Travessia

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Desafio em grupo
Tipo: Metodologias
As dinâmicas do trabalho em grupo devem ser objeto de interesse de todas as áreas do conhecimento porque elas criam as condições favoráveis para se aprimorar a capacidade dos alunos de trabalhar coletivamente, sem desrespeitar suas individualidades. Não raras vezes, estas experiências são muito mais significativas e enriquecedoras para uma dada reflexão do que uma simples conversa. E os desafios em grupo geralmente conquistam todos os alunos quando instigados a resolver um determinado problema.

Para essa atividade são necessários três bambolês para cada grupo de 12 a 15 alunos, e um espaço de 15 a 20 metros, demarcado por duas linhas paralelas: uma inicial e outra final. Em uma quadra poliesportiva, pode-se usar a extensão da quadra de voleibol.

Para iniciar a atividade, divida a turma em grupos de aproximadamente 15 alunos. Cada grupo deve formar um pequeno círculo próximo à linha inicial; para isso, todos devem se sentar. Em seguida, o professor entrega três bambolês para cada uma das equipes e apresenta o desafio: fazer a travessia de todos os componentes do grupo até a linha final no menor tempo possível. Para isso, todo o deslocamento necessário só será permitido se feito dentro da área delimitada pelos bambolês.

Uma regra importante: não é permitido arrastar os bambolês pelo chão. Se algum integrante do grupo, por qualquer motivo, pisar fora dos bambolês, toda a equipe deve voltar à linha inicial e fazer nova tentativa. O grupo vencedor será aquele que primeiro completar essa travessia. E a partir dessas regras, os grupos terão 10 a 15 minutos para elaborar uma estratégia para atingir esse objetivo.

É muito comum entre os alunos surgirem várias dúvidas após essa breve explanação, mas o interessante para a realização da atividade é não explicá-la demais. Destaque apenas que as pessoas só podem atravessar a quadra, ou o local predeterminado, pisando dentro dos bambolês e que há diversas formas de o grupo se organizar para chegar à outra extremidade do espaço.

Durante todas as etapas da atividade é interessante que o professor observe atentamente como os alunos se comportam no momento de traçar as estratégias necessárias para atingir o objetivo proposto, por exemplo:

  • Todos têm a voz respeitada no grupo?
  • Todos se mobilizam com a questão?
  • Há lideranças? Como se relacionam com elas?
  • Como reagem aos equívocos de um companheiro?

Ao final da atividade, e após a empolgação natural por ela provocada, o resultado dessa observação deve ser apresentado cuidadosamente aos alunos. Em seguida, convide-os a comentar suas observações, ampliá-las, rebatê-las… Este momento será bastante enriquecedor para a formação de todos.

Texto Original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Trabalhando com os pés

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Fortalecimento dos músculos dos pés
Tipo: Metodologias

Os pés são os apoios que temos quando estamos na posição vertical e são eles que suportam o peso do nosso corpo. Conseqüentemente, uma boa postura é obtida a partir deles, quando alinhamos as pernas, a bacia, o tronco e a cabeça.

Quando um indivíduo possui pés debilitados, toda a sua postura fica comprometida. A Educação Física deve voltar-se para a promoção da saúde e não se restringir às habilidades necessárias para a prática desportiva. Assim, é recomendável que ela contemple habilidades relacionadas à funcionalidade do corpo, como ficar de pé, andar, sentar ou transportar peso, pois são essas habilidades que os alunos usam no seu cotidiano.

Descrição da Atividade

1ª etapa – Sensibilização e preparação

O professor inicia o trabalho em uma aula anterior à atividade propriamente dita, com uma conversa sobre a importância dos pés e sua funcionalidade. Pode levantar questões como:

  • Para que servem os pés?
  • Eles são uma parte do corpo de que você gosta?
  • O que causa o mau cheiro dos pés (chulé)?
  • Você sabia que se pode fortalecer os pés por meio de ginástica?
  • Você sabia que, segundo a medicina oriental, pode-se atingir a maioria dos órgãos do corpo ao massagear os pés?Em seguida, o professor fala sobre apoio, postura, asseio e a importância do uso de calçados adequados. Depois, combina com os alunos sobre a aula seguinte, em que será realizada uma ginástica para os pés, sendo necessário que estes estejam bem limpos (higienizados), pois os sapatos serão retirados.

