Pesquisa sobre práticas corporais

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Pesquisa sobre práticas corporais
Tipo: Metodologias

Um trabalho de pesquisa sobre práticas corporais pode ampliar o universo de atividades esportivas conhecidas pelos alunos, favorecendo a escolha de práticas mais atrativas a cada um deles, além de exercitar o planejamento e a realização de pesquisa.

Esse roteiro não tem a pretensão de esgotar as possibilidades de pesquisa de um grupo de alunos, nem atender a todas as questões a respeito da prática corporal a ser pesquisada. Mas, com certeza, é o interesse genuíno pelo assunto que vai guiar o trabalho dos alunos.

É importante que a pesquisa seja precedida por uma conversa com a classe a respeito do que os alunos sabem sobre as práticas corporais. O professor pode mapear hipóteses, dúvidas, curiosidades que eles tenham, para orientar a pesquisa e mobilizá-los para a procura das respostas.

É importante sugerir aos alunos uma bibliografia básica e uma lista de sites para consulta (veja algumas sugestões), além de fornecer indicações de profissionais ou estabelecimentos a serem contatados, considerando as possibilidades de seu bairro e/ou cidade.

A pesquisa compreende duas etapas:

1. Pesquisa bibliográfica

Fase para a busca de informações em livros, revistas e Internet. Ela deve abranger os seguintes dados sobre a prática corporal escolhida:

  • significado do nome
  • aspectos históricos
  • princípios gerais e conceitos básicos
  • finalidade
  • método ou forma de trabalho
  • público-alvo

Com relação à história, não se deve limitar apenas ao seu início no tempo e espaço, mas procurar contextualizar essa época e esse lugar em termos de cultura: como estava estruturada a sociedade na qual a prática foi criada? Qual a concepção de saúde e de estética corporal que se tinha na época? Esse pode ser um trabalho a ser desenvolvido em conjunto com o professor de História.

2. Trabalho de campo

O universo de fontes pesquisadas pode ser ampliado, realizando-se entrevistas com profissionais da área e com praticantes da modalidade; visitando-se instituições que trabalhem com as práticas escolhidas; ou até mesmo com uma vivência da modalidade, se possível.

Esse trabalho de campo, no entanto, deve ser posterior à pesquisa bibliográfica, para que os alunos elaborem as dúvidas teóricas antecipadamente e, assim, consigam obter informações enriquecedoras por meio desse estudo.

É importante que o professor faça propostas aos grupos e discuta com eles a melhor forma de socializar esse conhecimento com os colegas.

O roteiro de pesquisa deve acompanhar um cronograma de atividades. Nele, é preciso reservar algumas aulas para organizar o trabalho e um tempo para o atendimento dos alunos e esclarecimento de dúvidas.

Texto original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier
Edição: Educarede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Painel de jogos

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Cultura corporal
Tipo: Metodologias

No contexto escolar, é importante valorizar o repertório de movimentos, brincadeiras, jogos e lutas que cada aluno traz consigo, garantindo um espaço de trocas e de elaboração conjunta de novas atividades.

Para trabalhar esse aspecto, uma sugestão é organizar um painel de jogos e brincadeiras que deve ser feito no início do ano, para que o professor possa aproveitá-lo no seu planejamento.

Fazendo e aproveitando o painel

  • Leve as crianças para uma sala de aula, para evitar que elas se dispersem, e organize-as em semicírculo. Cole na lousa uma folha de papel pardo e escreva no alto da folha o título: Painel de Jogos e Brincadeiras.
  • Pergunte sobre as brincadeiras das crianças na rua, no recreio, na visita a amigos de outros bairros, na visita a parentes. Anote as informações no painel, organizando-as em uma coluna. Conte as brincadeiras repetidas e escreva as variações de uma mesma brincadeira (zerinho e foguinho para pular corda) em uma chave ao lado da brincadeira original.
  • Faça uma segunda coluna hierarquizando as brincadeiras (com as variações), das mais citadas para as menos citadas. É importante que nenhuma fique de fora.
  • Peça às crianças que expliquem a primeira brincadeira do painel aos colegas que não a conhecem. Faça o jogo com a classe.
  • À medida que as outras brincadeiras vão sendo exploradas em outras aulas, você pode contextualizar a brincadeira, explicando, por exemplo, sua origem (www.uol.com.br/brasil500), aprimorando as habilidades envolvidas e construindo novas regras.

