O aprendizado da convivência

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Controle das emoções
Tipo: Metodologias

Como é freqüente nas situações de jogo, questões afetivas e sociais das crianças aparecem no cotidiano das aulas, expressas em atitudes como recusa de participar da atividade quando não se está na mesma equipe dos melhores amigos; sair no meio do jogo, reclamando que ninguém passa a bola; chorar depois de uma derrota; direcionar gozações aos perdedores.

Essas manifestações precisam ser acolhidas e trabalhadas pelo professor, que deve ter em mente que elas representam uma dificuldade infantil genuína de lidar com as frustrações inerentes ao processo de socialização.

É interessante que o professor antecipe para os alunos situações como essas, de modo que, se surgirem, possam ser enfrentadas com mais tranqüilidade. O jeito é falar sobre os sentimentos que essas experiências podem suscitar, deixando claro que os compreende e reconhece a dificuldade de lidar com eles. Mas que, o viver em sociedade, implica muitas vezes ceder, esperar a vez, resolver conflitos. A convivência solidária deve ser exaustivamente buscada e, portanto, trabalhada.

Uma dica é variar a divisão de equipes:

  • Deixar que os alunos se escolham, garantindo que todos, sem exceção, tenham possibilidade de fazê-lo no decorrer do curso.
  • Utilizar critérios aleatórios, como vencedores do “par ou ímpar” e perdedores; aniversariantes do 1º e 2º semestre.
  • Utilizar critérios determinados como sexo, peso, habilidade, afinidade.
  • Fazer a distribuição de papéis coloridos ou apenas indicação de uma cor para cada aluno.

É importante comentar, antes da divisão das equipes, que provavelmente muitos alunos ficarão em grupos diferentes dos de seus amigos. Mesmo sendo difícil aceitar esse fato, essas mudanças são ótimas oportunidades para conhecerem melhor colegas com os quais não estão acostumados a se relacionar. Às vezes, até mudamos a opinião que temos sobre determinadas pessoas ao nos relacionarmos mais de perto com elas.

É fundamental, também, aproveitar cada conflito que aparecer na classe como possibilidade de aprendizagem para todos, com o cuidado de tentar perceber os sentimentos subjacentes às mensagens explicitadas e aos comportamentos manifestos.

Se compreendermos o que se passa com a outra pessoa, podemos responder a partir da perspectiva dela, manifestando uma sintonia importante, mesmo quando não concordamos com os fatos.

Outro ponto importante é retomar as situações difíceis que provocaram sentimentos e ficaram mal elaborados. Por meio de conversas constantes e cuidadosas, podem-se estabelecer e alcançar objetivos coletivos.

Texto original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier
Edição: Educarede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>