    2ª etapa – Atividade propriamente dita

    Essa atividade é constituída por um circuito de dez estações numeradas, que pode ser montado na quadra, pátio ou mesmo na sala de aula. Os alunos dividem-se em grupos eqüitativos (por exemplo, no caso de trinta alunos, ficam três por estação). Cada grupo permanece por um minuto em cada estação, realizando o movimento estipulado, deixando-se um tempo de aproximadamente trinta segundos para a troca de estações.

    Cada grupo escolhe uma estação para iniciar a atividade e depois segue para a seguinte, conforme a seqüência numérica. O professor faz um aquecimento inicial e um relaxamento no fim da aula.

    Material necessário:

  • Cabos de vassoura
  • Bambolês
  • Bolinhas de gude
  • Caixas de papelão
  • Escada ou tábua
  • Plinto
  • Latas (tamanho leite em pó)
  • Papel e caneta
  • Bolas
  • Pedrinhas
  • Papel de jornal ou revista
  • Cones ou fita crepe
  • Tambor plástico ou de metalAntes da chegada dos alunos, o professor prepara as dez estações, que devem ser sinalizadas por cones ou fita crepe.

    Aquecimento Inicial

    Os alunos tiram os sapatos e sentam-se em um grande círculo, com as pernas estendidas. Devem observar seus pés quanto a tamanho, largura, cor, temperatura e sensações. Essas impressões devem ser guardadas para comparação no fim da aula.

    Levantam e andam livremente pelo espaço, tentando apoiar todo o pé no chão, “desenrolando-o” do calcanhar à ponta. Em seguida, ao comando do professor, os alunos caminham apoiando as seguintes partes:

  • Calcanhar
  • Ponta dos pés
  • Borda externa
  • Borda internaPara finalizar o aquecimento, os alunos andam alternando livremente esses quatro apoios. Em seguida, realizam o circuito.

    Relaxamento Final

    Ao comando do professor, os alunos retomam a disposição do início da aula (em círculo, com as pernas estendidas). Devem observar atentamente se houve mudanças nos seus pés em relação às impressões obtidas no aquecimento (tamanho, largura, cor, temperatura, sensações). Em seguida, cada um comenta suas impressões com o grupo. O professor deve concluir ressaltando a importância dos pés, retomando a conversa da aula anterior.

 

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

 

Pesquisa sobre práticas corporais

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Pesquisa sobre práticas corporais
Tipo: Metodologias

Um trabalho de pesquisa sobre práticas corporais pode ampliar o universo de atividades esportivas conhecidas pelos alunos, favorecendo a escolha de práticas mais atrativas a cada um deles, além de exercitar o planejamento e a realização de pesquisa.

Esse roteiro não tem a pretensão de esgotar as possibilidades de pesquisa de um grupo de alunos, nem atender a todas as questões a respeito da prática corporal a ser pesquisada. Mas, com certeza, é o interesse genuíno pelo assunto que vai guiar o trabalho dos alunos.

É importante que a pesquisa seja precedida por uma conversa com a classe a respeito do que os alunos sabem sobre as práticas corporais. O professor pode mapear hipóteses, dúvidas, curiosidades que eles tenham, para orientar a pesquisa e mobilizá-los para a procura das respostas.

É importante sugerir aos alunos uma bibliografia básica e uma lista de sites para consulta (veja algumas sugestões), além de fornecer indicações de profissionais ou estabelecimentos a serem contatados, considerando as possibilidades de seu bairro e/ou cidade.