O site indicado neste texto foi visitado em 04/03/2002

Texto original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier
Edição: Educarede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Olhos Vendados

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Consciência Corporal, percepção sinestésica
Tipo: Metodologias

Nossas impressões visuais são, na maioria das vezes, mais desenvolvidas que as impressões provenientes dos outros órgãos dos sentidos. Esta proposta visa a mudar esse padrão e possibilitar aos alunos captarem informações do ambiente por meio de outros sentidos, salientando a importância da percepção sinestésica na execução de movimentos.

Depois de conversar sobre o objetivo da atividade, o professor organiza a turma em duplas e oferece um pano que sirva de venda para os olhos. Um aluno fica com os olhos vendados e o outro vai guiá-lo por um determinado percurso. Quando terminar o tempo combinado, as duplas voltam e invertem-se os papéis. Quem foi guia passa a ser guiado e vai fazer um percurso diferente do anterior.

O percurso deve permitir experiências motoras de andar explorando rampas, escadas e pisos diferenciados; passar por lugares estreitos e amplos, mais ou menos ensolarados, entre outras possibilidades; andar de frente, de costas, correndo ou saltando.

Durante o “passeio”, o guia é responsável pela segurança do companheiro que não está enxergando, tendo de avisá-lo e protegê-lo dos perigos, fazendo uso de uma linguagem não verbal, pois uma das regras é que os parceiros não podem se comunicar verbalmente. O estímulo à corrida ou o convite a um salto também devem ser feitos via comunicação não verbal.

Deve-se estipular um tempo (aproximadamente 15 minutos) para que os parceiros troquem de papéis e, depois, promover a troca de impressões pessoais sobre a experiência vivida. O professor deve explorar a riqueza de informações que a experiência permite e discutir com os alunos sobre a importância dessas observações, mesmo quando estamos de olhos bem abertos.

Texto original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier
Edição: Educarede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Medindo o Atletismo

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Conhecimento corporal
Tipo: Metodologias

Na 5ª ou 6ª série, os professores de Matemática e Educação Física podem desenvolver um trabalho interdisciplinar, envolvendo os conteúdos específicos de sistemas de medida e Atletismo, aliando a teoria e a prática de forma bastante significativa para o aluno.

Nas aulas de Matemática, os alunos podem se apropriar do conceito de medição e conhecer os padrões e instrumentos de medidas. Pode-se, inclusive, fazer uso de um livro paradidático bem interessante sobre o assunto: “Medindo Comprimentos”, de Nilson Machado.

Em Educação Física, o objetivo dessa atividade é oferecer aos alunos oportunidades para ampliar seu conhecimento corporal, por meio de suas próprias medidas e das medidas de suas performances em algumas provas básicas do Atletismo: as corridas, os saltos e os arremessos. A idéia é brincar com as medidas que, apesar de precisas, refletem um resultado relativo a um determinado momento e a uma determinada condição física.

Essa proposta não tem a intenção de estabelecer uma competitividade entre os alunos, em torno das medidas pessoais, e sim permitir a cada um deles um conhecimento maior de suas próprias capacidades, limitações e evolução.

Os professores das duas disciplinas envolvidas devem agendar previamente um encontro para trocar idéias a respeito do trabalho. Em Matemática, os alunos exercitam seus conhecimentos sobre o sistema decimal; já em Educação Física, desenvolvem suas habilidades em saltos e arremessos.

A idéia é que, no início do curso de Atletismo, o professor de Educação Física explique aos alunos a proposta de desenvolver os conteúdos específicos da modalidade, porém com um objetivo mais amplo: não só promover o desenvolvimento das habilidades motoras, mas também propiciar um maior autoconhecimento em relação às capacidades e habilidades individuais.

