Como trabalhar com contos

Como trabalhar com contos

Disciplina:

Língua Portuguesa/Literatura

Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Conto
Tipo: Materiais didáticos

Essa atividade está sendo proposta para os professores que desejam trabalhar com o gênero literário conto, especialmente com os livros da coleção “Literatura em Minha Casa”, do Programa Nacional Biblioteca da Escola – PNBE, distribuídos pelo Ministério da Educação.

O acervo, destinado a alunos de 4ª e 5ª séries do Ensino Fundamental de todo o Brasil, compõe-se de cinco conjuntos de livros (cada um em um gênero literário – novela, conto, poesia, teatro, clássico), sendo que cada conjunto reúne seis títulos.

Para começar, é importante pensarmos um pouco sobre o gênero conto. O que é o conto? Alguns dizem que é uma narrativa bem mais curta do que o romance. Outros preferem destacar o fato de que o conto se concentra geralmente em um episódio central, envolvendo poucos personagens. Uma espécie de retrato de um acontecimento marcante na vida de certas pessoas. Um fato às vezes comum ganha outro significado, graças à sensibilidade do escritor, para revelar detalhes do comportamento humano que, em geral, não se percebe.

Por suas características, os contos podem ser interessantes de serem lidos e trabalhados em classe. Isto porque, além da ação concentrada e de poucos personagens, em geral eles são pouco extensos, e os jovens encontram diferentes temas em uma pequena antologia. Desse modo, é possível começar um projeto de leitura com esse gênero, com o objetivo de capacitar os alunos na leitura de textos um pouco mais extensos e trabalhar com as estruturas da narrativa.

De qualquer modo, em todos os gêneros literários, a leitura feita pelo professor é importante para que os alunos aprendam sobre as estratégias de leitura nas atividades de leitura colaborativa. Essa leitura é fundamental quando se tem por finalidade ampliar a competência leitora dos alunos, visando à leitura de textos mais extensos.

É comum os alunos se sentirem intimidados com a extensão de um determinado romance de aventura, ou mesmo de um conto mais longo. Com essa dificuldade, eles acabam selecionando sempre, para leitura, os textos mais curtos. É preciso, então, ensinar-lhes procedimentos de leitura que possibilitem a construção de uma competência para a leitura independente de textos mais longos.

Uma vez distribuídos os livros a serem trabalhados, o professor deve selecionar alguns contos que serão lidos pela classe, em conjunto, em determinadas datas pré-combinadas.

A seleção deve contemplar as necessidades e possibilidades de leitura dos alunos, sem sobrepor dificuldades: se se pretende ampliar sua proficiência na leitura de textos mais extensos, então é preciso isolar esta dificuldade de outras possíveis, selecionando um gênero que seja conhecido pelos alunos, no caso o conto, e um tema de seu interesse que não seja tratado de maneira muito complexa pelo autor.

O professor precisa, então, organizar um cronograma de leitura com os alunos: determinar as datas em que a leitura será feita em classe e os contos que serão lidos. Os alunos devem ser orientados a ler antecipadamente os textos, se assim o desejarem, o que facilita a conversa coletiva na aula. É importante fazer um cronograma que esteja inserido na rotina da classe. Por exemplo, se às quartas e sextas-feiras a classe trabalha com leitura de livros, as datas do cronograma devem contemplar esses dias.

Na data combinada, os alunos se organizam em grupos para acompanhar a leitura, se o número de livros não for suficiente para contemplar a todos.

O professor lê para os alunos, que acompanham a leitura em seus livros. Durante a leitura e depois dela, comenta o texto e problematiza os aspectos que considerar relevantes para a compreensão do texto, solicitando sempre a efetiva participação dos alunos.

É fundamental que o professor apresente informações sobre o autor – quem é, quando viveu, que tipos de temas costuma abordar em suas obras, algumas características de sua escrita – e sobre a época em que o texto foi produzido, podendo, até mesmo, relacioná-lo com outras obras contemporâneas.

Depois da leitura de alguns textos, o professor propõe que os alunos escolham no livro que receberam um novo conto e o leiam em casa. No dia combinado, a classe se organiza em três ou quatro grupos e o professor propõe a brincadeira “Telefone sem Fio”. É importante determinar antes o tempo que será destinado para essa etapa e sortear um aluno em cada círculo.

O aluno sorteado conta ao ouvido do colega ao lado o resumo da história que leu; porém, não pode repetir detalhes da história que está relatando.

O colega que ouviu reconta a história para o próximo, respeitando as mesmas regras, e assim por diante. O último vai contar para a classe a versão da história que chegou até ele.

O professor verifica se conhecem o ditado popular – “Quem conta um conto, aumenta um ponto” – e pergunta se concordam com tal afirmação. Em seguida, o aluno que iniciou a brincadeira e detentor da versão original deve contá-la para a classe. Todos os grupos fazem o mesmo.

O professor faz com a classe a comparação entre as versões, verificando os desvios, acréscimos e omissões em relação à versão original. Com a ajuda dos alunos, pode-se anotar na lousa ou em um papel pardo essas informações. Nesse momento, o professor aproveita para explorar a diferença das narrativas orais e o papel documental da escrita e da imagem.

Depois de ler todos os contos, o professor pode propor a produção de uma coletânea de contos reescritos a partir da visão de um dos personagens da narrativa. Por exemplo, recontar o conto “O Torcedor”, de Carlos Drummond de Andrade, do ponto de vista da moça ou de um outro torcedor que estava no ônibus, fazendo as mudanças necessárias na narrativa para integrar esse novo ponto de vista.

É preciso não esquecer que a produção desses textos deve ter um planejamento e uma revisão, com a reescrita de trechos ou correção, se necessárias. Outro aspecto importante é a organização da coletânea como um livro, incluindo ilustrações, capas, créditos dos autores. Caso o conjunto seja muito grande, é possível dividi-lo em dois livros ou fazer uma seleção entre os textos individuais da classe, estabelecendo-se critérios para seleção e um grupo de alunos para ajudar na escolha.

Para saber mais:
Pequeno glossário do conto
Pesquise na Biblioteca, as resenhas dos contos e as biografias dos autores.

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

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