A pesquisa compreende duas etapas:

1. Pesquisa bibliográfica

Fase para a busca de informações em livros, revistas e Internet. Ela deve abranger os seguintes dados sobre a prática corporal escolhida:

  • significado do nome
  • aspectos históricos
  • princípios gerais e conceitos básicos
  • finalidade
  • método ou forma de trabalho
  • público-alvo

Com relação à história, não se deve limitar apenas ao seu início no tempo e espaço, mas procurar contextualizar essa época e esse lugar em termos de cultura: como estava estruturada a sociedade na qual a prática foi criada? Qual a concepção de saúde e de estética corporal que se tinha na época? Esse pode ser um trabalho a ser desenvolvido em conjunto com o professor de História.

2. Trabalho de campo

O universo de fontes pesquisadas pode ser ampliado, realizando-se entrevistas com profissionais da área e com praticantes da modalidade; visitando-se instituições que trabalhem com as práticas escolhidas; ou até mesmo com uma vivência da modalidade, se possível.

Esse trabalho de campo, no entanto, deve ser posterior à pesquisa bibliográfica, para que os alunos elaborem as dúvidas teóricas antecipadamente e, assim, consigam obter informações enriquecedoras por meio desse estudo.

É importante que o professor faça propostas aos grupos e discuta com eles a melhor forma de socializar esse conhecimento com os colegas.

O roteiro de pesquisa deve acompanhar um cronograma de atividades. Nele, é preciso reservar algumas aulas para organizar o trabalho e um tempo para o atendimento dos alunos e esclarecimento de dúvidas.

Texto original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier
Edição: Educarede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Pega-pega colorido

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Jogo motor
Tipo: Jogos

O pega-pega é uma atividade muito utilizada na Educação Infantil e no Ensino Fundamental, pois por meio dela trabalham-se várias habilidades: velocidade, agilidade, relações espaciais, estratégias de captura e de fuga. O pega-pega também é apropriado para o Ensino Médio como forma de aquecimento ou parte principal da aula, desde que adaptado para essa faixa etária.

Pega–pega colorido

Nesse pega-pega, trabalha-se com resolução de problemas e cooperação de equipes. São necessários quatro jogos de “coletes” de cores variadas (camisetas cortadas ou papel/fita preso na camiseta).

Tomemos como exemplo uma classe de trinta e dois alunos. Será feita uma divisão em quatro equipes de oito integrantes. Cada equipe recebe as quatro cores de colete, por exemplo, dois coletes amarelos, dois vermelhos, dois brancos e dois azuis, formando uma equipe colorida. Em seguida, posiciona-se cada equipe em um canto da quadra para o início do jogo.

O jogo

O professor determina as cores que cada participante deve pegar. Por exemplo: os alunos com colete amarelo só pegam os azuis; os azuis pegam os brancos; os brancos só pegam os vermelhos e esses apenas os amarelos.

As equipes devem desenvolver estratégias de captura, proteção e fuga para se preservarem. Ao pensar as estratégias, deve-se levar em conta que todos podem pegar ou serem pegos, e que cada equipe deve trabalhar de forma cooperativa. Os que forem pegos saem do jogo. Ganha a equipe que terminar com o maior número de componentes.

À medida que se realizam várias rodadas ou partidas, os alunos passam a entender melhor o jogo e a aperfeiçoar as estratégias. O jogo passa a ser mais calculado, e criam-se situações de desafio e novidade atrativas para o adolescente.

Observação:
Esse jogo foi criado em 2001, por alunos do Ensino Médio do Colégio Equipe, na Disciplina Ed. Física – Modalidade Jogos Cooperativos, ministrada pela Profa. Iza Anacleto.

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Painel de jogos

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Cultura corporal
Tipo: Metodologias

No contexto escolar, é importante valorizar o repertório de movimentos, brincadeiras, jogos e lutas que cada aluno traz consigo, garantindo um espaço de trocas e de elaboração conjunta de novas atividades.

Para trabalhar esse aspecto, uma sugestão é organizar um painel de jogos e brincadeiras que deve ser feito no início do ano, para que o professor possa aproveitá-lo no seu planejamento.