Cada aluno recebe uma ficha para registrar suas marcas pessoais no decorrer do curso. Essa ficha é preenchida pelo próprio aluno durante a atividade e deve ser deixada com o professor ao fim de cada aula. Para essas marcações, é necessário que o professor reserve algumas canetas para emprestar aos alunos na ocasião.

Cada aula inicia-se com um exame biométrico, para que todos os alunos tenham as medidas atualizadas de seu peso e altura. Essas medidas devem ser anotadas nas fichas pessoais de cada um. Nas aulas de Atletismo, anota-se, no local apropriado da ficha, a melhor marca do dia.

Essa ficha pode servir, posteriormente, para outros objetivos. Ela pode, por exemplo, ser guardada pelo professor de um ano para o outro, permitindo ao aluno acompanhar o seu crescimento e a sua evolução nas provas de Atletismo ao longo de todo o Ensino Fundamental. Para isso, terá de exercitar cálculos matemáticos para estabelecer as diferenças entre as várias marcas.

Depois que os alunos vivenciarem suficientemente o salto em extensão e incorporarem em seu salto as informações técnicas recebidas, o professor trabalha com outra ficha a ser distribuída a todos os alunos.

A Ficha Modelo II é apenas um exemplo de aproximação entre a Educação Física e a Matemática. Mas há outras possibilidades envolvendo mais diretamente as distâncias, ou mesmo os tempos das provas de corridas, o que pode ser explorado em outra atividade.

Para incrementar os cálculos a serem efetuados, o professor pode trazer uma tabela com os recordes brasileiros e mundiais de salto em extensão, nas categorias masculina e feminina, cujas informações podem ser obtidas no site da Confederação Brasileira de Atletismo.

Referência:
MACHADO, Nilson J. Medindo Comprimentos. São Paulo: Scipione, 1997 (Coleção Vivendo a Matemática).

Texto original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier
Edição: Educarede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Massagem na Educação Física

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Relaxamento
Tipo: Metodologias


A massagem normalmente é associada apenas aos seus efeitos terapêuticos, e é aplicada quando o indivíduo está com alguma enfermidade. Mas é importante observar que também podemos utilizá-la para relaxamento, desintoxicação e estética.

Esta atividade visa a ensinar aos alunos técnicas básicas de automassagem, que contribui tanto para a melhoria da qualidade de vida, como para fazê-los perceber melhor o próprio corpo.

Material necessário

  • Bolinhas de tênis, de borracha ou tocos de madeira feitos de cabo de vassoura de aproximadamente 15 cm de comprimento.
  • Aparelho de som.
  • Colchonetes (se não houver, peça aos alunos que tragam toalha de banho).

Preparação:

  • Avise os alunos com antecedência sobre esta atividade para evitar possíveis constrangimentos.
  • Leve-os para uma sala de aula limpa e sem carteiras. Peça a eles que fiquem descalços e retirem objetos como anéis, relógios e pulseiras.

Descrição da atividade

1) Automassagem com objeto

  • Em pé, descalço, com uma das mãos apoiada na parede, rolar o toco de madeira ou a bolinha de tênis sob um dos pés durante três minutos. É importante que o aluno explore todas as possibilidades: do calcanhar à ponta dos dedos. Repetir a atividade com o outro pé.
  • Sentado, rolar a bolinha ou o toco com a parte posterior da perna. O movimento deve ser feito lentamente, de baixo para cima, do tornozelo até a coxa, por dois minutos em cada perna.
  • Sentado, pernas levemente afastadas, friccionar a parte anterior e interna da perna, utilizando a bolinha ou o toco. Bastam dois minutos para cada perna.
  • Deitado, pernas semiflexionadas, elevar o quadril colocando a bolinha ou o toco na borda direita da coluna vertebral, acima do sacro (Vértebra L4). O aluno deve balancear o corpo suavemente. A cada dez balanceios, subir um pouco a bolinha ou o toco em direção à cabeça até atingir a primeira vértebra dorsal. É importante observar que não é sob a coluna, e sim sob o músculo paravertebral, distante um dedo da coluna lateralmente. Se usar o toco de madeira, apóie-o verticalmente.
  • Repetir o exercício sob a borda esquerda da coluna.
  • Deitado, pernas semiflexionadas, posicionar a bolinha ou o toco sob a cabeça, na base do osso occipital e balancear a cabeça suavemente para um lado e para o outro.
  • Sentado, massagear todo o braço com o auxílio da bolinha ou do toco. Bastam dois minutos para cada braço.

