Das paredes da caverna aos muros da cidade

Disciplina: Arte – Educação Artística
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Artes Visuais
Tipo: Filme
Onde encontrar: Videolocadoras

Um dos grandes representantes da arte contemporânea foi Jean Michel Basquiat, cujos grafites nos muros de Nova Iorque ganharam o respeito da crítica e o lançaram no mundo das artes.

Convivemos hoje, nas grandes cidades, com inúmeras dessas manifestações que, embora ilegais, registram pensamentos e sentimentos, assim como os registravam os homens primitivos nas paredes de suas cavernas.

Essa atividade tem como objetivo refletir sobre expressões humanas e alguns registros deixados pelo homem neste planeta. Pela extensão das tarefas propostas, é necessário reservar cerca de quatro aulas para o seu desenvolvimento.

Uma idéia para entender um pouco e discutir sobre a arte contemporânea é assistir com os alunos ao filme “Basquiat, traços de uma vida”, de Julian Schnabel. Após assistir ao filme, o professor comenta com os alunos alguns aspectos que podem ser destacados, tais como:

A vontade que algumas pessoas têm de desenhar, de deixar sua marca;

A cena em que Basquiat, ainda criança, observa com encantamento a tela “Guernica”, do pintor espanhol Pablo Picasso (se os alunos não conhecem Picasso, é importante falar um pouco sobre ele). Essa cena representa o primeiro contato de Basquiat com uma obra de arte. Nesse momento, o professor pode perguntar aos alunos como foi seu primeiro contato com a arte.

As pinturas de Basquiat nas ruas de Nova Iorque (pode-se trazer cópias dessas imagens para a aula ou voltar ao filme);

A ascensão de Basquiat enquanto artista plástico (o filme traz parte de sua biografia, que pode ser complementada por pesquisa em livros de arte contemporânea);

As obras do artista plástico Andy Warhol também podem ser utilizadas, mostrando a ligação ou influência desse artista na vida de Basquiat;

As diferenças entre grafitagem e pichação (ver abaixo indicação de livro complementar), lembrando que ambas são ilegais;

As cores, formas, materiais e recursos utilizados por Basquiat;

Contar aos alunos que algumas obras de Basquiat estiveram expostas em São Paulo, na 23ª Bienal de Artes Plásticas, em 1996.

Depois dessa conversa, o professor pode falar ao grupo sobre a pré-história e a pintura nas cavernas, mostrando imagens dessa época, que podem ser encontradas em livros de Arte e de História.

A seguir, propõe ao grupo a seguinte atividade: diz que agora eles farão como Basquiat, serão grafiteiros com uma “parede” para deixar seu recado.

Preparação da atividade:

1. Montar painéis colando folhas de papel kraft grosso por toda a sala ou pátio, no maior tamanho possível e tentando cobrir todas as paredes.

2. Fornecer tintas e pincéis ao grupo e pedir que deixem no painel algo que gostariam de mostrar a todos que passassem pelas ruas da cidade, especialmente por meio de desenho e de pintura, podendo eventualmente utilizar também palavras.

Para finalizar a atividade, o professor pode fazer um paralelo entre as pinturas das cavernas, feitas pelo homem primitivo, e aquelas que aparecem nos muros da cidade, em pleno terceiro milênio.

Segundo a maioria dos pesquisadores de arte, os desenhos encontrados nas cavernas tinham uma função mágica, ritual. Os animais ali representados estariam aprisionados e, portanto, sua caça estaria garantida.

O que Basquiat e os grafiteiros de hoje pretendem “aprisionar”, mostrar, registrar ou denunciar nos muros das cidades? Todo artista tem uma intenção…

Para aprofundar:
GITAHY, Celso. O que é Graffiti? São Paulo: Brasiliense, 1999; Coleção Primeiros Passos.

Referência:
Basquiat, traços de uma vida, de Julian Schnabel. EUA, 1996, 106 minutos.

O filme traz a biografia do artista plástico Jean Michel Basquiat. Filho de pai haitiano e mãe porto-riquenha, Basquiat revela seu talento como grafiteiro. É assediado por marchands até ser descoberto, em 1981, por Andy Warhol, pai da Pop-Art. A partir daí tem uma ascensão meteórica, tornando-se uma estrela no mundo das artes, até sua morte prematura.

Texto original: Maria Terezinha Teles Guerra
Edição: Equipe EducaRede

Os sites indicados neste texto foram visitados em 18/04/2002

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

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