Fazendo e aproveitando o painel

  • Leve as crianças para uma sala de aula, para evitar que elas se dispersem, e organize-as em semicírculo. Cole na lousa uma folha de papel pardo e escreva no alto da folha o título: Painel de Jogos e Brincadeiras.
  • Pergunte sobre as brincadeiras das crianças na rua, no recreio, na visita a amigos de outros bairros, na visita a parentes. Anote as informações no painel, organizando-as em uma coluna. Conte as brincadeiras repetidas e escreva as variações de uma mesma brincadeira (zerinho e foguinho para pular corda) em uma chave ao lado da brincadeira original.
  • Faça uma segunda coluna hierarquizando as brincadeiras (com as variações), das mais citadas para as menos citadas. É importante que nenhuma fique de fora.
  • Peça às crianças que expliquem a primeira brincadeira do painel aos colegas que não a conhecem. Faça o jogo com a classe.
  • À medida que as outras brincadeiras vão sendo exploradas em outras aulas, você pode contextualizar a brincadeira, explicando, por exemplo, sua origem (www.uol.com.br/brasil500), aprimorando as habilidades envolvidas e construindo novas regras.

O site indicado neste texto foi visitado em 04/03/2002

Texto original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier
Edição: Educarede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Olimpíadas de Atletismo em equipes

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Evento esportivo
Tipo: Metodologias

Muitas vezes, as escolas se prendem demais às regras convencionais dos esportes, perdendo a oportunidade de explorá-los de forma mais criativa e adequada à construção de atitudes interativas e solidárias.

A idéia dessa proposta é a organização de uma “Olimpíada de Atletismo em Equipes” que promova a integração dos alunos de 5ª a 8ª série, de modo que todos se sintam realmente desafiados a dar o melhor de si, sem privilegiar apenas aqueles que possuem as melhores performances em cada prova.

O professor organiza com os alunos:

  • Um “Comitê das Olimpíadas”, composto por dois alunos de cada série, que ajudam o professor na organização geral do evento, nas inscrições e no julgamento das provas.
  • Equipes mistas, procurando desfazer “panelinhas” e manter equilíbrio de representação por série.
  • As provas que irão compor a “Olimpíada” podem incluir velocidade (a distância pode ser negociada), salto em extensão, salto em altura, arremesso de peso (o material a ser utilizado como “peso” também pode ser negociado).

Cada equipe se organiza de forma a inscrever um determinado número de alunos de cada série em cada prova, e todos os alunos devem participar de um número mínimo de provas. Esses números precisam ser pensados pelo Comitê, assessorando o professor.

A equipe campeã de cada prova é aquela que obtiver o maior somatório das marcas individuais de todos os membros da equipe. A equipe campeã da “Olimpíada”, por sua vez, é a que atingir o maior somatório em todas as provas.

Para finalizar o evento, é interessante promover uma avaliação com os alunos, identificando aspectos positivos e negativos dessa forma de organização, com o objetivo de aperfeiçoá-la e adequá-la às expectativas de alunos e professores.

Texto original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier
Edição: Educarede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Olhos Vendados

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Consciência Corporal, percepção sinestésica
Tipo: Metodologias

Nossas impressões visuais são, na maioria das vezes, mais desenvolvidas que as impressões provenientes dos outros órgãos dos sentidos. Esta proposta visa a mudar esse padrão e possibilitar aos alunos captarem informações do ambiente por meio de outros sentidos, salientando a importância da percepção sinestésica na execução de movimentos.

Depois de conversar sobre o objetivo da atividade, o professor organiza a turma em duplas e oferece um pano que sirva de venda para os olhos. Um aluno fica com os olhos vendados e o outro vai guiá-lo por um determinado percurso. Quando terminar o tempo combinado, as duplas voltam e invertem-se os papéis. Quem foi guia passa a ser guiado e vai fazer um percurso diferente do anterior.

O percurso deve permitir experiências motoras de andar explorando rampas, escadas e pisos diferenciados; passar por lugares estreitos e amplos, mais ou menos ensolarados, entre outras possibilidades; andar de frente, de costas, correndo ou saltando.

