Direções no espaço

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Espaço e movimento
Tipo: Metodologias

O objetivo primeiro desta proposta de trabalho é ampliar o repertório de movimentos dos alunos porque a variedade de formas de movimentação pessoal gera maior capacidade de expressão. Com essa atividade, propõe-se explorar os movimentos do corpo no espaço, e isso pode ser feito dentro da sala, bastando agrupar as carteiras em um canto e deixar o espaço livre.

Apresente a proposta da aula aos alunos, cuja intenção é fazê-los reconhecer o próprio corpo e seus movimentos corporais. Por isso, é fundamental que os exercícios sejam feitos em silêncio para que todos possam se concentrar. Se você preferir, coloque uma música instrumental pouco conhecida dos alunos para acompanhar os exercícios.

Proponha a seguinte seqüência:

Todos os alunos devem se deitar sobre colchonetes; na falta deles, sobre toalhas trazidas de casa.

Peça que fechem os olhos e sigam instruções como “sintam o bater do coração, concentrem-se na respiração, percebam o percurso feito pelo ar das narinas até o pulmão”.

Relembre cada parte do corpo para que os alunos possam se concentrar nela e percebê-la. Você pode conduzi-los com um tom de voz suave, falando de forma pausada: “Sintam os pés, pernas, joelhos, quadril, barriga, coluna, ombros, pescoço, braços, mãos, dedos, cabeça”.

Após esta percepção de cada parte do corpo, solicite aos alunos que iniciem movimentos, pouco a pouco: sentir o movimento da respiração e acompanhá-lo com o corpo, abrindo e fechando as mãos ou esticando e dobrando os pés.

A partir daí, os alunos deverão ampliar esses movimentos, mas ainda sem sair do lugar, como os de pernas e braços com o maior alcance possível.

Após explorarem ao máximo o espaço próximo, passam a fazer movimentos que ocupem todo o espaço da sala.

Ao finalizar esta etapa, é interessante conversar com os alunos sobre os movimentos realizados e as sensações experimentadas.

Na segunda aula, relembre os exercícios feitos na aula anterior. Depois disso, convide os alunos para caminharem lentamente em todas as direções da sala, sem encostar em nada nem em ninguém, procurando ocupar todos os espaços vazios. Na continuidade desse exercício, muitas propostas podem ser feitas para se explorar o ato de caminhar:

Andar muito lentamente, lento, normal, rápido, muito rápido, no ritmo do coração, no ritmo da respiração…

Andar na ponta dos pés, reto, curvado, com a barriga para frente, agachado…

Imaginar cenários em que estejam caminhando: sobre brasas, sobre pedra, na areia da praia, na rua, numa avenida movimentada, num pântano…

Proponha novos exercícios que explorem outras organizações espaciais:

todos num canto; depois, andar para ocupar a sala toda como uma revoada de pássaros;

ocupar a área central da sala e, em seguida, se espalhar como um monte de grãos derramados pelo chão.

A seguir, divida a classe em grupos e proponha a criação de uma seqüência de movimentos para apresentar à classe. A seqüência a ser criada deve conter movimentos:

internos de respiração e pulsação;
de gestualidade próxima do corpo;
de gestualidade ampla (sem locomoção);
de corpo solto no espaço.

É importante orientar os alunos para considerarem a seqüência como um trabalho coletivo, criando movimentos conjuntos ou complementares. Para facilitar, eles poderão imaginar uma cena do cotidiano para servir de “organizador” dos movimentos como, por exemplo, regar plantas. Nesse caso, ao se imaginar na situação proposta, pensa-se nos movimentos comuns a essa ação lembrando-se de seus detalhes.

Realizem os ensaios e agendem as apresentações. Lembre-se de que elas devem ser curtas o suficiente para serem encenadas durante a aula.

Feitas as apresentações, que poderão ocorrer em mais de uma aula, proponha aos alunos que avaliem em grupo:

se os movimentos pedidos estiveram presentes;
que movimentos estavam mais interessantes e
por quê;
se os movimentos tinham uma organização;
de quais movimentos gostaram mais e por quê;
o que acharam mais difícil;
o que acharam fácil;
se descobriram movimentos novos depois das aulas e quais foram.

A seguir, discuta com a classe toda o resultado desse trabalho. Este será um bom momento para observar se a proposta atingiu os objetivos inicialmente previstos. Sem dúvida, a discussão será uma experiência muito enriquecedora.

Referência:

BOAL, Augusto. 200 exercícios e jogos para o ator e o não-ator com vontade de dizer algo através do teatro. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979.

BOSSU, Henri & CHALANGUIER, Claude. A expressão corporal: método e prática. São Paulo, Difel, 1975.

Texto original: Maria Terezinha Teles Guerra
Consultoria pedagógica: Anamélia Bueno Buoro
Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

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