2) Automassagem sem objeto

  • Friccionar as mãos para ativar a circulação sangüínea e aquecê-las, preparando-as para a massagem.
  • Sentado, pernas levemente afastadas, o aluno flexiona a perna direita, apoiando o pé direito sobre a coxa esquerda. Com os dedos polegares, o aluno apalpa a planta do pé, como se fizesse uma “massa”, por dois minutos em cada pé.
  • Sentado, o aluno deve semiflexionar uma das pernas. Com os polegares das duas mãos, pressionar a panturrilha (músculo gastrocnêmio). Em seguida, a tíbia (osso frontal da perna), com movimentos circulares realizados com as palmas das mãos. Fazer a mesma coisa com o quadríceps e parte posterior da coxa, porém com as mãos fechadas em forma de soco. Repita o exercício para a outra perna.
  • Sentado, com a mão direita aberta e as pernas semiflexionadas, massagear o abdome com movimentos circulares no sentido horário, exercendo uma pressão suave.
  • Sentado, massagear a mão direita com o polegar da mão esquerda. Fazer o mesmo para a outra mão.
  • Sentado, massagear suavemente o braço direito com a mão esquerda e vice-versa, desde o punho até o ombro.
  • Sentado, massagear o ombro direito com a mão esquerda dando leves apertões. Na seqüência, passar para o pescoço: a mão que está massageando vai para trás do pescoço pelo lado da própria mão e aperta-o por trás, suavemente. Depois, inverter.
  • Sentado, com as mãos abertas e leves, massagear o rosto, como se o estivesse lavando.
  • Sentado, massagear o couro cabeludo com as pontas dos dedos das duas mãos.
  • Sentado, as mãos em forma de soco, massagear as costas, da coluna vertebral às costelas, até onde alcançar. Em seguida, fazer o mesmo na região da base da coluna vertebral.
  • Sentado, com as mãos em forma de concha (tapotagem), percutir por todas as partes do corpo, de baixo para cima, dos pés à cabeça.

É muito importante que o professor experimente todo o processo antes de orientar os alunos, pois há detalhes que só poderão ser observados e corrigidos na prática. Cabe também observar que uma música suave, de acordo com a preferência dos alunos, facilita o trabalho e aumenta o prazer.

Texto Original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Jogos de luta

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Consciência corporal
Tipo: Metodologias

As brincadeiras de luta representam uma necessidade infantil manifestada principalmente entre os meninos, sendo na maioria das vezes reprimidas e punidas.

A proposta é fazer uso de jogos de lutas, nos quais essa necessidade de contato corporal seja suprida de forma organizada e a criança possa expressar seu ímpeto em condições seguras, possibilitando a liberação da agressividade sem deixar de lado o reconhecimento do outro. Afinal, lutar com o outro é, antes de tudo, encontrá-lo fisicamente.

Ao longo da atividade, propicia-se que a criança:

  • Faça uso de uma variedade de deslocamentos, apoios e condutas motoras que contribuem para aperfeiçoar a sua imagem de corpo em construção.
  • Reconheça ser mais leve ou mais pesada; mais alta ou mais baixa; mais ágil ou mais lenta do que seu colega.
  • Desenvolva estratégias de ataque e defesa que se refinam com a análise das atitudes do adversário, pois qualquer desequilíbrio ou falta de atenção devem ser rapidamente aproveitados.