Durante o “passeio”, o guia é responsável pela segurança do companheiro que não está enxergando, tendo de avisá-lo e protegê-lo dos perigos, fazendo uso de uma linguagem não verbal, pois uma das regras é que os parceiros não podem se comunicar verbalmente. O estímulo à corrida ou o convite a um salto também devem ser feitos via comunicação não verbal.

Deve-se estipular um tempo (aproximadamente 15 minutos) para que os parceiros troquem de papéis e, depois, promover a troca de impressões pessoais sobre a experiência vivida. O professor deve explorar a riqueza de informações que a experiência permite e discutir com os alunos sobre a importância dessas observações, mesmo quando estamos de olhos bem abertos.

Texto original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier
Edição: Educarede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

O aprendizado da convivência

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Fundamental – 1ª a 4ª
Assunto: Controle das emoções
Tipo: Metodologias

Como é freqüente nas situações de jogo, questões afetivas e sociais das crianças aparecem no cotidiano das aulas, expressas em atitudes como recusa de participar da atividade quando não se está na mesma equipe dos melhores amigos; sair no meio do jogo, reclamando que ninguém passa a bola; chorar depois de uma derrota; direcionar gozações aos perdedores.

Essas manifestações precisam ser acolhidas e trabalhadas pelo professor, que deve ter em mente que elas representam uma dificuldade infantil genuína de lidar com as frustrações inerentes ao processo de socialização.

É interessante que o professor antecipe para os alunos situações como essas, de modo que, se surgirem, possam ser enfrentadas com mais tranqüilidade. O jeito é falar sobre os sentimentos que essas experiências podem suscitar, deixando claro que os compreende e reconhece a dificuldade de lidar com eles. Mas que, o viver em sociedade, implica muitas vezes ceder, esperar a vez, resolver conflitos. A convivência solidária deve ser exaustivamente buscada e, portanto, trabalhada.

Uma dica é variar a divisão de equipes:

  • Deixar que os alunos se escolham, garantindo que todos, sem exceção, tenham possibilidade de fazê-lo no decorrer do curso.
  • Utilizar critérios aleatórios, como vencedores do “par ou ímpar” e perdedores; aniversariantes do 1º e 2º semestre.
  • Utilizar critérios determinados como sexo, peso, habilidade, afinidade.
  • Fazer a distribuição de papéis coloridos ou apenas indicação de uma cor para cada aluno.

É importante comentar, antes da divisão das equipes, que provavelmente muitos alunos ficarão em grupos diferentes dos de seus amigos. Mesmo sendo difícil aceitar esse fato, essas mudanças são ótimas oportunidades para conhecerem melhor colegas com os quais não estão acostumados a se relacionar. Às vezes, até mudamos a opinião que temos sobre determinadas pessoas ao nos relacionarmos mais de perto com elas.

É fundamental, também, aproveitar cada conflito que aparecer na classe como possibilidade de aprendizagem para todos, com o cuidado de tentar perceber os sentimentos subjacentes às mensagens explicitadas e aos comportamentos manifestos.

Se compreendermos o que se passa com a outra pessoa, podemos responder a partir da perspectiva dela, manifestando uma sintonia importante, mesmo quando não concordamos com os fatos.

Outro ponto importante é retomar as situações difíceis que provocaram sentimentos e ficaram mal elaborados. Por meio de conversas constantes e cuidadosas, podem-se estabelecer e alcançar objetivos coletivos.

Texto original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier
Edição: Educarede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Medindo o Atletismo

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Fundamental – 5ª a 9ª
Assunto: Conhecimento corporal
Tipo: Metodologias

Na 5ª ou 6ª série, os professores de Matemática e Educação Física podem desenvolver um trabalho interdisciplinar, envolvendo os conteúdos específicos de sistemas de medida e Atletismo, aliando a teoria e a prática de forma bastante significativa para o aluno.

Nas aulas de Matemática, os alunos podem se apropriar do conceito de medição e conhecer os padrões e instrumentos de medidas. Pode-se, inclusive, fazer uso de um livro paradidático bem interessante sobre o assunto: “Medindo Comprimentos”, de Nilson Machado.

