Escolas caminham pela paz

Manifestação no bairro paulistano da Pompéia reúne mil participantes, entre alunos, professores e pais

Por Priscila Gonsales

Quatro escolas estaduais da zona oeste da cidade de São Paulo, Zuleika de Barros, Miss Browne, José Candido de Souza e Brigadeiro Faria Lima, realizaram na manhã desta sexta-feira, 28/03, uma passeata pela paz no bairro da Pompéia. Segundo a Polícia Militar, cerca de mil pessoas participaram da manifestação, que contou com o apoio da comunidade local e do DSV (Departamento de Operações do Sistema Viário). Além de protestar contra a atual guerra entre a coalizão anglo-americana e o Iraque, a caminhada encerrou o Fórum Regional “A Escola de Nossos Sonhos”.

Promovido pela Secretaria Estadual de Educação, o Fórum ocorreu durante toda a semana e movimentou docentes, alunos e pais na discussão de propostas, estudos e iniciativas para a construção de uma escola de qualidade. Comerciantes e moradores recebiam mensagem dos alunos sobre a passeata.

Durante a passeata, os estudantes entregavam aos pedestres, moradores e comerciantes do bairro, a seguinte mensagem em papel: “O mundo dos nossos sonhos – Mesmo neste momento de horror, fazemos descobertas. Descobrimos o quanto podemos nos unir por um objetivo. Nunca as pessoas, no mundo todo, se uniram tanto por uma causa. Agora, sangue e petróleo se misturam e a paz nos parece cada vez mais longe. Como a democracia, o diálogo e o desenvolvimento perdem o seu lugar para o desrespeito à vida? Como em nome da ‘libertação de um povo’ matar e destruir com tanta ousadia tecnológica? Não! Não podemos ficar calados! Você pode! Você deve, manifestar o seu desgosto por esta grande covardia.”

Na escola Zuleika de Barros, o trabalho com os alunos começou bem antes do início do conflito. Os professores das mais variadas disciplinas se uniram e criaram um projeto integrado que abordou o tema a partir das origens históricas e dos interesses econômicos, políticos e sociais que sustentam a guerra. A iniciativa também incluiu leitura de jornais e revistas, pesquisa de opinião para avaliar como os estudantes se posicionavam diante da questão, e terminou com uma série de atividades práticas, como produção de cartazes, redação em grupo e a caminhada pela paz.

“Com o apoio da direção, pudemos aprofundar as discussões em classe, mesmo que tivéssemos de interromper por alguns dias o conteúdo básico da matéria”, conta o professor de geografia Geraldo Guimarães Junior. A professora de matemática Tânia Ferragino, enfatiza que o exercício da cidadania deve permear até mesmo os conteúdos da área de exatas. “A guerra não vai parar por nossa causa, mas temos que mostrar nossa indignação. O que está havendo é uma briga por poder de uma grande potência e um total desrespeito com outros países”, protestou o estudante Tiago Carreiro, 16 anos, do 2º ano do Ensino Médio. Sua colega, Sabrina Frizzi, completou: “Não importa se está acontecendo longe da gente, temos de ter consciência da tristeza que essa guerra representa para todas as nações do mundo, pois poderia acontecer com qualquer país.”

Entre os jovens estudantes, um grupo chamava a atenção do público na rua. Era a turma “caçula” de 1ª a 4ª série da escola José Cândido, que aguardava ansiosamente a chegada dos colegas maiores para se juntar ao grupo. “Eles estavam na maior expectativa”, conta a diretora Wanice Maria Bonavigo. “Trabalhamos o tema a semana toda  até o encerramento nessa caminhada. Todos estão conscientes que a escola de nossos sonhos é a que estamos, por isso, temos de fazer valer nosso papel de cidadão no mundo.”

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