É importante lembrar que o contato físico com o outro provoca uma grande carga emocional. Os jogos de combate implicam agarrar, dominar, imobilizar, arrastar, empurrar. É preciso aceitar ser jogado no chão, ser imobilizado sob o corpo do outro e ser capaz de controlar todas as emoções que decorrem de tais experiências. Para tanto, os alunos devem contar com a ajuda do professor na conquista do autocontrole sobre impulsos e emoções e no trabalho da solidariedade e da tolerância à frustração.

Todos devem passar pelos papéis de defensor e atacante e observar os colegas. O professor socializa as conquistas individuais dos alunos, enfatizando as melhores estratégias para cada situação, estimulando a reflexão sobre as experiências vividas e ressaltando as diferenças entre os alunos como fonte de riqueza.

Exemplos de jogos:

1. Jogo de posse da bola:

Em duplas, uma das crianças, em posse da bola, tenta de todas as formas impedir que a outra a tome de suas mãos, em um minuto de disputa. À espera do sinal de início, a ser dado pelo professor, o defensor deve usar o seu corpo para proteger a bola, enquanto o atacante permanece ajoelhado cerca de 50 cm do guardião.

O professor deve banir as brutalidades, combinar e garantir as regras junto com os alunos e enunciar as estratégias possíveis para cada um dos papéis, fazendo com que as crianças verbalizem as tentativas de movimento executadas e suas respectivas intenções.

O defensor procura garantir o maior contato corporal possível com a bola, fazendo uso de todo o seu corpo para protegê-la. Pode resistir aos ataques, girando sobre seu próprio corpo e puxando a bola presa pelo adversário. O atacante, por sua vez, age diretamente sobre a bola, tentando agarrá-la e desprendê-la das mãos do colega, puxando-a e empurrando-a. Também pode agarrar o colega e tentar afastar seus braços ou suas mãos.

2. Jogo de deslocamento forçado:

Em duplas, dentro de um espaço quadrado delimitado, medindo 2m X 2m, uma das crianças tenta, de todas as formas, retirar a outra desse espaço, em um minuto de disputa. À espera do sinal de início, a ser dado pelo professor, as crianças devem permanecer ajoelhadas, no centro do quadrado.

O professor deve lembrar que as ações sobre o adversário não podem ser violentas e combinar, junto com os alunos, as possíveis estratégias de defesa e ataque.

Fonte de pesquisa adicional:
OLIVIER, Jean-Claude. Das Brigas aos Jogos com Regras: Enfrentando a Indisciplina na Escola. Porto Alegre: ARTMED, 2000.

Texto original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier
Edição: Educarede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

História de Pinóquio e Gepeto

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Consciência corporal, articulações
Tipo: Metodologias

Essa atividade deve ser proposta, de preferência, após a criação do Boneco articulado, pois ela propiciará às crianças uma melhor compreensão sobre as articulações e suas possibilidades de movimento.

O professor deve levar os alunos para uma sala de aula limpa, de preferência de piso quente (madeira ou carpete) e pedir que eles tirem os sapatos, deitem no chão em decúbito ventral (barriga para cima) e fechem os olhos. Se não houver sala com essas características, pode-se utilizar outro ambiente e contar com o auxílio de colchonetes.

O professor explica que irá contar uma história e, por isso, é necessário que todos permaneçam em silêncio e que só abram os olhos depois que a história terminar. Quando as crianças estiverem relaxadas e concentradas, contar a história de Pinóquio, com bastante expressividade e detalhes.

Depois de terminar a história, o professor diz aos alunos que Pinóquio é uma marionete e pergunta se eles já viram ou conhecem esse tipo de boneco. Deve explicar que a marionete se movimenta por meio de fios presos às articulações. Se houver possibilidade, pode levar uma no dia da atividade, mostrar ilustrações ou, ainda, mostrar trechos do filme “História de Pinócchio”, de Walt Disney. Em seguida, deve propor a atividade propriamente dita.

As crianças serão divididas em duplas: uma será a marionete (Pinóquio) e a outra será o manipulador (Gepeto). Devem ficar de pé, uma de frente para a outra. Por meio de fios imaginários presos às articulações (cotovelo, pulso, ombro, joelho, quadril e tornozelo), Gepeto deverá manipular Pinóquio, “puxando” ou “soltando” a articulação desejada. Pinóquio só deve se movimentar sob o comando de Gepeto, comportando-se exatamente como uma marionete.