Em Educação Física, o objetivo dessa atividade é oferecer aos alunos oportunidades para ampliar seu conhecimento corporal, por meio de suas próprias medidas e das medidas de suas performances em algumas provas básicas do Atletismo: as corridas, os saltos e os arremessos. A idéia é brincar com as medidas que, apesar de precisas, refletem um resultado relativo a um determinado momento e a uma determinada condição física.

Essa proposta não tem a intenção de estabelecer uma competitividade entre os alunos, em torno das medidas pessoais, e sim permitir a cada um deles um conhecimento maior de suas próprias capacidades, limitações e evolução.

Os professores das duas disciplinas envolvidas devem agendar previamente um encontro para trocar idéias a respeito do trabalho. Em Matemática, os alunos exercitam seus conhecimentos sobre o sistema decimal; já em Educação Física, desenvolvem suas habilidades em saltos e arremessos.

A idéia é que, no início do curso de Atletismo, o professor de Educação Física explique aos alunos a proposta de desenvolver os conteúdos específicos da modalidade, porém com um objetivo mais amplo: não só promover o desenvolvimento das habilidades motoras, mas também propiciar um maior autoconhecimento em relação às capacidades e habilidades individuais.

Cada aluno recebe uma ficha para registrar suas marcas pessoais no decorrer do curso. Essa ficha é preenchida pelo próprio aluno durante a atividade e deve ser deixada com o professor ao fim de cada aula. Para essas marcações, é necessário que o professor reserve algumas canetas para emprestar aos alunos na ocasião.

Cada aula inicia-se com um exame biométrico, para que todos os alunos tenham as medidas atualizadas de seu peso e altura. Essas medidas devem ser anotadas nas fichas pessoais de cada um. Nas aulas de Atletismo, anota-se, no local apropriado da ficha, a melhor marca do dia.

Essa ficha pode servir, posteriormente, para outros objetivos. Ela pode, por exemplo, ser guardada pelo professor de um ano para o outro, permitindo ao aluno acompanhar o seu crescimento e a sua evolução nas provas de Atletismo ao longo de todo o Ensino Fundamental. Para isso, terá de exercitar cálculos matemáticos para estabelecer as diferenças entre as várias marcas.

Depois que os alunos vivenciarem suficientemente o salto em extensão e incorporarem em seu salto as informações técnicas recebidas, o professor trabalha com outra ficha a ser distribuída a todos os alunos.

A Ficha Modelo II é apenas um exemplo de aproximação entre a Educação Física e a Matemática. Mas há outras possibilidades envolvendo mais diretamente as distâncias, ou mesmo os tempos das provas de corridas, o que pode ser explorado em outra atividade.

Para incrementar os cálculos a serem efetuados, o professor pode trazer uma tabela com os recordes brasileiros e mundiais de salto em extensão, nas categorias masculina e feminina, cujas informações podem ser obtidas no site da Confederação Brasileira de Atletismo.

Referência:
MACHADO, Nilson J. Medindo Comprimentos. São Paulo: Scipione, 1997 (Coleção Vivendo a Matemática).

Texto original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier
Edição: Educarede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)

Massagem na Educação Física

Disciplina: Educação Física
Ciclo: Ensino Médio
Assunto: Relaxamento
Tipo: Metodologias


A massagem normalmente é associada apenas aos seus efeitos terapêuticos, e é aplicada quando o indivíduo está com alguma enfermidade. Mas é importante observar que também podemos utilizá-la para relaxamento, desintoxicação e estética.

Esta atividade visa a ensinar aos alunos técnicas básicas de automassagem, que contribui tanto para a melhoria da qualidade de vida, como para fazê-los perceber melhor o próprio corpo.

Material necessário

  • Bolinhas de tênis, de borracha ou tocos de madeira feitos de cabo de vassoura de aproximadamente 15 cm de comprimento.
  • Aparelho de som.
  • Colchonetes (se não houver, peça aos alunos que tragam toalha de banho).

Preparação:

  • Avise os alunos com antecedência sobre esta atividade para evitar possíveis constrangimentos.
  • Leve-os para uma sala de aula limpa e sem carteiras. Peça a eles que fiquem descalços e retirem objetos como anéis, relógios e pulseiras.

