram em xeque um modelo de educação que já era falho, e por isso é fundamental a formação continuada dos professores. “Ele era o centro do processo de ensino e aprendizagem, com a função de transmitir informações a seus alunos, que por sua vez tinham o papel de apenas absorvê-las e reproduzi-las. Hoje, com o acesso facilitado às informações, o papel do professor é provocar situações positivas para a construção do conhecimento, considerando a cultura midiática e os interesses dos estudantes.”

Segundo Viana, as telas digitais devem ser utilizadas sempre com uma proposta pedagógica na escola. Ele exemplificou com atividades do projeto Minha Terra, do EducaRede, como o desafio do Twitter (ferramenta de microblog), por meio do qual os alunos são motivados a formar grupos voltados para a pesquisa do tema que pesquisam no projeto. Nesses grupoas, eles podem trocar informações, sugestões de fontes e formar novas redes sociais. “É uma inovação mundial o uso do Twitter articulado a um projeto pedagógico”, concluiu.

Âmbar, uma das precursoras do debate sobre uso responsável da TV no Brasil, ressaltou o desafio posto pelas tecnologias: “Somos obrigados a trabalhar com uma ferramenta que nossos filhos/alunos manejam melhor”.  E ressaltou a enorme responsabilidade de pais e educadores na transmissão de valores para essa geração digital e, acima de tudo, de formar essas crianças e adolescentes para “serem capazes de pensar por conta própria, o que é muito mais difícil do que formar repetidores. Como vamos fazer isso, e fazer isso rapidamente? Talvez com o uso das novas tecnologias a gente consiga acelerar esse processo de formar e educar esse cidadão”, disse.

O evento foi finalizado com a apresentação da campanha da TV Cultura sobre Internet segura, que será lançada ainda este ano. Dirigida a crianças, jovens, pais e professores, a ação envolverá anúncios para mídia impressa, comercial de TV, banners para Web, spots para rádio e um portal que reunirá materiais e informações sobre o tema disponíveis na rede.

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

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