Deve-se trabalhar, inicialmente, uma articulação de cada vez, buscando o máximo de concentração e clareza de movimentos, tanto por parte de Gepeto como de Pinóquio. No decorrer do exercício, é importante que as crianças explorem ao máximo as possibilidades articulares, não se limitando às grandes articulações, incluindo aos poucos as pequenas (pés e mãos) e até a coluna, que é considerada articulada.

Depois de explorar todas as articulações, os papéis são invertidos. Quem era Pinóquio vira Gepeto e vice-versa.

Como última etapa, todos os alunos se transformam em “Pinóquios” e realizam uma “dança” coletiva através de movimentos que privilegiem as articulações.

No fim, o professor pergunta sobre as articulações que eles tiveram mais facilidade ou dificuldade para trabalhar, quais delas são mais independentes ou móveis, e aproveita para reforçar o conceito de articulação.

Fonte de pesquisa adicional:
LABAN, Rudolf. Dança educativa moderna. São Paulo: Ícone, 1990.
Filme História do Pinócchio, de Walt Disney.

Texto original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier
Edição: Educarede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Expressões do corpo

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Conhecimento do corpo
Tipo: Metodologias

O objetivo dessa atividade é fazer com que os alunos explorem ao máximo o seu potencial expressivo corporal. Para desenvolvê-la, é necessário um aparelho de som, uma sala de aula limpa, fitas ou CDs com músicas instrumentais (sem letra).

Prepare a sala de aula, afastando as carteiras e criando um ambiente acolhedor com uma música de fundo. Converse com os alunos sobre o objetivo da aula e peça-lhes que tirem os sapatos e andem pela sala.

Possibilidades de comandos: ao sinal de uma palma, os alunos devem movimentar-se; duas palmas, devem parar para ouvir a instrução do que fazer.

Instruções:

  • Andar pela sala livremente, sem deixar espaços vazios; nas pontas dos pés; apoiando-se ora na borda interna dos pés, ora na externa; apoiando-se nos calcanhares.
  • Andar normalmente.
  • Explorar as possibilidades de movimentação das articulações: punho, cotovelo, ombro, joelho, tornozelo, coxa, coluna.
  • Explorar as possibilidade de aproximação e distanciamento das articulações, por exemplo: cotovelo e tornozelo; membros.
  • Explorar a movimentação de cabeça, tronco, pernas e braços.
  • Tocar o próprio corpo: quais as partes que conseguimos tocar? Em que partes isso não é possível?
  • Locomover-se de um ponto a outro da sala, sem utilizar passos (saltitando, pulando, girando, fazendo cambalhota); movimentando-se da cintura para baixo (nível baixo); do ombro para baixo (nível médio); do ombro para cima (nível alto).

À medida que os alunos respondem aos estímulos, o professor propõe novos desafios corporais e introduz variáveis com atividades em grupo, por exemplo: criar uma seqüência de movimentos em que as mãos estejam em evidência e apresentá-la aos colegas.

Fontes adicionais de pesquisa:
LABAN, Rudolf. Dança Moderna Educativa. São Paulo: Icone, 1990.
MARQUES, ISABEL A. Ensino de Dança Hoje, Textos e Contextos. São Paulo: Cortez, 1999.

Texto original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier
Edição: Educarede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Desafios grupais com cordas

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Jogo motor
Tipo: Jogos

Pular cordas é uma atividade que envolve habilidades como coordenação espaço-temporal e domínio de ritmo, e pode ser usada também quando se quer trabalhar a organização coletiva.