Descrição da atividade

1) Automassagem com objeto

  • Em pé, descalço, com uma das mãos apoiada na parede, rolar o toco de madeira ou a bolinha de tênis sob um dos pés durante três minutos. É importante que o aluno explore todas as possibilidades: do calcanhar à ponta dos dedos. Repetir a atividade com o outro pé.
  • Sentado, rolar a bolinha ou o toco com a parte posterior da perna. O movimento deve ser feito lentamente, de baixo para cima, do tornozelo até a coxa, por dois minutos em cada perna.
  • Sentado, pernas levemente afastadas, friccionar a parte anterior e interna da perna, utilizando a bolinha ou o toco. Bastam dois minutos para cada perna.
  • Deitado, pernas semiflexionadas, elevar o quadril colocando a bolinha ou o toco na borda direita da coluna vertebral, acima do sacro (Vértebra L4). O aluno deve balancear o corpo suavemente. A cada dez balanceios, subir um pouco a bolinha ou o toco em direção à cabeça até atingir a primeira vértebra dorsal. É importante observar que não é sob a coluna, e sim sob o músculo paravertebral, distante um dedo da coluna lateralmente. Se usar o toco de madeira, apóie-o verticalmente.
  • Repetir o exercício sob a borda esquerda da coluna.
  • Deitado, pernas semiflexionadas, posicionar a bolinha ou o toco sob a cabeça, na base do osso occipital e balancear a cabeça suavemente para um lado e para o outro.
  • Sentado, massagear todo o braço com o auxílio da bolinha ou do toco. Bastam dois minutos para cada braço.

2) Automassagem sem objeto

  • Friccionar as mãos para ativar a circulação sangüínea e aquecê-las, preparando-as para a massagem.
  • Sentado, pernas levemente afastadas, o aluno flexiona a perna direita, apoiando o pé direito sobre a coxa esquerda. Com os dedos polegares, o aluno apalpa a planta do pé, como se fizesse uma “massa”, por dois minutos em cada pé.
  • Sentado, o aluno deve semiflexionar uma das pernas. Com os polegares das duas mãos, pressionar a panturrilha (músculo gastrocnêmio). Em seguida, a tíbia (osso frontal da perna), com movimentos circulares realizados com as palmas das mãos. Fazer a mesma coisa com o quadríceps e parte posterior da coxa, porém com as mãos fechadas em forma de soco. Repita o exercício para a outra perna.
  • Sentado, com a mão direita aberta e as pernas semiflexionadas, massagear o abdome com movimentos circulares no sentido horário, exercendo uma pressão suave.
  • Sentado, massagear a mão direita com o polegar da mão esquerda. Fazer o mesmo para a outra mão.
  • Sentado, massagear suavemente o braço direito com a mão esquerda e vice-versa, desde o punho até o ombro.
  • Sentado, massagear o ombro direito com a mão esquerda dando leves apertões. Na seqüência, passar para o pescoço: a mão que está massageando vai para trás do pescoço pelo lado da própria mão e aperta-o por trás, suavemente. Depois, inverter.
  • Sentado, com as mãos abertas e leves, massagear o rosto, como se o estivesse lavando.
  • Sentado, massagear o couro cabeludo com as pontas dos dedos das duas mãos.
  • Sentado, as mãos em forma de soco, massagear as costas, da coluna vertebral às costelas, até onde alcançar. Em seguida, fazer o mesmo na região da base da coluna vertebral.
  • Sentado, com as mãos em forma de concha (tapotagem), percutir por todas as partes do corpo, de baixo para cima, dos pés à cabeça.

É muito importante que o professor experimente todo o processo antes de orientar os alunos, pois há detalhes que só poderão ser observados e corrigidos na prática. Cabe também observar que uma música suave, de acordo com a preferência dos alunos, facilita o trabalho e aumenta o prazer.

Texto Original: Iza Anaclêto e Mônica Arruda Xavier

Edição: Equipe EducaRede

(CC BY-NC Acervo Educarede Brasil)