Para essa atividade, o professor divide a turma em equipes de dez a doze alunos, dá uma corda para cada grupo e propõe a eles que “pulem corda”, revezando os alunos que a batem. A idéia é propor, em um nível crescente de dificuldade, desafios que envolvam as habilidades individuais e a capacidade de organização do grupo. Pode-se alterar:

  • O número de pessoas que pulam simultaneamente.
  • O número de saltos permitidos a cada pessoa.
  • O número de vezes que a corda pode bater “vazia” (sem ninguém) entre um colega e outro do grupo.Exemplos de desafios:
  • “Cobrinha”: movimenta-se a corda rente ao chão, como se fosse uma cobra, e as crianças têm de pular por cima dessa cobra (esse desafio pode servir de aquecimento para os maiores ou de atividade para os menores).
  • “Reloginho”: as crianças formam um círculo e o professor (ou um aluno) fica em seu centro girando a corda, rente ao chão. As crianças devem pular a corda.
  • “Zerinho”: a atividade consiste em passar por baixo da corda, enquanto ela gira, sem pular. Depois, podem realizar o “zerinho em duplas”, com duas crianças de mãos dadas passando pela corda; o “zerinho em trios”, e assim por diante, até passar o grupo todo de mãos dadas.
  • “Corda maluca”: pular a corda batida ao contrário, para o lado inverso.
  • “Nunca três”: um aluno entra na corda e pula uma batida sozinha; na segunda batida, outra criança entra e pula uma batida junto com a primeira, que deve sair na terceira batida.
  • “Nunca vazia”: um aluno entra na corda, dá de um a três pulos antes de sair e a corda nunca deve bater “vazia” entre uma criança e outra.
  • “Sempre um”: o aluno deve entrar na corda e dar apenas um pulo antes de sair. A corda não pode nunca bater vazia e só pode ter uma criança de cada vez.

Para finalizar a atividade, o professor divide a classe em dois grupos e cada um deles propõe um desafio ao outro. Pode ser um dos desafios anteriores ou um criado por eles mesmos.

Texto original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier
Edição: Educarede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Caminho maluco

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Ginástica artística e conhecimento corporal
Tipo: Metodologias

Paralelamente a um trabalho de exploração e vivência de movimentos de Ginástica Artística como rolamentos para frente e para trás, estrela e rodante, pode-se propor aos alunos de 5ª e 6ª séries a confecção de um material bastante estimulante para enriquecer essa vivência.

Os alunos são organizados em grupos de quatro ou cinco componentes. Distribuem-se cartolinas, lápis e tesouras para desenhar e recortar partes do corpo: cabeça, tronco, quadril, mãos e pés. Essa representação pode utilizar formas geométricas, por exemplo, um círculo para a cabeça, um retângulo para o corpo, um quadrado para o quadril, enquanto as mãos e os pés podem se aproximar da forma real.

Para que todas essas peças fiquem em um tamanho ideal, convida-se um aluno do grupo para servir de modelo e deitar em cima da cartolina para os demais fazerem com ele um “molde” da cabeça e demais partes do corpo. Cada modelo pode servir de base para outras cópias, pois cada grupo precisa fazer cerca de dez cabeças, dez troncos, dez pares de mãos e 12 pares de pés.

Uma das possibilidades de uso desse material é a elaboração, por parte de cada grupo, de um percurso envolvendo os diversos movimentos já trabalhados em aula – rolamentos, estrelas, saltos em um pé só. Essa seqüência de movimentos é representada no chão, para que outro grupo tente “decifrá-la” e executá-la.

Por exemplo, uma “estrela” pode ser representada com um par de mãos paralelas, voltadas para um lado, seguidas de um par de pés dispostos lateralmente para o outro lado. Saltos em um pé só, por uma seqüência de pés direitos seguidos.

Em geral, os alunos se envolvem bastante com esse desafio, estudando a melhor forma de representar cada movimento e elaborar um percurso original, trocando idéias entre si e refazendo os movimentos diversas vezes na tentativa de decompô-lo em partes.

Quando todos os grupos estiverem com seus percursos representados no chão, o professor propõe a eles que desvendem o percurso criado pelos colegas e decifrem a seqüência de movimentos que ele representa.

Para avaliar se realmente acertaram, um aluno executa os movimentos. O grupo criador verifica se conseguiram descobrir todos os movimentos e os demais grupos avaliam se aquela proposta estava bem representada.

Texto original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier
Edição: Educarede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)